Archive for Fevereiro, 2017

Chenin Blanc e Loire

27 de Fevereiro de 2017

Existem uvas que são fiéis e praticamente exclusivas de seus respectivos terroirs de origem. É o caso da Nebbiolo no Piemonte, Furmint em Tokaj, famosa região húngara de vinhos botrytisados, e a nossa uva em questão, a multifacetada Chenin Blanc.

Completamente adaptada ao longo do rio Loire, as condições de clima e solo em trecho específicos do rio, potencializam suas virtudes e características, proporcionando vinhos de vários estilos e diferentes graduações de açúcar residual.

É uma uva de maturação longa, alta acidez, e de aromas relativamente discretos. Características importantes para os casos de botrytisação, ou seja, o benéfico ataque do fungo Botrytis Cinerea.

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geologia francesa

Para entender melhor este terroir específico, o mapa acima mostra em linhas gerais a geologia francesa. Notem que na altura da cidade de Nantes, foz do rio Loire, o subsolo é granítico, de acordo com o maciço Armoricain. Este cenário prolonga-se bem até a região de Anjou, onde temos várias apelações famosas com a protagonista Chenin Blanc.

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Chenin Blanc “xistosos”

Não tão perto do clima oceânico, Anjou tem insolação suficiente e tempo relativamente prolongado para o lento amadurecimento da Chenin Blanc. O solo de ardósia e xisto contribuem para enaltecer características específicas, sobretudo a mineralidade. O auge destas condições acontece na apelação Savennières, onde a perfeita maturação da casta produz Chenins plenos, maduros, extremamente minerais e secos. Nas grandes safras, esses brancos são capazes de evoluírem por décadas, tornando-se vinhos de grande guarda. O ápice neste contexto é o famoso Coulée de Serrant, um dos brancos mais emblemáticos da França, merecedor de uma apelação própria, exclusiva, e homônima.

Outras apelações como Anjou, Saumur, Coteaux d´Ancenis, Coteaux de L´Aubance, não têm a mesma expressão de Savennières, mas podem ser boas alternativas de preço, e de consumo imediato.

Quando além dessas condições, temos confluência de rios, alternância de umidade e calor, a Botrytis Cinerea se faz presente, gerando Chenins doces e complexos. No mapa acima, a apelação mais ampla Coteaux du Layon, é capaz de produzir esses vinhos muitas vezes não tão doces, mas de uma acidez aguda, dando suporte para um longo envelhecimento. De área relativamente extensa, temos quase 1500 hectares de vinhas. Dentro dessa área, temos duas apelações bem mais exclusivas que são Coteaux du Layon avec Dénomination Geographique e, Coteaux du Layon Premier Cru Chaume. Essas exclusividades normalmente não chegam ao Brasil, exceto as duas apelações abaixo que por serem também especiais, gozam de nomes próprios dentro de território de Layon.

Bonnezeaux

Dentro de apelações exclusivas, Bonnezeaux conta com 80 hectares de vinhas em solos de xisto com colinas expostas a sudoeste. Os rendimentos giram em torno de 20 hl/ha perfazendo pouco mais de 200 mil garrafas em toda a apelação. Cor dourada, bastante aromático e boa densidade em boca.

Quarts de Chaume Grand Cru

Outra apelação exclusivíssima com apenas 29 hectares de vinhas, perfazendo pouco mais de 50 mil garrafas por ano. Solo também xistoso, sua exposição é perfeita a sul. Mais delicado que seu concorrente acima (Bonnezeaux), é capaz de envelhecer por décadas nas grandes safras.

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Chenin Blanc e o calcário

O mapa acima mostra Touraine, região mais interiorana do Loire. Além do clima com maior influência continental, o solo muda radicalmente. Neste ponto, se lembrarmos do primeiro mapa do artigo, percebemos que Tours encontra-se geologicamente dentro da bacia parisien, de origem sedimentar e calcária. Neste contexto, a Chenin Blanc mantem a acidez, mas ganha delicadeza e uma aparente fragilidade. Contudo, seus vinhos assumem vários estilos e podem envelhecer por décadas.

