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Encontro Mistral: Parte I

9 de Junho de 2016

Atualmente, é muito comum as grandes importadoras de vinho promoverem encontros entre suas principais marcas e seus clientes ou potenciais consumidores. Quem começou tudo isso, bem lá atrás, foi a importadora Mistral, referência em grandes rótulos no cenário mundial.

Sempre com grande público, é difícil pinçar um grupo de vinhos em meio a tantos expoentes. Em todo caso, sob alguns critérios como novidade, curiosidade, bom preço, além da qualidade do produto, separamos alguns rótulos em destaque.

Gaía

Não confundir com Gaja, o grande nome do Piemonte também importado pela Mistral. Neste caso, estamo falando da Grécia, terra dos vinhos lá na Antiguidade. Quem já leu o livro do grande sommelier italiano, Enrico Bernardo, campeão mundial em Atenas na Grécia, pode verificar sua menção ao belo Vinsanto da ilha de Santorini. Elaborado com a uva autóctone Assyrtiko, é um vinho que deve ser conhecido. Original, concentrado, muito equilibrado, e longo em boca. Precisa ser um toscano muito bom para poder ombreá-lo. E digo mais, em termos de qualidade e com preço bem menor, é o que mais se assemelha aos Vinsantos do consagrado produtor toscano de Montepulciano (não a uva e sim, o vilarejo), o excepcional Avignonesi, também trazido pela Mistral.

vinsanto gaia

Ilha de Santorini (Santa Irene)

Não deixe de provar o exótico branco Thalassitis, 100% Assyrtiko, totalmente seco. Proveniente de parreiras antigas cultivadas num sistema peculiar em forma de cesto, é um branco extremamente seco, mineral, e de grande frescor. Lembra por esta mineralidade, os brancos de Chablis e alguns Rieslings. Ótimo com peixe in natura (sashimi) e caviar.

anima negra

Ànima Negra

O nome é estranho, exótico e misterioso, como os vinhos deste produtor espanhol da ilha de Mallorca. Trabalhando com várias uvas autóctones, os vinhos têm distinção e caráter. Em especial, o vinho Àn, isso mesmo, Àn, é elaborado com a tinta Callet de parreiras muito antigas. Com rendimentos baixíssimos (300 gramas por planta), o vinho apresenta grande concentração, força, mineralidade, além de muito equilíbrio. Quem diz que passa 18 meses em barricas francesas novas? Uma beleza! e na adega, vai longe … Prove, arrisque, saia da casinha.

quarts de chaume

Domaine des Baurmard

Baumard é um dos grandes nomes do Loire na sub-região de Anjou, elaborando brancos da casta Chenin Blanc, tanto secos como doces. Secos, na apelação Savennières e doces botrytisados, especialmente na apelação Quarts de Chaume. Vinho de bom corpo, mas não tão invasivo como Sauternes. Bela acidez, muito equilibrado e delicado. Pode envelhecer por décadas. Seus Savennières também são confiáveis.

brundlmayer

Weingut Bründlmayer

Produtor austríaco de exceção com brancos muito bem cotados. A casta típica do país é a agradável Grüner Veltliner, além de Rieslings surpreendentes. Os dois brancos provados com Grüner Veltliner provêm da mesma região, em torno da cidade de Langelois a 70 km de Viena. O primeiro denominado Berg Vogelsang, tem os vinhedos situados em baixas altitudes, proporcionando vinhos mais macios. Já o segundo, sob a DAC Kamptal, parte de vinhedos em terraços com maior altitude, gerando vinhos mais frescos, mais agudos. É bem perceptível esta diferença. A propósito, DAC é uma espécie de denominação de origem austríaca.

O terceiro branco é um Riesling de Kamptal. Com aromas bem típicos da casta (toque mineral), sua textura fica entre os rieslings alemães, um pouco mais magros, e os alsacianos, mais encorpados. Pode ser uma boa descoberta para quem gosta de Riesling. Foto acima dos três vinhos.

brundlmayer riesling

Riesling com doçura peculiar

Agora falando em vinhos doces, o da foto acima, é um Riesling de vinhedo (Heiligenstein) cujo solo é de origem vulcânica. Trata-se de um Beerenauslese (uvas botrytisadas) com 11º de álcool e pouco mais de 160 gramas de açúcar residual. Elegante, delicado e super equilibrado. Divino com torta de maçã.

