Archive for Setembro, 2011

Concha Y Toro: Gigante do Vinho

29 de Setembro de 2011

O crescimento do grupo Concha Y Toro parece não ter fim. Ano após ano, está cada vez mais próximo ao topo do mundo dos vinhos. Em 2010, figura na posição 17º dos top 100 das maiores empresas de bebidas do mundo, incluindo poderosos grupos de destilados e champagnes.

Nos grupos vinícolas, está apenas atrás do todo poderoso grupo americano Gallo, por enquanto. Já ultrapassou marcas como Hardys, Jacob´s Creek, Robert Mondavi, Lindemans, Penfolds, Torres.

O grupo Concha Y Toro é composto pelas vinícolas Cono Sur, Viña Maipo, Palo Alto, Canepa, Maycas Limari, Trivento (Argentina) e evidentemente Concha Y Toro, a primogênita.

Alguns números em 2010

  • Faturamento: 735 milhões de dólares
  • Volume de vendas: 29,2 milhões de caixas (12 garrafas)
  • Exportação para 135 países
  • 36,6% das exportações chilenas (volume)
  • Casillero del Diablo: 3 milhões de caixas exportadas
  • Área de vinhedos: 9.513 hectares (Chile e Argentina)

     

O que impressiona no grupo Concha Y Toro é a consistência e a qualidade de seus vinhos nas várias faixas de preço para atingir públicos específicos. A linha Marques Casa Concha e a linha Terrunyo, para ficarmos em dois exemplos, a despeito da enorme quantidade produzida, apresentam vinhos altamente competitivos em qualidade com relação a seus respectivos concorrentes diretos.

Nos vinhos ícones, Don Melchior conquistou ao longo do tempo prestígio internacional, principalmente nos últimos anos, com pontuações expressivas na crítica especializada. Outro ícone de grande reputação embora seja uma parceria com o glamour bordalês Mouton-Rothschild, é o Almaviva, pessoalmente o melhor tinto chileno com produção regular, desde 1996.

Em abril deste ano (2011) foi anunciada a compra do grupo vinícola californiano Fetzer no valor de 234 milhões de dólares. Com isso, aumenta ainda mais a participação do grupo Concha Y Toro no mercado americano. Fica assim a expectativa de ver no próximo ano, o grupo chileno no topo da lista.

Harmonização: Contrafilé

26 de Setembro de 2011

Já comentamos em artigos anteriores a harmonização de carnes vermelhas com vinho tinto (vide artigo sobre churrrasco, por exemplo). É uma harmonização clássica e quase intuitiva. Entretanto, hoje vamos especificar dois cortes famosos de carne bovina, extremamente apreciados em churrascarias e restaurantes especializados. Conforme fotos abaixo, a primeira é o bife ancho (corte argentino) ou a bisteca do contrafilé. A segunda é o bife de chorizo (corte argentino) ou centro do contrafilé.  

Cortes de uma mesma peça

Na verdade, são cortes de uma mesma peça chamada contrafilé, só que em extremidades opostas. Portanto, são carnes diferentes quanto à textura, teor de gordura e fibrosidade, proporcionada pela musculatura e irrigação sanguínea do animal. Ambas ficam muito boas feitas numa frigideira de fundo espesso, além evidentemente da grelha ou churrasqueira.

O bife de chorizo, parte mais próxima do traseiro do animal, é uma carne mais compacta, menos gordurosa e menos macia que o bife ancho, porém igualmente saborosa. Aqui podemos pensar em tintos com maior estrutura tânica, que deve agir com mais propriedade frente à suculência e fibrosidade da carne. Vinhos com as castas Cabernet Sauvignon, Tannat e Petit Verdot são extremamente apropriados.

No caso do bife ancho, uma carne com mais gordura, inclusive gordura marmorizada, é mais macio. Com isso, podemos continuar com vinhos relativamente tânicos, porém com um componente de acidez mais presente, frente à gordura intrínseca da carne. Neste caso, tintos italianos com base na casta Sangiovese (Toscana) ou Tempranillos de Ribera del Duero, podem harmonizar muito bem. Supertoscanos, Brunellos e belos Chiantis Classicos como Castello di Ama (importadora Mistral) e Fontodi Vigna del Sorbo (Mistral) são grandes pedidas. Aqui não valem os Chiantis simples, por faltar corpo e estrutura. A propósito, estes são também as casamentos clássicos da famosa Bistecca alla Fiorentina, que apresenta componentes de harmonização semelhantes ao Bife Ancho.

O importante é percebermos que quando o teor de gordura intrínseca à carne aumenta, há necessidade de maior acidez do vinho, sem que os taninos sejam tão evidentes.

