Archive for the ‘Espanha’ Category

Encontro Mistral: Parte I

9 de Junho de 2016

Atualmente, é muito comum as grandes importadoras de vinho promoverem encontros entre suas principais marcas e seus clientes ou potenciais consumidores. Quem começou tudo isso, bem lá atrás, foi a importadora Mistral, referência em grandes rótulos no cenário mundial.

Sempre com grande público, é difícil pinçar um grupo de vinhos em meio a tantos expoentes. Em todo caso, sob alguns critérios como novidade, curiosidade, bom preço, além da qualidade do produto, separamos alguns rótulos em destaque.

Gaía

Não confundir com Gaja, o grande nome do Piemonte também importado pela Mistral. Neste caso, estamo falando da Grécia, terra dos vinhos lá na Antiguidade. Quem já leu o livro do grande sommelier italiano, Enrico Bernardo, campeão mundial em Atenas na Grécia, pode verificar sua menção ao belo Vinsanto da ilha de Santorini. Elaborado com a uva autóctone Assyrtiko, é um vinho que deve ser conhecido. Original, concentrado, muito equilibrado, e longo em boca. Precisa ser um toscano muito bom para poder ombreá-lo. E digo mais, em termos de qualidade e com preço bem menor, é o que mais se assemelha aos Vinsantos do consagrado produtor toscano de Montepulciano (não a uva e sim, o vilarejo), o excepcional Avignonesi, também trazido pela Mistral.

vinsanto gaia

Ilha de Santorini (Santa Irene)

Não deixe de provar o exótico branco Thalassitis, 100% Assyrtiko, totalmente seco. Proveniente de parreiras antigas cultivadas num sistema peculiar em forma de cesto, é um branco extremamente seco, mineral, e de grande frescor. Lembra por esta mineralidade, os brancos de Chablis e alguns Rieslings. Ótimo com peixe in natura (sashimi) e caviar.

anima negra

Ànima Negra

O nome é estranho, exótico e misterioso, como os vinhos deste produtor espanhol da ilha de Mallorca. Trabalhando com várias uvas autóctones, os vinhos têm distinção e caráter. Em especial, o vinho Àn, isso mesmo, Àn, é elaborado com a tinta Callet de parreiras muito antigas. Com rendimentos baixíssimos (300 gramas por planta), o vinho apresenta grande concentração, força, mineralidade, além de muito equilíbrio. Quem diz que passa 18 meses em barricas francesas novas? Uma beleza! e na adega, vai longe … Prove, arrisque, saia da casinha.

quarts de chaume

Domaine des Baurmard

Baumard é um dos grandes nomes do Loire na sub-região de Anjou, elaborando brancos da casta Chenin Blanc, tanto secos como doces. Secos, na apelação Savennières e doces botrytisados, especialmente na apelação Quarts de Chaume. Vinho de bom corpo, mas não tão invasivo como Sauternes. Bela acidez, muito equilibrado e delicado. Pode envelhecer por décadas. Seus Savennières também são confiáveis.

brundlmayer

Weingut Bründlmayer

Produtor austríaco de exceção com brancos muito bem cotados. A casta típica do país é a agradável Grüner Veltliner, além de Rieslings surpreendentes. Os dois brancos provados com Grüner Veltliner provêm da mesma região, em torno da cidade de Langelois a 70 km de Viena. O primeiro denominado Berg Vogelsang, tem os vinhedos situados em baixas altitudes, proporcionando vinhos mais macios. Já o segundo, sob a DAC Kamptal, parte de vinhedos em terraços com maior altitude, gerando vinhos mais frescos, mais agudos. É bem perceptível esta diferença. A propósito, DAC é uma espécie de denominação de origem austríaca.

O terceiro branco é um Riesling de Kamptal. Com aromas bem típicos da casta (toque mineral), sua textura fica entre os rieslings alemães, um pouco mais magros, e os alsacianos, mais encorpados. Pode ser uma boa descoberta para quem gosta de Riesling. Foto acima dos três vinhos.

brundlmayer riesling

Riesling com doçura peculiar

Agora falando em vinhos doces, o da foto acima, é um Riesling de vinhedo (Heiligenstein) cujo solo é de origem vulcânica. Trata-se de um Beerenauslese (uvas botrytisadas) com 11º de álcool e pouco mais de 160 gramas de açúcar residual. Elegante, delicado e super equilibrado. Divino com torta de maçã.

kracher eiswein

Eiswein: vinho do gelo

Fechando os vinhos doces, temos o rótulo acima, um Eiswein do produtor Kracher, referência em vinhos botrytisados austríacos na região de Burgenland. Esta região é a maior concentração de Botrytis do planeta devido a um lago raso e de grandes dimensões (área de exposição) que aliado a condições climáticas especificas, proporcionam o bom desenvolvimento da Botrytis com uma consistência invejável, ano após ano. Este exemplar mescla as uvas Grüner Veltliner e Welschriesling (riesling itálico) num vinho de ótima acidez e álcool equilibrado, combatendo bem o destacado açúcar residual. Especificamente no Eiswein, não há botrytis. As uvas são colhidas congeladas com alta concentração de açúcar. Na prensagem das mesmas, o gelo fica na prensa e temos um mosto intensamente doce e ácido para a fermentação.

