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MasterChef: Harmonizações

25 de Dezembro de 2015

Nesta época do ano todo mundo fica ligado num menu especial para o Natal e Réveillon. Aproveitando o sucesso do programa MasterChef, resolvi harmonizar alguns vinhos com os pratos testados e mostrados nesta edição. Havia na verdade dois menus, mas achei melhor mesclar alguns pratos de ambos, priorizando a facilidade tanto na execução dos mesmos, como nos preços e dificuldade de encontrar alguns ingredientes. Portanto, segue menu abaixo com duas entradas, dois pratos e uma sobremesa.

  • Cuscus Marroquino
  • Salada de Bacalhau com Grão de Bico
  • Ravioli de Lagostim e Damasco
  • Pernil de Cordeiro com Figos Glaceados
  • Bolo de Nozes

Vamos imaginar para este menu uma mesa com oito pessoas onde cada um pode escolher a dedo seus convidados. Neste contexto, podemos pensar em quatro garrafas de vinhos com uma média de meia garrafa por pessoa. Acho prudente esta medida, equilibrando bem a quantidade de comida e bebida.

sempre consistente

  • Cuscus Marroquino
  • Cava Brut Reserva

Este espumante espanhol pode perfeitamente ser servido na recepção dos convidados, com alguns canapés, e passar à mesa com a primeira entrada. Para isso, ele tem o frescor e leveza fora da mesa e ao mesmo tempo, faz um belo par com o cuscus e uma série de frutas secas e temperos que dão crocância ao prato.

Cava Raventós ou Gramona. Respectivamente, importadora Decanter e Casa Flora.

http://www.decanter.com.br e http://www.casaflora.com.br

  • Salada de Bacalhau com Grão de Bico
  • Alvarinho Palacio da Brejoeira

Os sabores do bacalhau e a textura do grão de bico casam perfeitamente com as características deste branco. Casta nobre da região do Minho, norte de Portugal, seus aromas são frescos e cítricos. Em boca, sua textura delicada e sua bela acidez combatem bem a gordura do peixe e o lado cremoso do prato, além de manter o paladar aguçado para os pratos subsequentes.

Alvarinho da importadora Vinci. http://www.vinci.com.br

Rosé de referência

  • Ravioli de Lagostim e Damasco
  • Chateau de Pibarnon Rosé

Um rosé provençal da apelação Bandol com as uvas Mourvèdre (2/3)  e Cinsault (1/3).  O método de elaboração de rosé para a Cinsault é de pressurage direct, mais delicado, enquanto para a Mourvèdre temos o método Saignée, com mais extração. As uvas são vinificadas  juntas e mantidas em cubas por seis meses após a vinificação. O resultado é um rosé gastronômico com toda a estrutura da Mourvèdre, mas mantendo o frescor e poder de fruta da Cinsault. Os sabores cítricos, minerais e de especiarias do vinho formam um conjunto harmonioso com o prato. Outro ponto importante é o crescimento escalonado de estrutura e textura dos vinhos para chegar enfim ao último prato principal.

Rosé da importadora Zahil. http://www.zahil.com.br

  • Pernil de Cordeiro com Figos Glaceados
  • Rioja Luis Cañas Reserva Seleccion de la Familia

Tinto baseado na Tempranillo com vinhas de pelo menos 45 anos. Passa dezoito meses em barricas novas de carvalho francês e americano. Taninos polidos, frutas maduras, toques defumados e de especiarias. Elementos importantes para harmonização com um bom assado. Tem maciez e poder de fruta para os legumes e figos glaceados de acompanhamento. Neste tinto temos a elegância do terroir de Rioja Alavesa.

Tinto da importadora Decanter

  • Bolo de Nozes
  • Porto Tawny Quinta da Romaneira 10 Year Old

Casa do Porto distinta com Tawnies bem elaborados. Muito equilibrado e elegante, tem estrutura e sabores compatíveis com a sobremesa. Seus aromas a frutas secas, especiarias e toques balsâmicos são típicos e envolventes. Assim como o espumante de entrada, ele pode perfeitamente sair da mesa e acompanhar belos Puros com uma boa conversa. Boas Festas!

Quinta da Romaneira é importado pela Casa Santa Luzia. http://www.santaluzia.com.br

Festas: sugestões de vinhos

10 de Dezembro de 2015

Nesta época do ano é normal as pessoas procurarem dicas, conselhos, informações sobre vinhos. Seja para consumo próprio ou presentear, as opções são inúmeras. Infelizmente, os preços não ajudam. Com a alta do dólar e também de impostos, a equação está cada vez mais difícil de ser resolvida. Portanto, vinhos que realmente valem a pena indicar estão na faixa entre R$ 100,00 e 200,00 reais.  E olha que não estou falando em sofisticação, pois nesta área o céu é o limite.