A apelação Vouvray é a mais emblemática e versátil. Aqui temos Chenins com vários graus de doçura, além de belos espumantes pelo método tradicional. Os termos tranquille sec, tendre, demi-sec, e moelleux, indicam quantidades de açúcar residual crescentes. Essa delicadeza, textura, e os vários graus de doçura, aproximam esses vinhos do estilo alemão como nenhum outro vinho francês.

Domaine Huet é referência inconteste desta apelação com vinhos quase imortais. Seus três vinhedos famosos: Le Haut-Lieu, Clos du Bourg e Le Mont, exprimem as características específicas de um solo argilo-calcário, produzindo Chenins com vários graus de doçura, além de delicadeza e elegância extremas.

Termos como Fine Bulles e Pétillant são importantes para os vinhos espumantes do Loire, sobretudo em Vouvray. São elaborados sempre pelo método tradicional. No caso do Pétillant, a pressão na garrafa deve ser inferior a 2,5 atmosferas, tornando o vinho frisante. A produção destas bolhas chega a 60% do total de vinhos produzidos em Vouvray, sempre 100% Chenin Blanc.

Essas joias do Loire podem acompanhar à perfeição pratos da alta gastronomia como peixes, sobretudo de rio, aves, patês, foie gras, quiches, tortas de frutas frescas, queijos, e tantos outros pratos de sabores refinados. Basta escolher a apelação certa, e o grau de doçura desejado. Bom Appétit!

China: Wine Regions

23 de Fevereiro de 2017

Após um breve esboço sobre a vitivinicultura chinesa no cenário mundial, vamos detalhar um pouco mais as principais regiões deste gigante asiático. Como já havíamos falado, a metade norte deste país concentra uma maior área de vinhas.

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áreas de grande produção vinícola

Xinjiang

Esta é a maior sub-região chinesa no extremo noroeste do país, conforme mapa acima onde está assinalado o maior cacho de uvas. Para se ter uma ideia, sua área é maior que os estados da Califórnia e Texas juntos. Muito dos vinhedos estão em meio a montanhas e desertos. Uma região bastante árida.

Aqui temos grande produção de uvas de mesa e uvas-passas. Recentemente, a indústria do vinho está se desenvolvendo em lugares específicos onde o clima não é tão hostil com índices pluviométricos mais adequados.

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Gansu

A sub-região acima Gansu, está localizada em altitudes entre 1000 e 3000 metros. O clima também é árido, mas há facilidade para irrigação. Gansu é uma região vinícola importante produzindo cerca de 46000 toneladas de uvas por ano.

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Ningxia: tamanho não é documento

Encostada em Gansu e bem menor, conforme mapa acima, Ningxia é uma potência vinícola. Temos uma produção de 50 mil toneladas de uvas. A ideia é incrementar a região com mais de 60 mil hectares de vinhas até 2020.

É uma região com vinhos de alta qualidade para padrões chineses, versando um estilo mais bordalês. Em degustações às cegas com juízes chineses e franceses, quatro vinhos de Ningxia entre dez tintos da degustação destacaram-se em meio aos bordaleses.

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Regiões: Hebei e Tianjin

Climaticamente, uma região semi-árida com chuvas concentradas no verão e outono. Muito quente e muito ensolarada. Região de grande importância, concentrando mais da metade da produção chinesa de vinho. Quatro grandes companhias de vinho atuam nesta área.

Large Changli Region pertence à província de Hebei, margeando a baía. Produz cerca de 40 mil toneladas de uva para produção quase exclusiva de vinho tinto (97%). A Cabernet Sauvignon domina amplamente com 93% das uvas, seguida por pequenas porcentagem de Cabernet Franc e Marselan. A companhia Great Wall de grande prestígio, está nesta área.

