Archive for the ‘Champagne’ Category

Dia dos Namorados

22 de Abril de 2020

Depois de um longo e tenebroso inverno, após passar por cirurgia, vamos falar de coisas boas, não que essa não seja uma coisa boa, a operação foi um sucesso e o tempo recorde em recuperação foi mais ainda. Mas vamos falar de coisas mais dóceis, vamos falar de champagne que expressa bem esse dia de festas, alegrias, e comemorações.

Esse você não quer economizar, eis um belo motivo para tal, um Blanc de Blancs, uma cuvée especial, ou um vintage, ou até mesmo um rosé, símbolo de data que expressa um acontecimento.

comtes de taittinger

um belo blanc de blancs clássico

Blancs de Blancs

Blanc de Blancs, um vinho que expressa pureza, mineralidade, longevidade, e uma delicadeza, acima de tudo. Vai bem com Ostras, Casanova que o diga, vai bem com toda a sorte de frutos do mar, sobretudo in natura, vai bem com trufas, principalmente, envelhecida. Enfim, como entrada e pratos leves, não tem melhor.

Apesar de sua aparente fragilidade, é um dos champagnes mais longevos que existem. Acidez e a delicadeza andam juntas, num desafio permanente ao longo do tempo. Quando envelhece, é um champagne de alta gastronomia, pedindo trufas e cogumelos, para complementar seu esplendor. Comtes de Taittinger é uma referência no estilo, para ficarmos só em uma marca, numa garrafa toda estilizada.

champagne cristal

um cristal é sempre especial

Uma cuvée Especial

Pode ser um Dom Pérignon, um Cristal, um Krug Vintage. Sempre abrilhanta um jantar quando a estrela principal é o astro maior. Estrutura, persistência, e presença marcante. Tudo nele é grandioso, sua acidez, seu equilíbrio e after-taste. 

Vai bem com os pratos principais requintados como uma codorna desossada, pratos de forno, como galinha d´angola, perdiz, e toda a sorte de aves raras, com trufas, se for de uma certa idade, cogumelos, e aqueles maravilhosos, funghi porcini ou o impecável morilles, ficam ótimos.

Champagnes com esta estrutura devem durar por décadas, desmentindo que champagne não pode envelhecer. Um champagne como este, se bem adegado, aguenta fácil 10, 20, anos sossegado, pois tem acidez e estrutura para tanto. É magnífico!

champagne vintage Krug

Um Krug Vintage, dispensa apresentações

Um Vintage para celebrar os bons momentos

Os vintages são muito especiais, pois só são lançados em anos especiais, somente em média três vezes por décadas. O ano deve ser perfeito numa região de clima frio e rigoroso. Quando isso acontece, tudo está perfeito. Sua estrutura, seu equilíbrio, seu balanço final. Um vinho destes é capaz de durar por décadas e aí o prato deve ser especial.

Nestes casos, o prato deve ser de alta gastronomia, um peixe de rio bem consistente, um molho onde a alta acidez de vinho possa suplanta-lo, um beurre blanc por exemplo. Aqui os vinhos do Loire falam mais alto, alta acidez, bela estrutura, e longa longevidade.

Aqui o prato tem que ser escolhido a dedo, pois cada caso é um caso, e cada ano tem suas características próprias. E para tal, a escolha deve ser única, de acordo com as características da safra. Uma safra de clima quente, deve ser mais generosa. Uma safra de clima frio, alta tensão, mineralidade, deve ter outro perfil.

champagne dom perignon rosé

 um rosé emblemático

Vintage Rosé

Se o vintage já é difícil e raro, imagine um rosé, que só faz 15% em média da produção anual. Ele deve conter um porcentagem marcante de Pinot Noir, cepa importante que dá estrutura ao champagne. É um vinho de gastronomia, de grandes mesas, que não pode ser posto de lado. Aqui, os pratos devem conter cogumelos, trufas, pratos de forno, consistente, e porque não até admite uma carne vermelha de maneira suave, uma vitela, um carré de cordeiro de forma rosada, como deve ser.

cheesecake com frutas vermelhas

cheesecake com frutas vermelhas

Um cheesecake com frutas vermelhas sempre ficam ótimos com rosés, pois ambos, queijo e frutas, mantêm a acidez sempre presentes, equilibrando o frescor.

E já que estamos no fim, porque não uma sobremesa, para fecharmos com chave de ouro a refeição. As sobremesas com frutas vermelhas, com leve acidez, fator fundamental, neste momento. Um leve pitada de sorvete, sempre com muita acidez, para não perder o tom da música, e o desfecho será brilhante.

Enfim, um jantar todo estilizado, onde champagnes raros podem desfilar sem problemas, mostrando toda a diversidade e requinte em estilos, para todos os pratos e uma ampla e vasta gastronomia. 

brie-de-meaux

ótimo fecho de refeição

Na parte final, os queijos. Não pode ser um queijo muito poderoso. Não combina com a delicadeza do champagne. Um Brie de Meaux seria ideal, perto da região de champagne, ou delicados queijos de cabra, pois tem acidez suficiente para tal.

Talvez champagne seja o exemplo mais gastronômico às mesas, pois não é invasivo, é sempre elegante. Tem ótima acidez, fator fundamental para a boa comida, baixos taninos, outro fator problemático, deixando a comida reinar sozinha. No final, limpando sempre o paladar, deixando a boca fresca, e o palato sempre preparado para a próxima garfada, ou o último gole desta bebida mágica.

Não é a toa que Dom Pérignon exclamou. Vejam estou bebendo estrelas!

Feliz Dia dos Namorados!

Salmão Defumado e Gravlax

18 de Março de 2020

Dois dos mais pedidos tipos de salmão no mercado, restaurtantes e receitas. Amplamente difundido entre nós, geralmente como entrada e canapés. Há diferenças no preparo de ambos e evidentemente, nos vinhos a acompanhar.

salmão gravlax

Salmão Gravlax

É o processo nórdico, escandinavo de preparar o salmão. Os ingredientes são uma medida de açúcar, duas medidas de sal grosso, aneto ou dill e o salmão. Mistura-se os ingredientes, cobrir o salmão e deixa-lo por 48 horas na geladeira. Lava-se o salmão e pode fatia-lo finamente com faca apropriada, e servi-lo desde in natura, como em diversas formas, temperos e molhos.

Evidentemente, o frescor,  o gosto in natura do peixe, pede vinhos frescos, leves e de boa mineralidade. Os Sauvignons desta característica vêm sobretudo do vale do Loire são as primeiras escolhas. Alvarinhos, Albariños e Chablis, geralmente são muito minerais e de textura correta para o prato. Espumantes Blanc de Blancs e preferencialmente os champagnes são muito bem-vindos.

A madeira nesta caso não casa muito bem com a característica do peixe. Ela fica muito invasiva. Por outro lado, brancos sem madeira e de certa delicadeza são fracos para o prato. Penso que a mineralidade e a personalidade do vinho definem bem a questão.

Neste caso, os complementos mais pedidos são as pimentas aromáticas, ervas e mostardas não muito picantes. Raspas de limão e cítricos são bem-vindos. É uma entrada estimulante, aguçando as papilas gustativas para o que vem pela frente.

salmão defumado

Salmão Defumado

Esse é aquele salmão que compramos pronto e já embalado. Pode ser feito em casa, mas dá um certo trabalho. Normalmente, ele é previamente semicurado e posteriormente defumado com madeiras ou ervas. Esse toque defumado vai diferenciar o vinho em certas situações. É evidente que o grau de defumação, assim como o cozimento do peixe deve influir no resultado final. Estamos falando de um início Gravlax, seguido de leve defumação, sem comprometimento do peixe.