pesquera reserva

Pesquera Reserva

Durante muito tempo, os vinhos de Alejandro Fernandez ficaram à sombra do mito Vega-Sicilia, também importado pela Mistral. Ribera del Duero de grande categoria, a bodega Pesquera molda tintos elegantes, bem equilibrados em todas as categorias; Crianza, Reserva e Gran Reserva. A uva é a onipresente Tempranillo, conhecida localmente como Tinto Fino. Este Reserva Especial provado esbanja classe e equilíbrio. Um verdadeiro clássico da “Milla do Oro” (região nobre de Ribera).

pesquera dehesa

grande pedida em Tempranillo

Saindo um pouco da badalação, o grupo Pesquera é proprietário da bodega Dehesa La Granja, situada fora da zona de Ribera del Duero, sob a denominação Vinos de la Tierra de Castilla y León. Este Cosecha 2006 provado no encontro, mostrou-se com muita fruta, madeira equilibrada e final persistente. 100% Tempranillo com 24 meses de roble americano, e mais 12 meses em repouso na bodega. Praticamente, as exigências de um Reserva. Bela compra.

Grand Cru Tasting: Destaques I

4 de Maio de 2016

Como acontece periodicamente, a importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) realiza um belo evento mais uma vez na Casa da Fazenda Morumbi. Lugar lindo, charmoso e de muita descontração. No lado externo, dá até para fumar um Puro com os fortificados da casa, evidentemente depois da degustação, e se houver tempo para tal.

São muitos vinhos dos mais variados estilos, categorias, produtores e regiões. É difícil especificar alguns destaques. Pessoalmente, seguem algumas sugestões de compras seguras.

Os vinhos de entrada, incluindo espumantes.

fritz haag

Um clássico do Mosel

É difícil bater um bom riesling em elegância, delicadeza e pureza de aromas. O exemplar acima traduz bem isso. Grande produtor do Mosel, Fritz Haag é um quatro estrelas no guia Hugh Johnson. Além de ser um branco de entrada, aperitivos, pode acompanhar bem pratos leves do mar, além de carnes levemente defumadas.

broglia gavi

branco delicado

Um clássico piemontês, Gavi é uma denominação tradicional de brancos com a uva Cortese. Muitos deles, insípidos e desinteressantes. Neste caso, um vinho leve, sutil e agradavelmente perfumado. Além de entradas e aperitivos, os pratos eventualmente de acompanhamento devem ser bem delicados.

villa crespia

blanc de blancs da Lombardia

Franciacorta é considerada a “Champagne” da Itália. Localizada na Lombardia, junto ao lago Iseo, produz espumantes de alta qualidade obrigatoriamente pelo método clássico. Este em particular, trata-se de um Blanc de Blancs (somente Chardonnay), ficando por 24 meses sur lies (em contato com as leveduras) antes do dégorgement (arrolhamento final). Além de belo aperitivo, pode acompanhar entradas da alta gastronomia.

ruggeri prosecco

um porto seguro na categoria

Com a atual denominação Prosecco estendida a regiões periféricas ao terroir clássico, o rótulo acima é um porto seguro. Valdobbiadene é uma referência obrigatória na escolha. Leve, equilibrado e delicado, são as qualidades exigidas deste espumante italiano. Vinho de recepção e entradas leves.

queijo bel paese

queijo italiano Bel Paese

Além do painel de vinhos apresentados, o evento ainda tem um farto buffet entre um gole e outro, pois ninguém é de ferro. Embutidos, queijos, patês, dos mais variados sabores, sem contar com pratos de massa para todos os gostos. Você pode literalmente almoçar ou jantar no local. Em particular, a foto acima mostra um queijo italiano interessante da Lombardia chamado Bel Paese. Elaborado com leite de vaca, apresenta textura macia como um Saint-Paulin (francês), mas de sabor leve e amanteigado. Uma das boas pedidas.

Tintos de estilos variados.

sardonia qs2

moderno e bem acabado

Um dos projetos do dinamarquês Peter Sisseck, proprietário do fabuloso Pingus, um dos maiores nomes de Ribera del Duero, este QS2 é uma espécie de segundo vinho da Quinta Sardonia. Vinho de estilo moderno, boa concentração e muito bem acabado. Longe de ser um vinho maquiado, o enólogo busca a essência de seu terroir sempre direcionando uma vinificação mais coerente com o consumidor moderno, ou seja, vinhos que dão prazer mesmo em tenra idade.

languedoc la clape

um Languedoc de pedigree

Um mistura exótica de Syrah, Grenache, Mourvèdre e Carignan, gerando vinhos suculentos, taninos macios e um belo equilíbrio. Algo difícil em Languedoc onde os vinhos sempre têm uma ponta de rusticidade. Muito prazeroso de ser tomado no momento, embora tenha condições de guarda por bons anos.