kracher eiswein

Eiswein: vinho do gelo

Fechando os vinhos doces, temos o rótulo acima, um Eiswein do produtor Kracher, referência em vinhos botrytisados austríacos na região de Burgenland. Esta região é a maior concentração de Botrytis do planeta devido a um lago raso e de grandes dimensões (área de exposição) que aliado a condições climáticas especificas, proporcionam o bom desenvolvimento da Botrytis com uma consistência invejável, ano após ano. Este exemplar mescla as uvas Grüner Veltliner e Welschriesling (riesling itálico) num vinho de ótima acidez e álcool equilibrado, combatendo bem o destacado açúcar residual. Especificamente no Eiswein, não há botrytis. As uvas são colhidas congeladas com alta concentração de açúcar. Na prensagem das mesmas, o gelo fica na prensa e temos um mosto intensamente doce e ácido para a fermentação.

pesquera reserva

Pesquera Reserva

Durante muito tempo, os vinhos de Alejandro Fernandez ficaram à sombra do mito Vega-Sicilia, também importado pela Mistral. Ribera del Duero de grande categoria, a bodega Pesquera molda tintos elegantes, bem equilibrados em todas as categorias; Crianza, Reserva e Gran Reserva. A uva é a onipresente Tempranillo, conhecida localmente como Tinto Fino. Este Reserva Especial provado esbanja classe e equilíbrio. Um verdadeiro clássico da “Milla do Oro” (região nobre de Ribera).

pesquera dehesa

grande pedida em Tempranillo

Saindo um pouco da badalação, o grupo Pesquera é proprietário da bodega Dehesa La Granja, situada fora da zona de Ribera del Duero, sob a denominação Vinos de la Tierra de Castilla y León. Este Cosecha 2006 provado no encontro, mostrou-se com muita fruta, madeira equilibrada e final persistente. 100% Tempranillo com 24 meses de roble americano, e mais 12 meses em repouso na bodega. Praticamente, as exigências de um Reserva. Bela compra.

Grand Cru Tasting: Destaques I

4 de Maio de 2016

Como acontece periodicamente, a importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) realiza um belo evento mais uma vez na Casa da Fazenda Morumbi. Lugar lindo, charmoso e de muita descontração. No lado externo, dá até para fumar um Puro com os fortificados da casa, evidentemente depois da degustação, e se houver tempo para tal.

São muitos vinhos dos mais variados estilos, categorias, produtores e regiões. É difícil especificar alguns destaques. Pessoalmente, seguem algumas sugestões de compras seguras.

Os vinhos de entrada, incluindo espumantes.

fritz haag

Um clássico do Mosel

É difícil bater um bom riesling em elegância, delicadeza e pureza de aromas. O exemplar acima traduz bem isso. Grande produtor do Mosel, Fritz Haag é um quatro estrelas no guia Hugh Johnson. Além de ser um branco de entrada, aperitivos, pode acompanhar bem pratos leves do mar, além de carnes levemente defumadas.

broglia gavi

branco delicado

Um clássico piemontês, Gavi é uma denominação tradicional de brancos com a uva Cortese. Muitos deles, insípidos e desinteressantes. Neste caso, um vinho leve, sutil e agradavelmente perfumado. Além de entradas e aperitivos, os pratos eventualmente de acompanhamento devem ser bem delicados.

villa crespia

blanc de blancs da Lombardia

Franciacorta é considerada a “Champagne” da Itália. Localizada na Lombardia, junto ao lago Iseo, produz espumantes de alta qualidade obrigatoriamente pelo método clássico. Este em particular, trata-se de um Blanc de Blancs (somente Chardonnay), ficando por 24 meses sur lies (em contato com as leveduras) antes do dégorgement (arrolhamento final). Além de belo aperitivo, pode acompanhar entradas da alta gastronomia.

ruggeri prosecco

um porto seguro na categoria

Com a atual denominação Prosecco estendida a regiões periféricas ao terroir clássico, o rótulo acima é um porto seguro. Valdobbiadene é uma referência obrigatória na escolha. Leve, equilibrado e delicado, são as qualidades exigidas deste espumante italiano. Vinho de recepção e entradas leves.

queijo bel paese

queijo italiano Bel Paese

Além do painel de vinhos apresentados, o evento ainda tem um farto buffet entre um gole e outro, pois ninguém é de ferro. Embutidos, queijos, patês, dos mais variados sabores, sem contar com pratos de massa para todos os gostos. Você pode literalmente almoçar ou jantar no local. Em particular, a foto acima mostra um queijo italiano interessante da Lombardia chamado Bel Paese. Elaborado com leite de vaca, apresenta textura macia como um Saint-Paulin (francês), mas de sabor leve e amanteigado. Uma das boas pedidas.

