Archive for Julho, 2017

La Tâche Gaudichottée

29 de Julho de 2017

O mosaico bourguignon em termos de vinhedos e parcelas não é nada fácil de entender e memorizar. O conceito de terroir aqui é levado às últimas consequências, delimitando parcela por parcela. E já para complicar, há uma diferença conceitual entre Climat e Lieu-Dit, gerando enormes polêmicas no que diz respeito ao rigor filosófico da ideia de terroir.

Segundo o site oficial de vinhos da Borgonha (www.vins-bourgogne.fr), Climats são parcelas devidamente delimitadas pelo INAO, Instituto Francês que rege as apelações de origem (AOC), oficializadas em 1935. Portanto, algo oficial e com força de lei. Na Borgonha, segundo o site (www.climats-bourgogne.com), existem 1247 Climats em toda a apelação, sendo 635 exclusivamente a vinhas Premier Cru.

Já o termo Lieu-Dit, refere-se a locais consagrados pelo tempo, pela tradição, independente de leis que posteriormente possam ser criadas. Para alguns mais ortodoxos, a própria essência e origem de determinados terrenos.

Num raciocínio lógico e coerente, as duas definições se confundem, não havendo a principio distorções. Contudo, alguns casos particulares merecem uma reflexão mais profunda, sobretudo quando se trata de um dos maiores Grands Crus não só de Vosne-Romanée, mas de toda a Borgonha. No caso, o esplendoroso La Tâche, monopole da reputada Domaine de La Romanée-Conti. O quadro abaixo, ajuda elucidar o fato.

les gaudichots

Les Gaudichots: repartição complexa

No final do século XIX, em 1855, Les Gaudichots pertencia a quatro proprietários: Lausseure, Ragonneau, Confuron, e Bergeret. Nesta época, La Tâche já tinha reputação semelhante ao vinhedo Romanée-Conti e sua área era de apenas 1,40 hectare. Já Les Gaudichots possuía 5.95 hectares.

Em negociações um tanto obscuras, a maioria das parcelas de Les Gaudichots foram adquiridas por Duvault-Blochet, então proprietário DRC, entre final do século XIX e inicio do século XX, conservando em seus rótulos o nome Les Gaudichots. Tanto é verdade, que o Les Gaudichots 1929 Domaine de La Romanée-Conti é um vinho legendário.

Aproveitando o gancho, segue link do site Académie des Vins Anciens num almoço memorável com a presença de Aubert de Villaine no restaurante Taillevent, regado a grandes caldos, inclusive Henri Jayer Cros-Parantoux 1991 e 1995. http://www.academiedesvinsanciens.org/dejeuner-les-gaudichots-1929-au-restaurant-taillevent/

les gaudichots 1929

menção “grand premier cru”

Em 1933, o vinhedo original La Tâche, então propriedade da família Liger-Belair, é vendido ao Domaine de La Romanée-Conti. Baseado numa antiga prática de muitos Les Gaudichots serem comercializados na época com a menção La Tâche, ganhando assim prestígio, Domaine de La Romanée-Conti resolveu unificar os dois vinhedos, já que tinha quase a totalidade dos Les Gaudichots. Portanto, a área original de 1,43 hectare foi acrescida de 4,63 hectares, totalizando 6.06 hectares, área que comumente conhecemos dos La Tâches atuais.

Em 1936 com a criação das AOCs, La Tâche com a área ja unificada, foi declarado Grand Cru. Restou apenas um hectare de Les Gaudichots não pertencente ao Domaine. Essa pequena área é atualmente fragmentada nas categorias Village e Premier Cru, ou seja, Vosne-Romanée menção Les Gaudichots (Lieu-Dit) e Vosne-Romanée Premier Cru Les Gaudichots. Complicado, mas é verdade.

les gaudichots (2)

Forey: um dos proprietários atuais

Velho La Tâche versus Novo La Tâche

Muita discussão para pouca conclusão. De acordo com relatos da velha Borgonha, o La Tâche original possuia um terroir diferenciado com vinhos mais ricos. Com a mistura dos vinhedos, provavelmente houve uma certa diluição. De qualquer modo, o vinho é extraordinário e certamente mais prazeroso em muitos momentos, do que o astro maior Romanée-Conti, de evolução mais lenta em garrafa.

 vosne_romanee terroir (2)

perfil geológico

No perfil geológico acima num corte da comuna de Vosne-Romanée, o extenso vinhedo La Tâche já unificado, tem um declive de 50 metros do ponto mais baixo na mesma latitude de Romanée-Saint-Vivant, perto de 250 metros de altitude, até acima de La Romanée, passando por Romanée-Conti, na cota de 300 metros de altitude.

