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Screaming Eagle: Esse voa alto!

20 de Março de 2020

Para quem acha caro vinhos como Opus One, Caymus, Spottswoode, Silver Oak, e outros tantos cult wines americanos, não faz ideia dos preços de um Screaming Eagle que em safras recentes podem alcançar facilmente pelo menos três mil dólares a garrafa, a preços internacionais. Fora isso, a dificuldade em achar e ainda comprovar sua autenticidade.

Fundada em 1986, fez sua primeira safra em 1992 por preços estratosféricos para um Cabernet de Oakville, comuna que deu origem ao mítico vinho. A perspectiva é de 500 a 800 caixas por ano, sendo que em 2012 foi lançado um branco Sauvignon Blanc com média de 50 caixas por ano.

Se fizermos uma conta redonda, 20 hectares para 2000 garrafas do vinho principal, ou seja, um hectare para cada 100 garrafas. Um rendimento tão ridículo quanto seu preço. Quando novo, uma verdadeira tinta na taça. Continuando o raciocínio, o grande Chateau Latour com cerca de 80 hectares de vinhas faz por volta de 220 mil garrafas do chamado Grand Vin.  É uma questão de terroir, assemblage das vinhas, e séculos de experiência em fazer grandes vinhos. Já os americanos precisam concentrar mais suas vinhas, diminuírem rendimentos para um mesmo resultado final em teoria. Não há milagres!

napa valley rutherford oakville

comunas famosas em Napa Valle

Em 2012, a vinícola lança o chamado “second flight”, vinhas que foram desclassificadas para o primeiro vinho. Enquanto o primeiro vinho é dominado amplamente por Cabernet Sauvignon, o segundo vinho divide com a Merlot o blend para o Second flight.

Na verdade o chamada Second Flight começa com as safras 2006, 07, 08 e 2009, nos lançamentos dos vinhos principais. A partir de 2015, a nomenclatura muda para “The Flight”. 

A vinícola fica em Oakville do lado leste, perto de Dalla Valle. Do lado oposto em Mayacamas, temos Harlan Estate, Opus One e os vinhedos históricos To Kalon e Martha´s Vineyard. Vizinhança ilustre. A vinícola conta com praticamente 20 hectares de vinhas em solos rochososos de origem vulcânica, e todo tipo de pedra, ideal para o amadurecimento da Cabernet Sauvignon.

Screaming-Eagle and the flightThe Flight, mudado em 2015

O vinhedo tem 52 parcelas divididas em 60% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot, e 10% Cabernet Franc. A vinificação ocorre em tanques, barris, de acordo com a parcela em questão. Em média, o vinho é amadurecido 65% em barricas francesas novas por aproximadamente 20 meses, dependendo da safra.

É imprescindível sua decantação, sobretudo quando a safra for jovem. Mesmo em safras mais antigas, é bom abri-lo com no mínimo duas horas de antecedência. O vinho é muito concentrado, ricos em aromas  e com taninos de seda que vão se mesclar ao conjunto pouco a pouco.

screaming eagle box

a caixa tradicional com três garrafas

vinhos perfeitos, 100 pontos

O vinho da esquerda (Harlan) custa no mínimo três vezes mais que o Dominus porém, os vinhos se equivalem em qualidade, sendo o Harlan um estilo um pouco mais potente, enquanto o Dominus vai pela veia bordalesa de mais elegância. Contudo, ambos com muita classe e sutileza.

Pessoalmente, prefiro o Harlan Estate como grande vinho norte americano, praticamente o Latour das Américas, o qual também não é nada barato. Contudo, Screaming Eagle fica no vácuo, sobretudo a safra 1997 com 100 pontos Parker. Nas palavras de dele: “não há nada melhor do que o Screaming Eagle 97, um vinho perfeito”.

Portanto, Screaming Eagle 97 e Harlan Estate 94 são os melhores 100 pontos que já provei em termos de Cult American Wines. Quanto ao custo/benefício, se é que cabe este termo, o Dominus Estate de Christian Moieux, proprietário do Chateau Petrus, é uma pechincha e o mais bordalês de Napa Valley.

informações no contrarrótulo: Screaming Eagle

São vinhos de bom teor alcóolico, mas muito equilibrados em sabor e extração. Seu nivelamento se dá por cima com os componentes perfeitamente equilibrados. Muito raramente, se percebe o álcool com nitidez. Essa é a diferença dos grandes vinhos.

Baseado no fato acima é que a mais impactante degustação vista até hoje foi o célebre “Julgamento de Paris”, onde grandes vinhos franceses e americanos se confrontaram às cegas, julgados por juízes franceses em plena capital do vinho. Os resultados só demonstraram que a força da Califórnia é indiscutível, independente de números ou outras discussões subjetivas.

Neste sentido, continuo afirmando que os grandes vinhos californianos são os únicos capazes de confrontar a elite francesa. É lógico que estou falando dos “grandes”, pois a imensa maioria dos americanos continuam potentes e pendendo para o álcool. É o cenário que vemos nas poucas ofertas do mercado brasileiro.

Salmão Defumado e Gravlax

18 de Março de 2020

Dois dos mais pedidos tipos de salmão no mercado, restaurtantes e receitas. Amplamente difundido entre nós, geralmente como entrada e canapés. Há diferenças no preparo de ambos e evidentemente, nos vinhos a acompanhar.

salmão gravlax

Salmão Gravlax

É o processo nórdico, escandinavo de preparar o salmão. Os ingredientes são uma medida de açúcar, duas medidas de sal grosso, aneto ou dill e o salmão. Mistura-se os ingredientes, cobrir o salmão e deixa-lo por 48 horas na geladeira. Lava-se o salmão e pode fatia-lo finamente com faca apropriada, e servi-lo desde in natura, como em diversas formas, temperos e molhos.

Evidentemente, o frescor,  o gosto in natura do peixe, pede vinhos frescos, leves e de boa mineralidade. Os Sauvignons desta característica vêm sobretudo do vale do Loire são as primeiras escolhas. Alvarinhos, Albariños e Chablis, geralmente são muito minerais e de textura correta para o prato. Espumantes Blanc de Blancs e preferencialmente os champagnes são muito bem-vindos.

A madeira nesta caso não casa muito bem com a característica do peixe. Ela fica muito invasiva. Por outro lado, brancos sem madeira e de certa delicadeza são fracos para o prato. Penso que a mineralidade e a personalidade do vinho definem bem a questão.

Neste caso, os complementos mais pedidos são as pimentas aromáticas, ervas e mostardas não muito picantes. Raspas de limão e cítricos são bem-vindos. É uma entrada estimulante, aguçando as papilas gustativas para o que vem pela frente.

salmão defumado

Salmão Defumado

Esse é aquele salmão que compramos pronto e já embalado. Pode ser feito em casa, mas dá um certo trabalho. Normalmente, ele é previamente semicurado e posteriormente defumado com madeiras ou ervas. Esse toque defumado vai diferenciar o vinho em certas situações. É evidente que o grau de defumação, assim como o cozimento do peixe deve influir no resultado final. Estamos falando de um início Gravlax, seguido de leve defumação, sem comprometimento do peixe.

