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A cápsula cortada

6 de Julho de 2026

Como o mercado de leilões e a especulação pós-morte transformam vinhos raros em ativos financeiros imunes ao teste da taça


Em 29 de junho, às 11h06 pelo horário de Londres, encerrou-se o leilão do lote 251 da casa britânica Sotheby’s: uma garrafa Magnum (dobro do tamanho normal) de Vosne-Romanée Cros Parantoux 1978, de Henri Jayer. O catálogo descreve a garrafa em minúcias e como a autenticidade teria sido checada: o líquido está a 4,3 centímetros abaixo da base da rolha, a etiqueta mostra dano leve, a cápsula que recobre a rolha foi “cortada e rasgada durante o processo de autenticação para revelar uma rolha marcada com a safra, mantida no lugar com fita adesiva transparente”.

A estimativa dos lances variava de 40 mil a 55 mil libras (entre 300 mil reais a R$ 400 mil reais — por uma garrafa. O preço do lance vitorioso ou se houve disputa pela garrafa não aparecem no site: para vê-lo, é preciso ter conta na casa de leilões para ter participado.

A garrafa tem biografia. Saiu de um leilão em Hong Kong, em junho de 2018; passou pela adega de um colecionador, foi revendida em Hong Kong em outubro de 2021; teve a autenticação confirmada em abril de 2025; e agora reapareceu. Em novembro de 2024, dez garrafas do mesmo vinho, mas na safra 1999, saídas da adega do mesmo colecionador, somaram 219.160 euros, pouco mais de um milhão de reais.

Henri Jayer morreu em 20 de setembro de 2006 na Borgonha – seus vinhos passaram então a ser vinificados pelo sobrinho. O nome e a data são usadas pelas casas de leilão e pelos colecionadores para explicar por que garrafas podem custar o preço de um imóvel. A lógica é simples: o viticultor morreu, não fará mais vinho, o que existe é o que está na adega, o preço sobe. Cada vez mais a equação tem sido usada.

Henri Jayer moldou a identidade moderna da Borgonha ao inverter a lógica de grande produção do pós-guerra por meio de uma produção focada em rendimentos mínimos por videira e na rejeição de fertilizantes sintéticos. Sua capacidade de leitura da terra fixou-se em Cros Parantoux, um “jardim” de apenas 1,01 hectare pedregoso e negligenciado, que hoje se tornou um dos mais caros vinhedos do mundo.

Jayer replantou os vinhedos durante a Segunda Guerra Mundial. “É um vinhedo ingrato. É preciso usar explosivos para abrir um buraco e plantar uma videira de reposição”, relatou Henri Jayer em um livro. Ele também observou que durante a guerra eram plantadas alcachofras de jerusalém. Hoje, seu sobrinho e outra propriedade vinificam ali.

No Rhône, Noël Verset virou referência além dos críticos. Permaneceu na região de Cornas, quando a crise econômica e os empregos em fábricas levaram os agricultores a abandonar a atividade. Trabalhando por 75 anos na área, manteve a produção ativa por meio de métodos tradicionais buscando sempre engarrafar o melhor. Sem herdeiros para o negócio, Verset vendeu suas terras gradualmente para outros produtores da região, o que impediu o desaparecimento dos vinhedos e garantiu a continuidade da atividade agrícola local.

Sua última safra comercial foi a de 2000; seguiu fazendo vinho para a família até 2006. Entre a última garrafa e o obituário há nove anos. O “vinho camponês” de Verset chegou a ser vendido a cerca de 500 dólares a garrafa — e isso enquanto ele ainda vivia, confinado num asilo, sem tocar numa videira havia mais de uma década. As garrafas existentes, sob seus cuidados, são vendidas hoje em milhares de euros.

Em 17 de setembro de 2008, Didier Dagueneau decolou num ultraleve perto de Hautefaye, na Dordonha. Logo após a decolagem, perdeu o controle e morreu na hora, aos 52 anos. Dagueneau cobrava por seu Sauvignon Blanc de Pouilly-Fumé preços que a denominação nunca vira, com rendimentos muito baixos e o uso de cavalos no lugar de tratores que os vizinhos empregavam. A propriedade não parou. O filho, Louis-Benjamin, assumiu a adega e faz o vinho até hoje. Finitas ficaram apenas as garrafas que Didier tinha tocado e se tornaram artigo de luxo.

