Posts Tagged ‘gigondas’

Chateauneuf-du-Pape e Arredores

1 de Novembro de 2018

Em recente degustação na ABS-SP,  tivemos vinhos do Rhône-Sul, em especial, Chateauneuf-du-Pape, uma das mais famosas apelações da França. No quadro abaixo, informações importantes sobre terroir e dados estatísticos.

terroir da apelação

http://www.europeancellars.com/more-than-just-la-crau/

O link acima permite ampliar bem o mapa proposto para melhor visualização. Em primeiro lugar, as treze cepas autorizadas da apelação com amplo domínio de vinhos tintos que por sua vez, é protagonizado em seu famoso corte pela uva Grenache (quase 75% de participação). São 3200 hectares de vinhas repartidas em cinco comunas. Mais de 90% da produção são de vinhos tintos. A França exporta dois terços desta produção. Um dos vinhos franceses mais conhecidos internacionalmente. Os solos são muito variados e podem ser representados por quatro tipos principais: galets roulés (ovos de pata), típicos da região, arenosos, calcários, e grés rouges, uma espécie de arenito. Vamos então, às cinco principais comunas deste complexo terroir.

img_5253

Chateauneuf-du-Pape

É a maior área com solos de grande diversidade, mas em sua maioria com as famosas pedras que caracterizam a região. Isso transfere muito calor às vinhas, permitindo uma completa maturação das uvas. Nos setores mais periféricos da comuna há mais ênfase em areia e argila, dependendo de localizações mais específicas. 

Courthézon

Região nordeste da apelação com maior área, depois de Chateauneuf-du-Pape descrita acima. Aqui predomina solos arenosos e de arenito sobretudo, onde o Chateau Rayas reina absoluto. Em meio a um terroir único cercado de bosques, é considerado o Borgonha da apelação com vinhas antigas exclusivamente de Grenache.

Orange

Região norte da apelação com seus solos aluviais vermelhos misturando argila, areia e pedras em proporções variáveis. Terroir do Chateau de Beaucastel, um dos mais emblemáticos da apelação.

Bédarrides

Região a leste da apelação, imediatamente ao sul de Courthézon. Solos parecidos com Orange, de tendência mais arenosa. Tem como chateau emblemático o Domaine du Vieux Telégraphe.

Sourgues

Região sul da apelação com solo parecido a Orange, rico em ferro. Clos des Papes e Chateau Fortia ficam no limite deste terroir.

Quanto aos Chateauneufs degustados, foto acima, o da esquerda apresenta um estilo clássico já com perfil evoluído, no ponto de ser bebido. Esses vinhos baseados em Grenache costumam evoluir relativamente rápido em garrafa, sobretudo quando de uma safra não tão boa como 2012. São vinhos que não devem ser decantados para aeração.

Quanto ao vinho da direita, Domaine Lafond, tem um estilo mais extraído e moderno, com uma aporte mais evidente de madeira. Seu equilíbrio é feito por cima, destacando-se uma boa estrutura tânica, além do nível alcoólico de 15 graus. Um vinho potente, um tanto fechado, necessitando de alguns anos em adega. Deve evoluir bem nesta ótima safra 2015 por pelo menos dez anos.

Apesar da fama da apelação, é bom frisar que Chateauneuf du Pape tem vinhos muito irregulares e muitas vezes de negociantes. Portanto, o prestigio e idoneidade do produtor tem um peso enorme na qualidade dos vinhos, justificando integralmente o glamour entre seus aficionados.

Outras apelações próximas a Chateauneuf-du-Pape podem ser belas alternativas ao astro maior, sobretudo se o preço estiver em jogo. Seguem algumas delas com certas particularidades.

img_5254

Gigondas e Vacqueyras

Antigas comunas da apelação Côtes-du-Rhône Villages, adquiriram apelações próprias com o tempo. Gigondas conquistou a apelação em 1971 num terroir único em torno de Dentelles de Montmirail com 1200 hectares de vinhas. Solos com base calcária permeados por argila e areia. A Grenache é amplamente dominante no corte, seguida pelas uvas Syrah e Mourvèdre. Bela alternativa a Chateauneuf-du-Pape, numa ótima relação qualidade/preço.