Tintos de estilos variados.

sardonia qs2

moderno e bem acabado

Um dos projetos do dinamarquês Peter Sisseck, proprietário do fabuloso Pingus, um dos maiores nomes de Ribera del Duero, este QS2 é uma espécie de segundo vinho da Quinta Sardonia. Vinho de estilo moderno, boa concentração e muito bem acabado. Longe de ser um vinho maquiado, o enólogo busca a essência de seu terroir sempre direcionando uma vinificação mais coerente com o consumidor moderno, ou seja, vinhos que dão prazer mesmo em tenra idade.

languedoc la clape

um Languedoc de pedigree

Um mistura exótica de Syrah, Grenache, Mourvèdre e Carignan, gerando vinhos suculentos, taninos macios e um belo equilíbrio. Algo difícil em Languedoc onde os vinhos sempre têm uma ponta de rusticidade. Muito prazeroso de ser tomado no momento, embora tenha condições de guarda por bons anos.

bordeaux haut nouchet

Bordeaux da bela safra 2009

Tinto de Péssac-Léognan com predominância de Merlot no tradicional corte bordalês. A qualidade dos taninos é reflexo da ótima safra 2009. Apesar de macio, mostra boa estrutura para envelhecimento, além de madeira bem dosada no conjunto, apenas um terço de madeira nova. Boa compra para fugir dos mais badalados da região.

delas crozes hermitage

opção interessante do Rhône-Norte

A apelação Crozes-Hermitage é uma grande opção aos caros e longevos Hermitages para serem consumidos mais frequentemente. Trata-se de uma área ampla e com muita heterogeneidade na qualidade. Este tinto de Delas mostra tipicidade e consistência. Vinho fácil de ser tomado com taninos bem moldados, aromas típicos de defumado e balsâmico, além de bom equilíbrio em boca.

Próximo artigo, mais Grand Cru, mais dicas, mais vinhos!

Sommellerie: Um novo Campeão Mundial – Parte II

27 de Abril de 2016

Continuando a jornada, partimos agora para a terceira mesa com seis pessoas. O serviço aqui era decantar uma Magnum (um litro e meio) de Malbec Gran Reserva Tomero 2011 da Bodega Vistalba. Um vinho jovem que precisa de aeração e portanto, deve ser decantado. A decantação foi executada à vela com dois decantadores de base larga, eficientes na oxigenação. O uso da vela poderia ser dispensado, já que provavelmente o vinho não tem depósito. Por via das dúvidas, é prudente usa-la, pois atualmente há muitos vinhos não filtrados. O desempenho que menos me agradou foi da irlandesa Julie Dupouy, a qual só utilizou um decanter e não apagou a vela no término do serviço. Quando o vinho foi servido à mesa, o comandante da mesma alertou o sommelier que uma pessoa não tomava vinho tinto e que portanto, havia um vinho branco a ser servido exclusivamente à mesma. Biraud não só serviu corretamente os dois vinhos como também, sugeriu a harmonização de ambos. Para o Malbec, um corte de carne ao ponto acompanhado de molho chimichurri (especialidade argentina) e para o branco, um vinho alemão da Francônia, em garrafa típica (tipo cantil) com a uva Sylvaner, sugeriu um ceviche de corvina, realçando sua acidez e mineralidade.

Saindo da terceira mesa, os candidatos enfrentaram uma série de baterias de vinhos e destilados às cegas. O primeiro flight foi de quatro brancos servido nesta ordem: Torrontés argentino de Salta, Riesling alemão do Nahe, Riesling francês da Alsácia, e um espanhol Albariño Rias Baixas Rosal.

Um dos brancos degustados, safra 2011

O desempenho de Biraud e Arvid foi muito parecido. Os dois acertaram os três primeiros vinhos e erraram o último. Biraud arriscou um Sauvignon Blanc europeu e Arvid palpitou por um Chardonnay sem madeira argentino. Julie, a irlandesa, só acertou o riesling alemão.