Veja a aula do grande István Wessel no vídeo abaixo:

 http://mais.uol.com.br/view/690617

Single Malt Scotch Whisky: Parte VI

22 de Setembro de 2011

O que faz Vinho Sem Segredo, um blog sobre vinhos, escrever seis artigos sobre Whisky? Primeiramente, a sommellerie atual abrange vários tipos de bebidas além do vinho. Em segundo lugar, estamos falando do destilado mais consumido no planeta. Por último, a própria complexidade do tema, exige esclarecimentos mais detalhados.

De todo modo, Single Malt Scotch Whisky é uma bebida nobre e de certo modo desconhecida até mesmo, dos amantes de Whisky. Sem ele, todos os famosos e badalados Blended Whisky não teriam a fama que têm. A presença dos Single Malts lhes dão alma e profundidade.

Distribuição de vendas: Blended Scotch Whisky

Segundo dados de 2009 da Associação de Whisky Escocesa (www.scotch-whisky.org.uk), percebemos claramente a exclusividade do Single Malt Whisky, bem como sua importância para a qualidade dos whiskies mais comerciais. Fazendo um paralelo com o mundo dos perfumes, o Malt Whisky seria a essência, o extrato, servindo de base para uma indústria influente e sofisticada.

De todo Scotch Whisky comercializado no mundo em 2009, apenas cerca de 6% são Malt Whiskies engarrafados. Entretanto, sua participação a granel e no chamado Blended Whisky é bastante significativa, chegando perto de 40% da produção total.

Em continente europeu, o consumo de Blended Scotch Whisky é liderado sobretudo pela França e Espanha. Alemanha e Grécia seguem num bloco significativo, mas inferior ao primeiro. No restante do mundo, Estados Unidos, Ásia e Venezuela, apresentam grande participação neste mercado.

Distribuição de vendas: Malt Scotch Whisky

Voltando ao nosso Malt Scotch Whisky, dados de 2009 mostram participação destacada no consumo de países como Estados Unidos, Índia (também um grande produtor de Whisky) e França, além evidentemente, do Reino Unido. É bom ressaltar que apenas 59% deste mercado é de Malt Whisky engarrafado, sendo o restante a granel.

No encerramente deste tema, a convivência saudável de vinhos e destilados é perfeitamente possível utilizando o bom senso. Após uma bela refeição com vinhos, por que não finalizarmos o momento com um Single Malt Scotch Whisky? acompanhado de chocolates, frutas secas, biscoitos abaunilhados ou charutos, além de uma boa conversa, pode ser um gran finale.

Single Malt Scotch Whisky: Parte V

19 de Setembro de 2011

Nesta última visita ao nosso mapa abaixo, falaremos dos grandes Maltes das Ilhas, notadamente a de Islay (pronuncia-se ai-la com entonação na primeira sílaba), os mais impactantes e dramáticos de toda a Escócia. Os aromas de turfa são realmente intensos, com forte caráter medicinal, lembrando de certo modo, os grandes Finos de Jerez. Não há meio termo: ame-o ou odei-o.

 

Das várias Ilhas como Orkney, Mull e Jura, falaremos apenas de Islay. Antes porém uma exceção, a Ilha de Skye, com seu estonteante Talisker. Com a devida licença, um desafio: se você é realmente macho, prove então o Talisker, um Single Malt de tirar o fôlego.

Talisker: Não desperdice nenhuma bebida depois dele

Deixei para o epílogo os grande Maltes de Islay, extremamente turfosos. Além do solo de turfa (famoso na região), as nascentes de água utilizadas nessas destilarias, correm muitos vezes por este tipo de solo. Portanto, a influência da mesma nestes Single Malts vem não só do combustível de secagem da cevada, como também, da água utilizada nas várias etapas de elaboração da bebida.

Solo de Turfa: decomposição de matéria vegetal combustível

Falar de Islay é falar de pelo menos três Maltes excepcionais e encontrados no Brasil, exceto Ardbeg (Pronuncia-se arbegui. Para muitos experts, o melhor Whisky do mundo). Laphroiag (pronuncia-se lafróigui, enfatizando o r e a última sílaba quase muda) e Lagavulin (pronuncia-se Lagavúlen enfatizando a terceira sílaba) são extremamente fiéis ao seu terroir. Altamente turfoso, medicinal, iodado e de sabor persistente. Para pratos com alto impacto de defumação como arenque por exemplo, encara com competência a harmonização. O próprio salmão escocês defumado é um casamento local. Normalmente, o envelhecimento em barris de Jerez (Sherry), além da influência da maresia nos galpões de estocagem, reforçam as características acima e uma certa salinidade bem peculiar.

Lagavulin 16 Years Old: A perfeição da turfa

Finalizando, podemos citar o Single Malt de Campbeltown chamado Springbank, com seu equilíbrio entre malte e turfa, além da influência marítima.

Para os raros Single Malt das Lowlands (Terras Baixas), não perca tempo. Prove Rosebank, se encontrá-lo. Há experts que dizem: se este Single Malt estiver numa degustação às cegas com outros  das Highlands, melhor não arriscar um palpite precipitado. É macio, sedutor, mas definitivamente profundo.