Segue abaixo uma relação para vários tipos da bebida, desde entrada até sobremesas, cafés, charutos, etc …

Cave Geisse: bela surpresa

Espumantes e champagnes

  • Cave Geisse (espumante nacional entre os melhores, se não for o melhor). veja site abaixo, na própria vinícola, ou na Ville du Vin.
  • Chandon Brasil (sempre consistente, fácil de encontrar e preços razoáveis). Várias lojas de bebidas em São Paulo.
  • Cava (tradicional espumante espanhol). Raventós da Decanter e Gramona da Casa Flora, sempre confiáveis.
  • Champagnes (é uma questão de gosto e estilo. Louis Roederer, Gosset, Deutz e Larmandier têm preços honestos. Evidentemente, acima da faixa de preço no início do artigo). Importadoras Franco-Suissa, Grand Cru, Casa Flora e Cellar, respectivamente.

Um dos grandes alemães da Decanter

Vinhos brancos

  • Rieslings alemães (importadora Decanter tem boas opções).
  • Chablis William Fèvre (importadora Grand Cru).
  • Sauvignon Blanc (Terrunyo da Concha Y Toro, vinícola Pericó de Santa Catarina e Jackson Estate da Nova Zelândia, importadora Premium). A linha Concha Y Toro é encontrada na Ville du Vin.
  • Chateau Reynon e Clos Floridene (dois bordeaux da Casa Flora)
  • Chardonnay (Catena Alta da Mistral  e De Martino Quebrada Seca da Decanter)

Bierzo e a uva Méncia

Vinhos tintos

  • Rioja de vários tipos (Crianza, Reserva e Gran Reserva). Rioja Alta da importadora Zahil, CVNE da Vinci e Luis Cañas da Decanter).
  • Tintos de Bierzo (região espanhola pouco conhecida. Boas opções na Decanter e Grand Cru).
  • Chianti Classico (Castello di Ama da Mistral, Fontodi da Vinci, e Felsina Berardenga da Mistral).
  • Tintos do Douro (Quinta do Crasto, Quinta do Noval, Niepport).
  • Malbecs da Argentina (Catena da Mistral, Viña Cobos da Grand Cru, Noemia da Vinci e Achaval Ferrer da Inovini).
  • Merlots nacionais (Miolo Terroir, Pizzato DNA 99 e Desejo da Salton). Encontrados em boas lojas de bebidas.
  • Chateau Giscours 2009 Margaux – Grand Cru Classe – importadora Cellar
  • Chateau Sociando-Mallet 2009 – Haut-Médoc – importadora Cellar
  • Vinícola Rippon (grande Pinot Noir da Nova Zelândia). Importadora Premium.

Tawnies e Charutos

Portos, fortificados e colheita tardia

  • Porto Fonseca Bin 27 (Mistral ou Casa Santa Luzia)
  • Burmester Tawny Jockey Club (Adega Alentejana)
  • Quinta do Noval LBV Unfiltered (Grand Cru)
  • Jerez: Emilio Lustau da Ravin e Hidalgo da Mistral
  • Morandé Late Harvest da Grand Cru
  • Chateau Haut-Bergeron Sauternes da Cellar

Se você pensar em vinhos franceses ou italianos, a escolha natural é a importadora Cellar. A seleção é ótima e os preços não são abusivos. Responsável: Amauri de Faria.

Porto Fonseca e champagne Louis Roederer são encontrados na Casa Santa Luzia. Os nacionais acima mencionados, também.

Importadoras

Porto Cinco Estrelas

14 de Julho de 2015

Com a chegada do inverno, o Porto (o mais famoso fortificado do mundo) ganha naturalmente seu lugar de destaque. Seja como vinho de meditação, para acompanhar sobremesas mais calorosas, queijos de sabores mais pronunciados e até mesmo, para escoltar Puros numa boa conversa. Evidentemente, as opções de marcas são inúmeras, além de faixas de preços bem variadas. Some-se a isso as várias categorias de Porto, e a equação torna-se complexa. Infelizmente, não há milagres. Os bons produtos sempre serão reconhecidos e valorizados ao longo do tempo. Neste sentido, segue uma lista pessoal de cinco estrelas do Porto, sobretudo nos critérios de qualidade, tradição e consistência.