Esse toque mineral pendendo para o defumado, o branco Riesling é ideal. Se for o alemão, opte pelo estilo Trocken, bem seco, ou os alsacianos secos e minerais como Trimbach. Quanto mais envelhecido for o Riesling, maior o toque defumado apresentado, fugindo um pouco dos aromas florais e frutados.

Champagnes com longo tempo sur lies podem ser interessantes, pois a textura fica mais cremosa e os aromas mais complexos e intensos.

 Os Sauvignons de Bordeaux ou próprio corte bordalês branco me parece insuficiente para o prato. Tem um textura rica e falta um pouco de acidez ao conjunto.

Os Sémillons do vale do Hunter, Austrália, pode ser uma bela saída, pois são minerais e com o tempo em garrafa, desenvolvem aromas defumados muito interessantes.

Outra opção interessante é a uva grega Assyrtiko com mais de 60 anos de idade, plantada em vasos, na ilha de Santorini. Um vinho fresco, mineral, salino e de grande personalidade. Pode ir muito bem com o salmão defumado, inclusive o poderoso caviar.

No entanto, preste atenção na carga de madeira. Vinhos muito amadeirados e invasivos, podem deixar a combinação enjoativa e pouco estimulante. É sempre bom prestarmos atenção ao fato, deixando os toques defumados com a mineralidade  e outros aspectos de vinificação como tempo sur lies, por exemplo.

Uma combinação ousada seria o salmão defumado com Whiskies de Islay com forte teor de turfa, o que confere um casamento marcante e bem surpreendente.

salmao defumado e blinisa clássica receita de salmão defumado e creme azedo

Para suavizar o gosto do peixe defumado e até do próprio vinho, um dos acompanhamentos clássicos é o blinis com creme azedo (creme de leite e limão), substituindo com competência o clássico de blinis de caviar, tão caro em nossos dias.

Sempre é bom para uma entrada fresca e de personalidade como esses dois salmões, pensando em vinhos frescos, minerais, de boa personalidade. A Europa sempre sai na frente com exemplares clássicos.

Chardonnay e suas versões

28 de Janeiro de 2020

No segundo encontro da confraria este ano, por sinal bastante modesto para os padrões da mesma, tivemos apenas quatro confrades no elegante Tessen, comida japonesa bem executada. Neste caso, o assunto são brancos e eles vieram em várias versões e idades.

bela combinação

De início uma grata surpresa, um Dom Perignon 1976 em perfeito estado. Algo surpreendente para um vinho antigo, sobretudo champagnes que costumam sofrer com o tempo. Neste caso a conservação foi perfeita, inclusive a mousse e perlage. Um champagne elegante com lindos toques terciários onde o mel, gengibre e cítricos estavam em harmonia. A mineralidade e a bela acidez caminharam muito bem com os sashimis de robalo e salmão (foto acima).

Dependendo do ano, Dom Perignon costuma ter um pouco mais de Chardonnay ou Pinot Noir, não fugindo muito dos 50% para cada uma das cepas. Neste caso, parece que o Chardonnay se sobrepôs um pouco, mantendo frescor e ótima longevidade. Nenhum sinal de decadência, numa conservação perfeita.

o sushi pede brancos de maior textura

Não é muito meu estilo, mas o Marcassin costuma estar em destaque nos grandes brancos californianos. Esse da safra 2009 tem 98 pontos. Encorpado, rico em aromas, textura macia e final longo. Particularmente, acho um pouco invasivo e com madeira demais para este refinamento pretendido. Em todo caso é um belo vinho e tem seus fãs mundo afora.

Um vinho de Sonoma Coast, a oeste de Napa Valley, aproveitando o clima mais fresco, dada a proximidade do litoral frio nesta latitude. O vinho fermenta em barricas e passa mais doze meses amadurecendo em barricas francesas novas. O Pinot Noir, sua versão tinta, é altamente pontuado também. 

img_7239produção minúscula na elite dos Chardonnays

Aí chega o grande chardonnay na mesa, Jacques Carillon, especialista na comuna de Puligny-Montrachet com seu exclusivo Grand Cru Bienvenues Batard-Montrachet na bela safra 2010 com 96 pontos, mas de estilo totalmente diferente do americano. Um branco elegante com mineralidade e muito frescor. Tem a leveza dos Pulignys e este Grand Cru fica a leste de Batard-Montrachet, do lado da comuna de Puligny. Faz divisa também com Les Pucelles, um dos mais prestigiados Premier Cru de Puligny-Montrachet. Sua produção é minúscula, um barril por safra, de vinhas com 48 anos de idade na média, num vinhedo de apenas 0,12 hectare. O vinho amadurece em barricas francesas por doze meses, sendo apenas 20% novas. Um dos grandes brancos da terra santa nesta safra. Para quem faz vinho desde 1520, parece que tem jeito pro negócio …

o primeiro incógnito do ano

O vinho acima foi servido às cegas, induzindo a ser um Pinot Noir pelo formato da garrafa. No entanto, os aromas eram dominados por Brett com toques animais e de defumação. Pelos aromas e densidade em boca, lembrava um Syrah, mas era um Cabernet Franc nacional elaborado pela Leiteria e Laticinios Pardinho. O vinhedo é do sul, de Campos de Cima da Serra, região gaúcha de altitude, próxima à serra catarinense.

O vinho é até agradável para quem gosta de Brett e aromas evoluídos, mas falta fruta e frescor, mais um indício da polêmica levedura. De todo modo, valeu pelo exercício de degustação às cegas. Mais uma vez um brasileiro pouco divulgado e difícil de ser encontrado.

Enfim, uma comida leve, papo descontraído, aquecendo os motores para um ano que promete grandes degustações, belos encontros e ótimas garrafas. Que Bacco nos ilumine!

Harmonização na Praia

5 de Janeiro de 2020

No verão, estando ou não na praia, a pedida é por comidas leves e em especial, peixes e frutos do mar. Para aqueles que não abrem mão de um bom vinho, vamos às melhores opções, quase que descartando os tintos. Nesta hora, os brancos e rosés são as estrelas. Além do mais, vamos melhorar as estatísticas onde os brasileiros têm ampla preferência por tintos, mesmo num país tropical.

ceviche salmão e tilapia

Ostras, ceviche, sashimi, ouriço, carpaccio de peixe

Todas essas comidas são deliciosas e refrescantes, aproveitando os sabores marinhos dessas iguarias in natura. Portanto, a chave da harmonização é a mineralidade. Além disso, texturas mais delgadas complementam a combinação. Neste sentido, champagne blanc de blancs ou os espumantes de mesmo gênero como Cavas por exemplo, são pedidas certas. Pouilly-Fumé ou Chablis são os brancos mais recomendáveis. Nossos vizinhos do Chile e Argentina têm propostas muito interessantes com Sauvignon Blanc e Chardonnay muito minerais. Os rosés da Provence bem delicados e minerais podem surpreender.

