Archive for Agosto, 2011

Château Gruaud Larose

29 de Agosto de 2011

Cada uma das comunas do Médoc, a chamada margem esquerda de Bordeaux, elege ao longo do tempo, seus mais destacatos Grands Crus Classés. Em Saint-Julien,  os Châteaux Ducru-Beaucaillou, Léoville-Las-Cases e Gruaud Larose, formam o trio de ferro dos melhores deuxièmes desta comuna. A consistência destes vinhos mostra de forma enfática a regularidade de Saint-Julien apesar de na média, não serem tão brilhantes como Pauillac.

Gran Vin e seu Segundo Vinho

São 82 hectares de vinhas plantadas em terreno pedregoso (graves) com densidade de dez mil pés por hectare. A idade média é de 45 anos com evidente predomínio de Cabernet Sauvignon (57%), seguido por Merlot (30%), Cabernet Franc (8%), Petit Verdot (3%) e Malbec (2%). O vinho amadurece por cerca de dezoito  meses em barricas de carvalho, sendo 5O% novas. O segundo vinho, Sarget de Gruaud Larose, é elaborado desde 1979. A composição do vinho e o tempo de barrica apresentam pequenas variações de safra para safra.

Comuna de Saint-Julien vizinha à Pauillac

Na degustação da ABS-SP em 24 de agosto de 2011, ficaram reforçadas minhas impressões sobre Gruaud Larose. Embora seja um Bordeaux elegante, típico e bem equilibrado, exceto em safras muito especiais como 61, 82 e 90, por exemplo, onde é grandioso, eu o coloco numa categoria abaixo dos dois grandes vinhos de Saint-Julien, já citados no trio de ferro acima.

As safras degustadas na ABS de 2006, 2005 e 2004, estão num patamar abaixo da grande dupla de Saint-Julien (Ducru-Beaucaillou e Léoville Las Cases). Mesmo a safra de 2005, claramente superior às demais, não apresenta a profundidade dos grandes de Bordeaux. Que fique bem claro; é um vinho muito bem feito, equilibrado e elegante, mas num rigor bordalês, estamos falando de vinhos quase perfeitos. E este, não é o caso.

As impressões de Robert Parker ficam refletidas em suas notas, abaixo de 90 pontos para as três safras. Ele pode ser questionado  em quaisquer outros vinhos e regiões, mas para Bordeaux, não há ninguém tão imparcial e justo como Parker.  

Panorama Vitivinícola Mundial: Parte II

25 de Agosto de 2011

Dando prosseguimento aos mais recentes dados da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) para o ano de 2010, passaremos a seguir, aos gráficos de consumo, exportação e importação mundial de vinhos:

Consumo Mundial

França e Itália sistematicamente, vêm diminuindo seu consumo interno de vinhos. Já Estados Unidos, Alemanha e China, em franca expansão. Os números são absolutos e não per capita. Neste quesito, França, Portugal, Itália e Suiça, estão na liderança. França com quase 50 litros e os demais ao redor de 40 litros per capita.

      Consumo em número absoluto dos principais países

O consumo mundial previsto para 2010 é de 238 milhões de hectolitros, gerando um déficit com cerca de 26 milhões de hectolitros.

Exportação Mundial

A Itália continua sendo o grande país exportador, seguido de perto pela Espanha. A França vem perdendo terreno, com sinais de mais queda ainda. Por outro lado, Austrália e Chile disputam o mercado do chamado Novo Mundo.

Os doze maiores países exportadores do mundo

As exportações mundiais em 2010 somaram mais de 90 milhões de hectolitros, sendo que os três grandes europeus (Itália, França e Espanha) contribuiram com mais de 50 milhões de hectolitros.

Importação Mundial

Os grandes países importadores continuam firme em suas posições. Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, respectivamente. Holanda, Suiça e Bélgica têm tradição, mas em patamares menores.

Os catorze maiores países importadores do mundo

Apesar da expectativa de países como Rússia e China serem potenciais importadores, os níveis atuais ainda estão muito abaixo do trio de ferro tradicional.

Novamente enfatizando, os dados destes dois artigos sobre a vitivinicultura mundial atual não são oficiais. Entretanto, há bastante consistência nos dados referentes a 2010, com eventualmente alguns ajustes e correções. Maiores informações, consultar o site: www.oiv.org (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).