A região de Tianjin, mais interiorana e bastante fria, localiza-se num vale entre montanhas, produzindo 50 mil toneladas de uvas para vinho. Tem longa tradição na produção de uvas de mesa, também. A famosa vinícola Dynasty está na área.

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província próxima ao mar

A província de Shandong pertence á península de Jiaodong. As vinhas aqui não precisam ser enterradas, pois os invernos não são rigorosos. Em compensação, chove muito no verão. Esta região concentra 1/4 da produção chinesa de vinho e conta com a maior companhia vinícola do país, Changyu Wine Company.

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 visão geral do vinhedo chinês

O mapa acima resume bem asprincipais regiões vinícolas chinesas em termos de produção. Como curiosidade, bem a Nordeste do continente chinês, a região de Northeast,  grafada em verde no mapa, produz o famoso ice wine, o vinho do gelo.

Finalizando, a região de Southeast, representada pela sétima região no mapa acima, tem a mesma latitude do deserto Saara. A situação é compensada pela altitude dos vinhedos, acima de 1500 metros. A área de vinhas não é significativa.

Outra região de pouca significação produtiva é Loess Plateau nas províncias de Shannxi e Shanxi. Algo em torno de seis mil toneladas de uvas.

Dados de 2015 publicados pela Universidade de Davis, Califórnia, baseados em China Agricultural University.

Olha a China aí, gente!

19 de Fevereiro de 2017

Vinho Sem Segredo já abordou países e regiões famosas do mundo do vinho, sobretudo da França, Itália, Espanha e Portugal. Agora, fazer um artigo sobre China, parece algo fora de propósito. Afinal, o que a China tem para nos mostrar?. De fato, nada de grande qualidade que possa nos surpreender, mas é um país gigante, uma área de vinhas considerável, e dentro de pouco tempo será a quinta potência vitivinícola do planeta, posto que foi da nossa vizinha Argentina por longa data.

De acordo com estudos recentes publicados pela Universidade de Davis, Califórnia, seguem abaixo alguns dados, informações e gráficos, mostrando um pouco o avanço deste gigante adormecido. Do ano 2000 para cá, o crescimento tem sido vertiginoso, saltando de 200 mil para um milhão e quatrocentas mil toneladas de uvas.

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briga acirrada entre o quinto lugar

No gráfico acima, pelos números mostrados, a briga pelo quinto lugar está totalmente aberta entre países com grande expressão no cenário mundial. A China aparece como franco-atiradora.

A China conta com aproximadamente 300. 000 acres (120.000 hectares) de vinhas destinadas ao vinho. De longe, a Cabernet Sauvignon é a mais plantada com 50% da produção. Seguem Carmenère (9,6%), Merlot (8,5%), Syrah (1,8%) e Chardonnay (1,7%). Num segundo plano, temos Cabernet Franc, Carignan, Pinot Noir, Riesling Itálico, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Marselan, e Petit Verdot.

Seguindo o padrão das uvas descritas acima, a inspiração e filosofia de trabalho da indústria chinesa é toda francesa. Inclusive, na pauta de importação de vinhos, a França ocupa lugar de destaque.

Oitenta por cento do vinho produzido na China é tinto, ficando dez por cento para o vinho branco. No restante temos vinhos doces, meio doces e curiosamente, o icewine. O mesmo encontrado no Canadá.

Em 2013, os chineses beberam 181 milhões de caixas de vinho, sendo o quinto maior consumidor mundial. Isso, lembrando que o consumo per capta é de apenas 1,5 litros (um litro e meio). Imaginem quando os chineses resolverem a beber mesmo!

Deste consumo, 83% vem da produção doméstica. Os 17% de vinhos importados, quase metade vem da França, seguida por Austrália, Espanha, Chile, entre outro países.