Casquinha-de-siri

Casquinha de siri, bolinhos de bacalhau, pasteizinhos de frutos do mar

Aqui já estamos falando das deliciosas frituras com toda a sorte de peixes e frutos do mar. O vinho branco precisa ter acidez para combater a gordura. Além disso, quanto mais sabor e textura houver no prato, mais essas características devem ter no vinho. Frutos do mar com seu toque de doçura pedem vinhos mais frutados ou com algum off-dry para acompanhamento. É o caso da casquinha de siri onde alguns Sauvignon mais frutados ou Riesling com leve açúcar residual se dão bem na combinação. Já o bolinho de bacalhau com seu sabor mais pronunciado, pede um Alvarinho mineral, de textura não muito opulenta, ou um Riesling alsaciano, seco e de textura maior que seus rivais alemãos do Mosel.

linguado a meuniere

Linguado a meunière, molho beurre blanc, ou outras receitas sutis

Estas receitas pedem vinhos elegantes, de boa acidez, e de certa textura, levando em conta os acompanhamentos que podem ser batatas cozidas, purês, ou legumes no vapor. Dependendo do molho, o vinho pode ser mais incisivo em acidez como por exemplo, nas versões com alcaparras ou azeitonas. Chablis e Pouilly-fumé costumam ser imbatíveis. Se a preparação envolve tomates ou suco de frutas, o lado frutado do vinho é importante na combinação. Chardonnays costumam ir bem neste campo, sobretudo aqueles sem passagem por madeira ou de maneira bem sutil. Os Bordeaux brancos trabalham bem neste campo.

moqueca capixaba

Moquecas, peixadas, caldeiradas

Mudando um pouco a linha dos pratos anteriores, aqui temos mais corpo e intensidade de sabores. O vinho precisa ter mais estrutura e os rosés podem entrar em ação. Os rosés mais gastronômicos da Provence. A famosa Bouillabaisse entra neste contexto. Alguns rosés do Rhône podem ser dar bem. Sauvignons mais musculosos como alguns neozelandeses ou sul-africanos podem se dar bem. Chardonnays dos vales frios do Chile com madeira comedida são bons parcerios. Se o molho for muito intenso, até alguns tintos leves como Pinot Noir podem dar certo.  

haddock e aspargos

Bacalhau, haddock ou peixes com preparações mais intensas

Aqui é o reino dos Chardonnays, sobretudo com bom toque de madeira. Rosés mais intensos como Tavel do sul do Rhône, ou rosés do Novo Mundo mais intensos, são boas companhias. Se a opção for por tintos, a península ibérica pode fazer bonito com Riojas envelhecidos, taninos bem moldados, estilo Gran Reserva. Os Dão garrafeiras são opções a considerar.

salmao defumado

Sardinha na brasa, salmão defumado ou preparações específicas 

Sardinha na brasa com vinho verde tinto, só para os genuínos portugueses. Eles entendem esta combinação. Vá de um branco seco bem cortante, de personalidade e alguma rusticidade. Um Assyrtiko grego pode encarar o prato com bravura. Um espumante português da Bairrada bem seco, extra-brut, pode ser adorável. 

Se a opção for Salmão defumado, os rieslings alemães ou alsacianos com mineralidade são ideais. Prefira os alemães do Rheingau, mais encorpados. Para os escoceses, sobretudo se for um petisco para charutos, um bom Malt whisky de Islay é pedida certa. Lafroiagh ou Lagavulin pode ser a glória.

No mais é cutir o verão, o calor, sempre com muita descontração e frescor na gastronomia. Boas Férias!

Retrospectiva 2019

31 de Dezembro de 2019

Ano de muita fartura e alta qualidade. Foram mais de 500 garrafas de alto nível, todas elas sonho de consumo de muito enófilos. Safras históricas como Sassicaia 85, Mouton 45, Hermitage La Chapelle 78, Yquem 21, entre outros.

e94bf8c2-35f1-42b2-bf54-174f55cc3aa8a nata DRC em grandes safras!

Separando por tipos, poderíamos fazer várias seleções num mundo ideal. Foram muitas borbulhas, brancos, tintos, Yquens, e grandes Portos.

img_6902rótulo dourado: Um dos melhores P3 da história!

Champagne

Foram muitos entre Krug, Cristal e Dom Perignon, os champagnes que mais prevaleceram nos encontros. No entanto, o destaque fica para o Dom Perignon P3, não disponível no Brasil. Com mais de 20 anos sur lies, esta maravilha tem uma cremosidade e delicadeza sem igual. Amplo, perfeito, num final de alto acabamento.

img_7081-1um dos mais exclusivos desta apelação numa safra perfeita

Brancos

Embora alguns riesling e grandes Bordeaux brancos tenham desfilados, os brancos da Borgonha reinaram absolutos com produtores do quilate de Roulot, Coche-Dury, Leroy, Domaine Leflaive, Ramonet, entre outros. Para os Chablis, Raveneau e Dauvissat jogam na Premier League.

img_7079-1uma promessa e a safra perfeita, 1970

Tintos

Embora os grandes Bordeaux e os espetaculares borgonhas possam dar conta do recado com folga, os tintos do Rhône, os cult wines americanas, e alguns italianos, completaram a lista dos grandes tintos degustados. 

Escolher alguns dos Bordeaux é tão difícil que as injustiças são inexoráveis. Poderíamos citar a turma de 82 como Latour, Pichon Lalande, Le Pin, entre outros tantos. Para destacar algum, vamos de Petrus, o Bordeaux mais enigmático e difícil de atingir o ponto ideal. Uma garrafa perfeita de Petrus 70 com seus quase 50 anos, justifica plenamente a fama deste mítico vinho. Totalmente acessível, sedutor, mas com uma força e estrutura que nenhum outro Merlot é capaz de alcançar.

img_5880Cros-Parantoux: lieu-dit criado por Jayer

Dos Borgonhas, o assunto fica ainda mais complicados. Produtores com Rousseau, Mugnier, e Ponsot, fazem verdadeiras obras-primas, sobretudo em safras espetaculares como 85. Destaque especial para o Hospices de Beaune Mazis-Chambertin de Madame Leroy 1985. Um vinho para sonhar. Menção especial para o mestre Jayer com seus Cros Parantoux e Richebourg, degustados algumas vezes neste ano. Para falar dos DRC, vamos ficar com o La Tache, um vinho completo que representa com louvor a prole, bem mais simpático que o sisudo Romanée-Conti. Não estarei vivo para confirmar, mas o La Tache 99 será um dos grandes borgonhas daqui a 20 ou 30 anos, justificando as palavras de Hugh Johnson: “um dos maiores vinhedos sobre a Terra”.

img_7001Jaboulet e Chave: o epítome em Hermitage

Da parte do Rhône, vinhos pouco degustados este ano, comparativamente, a trilogia Guigal continua impecável. Dos Hermitages, La Chapelle de Jaboulet e Cuvée Cathelin de Jean Louis Chave, chegam à perfeição, sem muito espaço para os demais produtores. Os La Chapelle 90 e 78 são inesquecíveis. O primeiro uma promessa, o segundo uma realidade. São vinhos viris que demandam décadas de amadurecimento.  Dos Cuvée Cathelin, a safra de 90, a primeira que deu origem à série, é perfeita e difícil de ser ombreada.

img_6044Harlan: O Latour das Américas

Dos americanos, difícil bater um Harlan Estate, o Latour das Américas. Dominus, o mais bordalês dos americanos, sempre uma boa pedida. Dos exóticos e espetaculares vinhos com inspiração no Rhône, a butique Sine Qua Non faz coisas surpreendentes e fora da curva. Nenhum país do Novo Mundo chega perto destes vinhos. O grande problema é que são caros demais, mais caros até que os originais franceses.