bordeaux haut nouchet

Bordeaux da bela safra 2009

Tinto de Péssac-Léognan com predominância de Merlot no tradicional corte bordalês. A qualidade dos taninos é reflexo da ótima safra 2009. Apesar de macio, mostra boa estrutura para envelhecimento, além de madeira bem dosada no conjunto, apenas um terço de madeira nova. Boa compra para fugir dos mais badalados da região.

delas crozes hermitage

opção interessante do Rhône-Norte

A apelação Crozes-Hermitage é uma grande opção aos caros e longevos Hermitages para serem consumidos mais frequentemente. Trata-se de uma área ampla e com muita heterogeneidade na qualidade. Este tinto de Delas mostra tipicidade e consistência. Vinho fácil de ser tomado com taninos bem moldados, aromas típicos de defumado e balsâmico, além de bom equilíbrio em boca.

Próximo artigo, mais Grand Cru, mais dicas, mais vinhos!

Rosés e Pizzas

14 de Fevereiro de 2016

O vinho rosé sempre ficou meio deslocado no consumo brasileiro. Diz-se que é um vinho de verão, bom para paella, bouillabaisse, e mais alguns pratos  específicos. Pois bem, há um prato que o brasileiro de modo geral não dispensa pelo menos uma vez por semana, sobretudo os paulistanos, que é a nossa querida pizza. O número de estabelecimentos e a variedade de sabores são cifras surpreendentes. Pois bem, se a moda pegar, os rosés podem encontrar um caminho seguro e permanente para seu consumo.

Já testei diversas vezes esta harmonização e em todas elas não me lembro de nenhum momento de decepção ou arrependimento. Pelo contrário, sempre foi um encontro estimulante e agradável. Sabemos que o casamento de pizzas com vinho está calcado fundamentalmente no molho e seus recheios diversos. Sabemos também, que o vinho deve ter corpo de leve a médio na maioria dos casos, boa acidez, e certa informalidade. Afinal, trata-se de um prato corriqueiro, sem grandes sofisticações. É claro, que há exceções. Portanto, os rosés encaixam-se muito bem neste perfil.

rosé brumont

Blend exótico do sudoeste francês

Pessoalmente, estou falando de rosés do Velho Mundo, os europeus, sobretudo os provençais. Eles não são invasivos, têm um belo frescor, e seus aromas cítricos, de tempero e ervas, combinam com boa parte das pizzas, inclusive as mais pedidas como Margherita, Muçarela (que o pessoal insiste em Mussarela), Calabresa, Alici, Atum, entre outras.

O molho de tomate, o alho, a cebola, as ervas (orégano), pimenta, e outros temperos, vão de encontro aos sabores dos rosés tradicionais. Estão neste grupo os provençais, os rosés de Navarra (Espanha), os rosés italianos (Abruzzo, Toscana, Sicilia, Sardegna, para citar alguns), e os portugueses (Bairrada, Dão e Vinho Verde).

Ott Romassan 2013

Domaines Ott: referência em Provence

Os rosés do Novo Nundo, via de regra mais encorpados, mais pesados, ficam para as pizzas também mais ricas em textura e sabores como Pizza Portuguesa, à Moda da Casa (ingredientes incógnitos), e aqueles sabores estranhos (Bolonhesa, Mineira, Frango com Catupiry, e tudo que a imaginação mandar …).

Alguém poderia pensar em champagnes rosés. Tecnicamente, não há nenhum senão. Entretanto, é uma bebida muita requintada para um prato tão frugal. A menos  que seja um pizza ultra sofisticada com ingredientes nobres como trufas, funghi porcini fresco, morilles, e coisas do gênero. Quanto aos demais espumantes rosés; os nacionais, cavas, prosecco e outros bem elaborados, não vejo empecilhos. Dê preferência aos elaborados pelo método Charmat (mais simples, mais frutados e florais). Quando cogumelos participarem da brincadeira, os elaborados pelo método tradicional (champenoise) são mais indicados.

Outra dica interessante para os rosés são os fartos buffets self-service tipo Ráscal, por exemplo. Aquela infinidade de entradinhas com vários sabores, molhos e pimentas, são muito bem-vindas com os rosés. Dá para ficar só neles com a fartura destes buffets. Escolhendo bem o prato principal, a continuidade dos rosés está garantida.

Para aqueles que gostam de comida natural, lanches, os vegetarianos, os veganos, podem encontrar no rosé seu vinho ideal. Sua versatilidade, frescor e leveza, são atributos irresistíveis.

Esta aí um caminho. Há boas ofertas no mercado com preços ainda decentes. Importadoras como Decanter, Mistral, Grand Cru, Cellar e outras tradicionais, apresentam opções interessantes.