No caso de Vacqueyras, ganhou status de apelação em 1990 num terroir próximo a Gigondas com 1400 hectares de vinhas. São terrenos mais arenosos e menos acidentados em relação a Gigondas. Continuando a comparação, as uvas amadurecem mais cedo e os vinhos são mais acessíveis na juventude, sem grande estrutura como Gigondas, na maioria dos casos.

Os dois tintos degustados acima, vide foto, demonstram as características de cada uma das apelações. No caso da esquerda, Gigondas 2013, mostra um vinho com taninos evidentes e marcantes. Tem um estilo mais viril, mais masculino, vislumbrando mais alguns anos de guarda para desenvolver aromas e polimerizar taninos.

No caso do Vacqueyras 2015, vinho à direita, mostra muita concentração de frutas escuras, toques florais, evidenciando toda sua juventude. Delicado em boca, mostra taninos sedosos, boa maciez, e álcool relativamente equilibrado. É evidente que merece alguns anos de guarda, embora possa evoluir relativamente rápido em garrafa. Um belo exemplar de boa tipicidade.

img_5255

Rasteau

Uma apelação um tanto confusa, pois nasceu como um dos VDN (Vin Doux Naturel) da região com as uvas Grenache de parreiras antigas, gerando um vinho tinto fortificado semelhante ao Banyuls da região de Roussillon. Atualmente, são apenas 22 hectares de vinhas com rendimentos muito baixos.

Mais recentemente, em 2010, esta apelação adquiriu nome próprio dentro da apelação Côtes-du-Rhône Villages, elaborando vinhos tintos secos à base de Grenache, complementada pelas uvas Syrah e Mouvèdre, principalmente.

O vinho acima degustado abriu o painel, mostrando o equilíbrio e franqueza de aromas da bela safra 2015. É um vinho relativamente simples, longe de ser complexo, mas muito equilibrado. Esta vivacidade e juventude são fatores extremamente agradáveis para seu consumo imediato.

Segue abaixo a relação de vinhos degustados com seus respectivos preços e importadoras, essas destacadas em parênteses.

  • Châteauneuf-Du-Pape Clos de L’ Oratoire des Papes 2012 – (Vinci) = R$ 548,02
  • Domaine Raspail-AY Gigondas 2013 – (Premium) = R$363,84
  • Châteauneuf-Du-Pape Roc Epine 2015 – Domaine Lafond – (Tahaa) = R$ 348,50
  • Delas Frères Vacqueyras 2015 – importadora (Grand Cru) = R$ 229,90
  • Rasteau AOC 2015 – M. Chapoutieur – (Mistral) = R$219,97

Franceses no Top Ten

21 de Novembro de 2017

A lista de vinhos mais esperada no final de ano são os premiados da revista Wine Spectator, a despeito de toda a polêmica que envolve seus critérios. Seja o Top 100 ou Top 10, assunto é que não falta.

Neste ano, como de costume, um pelotão de americanos nos dez mais. Sem entrar no mérito do ranking e suas pontuações, são vinhos muito bem feitos, de ótima concentração, e dentro do estilo Novo Mundo, o que há de melhor.

a bela safra 2014 em Bordeaux

Falando agora dos franceses, tema do nosso artigo, vale destacar a ótima safra 2014 em Bordeaux. Se por um lado a safra 2015 mostra-se superior e com preços nas alturas, 2014 pode ser uma boa alternativa, sobretudo na margem direita. É o caso do Chateau Canon La Gaffelière no sétimo lugar com 95 pontos. Um St-Emilion de corte clássico com 55% Merlot, 37% Cabernet Franc, e 8% Cabernet Sauvignon. A boa participação da Cabernet Franc confere finesse e uma certa delicadeza ao vinho.