O segundo flight de quatro tintos foi servido nesta ordem: espanhol de Ribera del Duero,  Nebbiolo d´Alba do Piemonte, Malbec argentino e um Bordeaux de margem esquerda Pontet-Canet 2003.

grande Bordeaux de margem esquerda (RP 95 pontos)

Nesta bateria, o equilíbrio foi maior entre os concorrentes. Biraud, acertou o Malbec argentino e o Bordeaux do Médoc. Arvid, acertou o Nebbiolo d´Alba, o Malbec e o Bordeaux. No caso de Julie, acertou o Nebbiolo e o Malbec.

O terceiro e último flight foi de oito destilados nesta ordem: Rum Zacapa da Guatemala, Bas-Armagnac, Cognac, o mexicano Tequila Donjulio, uísque americano Bourbon, eau-de-vie Prune (ameixa escura), uísque japonês  Imazaki e Pisco chileno. Na continuação dos destilados, houve um licor francês Chartreuse, descrito brilhantemente por Biraud, sugerindo um suflê de chocolate com sorvete de verbena e canela para acompanhamento.

Neste último flight, os candidatos foram praticamente perfeitos. Foi dada a lista dos destilados acima  fora de ordem a cada um deles com a tarefa de indicarem em cada taça o destilado correto. Biraud e Arvid só trocaram a ordem do Cognac e Armagnac. Julie por sua vez, acertou todos. Isso prova que mesmo para degustadores excepcionais, Cognacs e Armagnacs envelhecidos e de boa procedência, as diferenças são muito sutis.

o grande licor francês Chartreuse em cuvée especial

Em seguida aos flights, houve uma série de oito slides com erros nas descrições de vários tipos de vinho a serem assinalados oralmente pelos candidatos.

Neste momento, aparentemente as provas pareciam encerradas antes do anúncio do vencedor. Contudo, haviam mais surpresas. Uma série de dez slides com fotos de vinícolas e personalidades do vinho a serem descritas pelos candidatos. Figuras como Angelo Gaja (Piemonte), Joseph Phelps (Napa Valley) e René Barbier (Priorato), além de vinícolas como Almaviva e Chateau Haut-Brion, foram mostradas nesta prova.

o campeão em sua última tarefa

Encerrando a longa prova, os concorrentes teriam que cumprir a tarefa de servir uma magnum de Moët & Chandon em quinze taças de maneira equitativa, sem volta às taças anteriores e se possível, não sobrar nada na garrafa. Visualmente, depois de executada, parecia que um tinha copiado os outros. Em olhos de lince, os juízes foram avaliar a tarefa minuciosamente.

Logo após, as taças foram servidas a todos os sommeliers dos países participantes deste magnifico evento para um brinde final. Aí sim, finalmente foi anunciado o grande vencedor, o sueco Arvid Rosengren.

Foi pena Paz Levinson não se classificar para a grande final por pequenos detalhes, ficando com a quarta colocação, sobretudo por ter sido em seu país, Argentina. Outras oportunidades virão. Quem sabe em 2019!, próximo concurso.

Franceses em tempos de crise

1 de Fevereiro de 2016

Se você não abre mão de um bom vinho francês, ainda há solução sem desembolsar uma fortuna. O que a gente ve de porcaria nas prateleiras de supermercados é qualquer coisa de assombroso e ainda por cima, caro !!!. Portanto, vamos nortear uma das saídas, conforme sugestões abaixo:

  • Albert Mann Riesling Tradition 2014 – R$ 80,00

Belo produtor alsaciano com vinhos bem moldados e muita tradição. Este Riesling é para você não esquecer o charme desta uva onde as inúmeras tentativas mundo afora é geralmente frustrante.

  • Frédéric Magnier Crémant de Bourgogne Extra-Brut Blanc de Noirs – R$ 90,00

Bela alternativa para um champenoise autêntico. Elaborado com Pinot Noir, tem boa estrutura para ir à mesa com pratos leves de verão.

puligny boillot

Um de seus Premier Cru

  • Jean-Marc Boillot Bourgogne Blanc 2013/14 – R$ 60,00 (1/2 gf) e R$ 135,00 (750 ml)

Este produtor sabe os segredos de um belo Puligny-Montrachet. Portanto, seu Borgonha branco básico está garantido nas opções de meia garrafa ou garrafa inteira. Elegante, bem elaborado e sem sustos.