Festas: sugestões de vinhos

10 de Dezembro de 2015

Nesta época do ano é normal as pessoas procurarem dicas, conselhos, informações sobre vinhos. Seja para consumo próprio ou presentear, as opções são inúmeras. Infelizmente, os preços não ajudam. Com a alta do dólar e também de impostos, a equação está cada vez mais difícil de ser resolvida. Portanto, vinhos que realmente valem a pena indicar estão na faixa entre R$ 100,00 e 200,00 reais.  E olha que não estou falando em sofisticação, pois nesta área o céu é o limite.

Segue abaixo uma relação para vários tipos da bebida, desde entrada até sobremesas, cafés, charutos, etc …

Cave Geisse: bela surpresa

Espumantes e champagnes

  • Cave Geisse (espumante nacional entre os melhores, se não for o melhor). veja site abaixo, na própria vinícola, ou na Ville du Vin.
  • Chandon Brasil (sempre consistente, fácil de encontrar e preços razoáveis). Várias lojas de bebidas em São Paulo.
  • Cava (tradicional espumante espanhol). Raventós da Decanter e Gramona da Casa Flora, sempre confiáveis.
  • Champagnes (é uma questão de gosto e estilo. Louis Roederer, Gosset, Deutz e Larmandier têm preços honestos. Evidentemente, acima da faixa de preço no início do artigo). Importadoras Franco-Suissa, Grand Cru, Casa Flora e Cellar, respectivamente.

Um dos grandes alemães da Decanter

Vinhos brancos

  • Rieslings alemães (importadora Decanter tem boas opções).
  • Chablis William Fèvre (importadora Grand Cru).
  • Sauvignon Blanc (Terrunyo da Concha Y Toro, vinícola Pericó de Santa Catarina e Jackson Estate da Nova Zelândia, importadora Premium). A linha Concha Y Toro é encontrada na Ville du Vin.
  • Chateau Reynon e Clos Floridene (dois bordeaux da Casa Flora)
  • Chardonnay (Catena Alta da Mistral  e De Martino Quebrada Seca da Decanter)

Bierzo e a uva Méncia

Vinhos tintos

  • Rioja de vários tipos (Crianza, Reserva e Gran Reserva). Rioja Alta da importadora Zahil, CVNE da Vinci e Luis Cañas da Decanter).
  • Tintos de Bierzo (região espanhola pouco conhecida. Boas opções na Decanter e Grand Cru).
  • Chianti Classico (Castello di Ama da Mistral, Fontodi da Vinci, e Felsina Berardenga da Mistral).
  • Tintos do Douro (Quinta do Crasto, Quinta do Noval, Niepport).
  • Malbecs da Argentina (Catena da Mistral, Viña Cobos da Grand Cru, Noemia da Vinci e Achaval Ferrer da Inovini).
  • Merlots nacionais (Miolo Terroir, Pizzato DNA 99 e Desejo da Salton). Encontrados em boas lojas de bebidas.
  • Chateau Giscours 2009 Margaux – Grand Cru Classe – importadora Cellar
  • Chateau Sociando-Mallet 2009 – Haut-Médoc – importadora Cellar
  • Vinícola Rippon (grande Pinot Noir da Nova Zelândia). Importadora Premium.

Tawnies e Charutos

Portos, fortificados e colheita tardia

  • Porto Fonseca Bin 27 (Mistral ou Casa Santa Luzia)
  • Burmester Tawny Jockey Club (Adega Alentejana)
  • Quinta do Noval LBV Unfiltered (Grand Cru)
  • Jerez: Emilio Lustau da Ravin e Hidalgo da Mistral
  • Morandé Late Harvest da Grand Cru
  • Chateau Haut-Bergeron Sauternes da Cellar

Se você pensar em vinhos franceses ou italianos, a escolha natural é a importadora Cellar. A seleção é ótima e os preços não são abusivos. Responsável: Amauri de Faria.

Porto Fonseca e champagne Louis Roederer são encontrados na Casa Santa Luzia. Os nacionais acima mencionados, também.

Importadoras

Almoço entre Amigos

21 de Novembro de 2015

Mais um encontro memorável entre amigos. Boa comida, boa bebida e boa conversa. Estávamos aguardando a oportunidade de abrir uma grande garrafa, o esplendoroso La Rioja Alta 890 Gran Reserva da safra de 1989. Este é o topo da vinícola onde 890 significa sua data de fundação (1890). Antes porém, algumas garrafas como preâmbulo.

alphonse mellot

Um Sancerre fora da curva

O vinho acima iniciou os trabalhos com alguns queijos e pates. Sancerre costuma ser um pouco menos incisivo que seu concorrente Pouilly-Fumé. Ambos são elaborados com a uva Sauvignon Blanc. Neste caso, o proprietário Alphonse Mellot trabalha um vinho no sentido da maciez. Metade do mosto é vinificado em cubas e a outra metade em barricas novas. Após a vinificação, o vinho permanece em contato com as leveduras (sur lies) por um período de sete a oito meses. Este processo fornece uma maciez extremamente agradável em boca, tornando-o muito gastronômico. Seus aromas de frutas e flores delicadas são de bastante distinção. Vinho de personalidade que impõe a visão de seu mentor. Importado pela Cellar (www.cellar-af.com.br).