Quando um produtor de vinhos morre, surge uma pergunta: quanto do preço se deve à morte e quanto à escassez que já existia antes dela? A pergunta tem resposta acadêmica na arte. Economistas medem o “efeito morte” nos preços de pintores há décadas. O resultado não confirma a intuição de quem está à frente das casas de leilões. Três economistas – Robert B. Ekelund, John D. Jackson e Robert D. Tollison – publicaram em artigo e livro um estudo sobre o tema. Observaram os preços subindo nos anos que antecedem a morte e caindo no ano em que ela ocorre; batizaram o padrão de “aposta num funeral iminente”, o mercado precificando a escassez futura enquanto o artista ainda respira.

Um trabalho de 2025 no Journal of Cultural Economics achou prêmio pós-morte nos leilões, maior para artistas jovens e de pouca reputação. Não há consenso sequer sobre o sinal do efeito. Sobre o vinho, não se conhecem estudos a fundo sobre o tema, mas há uma diferença: o líquido acaba quando a garrafa é aberta, a pintura sobrevive na parede.

A escassez explica a oferta, mas não explica quem paga. Depois que o produtor morre e a garrafa passa a mudar de mãos sem ser aberta, negociam-se o nome, a procedência, o preço. A psicologia do consumo sugere que esses sinais não apenas acompanham a experiência. Em experimento de 2021, publicado na revista acadêmica Food Quality and Preference, psicólogos suíços destacaram que um preço inflado no rótulo tornou mais agradável um vinho barato. Em provas às cegas, só especialistas classificam vinhos caros como mais prazerosos (embora errem em muitos casos), enquanto entre leigos a relação desaparece ou inverte. O estudo indica que, quando o rótulo carrega mais informação do que a taça, ele se torna produto. E um morto é o rótulo mais definitivo que existe, porque nada mais que ele fizer poderá contradizê-lo.

Quem arrematou o lote 251 na manhã de 29 de junho em Londres buscava uma experiência gustativa, se divertir entre amigos ou especular?

Abaixo uma degustação às cegas entre Romanée Conti e Cros Parantoux que o site teve o privilégio e a sorte de participar:

Lembrando que a primeira edição da revista digital de vinho sem segredo pode ser solicitada por:

Maceração Pré Fermentativa

3 de Abril de 2020

Não confundir com Maceração Carbônica, muito utilizada no processo de fermentação do Beaujolais com a uva Gamay, processo diferente que utiliza também o gás carbônico em forma gasosa.

maceração carbonica

maceração carbônica: escalonada

À medida em que a saturação da cuba vai se enchendo de CO2, a fermentação intracelular começa a acontecer na parte superior da cuba, extraindo aromas frutados, cor e poucos taninos. No interior da cuba, vai havendo um processo de transição até chegar à fermentação alcoólica propriamente dita. A maceração carbônica é um processo curto de poucos dias, onde os beaujolais mais simples são submetidos. A abertura total ou parcial da cuba é importante no processo. Os grandes beaujolais (crus) têm grande fermentação relativamente à pouca maceração.

Maceração Pré Fermentativa a Frio para vinhos tintos

Na Borgonha com a uva Pinot Noir, Henri Jayer foi um dos precursores do processo, submetendo suas uvas a baixas temperaturas, extraindo cor, aromas e poucos taninos. Lentamente, a subida de temperatura é gradual, aproveitando de maneira prolongada e suave todo o processo fermentativo, onde os taninos estão mais presentes, mas sempre somente das cascas (totalmente éraflage, desengaçar as uvas).

maceração a frio controlada

Tem que haver um equilíbrio no tempo pré-fermentativo

A maceração a frio controlada por alguns dias pode equilibrar amargor, persistência, cor, aromas e tipicidade, taninos moderados, para um bom processo fermentativo.

Maceração Pré Fermentativa a frio (MPF)

A utilização deste processo admite CO2 no estado sólido (gelo seco). O ponto de fusão deste CO2 é de menos 57° C, muito negativa. Para o gelo seco ou neve carbônica podemos chegar a temperatura a menos 80° C. Neste processo não estado liquido, temos a sublimação que é a passagem do estado sólido diretamente para o estado gasoso. É por isso que nos refrigerantes e bebidas espumantes, não há diluição do gás no liquido. A proporção recomenda é de 200 gramas de gelo seco para cada hectolitro na cuba, ou seja, de 12 a 13 kg de gelo seco (glace carbonique) numa cuba de 300 hectolitros. Isso é suficiente para baixar a temperatura acima de 5° C por cerca de dez dias.