  • Gay-Coperet Moulin-à-Vent Vieilles Vignes 2013 – R$ 90,00

A primeira dica para se comprar um bom Beaujolais, típico tinto de verão, é não estar escrito Beaujolais no rótulo. Moulin-à-Vent é a comuna de maior expressão desta apelação. As vinhas antigas garantem autenticidade e concentração.

champagne arlaux

Cuvée Especial

  • Arlaux Champagne 1º Cru Brut Grande Cuvée – R$ 220,00

Aonde você encontra hoje em dia um champagne por R$ 220,00? Já tem espumante nacional neste preço! Além do mais, trata-se de um champagne artesanal com vinhas Premier Cru. Na versão rosé, basta mais quarenta reais. Para os amantes da bebida, não há desculpa.

  • Yann Chave Crozes-Hermitage Rouge 2013/2014 – R$ 105,00 e R$ 115,00

Está cansado daqueles Shiraz pesados do Novo Mundo? Crozes-Hermitage é uma apelação onde o produtor faz a diferença. Esté Syrah é equilibrado, autêntico, e muito adequado nesta época do ano onde vinhos musculosos são enfadonhos.

Fleurie chignard

Outra bela opção em Cru du Beaujolais

Agora para os amantes de Bordeaux, sempre de boas safras.

  • Château Potensac 2005 – R$ 360,00

Tinto sempre confiável da excelente safra 2005. Já passando de seus primeiros dez anos, mostra o que um Bordeaux oferece a quem tem paciência. Tinto para pratos estruturados com excelente equilíbrio e classe.

  • Château Sociando-Mallet 2009 – R$ 400,00

Um dos mais confiáveis tintos do Médoc com jeitão de “Grand Cru Classe”. Outra bela safra com bons anos em adega pela frente. Taninos polidos, equilíbrio perfeito e longo em boca.

  • Château Meyney 2010 – R$ 240,00

Outra bela safra na região com ótimo potencial de guarda. Se for toma-lo agora, pelo menos uma hora e meia de decantação. A comuna de Saint-Estèphe costuma gerar vinhos de destacada acidez e certa austeridade quando jovens. Contudo, o tempo devolve tudo em dobro.

  • Château Haut-Bergeron Sauternes 2010/11 – R$ 120,00 (1/2 gf) e R$ 220,00 (750 ml)

Esta é por anos a fio a maior pechincha em Sauternes. Sempre muito consistente, independente da safra, traz toda a tipicidade de um Sauternes. E ainda, na opção de meia garrafa. Não corra riscos por aí.

Enfim, essas são dicas de compra neste feriado de carnaval que se aproxima. Passando por todos os tipos: espumante, champagne, brancos, tintos e vinho de sobremesa, temos franceses confiáveis. Muitos deles, com preços girando em torno de cem reais. Notem que não se trata de saldões, desovas ou coisa do gênero, tão comum nesta época.

Sem nenhum interesse e para sua facilidade, todos esses vinhos num só lugar, importadora Cellar. O expert Amauri de Faria seleciona com carinho e conhecimento há anos, opções sempre interessantes a preços justos. http://www.cellar-af.com.br

Markus Molitor: Rieslings do Mosel

15 de Janeiro de 2016

Sempre é bom falar de vinho alemão. São vinhos pouco divulgados e os brancos estão entre os melhores do mundo, sobretudo quando falamos de Riesling, a mais temperamental das uvas brancas. É como se fosse a Pinot Noir para os tintos, difícil de cultivar fora de seu terroir original. Entretanto, a Alemanha domina como ninguém os atalhos para elaborar Rieslings de qualidade com extrema regularidade. É o caso do produtor acima, Markus Molitor, não encontrado ainda nas importadoras brasileiras.

Localizado no chamado médio Mosel, também conhecido como Bernkastel, Markus Molitor trabalha com quinze vinhedos distribuídos em torno da cidade de Bernkastel-Kues, sede da vinícola. Aqui estamos falando basicamente de Riesling de alta qualidade, com vinhas pré-filoxera, algumas com mais de cem anos, solo pedregoso de ardósia e encostas extremamente inclinadas, proporcionando ótima insolação e excelente drenagem. Esses fatores inspiram o lema abaixo de Markus Molitor.