domaine arlaut

Muito longe de um Borgonha genérico

Este é um vinho de quem sabe garimpar borgonhas. Embora o produtor seja altamente confiável (Domaine Arlaud é especialista em Morey-St-Denis),  o fato de provir de uma apelação genérica não sugere fortes emoções. Entretanto, há um detalhe, a palavra Roncevie. Roncevie é um vinhedo  muito próximo aos Grands Crus de Chambertin, mais especificamente Charmes-Chambertin. O vinho tem classe, aromas de rara pureza e muito bem equilibrado. A Borgonha é feita de detalhes. Importado também pela Cellar por um preço bem convidativo.

tinto bairrada

Bairrada: a difícil uva Baga

O vinho acima entrou mais como um fator de harmonização. Tínhamos um patê à mesa à base de embutidos e pimenta que não estava harmonizando com os dois vinhos acima descritos. Daí, recorrermos a este tinto envelhecido como última tentativa. E realmente, vingou. Este tinto bairradino com mais de vinte anos estava ainda com força, mas com seus difíceis taninos domados. Portanto tinha personalidade para o patê com uma bem vinda rusticidade.

rioja alta 890

Um grande vinho numa grande safra

La Rioja Alta é a bodega referência da denominação, sobretudo quando falamos em estilo tradicional. Pessoalmente para tintos, não há nada igual. Seus vinhos Ardanza e Gran Reserva 904 já são memoráveis. Agora, este que provamos, é algo singular. Um Gran Reserva pela legislação, deve ficar pelo menos dois anos em madeira e mais três anos engarrafado antes da comercialização. Pois bem, este exemplar cumpre as regras com muito folga. Ele fica pelo menos seis anos em madeira, e mais longos anos em adega até ser liberado. A bodega possui mais de 400 hectares de vinhas e um arsenal de barricas de trinta mil unidades, todas de carvalho americano, confeccionadas na própria bodega.

Neste exemplar, temos 90% Tempranillo e 10% entre Graciano e Mazuelo. O vinho passou sete anos em barricas de carvalho americano, confirmando seu estilo tradicional. Neste período houve catorze trasfegas, proporcionando ótima limpidez e algum arejamento do vinho. Foi engarrafado em 1997. O ano de 1989 foi uma ótima safra.

Nesta altura, estávamos começando a saborear uma deliciosa paleta de marrote (leitãozinho). A maciez da carne e seus sabores combinaram muito bem com a textura do vinho. A acidez do mesmo contrabalançou com eficiência a gordura da carne, e seus toques terciários e de torrefação proporcionou um final de boca extremamente agradável.

double corona

Hoyo de Monterrey Double Corona:Um dos cinco melhores do mundo

No final, como sempre, cafés, chás, Portos, Madeiras, acompanhando uma boa conversa e alguns Puros de qualidade. Tínhamos uma Cohiba Double Corona, o belo Bolivar Belicosos (figurado) e o excepcional Hoyo de Monterrey Double Corona, o Borgonha dos Puros. Charuto de acabamento impecável, aromas finos e marcantes. Vai se mostrando pouco a pouco através dos terços, mas sempre com muita elegância e distinção. Um raro privilégio!

Vinhos de Inverno

10 de Junho de 2015

Com a aproximação do inverno, os pratos ficam mais ricos, saborosos e intensos, sendo muito bem-vindos com as baixas temperaturas. E com o vinho não é diferente. O teor alcoólico é um bom indicador destas características. Portanto, vinhos encorpados do Novo Mundo encaixam-se perfeitamente neste cenário. Contudo, para aqueles que não abre mão dos europeus, alguns clássicos são imbatíveis.

Pensando na Itália, o grande tinto do Vêneto é o primeiro a ser lembrando, Amarone della Valpolicella. Vinho macio, quente e de taninos bem amalgamados. Os tintos do sul da Bota também cumprem seu papel. Primitivo de Manduria na Puglia, Taurasi com a uva Aglianico na Câmpania e os atualmente baldados tintos da Sicília. Logicamente, não esquecendo do Piemonte, temos os Barolos e Barbarescos calcados na temperamental casta Nebbiolo.

Grana Padano e Amarone: Casamento eterno

Agora dirigindo-se à França, tintos do Rhône e da Provença são os mais indicados. Châteauneuf-du-Pape é o mais emblemático. Como alternativas de preço, Gigondas e Vacqueyras são belas escolhas. O tinto Cornas baseado na Syrah é o legítimo representando do Rhône Norte. Da Provença, a apelação Bandol resume bem o poder da casta Mourvèdre, assim como outros tintos do sul da França. No sudoeste francês, como não lembrar das apelações Madiran e Cahors, baseadas respectivamente nas castas Tannat e Malbec, acompanhando os gordurosos e densos Cassoulet e Confit de Canard.