Safra soberba e pouco lembrada

Taylor´s Fladgate & Yeatman

Aqui o assunto são Vintages. Embora sua seleção de Portos com declaração de idade seja de grande qualidade, seus Vintages são quase imbatíveis, sem falar na excepcional Quinta de Vargellas, componente indispensável na elaboração dos Vintages Clássicos. Safras 1963, 1970, 1977 e 1994, são altamente recomendáveis. Como curiosidade, a safra 1992 com 100 pontos, tem o brasão da Casa impresso no garrafa em comemoração aos 300 anos desta instituição (1692).

Uma das exclusividades desta tradicional Casa, é o “Porto Vintage Quinta de Vargellas Vinha Velha”. Localizada no chamado Douro Superior, Vargellas por si só, já é uma exclusividade. Seus frutos geram vinhos diferenciados que vão marcar definitivamente seus grandes Vintages Clássicos. Dentro desta exclusividade, há pequenas parcelas de vinhas muitos antigas (entre 80 e 120 anos) que representam apenas 2% da produção total desta Quinta. Em anos especiais, esses vinhos são vinificados separadamente, dando origem a um Porto Vintage de exceção. Até hoje, foram lançadas no mercado apenas seis safras desta maravilha.

1963: safra mítica do século XX

Porto Fonseca

Esta Casa fundada em  1815 tem forte ligação com a Taylor´s, quando foi incorporada ao grupo nos anos pós-guerra (segunda guerra mundial). Seus Vintages são excepcionais, em nível idêntico de qualidade aos da Taylor´s. Além dos Vintages, seu LBV Infiltered é de grande reputação, dando uma boa ideia do que pode ser um Vintage. Seu produto mais famoso e popular é o Porto Bin 27, um Finest Reserve de grande consistência. Concentrado, frutado, é uma ótima opção para um Porto diferenciado nesta categoria relativamente simples.

A história da Fonseca começa com as famílias Monteiro, Fonseca e Guimaraens. O primeiro grande Vintage da Casa data de 1840, quando este estilo de vinho começou a firmar-se como tal. Sua mais famosa Quinta, Panascal, produz um Porto exclusivo, além de seu Vintage Clássico.

Joia da Coroa

Quinta do Noval

Esta Casa é uma verdadeira instituição no Vinho do Porto. Deixando o Quinta do Noval Vintage Nacional de lado, pois trata-se de uma peça de exceção deste fortificado duriense, seus demais Vintages e Colheitas são de grande categoria. Destaque para seu incrível LBV Infiltered. Quando lançado em anos não declarados para Vintage, comporta-se como tal, de maneira camuflada pelas rígidas regras. A titulo de informação, a categoria LBV foi inspirada na Quinta do Noval com a safra de 1954. Lançado em 1958, fez história e lançou um novo estilo de Porto.

Para aqueles que não querem surpresas num Porto 40 Years Old, evolução máxima em Portos com declaração de idade, Quinta do Noval é um “porto seguro”. Seu blend e os cuidados no envelhecimento em pipas, fazem deste Porto uma compra diferenciada. Poucas Casas se arriscam neste Porto de exceção.

Fundada em 1715, esta Casa foi incorporada em 1993 ao grupo francês AXA, com propriedades famosas na região bordalesa (Châteaux: Pichon-Longueville, Suduiraut e Petit-Village). Prestígio e garantia de sucesso na longa história desta Quinta.

Niepoort

De  origem holandesa, esta Casa prima por seus diferenciados Colheitas, bem como os Portos com declaração de idade. Com longo envelhecimento em pipas, esses vinhos ganham grande complexidade ao longo dos anos, chegando ao mercado prontos para serem apreciados.

Como curiosidade, Niepoort mantem uma linha de Porto exclusiva chamada de “Garrafeira”. São garrafões de oito a onze litros de capacidade denominados “demijohns”. A safra 1977 após passar cinco anos em madeira, foi transferida para estes recipientes e conservada nos mesmos durante 28 anos. Em 2007, houve o engarrafamento definitivo para comercialização. As vinhas correspondentes à esta safra são exclusivamente do Cima Corgo (região nobre do relevo duriense) com idades entre 80 e 100  anos. De certo modo, o termo “Garrafeira” tenta reproduzir os grandes “Madeiras”  em sua categoria de excelência.