img_5639obras-primas dos irmãos Conterno

Da parte italiana, a briga dos irmãos Conterno está sempre em voga. Dos Monfortinos, o Barolo de escola clássica, menção especial para o 99, ainda muito vigoroso, e o sedutor 78 com seus terciários pedindo trufas. Da parte de Aldo Conterno, o Granbussia 2006 é uma grande promessa, enquanto o badalado 90 faz jus à fama. O 1988 é surpreendente e merece mais fama do que tem. Quanto a Angelo Gaja, sua trilogia continua mágica e seu Barolo tem alto refinamento. Em resumo, uma pitada da classe francesa na Itália, sem contar com seu branco Gaia & Rey, o Borgonha da Itália. 

a evolução perfeita e a promessa da juventude

Yquem e suas safras

Nos vinhos doces, alguns alemães desfilaram, bem como alguns Tokaji, mas o destaque ficou para os inúmeros Yquens degustados. Basicamente, há dois tipos de Yquem. Aqueles mais clarinhos, novos, com toda a força da juventude. Normalmente até seus vinte anos de idade. Daí pra frente, as cores vão ficando mais escuras, mais amarronzadas, equilibrando mais os açucares e ganhando complexidade aromática.

raridades em safras históricas

Portos

Dos fortificados, os Vintages foram os mais prestigiados. Nomes como Taylor´s, Graham´s, Fonseca, e Quinta do Noval, foram os mais degustados. Menção especial para o Noval Nacional, elaborado com parreiras pré-filoxera e de produção diminuta. Alguns Madeiras notáveis devem ser lembrados, sobretudo do século dezenove.

Enfim, um pouco do que foi degustado neste ano com alguns dos vinhos lembrados neste artigo. Outros tantos poderiam ser mencionados e ainda assim, injustiças seriam cometidas. Graças a Deus porque a fartura imperou. Esperemos que 2020 seja tão farto, generoso, e magnífico como 2019 que já deixa saudades. 

Feliz Ano Novo!

Champagne Rosé

19 de Dezembro de 2019

Muita gente tem dúvidas de como se elabora o Champagne Rosé, imaginando que há algo sofisticado neste tipo de processo. No entanto, o método é simples, chega a ser amador se pensarmos na elaboração de vinhos rosés mundo afora. É exatamente misturarmos vinhos brancos e tintos em proporções adequadas até encontrarmos a tonalidade ideal para o rosé. É bom enfatizar que este método é proibido na elaboração de rosés pelo mundo, pelo menos nos vinhos sérios e sujeitos às diversas denominações de origem, de acordo com cada país, mas para o champagne e espumantes é  válido.

img_7029Champagne Cristal, o Rosé mais bem pontuado no mundo!

um Rosé gastronômico para as grandes mesas

Voltando ao champagne, tudo é feito no chamado vinho-base onde ocorre o que conhecemos por assemblage das uvas, safras, e as diversas parcelas cultivadas e separadas para montar a cuvée. Misturando proporções adequadas de vinho tinto e branco locais, chegamos ao método Rosé d´Assemblage. É um expediente extremamente difundido na região com praticamente todos os champagnes rosés elaborados por este método. Mais à frente, falaremos de um outro método mais sofisticado, elaborado por muito poucos produtores e Maisons.

A primeira Maison que criou o champagne rosé fez 200 anos em 2018, completando dois séculos de existência, foi a poderosa e famosa Maison Veuve Clicquot. Mais uma invenção brilhante de uma das grandes Damas desta apelação, a viúva Clicquot Ponsardin. Ela simplesmente juntou cerca de 15% de vinho tinto de Bouzy, uma das vilas mais famosas de Reims para o cultivo de Pinot Noir, na cuvée com vinhos brancos. É bem verdade que houve uma tentativa poucos anos antes da própria Maison, macerando um pouco de uva tinta para tingir o mosto, mas os resultados não foram satisfatórios. A cor não ficou adequada e surgiu um nível de amargor desagradável. Chamou-se na época oeil-de-perdrix, uma alusão à cor dos olhos da ave.

champagne tipos 2018

números entre europa e terceiro mundo

Pelos números acima, na média, 80% do champagne em volume é o non millésime, carro-chefe de cada Maison. Já em valores, a média fica em torno de 70%. Vejam as cuvées de prestigio que representam apenas menos de 5% na média em volume, ao passo que em valores, representam em torno de 16%.

Atualmente, a produção de champagnes rosés gira em torno de 10%, atendendo percentualmente determinados mercados. Podemos dizer, que os países do Novo Mundo têm uma predileção um pouco mais destacada pelo produto.

O outro método de elaboração muito menos difundido e de maiores cuidados é o Rosé de Saignée ou rosé de maceração. Aqui sim, maceramos as uvas tintas, geralmente Pinot Noir, por algumas horas até tingir adequadamente o mosto, prestando atenção na extração de taninos. Isso faz parte do vinho-base e do assemblage para compor a cuvée que será posteriormente espumatizada. 

Rosé Phillipponat  importado pela Clarets

Dois Rosés acima trazidos pela importadora Clarets da mesma Maison Phillipponat. O Royale Reserva da esquerda é um rosé de maceração com alta porcentagem de Pinot Noir. Já a cuvée 1522 é um extra-brut de assemblage com leve predominância da Pinot Noir no corte. http://www.clarets.com.br 

Em linhas gerais, não há diferença de qualidade no champagne rosé em relação aos métodos utilizados. É mais uma questão de gosto e conceito. Nos Rosés de Saignée temos geralmente uma cor mais intensa, uma vinosidade maior, e uma intensidade de sabor mais acentuada. Já nos Rosés d´Assemblage, os aromas são mais tênues, assim como a cor. 

Como o Rosé de Saignée  é quase uma exceção, vamos a algumas Maisons que utilizam este método: Laurent-Perrier (pioneira neste método), Roederer (Cristal), Drappier, Philipponnat, Larmandier-Bernier, Duval-Fleury, entre outras. Alguns desses produtores usam um método misto onde há adição de vinho branco, normalmente Chardonnay como por exemplo, Maison Louis Roederer.

img_7013outro Rosé de destaque

um Rosé mais delicado para entradas e pratos refinados

Rosé d´Assemblage

Método altamente difundido na região, consite em juntar vinho branco com vinho tinto, Pinot Noir, na proporção de 5 a 20%, a critério do produtor. Esses tintos são os chamados Coteaux Champenois ou Rosé des Riceys da sub-região de Aube, ao sul de Champagne.

Rosé de Saignée

Neste método o vinho tinto é elaborado com uma maceração das cascas no mosto entre 8 e 12 horas (em alguns casos pode ser mais), obtendo mais cor e mais vinosidade na cuvée. Temos somente uvas tintas, 100% Pinot Noir, salvo raríssimas exceções onde há  adição de Chardonnay na cuvée, caso do champagne Cristal.

Gastronomia e Champagne Rosé

Como aperitivo, os rosés com forte proporção de Chardonnay no corte, fornecendo frescor ao conjunto, vão muito bem como jamon, presunto cru, sejam espanhóis ou italianos. San Daniele do Veneto, tem a delicadeza perfeita. Entradas com azeitonas e tomates também acompanham muito bem. 

Os rosés delicados e não muito secos vão bem com comidas indianas ou chinesas com pratos agridoces e ricos em especiarias suaves.

Os rosés não muito secos, macios, e bem estruturados com alta proporção de Pinot Noir, convivem bem com pratos à base de caviar, ovas em geral e também os ouriços.

Rosé com sushi da Casa do Porco

Os rosés mais ligeiros e leves vão bem com comida Tailandesa onde peixes e frutos do mar são mais apimentados com participação de gengibre e frutas cítricas como o limão. Os sashimis também vão muito bem, sobretudo com atum.