Canard e Cahors

Falando agora da Terrinha, Portugal tem nos vinhos alentejanos a força e o calor de seus tintos. Baseados no binômio Aragonês e Trincadeira, também conhecida em outras paragens como Tinta Roriz e Tinta Amarela, respectivamente. Porém, os tintos durienses não ficam para trás, principalmente levando-se em conta a dinamização recente da região conhecida com “Douro Boys”.

No outro lado ibérico, a Espanha mostra força nos robustos tintos do Priorato, calcados nas uvas Garnacha e Cariñena, as mesmas francesas Grenache e Carignan. Os potentes tintos de Ribera del Duero e de seu vizinho mais humilde da denominação Toro são também exemplos clássicos. Não esquecendo de Rioja, os estilos mais modernos e de certa potência, permitem enquadra-los neste cenário.

Safra histórica de Vintages (1994)

Para os vinhos de sobremesa ou de meditação, a península ibérica é especialista. Jerezes, Portos, Madeiras, Moscatéis, fazem boa companhia aos queijos mais curados, sobremesas mais intensas, na apreciação do Puros após jantares mais ricos, ou mesmo em apresentação solo, lendo um bom livro e ouvindo boa música, ou uma boa prosa. Quanto aos Puros (cubanos), marcas como Partagás, Bolívar e Cohiba, têm a força para o clima invernal.

Do lado francês, Banyuls e Maury são os fortificados mais perto do Porto, conhecidos também por Vin Doux Naturel. Já a Itália, os Passitos são emblemáticos. Essa denominação cai bem no sul do país com a ilha de Pantelleria. Já ao norte, a expressão Recioto emblematiza o mesmo processo. Não poderíamos deixar de mencionar o famoso Vinsanto, o vinho de meditação símbolo da Toscana.

Lógico que tudo isso vale para o Dia dos Namorados, data clássica em nosso calendário. Se você é daqueles que não abre mão do Champagne nesta ocasião, procure por exemplares mais densos, calorosos, como Bollinger, Krug, um Blanc de Noirs e evidentemento, os rosés, especialmente um Gosset.

Garnacha, Grenache e seus caminhos

7 de Agosto de 2014

Em mais uma degustação na ABS-SP, as várias facetas da Garnacha ou Grenache foram abordadas num painel bem representativo. Esta uva ganhou grande impulso depois que Robert Parker resolveu promove-la em uma notória degustação na Espanha. Normalmente, ela é utilizada para cortes, sendo um dos mais famosos, na região francesa do Rhône, sob as apelações Châteauneuf-du-Pape, Côtes-du-Rhône, Gigondas, Vacqueyras, entre outras. Países como Espanha, França, Itália e Austrália, participaram da degustação, conforme quadro abaixo:

Espanha em destaque

O vinho mais simples da noite mostrou-se em boa forma. Apesar de seus sete anos (safra 2007), apresentava em sua cor reflexos violáceos. Aromaticamente simples, com boa fruta madura, toques tostados e de especiarias. A madeira não incomodava, levemente alcoólico e o ponto negativo; persistência aromática relativamente curta. Este foi o primeiro espanhol, da Bodegas Pablo, com discreta passagem  por madeira.

O segundo exemplar, pessoalmente me decepcionou. Muito evoluído em cor (atijolado). Aromas discretos e claramente terciários. A boca confirma esta evolução, provocando uma secura final. Sinal evidente de fase decadente onde a fruta já se esvaiu. Este era o italiano da Sardegna da vinícola Tuderi. A Garnacha nesta região é conhecida como Cannonau.

O representante francês ficou por conta da famosa apelação Châteauneuf-du-Pape com o Clos d´Oratoire des Papes 2012. Vinho muito jovem, mas extremamente agradável e promissor. Seus aromas sedutores remetem à fruta em geleia, toques florais, de especiarias e ervas aromáticas. Macio em boca, porém com taninos presentes. Deve evoluir favoravelmente por pelos menos oito anos. Este vinho não é um varietal, mas com grande porcentagem de Grenache.

Vinho de grande concentração

Agora começam os destaques com o exemplar acima. Oriundo da região espanhola de Campo de Borja, a sul de Navarra, trata-se de um vinho musculoso. A bodega Alto Moncayo trabalha com vinhas antigas e rendimentos baixíssimos. Foi o que observamos na taça com cores bastante intensas. Aroma potente denotando frutas escuras em compota, toques defumados lembrando fumo de cachimbo, especiarias, cacau e uma nuance de coco. Vinho de corpo, muita estrutura e taninos maciços. Muito persistente e um final agradavelmente quente (16% de álcool). Vinho de estilo moderno e marcante.