Compra sempre certeira

Graham´s Port

Pertencente ao grupo inglês Symington desde 1970, sua linha de Vintages e Colheitas merece respeito. Sua grande Quinta Malvedos elabora um dos Portos mais exclusivos. De linha relativamente básica, temos o clássico Six Grapes, um Porto Reserve comparável em qualidade ao Fonseca Bin 27, já mencionado acima.

Como toda boa tradição inglesa, Graham´s conserva ainda uma categoria de Porto praticamente extinta, o chamado “Crusted Port”. Trata-se de uma espécie de Vintage de algumas safras (normalmente duas ou três). Este blend é amadurecido em tonéis por alguns anos, e posteriormente engarrafado (datado no rótulo) para o devido envelhecimento. Comporta-se em seu processo evolutivo como um Vintage, inclusive criando os famosos sedimentos. Daí o nome, Crusted.

Enfim, Porto Cinco Estrelas ou, as Cinco Estrelas do Porto, tem o mesmo significado. São Casas da mais alta reputação, superlativas, quaisquer que sejam os critérios de julgamento. Comparado aos Bordeaux, outra paixão inglesa, esses são os verdadeiros Premiers Grands Crus Classés do belíssimo Vale do Douro.

Graham´s e Niepoort – http://www.mistral.com.br

Fonseca – http://www.vinci.com.br

Quinta do Noval – http://www.alentejana.com.br

Taylor´s – http://www.qualimpor.com.br

CVNE Imperial Gran Reserva 2004: O Vinho do Ano

18 de Novembro de 2013

Bela homenagem da revista Wine Spectator em eleger um dos grandes vinhos da bodega CVNE (Companhia Vinícola do Norte da Espanha) como vinho do ano 2013. Uma homenagem também à Denominacíon de Origen Calificada (DOCa) Rioja, símbolo dos belos tintos espanhóis. Em termos de tradição e história, CVNE tem a mesma importância e prestígio da Real Companhia Velha na famosa região portuguesa do Douro. Além da CVNE detentora deste campeão em questão, as bodegas Viña Real de perfil mais moderno, e Contino na concepção dos châteaux de Bordeaux, fazem parte do grupo.

Estes vinhos são trazidos pela importadora Vinci (www.vinci.com.br) em faixas de preços bem variadas. Em especial, este Gran Reserva 2004 ainda não está disponível, porém a safra 2001 está à venda e particularmente, parece ser superior a 2004. Além disso, quando chegar ou se chegar a badalada safra em questão, os preços poderão estar bastante diferentes.

Wine Spectator: Number 1

Um Gran Reserva de Rioja passa pelo menos dois anos em madeira, e mais três anos em garrafa, antes de ser comercializado. Estas exigências mínimas são facilmente cumpridas com folga pelas melhores bodegas. No caso deste Imperial Gran Reserva, o blend é composto pelas uvas Tempranillo (85%), Graciano (10%) e Mazuelo (5%), de videiras antigas. Essas uvas tintas complementares (Graciano e Mazuelo) aportam acidez, profundidade de cor, taninos e aromas sutis ao conjunto. O vinho é elaborado com longa maceração e amadurecido em barricas de carvalho americano e francês. A qualidade da safra 2004 é destacada com ciclos de repouso e vegetativo bem definidos. Em sua avaliação, predomina a elegância sobre a potência, aromas balsâmicos, de especiarias, com uma acidez refrescante. Pode ser bebido com prazer ou adegado por vários anos. Sua nota: 95 pontos (WS).

Melhores solos: entre Haro e Logroño

Os vinhedos da bodega estão localizados nas sub-regiões Rioja Alta e Rioja Alavesa. Terroirs diferenciados, principalmente pelos solos calcários e argilosos, fornecendo personalidade e elegância aos vinhos, sobretudo para a nobre casta Tempranillo. Aí estão as bodegas de maior prestígio. Ver artigo específico sobre Rioja neste mesmo blog (Terroir: Rioja DOCa).

Filetto alla Rossini

Sugestão para harmonização, um belo Filé Rossini. O foie gras, a trufa e o molho madeira, formam um conjunto que complementa de forma admirável os sabores, aromas e textura deste Gran Reserva. Assados de um modo geral com molhos de personalidade, porém elegantes, são a chave para uma feliz comunhão.

Outros vinhos da CVNE que vale a pena prová-los estão disponíveis na importadora Vinci. São eles: Cune Crianza 2009, Viña Real Reserva 2005 e Imperial Reserva 2005.

Os demais vinhos classificados no recente Top 100 de 2013 serão comentados oportunamente.