Desta forma, ele passa por três diferentes tipos de solo, fornecendo várias expressões nos diversos setores do vinhedo. Na parte mais baixa, coincidindo com o vinhedo original, o solo mais nobre e raro de Vosne-Romanée chamado Marnes à Ostrea Acuminata, uma mistura judiciosa de argila e pequenos fragmentos de fosseis marinhos, transmitindo grande mineralidade ao vinho. No meio da subida, o calcário fragmentado começa ter mais volume relativo à argila num solo menos profundo. O vinho perde força, mas ganha elegância. Por fim, na parte mais alta do vinhedo, o chamado Calcaire de Premeaux ganha volume, resultando num solo raso, fruto da erosão da rocha-mãe com pouca proporção de argila. Portanto, vinhos mais leves.

Isso pode explicar em parte o esplendor dos La Tâches antigos no final do século XIX, baseado na análise geológica acima. Segundo Jules Lavalle, estudioso e crítico de alto gabarito neste período na Borgonha, classificou o antigo La Tâche no mesmo nível do Romanée-Conti como Tête de Cuvée, enquanto o vinhedo Les Gaudichots numa classificação imediatamente abaixo, como Premier Cuvée.

Concluindo, mesmo na França, país de grande tradição vinícola e de leis bem estabelecidas e definidas, pode passar a falsa impressão de imutabilidade de grandes terroirs como visto acima. Percebemos no entanto, que leis, costumes e a própria evolução do homem, modifica e ajusta caminhos traçados pela história. 

Bordeaux: Sonho e Realidade

26 de Julho de 2017

Naquela caixa de sonhos de qualquer enófilo, sempre haverá pelo menos uma garrafa de Bordeaux. Sua penetração mundo afora é tão marcante, que cerca de 22 garrafas são comercializadas por segundo no mundo. Os grandes Bordeaux são verdadeiras commodities, disputados acirradamente nos mais prestigiados leilões. Além do estilo único e complexidade, esses vinhos apresentam enorme longevidade, capazes de atravessar décadas, sobretudo nas grandes safras.

Contudo, o sonho precisa ser sustentado e ao mesmo tempo, ele próprio é um componente importante no marketing de vinhos menores, mais simples, e de preço compatíveis à maioria dos mortais. Neste contexto, veremos um panorama atualizado do comércio de todos esses vinhos, grandes e pequenos.

bordeaux 2014

distribuição de Bordeaux na França

Conforme mapa acima, mais de 50% do vinho bordalês consumido na França, concentra-se na região parisiense, além de todo o norte francês, região não produtora de vinho. A influência e tradição inglesas e de países nórdicos explicam em parte esta preferência.

bordeaux 2015

área de vinhas – 2015

Quase dois terços da área de vinhas bordaleses destina-se a vinhos relativamente simples. Cerca de um terço da área, o filé mignon bordalês (Mèdoc, St Emilion e Pomerol), ainda assim tem que ser peneirada para separar o joio do trigo. A participação dos vinhos brancos é bem modesta, sendo que os vinhos doces são quase insignificantes em área plantada.

bordeaux 2015 cepages

predominância da Merlot

A distribuição de cepas no quadro acima, reflete bem a coerência com a área de vinhas. Na produção de tintos de Bordeaux mais simples, faz todo o sentido a Merlot ser majoritária no chamado corte bordalês, fornecendo mais maciez e apelo ao conjunto, além de tornar o vinho mais pronto para um consumo imediato. Aqui, não há necessidade de um aporte tão expressivo de taninos.

bordeaux medoc 2009

a exclusividade do Médoc

Quando falamos dos famosos 60 classificados de 1855 do Médoc, muitas vezes não temos ideia da diminuta produção desses vinhos. E olha que entre os 60 crus, temos ainda que fazer a melhor seleção, pois praticamente metade estão abaixo das expectativas. O quadro acima, apesar de um pouco defasado, dá uma boa ideia de proporção das principais comunas do Médoc.