Esse toque mineral pendendo para o defumado, o branco Riesling é ideal. Se for o alemão, opte pelo estilo Trocken, bem seco, ou os alsacianos secos e minerais como Trimbach. Quanto mais envelhecido for o Riesling, maior o toque defumado apresentado, fugindo um pouco dos aromas florais e frutados.

Champagnes com longo tempo sur lies podem ser interessantes, pois a textura fica mais cremosa e os aromas mais complexos e intensos.

 Os Sauvignons de Bordeaux ou próprio corte bordalês branco me parece insuficiente para o prato. Tem um textura rica e falta um pouco de acidez ao conjunto.

Os Sémillons do vale do Hunter, Austrália, pode ser uma bela saída, pois são minerais e com o tempo em garrafa, desenvolvem aromas defumados muito interessantes.

Outra opção interessante é a uva grega Assyrtiko com mais de 60 anos de idade, plantada em vasos, na ilha de Santorini. Um vinho fresco, mineral, salino e de grande personalidade. Pode ir muito bem com o salmão defumado, inclusive o poderoso caviar.

No entanto, preste atenção na carga de madeira. Vinhos muito amadeirados e invasivos, podem deixar a combinação enjoativa e pouco estimulante. É sempre bom prestarmos atenção ao fato, deixando os toques defumados com a mineralidade  e outros aspectos de vinificação como tempo sur lies, por exemplo.

Uma combinação ousada seria o salmão defumado com Whiskies de Islay com forte teor de turfa, o que confere um casamento marcante e bem surpreendente.

salmao defumado e blinisa clássica receita de salmão defumado e creme azedo

Para suavizar o gosto do peixe defumado e até do próprio vinho, um dos acompanhamentos clássicos é o blinis com creme azedo (creme de leite e limão), substituindo com competência o clássico de blinis de caviar, tão caro em nossos dias.

Sempre é bom para uma entrada fresca e de personalidade como esses dois salmões, pensando em vinhos frescos, minerais, de boa personalidade. A Europa sempre sai na frente com exemplares clássicos.

É disso que o Polvo gosta!

12 de Março de 2020

Voltando aos assuntos de enogastronomia, temos o Polvo, um molusco sofisticado encontrado facilmente em nosso mercado. Para tanto, temos unúmeras receitas caseiras, clássicas e vários pratos em restaurantes. Neste caso, o vinho é parte importante do processo, dirigindo a um prazer maior à mesa.

O polvo se bem cozido, tem uma carne tenra de certa textura e um sabor peculiar que combina muito bem com a acidez e mineralidade dos vinhos. Pode ter eventualmente os mesmos problemas da lula em cozimento de poder ficar rijo ou borrachudo. É um prato que admite vinhos brancos nas preparações mais leves, passando por rosés, e eventualmente até tintos de certa leveza. Vamos a eles!

polvo salada

Salada de Polvo

Uma receita muito variada com ingredientes e a gosto do freguês. Em linhas gerais, tempos o polvo cozido com águas, caldos e temperos. As batatas corretamente cozidas, além de ervas como salsinha, coentro, cebolinha, pimentões, ceboba e azeitonas pretas. O ovo é opcional. Tempera-se com bastante azeite, acrescentando-se o limão, vinagre, ou balsâmico. Deve ser servida fria ou gelada. Um prato de entrada ou verão.

Na foto, uma versão sem batatas e ovos, mas com muito frescor. Neste caso, pela leveza do prato e por ser uma entrada, vinhos brancos frescor à base de Sauvignon Blanc vão bem. Procure por Sauvignons chilenos de vales frios, preservando a mineralidade e de textura mais rica. Combina melhor com a carne do polvo.

Voltando a Portugal, o Alvarinho da região do vinhos verdes é um bom parceiro, sobretudo de certa textura e com um leve toque de madeira. A uva Encruzado no Dão tem boa mineralidade e textura para o prato. Os espumantes portugueses de Tavora-Varosa de estilo Brut  pelo método clássico vão bem, sobretudo os rosés, um pouco mais encorpados.

polvo a lagareiro

Polvo a Lagareiro

Uma versão aproximada da salada de polvo, só que desta vez quente com as batatas assadas e muito azeite. O polvo é cozido da mesma maneira acima com temperos e depois e cortado. As batatas pequenas são cozidas com as casca em água e sal grosso. Posteriormente são secas e feitas ao murro. Além de ervas, temperos, alho e eventualmente azeitonas pretas, as batatas ao murro é adicionada na mesma travessa com temperos, polvo cortado e muito azeite antes do tudo ser servido.

Uma receita rica, de forno, que ainda deve ser acompanhada de vinho branco mais estruturado. Os brancos do Douro e Dão com alguma passagem por madeira vão muito bem. Se você gosta de mais acidez, os tradicionais Bucelas com a casta Arinto cumprem bem o papel com muita personalidade.

Se quiser algo mais para o tinto, um bom rosé estruturado pode cair bem. Os novos rosés de Portugal e a turma do Rhône mais ao sul são boas pedidas. Para os tintos, os taninos podem atrapalhar e para escolher vinhos de baixos taninos, falta personalidade ao vinho de uma maneira geral.

polvo arroz

Arroz de Polvo

Essa é a versão que não vai batatas na receita e sim, arroz. Ela não tem tantos temperos e acidez como a salada, mas é muito saborosa. Tem mais textura em boca e uma sugestão de vinho tinto em sua preparação. O polvo é cozido como nas outras vezes e o arroz é puxado no próprio molho do polvo. De todo modo, a umidade do prato para cada um é absolutamente individual. Pessoalmente, gosta de sentir uma certa umidade no conjunto.

Como trata-se de um prato principal, aqui podemos admitir certos tintos para a harmonização, sobretudo se eles fizerrem parte da receita. Os tintos do Dão um pouco mais jovens, sem passagem por madeira, podem ir bem por sua elegância, frescor, e taninos comedidos. Alguns tintos modernos da denominação Lisboa tem frescor para o prato. Entretanto, acho que rosés mais encorpados chegam melhor ao resultado final. Um bom rosé Bruto da Bairrada pode cair muito bem, assim como os rosés de Navarra na Espanha são boas pedidas.

Se a opção for brancos, que eles sejam um pouco mais estruturados e ricos em textura. A turma do Alentejo tem na casta Antão Vaz, a Chardonnnay local, com breve passagem por barrica, respostas seguras. Chardonnays de um modo geral vão bem com farta oferta no mercado. Desde que sejam equilibrados e com madeira elegante, podem cumprir o papel. Se a opção ainda for local e portuguesa, um belo Alvarinho das regiões de Monção e Melgaço com alguma passagem por barrica,tem força para o prato e a tão bem vinda mineralidade.

Enfim, o Polvo gosta de vinhos frescos, minerais e de certa textura em boca. A carga de madeira deve ser comedida, conforme a receita exija mais estrutura. Os rosés sâo muito bem vindos, desde que tenham certa estrutura e não sejam muito leves. Alguns tintos podem ser  admitidos, mas com muito cuidado. À medida em que sublimamos os taninos, o vinho pode ficar muito leve, atrapalhando a harmonização.