Outro destaque da safra 2014 foram os vinhos doces na região Sauternes-Barsac. O número três da lista é o tradicional Chateau Coutet,  o mais delicado nos já delicados vinhos de Barsac. Com 75% Sémillon, 23% Sauvignon Blanc e 2% Muscadelle, esse vinho alcançou 96 pontos. É um corte clássico na região com predomínio amplo da Sémillon, uva suscetível ao ataque da Botrytis e ao mesmo tempo, fornecendo estrutura ao conjunto. Os vinhos de Barsac costumam ser mais delicados e elegantes se comparados aos ilustres vizinhos de Sauternes. A maior porporção de calcário no solo explica em parte as características. Chateau Coutet personifica bem este estilo. Ótima referência, independente de safra.

wine spectator domaine huet

Domaine Huet: referência absoluta em Vouvray

Mais um branco francês e mais uma figurinha carimbada na Wine Spectator, o estupendo Domaine Huet. Qualquer vinho deste domaine é sempre muito bem feito, sendo referência absoluta na apelação Vouvray, uma das mais nobres do Loire com a casta Chenin Blanc. Vouvray tem a capacidade de moldar brancos de vários teores de açúcar residual, além de grandes espumantes. É o que há de mais alemão dentro da França. Este Vouvray Demi-Sec 2016, sexto lugar com 95 pontos, tem 20 gramas de açúcar residual por litro, se aproximamdo de um Spätlese alemão. Apesar de sua aparente fragilidade, são vinhos delicados, elegantes, minerais, e com uma capacidade de evoluir por décadas em adega. Sempre uma grande pedida.

wine spectator gigondas

Gigondas: apelação negligenciada por muitos

Agora mais um tinto francês da excelente safra 2015 em toda a França, inclusive no vale do Rhône. Gigondas é uma bela opção de compra aos badalados, caros, e inconstantes Chateauneuf-du-Pape. Este Chateau de Saint Cosme é um blend de 70% Grenache, 14% Syrah, 15% Mourvèdre, e 1% Cinsault. O famoso corte GSM maturado num bom balanço de barricas novas, usadas, e tanques de concreto. Vinho que privilegia a fruta, a maciez, e a concentração de sabores, ricos em ervas e especiarias. Chateau de muita consistência. Alcançou o quinto lugar com 95 pontos para um tinto de pouco mais de quarenta dólares no mercado internacional.

Esses quatro franceses descritos acima estão entre os Top Ten de 2017. Temos ainda um Brunello e cinco americanos fechando o ranking. Pensando agora num Top Ten pessoal, só de franceses, seguem abaixo os seis restantes, incluídos na lista dos Top 100 de 2017.

Completando a lista da bela safra 2014 em Bordeaux, temos mais dois tintos de peso. Um margem direita Saint-Émilion, e outro margem esquerda Saint-Julien.

Clos Fourtet St Emilion 2014 

Este é um Premier Grand Cru Classe de St-Emilion com predominância de Merlot no corte, cerca de 89%. Tinto de muita fruta escura, maciez e profundidade. Bem balanceado com a madeira (40% de barricas novas). 62º lugar com 95 pontos.

Chateau Léoville Las Cases 2014 

Este autêntico margem esquerda tem predomínio amplo da Cabernet Sauvignon com 75% no corte. Referência na comuna de St-Julien, o melhor dos Léoville é vizinho do grande Latour. Tinto de muita consistência, rica estrutura tânica, e enorme longevidade. 91º lugar com 95 pontos.   

Domaine des Baumard Savennières 2015 

Voltando ao Loire, outro Domaine de peso, Baumard. Especializado em Savennières, a melhor apelação para Chenin Blanc seco, a bela safra 2015 brilhou com o sol necessário para a tardia Chenin Blanc. Frutas exóticas como marmelo, toques minerais e de cera, além de uma acidez que garante muitos anos em adega. 15º lugar com 94 pontos.

Agora vamos à Borgonha que não podia ficar de fora. Contudo, fugindo um pouco das regiões badaladas. Portanto, mais ao sul da região, chegando até Beaujolais.