Vamos pegar por exemplo, Pauillac. 19% dos tintos bordaleses vem do Mèdoc. Dentro desses 19%, temos apenas 12% de todos os vinhos de Pauillac. E dentro desses 12%, precisamos pinçar os realmente muito bons. Dá para entender porque um Pontet-Canet por exemplo, custa tão caro. Isso, sem falar nos três Premiers Grands Crus Classés; Latour, Mouton, e Lafite.

bordeaux brasil 2014

importação brasileira de Bordeaux – 2014

Diante deste quadro, a importação brasileira de vinhos de Bordeaux não poderia ser outra, senão o acima exposto. Juntando poder aquisitivo baixo e altas taxas de importação, mais de 70% dos tintos bordaleses concentram-se em apelações genéricas ou no máximo, Bordeaux Supérieur. Se falarmos nos brancos, tudo fica insignificante.

 

Margem Esquerda

bordeaux medoc mapa

 oito comuna no Médoc

Em todo o Médoc temos 16500 hectares de vinhas produzindo cem milhões de garrafas por ano, ou seja, 15% dos vinhedos de Bordeaux.

A parte norte chamada Médoc, de solo mais argiloso e arenoso, tem 35% das vinhas acima, de vinhos  medianos. Nenhum vinho classificado encontra-se nessas vinhas.

Na parcela restante, ao sul de Médoc, exceto as seis comunas, temos o chamado Haut-Médoc, respondendo por cerca de 29% das vinhas totais de todo o Médoc. Aqui, com certos cuidados, pode-se pinçar coisas interessantes.

Grands Crus Classés de 1855

Concentrados nas comunas de St Estèphe, Pauillac, St Julien, e Margaux, os 60 Crus correspondem a 3400 hectares de vinhas com uma produção de 21% de todo o Médoc.

 

Margem Direita

saint emilion pomerol fronsac

 margem direita: panorama geral

Antes de falar dos vinhos e apelações, vamos falar do conceito de corte bordalês nestas áreas. A Merlot, cepa majoritária, responde por 80% dos cortes em Pomerol e Fronsac por conta do solo mais argiloso. Já em Saint-Emilion, varia de 65 a 80%, conforme a complicada e diversificada composição de solo.

A Merlot evidentemente fornece a fruta e a graça desses vinhos, embora em alguns Chateaux como Petrus e Lafleur, seus taninos podem ser poderosos. A Cabernet Franc nessas paragens dá estrutura e taninos  ao corte, enquanto a Cabernet Sauvignon, quando fortuitamente é utilizada, fornece um toque de especiarias ao conjunto.

Saint-Emilion

De toda a margem direita, a apelação Saint-Emilion é sem dúvida, a mais pulverizada. Afinal são 5400 hectares de vinhas. Aquela chamada classificação Grand Cru é uma das maiores enganações de Bordeaux. Para não correr riscos, concentre-se na apelação Premier Grand Cru Classe A e B com 18 vinhos classificados, inclusos evidentemente, os irretocáveis Chateaux Ausone e Cheval Blanc. São menos de 400 hectares de vinhas entre todos os 18 chateaux.

Pomerol

Toda a apelação Pomerol tem apenas 800 hectares de vinhas onde a Merlot domina amplamente. São menos de 1% de toda a produção de Bordeaux. Aqui, não há classificação oficial.

As apelações satélites Lalande de Pomerol, Fronsac, e Canon Fronsac, têm respectivamente; 1136 ha, 808 ha, e 264 ha de vinhas.

A elite bordalesa

Juntando o que há de melhor nos vinhos de Bordeaux, teoricamente, mais alguns dados sobre produção e área de vinhas;

  • Grand Cru Classé 1855 (60 crus)

          3630 ha – 18 milhões gf

  • Crus Bourgeois (243 chateaux)

          3300 ha – 30 milhões gf

  • Crus Classés de Graves (tintos)

          500 ha – 2,6 milhões gf

  • Saint-Emilion Premier Grand Cru Classé (18 chateaux)

         400 ha – 1,2 milhão gf

  • Pomerol ( classificação não oficial 14 chateaux )

         180 ha – 600 mil gf

Deste total de pouco mais de 50 milhões de garrafas de “elite”, temos que tirar a metade dos classificados do Médoc, pois muitos chateaux vivem hoje apenas da fama de outrora. Temos também que peneirar muito bem os chamados Cru Bourgeois da atualidade, onde a inclusão nesta categoria vive mais de interesses comerciais, do que propriamente critérios técnicos. E aí, o facão é cruel. Apenas 10% tem realmente credibilidade para padrões de alto nível. 