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premiação na revista inglesa

Quem não quiser correr riscos, vai a dica acima. Um corte bordalês premiado no sério concurso Decanter World Wine Awards. O vinho é produzido na região de Ningxia, norte da China, com produção de vinte mil garrafas. Diz ser páreo para alguns vinhos da Catena Zapata e alguns Bordeaux de gama média. É provar para conferir!

Outro dado importante, 80% dos vinhedos chineses destinam-se a uvas de mesa, ou seja, consumo in natura. Outros 15% são destinados á produção de vinho. O restante, 5% são trabalhados para uvas-passas. Com isso, a área total do vinhedo chinês já ultrapassa a França com mais de 800 mil hectares de vinhas.

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destaque para as áreas numeradas

Só para nos situarmos, a metade norte da China em geral é bastante fria. Temos montanhas, áreas de deserto, e um clima bastante hostil com invernos muito rigorosos. Muitas dessas vinhas devem ser enterradas no inverno para sobreviverem. Temperaturas podem chegar abaixo dos 20° negativos. O sinal amarelo na legenda dos vinhedos indicam que os mesmos não precisam ser enterrados. Na verdade, o termo enterrado é um tanto exagerado. As vinhas são parcialmente cobertas em seu tronco principal.

Os extremos de temperatura é um dos desafios para as vinhas. Os invernos na metade norte são muito frios e extremamente secos. Na metade sul chinesa, os verões são muito quentes e chuvosos. Neste campo minado, as zonas vitivinícolas procuram fugir destes extremos, resultando de um maior acúmulo de vinhedos na porção norte do país, conforme mapa acima. Este cenário de invernos muito frios e secos, alternando com verões quentes e chuvosos, é chamado pelos especialistas de “Continental Monsoon Climate”.

No próximo artigo, detalharemos as principais regiões produtoras de vinho e suas características gerais.

Harmonização com Sushis

16 de Fevereiro de 2017

Segundo Philippe Faure-Brac, grande sommelier francês e campeão mundial, sushi combina com sakê ou saquê, se preferirem. Assim como pão combina com cerveja, faz todo sentido sushi combinar com saquê, já que ambos têm o arroz em comum. Pessoalmente, partilho dessa harmonização. Essa opinião é contraditória tanto que, a melhor indicação para uma harmonização tradicional que os próprios japoneses praticam é o chá verde.

Contudo, como o assunto é vinho, vamos analisar alguns exemplares e conferir suas afinidades ou não com o prato. Para isso, foram testados três tipos de sushi, conforme foto abaixo.

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peixes: namorado, salmão e atum

Não é uma harmonização fácil, pois lidamos ao mesmo tempo com peixe in natura, arroz levemente avinagrado e adocicado, e um conjunto muito delicado. O shoyu (molho de soja) entra na brincadeira, dando um toque salgado importante. Para não complicar e de fato, deve ser evitado, não consideramos o wasabi, aquela pastinha verde, extremamente picante.

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harmonizações interessantes

Vallontano Espumante Extra Brut  LH. Zanini 2012

Este espumante nacional é elaborado no Vale dos Vinhedos, Serra Gaúcha, pelo método Tradicional com as uvas Chardonnay (75%) e Pinot Noir (25%). O vinho-base não tem passagem por barrica e as garrafas permanecem sur lies por 24 meses após a espumatização. A designação Extra Brut sugere que a bebida seja bastante seca. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

A maior proporção de Chardonnay dá leveza ao conjunto. A austeridade da bebida por ser Extra Brut combina bem isoladamente com o peixe in natura. Contudo, temos que analisar o conjunto onde o arroz é parte importante. Neste caso, falta textura ao espumante e principalmente um lado mais macio e adocicado.

Conclusão: Vá de espumante Brut ou até Extra-Dry, onde aquele açúcar residual é mascarado pela alta acidez do espumante e ao mesmo tempo, quebra a austeridade desnecessária de um Extra-Brut ou Brut Nature. Deixe essas versões para o sashimi. Aí sim, só a maresia do peixe sem interferência do arroz, cria uma sinergia de texturas. Quanto mais mineral for o espumante, melhor o casamento com o peixe in natura.