Os rosés mais encorpados e gastronômicos pedem pratos com carnes sanguíneas como pato, pombo, e lombo de cordeiro mal passado. Acompanhamento como legumes, cuscuz marroquino, favas e lentilhas são bem-vindos. 

Os rosés complexos e maduros pedem receitas de crustáceos ou carnes brancas com molhos refinados, especiarias delicadas, nada muito forte para não arranhar a sutileza destes vinhos.

Outros rosés famosos são do pequeno produtor Cedric Bouchard trazido pela importadora Juss Millesimes, altamente pontuado, os rosés da  Maison Billecart-Salmon e da Maison Deutz. Agora é só escolher o seu. Boas Festas!

Briga de Barolos, trufas e muito mais

17 de Dezembro de 2019

Nos últimos eventos de 2019 grandes vinhos desfilaram em mesas refinadas onde as trufas brancas sempre roubam a cena. Entre champagnes, brancos, e tintos, destaque para os Barolos e bordeleses, os vinhos antigos se harmonizando com as trufas. Mais do que Barolos e Barbarescos para combinarem com elas, a idade do vinho e seus aromas terciários são a chave ideal para a combinação perfeita.

estilos diferentes e encantodores

Dois champagnes de luxo abrindo o jantar onde a composição de Chardonnay e Pinot Noir não difere muito, mas os estilos são bem diferentes. Normalmente, há uma leve predominância de Chardonnay no corte do Dom Perignon, o qual tem estilo mais leve, mais delicado, belo frescor e ótimo equilíbrio. Esses 19 anos não se mostraram na taça, tal a extrema juventude demonstrada.

Do lado do Cristal 2009, um champagne de mais corpo e estrutura com leve predominância da Pinot Noir sobre a Chardonnay. Longo em boca, começando com belo frescor e logo em seguida, uma cremosidade notável. Um champagne muito gastronômico.

tartar de salmão e vieiras

A leveza e acidez do tartar de salmão caiu muito bem com a textura e o frescor do Dom Perignon. Uma harmonização estimulante, sempre refazendo o paladar. Do lado das vieiras grelhadas, acompanhando foie gras e trufas, o champagne precisava ser mais rico e estruturado. A maciez e os aromas do Cristal foram muito bem com os sabores do prato.

Montrachet e camarões

O Montrachet Bouchard Pére & Fils em formato Imperial foi o suficiente para regar o jantar. Mesmo com seus 15 anos de idade, o vinho era de um frescor impressionante. Não está no time de cima dos grandes Montrachets, mas é muito elegante e equilibrado. Tem um estilo mais leve e agudo lembrando produtores como Leflaive e Ramonet num nível evidentemente um pouco abaixo. Com a cremosidade delicada do bobó de camarão, a harmonização ficou perfeita.

duas imperiais em momentos distintos de evolução

Os grandes formatos, no caso imperial, ficaram como o Mouton 1975 e o Margaux 95. No caso do Mouton, um vinho maduro, de corpo médio, não muito longo em boca, mas muito equilibrado e com todos os terciários de um grande Pauillac, caixa de charutos, café, e ervas finas. 

Para o Margaux 95, um vinho ainda em transição, saindo da juventude e começando a entrar na maturidade. Mais encorpado que o Mouton, maior carga tânica, embora de alta qualidade, e mais longo em boca. Os aromas florais, de sous-bois, e toques minerais, eram evidentes. Deve evoluir bem por mais vinte anos. Exemplo de um grande Margaux.

pratos de carne consistentes

Um filé mignon na mostarda com molho rôti para o Mouton 75 acompanhado de cuscuz marroquino. A mostarda tem a propriedade de equilibrar vinhos mais novos e ao mesmo tempo, levantar o sabor de vinhos mais maduros. Já para a costela cozida lentamente e defumada de sabores consistentes era exigido um vinho de maior corpo e estrutura. O Margaux 95 deu conta do recado. Sua densidade e tanicidade cairam muito bem. 

Encontro de Barolos e Barbarescos

img_7121Com 30 anos já podemos pensar em trufas

Pena que o Monfortino 88 estivesse levemente prejudicado, algo de bouchonné, embora pudéssemos notar sua grande estrutura. Um vinho de escola tradicional onde os toques terciários de trufas, alcatrão e notas terrosas, ficam bem salientados. Já o Granbussia 88 de Aldo Conterno estava surpreendentemente jovem pela idade, mas com lindos toques de evolução, sem perder a fruta. Foram muito bem com os pratos de trufas.

ravioloni e risoto zafferano

O ravioloni recheado de castanhas e porcini com queijo bel paese estava divino, sobretudo complementado pelas trufas brancas. Já o risoto zafferano é um clássico que dispensa comentários também com trufas raladas. Nem é preciso dizer que esses Barolos evoluídos harmonizaram muito bem. É bom frisar que não basta ser Barolo ou Barbaresco, o vinho precisa estar evoluído para dar liga na harmonização.

img_7127safras históricas de Monfortino

O Monfortino da esquerda não aparece na foto, mas é safra 1985 em formato Magnum. Embora já esteja no auge para ser bebido, esta garrafa está muito bem conservada, podendo evoluir por mais alguns anos. Um Barolo de raça, taninos possantes, e aromas etéreos. Tem 96 pontos. Já o Monfortino 1978 é um  Barolo histórico com 98 pontos e plenamente evoluido. Os toques terrosos, de trufas e alcatrão são didáticos. Para a maioria do pessoal, foi o vinho da degustação.

img_7126o Mestre Angelo Gaja

Aqui no mesmo ano 1989, vê-se claramente a diferença entre Barolo e Barbaresco num mesmo produtor. O Barolo é mais encorpado, mais tânico, mais viril. Agora um Barolo de Angelo Gaja tem uma classe a mais que é difícil de explicar. Uma finesse de aromas e taninos, além de um equilíbrio sensacional e fino acabamento. O Costa Russi, uma das três joias de Gaja é tão fino e delicado que nem parece italiano. Pode coloca-lo no meio de Borgonhas da apelação Pommard que passa fácil. Um tinto encantador com notas florais, de alcaçuz, cerejas escuras em licor, e muita mineralidade. Sensacional dueto!

Yquem e os queijos

Passando a régua, uma double Magnum de Yquem 1999 com vinte aninhos. Já em plena maturidade, um Yquem clássico, untuoso, cheio de botrytis, mel, damascos, caramelo e frutas exóticas. Muito equilibrio e de final longo. Para esta safra temos 13,8 graus de álcool e 128 gramas de açúcar residual por litro. Um prato de queijos de sabores intensos como Serra da Estrela, Brillat-Savarin e outros franceses, caiu como uma luva com o Yquem, fechando a refeição.

Que o Ano Novo comece tão farto quanto o crepúsculo do ano que se encerra com belos vinhos, boa mesa, e muita confraternização entre amigos. Saúde!

 

Pessoas, Vinhos e Festas

12 de Dezembro de 2019

As pessoas que gostam de vinho geralmente têm seus limites para compra-los. Nesta época do ano, Natal e Ano Novo são momentos que permitem provar algo novo, algo diferente, às vezes acima daquilo que bebemos no dia a dia. Pensando na questão, vamos imaginar três tipos de pessoas que efetivamente existem  e movimentam este mercado de vinhos cada vez mais pungente.

P1 – pessoas que têm certa dificuldade em comprar vinhos caros que podem comprometer seu orçamento. Vez por outra, se arriscam numa garrafa mais sofisticada.