França: Geologia

9 de Março de 2020

Estudar os vinhedos franceses também é entender o que está há milhões de anos embaixo do solo. Não que explique tudo, mas é mais fácil compreender noções de terroir quando o solo aflora o que está por debaixo. Veja o seguinte mapa:

France geologie

como embaixo pode afetar em cima

Veja no mapa acima que a região do Loire, muito extensa, passa perto do oceano atlântico, tendo como base o maciço armoricano de granito e xisto. Isso é refletido no solo até a região de Anjou, aproximadamente. Dali para dentro do continente, a bacia parisiense começa a dominar, e temos um solo mais calcário, sobretudo em Vouvray.

champagne solo calcáriosubsolo calcário em Champagne

A mesma formação se encontra no Loire, perto de Vouvray, casas e compartimentos instalados na própria rocha (Maison troglodyte).

Continuando na bacia parisiense, temos a região de Champagne totalmente envolvida neste contexto com um solo extremamente calcário. Seguindo a leste de Champagne, temos a montanha de Vosges, uma série de transformações geológicas de natureza granítica, ricas em minerais, acrescida da depressão renana (fossé rhenan). Tudo isso fazendo parte de uma falha gigantesca de norte a sul no extremo leste françês. É por isso que a Alsace é tão diferente de Champagne em termos de clima e solo, pois a mesma é extremamente ensolarada no verão e barra todo frio e umidade oceânica vindo de oeste para a montanha de Vosges.

borgonha solos

No esquema acima, temos na inclinação da colina os melhores solos da Côte d´Or. A mistura abençoada de marga (argila e calcário) e calcário rico em fósseis, são ideiais para as uvas Chardonnay e Pinot Noir.

A Borgonha ocorre de um milagre espremida entre a grande falha onde o maciço central e os Alpes se deslocam, formando uma série de colinas, entre elas, a famosa Côte d´Or, um dos mais perfeitos terroirs em termos de solo, drenagem e exposição solar.

Continuando a falha mais a sul, temos a região do Rhône onde o granito predomina no norte, e a influência alpina refletida na Provence dá um solo mais erodido no sul do Rhône, com baixo relevo e muitas pedras e areia. Dali pra frente a falha se prolonga, separando definitivamente a região do Languedoc com a Provence.

cognac e chene

cognac e madeira:casamento perfeito

Por estar mais ao norte de Bordeaux e ter maior influência da bacia parisiense, a falta de proteção a oeste do oceano atlântico e a presença maior de calcário, faz desta região de Charentes, Cognac, um paraíso da uvas brancas ácidas, ideais para a produção da aguardente mais famosa da França. As exportações em valores de Cognac desta região supera todas as bebidas produzidas no território francês, inclusive Champagne e os vinhos de Bordeaux.

Finalmente sobra a oeste a grande e antiga bacia da Aquitânia, diferente morfogicamente da grande bacia parisiense. Nesta, o calcário ainda está muito presente na superfície, enquanto em eras geológicas mais antigas, a bacia da Aquitânia é rica em hidrocarbonetos, dando origem ao Petróleo e gás. Não se esqueçam que em Pauillac, há uma destacada refinaria de Petróleo na divisa de St-Estèphe e Pauillac. Por ser rica em cascalho, areia e argila, a região de Bordeaux pende mais para grandes tintos, enquanto na bacia parisiense, a produção destacada é de brancos, sobretudo Champagne e os vinhos do Loire.

maciço central carvalhoMaciço Central, a maior floresta de carvalhos na Europa

No maciço Central, o subsolo granítico com natureza mais metarmórfica superficialmente, é o lar ideal para os bosques de carvalho na Europa. Não só em quantidade, mas também qualidade, o carvalho francês está entre os mais valorizados do mundo.

mapa sul da frança

Sul da França com o mar mediterrâneo em solos complexos entre Languedoc e Provence, separados em Nîmes no delta do Rhône.

 

No sudoeste, abaixo da Aquitânia, houve uma forte pressão dos Pirineus, Maciço Central e Alpes,  formando outra bacia sedimentar do Sudoeste, o que conhecemos por Languedoc a oeste, e Provence a leste. Os solos são muito variados com areia, xisto, argila, calcário, arenito e pedras. Em linhas gerais, temos mais argila e xisto no Languedoc, enquanto no Provence temos solos variados com a presença do calcário. No que diz repeito a Roussillon, mais encostado nos Pirineus, sofre influência do mesmo com um releve mais montanhoso e xistoso.

Quanto ao Jura, uma cadeia de montanhas importante, de natureza argilo-calcária, surge da pressão do maciço central com a influência da fronteira franco suíça, outra cadeia de montanhas.

calvados et cidre

Calvados et Cidre (destilado e fermentado de maçãs)

A parte norte da França, composta basicamente por Normandia e Bretanha, fica numa latitude muito extrema para as vinhas. Em linhas gerais, temos mais granito e xisto na Bretanha, influência do maciço armoricano. Já na parte leste, o calcário predomina na Normandia com outras culturas fora a vinha. Região de maças, centeio, legumes e produção de leite.

Um panorama geral de toda a França, onde vinhos e destilados se superam, além de fornecer o melhor carvalho do mundo. A pauta de exportação da França no que se refere a bebidas (vinhos e espirituosos), muito importante para o governo francês,  perde entre outras coisas para os setores de exportação da Aeronáutica e Cosméticos.

 

A Sina dos Crus Bourgeois

4 de Março de 2020

Desde que foi criada em 1932 a famosa classificação dos Crus Bourgeois tudo parecia tranquilo, até que em 2003 resolveram mexer no vespeiro. A classificação que era hierarquicamente inferior, ficou completamente desmoralizada após vários chateaux famosos entrarem na justiça, exigindo seu direito de menção na classificação.

Após longas discussões e processos, resolveram fazer a atual classificação de 2020, onde 249 chateaux têm direito à sua respectiva classificação. Segundo os critérios, foram computados os valores médios de notas durante os últimos dez anos. A classificação admite 14 Chateaux com a menção “Crus bourgeois Exceptionnel”, 56 Chateaux com a menção “Cru Bourgeois Supérieur”, e 179 Chateaux com a menção “Cru Bourgeois”. Se vai pegar, não sei, mas é o que temos para o momento.

cru bourgeois 2020

mapa do Médoc

A parte superior do mapa chamada de Médoc é a mais carente em classificação, e portanto, a que mais necessita de números absolutos. São 115 chateaux onde devemos separar o joio do trigo.

Já na região abaixo, onde circunda as principais comunas, temos o Haut-Médoc, sub-região de terroir supostamente melhorado pela presença do cascalho. Aqui temos 88 chateaux para escolher, onde os critérios são mais restritos.

Por fim, nas comunas mais restritas a esquerda como Listrac, Moulin, e à direita como St Estèphe, Pauiilac e Margaux, temos poucos exemplares a escolher. Normalmente, o vinho é mais caro devido à força de seu terroir.

O médoc trabalha com cerca de 28 milhões de garrafas para esta categoria de vinho, representando 31% da produção de todo o Médoc. Números significativos para uma produção que trabalha com a elite de vinhos finos tintos da região.

Não nos esqueçamos que fora desta classificação fica chateaux confiáveis como Gloria, Sociando-Mallet e Chasse Spleen, Tour de By, Maucaillou, Potensac, e alguns ótimos de St Emilion,  sempre altamente reputados.