J.A. Ferret Pouilly-Fuissé 2015 

Referência da apelação Pouilly-Fuissé, Domaine Ferret molda vinhos de grande personalidade. Seus Crus especiais apresentam uma complexidade sem igual. Este em questão é a cuvée básica. Sua vinificação é parcialmente feita em barricas, nunca novas. O resultado é vinho cheio de frutas, toques florais, e incrível mineralidade. Sempre, uma compra certeira. 43º lugar com 92 pontos.

Dominique Piron Morgon La Chanaise 2015 

Para quem gosta de Beaujolais, Morgon é meu Cru predileto. Com certo envelhecimento, ele adquire alguns toques minerais de um autêntico Borgonha. Dominique Piron é um especialista desta comuna com vinhos sempre muito equilibrados. 56º lugar com 91 pontos. É o máximo que um Beaujolais pode atingir. Envelhece bem por pelo menos cinco anos.

wine spectator faiveley

Domaine Faiveley Mercurey  1º Cru Monopole Clos des Myglands 2015    

Embora não seja meu estilo preferido de Borgonha, devo admitir de Faiveley é um produtor cheio de tradição e de fãs inveterados. Sempre procura fazer uma vinificação junto com o engaço, o que gera vinhos robustos e de muita força. Este monopólio de pouco mais de seis hectares trabalha com vinhas antigas, entre 63 e 82 (idade de plantação). De todo modo, Faiveley é referência absoluta na pouco badalada apelação Mercurey (Côte Chalonnaise). 83º lugar com 93 pontos.

Da lista acima, alguns produtores que podem ser encontrados no Brasil através das seguintes importadoras abaixo. Os Bordeaux mencionados podem ser encontrados em algumas importadoras, já que não há exclusividade na comercialização.

http://www.mistral.com.br (Faiveley, Ferret, Coutet, Baumard, Ferret)

http://www.decanter.com.br (Dominique Piron)

http://www.premiumwines.com.br (Domaine Huet)

http://www.winebrands.com.br (Chateau de Saint Cosme)

 

Facetas do Rhône

10 de Julho de 2015

Saindo de Bordeaux e Bourgogne, o destino natural do vinho francês é o Vale do Rhône, sobretudo quando se pensa em tintos. Fazendo a transição entre o sul da Borgonha e a Provença, o Vale do Rhône divide-se em dois macro-terroirs: o Rhône Norte e o Rhône Sul, conforme mapa abaixo:

Rhône Norte e Rhône Sul

O mapa acima mostra claramente um fator de terroir evidente, a forte mudança de relevo, topografia, entre o norte e o sul da região. A norte, temos escarpas dramáticas junto ao rio, obrigando as vinhas treparem em terraços. A declividade, as inclinações podem chegar a 70%, ou seja, quase sessenta graus em declive. Esta é a razão dos vinhedos do norte estarem muito próximos ao rio, numa faixa estreita de terreno. Já no Rhône Sul, o relevo é bem mais amplo, muito menos acentuado, e as vinhas portanto, podem se espalhar para mais longe do rio. Aqui também, o clima se torna mais quente.

Feita a introdução, passemos a alguns vinhos degustados na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) sob o comando didático de  Hervé  Robert, diretor do Domaine Delas Frères. Quatro tintos se destacaram conforme comentários abaixo.

Bela alternativa aos caros Châteauneufs

Vacqueyras Domaine des Genêts 2012

Vacqueyras é uma apelação criada nos anos 90 vizinha ao famoso tinto Châteauneuf-du-Pape, e tem como concorrente uma apelação contígua chamada Gigondas. São cerca de 1.300 hectares de vinhas, bem menor que os 3.000 hectares em Châteauneuf-du-Pape. É uma bela alternativa de preço em relação ao tinto mais famoso do Rhône Sul, e muitas vezes superior a vários Châteauneufs de negociantes, preocupados mais com os preços e a fama, do que com a qualidade em si. Preço na importadora: R$ 138,00 (cento e trinta e oito reais). Vinho em torno de 90 pontos para Robert Parker com seu devido entusiasmo pelo Rhône.