P2 – pessoas que estão acostumadas a comprar bons vinhos, mas não podem comprar os ícones mundiais ou vinhos que atingem grande prestígio com preços alarmantes.

P3 – pessoas que buscam alta qualidade sem se importar com preços. Normalmente, frequentam grandes leilões internacionais e negociam grandes adegas particulares.

Feitas as descrições, vamos a algumas sugestões para as festas, sugerindo os tipos de vinhos mais procurados para estas ocasiões.

flutes-de-champagne

Borbulhas

Para o grupo P1, a melhor dica é ficar com os espumantes nacionais. É o nosso melhor tipo de vinho e tem preços interessantes comparados à concorrência. Cave Geisse, Pizzato, Valduga, e Chandon, são produtos seguros. Saindo um pouco do comum, o Chandon Excellence é uma boa experiência com preços um pouco mais elevados.

Para o grupo P2, Cavas mais sofisticados com longo tempo sur lies (contato com as leveduras) são muito interessantes. O espumante Ferrari, pessoalmente o melhor da Itália, é sempre uma pedida certa. Os belos Franciacorta, italianos da Lombardia, também devem ser lembrados.

Para o grupo P3, vamos falar só de champagne, a perfeição das borbulhas. E aí as opções são muitas. Nas cuvées de luxo, Dom Perignon, Cristal, todos da Krug, e Bollinger RD, são perfeitos. Dos champagnes fora do circuito conhecido, Jacquesson e Agrapart merecem ser conhecidos. Para os mais exóticos, Jacques Selosse dá um banho de enogastronomia.

tender de natal

Para o Tender

Tradicional nas mesas brasileiras, esta iguaria é uma peça de pernil cozida e defumada. Geralmente ele é servido com molho agridoce e frutas no acompanhamento. De todo modo, é uma entrada, um prato relativamente leve, mas saboroso. É claramente um cenário para vinhos brancos de certa doçura. 

Para o grupo P1, os moscatéis nacionais, tipo Asti Spumante, são os mais certeiros, bom e barato. Como o Brasil dispõe de alta tecnologia na vinificação, estes espumantes são muito bem feitos, não devendo nada aos comerciais e originais italianos, na maioria das vezes.

Para o grupo P2, podemos pensar nos belos Torrontés argentinos, especialmente os de Salta. Alguns vinhos da casta Viognier com toques florais podem dar certo. Uruguai e Argentina tem bons exemplares. Gewurztraminer é outra pedida, embora a baixa acidez seja um problema. Procure por safras mais novas.

Para o grupo P3, os Riesling alemães com vários graus de doçura são ótimos, especialmente os do Mosel, mais leves. A Alsace é a opção francesa mais confiável. No vale do Loire, os Vouvray com vários graus de doçura são muito interessantes, incluindo os espumantes, Fines Bulles ou Péttilant com a uva Chenin Blanc. O produtor Huet é referência absoluta.

peru de natal

Para o Peru

Peru, Chester, e todas as aves natalinas de carnes brancas e macias se incluem neste contexto. A carne em si é relativamente neutra. O molho e acompanhamentos são o que calibram melhor a escolha do vinho. Tanto branco como tinto podem acompanhar este prato. 

Para o grupo P1. Um bom Chardonnay nacional como da Pizzato é uma bela opção. Na Argentina e Chile também há opções em conta. Como a carne tem pouca gordura, um bom Chardonnay fornece maciez ao conjunto. O grande problema são o molho e os acompanhamentos que podem ser agridoces. Neste caso, o Chardonnay deve ser bem frutado ou partir para um intenso Gewruztraminer. Se a opção for por um tinto, um bom Pinot Noir resolve o problema. A serra Catarinense tem bons exemplares, assim como no Chile. Alguns bons Cabernet Franc nacionais são opções interessantes. Em resumo tintos de certa leveza e taninos moderados.

Para o grupo P2, podemos pensar em Chardonnay um pouco mais sofisticados do Chile. Sol de Sol da Viña Aquitania e Amelia do grupo Concha Y Toro são bem confiáveis. Os Chardonnay tops da Catena, Argentina, ficam no mesmo nível. Um bom Cava com pelo menos 24 meses sur lies é outra bela opção. A importadora Clarets traz o confiável Juves y Camps. Do lado dos tintos, Pinot Noir chileno dos vales frios são ótimos, especialmente os da Casa Marin importado pela Vinci. A Nova Zelândia prima por bons Pinot Noir. A importadora Premium é especialista no assunto.

Para o grupo P3, a Borgonha é a glória. Berço espiritual das duas uvas, Chardonnay e Pinot Noir, temos várias e ótimas opções. No caso dos brancos, Puligny-Montrachet, Chassagne-Montrachet e Meursault, são as melhores pedidas de acordo com o peso do prato. No caso dos tintos, comunas de vinhos mais leves como Volnay e Chambolle-Musigny são mais adequadas. Como alternativa ao Chardonnay, um ótimo Pinot Gris da Alsace é divino.

Para o Panetone, Rabanada e Frutas Secas

Para o grupo P1, novamente os moscateis nacionais fazem bonito com o panetone. Para a rabanada e as frutas secas, nada melhor que um bom vinho do Porto. Há muitas ofertas no mercado, dando preferência aos Tawny que vão melhor com a canela da rabanada e tem tudo a ver com as frutas secas.

Para o grupo P2, os moscateis continuam de pé com o panetone. Uma escolha mais sofisticada seria um bom Cava Sec com doçura adequada. Não estranhem, eu disse Sec. No caso do Porto, podemos partir para um Reserva, de nível e concentração maiores. Um Passito di Pantelleria para as rabanadas e frutas secas é uma opção original.

Para o grupo P3, o panetone é acompanhado de champagne Sec pelos mesmos motivos acima. Quanto ao Porto, podemos pensar na gama mais sofisticada de Tawny que são os de datas declaradas (10, 20, 30, 40 anos) ou o Porto Colheita com longo envelhecimento em pipas. Evidentemente os grandes Madeiras não estão de fora. Os Melhores Boal ou Malmsey são os de doçura mais adequada.

Enfim, tudo é festa e o que vale mesmo são os amigos e a família. Essas são apenas algumas sugestões neste vasto universo do vinho. Além disso, há outros pratos nas festas não abordados neste artigo como bacalhau, leitoa, pernil de cordeiro, e outras iguarias. Seguem alguns links deste blog para consulta: Espumante Brut, Carne de Porco, Arroz de Pato  / Harmonização: Ano Novo  /  Bacalhau e seus Vinhos

Boas Festas!

Bordeaux e sua evolução em garrafa

7 de Dezembro de 2019

Os chamados vinhos de guarda onde se incluem os Bordeaux naturalmente, passam por um processo longo de envelhecimento em garrafas na adega. É importante deixa-los descansar ao abrigo da luz e de vibrações, pois ocorre uma série de reações químicas dentro da garrafa. Em linhas gerais, os ácidos do vinho combinados com o álcool dissolvido na bebida, foram os chamados ésteres, substâncias muito aromáticas responsáveis  pelo chamado bouquet. Esse processo é longo e cíclico, onde novamente os ésteres se decompõem em água, componente presente em grande quantidade no vinho, para formar novamente ácidos e álcool que irão reagir novamente. É por isso que os chamados vinhos ex-chateau são tão valorizados, pois esta tranquilidade na adega, sem nenhuma interferência externa, garante a fidelidade do processo, sem interrupções. Portanto, eles evoluem mais lentamente mas principalmente, de maneira adequada.