glace carbonique tintos

gelo seco nas uvas antes da fermentação

gaz carbonique sublimation

os estados da matéria

No caso da água propriamente dita, ela passa facilmente pelos três estados citados acima, sólido (gelo), liquido (como a conhecemos) e em forma de valor (quando aquecemos). Já no CO2 é diferente, seu estado liquido é muito instável e só acontece sob determinadas condições de temperatura e pressão. Portanto, é muito mais fácil passar pela sublimação, ou seja, direto do estado sólido (gelo seco) para o gasoso (neve carbônica).

gaz carbonique ponto critico

fases instáveis da matéria

Nos pontos triplos e críticos, podemos ter o estado liquido momentâneo, onde os três estados da matéria coexistem, mas as condições de pressão e temperatura são muito especificas e instáveis. É por isso que na gastronomia molecular vemos certas “mágicas” que nos impressionam nos pratos e alimentos. Shows também pirotécnicos em eventos são muito comum nesta especialidade.

Brettanomyces

É importante uma certa sulfitação para proteger o mosto do Brettanomyces, levedura de baixa fermentação. Esses mostos são muito ricos em fruta, ésteres, e baixo níveis de polifenóis extraídos. Portanto, o SO2 é um importante bactericida no combate ao Brettanomyces.

Conclusões finais

Para os vinhos tintos da Bourgonge, o ganho de maceração a frio é significativo em termos de aromas e substâncias corantes, desde que não seja muito prolongada. Neste caso, usou-se neve carbônica na razão de 100 g por quilo de uva, a uma temperatura média de 8° C a 10° C por cinco dias.

 

Flagey-Echezeaux: Parte II

11 de Fevereiro de 2020

Para entender a diferença entre um Echezeaux e um Grands-Echezeaux é só coloca-los lado a lado, sendo de um mesmo domaine, por exemplo DRC. Talvez seja a dupla DRC com diferenças mais distintas. Enquanto Echezeaux é delicado, mais aberto, mais feminino, Grands-Echezeaux vai se mostrar mais fechado, mais viril, mais masculino e encorpado.

geologie vougeot e musigny

Grands-Echezeaux: junção de Musigny e Clos Vougeot

De fato, o Grands-Echezeaux se mostra um vinho duro, sobretudo quando jovem. É um vinho de lenta maturação que envelhece com muita propriedade. Se lembrarmos que as parcelas mais a sul tem maior proporção de argila no solo, deixando os vinhos mais encorpados e fechados, faz todo o sentido para os vinhos de Grands-Echezeaux.

Veja pelo mapa acima que a proporção de argila sobre o calcário é maior em Grands-Echezeaux. Isso tem a haver com o Clos Vougeot elaborado nas partes mais alta da colina, os quais são mais encorpados e consistentes. Já subindo a colina para o terroir de Echezeaux, percebemos que a proporção de calcário aumenta, deixando os vinhos mais leves e elegantes.

83e9a44c-6276-45eb-8da6-f1bb688e5bbd1988: um vinho desenvolvido, mas inteiro

Observando os mapas abaixo, vemos que Grands-Echezeaux está a sudeste do mapa com uma área perto de um quarto do vinhedo maior Echezeaux, ou seja, aproximadamente nove hectares de vinhas.

flagey echezeaux 2

comuna espremida entre gigantes

Bem ao sul de Flagey-Echezeaux temos os vinhedos Villages acompanhando a divisa de Clos Vougeot à esquerda, enquanto bem ao norte, temos alguns Premier Cru, num clima mais fresco.

flagey echezeauxGrands-Echezeaux em destaque

Se DRC em Echezeaux tem boa parte do vinhedo em relação aos outros produtores concentrado sobretudo na parcela Les Poulaillères, em Grands-Echezeaux esse domínio chega a 40% do vinhedo.

Se em Echezeaux há controvérsias da superioridade do DRC, em Grands-Echezeaux há quase uma unanimidade no assunto. Além da larga vantagem de área, o Grands-Echezeaux DRC é muito bem estruturado.

grands-echezeaux DRCDRC – parte central do vinhedo

  1. Domaine de La Romanée-Conti – 3,5263 ha
  2.  Mongeard-Mugneret – 1,4440 ha
  3.  Thenard – 0,54 ha
  4.  d´Eugenie – 0,50 ha 
  5.  Joseph Drouhin – 0,47 ha
  6.  Henri de Villamont 
  7.  Gros Frère et Souer – 0,3662 ha 
  8.  Desaunay-Bissey – 0,34 ha
  9.  Lamarche – 0,3007 ha
  10.  Georges Noellat – 0,30 ha
  11.  Clos Frantin – 0,25 ha
  12.  Jean-Marc Millot – 0,2015 ha
  13.  Coquard-Loison-Fleurot – 0,1755 ha
  14.  Robert Sirugue – 0,12 ha 

Na idade média Grands-Echezeaux era propriedade de Abadia de Citeaux. Após a revolução francesa a propriedade foi adquirida pela família Marey. A família Duvault foi proprietária de alguns lotes até chegar às mãos do DRC.