Portanto, dos 50 milhões, vamos nos contentar com digamos, 15 milhões. Isso, fazendo um pouco de vista grossa. Mesmo assim, nenhuma outra região vinícola no mundo, chega perto desses números.

Voltando aos pequenos, desde que o preço compense, é sempre uma opção interessante, sobretudo para o dia a dia. Como dizia o mestre Denis Dubourdieu, os verdadeiros pequenos são aqueles que não querem se passar por grandes. Contentam-se em ser equilibrados, autênticos, e fornecerem o devido prazer. Seus vinhos são um bom exemplo deste pensamento.

Bourgogne e Bordeaux em Harmonia

20 de Julho de 2017

Bordeaux e Bourgogne  são incomparáveis, mas podem conviver juntos, cada qual com seu brilho próprio. Foi o que aconteceu num agradável almoço entre amigos, onde a França falou alto, mostrando a excelência de seus vinhos.

Dando as boas vindas, um  Pessac-Léognan Blanc, terroir inconteste para brancos bordaleses fermentados em barrica. No caso, Chateau Pape Clément da bela safra 2009. O corte bordalês para este chateau privilegia um pouco mais a Sauvignon Blanc (50%), seguida de perto pela Sémillon (40%). Embora possa haver uma pitada de Muscadelle, o chateau dá preferência para outra branca pouco comum, chamada Sauvignon Gris. O vinho é fermentado em barricas de carvalho com bâtonnage, além de mais 16 meses de amadurecimento nas mesmas. A integração com a madeira é excelente, além de maciez notável sem perder o frescor. Foi muito bem com alcachofras marinadas, de entrada.

São 100  pontos Parker num vinho de incrível densidade e frescor ao mesmo tempo. Os toques de frutas exóticas como carambola, mel e ervas finas, permeiam o complexo aroma.

nino cucina pape clement 2009

corte bordalês em perfeita harmonia

Para mante o nível, tivemos que chamar Batman e Robin com um estupendo trio DRC pela ordem: Romanée-Saint-Vivant 2004, Romanée-Saint-Vivant 1985, e o majestoso La Tâche 1989. Nada mau!

nino cucina rsv 2004

Hoje é dia de maldade!. Matamos uma criança nascida em 2004. Este primeiro Romanée-Saint-Vivant com seus 13 anos de idade só foi começar a se mostrar depois de mais de uma hora de decantação com notas florais muito puras. A boca poderosa, quase agressiva, dando indicio de longos anos para domar seus finos taninos. Bela acidez e um equilíbrio fantástico.

nino cucina trio DRC

não tá fácil pra ninguém!

Aí chega sua versão: eu sou você amanhã. DRC Romanée-Saint-Vivant 1985. Silêncio para se observar os finos aromas terciários de um Borgonha deste naipe. Sous-bois, toques minerais divinos, fruta completamente integrada ao conjunto, especiarias delicadas, e um floral de fundo. Taninos absolutamente polimerizados, fornecendo uma textura sedosa e um final arrebatador. Já valeu o almoço!

nino cucina la tache 89

alguém já disse: um dos maiores vinhedos sobre a terra!

Só que um DRC sempre pode se superar, e aí chega sua majestade, La Tâche 1989. Bom, é hora de ligar o turbo e colocar a sexta marcha. Por incrível que pareça, ainda não está totalmente pronto, fruto de uma garrafa extremamente bem conservada. Taninos ainda presentes, mas de rara textura. Boca ampla, multifacetada, vai do Alfa ao Ômega, final expansivo, muito longo. Obrigado super Mário!