A categoria Cru Bourgeois sempre teve sua importância histórica em termos de qualidade, imediatamente abaixo dos Grands Crus Classés da região, vinhos de alta reputação e preços nas alturas. Após essas categorias temos os Crus Artisans, Caves Coopératives, e outros Crus, totalizando 16 mil hectares de vinhas e 100 mil garrafas de vinhos em todo o Médoc.

Three_Cru_Bourgeois

cru bourgeois confiáveis

Os Crus Bourgeois sempre foram motivo de curiosidade e bons preços frente aos figurões “Grand Cru Classé”. Nomes consagrados como Chasse-Spleen (Moulis), Poujeaux (Moulis), Haut-Marbuzet (St. Estèphe), Le Ormes-de-Pez (St. Estéphe).

Alguns dos chateaux listados atualmente merecem certo destaque. Evidentemente, não vou falar de todos, apenas o que julgo ser importante, naturalmente com devidas falhas e esquecimentos. Chateau Castéra, Noiallac, Clément Pichon, Larose Trintaudon, Plantey, d´Agassac, Belle-Vue, d´Arsac, le Boscq.

Chateau Castéra

É um Cru Bourgeois Supérieur do Médoc,  região norte a Saint-Estéphe, segundo classificação atual de 2020. É um forte concorrente ao Chateau Potensac, também do Médoc. É composto basicamente de Merlot, complementado por Cabernet Sauvignon e umas pitadas de Cabernet Franc e Petit Verdot. Já estava classficado em 1932 e suas vinhas concorriam com os Cru Clássés da região em 1855.

Chateau Noiallac

É também um Cru Bourgeois Supérieur do Médoc, próximo a Castéra, segundo classificação atual de 2020. É um corte mais puxado para o Cabernet Sauvignon, embora a Merlot ainda seja majoritária. Tem 5% Petit Verdot. Não é um chateau com a tradição de Castéra, mas tem um vinificação moderna e consistente.

Chateau Clement-Pichon

É um Cru Bougeois Supérieur do Haut-Médoc, segundo a atual classificação de 2020. Fica na parte bem ao sul de Margaux, abaixo do Chateau La Lagune. Tem muita tradição pois estão ligados aos Pichons (Baron e Lalande, duas estrelas de Pauillac). Seu blend é baseado na Merlot (dois terços) e um terço de Cabernets, sobretudo o Cabernet Sauvignon. Um vinho consistente.

chateau larose-trintaudon cru bourgeoispodemos dizer: um clássico de St-Julien

Chateau Larose Trintaudon

É um chateau clássico muito bem localizado, próximo as vinhedos de Latour e próximo também à comuna de St-Julien. Atualmente, é um Cru Bourgeois Supérieur do Haut-Médoc, segundo a classificação de 2020. Seu blend privilegia a Cabernet Sauvignon, sem esquecer a maciez da Merlot. Chateau consistente que envelhece muito bem.

chateau plantey pauillac

um rótulo clássico em Pauillac (raridade)

Chateau Plantey

O único chateau Cru Bourgeois da classificação atual de 2020 com o nome de Pauillac no rótulo. Seus vinhedos são antigos e ficam muito próximos ao do Chateau Pontet-Canet, uma das sensações de Pauillac. Vem marcado pelo excelente Cabernet Sauvignon de Pauillac, sem esquecer a suavidade da Merlot. Um rótulo clássico com a distinção de Pauillac.

Chateau d´Agassac

Este é o primeiro Cru Bourgeois Exceptionnel do Haut-Médoc, segundo a classificação atual de 2020. Bem ao sul de Margaux, na comuna de Ludon-Médoc, situa-se o chateau d´Agassac com terroir pedregoso e arenoso. Calcado no Cabernet Sauvignon nas boas safras, sem esquecer o charme da Merlot. Vamos falar em seguida do chateau d´arsac, de nome parecido e muito próximo  a este excelente chateau.

Chateau d´Arsac

É um Cru Bourgeois Excptionnel pertencente à comuna de Margaux, pois Arsac é um dos cinco vilarejos que fazem uma das comunas mais famosas do Médoc. Mesmo corte do chateau acima, mas num terroir ligeiramente diferente. Os dois chateaux têm história e tradição.

Belle Vue

É considerado um Cru Bourgeois Exceptionnel, segundo a classificação atual de 2020. Fica na comuna de Labarde (Margaux), mas é considerado um Haut-Médoc. É um vinho com mais Cabernet Sauvignon e Petit Verdot (pode chegar a 20%, dependendo da safra), deixando a Merlot como coadjuvante. É um vinho austero que envelhece bem.

chateau le boscq st estephe

um autêntico St-Estèphe

Chateau Le Boscq

Por fim, o Chateau Le Boscq, atualmente um Cru Bourgeois Exceptionnel de Saint-Estèphe. Ele é um dos Tops da lista e bem o merece. Faz parte do grupo Durthe Bordeaux. Não confundir com Le Petit Boscq, um Cru Borgeois Supérieur atualmente, e também um belo vinho, de Petit não tem nada. Voltando ao Le Boscq, ele está classificado desde 1932, tem muita tradição e é um autêntico St-Estèphe. Mescla muito bem as Cabernets com o Merlot num balanço muito equilibrado. Fica bem ao norte de St-Estéphe, perto do rio onde há um solo de cascalho.

 Procurei dar uma ideia atual da situação dos Cru Bourgeois, sempre muito difícil ao longo da história. Espero sinceramente que esta classificação atual ponha um ponto final na conturbada trajetória desta importante apelação.

Hermitage Branco

27 de Fevereiro de 2020

Muito se fala do hermitage tinto, deixando desapercebido o grande branco do Rhône. A grafia Ermitage ou Hermitage tem muito mais haver com a dificuldade inglesa em pronunciar o nome. No entanto, Ermitage sem h parece ser a original. A apelação Hermitage trata-se de uma colina granítica muito bem posicionada de 136 hectares de vinhas, sendo os tintos Hermitages 70% da produção e 30% para os Hermitages brancos.

Esse é um branco diferente, pois as uvas são diferentes, uma dupla Marsanne e Roussanne, sendo a primeira geralmente majoritária. O Hermitage branco tem a fama de não possuir muita acidez, assim como seu parceiro do Rhône Norte, Condrieu, feito com a uva Viognier de baixa acidez. De fato, a discussão é longa, alguns achando que o vinho deva envelhecer, outros não, aproveitando o frescor da juventude. O Chateau Grillet, um monopólio da apelação Condrieu com a uva Viognier, de 3,5 hectares tem apelação própria para deixar a discussão mais acirrada.

Voltando ao Hermitage branco, este sim,  é um vinho que deve envelhecer e sobretudo decantando por horas antes do serviço, pois seus aromas são muito redutivos. Geralmente, tem uma fase pouco expressiva na juventude e só vai desenvolver bem a partir dos dez anos em garrafa. Funciona um pouco como o Sémillon australiano de Hunter Valley, mais especificamente de Mount Pleasant. Um branco exótico que desenvolve seus aromas e sabores aos poucos.