A boa safra de 2012 mostra o corte típico do sul da região, o famoso GSM (70% Grenache, 20% Syrah e 10% Mourvèdre). O vinho passa cerca de 30% em barricas de carvalho, na sua maioria não novas, e o restante com cubas inertes para a preservação da fruta e evitar a micro-oxigenação. Mostra-se num bom momento para consumo, com fruta madura, notas de especiarias, ervas, e defumados lembrando incenso. Bom corpo, macio, caloroso, sendo uma ótima opção para noites frias.

Crozes-Hermitage confiável

Delas Freres Crozes-Hermitage des Grands Chemins 2010

Agora estamos no chamado Rhône Norte, onde impera o reino da Syrah em solo granítico. Muito cuidado com a apelação Crozes-Hermitage com cerca de 1.300 hectares de vinhas em uma vasta área ao redor do astro maior, o grande Hermitage. A diversidade de solos, topografia do terreno, ângulo de inclinação e a filosofia do produtor, podem levar a vinhos bem diversos e ao mesmo tempo, com exemplares decepcionantes. Neste caso, o vinho acima da bela safra de 2010 tem 92 de Robert Parker. Preço: R$ 225,00 (duzentos e vinte e cinco reais).

O vinho degustado, 100% Syrah, mostrou-se novo em cor, praticamente sem evolução. Seus aromas de frutas escuras, notas defumadas (embutidos), minerais e de especiarias estão bem presentes. Vinho de bom corpo, com um belo frescor, taninos presentes e de boa qualidade. Muito bem equilibrado e razoavelmente persistente. Deve evoluir bem em garrafa, sendo sua decantação obrigatória com boa aeração, sobretudo nesta fase de juventude. O vinho passa de 10 a 14 meses em barricas de um a três anos de uso, conforme a potência da safra.

Cornas com boa tipicidade

Delas Freres Cornas Chante Perdrix 2010

Continuando no Rhône Norte, temos a apelação Cornas 100% Syrah, como bela alternativa aos caros e badalados Hermitages. Chamado com certo exagero como Hermitage dos pobres, este terroir trata-se de vinhas encravadas num terreno de anfiteatro de clima quente e forte insolação. São vinhos potentes, densos e com bom poder de longevidade. Parker confere a este exemplar 90 pontos. Preço: 395,00 (trezentos e noventa e cinco reais).

O vinho degustado mostrou-se com uma cor escura, praticamente sem evolução. Seus aromas lembram frutas escuras em licor, alcaçuz, especiarias e traços de torrefação (café). Encorpodo, macio, e com boa tanicidade. Persistente, bem acabado e agradavelmente quente. Pede pratos encorpados. O vinho passa entre 14 e 16 meses em barricas de primeiro a terceiro uso, dependendo da safra.

Saint-Joseph de alta costura

Delas Freres Saint-Joseph Sainte Epine 2011

Neste ultimo exemplar, temos a apelação Saint-Joseph com 100% Syrah. Mais uma vez, cuidado!. Trata-se de uma apelação vasta em área de vinhas a sul de Côte-Rôtie. Novamente, a localização do vinhedo e a filosofia do produtor são fundamentais. Neste caso, estamos falando de um vinho muito especial de um vinhedo único (Vin Parcellaire) chamado Sainte Epine, produzindo apenas 4.000 garrafas por safra, e somente em anos especiais. Parker confere 93 pontos para este vinho. Preço: R$ 485,00 (quatrocentos e oitenta e cinco reais).

A safra de 2011 produziu vinhos agradáveis para beber jovens com taninos bem moldados. O vinho degustado apresentou cor muito semelhante ao Cornas, fato já diferenciado nesta apelação. Os aromas são muito elegantes com madeira fina. Aqui temos uma passagem por barricas novas entre 14 e 16 meses, conforme a safra. Mas de modo algum ela é dominante. Seus aromas mostram uma pureza de fruta, toques lácteos, florais e de especiarias. Relativamente encorpado, belo frescor e boa estrutura tânica. Boa persistência aromática, taninos muito finos e um final muito bem delineado. Falta um pouco de integração entre fruta e madeira, fator que certamente será solucionado com o devido tempo em adega. Um dos melhores Saint-Joseph já degustados.