Elegância rara

A vinícola australiana Clarendon Hills na região de McLaren Vale elabora grandes Shiraz, como é de se esperar neste país, mas curiosamente também grandes Grenaches de vinhas muito antigas. A destacada amplitude térmica na região é muito bem-vinda para este tipo de uva que costuma gerar vinhos alcoólicos. No exemplar acima, pudemos perceber todas essas influências. Sua cor demonstrava certa evolução confirmada no nariz. Fruta bem madura, toque defumados , achocolatados e de menta, numa paleta muito elegante. Em boca, seu equilíbrio era notável com taninos polimerizados, grande frescor e a característica maciez. Expansivo em boca, não prevalecendo de nenhuma maneira seus 14,5º de álcool. Belo vinho!

Excelente relação qualidade/preço

Neste último espanhol de Rioja da competente bodega Tobelos, tivemos um exemplar raro de Garnacha na região. O grande segredo deste vinho está na idade das parreiras (60 anos) e na localização do vinhedo (Rioja Alta). Normalmente, a Garnacha é cultivada na Rioja Baja, gerando vinhos muito alcoólicos e sem frescor. Na taça, mostrou-se extremamente agradável e marcante. Sua cor intensa e concentrada, além de aromas destacados com frutas bem maduras, toques florais e de especiarias, formam um conjunto harmonioso. Em boca, embora apresente-se agradavelmente quente, sua persistência aromática e sua estrutura tânica, vislumbram um bom potencial de guarda. Já pode ser tomado com uma leve decantação prévia.

Por fim, tivemos o famoso Vin Doux Naturel Banyuls, notabilizado pela perfeita harmonização com chocolates, confirmada in loco. Essas Grenaches são cultivadas no sudoeste francês, região fronteiriça da Espanha, em solos xistosos e de verões abrasadores. O vinho é fortificado a exemplo dos Portos e neste caso, preservado da oxidação. Mostrou-se com uma cor intensa, aromas de frutas passas como ameixas e figos, toques defumados e de cacau (chocolate), além de especiarias. A doçura do vinho estava na medida certa para o chocolate escuro (70% de cacau) e a textura de ambos complementaram-se. Um belo final de noite!

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

O Mito Vega-Sicilia: Parte II

22 de Março de 2012

A foto abaixo faz parte de uma vertical de Vega com muitas das melhores safras deste grande vinho. Por ordem cronológica, os anos foram: 1942, 1964, 1967, 1968, 1970, 1975, 1982, 1989, 1991, 1994, 1998, 2000 e um Reserva Especial com a mescla das safras 91, 94 e 98.

As safras de 1975, 1989 e 1998

A degustação foi conduzida em quatro módulos, começando com os mais evoluídos, seguidos dos mais maduros, continuando com os mais emblemáticos e finalizando com os mais jovens. Como sempre, muita polêmica quanto às safras, com alguns preferindo os mais jovens, mais modernos e mais robustos. Outros, reverenciando o estilo tradicional de safras mais antigas, com elegantes toques oxidativos.

Pessoalmente, a degustação agradou bastante, provando que o Vega é um dos grandes vinhos do mundo, tendo lugar cativo nas melhores adegas. A safra 1942 com setenta anos foi o Vega mais elegante e um dos mais expansivos em boca. Não é a toa que é a preferida de Parker com 98+ pontos. Alguns sinais da idade, mas ainda bastante prazerosa.

Outro destaque foi a safra de 1968 com 98 pontos de Parker. Ainda bastante robusta pela idade, com taninos presentes, vigor surpreendente, merece lugar de destaque entre todos os Vegas. A safra de 1970, degustada há muitos anos, voltou a impressionar mais uma vez. Vinho hedonista, aromas de torrefação, madeira integrada, macio, muito equilibrado e finamente bem acabado.

A safra de 1967, sem nenhuma referência na literatura, inclusive de Parker, surpreendeu favoravelmente. Não é potente, nem muito expansivo, mas esbanja elegância com extremo equilíbrio e final muito bem delineado. Uma grata surpresa.

Os Vegas mais novos, principalmente a partir de 1991, ainda são adolescentes, com uma vinificação mais moderna, taninos mais marcados, e mais potentes, porém sem perder a elegância. Demonstram um futuro promissor.

Todas essas considerações além de pessoais, envolvem a experiência, o gosto pela pluralidade dos vinhos e o respeito por ícones que mexem com o imaginário dos apaixonados por vinho. Portanto, as opiniões sobre estas safras sempre têm um fundo de incerteza e subjetivismo. Afinal, em safras antigas, não existem grandes anos. Existem grandes garrafas!

Os Gigantes das borbulhas

17 de Outubro de 2011

O espumante nacional continua sendo nosso melhor representante no mercado interno e também nas exportações. A produção está estimada em mais de doze milhões de garrafas para este ano de 2011. Contudo, em termos globais, os gigantes europeus apresentam números impressionantes e de forma consistente, ano após ano.

Produção de Espumantes na Europa Central

A França lidera as estatísticas com mais de 500 milhões de garrafas por ano, sendo só na região de Champagne, mais de 300 milhões. Os demais espumantes, chamados Mousseux, apresentam expressiva produção nas apelações Crémant d´Alsace, Crémant de Bourgogne e Vouvray.

