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Rosés e Pizzas

14 de Fevereiro de 2016

O vinho rosé sempre ficou meio deslocado no consumo brasileiro. Diz-se que é um vinho de verão, bom para paella, bouillabaisse, e mais alguns pratos  específicos. Pois bem, há um prato que o brasileiro de modo geral não dispensa pelo menos uma vez por semana, sobretudo os paulistanos, que é a nossa querida pizza. O número de estabelecimentos e a variedade de sabores são cifras surpreendentes. Pois bem, se a moda pegar, os rosés podem encontrar um caminho seguro e permanente para seu consumo.

Já testei diversas vezes esta harmonização e em todas elas não me lembro de nenhum momento de decepção ou arrependimento. Pelo contrário, sempre foi um encontro estimulante e agradável. Sabemos que o casamento de pizzas com vinho está calcado fundamentalmente no molho e seus recheios diversos. Sabemos também, que o vinho deve ter corpo de leve a médio na maioria dos casos, boa acidez, e certa informalidade. Afinal, trata-se de um prato corriqueiro, sem grandes sofisticações. É claro, que há exceções. Portanto, os rosés encaixam-se muito bem neste perfil.

rosé brumont

Blend exótico do sudoeste francês

Pessoalmente, estou falando de rosés do Velho Mundo, os europeus, sobretudo os provençais. Eles não são invasivos, têm um belo frescor, e seus aromas cítricos, de tempero e ervas, combinam com boa parte das pizzas, inclusive as mais pedidas como Margherita, Muçarela (que o pessoal insiste em Mussarela), Calabresa, Alici, Atum, entre outras.

O molho de tomate, o alho, a cebola, as ervas (orégano), pimenta, e outros temperos, vão de encontro aos sabores dos rosés tradicionais. Estão neste grupo os provençais, os rosés de Navarra (Espanha), os rosés italianos (Abruzzo, Toscana, Sicilia, Sardegna, para citar alguns), e os portugueses (Bairrada, Dão e Vinho Verde).

Ott Romassan 2013

Domaines Ott: referência em Provence

Os rosés do Novo Nundo, via de regra mais encorpados, mais pesados, ficam para as pizzas também mais ricas em textura e sabores como Pizza Portuguesa, à Moda da Casa (ingredientes incógnitos), e aqueles sabores estranhos (Bolonhesa, Mineira, Frango com Catupiry, e tudo que a imaginação mandar …).

Alguém poderia pensar em champagnes rosés. Tecnicamente, não há nenhum senão. Entretanto, é uma bebida muita requintada para um prato tão frugal. A menos  que seja um pizza ultra sofisticada com ingredientes nobres como trufas, funghi porcini fresco, morilles, e coisas do gênero. Quanto aos demais espumantes rosés; os nacionais, cavas, prosecco e outros bem elaborados, não vejo empecilhos. Dê preferência aos elaborados pelo método Charmat (mais simples, mais frutados e florais). Quando cogumelos participarem da brincadeira, os elaborados pelo método tradicional (champenoise) são mais indicados.

Outra dica interessante para os rosés são os fartos buffets self-service tipo Ráscal, por exemplo. Aquela infinidade de entradinhas com vários sabores, molhos e pimentas, são muito bem-vindas com os rosés. Dá para ficar só neles com a fartura destes buffets. Escolhendo bem o prato principal, a continuidade dos rosés está garantida.

Para aqueles que gostam de comida natural, lanches, os vegetarianos, os veganos, podem encontrar no rosé seu vinho ideal. Sua versatilidade, frescor e leveza, são atributos irresistíveis.

Esta aí um caminho. Há boas ofertas no mercado com preços ainda decentes. Importadoras como Decanter, Mistral, Grand Cru, Cellar e outras tradicionais, apresentam opções interessantes.

Rosés pelo mundo em números

8 de Novembro de 2015

Em recente estudo realizado pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) veremos a seguir alguns números de 2015. A produção mundial de rosés parece estabilizar-se em torno de 24 milhões de hectolitros, aproximadamente 10% da produção mundial de vinhos.

roses 2014

Pouca variação na produção

Dentre os principais produtores mundiais de rosés estão a França, indiscutivelmente, Espanha, Estados Unidos e Itália. Esses quatro países respondem por três quartos da produção mundial de rosés. Só a França, produz 30% do total mundial. O mapa abaixo ilustra a situação.

rose grafico 2014

No topo: França, Espanha, Estados Unidos e Itália

Quanto ao consumo mundial, a França também tem larga vantagem. Mais de 30% dos rosés do mundo são consumidos por lá. Em seguida, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, puxam a fila.

rose 2014 consumo

França: domínio absoluto

No quesito exportações, A Espanha lidera com larga vantagem em termos de volume, seguida pela Itália, França e Estados Unidos. As exportações mundiais estão em torno de nove milhões de hectolitros por ano. Os quatro primeiros países exportadores do gráfico abaixo (Espanha, Italia, França e Estados Unidos) respondem por 80% do volume mundial exportado.

roses exportação 2014

Espanha comanda as exportações de rosés

Neste final de ano que se aproxima, os rosés são bem versáteis, quer seja pela facilidade de harmonização, quer seja pela conveniência de temperaturas mais elevadas. A mistura de pratos, entradas e várias comidinhas servidas num tempo só, torna os vinhos rosés uma espécie de coringa, agradando os mais diversos paladares e compatibilizações.