Vinhos de Inverno

10 de Junho de 2015

Com a aproximação do inverno, os pratos ficam mais ricos, saborosos e intensos, sendo muito bem-vindos com as baixas temperaturas. E com o vinho não é diferente. O teor alcoólico é um bom indicador destas características. Portanto, vinhos encorpados do Novo Mundo encaixam-se perfeitamente neste cenário. Contudo, para aqueles que não abre mão dos europeus, alguns clássicos são imbatíveis.

Pensando na Itália, o grande tinto do Vêneto é o primeiro a ser lembrando, Amarone della Valpolicella. Vinho macio, quente e de taninos bem amalgamados. Os tintos do sul da Bota também cumprem seu papel. Primitivo de Manduria na Puglia, Taurasi com a uva Aglianico na Câmpania e os atualmente baldados tintos da Sicília. Logicamente, não esquecendo do Piemonte, temos os Barolos e Barbarescos calcados na temperamental casta Nebbiolo.

Grana Padano e Amarone: Casamento eterno

Agora dirigindo-se à França, tintos do Rhône e da Provença são os mais indicados. Châteauneuf-du-Pape é o mais emblemático. Como alternativas de preço, Gigondas e Vacqueyras são belas escolhas. O tinto Cornas baseado na Syrah é o legítimo representando do Rhône Norte. Da Provença, a apelação Bandol resume bem o poder da casta Mourvèdre, assim como outros tintos do sul da França. No sudoeste francês, como não lembrar das apelações Madiran e Cahors, baseadas respectivamente nas castas Tannat e Malbec, acompanhando os gordurosos e densos Cassoulet e Confit de Canard.

Canard e Cahors

Falando agora da Terrinha, Portugal tem nos vinhos alentejanos a força e o calor de seus tintos. Baseados no binômio Aragonês e Trincadeira, também conhecida em outras paragens como Tinta Roriz e Tinta Amarela, respectivamente. Porém, os tintos durienses não ficam para trás, principalmente levando-se em conta a dinamização recente da região conhecida com “Douro Boys”.

No outro lado ibérico, a Espanha mostra força nos robustos tintos do Priorato, calcados nas uvas Garnacha e Cariñena, as mesmas francesas Grenache e Carignan. Os potentes tintos de Ribera del Duero e de seu vizinho mais humilde da denominação Toro são também exemplos clássicos. Não esquecendo de Rioja, os estilos mais modernos e de certa potência, permitem enquadra-los neste cenário.

Safra histórica de Vintages (1994)

Para os vinhos de sobremesa ou de meditação, a península ibérica é especialista. Jerezes, Portos, Madeiras, Moscatéis, fazem boa companhia aos queijos mais curados, sobremesas mais intensas, na apreciação do Puros após jantares mais ricos, ou mesmo em apresentação solo, lendo um bom livro e ouvindo boa música, ou uma boa prosa. Quanto aos Puros (cubanos), marcas como Partagás, Bolívar e Cohiba, têm a força para o clima invernal.

Do lado francês, Banyuls e Maury são os fortificados mais perto do Porto, conhecidos também por Vin Doux Naturel. Já a Itália, os Passitos são emblemáticos. Essa denominação cai bem no sul do país com a ilha de Pantelleria. Já ao norte, a expressão Recioto emblematiza o mesmo processo. Não poderíamos deixar de mencionar o famoso Vinsanto, o vinho de meditação símbolo da Toscana.

Lógico que tudo isso vale para o Dia dos Namorados, data clássica em nosso calendário. Se você é daqueles que não abre mão do Champagne nesta ocasião, procure por exemplares mais densos, calorosos, como Bollinger, Krug, um Blanc de Noirs e evidentemento, os rosés, especialmente um Gosset.