Archive for Outubro, 2020

Muito além do outubro rosa

7 de Outubro de 2020

Quando se fala em vinho rosé, muita gente ainda torce o nariz. Se nos brancos o preconceito diminuiu muito nos últimos anos, com os rosados ainda ele persiste, mas há muitos motivos, além do calor saariano desse setembro e outubro, para escolher um rótulo dessa cor. Os rosados (excluídas as borbulhas, que são caso à parte) são versáteis e gastrônomicos, vão muito bem com saladas e com frutos do mar e também com um prato de que o brasileiro muito gosta: a pizza.

Os bons exemplares, com destaque aos da Espanha, Portugal, França e Itália, não são invasivos, têm um belo frescor, e seus aromas cítricos, de tempero e ervas, combinam com boa parte das pizzas e algumas preparações de frutos do mar, com destaque especial às paellas (aqui principalmente os da Provence).

Feita a abertura, vamos a algumas opções de rótulos no mercado brasileiro:

Abaixo de R$ 70, a solução se chama Pizzato. A vinícola gaúcha é tiro certeiro quando o assunto é preço e qualidade. Faz um rosé acessível e que pode ser tentado com uma boa pizza de margheritta.O molho de tomate, as ervas (orégano) ajudam na combinação.

A Provence é o terroir dos mais reputados rosés do planeta. Dois vinhos, ao redor de R$ 115 na importadora Clarets, são excelentes pedidas. O primeiro é o Triennes 2018, da subregião de Aix-en-Provence, cujos acionistas são dois pesos pesados da Bourgogne: Aubert de Villaine e a família Seysses, do Domaine Dujac. O vinho tem frescor, acidez justa, aromas de morangos e um leve floral. O outro é o Pure 2019, da Mirabeau, corte de Grenache e Syrah, com um leve toque de bergamota, num conjunto difícil de resistir.

Provence: melhor época, campos de lavanda, passeios e mais | Viagem e  Turismo
A Provence vai além dos rosés

Na Delacroix, há uma outra ótima pedida rosada da Provence: o Château de Roquefort produz o Corail a apenas cinco quilômetros de Cassis. Na boca muito frutado e com um toque de ervas, um pouco mais estruturado que os outros dois anteriores. Excelente companhia da Paella. Custa por volta de R$ 160.

Deixada a Provence de lado, que tal uma garrafa de Etna rosato? Esse terroir siciliano tem uma mineralidade bem expressa, quaisquer as cores da taça. O vulcão faz toda a diferença. Esse aqui de Girolamo Russo é um dos melhores exemplares de rosados no mercado: https://www.wines4u.com.br/tipo/rose/etna-rosato-doc-2018-girolamo-russo.html. Camarões frescos grelhados acompanhados por esse aqui…

A Espanha tem talvez o mais destacado rosé do mundo, vindo da Tondonia, disputado a tapa pelos consumidores dos quatro cantos do planeta. Importado pela Vinci Vinhos aqui, ele quando chega, mal é anunciado, é vendido para uma lista secreta. Nunca tive o prazer de bebê-lo ainda, mas nunca ouvi arrependimentos.

Em relação a rótulos mais acessíveis: os rosés de Navarra, região contígua à famosa Rioja, apresentam-se bem equilibrados. Uma sugestão aqui é o Gran Feudo Rosado, por volta de R$ 120, na Mistral.

Portugal também tem seus rosados. Dirk Niepoort, um dos melhores produtores do planeta, faz um ótimo, versátil e gastronômico rosado na linha Redoma, atualmente em falta na importadora Grand Cru. Dirk não erra, sejam os vinhos doces, fortificados, secos, tenham quaisquer cores do arco íris.

Bordeaux não tão badalados

5 de Outubro de 2020

Euro e dólar nas alturas, os grandes bordeaux cada vez mais caros. Há alguns rótulos que não são baratos, mas não fazem feio se colocados em uma degustação às cegas com os maiorais? Pensando nisso, selecionamos algumas opções bebidas nas últimas semanas.

Margem esquerda, Saint Estèphe é um dos terroirs menos valorizados dos grandes de Bordeaux, apesar de destacar duas estrelas: Montrose e Cos Estournel, o primeiro mais tradicional, o segundo mais moderno. têm uma acidez mais destacada, grande potencial de longevidade. Nas últimas duas décadas, o Meyney tem ganho altas notas e degustações dedicadas a ele, como de Neal Martin recentemente na Vinous. É um dos bordeaux destacados quando não se tem dinheiro para comprar os rótulos mais profundos da região. Esse da safra 2009, com 92 pontos de Parker, é um ponto de inflexão do chateau para Martin, que destaca que a partir daí a propriedade engata outra marcha. Depois de mais de duas horas de decantação, denota aromas de evolução, como couro, tabaco e estrebaria, permeados por muita fruta escura. Acompanha muito bem carnes, como rabada ou o filé au poivre. Comprado em promoção na World Wine por volta de R$ 500.

Margem direita, Saint Émilion é a grande rival de Pomerol. Esse vinho aqui é de uma produção ultra confidencial. Para os padrões bordaleses, 1,6 hectares é um jardim. São pouco menos de cinco mil garrafas, que são vendidas para o palácio presidencial francês e alguns mercados de exportação. Um segredo e tanto. Às cegas pode produzir surpresas. Na @delacroixvinhos . Não confundir com o tinto acima, chateau meyney. Aqui a merlot dá as cartas, com 75%, um vinho elegante, muito mais macio que o Saint Estèphe, com aromas de evolução nobre também. Decantação de duas horas. O Meylet costuma vender seus rótulos depois de algum envelhecimento na cave. Aqui se pode pensar na harmonização em codornas com cogumelos.

A safra 2010 é excelente, o La Vieille Cure, se não viesse de Fronsac e tivesse pé em terroirs mais nobres, custaria muito mais…Adquirida por investidores americanos na metade da década de 1980, o Château La Vielle Cure tem uma produção média de 100 mil garrafas, produzidas em cerca de 20 hectares, com três quartos delas dedicadas à uva merlot. A equipe do enólogo Michel Rolland dá as cartas na propriedade, reputada por elaborar um dos melhores custos-benefício de Fronsac, apelação que circunda um dos grandes astros, Pomerol. São vinhos não tão complexos como os melhores exemplares de Pomerol (Lafleur, Pétrus, Le Pin), mas são um agrado ao bolso. Tem uma estrela pelo guia de vinhos da Revista de Vinhos da França. Esse 2010 tem 91 pontos de Robert Parker, quando ele ainda fazia as avaliações de sua região preferida. Ele destaca que o vinho é um dos mais hedonistas de Fronsac e sua proporção mais elevada de merlot permite que se beba agora ou se possa espera uns cinco anos ainda. A safra de 2010 é uma das melhores para Bordeaux da década passada, ao lado de 2015. Importadora World Wine. Um aroma de violeta permeia o conjunto. Belíssimo bordeaux.

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A importadora Clarets recebeu recentemente uma partida da safra 2003 do Potensac, uma das referências em Cru Bourgeois de tradição. Elaborado pelo grupo Delon, que entre outros produz o grande Léoville Las Cases, um dos mais reputados tintos bordaleses da comuna de Saint-Julien, esse é um dos sempre confiáveis tintos. A safra 2003 sai por volta de R$ 650, enquanto a 2013 sai por R$ 300 (ótimo preço). Na @claretsbrasil


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