Fora Mongeard-Mugneret que é especialista na área, as demais parcelas têm menos de meio hectare de vinhas.

img_6498Mugneret: um dos vinho confiáveis deste produtor

Domaine d´Eugenie

Foi criado em 2006 pelo milionário Pinault, proprietário entre outros vinhedos do Chateau Latour. Ele comprou vinhedos de Rene Engel, tradicional vinhateiro deste terroir. Como precisava de uma área para vinificação, entrou no negócio a parcela de Clos Frantin, já fazendo parte da safra 2009. 

DRC – Grands-Echezeaux

Suas vinhas de pouco mais de 3,5 hectares localizam-se no centro do vinhedo e tem idade média de 52 anos. Sua produção anual gira entre 10 mil e 12 mil garrafas. Um vinho que envelhece lentamente, mas com muita propriedade.

f42d824a-b0d8-4836-a386-ca95b59263a3duas belas garrafas de estilos diferentes

Na foto acima, o grande embate do vinhedo Echezeaux. Jayer é pura delicadeza, desengaçando os uvas. Apesar de aparente fragilidade, é um vinho de enorme longevidade com uma riqueza aromática impressionante. Já o DRC segue uma linha mais encorpada, embora seu Echezeaux seja o mais feminino e delicado do grupo de Grands Crus. Uma parada difícil para uma decisão definitiva.

rene engel_grands_echezeaux

Domaine Rene Engel

Um tributo ao incrível Domaine que por cem anos passou nas mãos dos talentosos René, Pierre e Philippe Engel, fazendo vinhos fantásticos sob as apelações: Clos Vougeot, Echezeaxu e Grands-Echezeaux. As safras 71, 90 e 2002 são lendárias. Seus sucessores foram Domaine d´Eugenie que esperamos que tenha o mesmo sucesso de seu antecessor. Seus vinhos agora estão em leilões e talvez sejam os únicos a competir de igual para igual com Domaine de La Romanée-Conti, sobretudo na taça. 

Alguns Grands-Echezeaux podem rivalizar com o Grand Cru Musigny, embora sem a mesma elegância e certa rusticidade. Um Musigny de Vogüé pode ser parada dura pela proximidade de estilos. Outros produtores de destaques são Noellat e a família Gros.

Flagey-Echezeaux: Parte I

6 de Fevereiro de 2020

As comunas famosas da Côte de Nuits são muito comentadas, discutidas e classificadas em estilo, mas Flagey-Echezeaux é pouco falada, envolta num certo mistério e muitas vezes absorvida pela famosa comuna contígua de Vosne-Romanée. Aliás, classicamente aprendemos os seis Grands Crus famosos do DRC como sendo todos de Vosne-Romanée, mas expremida entre Vosne, Vougeot e Chambolle, Flagey-Echezeaux tem vida própria com dois Grands Crus.

flagey echezeaux

Echezeaux subdividido e Grands-Echezeaux ao lado

  1.  Echezeaux du Dessus
  2.  Les Poulaillères
  3.  En Orveaux
  4.  Les Champs Traversins
  5.  Les Rouges du Bas
  6.  Les Beaux Monts Bas
  7.  Les Loächausses
  8.  Les Cruots au Vignes Blanches
  9.  Clos St. Denis
  10.  Les Treux
  11.  Les Quartieres de Nuits

Depois de Clos de Vougeot, Echezeaux com 37 hectares é o Grand Cru mais fragmentado da Côte de Nuits. Em linhas gerais, as parcelas que ficam mais ao norte tem mais areia na proporção do solo, gerando vinhos mais leves e elegantes. Já os vinhedos mais ao sul, tem maior porporção de argila no solo, gerando vinhos mais ricos e encorpados. Muitos vinhos são feitos com a mistura de vários terroirs. Neste sentido, não basta possuir as melhores terras. Um bom produtor que arrenda vários vinhedos é capaz de fazer uma boa mistura (cuvée) e sair-se muito bem em seu produto final.

Em todo caso, as melhores parcelas estão localizadas em Les Poulaillères (quase um monopólio DRC), Les Cruots ou Vignes Blanches, Les Champs Traversins e Echezeaux du Dessus. Já Les Treux, Les Loächausses, e Clos St Denis, ficam num segundo plano. As demais parcelas num terceiro nível.