Você deve estar se perguntando, como é possível um Pinot Noir ainda não estar pronto com quase trinta anos?. Embora seja uma uva delicada, na Borgonha o ciclo de maturação da Pinot Noir é alongado ao extremo, permitindo um aporte de taninos acima do esperado. Some-se a isso, o fato dos DRCs serem vinificados com engaço, aumentando sobremaneira a estrutura de seus vinhos. Para isso ter sucesso, as uvas devem estar perfeitamente maduras, inclusive fenolicamente (taninos) falando.

iguarias para os DRCs

Não é fácil escolher comida para esses DRCs, sobretudo os dois mais antigos e complexos. Graças a Deus tinham algumas trufas para salvar a situação. Na fota acima, o restaurante Nino Cucina elaborou dois pratos com muita competência. O da esquerda, servido lindamente na frigideira, tratava-se de um Gnocchi maravilhoso com molho Taleggio, um dos melhores queijos do norte da Itália. Lascas de trufas negras por cima, completaram o quadro. Com o St Vivant 85, ficou uma maravilha. A textura de ambos se completavam, além das trufas darem campo para os divinos aromas terciários do vinho.

Já no prato à direita, um clássico do restaurante, talvez a melhor Língua de São Paulo. No caso, Língua ao molho de Mostarda em grãos (senape) com cebolas e batatas ao forno. O sabor e a textura desta língua são uma delicadeza sem fim. Precisão cirúrgica para envolver aqueles taninos ainda presentes no La Tâche 89 e deixa-lo desfilar à vontade, protagonizando a harmonização. Um gran finale!

alguns mimos para o Yquem 1998

Adoçando um pouco a vida, algumas especialidades da casa para escoltar o rei sol de Sauternes, Chateau d´Yquem. Com quase 20 aninhos, é uma boa fase desses vinhos capazes de atravessar décadas. A fruta ainda intensa, o mel perfumado, e os toques de Botrytis, se fundem bem na transição de aromas mais terciários. O belo Cannoli com raspas de laranja incita o lado cítrico e de juventude do vinho. Por outro lado, o Cucciolone, um biscoito de difícil elaboração com vários ingredientes na receita, envolvendo baunilha, cacau, malte, entre outros, complementado por uma calda de caramelo, instiga o lado mais doce e complexo do vinho. Enfim, este Yquem foi acariciado por todos os lados.

No final do almoço, um pessoal da Ficofi, da mesa ao lado, veio conferir e se surpreender com as maravilhas degustadas. Esta entidade de luxo reúne os melhores Chateaux e Domaines do mundo com ênfase evidentemente na França.

Um pouco mais de conversa e vários cafés encerraram este belo almoço, unindo de forma brilhante, Bordeaux e Bourgogne, além de França e Itália à mesa. Vida longa aos amigos de mesa e copo! Que Bacco nos abençoe sempre!

Clarets, Clube do Vinho

17 de Julho de 2017

Não é de hoje que existem vários clubes de vinho divulgados por todo o Brasil. Normalmente, determinada importadora seleciona alguns vinhos que serão postados aos clientes cadastrados no grupo, acompanhados de informações e histórias sobre os mesmos. Não deixa de ser um bom canal de divulgação, atrelado ao conhecimento da bebida. Até aqui, nenhuma novidade. Agora, que tal ter como mentor deste clube, o sommelier Manoel Beato?. Eis o diferencial!.

clarets clube do vinho

informações: vídeo QR Code, catálogo anexo, e contrarrótulo na garrafa

Manoel Beato, companheiro de mesa e copo, é indiscutivelmente o melhor sommelier do Brasil em atividade. Eu digo aquele sommelier de salão, na essência da profissão. São mais de trinta anos em atividade no grupo Fasano, uma experiência que não tem preço. Eu sei que tem gente boa na praça trabalhando, se formando, mas todos eles ainda tem que comer muito arroz e feijão para chegar perto deste profissional de alto gabarito. Bom, vou parar por aqui, se não o artigo vai perder seu objetivo …

clarets taças

taças adequadas a cada tipo de vinho

Voltando ao tema, vamos falar da importadora de vinhos Clarets. Se você está cansado de comprar vinho por aí pagando um preço alto e muitas vezes se decepcionando, Clarets pode ser um bom porto seguro. Os vinhos selecionados por esta importadora são reconhecidos mundialmente e portanto, verdadeiras referências em suas respectivas denominações de origem. Estou falando de vinhos de Velho Continente, sobretudo os franceses. Contudo, Itália, Portugal e Espanha, têm seu espaço. A ideia é comprar grandes lotes desses vinhos e oferecer ao consumidor final preços bem competitivos dentro do mercado brasileiro.