Marsanne

Uva do Rhône gostando de vinhedos de encosta, solo pedregoso, e dias ensolarados no amadurecimento. Sua acidez é média e seus aromas são discretos, sobretudo em seu lento desenvolvimento. Seus aromas são de ervas, toques florais, mel, e amêndoas com o passar do tempo em garrafa.

Roussanne

Tem características semelhante à Marsanne, mais é menos vigorosa e mais delicada. Partilha do mesmo terroir. Seus aromas delicados e florais são mais evidentes. Participa geralmente com baixa porcentagem no corte.

Solos e Climats

hermitage lieux ditsos vários terroirs da montanha

De uma maneira geral no mapa acima, percebemos que os setores esquerdos da montanha são famosos pelo grandes tintos Hermitage como Les Bessardes, Le Méal, Les Greuffieux. 

Os setores no meio da colina começam mesclar uvas tintas e brancas. Vale lembrar que um bom Hermitage tinto pode conter até 15% de uvas brancas (Marsanne e Roussanne). O lieu-dit Maison Blanche é muito reputado pelo plantio de uvas brancas. O subsolo é sempre granítico, mas os solos da superfície variam entre a argila, quartzo, e solos aluviais.

Os setores leste e de borda como Les Murets, por exemplo, é famoso por suas uvas brancas. O Ex-Voto, Ermitage Blanc do Guigal, tem a maioiria de vinhas em Les Murets, de solo aluvial e pedregoso.

No caso do Hermitage Blanc de Jean-Louis Chave, os vinhedos de borda são Les Recoules, Maison Blanc, Peléat e L´Ermite, entre outros. Um vinho elegante que se desenvolve muito bem ao longo do tempo. A mescla de vários terroirs da montanha é um dos segredos dos grandes vinhos de Chave.

dois grandes brancos de Chave

Os exemplos acima falam por si deste excelente produtor. O da esquerda é um grande Hermitage branco de guarda que custa caro perto da concorrência, mas o da direita é o Blanche com uvas de segunda linha para um vinho mais informal, continua muito estruturado e longevo, mostrando a seriedade deste produtor. Um custa dez vezes o preço do outro, mas vale a pena.

exemplo de seleção parcelar de Chapoutier

Os exemplos acima são da formidável seleção parcelar de Chapoutier, um dos maiores nomes do Rhône. No da direita, um exemplo de Ermitage branco de grande corpo e estrutura do terroir L´Ermite. Seleção de velhas parcelas de Marsanne num dos terroirs mais antigos da colina, L´Ermite.

O da esquerda é do terroir L´Orée, pertencente à parcela Les Murets de vinhas Marsanne antigas. É um solo antigo, aluvial, mas de não tanta profundidade como L´Ermite. Um vinho com um pouco mais de frescor e um pouco mais leveza.

dois belos brancos do Rhône

Falando um pouco do Chateauneuf-du-Pape Blanc, tem um produção pouco expressiva no Rhône-Sul. Em seu assemblage participa ativamente as uvas Clairette e Bourbolenc. A Grenache Blanc tem pouco participação, assim como Marsanne e Roussanne, já comentadas. Mesmo para bons produtores, é um vinho que não deve envelhecer devido à sua oxidação prematura, exceto em cuvées especiais. É o caso do Clos de Papes branco, bem longe das pretensões de seu ótimo tinto.

Já o exemplo da esquerda é uma exceção. Um branco excepcional do Chateau de Beaucastel, elaborado exclusivamente com Roussanne, uva de difícil cultivo. São apenas três hectares de vinhas plantadas em 1901. Portanto, sua vinificação é especial e moldada para longa guarda. Um vinho diferenciado e elegante para padrões da apelação.

Enfim, é um assunto vasto e específico para vinhos brancos pouco convencionais. Assim como o Hemitage tinto que demanda paciência, os Hermitages brancos são de uvas diferentes que exigem tempo em garrafa. Vale decanta-los com antecedência e são muito gastronômicos como comidas exóticas, sobretudo as asiáticas e alguns pratos da nossa cozinha brasileira do nordeste como baião de dois e outros pratos consistentes. Substituem perfeitamente os tintos em termos de corpo e estrutura. Vale para pratos de inverno.

Margaux: Terroir e Vinhos

22 de Fevereiro de 2020

Das quatro comunas famosas do Médoc, margem esquerda de Bordeaux, saem os quatro Premier Grand Cru Classé, além de outros vinhos de grande estirpe. A comuna de Margaux tem certas particularidades que não são comuns às outras três: Saint-Estèphe, Pauillac, e Saint-Julien, todas elas praticamente coladas entre si.

No caso de Margaux, os chateaux ficam espalhados em torno das aldeias, ou seja, eles ficam mais pulverizados em relação às outras comunas. Além desta característica, a mão e o estilo do produtor pesam nas condições de terroir.

medoc comunas

Margaux, um pouco isolada

Os setores mais longe rio nós chamamos de Haut-Medoc que circundam as outras comunas mais famosas. O cascalho pode aparecer, mas ele é mais escasso e aparece em talhões isolados neste território. Vejam pelo mapa acima que o cascalho presente nas três comunas tem uma parte descontinuada e volta aflorar em Margaux.

Podemos dizer que os vinhos de Saint-Estèphe tem taninos mais firmes, acidez mais destacada e um certa rusticidade em relação às outras comunas. Isso se deve à maior proporção de argila no terreno. Pauillac por vez, tem alta proporção de cascalho e excelente drenagem. Vinhos que aliam potência e elegância, fornecendo três tintos Premier Grand Cru Classe (Latour, Mouton e Lafite). Por fim, Saint-Julien, comuna que não tem o mesmo brilho de Pauillac, mas uma destacada regularidade.

medoc margaux

as comunas de Margaux

Das cinco comunas que aparecem no mapa de Margaux, a comuna homônima é a mais importante, dando o mesmo nome ao único Premier Grand Cru Classé da região, Chateau Margaux.

É interessante notar que os tintos de Margaux são marcados pela elegância e finesse, falando-se muito da Merlot no corte. Contudo é prudente notar que os grandes vinhos de Margaux tem alta porcentagem de Cabernet Sauvignon na mistura, a começar pelo grande Margaux. Acontece que o cascalho da comuna de Margaux é diferente. São calhais brancos de grande profundidade num solo acinzentado com alguma proporção de calcário, o que confere extrema finesse ao vinho. Isso é tão relevante que o Cabernet Sauvignon de Margaux parece ser mais leve e fino que o próprio Merlot elaborado num sítio comum.

Notem que as comunas de Margaux, Cantenac e Labarde são as que mais refletem este terroir. Elas têm proximidade do rio e um teor de cascalho maior. Na parte norte em Soussans, o cascalho quase desaparece, aumentando a proporção de argila. Neste cenário os vinhos são mais robustos e pesados, ficando a finesse em segundo plano. Por fim, a comuna de Arsac fica mais no interior da apelação, semelhante às comunas de Listrac e Moulin, no que diz respeito à distância do rio. Os solos contêm algum cascalho, mas há mais presença de areia, o que torna o vinho mais leve. Essa condição a sul de Margaux é uma característica de Macau e Ludon-Médoc. Os exemplos típicos deste tipo de vinho são Chateau Cantemerle e Chateau La Lagune, os quais são considerados Haut-Médoc de destaques.

margaux comunaconcentração nas comunas principais

Chateau d´Issan  x  Chateau Margaux

Se a comparação não vale pela fama e prestígio, em preço e condições de terroir podemos conversar. Notem que a distância do rio em relação aos dois chateaux são idênticas, separada por pouco mais de um quilômetro entre eles.