Domaine Jean Grivot

Esse é um dos especialistas em Echezeaux, assim como tem um dos mais consistentes Clos de Vougeot, Grand Cru também de enorme heterogeneidade. Seus vinhedos ficam em Les Cruots. Sua ligação com a família Jayer vem de longe e foi nessas vinhas que o mito Henri Jayer fez um de seus melhores vinhos, Echezeauxs de cuvées espetaculares. 

Liger-Belair Echezeaux

Um vinho que tem se destacado demais e de filosofia completamente diferente do produtor acima. Liger-Belair não é proprietário das vinhas em Echezeaux e sim as arrendada da família Lamadon, a qual tem fortes laços de amizade.

Dos seis lotes em Echezeaux, Liger-Belair trabalha em três parcelas do vinhedo: Les Cruots (a maior parcela com 0,3299 ha), Champs Traversin, e a menor parcela em Clos St Denis. Esse é o trabalho de mix de parcelas falado a pouco onde Liger-Belair tem o coração do vinho calcado em Les Cruots, Champs Traversin dando leveza ao conjunto, e Clos St Denis um pouco mais de robustez.

echezeaux hospices de beaune

Hospices de Beaune

Esse é um vinho inédito em Echezeaux, o qual as vinhas foram doadas pelo abastado Jean-Luc Bissey, cuja a família possui terras na região há quatro gerações. Pelo mapa abaixo, a parcela é justamente a número 8 que em tempos antigos pertencia a Echezeaux du Dessus e não a Rouget du Bas, como consta atualmente.

A vinificação e supervisão fica a cargo dos enólogos do Hospices de Beaune. As vinhas foram replantadas em 1945 e a primeira safra desta cuvée é de 2012. Até então, as vinhas eram utilizadas para o vinho de Mongeard Mugneret denominado Vieilles Vignes. Além desta cuvée Echezeaux, Hospices de Beaune faz mais duas cuvées espetaculares, Clos de La Roche e Mazis-Chambertin.

Das onze parcelas subdivididas, Echezeaux du Dessus é a mais reputada. Ela está localizado bem no centro do vinhedo, acima de Grands-Echezeaux. Esta parcela de 3,55 ha é a única que inclue o nome Echezeaux, fazendo referência a Grands-Echezeaux que originalmente não era separado como Grand Cru do vinhedo original.

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subdivisão de Echezeaux du Dessus

  1.  Jayer Gilles – 0,5361 ha
  2.  Niquet Jayer – 0,5285 ha
  3.  Michel Noellat – 0,5097 ha
  4.  Cecile Tremblay – 0,1775 ha
  5.  Jean-Marc Millot – 0,5981 ha
  6.  Mongeard Mugneret – 0,3300 ha
  7.  Domaine des Perdrix – 0,8730 ha
  8.  Hospices de Beaune – 0,4380 ha 

Os produtores acima são os proprietários da parcela mais reputada. Notem que a parcela 8 está fora de Echezeaux du Dessus, dentro de Les Rouges de Bas, atualmente. É que antes da reclassificação dos vinhedos, esta parcela 8 pertencia ao terroir de Echezeaux du Dessus. Atualmente, é um lote do Hospices de Beaune.

echezeaux jayer-gilles

Jayer Gilles

A ligação da família Jayer com o vinhedo Echezeaux é quase visceral. Temos aqui um lote de pouco mais de meio hectare de vinhas encostado à parcela Les Poulaillères, quase um monopólio do domaine DRC. Um dos vinhos mais tradicionais e emblemáticos da apelação.

Falando um pouco mais da família Jayer, somando os dois vinhedos acima (Gilles e Niquet), temos 1,07 hectares de vinhas. Elas foram compradas em 1933 do DRC provavelmente para financiar os vinhedos de La Tache. São vinhos tradicionais e fieis à sua origem. 

Michel Noallet e Cecile Tremblay

Essas duas famílias de algum modo tem ligações de parentesco com os Jayers. Noellat faz vinhos confiáveis, enquanto Cecile faz produções bem pequenas no estilo Jayer de vinificação. Seus vinhos são difíceis de encontrar.

Por fim, Domaine Jean-Marc Millot Cuvée 1949, lançado em 2017 com vinhas velhas de Echezeaux du Dessus é um vinho profundo que retrata fielmente este terroir tão especial. 

Próximo encontro, os vinhos de Grands-Echezeaux. Não percam!