clarets zind humbrecht riesling

produtor diferenciado

Só para dar um exemplo, compre o Riesling Zind-Humbrecht 2015 por 199 reais. Se você não conhece os vinhos alsacianos, este é um excelente começo. Produtor de alta reputação com vinhos muito peculiares, imprimindo seu estilo inconfundível. Fazendo uma comparação, quantos Chardonnays sem muita graça inundam o mercado com preços entre 120 e 140 reais?. Portanto, saia da casinha!

 informações no contrarrótulo

Agora entrando no assunto de vez, vamos falar da primeira caixa Clarets do Clube do Vinho, sempre com três vinhos, selecionados por Manoel Beato. O preço aparentemente caro, 990 reais a caixa, já se torna uma piada de cara. Senão vejamos, um dos vinhos. Chateau Haut-Bages Liberal 1995, um dos bordaleses classificados em 1855 com mais de 20 anos de idade. Só este vinho já vale a caixa. Ter a oportunidade de provar um Bordeaux deste nível já com seus aromas terciários é uma experiência pra lá de gratificante. Se quiser guardar, sem problemas. O vinho está em plena forma.

clarets saint chinian

sul da França bem lapidado

Saindo deste tremendo clássico, vamos a uma apelação de descoberta para muitos, Saint-Chinian no Languedoc, sul da França. Um tinto que traz toda a tipicidade da região, agregando métodos modernos de cultivo e vinificação. Um vinho macio, de muita fruta, bela presença em boca, um finalzinho agradavelmente selvagem regido pela Carignan, uva local de certa rusticidade, formando o blend com suas parceiras, Mourvèdre e Grenache. Vale a experiência num vinho surpreendente.

clarets hautes cotes de nuits

apelação em maiores altitudes na Côte de Nuits

No último vinho, temos um Borgonha tinto das redondezas de apelações mais sofisticadas da Côte d´Or, Hautes Côtes de Nuits 2012 do produtor Jayer-Gilles. O vinho tem estilo moderno, ainda faltando uma melhor integração com a barrica. Entretanto, pode ser muito convidativo para aquelas pessoas acostumadas com vinhos do Novo Mundo que desejem entrar no sofisticado mundo borgonhês. Com um pouco de aeração, digamos 30 minutos, o vinho fica bem mais equilibrado aromaticamente, sendo bom parceiro para pratos de aves e molhos mais elaborados de redução.

Mais dois vinhos exclusivos da Clarets, um Gevrey-Chambertin e um Condrieu de tirar o fôlego, mostram o cuidado na seleção e na pesquisa de belos produtores. Maiores informações sobre seu portfolio: http://www.clarets.com.br

clarets gevrey-chambertin

Sylvie Esmonin Gevrey-Chambertin 2014

Toda a categoria desta apelação da Côte de Nuits, Gevrey-Chambertin, com nove Grands Crus cadastrados. Neste de apelação comunal safra 2014, fruta típica dos grandes tintos desta comuna com cerejas escuras, toques florais, e ervas finas em profusão. O trabalho de barrica é muito bem feito, dando o suporte exato ao vinho. Equilibrado, fresco, taninos bem trabalhados, e final muito agradável. É um Borgonha que alia virilidade e elegância. Ganhou muito com a aeração.

clarets condrieu

Domaine Georges Vernay Condrieu Les Terrasses de L´Empire 2014

Um branco fora da curva. O produtor Georges Vernay é referência absoluta na apelação Condrieu, protagonizando a uva Viognier. Neste exemplar de cor palha dourada de certa opacidade, mostra a pouca manipulação deste vinho. Os aromas foram abrindo pouco a pouco com notas de pêssegos, damasco, mel resinoso, e um toque floral. A boca é densa, macia, mas ao mesmo tempo, fresca, vibrante. O final é muito equilibrado e longo. É imperativo decanta-lo por pelo menos uma hora e servi-lo não tão gelado. Digamos em torno de 14° de temperatura. Vai muito bem com queijos densos e de certa cura como Reblochon ou Pont L´Eveque, por exemplo.

Enfim, uma degustação de alto nível com vinhos originais, distintos, dignos das melhores mesas. Agradecimentos a Guilherme Lemes, anfitrião e proprietário da Clarets, seus colaboradores, e especialmente ao mestre Manoel Beato.