Portal do Fidalgo Alvarinho 2014

Este branco português do Minho é elaborado pela Provam, uma espécie de cooperativa das sub-regiões Monção e Melgaço, referentes à denominação Alvarinho. Totalmente vinificado em aço inox, não tem nenhum contato com madeira. Seus aromas são citrinos, minerais e florais.

Na harmonização, este branco mostrou bela acidez, corpo adequado e mineralidade interessante para o prato. O grande problema é que ele tinha um amargor importante, inerente ao vinho. Na combinação, esse amargor foi intensificado, faltando um lado um pouco mais frutado do vinho.

Normalmente, vinhos verdes, não necessariamente Alvarinhos, podem dar certo. Eles são mais delicados, álcool comedido, e comumente apresentam um lado off-dry interessante para a harmonização.

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harmonizações complicadas

Chateau St Hilaire Rosé Tradition Coteaux d´Aix-en-Provence 2015

Tradicional rosé da Provence com as uvas Grenache (60%) e Syrah (40%) elaborado pelo método de Pressurage Direct. Rosé bem claro, delicado, sem nenhum contato com madeira. Seus aromas cítricos, florais e de ervas, caracterizam bem a tipicidade desses rosés. É bom frisar um lado extremamente seco do vinho. Importadora Premium (www.premiumwines.com.br).

Os rosés da Provence costumam mostrar belo frescor e fruta vermelha mais comedida. O vinho mostrou-se adequado quanto ao corpo e textura para o prato. Porém, impróprio na harmonização, devido à extrema secura do vinho. O lado adocicado do arroz agrediu sua acidez, além da maresia do peixe metalizar levemente o vinho. O atum, por ter um sabor mais pronunciado,  mais estruturado, foi o que menos apresentou conflitos.

Deve-se evitar rosés com sushis. Em novas experiências, talvez rosés delicados mas com um lado frutado mais intenso, possam dar certo. Por exemplo, alguns rosés do Loire com a uva Gamay, a mesma uva do Beaujolais.

S.A. Prüm Wehlener Sonnenuhr Kabinnet Riesling 2012

Belo Riesling alemão do Mosel do vinhedo Wehlener Sonnenuhr em solo de ardósia. Classificação máxima para padrões alemães, VDP Grosse Lage é o equivalente ao Grand Cru francês. A inclinação de 70% do terreno garante uma boa incidência solar em elevadas latitudes. A vinificação é feita em grandes tonéis de madeira inerte com longo contato sur lies na maturação. A categoria Kabinett admite um final off-dry com um teor máximo de 9 g/l de açúcar residual. Importadora Vindame (www.vindame.com.br).

Foi a combinação de menor conflito de um modo geral, mostrando que esse tipo de Riesling alemão apresenta corpo, textura, acidez, mineralidade e um certo adocicado interessante ao prato. Entretanto, esse adocicado ficou um pouco acima do esperado. Além disso, o vinho aromaticamente era muito potente para o prato, sobrepondo-se um pouco no conjunto. O ideal é um Riesling Trocken ou Halbtrocken (meio seco) da região do Mosel, mais delicado. Pode ser também um alsaciano, desde que não seja muito austero e seco.

Um vinho interessante a ser testado para este casamento é o Jerez, fortificado espanhol do sul do país. Este vinho apresenta um teor alcoólico semelhante ao saquê, porém é extremamente seco. É exatamente este detalhe que pode atrapalhar na harmonização com um Fino ou Manzanilla, os jerezes mais minerais com crianza biológica.

Em resumo, trata-se de uma harmonização delicada, onde a sintonia fina pode fazer grande diferença. Em linhas gerais, a indicação de espumantes Brut e Rieslings são as mais seguras.