Como indicações, a França tem muitas opções. Evidentemente, a Provença é uma dica certeira. Porém, os vales do Rhône e do Loire, mostram diversidades de sabores e de preços. Em linhas gerais, os rosés do Loire são mais leves e delicados, enquanto os rosés do Rhône tendem a ser mais encorpados e gastronômicos.

Do lado italiano, a Toscana tem boas opções, sobretudo na região de Bolgheri, próximo ao litoral tirreno. Abruzzo, no litoral adriático, tem rosés interessantes. O nordeste italiano com as regiões do Veneto, Friuli, e Trentino, apresentam inúmeras opções. Nestas regiões mais frias, os rosés costumam ser mais frescos.

Na Espanha, os rosés de Navarra, região contigua a Rioja, apresentam-se bem equilibrados. Rioja produz praticamente o mesmo volume que Navarra. Em seguida, temos as regiões de La Mancha, Valencia e Catalunha juntas, perfazendo o mesmo volume de Navarra ou Rioja. As uvas mais utilizadas são Garnacha, Bobal e Tempranillo. Os rosés à base de Garnacha tendem a ser mais macios e gastronômicos. Já a Tempranillo, dificilmente é utilizada como varietal. Por se tratar da melhor uva para tintos de longa guarda, os cortes são mais frequentes.

Algumas sugestões:

  • Chivite Gran Feudo Rosado – espanhol da Mistral (www.mistral.com.br)
  • Zaccagnini Montepulciano d´Abruzzo Cerasuolo – italiano da Ravin (www.ravin.com.br)
  • Chateau St-Hilaire Tradition – francês provençal da Premium (www.premiumwines.com.br)
  • Paul Jaboulet Côtes-du-Rhône Rosé – francês do Rhône (www.mistral.com.br)

Harmonização: Bife à parmegiana

16 de Julho de 2012

Na cozinha do dia a dia, este é um dos pratos mais pedidos e executados, adorado por adultos e crianças. É um prato farto, comunitário, acompanhado geralmente por batatas fritas e arroz branco. O bife pode ser mais ou menos nobre (depende do bolso de cada um), relativamente fino, pois é feito à milanesa, e afogado em bastante molho de tomate, além de farto queijo derretido, normalmente muçarela e/ou parmesão. A origem não tem nada a ver com Parma, na Itália.

 

Boa alternativa ao hamburger da criançada

Para a harmonização, vamos pensar em vinhos simples, de acordo com a tipologia do prato. Nada de medalhões, vinhos sofisticados, que podem ser muito delicados para o prato, ou potentes e cheios de madeira. Neste caso, o vinho precisa ter acidez, pois temos uma técnica de fritura no bife (à milanesa) e queijo derretido, envolvendo muita gordura. O próprio molho de tomate também agradece uma certa acidez. Tratando-se de carne bovina e a própria textura e corpo do prato, vamos falar de vinhos tintos relativamente encorpados. É importante também ser um vinho jovem, com bastante fruta, para haver uma boa ligação com o sabor do tomate. Esta juventude normalmente é acompanhada de um natural frescor ou em outras palavras, uma acidez suficiente para o prato. Esta acidez é mais facilmente atingida com vinhos do Velho Mundo, sobretudo italianos. Montepulciano d´Abruzzo, Merlots da Úmbria ou Toscana e Aglianico da Campania, são as primeiras escolhas. Uma boa dica é o Montepulciano d´Abruzzo Nicodemi da importadora Decanter (www.decanter.com.br). Um Valpolicella Classico mais concentrado, ou um Dolcetto d´Alba de vinhedo como do produtor Bruno Rocca da importadora World Wine (www.worldwine.com.br), são boas alternativas.

Outras opções européias podem ser um Tempranillo de Toro (vinhos com força, acidez e rusticidade adequada ao prato), ou um vinho do Douro como Crasto, da Quinta do Crasto, importado pela Qualimpor (www.qualimpor.com.br). Vinho de bom corpo, boa fruta e sem interferência da madeira.

Se a opção for pelo Novo Mundo, prefira Malbecs, Merlots ou Syrahs  jovens, de bom corpo e levemento amadeirados, se for o caso. Um Catena Malbec ou Merlot da Salentein cumprem bem o papel. Respectivamente, são importados pela Mistral (www.mistral.com.br) e Zahil (www.zahil.com.br).

Todas essas indicações referem-se a vinhos de média gama dentro de suas respectivas vinícolas, ou seja, boa concentração de fruta, tanicidade moderada e boa adequação em madeira, mas sem exageros. Madeira e taninos em demasia podem gerar amargor desagradável, além de sabores abaunilhados e tostados não casarem com os sabores do prato.

No mais, vinhos para os adultos e guaraná para a criançada.


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