Panorama Vitivinícola Mundial: Parte I

22 de Agosto de 2011

Segundo assembléia da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) realizada em junho de 2011 na cidade do Porto (Foz do rio Douro), os principais países vinhateiros europeus continuam dando as cartas nos números globais, embora com tendências novamente confirmadas de desaceleração lenta e gradual, buscando uma estabilização. Os números ainda não são oficiais, já que os mais recentes publicados no próprio site da entidade são de 2007. Para consultar, basta clicar em www.oiv.org

Superfície de Vinhedos

Com exceção da Europa, os demais continentes apresentam acréscimos moderados mas significativos, somando pouco mais de sete milhões e meio de hectares em todo o mundo.

 Os doze principais países em milhares de hectares

As barras em azul apontam uma tendência de decréscimo, enquanto em amarelo, uma tendência de expansão. A Espanha diminuiu bem sua área de vinhas, abaixo de um milhão e cem mil hectares. Notem que o destaque para a Turquía é devido à grande produção de uva passa. Já a China, produz grande quantidade de uva para consumo in natura e também na produção de vinhos. 

Produção de Uvas   

A Itália continua na liderança baseada na produção de vinhos e uvas in natura. Os Estados Unidos, além da producão de vinhos, têm grande destaque em uvas passas. Já o Chile, tem tradição na produção de uvas in natura (frutas de um modo geral) e também na produção de vinhos.

   Principais países em produção de uvas

Os números são expressos em milhões de quintais. Quintal é uma unidade de peso equivalente a 100 kg (quilogramas).

Produção de Vinhos

Os cinco principais produtores de vinhos permanecem inalterados em suas posições, apenas com França e Itália alternando a liderança em determinados anos. A expansão da China e Argentina é notável.

Os doze maiores produtores de vinho

A produção mundial de vinhos em 2010 aponta para um número próximo de 264 milhões de hectolitros, sendo que França e Itália respondem por cerca de um terço dos vinhos produzidos no planeta.

Próximo post, falaremos sobre consumo, importação e exportação mundial de vinhos, com os números mais recentes.

Vinhos em Destaque: Carracedo e Viticcio Chianti Classico

18 de Agosto de 2011

No evento Grand Tasting da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br), dois vinhos me chamaram a atenção pelas pecualiaridades de seus respectivos terroirs. O primeiro é o exemplar abaixo, da pouco conhecida denominação espanhola Bierzo (ver artigo neste blog sobre a uva Mencía), de grande personalidade e concentração.

Grande expressão da casta Mencía

O enólogo José Luís Santín Vazquéz da Bodega del Abad, profundo conhecedor do vinhedo berciano, é chamado por ¨El Maestro¨, sendo um dos responsáveis pelo ícone da bodega, Carracedo. Partindo de vinhas velhas, com frutos de alta concentração, seus rendimentos são muito baixos. O vinho reflete a alta mineralidade do terreno com presença de pizarras (espécie de xisto). A passagem por barricas enriquece o conjunto, fornecendo um acabamento polido frente a uma sólida estrutura tânica. Persistente e muito bem equilibrado. Guardem este nome, estará em breve no portfólio da importadora.

Bela expressão de Greve in Chianti

O vinho acima retrata com fidelidade as características de terroir da sub-região de Greve in Chianti, zona importante da denominação de origem Chianti Classico. Elaborado pela Fattoria Viticcio, este exemplar conta com 95% Sangiovese e 5% Merlot. O vinho amadurece por doze meses em barricas de carvalho francês e americano. Uma curiosidade é o fato de parte da Sangiovese cultivada ser do tipo Sangiovese Grosso, a mesma da região do Brunello di Montalcino. Como Greve in Chianti apresenta solo rico em galestro (espécie de argila laminar) e condições de maturação facilitadas (altitudes mais baixas e excelente exposição do terreno), é possível maturar adequadamente este clone tão especial. O vinho apresenta bom corpo, boa estrutura tânica e maciez notável para esta denominação. O preço de R$ 89,00 a garrafa está abaixo do praticado para exemplares semelhantes no Brasil. A versão Riserva com aromas mais etéreos, apresenta um bom suporte de acidez e sai por pouco mais de R$ 120,00 reais.