Num ótimo jantar no restaurante Fasano, tivemos a oportunidade de testar vários Bordeaux em diferentes estágios de evolução. Experiência única e muito prazerosa. Antes porém, uma pausa para um champagne e um Montrachet divinos que iniciaram a festa dos bordaleses.

dégorgement em 2008

O brinde inicial já em alto nível, começou com um Dom Perignon Oenotheque 1996. Revisitado várias vezes, um champagne e safra excepcionais. Até 2008, as leveduras preservaram o vinho da oxidação. Daí em diante, uma lenta evolução em garrafa nas condições de uma boa adega. Um champagne de frescor incrível, dando um balanço preciso entre acidez e cremosidade. Seus aromas cítricos entremeados de mel e brioche são encantadores, mostrando bem a evolução dos grandes champagnes. Aliás, todas as cuvées de luxo são aptas a longo envelhecimento. Vale a pena!

mestre Beato em ação

Em seguida, uma double Magnum de Montrachet Marquis de Laguiche 2009. Joseph Drouhin é o maior proprietário de Montrachet com praticamente dois hectares das vinhas. Um Montrachet delicioso na bela safra 2009. Macio, amanteigado, toques de frutas secas e algo de compota de pêssegos. Muito envolvente em boca. Os Montrachets são fermentados em barricas e sofrem o processo de bâtonnage, no qual as borras são revolvidas constantemente no vinho, incorporando complexidade aromática e maciez. Um primor de vinho num ótimo momento para ser apreciado.

iguarias do Chef Luca Gozzani

Os pratos acima pedem brancos de grande estrutura como os Montrachets. São pratos intensos, de rica textura e finesse de sabores. À esquerda, um Wagyu crudo com lardo e um molho cremoso de queijo. Em seguida, um gnocchi gigante recheado com rabada e molho carbonara. Sobretudo a textura cremosa e rica de ambos os pratos se amalgamaram com a maciez e sabores do vinho. Espetacular!

img_7063poesia liquida

Dentre os grandes 61 bordaleses, certamemte Ducru-Beaucaillou está num seleto grupo de vinhos espetaculares. Após quase 60 anos de existência, o vinho atingiu um sublime grau de maturidade. Os aromas são de livro e espetaculares com todos os terciários dignos de um grande bordalês de margem esquerda. São notas sutis de cedro, adega úmida, cogumelos, nuances terrosas, café, o chamado cedar box, caixa de charutos, enfim, um profusão de aromas quase etéreos. Em boca, um equilíbrio perfeito com total polimerização dos taninos. Final de boca amplo e expansivo. Todos os protocolos de envelhecimento cumpridos. Um primor!

caminhos diferentes de evolução

Se existem dois vinhos de lenta evolução e excelente longevidade, ei-los acima representando as duas margens bordalesas. O Petrus 1970 é um dos mais perfeitos de toda a história com 99 pontos Parker. É um Petrus maduro e plenamente desenvolvido de aromas. Contudo, esta garrafa degustada estava abaixo das expectativas. Para começar, seu nível um pouco abaixo do normal, chegando quase ao ombro da garrafa. Seus aromas estavam até interessantes com muito terciário desenvolvido. Entretanto, a boca estava magra, meio sem vida, já com muita secura no final de boca, indício em que a fruta e vida do vinho estão se esvanecendo. Por isso que afirmamos: cada garrafa antiga é uma história!

Por outro lado, o Latour 66 estava íntegro, com bela evolução, um dos melhores deste ano que foi um dos destaques da década. Os aromas são encantadores denotando couro, toques animais, e notas de torrefação. Em boca seus taninos são polidos e ainda presentes. Muito equilibrado com final bem acabado. Um belo vinho mostrando toda a longevidade e consistência dos grandes Latour.

img_7071estrelas da safra 82

Dois ícones da histórica safra de 82. Mouton 82 sempre deslumbrante com aromas sedutores, boca macia e expansiva. Hoje, ainda mais prazeroso que o Latour 82, ainda em franco desenvolvimento.Esta garrafa em particular estava perfeita. No lado de Haut Brion, um vinho mais delicado, mas igualmente exuberante em aromas. Percebe-se claramente em boca, que é um vinho mais delgado e menos rico que os grandes de Pauillac. Uma questão de terroir. Novamente, uma garrafa perfeita e extremamente prazerosa. Um embate de gigantes!

Latour 82 em formato Imperial (6 litros)

Durante o desfile dos bordaleses foi aberta um Imperial de Latour, regando as taças dos convivas periodicamente. Além da evolução do vinho em garrafa, um outro componente importante é o formato da mesma. Nos grandes formatos onde evidentemente a massa líquida é maior, o vinho se desenvolve mais lentamente. Foi o que aconteceu com esta Imperial perfeita, não só a garrafa, mas a safra também. Um Latour lendário que vai marcar história por muitas décadas como um dos mais perfeitos Latour. Aromas elegantes que denotam entre outras coisas um traço de couro, de pelica, inconfundível. A boca é ampla, generosa, com taninos ultrafinos e em profusão. É muito prazeroso para ser tomado agora, mas vai evoluir por décadas certamente.

Como prato de resistência, tivemos uma costela de Wagyu divinamente assada, soltando-se do osso com extrema maciez. Sua força, sua riqueza de sabores, combinaram muito bem com estes dois Pauillac, tanto Latour como Mouton, mas com o Mouton parece que o casamente foi perfeito num belo fecho de refeição.

a importância das taças

As taças acima são do  produtor austríaco Schott Zwiesel com design perfeito. A bordaldesa maior é a linha mais refinada, semelhante à linha top da Riedel Sommelier. No entanto, para Bordeaux maduros com alto grau de evolução, a taça menor ao lado faz mais sentido, pois os aromas e nuances são muito etéreos, podendo se perder numa taça maior. Tudo isso nos olhos atentos do mestre Beato.

Da mesma forma, Beato aliou de forma admirável uma mesma taça para Sauternes e champagnes. O formato tulipa à direita é perfeito para os aromas dos principais champagnes, sobretudo numa fase mais jovem e com mais frescor. Do lado dos Sauternes, este formato tulipa é muito próximo da taça sommelier da Riedel para este tipo de vinho. Uma escolha muito bem pensada.

img_7079Petrus em Magnum e formato standard (750 ml)

Novamente os Petrus, agora uma Magnum safra 1995. Embora já com seus mais de 20 anos, este é um Petrus clássico que demanda tempo para sua perfeita evolução. Ainda com muita fruta, poucos aromas terciários, e taninos muito finos e bem firmes. Tudo indica que seu apogeu será alcançado em 2050. Os grandes Petrus se enquadram perfeitamente naquele quadro de lenta evolução. Uma grande promessa com 96 pontos Parker.

queijos artesanais e Yquem

Fechando a noite, a  rica doçura de um belo Yquem. Essa safra 2003 é bastante generosa em aromas e textura em boca. Embora possa ser guardado sem maiores problemas, é um Yquem já de boa evolução com aqueles toques de caramelo escuro. Rico em Botrytis, mel e frutas mais exóticas, foi um deleite com uma seleção de queijos brasileiros artesanais. A cremosidade e intensidade de sabores dos vários tipos degustados casou perfeitamente com a riqueza do vinho. O casamente de textura entre a maciez dos queijos e a untuosidade deste Yquem foi um dos pontos alto na harmonização. Agora é dormir com os anjos!