No Chateau d´Issan, tradicional desde a idade média, temos uma área menor de 44 hectares de vinhas com solo pedregoso, argila e algum calcário. Essas condições de terreno faz a proporção de Merlot aumentar, embora  a Cabernet Sauvignon seja ainda majoritária.

img_7328sempre em caixas de madeira

No Chateau Margaux temos outra situação. O vinhedo é praticamente o dobro com 80 hectares de vinhas. O solo é mais pedregoso, embora com argila e calcário. Este fato faz com que a Cabernet Sauvigon seja amplamente majoritária com mais de 70% no corte. Portanto temos um vinho muito mais longevo e estruturado. Embora com estas características, Margaux  é um vinho de extrema finesse dada pelos calhais de seu terreno,  aliada à uma estrutura monumental. A parte mais calcária do terreno temos um fato singular no Médoc. A expressão de um autêntico Sauvignon Blanc de larga tradição.  O branco mais prestigiado do Médoc.

Esses vinhos podem ser adquiridos na importadora Clarets com preços competitivos. Os dois chateaux, Margaux e d´Issan, apresentam várias linhas de produção e preços, de acordo com seu bolso. A vantagem do d´Issan além do preço, é sua prontidão mais adiantada neste momento. http://www.clarets.com.br

img_7337briga de titãs

Na bela safra 1983 para Margaux, os chateaux acima travam uma batalha acirrada ao longo do tempo. Por enquanto, Palmer está na frente com 98 pontos.

Chateau Palmer

O segundo vinho na hierarquia de Margaux, após a Grand Vin Chateau Margaux. Em algumas safras se rivalizam em alto nível como 1961 e 1983, numa difícil disputa. Os solos de Palmer ficam entre os calhais pedregosos, argila e areia. Aqui o aporte da Merlot é significativo, podendo em alguns anos superar o Cabernet Sauvignon. No entanto, apresenta classe e uma estrutura monumental para envelhecimento em garrafa. É um estilo intermediário, não tem a força do Chateau Margaux, mas tem mais um lado mais feminino desta comuna. 

Em linhas gerais, a comuna de Margaux sofre nas safras não tão boas. O solo mais frio de calhais e o próprio calcário não contribuem para o perfeita amadurecimento das uvas em alguns anos. No entanto, nas grandes safras, Margaux costuma fazer os vinhos mais finos de todo o Médoc.

Vinhos e Solos

15 de Fevereiro de 2020

Quando pensamos numa região francesa com tamanha variedade de vinhos, estilos e solos, além da extensão do rio Loire em todo seu percurso, percebemos melhor o conceito de terroir e sua interação com clima, solos e uvas.

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panorama geral da região

O Loire tem aproximadamente 57 mil hectares de vinhas com cerca de 50 apelações de vinhos. Seu percurso ronda perto de 800 quilômetros de extensão. Suas quatro cepas e quatro vinhos principais são pela ordem: Cabernet Franc, Chenin Blanc, Melon de Bourgogne (Muscadet), e Sauvignon Blanc. Por estas características seus melhores vinhos são brancos (41% à base de Chenin Blanc, um pouco de Muscadet e Sauvignon Blanc), tintos e rosés (43% à base de Cabernet Franc), e 14% de espumantes (localmente chamado de Fines Bulles).

De toda a produção, os franceses ficam com 79% (253 milhões de garrafas) e a exportação fica com 21% (67 milhões de garrafas), provando que os franceses entendem de vinhos de estilos variados e são muito gastronômicos. Os outros países não entenderam totalmente a questão, tendo muito a fazer em termos de exportação, sobretudo em países de terceiro mundo.

loire climas

Clima Atlântico sendo rechaçado ao longo do continente

Na região atlântica do Muscadet a infuência marinha é muito grande. À medida que vamos caminhando para Angers e Saumur,  esta influência vai diminuindo com maior impacto do clima continental. Aqui estão sobretudo as apelações Muscadet, Savennières (Chenin seco) e os famosos Coteaux du Layon, englobando Quarts de Chaume e Bonnezeaux.

loire geologia

A geologia comandando o terroir

Neste contexto, temos total infuência do maciço armoricano (massif armoricain), uma das mais antigas geologias com rochas ígneas do tipo granito, mica, e gneiss. Gera vinhos delgados e de muita boa acidez como o Muscadet. Em relação à Chenin Blanc, cepa do médio Loire, sob a ação do xisto (rocha metamórfica), gera Chenin Blanc seco de incrível acidez  e mineralidade como o Savennières. Já os doces Coteaux du Lyon com incrível acidez gera vinhos profundos e equilibrados. Os Quarts de Chaume e Bonnezeaux são vinhos intensos e profundos, segundo padrões do Loire.

Em contrapartida a região de Saumur e sobretudo Tours estão amplamente dominados pelo calcário da bacia parisiense (massif parisien), uma bacia sedimentar. Os vinhos têm muito boa acidez, mas são sutis e delicados. É o caso dos tintos à base de Cabernet Franc, e os Chenins sob a denominação Vouvray.

É facil fazer a experiência de um quarts de chaume com um vouvray moelleux. Os dois são Chenin Blanc, mas um de xisto, outro de calcário. O Quarts de Chaume vai parecer mais intenso e robusto, enquanto o Vouvray vai parecer mais delicado e elegante, embora com ótima acidez. Apesar da aparente fragilidade, o Vouvray suporta envelhecimento em garrafa bastante prolongado, por anos. É a expressão mais fiel dos vinhos alemães na França. Foto abaixo. 

um de xisto, outro de calcário

92042eb2-fae5-49ed-8ae1-bfd00d10f8e8a personalidade do calcário

O da esquerda feito no Valle de Uco, Argentina, o da direita, um típico Cabernet Franc de Tours. A leveza e a mineralidade dos dois são notáveis. O primeiro de uma área específica do Valle de Uco, Guatallary, é um terroir aluvial com presença de calcário ativo importante. O segundo nesta região de Tours, o calcário se faz presente, mostrando leveza e elegância. Em terras distantes entre si, o calcário une estilos de vinhos semelhantes. O primeiro é importado pela Grand Cru e o segundo importado pela World Wine (uma referência desta apelação). Fotos acima.

Cabernet Franc

No caso da Cabernet Franc, a mesma coisa. Apelações como Chinon e Bourgueil de Tours, sobretudo, são de uma delicadeza que a Cabernet Franc não encontra em outras paragens. É o solo calcário comandando o estilo delicado e elegante do vinho. Já os tintos de Saumur-Champigny são dominados mais pelo xisto que encomtrar em Saumur, portanto um pouco mais intensos e estruturados.