Produção de Espumantes na França (Exceto Champagne)

Na Alemanha, o famoso Sekt, sinônimo de espumante, é responsável por mais de 350 milhões de garrafa, com a maciça maioria elaborada pelo método Charmat. Das cinco maiores empresas na produção de espumantes no mundo, três estão na Alemanha. As outras duas são o poderoso grupo francês LVMH e a gigante espanhola do Cava, o grupo Freixenet. Os alemães consomem praticamente tudo, além de importar mais alguns milhões de garrafas da França, Itália e Espanha.

Henkell: um dos gigantes do Sekt

A Itália aparece em seguida, com forte produção em sua porção setentrional. Asti Spumante com 85 milhões de garrafas e Prosecco (somente a DOCG Conegliano Valdobbiadene pela nova lei) com 70 milhões de garrafas apresentam grande destaque em termos de volume. Franciacorta, a excelência do método Champenoise italiano, tem grande prestígio, mas produz pouco mais de dez milhões de garrafas por ano. Piemonte, Oltrepò Pavese e Trentino, são grandes referências. A Itália praticamente exporta metade de sua produção.

A grande referência espanhola é o Cava, com sua produção baseada na Catalunha. É a quarta força em borbulhas no planeta, com mais de 200 milhões de garrafas por ano. Pouco mais da metade é destinada à exportação. Os grupos Freixenet e Codorníu somam mais de 75% na produção total de Cava.

Outros gigantes deste mundo de borbulhas são Estados Unidos, Rússia, Tailândia, Ucrânia, Polônia e Austrália. 

Terroir: Ribera del Duero

15 de Agosto de 2011

Quando se pensa em grandes tintos espanhóis, duas regiões vêm à mente: Rioja, já comentada em post anterior e a poderosa Ribera del Duero. Com vinhos caros e espetaculares como o mítico Vega Sicilia e o inascessível Pingus (importadora Grand Cru – www.grandcru.com.br), Ribera del Duero pode ser sofisticação em alto nível, principalmente em seu trecho mais badalado, conhecido como a Milha de Ouro (entre as cidades de Tudela de Duero e Peñafiel), conforme mapa abaixo.

Milla de Oro: A Cõte d´Or de Ribera del Duero

Apesar do mapa acima incluir Bodegas Mauro e Abadia Retuerta, as mesmas não fazem parte da denominação Ribera del Duero. Na verdade, estão praticamente beirando a demarcação geográfica desta denominação. Contudo, nem por isso deixam de ser espetaculares, com vinhos emblemáticos e muito bem conceituados. O Mauro Vendimia Seleccionada é páreo duríssimo para qualquer ícone de Ribera. Pago Negralada da Abadia Retuerta, é outro monstro sagrado, com uma concentração impressionante. Bodegas Mauro, do grande enólogo Mariano Garcia (trinta anos no comando do Vega Sicilia) é importado pela Mistral (www.mistral.com.br), com vinhos sempre muito elegantes. Já os vinhos da Abadia Retuerta são trazidos pela importadora Peninsula, com um portfólio para todos os bolsos (www.pensinsulavinhos.com.br).

Lado Oeste: Nobreza da Denominação

Para uma melhor visualização, dê um zoom no mapa acima e perceba os limites da denominação, excluindo as duas bodegas acima citadas. As características dos vinhos de Ribera del Duero são intensidade de cor, aromas marcantes e equilíbrio gustativo, com acidez refrescante. De fato, estamos num planalto com vinhas entre 750 e 850 metros de altitude, sujeitas a uma importante amplitude térmica, que preserva a acidez das uvas e ao mesmo tempo, desenvolve aromas elegantes e bem definidos.

As uvas permitidas nesta denominação são pelo menos 75% de Tinto Fino (nome local da Tempranillo), podendo ser complementada por Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec, no máximo em 20% (juntas ou individualmente, se a opção for por uma dessas). Os 5% restantes ficam a cargo da Garnacha Tinta e/ou a única branca autóctone, Albillo.

A denominação estende-se ao longo de 115 quilômetros do rio Duero com distâncias latitudinais de 35 quilômetros. Quanto mais próximo do rio, o solo tende para um tipo aluvial (depósito sedimentar de outras eras geológicas). Para vinhas mais distantes do Duero, o solo apresenta uma predominância calcária, com alta pedregosidade.

Videira centenária nos arredores de Peñafiel

Num estilo mais tradicional da região, podemos citar o grande Vega-Sicilia, Pesquera e Bodegas Protos. Os dois primeiros são importados pela Mistral, enquanto o Protos é importado pela Peninsula vinhos. Já num estilo moderno, temos Bodegas Aalto (Peninsula Vinhos), Pago de Carraovejas (Peninsula vinhos) e Bodegas Alíon (Mistral). Outra bodega que vale a pena é Arzuaga Navarro, importada pela Decanter (www.decanter.com.br), com vinhos de ótima concentração, inclusive trazendo o Pago Florentino, elaborado em Castilla La Mancha (ver artigo anterior sobre Vinos de Pago).