Agradecimentos a todos os confrades pela companhia, generosidade, e o alto astral de sempre. Que 2020 seja repleto de sucesso e ótimos encontros com este. Que Bacco nos ilumine neste ano vindouro. Abraço a todos!

Porco Mundi na Colômbia

29 de Novembro de 2019

Eleito o sexto melhor restaurante da América Latina no ranking dos 50 melhores, A Casa do Porco pode ser considerado o melhor restaurante do Brasil, desbancando o badalado DOM de Alex Atala. Sob o comando do casal Jefferson e  Janaina Rueda, o restaurante realizou o evento Porco Mundi homenageando Chefs colombianos numa interação de cozinhas latino-americanas. Foram uma série de entradas, pratos e sobremesas, num extenso menu degustação. O tema evidentemente foi a carne de porco dos mais variados jeitos, partes, e apresentações da iguaria.

img_7012os melhores Chefs colombianos

Evento divertido com muita música, fantasias, e pratos variados toda a noite. Cada prato tinha seu lado autoral com todos os Chefs mencionados no folheto. Várias bebidas acompanhavam o jantar buscando as harmonizações. 

img_7014 tartar e sushi de porco

Algumas das entradas foram o tartar de porco bem temperado e apimentado, além do sushi com a papada do porco cozida, pincelada com tucupi negro. Bem criativas e apropriadas para espumantes e champagnes.

o início dos champagnes rosés

Nossa confraria esteve presente com uma série de vinhos extraordinários, começando pelos champagnes rosés, sempre muito gastronômicos. Num primeiro plano, os dois da foto acima, top de linha das Maisons Moet & Chandon e Perrier Jouet. A cuvée Belle Epoque tem proporções semelhantes de Pinot Noir e Chardonnay num conjunto leve, agradável, fácil de beber. Embora já com seus mais de dez anos, um champagne muito vigoroso, mousse agradável e persistente. Já o Dom Perignon 2003 se superou neste ano quente para padrões da região de Champagne. Com um pouco mais de predominância de Pinot Noir no corte, este champagne apresenta incrível frescor, certa leveza, embora com mais extrato que seu oponente da foto. Um equilíbrio e persistência notáveis. 

sequência de rosés Cristal

Estes champagnes Cristal, topo de gama da Maison Louis Roederer, têm uma leve predominância da Pinot Noir no corte e uma longa maturação sur lies (pelo menos seis anos). Um champagne mais denso, vinoso, algo que lembra um bom Borgonha. Sua mousse é densa, cremosa, e um final bastante longo. A safra 2006 tem um pouco mais corpo e estrutura. No entanto, os dois champagnes estavam magníficos e envelhecendo muito bem. Um estilo mais encorpado que os dois primeiros.

Egon Müller: uma lenda no Mosel

Após os champagnes rosés, o primeiro grande branco alemão do mítico vinhedo  Scharzhofberg na fria região do Saar, comparável ao vinhedo Montrachet na Borgonha em termos de prestígio. São 28 hectares onde o produtor Egon Muller tem excelentes vinhas em 8,3 hectares. Spatlese quer dizer colheita tardia e o vinho é sutilmente doce com uma acidez monumental. Seus aromas são exóticos e delicados lembrando algo de chá como camomila e hortelã, além de notas de gengibre. Muito equilibrado e muito bem acabado.

mais pratos do evento

Nos pratos acima temos à esquerda, pão de mandioca, escabeche de pé de porco e caranguejo, além de pimenta típica de San Andrés preparado por Marcela Arango. À direita, temos morcila e guacamole por Harry Sasson.

img_7021o primeiro trio de tintos. todos Syrah ou Shiraz!

Neste primeiro trio de tintos à base de Syrah, temos à esquerda o espetacular Penfolds Grange 1981 com uma pitada de Cabernet Sauvignon no corte. É impressionante a juventude deste vinho com quase 40 anos de idade. Tem muita fruta ainda, muito frescor, e toques resinosos de menta e especiarias. Muito equilibrado em boca com apenas 12,6 graus de álcool, uma piada para padrões australianos. Um tinto sempre surpreendente.

O segundo vinho, Sine Qua Non, uma boutique californiana com vinhos baseados e inspirados no Vale do Rhône. Este Poker Face 2004, um Syrah com pequenas quantidades de Mourvèdre e Viognier (uva branca do Rhône), é um tinto nivelado por cima. Muita acidez, muito álcool (15,5°) e muitos taninos. É um verdadeiro blockbuster com aromas e sabores deliciosos. Muito macio, taninos muito finos, e altamente persistente em boca. Um estilo totalmente diverso do Grange, mas igualmente delicioso.

Por fim, o menos expressivo do trio, embora também muito interessante e equilibrado. Este Seven Acre Shiraz da vinícola Greenock Creek é exatamente o tamanho do vinhedo em questão em Barossa Valley (sete acres). Um vinho denso, macio, mas deu azar de estar no meio dos dois monstros citados acima.

img_7025um Tempranillo no meio do trio

Nesta segunda leva de tintos, temos o grande Hermitage Marc Sorrel em sua cuvée Le Gréal da excelente safra 2009. Um tinto que mistura três vinhedos (les Bessards, Les Greffieux, e Les Plantiers) com vinhas Syrah de idade superior a trinta anos. O vinho passa cerca de 22 meses barricas de carvalho. Um tinto ainda muito jovem para a longeva apelação Hermitage. Tem muita fruta escura, bastante frescor, e taninos bem moldados para uma longa guarda. O vinho começa a se mostrar agora, mas com grande potencial.

Em seguida, o Vega Sicília Reserva Especial, geralmente uma mistura de três grandes safras de longa maturação. Na média, pelo menos dez anos de amadurecimento. Neste caso, é o último release 2019 com as safras 2006, 07 e 09 com apenas 59 barricas. Um tinto de muita elegância onde a majoritária Tempranillo tem uma pequena participação de Cabernet Sauvignon. Aromas de muita distinção com especiarias, toques balsâmicos e notas tostadas. Tem muito equilíbrio e harmonia. O tinto mais elegante do painel. Já delicioso, mas pode ser adegado com tranquilidade.

Por fim, novamente o Greenock Creek com sua cuvée Creek Block Shiraz de 100 pontos. Um autêntico Barossa Valley, musculoso, encorpado, e muito macio. Taninos finos e em profusão com muito equilíbrio e persistência em boca. Comparado ao Seven Acre anterior, é mais completo, e de final mais longo. Ótimo exemplar.

J.J. Prüm: um dos maiores nomes de médio Mosel

Quando o Mosel faz uma curva acentuada no vilarejo de Bernkastel, os vinhedos em solos de ardósia se erguem abruptamente em declives impressionantes, proporcionando ótima insolação para as uvas Riesling. Neste cenário temos o vinhedo Sonnenhur onde JJ Prum faz vinhos espetaculares como este Auslese 2005 com apenas 7,5 graus de álcool. Sua bela doçura é contrabalanceada por uma ótima acidez que lhe dá equilíbrio e frescor. O vinho é um primor de mel, maças e flores, num conjunto muito harmônico. Por si só, já é uma sobremesa.

Assim foi esse divertido evento na companhia de grandes amigos e vinhos maravilhosos. A seleção de champagnes, tintos com a uva Syrah, entremeados por belos Rieslings alemães deram um show requinte e harmonização. Agradecimentos a todos os confrades, especialmente ao líder do grupo, nosso querido João Camargo. Que Bacco nos proporcione mais momentos divertidos como este. Abraços a todos!

 


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