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bem típico da apelação

Sauvignon Blanc

No caso do Sauvignon Blanc do extremo Loire, bem a leste, as apelações Sancerre e Pouilly-Fumé são muito interessantes. A própria apelação Pouilly-Fumé em determinados solos lembram os bons Chablis pela mineralidade, embora de cepas diferentes. Num destes solos calcários, temos o Kimmeridgiano ou Kimméridgen, o qual são solos de animais marinhos (ostras, sobretudo) calcinados na rocha. São os solos encontrados em Chablis e na própria apelação Pouilly-Fumé, que conferem aos vinhos a incrível mineralidade. 

fbd58601-33cc-4dac-82ff-c32bf4e2df18muito típico de Vouvray

Um belo espumante elaborado pelo método clássico com notas de mel e brioche, lembrando alguns champagnes. Importado pela Mistral.

Fines Bulles

Podemos dividir os espumantes em apelações mais conhecidas e regionais. Por exemplo: Anjou e Cremant de Loire. No primeiro, o solo é dominado por xistos, conferindo aromas de damascos e mel, e uma presença mais floral da Sauvignon e Chardonnay. São espumantes mais densos que os demais. Já Cremant de Loire, os solos são muito variados, mas os espumantes costumam ser mais estruturados que a média da região.

Os espumantes de Saumur vêm de solos de transição com um pouco de xisto e a maioria calcário. São espumantes de médio corpo com notas de frutas brancas, amêndoas grelhadas e baunilha.

Por fim, os espumantes de Touraine e Vouvray. São feitos pelo método champenoise, sobretudo os Vouvray. As notas são de mel, brioche e frutas em compotas. São delicados e elegantes, regidos pelo calcário.

img_7317vinho verde típico com leveza e off-dry

Este Vinho Verde elaborado pela Adega Guimarães dá uma boa ideia de tipicidade, frescor e leveza. Trazido pela importadora Grand Cru.

Vinho Verde x Mucadet

A região do Vinho Verde em Portugal tem influência oceânica e origens antigas do mesmo maciço que a região do Nantes, Maciço Armocariano, ou seja, granito. Só que esta região está na latitude 41 a 42 N, enquanto Nantes, a região do Muscadet está na latitude 47 N. As uvas também não são as mesmas. Enquanto na região do vinhos verdes, temos Arinto, Trajadura, Loureio e Azal, entre outras, a região de Muscadet tem uma só uva que se chama Melon de Bourgogne, uma uva bem mais discreta. Com isso, a região dos vinhos verdes com uvas mais aromáticas e latitude mais baixa, consegue elaborar vinhos aromaticamente mais expressivos, embora conserve leveza e acidez. Já a região do Muscadet, bem mais fria e uma uva menos expressiva, dá vinhos mais discretos aromaticamente, também com muita acidez. Portanto, o perfil do vinho em termos de leveza e frescor se conserva nos dois casos, pelo subsolo granítico. 

Flagey-Echezeaux: Parte II

11 de Fevereiro de 2020

Para entender a diferença entre um Echezeaux e um Grands-Echezeaux é só coloca-los lado a lado, sendo de um mesmo domaine, por exemplo DRC. Talvez seja a dupla DRC com diferenças mais distintas. Enquanto Echezeaux é delicado, mais aberto, mais feminino, Grands-Echezeaux vai se mostrar mais fechado, mais viril, mais masculino e encorpado.

geologie vougeot e musigny

Grands-Echezeaux: junção de Musigny e Clos Vougeot

De fato, o Grands-Echezeaux se mostra um vinho duro, sobretudo quando jovem. É um vinho de lenta maturação que envelhece com muita propriedade. Se lembrarmos que as parcelas mais a sul tem maior proporção de argila no solo, deixando os vinhos mais encorpados e fechados, faz todo o sentido para os vinhos de Grands-Echezeaux.

Veja pelo mapa acima que a proporção de argila sobre o calcário é maior em Grands-Echezeaux. Isso tem a haver com o Clos Vougeot elaborado nas partes mais alta da colina, os quais são mais encorpados e consistentes. Já subindo a colina para o terroir de Echezeaux, percebemos que a proporção de calcário aumenta, deixando os vinhos mais leves e elegantes.

83e9a44c-6276-45eb-8da6-f1bb688e5bbd1988: um vinho desenvolvido, mas inteiro

Observando os mapas abaixo, vemos que Grands-Echezeaux está a sudeste do mapa com uma área perto de um quarto do vinhedo maior Echezeaux, ou seja, aproximadamente nove hectares de vinhas.

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comuna espremida entre gigantes

Bem ao sul de Flagey-Echezeaux temos os vinhedos Villages acompanhando a divisa de Clos Vougeot à esquerda, enquanto bem ao norte, temos alguns Premier Cru, num clima mais fresco.

flagey echezeauxGrands-Echezeaux em destaque

Se DRC em Echezeaux tem boa parte do vinhedo em relação aos outros produtores concentrado sobretudo na parcela Les Poulaillères, em Grands-Echezeaux esse domínio chega a 40% do vinhedo.

Se em Echezeaux há controvérsias da superioridade do DRC, em Grands-Echezeaux há quase uma unanimidade no assunto. Além da larga vantagem de área, o Grands-Echezeaux DRC é muito bem estruturado.

grands-echezeaux DRCDRC – parte central do vinhedo

  1. Domaine de La Romanée-Conti – 3,5263 ha
  2.  Mongeard-Mugneret – 1,4440 ha
  3.  Thenard – 0,54 ha
  4.  d´Eugenie – 0,50 ha 
  5.  Joseph Drouhin – 0,47 ha
  6.  Henri de Villamont 
  7.  Gros Frère et Souer – 0,3662 ha 
  8.  Desaunay-Bissey – 0,34 ha
  9.  Lamarche – 0,3007 ha
  10.  Georges Noellat – 0,30 ha
  11.  Clos Frantin – 0,25 ha
  12.  Jean-Marc Millot – 0,2015 ha
  13.  Coquard-Loison-Fleurot – 0,1755 ha
  14.  Robert Sirugue – 0,12 ha 

Na idade média Grands-Echezeaux era propriedade de Abadia de Citeaux. Após a revolução francesa a propriedade foi adquirida pela família Marey. A família Duvault foi proprietária de alguns lotes até chegar às mãos do DRC.

Fora Mongeard-Mugneret que é especialista na área, as demais parcelas têm menos de meio hectare de vinhas.

img_6498Mugneret: um dos vinho confiáveis deste produtor

Domaine d´Eugenie

Foi criado em 2006 pelo milionário Pinault, proprietário entre outros vinhedos do Chateau Latour. Ele comprou vinhedos de Rene Engel, tradicional vinhateiro deste terroir. Como precisava de uma área para vinificação, entrou no negócio a parcela de Clos Frantin, já fazendo parte da safra 2009. 

DRC – Grands-Echezeaux

Suas vinhas de pouco mais de 3,5 hectares localizam-se no centro do vinhedo e tem idade média de 52 anos. Sua produção anual gira entre 10 mil e 12 mil garrafas. Um vinho que envelhece lentamente, mas com muita propriedade.

f42d824a-b0d8-4836-a386-ca95b59263a3duas belas garrafas de estilos diferentes

Na foto acima, o grande embate do vinhedo Echezeaux. Jayer é pura delicadeza, desengaçando os uvas. Apesar de aparente fragilidade, é um vinho de enorme longevidade com uma riqueza aromática impressionante. Já o DRC segue uma linha mais encorpada, embora seu Echezeaux seja o mais feminino e delicado do grupo de Grands Crus. Uma parada difícil para uma decisão definitiva.

rene engel_grands_echezeaux

Domaine Rene Engel

Um tributo ao incrível Domaine que por cem anos passou nas mãos dos talentosos René, Pierre e Philippe Engel, fazendo vinhos fantásticos sob as apelações: Clos Vougeot, Echezeaxu e Grands-Echezeaux. As safras 71, 90 e 2002 são lendárias. Seus sucessores foram Domaine d´Eugenie que esperamos que tenha o mesmo sucesso de seu antecessor. Seus vinhos agora estão em leilões e talvez sejam os únicos a competir de igual para igual com Domaine de La Romanée-Conti, sobretudo na taça. 

Alguns Grands-Echezeaux podem rivalizar com o Grand Cru Musigny, embora sem a mesma elegância e certa rusticidade. Um Musigny de Vogüé pode ser parada dura pela proximidade de estilos. Outros produtores de destaques são Noellat e a família Gros.

Bordeaux na virada do Milênio

8 de Fevereiro de 2020

De tempos em tempos é sempre bom revisar alguns Bordeaux que estão evoluindo em garrafa como é o caso da safra 2000. Safra esta um tanto fechada que demanda muito tempo em garrafa. Os grandes desta safra só entrarão no auge por volta de 2050. Foi o que fizemos num belo almoço no badalado restaurante Le President de Eric Jacquin. 

Salão Privê e taças Zalto bordalesas

carpaccio com caviar

Tudo começou com um belo Chevalier-Montrachet 2009 de Madame Leflaive abrindo os serviços. Um vinho de 94 pontos num estilo próprio de leveza, mas com profundidade. Toques cítricos e uma madeira elegante completamente integrada ao conjunto. Foi muito bem com um carpaccio recheado de temperos e caviar. Numa das fotos, você mistura tudo e enrola, fatiando todos os sabores.

img_7307as primeiras surpresas!

Os quatro classificados classe A de Saint-Emilion num painel surpreendente. Os dois da ponta mais tradicionais e menos estruturados que o meio. A começar pelo Ausone, um vinho delicado, pouco tânico, afável, bem ao contrário do que poderia se esperar. Ele costuma misturar Merlot e Cabernet Franc em partes iguais. Em seguida o Chateau Pavie, um vinho de 100 pontos e um dos destaques da safra. Neste ano fez um blend de 60% Merlot, 30 Cabernet Franc, e 10% Cabernet Sauvignon. Muito bem estruturado, denso, e final elegante. Lembrava alguns anos do Cheval Blanc.

Na sequência, Chateau Ângelus 2000, um dos grandes destaques do almoço. Certamente, o vinho menos pronto do painel com uma estrutura monumental. Um dos grandes Ângelus da história com 60% Merlot e 40% Cabernet Franc. O que impressiona neste vinho é seu corpo e sua estrutura tânica. Um vinho com notas de incenso, defumado e notas de tabaco. Seu auge está previsto par 2045. Um vinho que atualmente deve ser obrigatoriamente decantado.

Por fim, um Cheval sem o mesmo brilho de outras safras. O blend é parecido com o anterior tendo 53% Merlot e 47% Cabernet Franc. Um vinho como sempre elegante, bem equilibrado, mas sem a estrutura para uma longa guarda.

img_7308painel sem surpresas!

Começando pelo Latour, um vinho com 77% Cabernet Sauvignon, 16% Merlot, 4% Cabernet Franc e 3% Petit Verdot. Um vinho encorpado, taninos finos e um toque de couro característico. Já o Mouton, outro Pauillac com 86% Cabernet Sauvignon e 14% Merlot. Foi o vinho mais pronto do painel e talvez do almoço com taninos polimerizados, aromas francos e desenvolvidos com a nota característica de café.

Na sequência os mais elegantes. A começar pelo Lafite com 93,3% Cabernet Sauvignon e o restante Merlot. Um vinho com essa porcentagem de Cabernet Sauvignon e com essa elegância, sem ser pesado. Sua acidez cortante e sua tensão foram fatores decisivos para sua descoberta. Por fim, Chateau Margaux, um blend muito parecido com o anterior, sendo 90% Cabernet Sauvignon e o restante Merlot. Novamente, a elegância impera com um dos melhores Margaux da história. É um vinho de lenta evolução, um tanto fechado no momento, necessitando de decantação. Previsão de apogeu, entre 2050 e 2060. 

cordeiro e entrecôte

Foram muitas carnes sempre raladas a trufas pretas. Entre magret, entrecôte e cordeiro, tivemos uma minifeijoada à moda do chef e uma mousseline de batata com trufas.

img_7309um flight polêmico!

A começar pelo Haut-Brion com 99+ pontos, um vinho praticamente perfeito. Com 51% Merlot, 43% Cabernet Sauvignon e uma pitada de Cabernet Franc, um vinho de muita estrutura e longevidade. Seu apogeu está previsto entre 2050 e 2060. Seus aromas de animais e de estábulo eram muito discretos e uma estrutura tânica monumental. Praticamente um empate técnico com o seul rival La Mission, um dos vinhos da safra. Este tem 58% Merlot, 32% Cabernet Sauvignon e 10% Cabernet Franc. Embora possa parecer mais macio que seu oponente, o vinho tem uma estrutura e uma elegância notáveis. Um vinho também para esquecer na adega e se for prova-lo agora, uma longa decantação.

Por fim, as revelações mais polêmicas do painel e do almoço. Começando pelo Petrus, simplesmente  o vinho da safra com 100 pontos e apogeu previsto acima de 2060. A descrição é de um vinho bem encorpado, longa persistência e muita cor. Descritores que não batiam com a amostra num vinho mais frágil e completamente aberto. Das duas uma, ou o vinho era falso ou trocaram o vinho na decantação, pois foi servido às cegas. Ou então havia problemas com esta garrafa. Já tomei esta safra e o vinho era totalmente diferente. Passando para o Leoville, um vinho que entrou no apagar das luzes, um dos melhores Leovilles da história. Um vinho rico, muito estruturado e de longa guarda. Encarou de frente o Petrus, um vinho com custo dez vezes mais. Realmente, Leoville é um deuxième subestimado por muitos. Um final polêmico e surpreendente.

um dos Portos mais exclusivos e históricos!

Um Porto que tive o privilégio de degusta-lo algumas vezes. Seus aromas (toques divinos de violeta e licor de cereja) e sua persistência em boca são excepcionais. O mil-folhas com frutas vermelhas estava divino.

Falando um pouquinho mais do Noval Nacional, são vinhas pré-filoxera de rendimentos muito baixos. Nos anos em que é elaborado, são apenas 250 caixas em média de produção para apenas 2,5 hectares de vinhas frente aos 145 hectares da propriedade. Fazendo as contas estamos falando de apenas 9 hectolitros por hectare, redimento de Chateau d´Yquem. Para completar, a safra é excepcional, demonstrando a juventude do vinho. Não poderia ter final melhor!

Foi o primeiro grande encontro da confraria em 2020 com muitos confrades presentes. Que o ano todo seja regado a vinhos excepcionais como estes e o clima festivo e descontraído dos presentes. Que Bacco nos proteja!