80% Inclination – 94% Riesling – 100% Passion

A topografia do terreno e o solo pedregoso lembram muito o Douro, um dos vinhedos mais lindos de Portugal e responsável pelo insuperável Vinho do Porto. Além da Riesling, Markus Molitor faz pequenas quantidades de vinho com Pinot Noir e Pinot Blanc. Completando o lema, não existe terroir sem paixão. A seguir veremos mais alguns detalhes que fazem a diferença no produtor final.

forte inclinação das encostas

O cuidado com os vinhedos é constante ao longo de todo ano, especialmente na época da colheita. Não há pressa na coleta das uvas onde normalmente se faz várias passagens. É importante o grau de maturação ideal para que todos os componentes como açúcar, acidez e minerais estejam em perfeito equilíbrio.

Segundo Markus, o solo de ardósia além de excelente drenagem, é responsável pela típica mineralidade de seus Rieslings. Fatores como alta densidade de vinhedo e baixo rendimentos enfatizam ainda mais a pureza e força de seus vinhos.

Os vinhedos são compostos por terroirs famosos na legislação alemã como Bernkasteler, Brauneberger, Graacher, Zeltinger, entre outros. O vinho abaixo por exemplo, provado pelo nosso “Marcos” (grande amigo), é um Riesling colhido tardiamente com uvas botrytisadas. O vinhedo vem de Zeltinger com especificação de Sonnenhur. É como se na Borgonha tomássemos um Meursault (Zeltinger) do vinhedo Perrières (Sonnenhur). O grande trunfo deste vinho é seu alto teor de acidez a despeito da enorme quantidade de açúcar residual, promovendo um equilíbrio fantástico, além de longa persistência aromática. Com um típico Apfelstrudel fica divino. Complementando, a safra de 1995 foi excelente com vinhos de longa guarda.

markus molitor

safra 1995: 20 anos de esplendor

Já na vinícola, não há pressa na vinificação e amadurecimento dos vinhos. Só são utilizadas leveduras naturais, as quais fermentam muito lentamente e proporcionam um caráter particular aos vinhos. Além disso, ajudam a obter baixos níveis de álcool no processo de vinificação. O amadurecimento dá-se em toneis de carvalho com mil, dois mil e três mil litros de madeira inerte, apenas para provocar lentamente a chamada micro-oxigenação.

cápsulas: código de cores

No engarrafamento, há um código para a cor das cápsulas. Os chamados vinhos secos (dry) para padrões alemães exibem cápsulas brancas. Já os chamados vinhos off-dry exibem cápsulas verdes-cinzas e por fim, os vinhos doces exibem cápsulas douradas.

Em resumo, Markus Molitor elabora Rieslings de alta qualidade, especialmente os doces. Seu Pinot Noir (Spätburgunder em alemão) com um fundo terroso é outra especialidade. O produtor foi premiado recentemente como Winemaker do ano 2014 pela crítica alemã. Algum de seus vinhos obtiveram 100 pontos de Parker, além de tantos outros com notas altíssimas. Boa dica para sua próxima viagem ao exterior.

Enogastronomia entre amigos

4 de Janeiro de 2016

Não importa a data; Réveillon, Natal, ou simplesmente uma boa refeição entre amigos, é sempre um momento de muita alegria e boas energias. Em mais um encontro, testamos alguns vinhos à mesa, confirmando algumas combinações e nos surpreendendo com outras. O que vale é o exercício da enogastronomia.

Abrindo os trabalhos, um rosé de Navarra, Gran Feudo Rosado, sempre uma boa aposta. Baseado na uva Garnacha, surpreende pelo frescor e equilíbrio. Acompanhou bem uma salada de folhas e tomate-cereja, preparando adequadamente o paladar para a sequencia de pratos.

tender de natal

tradição nas festas

O prato seguinte, um tender bem típico desta época, foi escoltado por um belo Riesling  Dr. Bürklin-Wolf, o maior nome da clássica região alemã de Pfalz. Esta denominação produz Rieslings de bom corpo, macio, sustentado por ótima acidez. Fica mais ao sul de outras regiões vinícolas da Alemanha,  ao norte de bela região francesa da Alsácia. As carnes suínas defumadas fazem um par perfeito com a mineralidade dos Rieslings numa harmonização imbatível. Tanto é verdade, que tentamos continuar com o rosé, porém o vinho não tinha força para os sabores do prato. Dependendo do preço, o tender tem muita semelhança de sabor com o tradicional Kassler, outra especialidade alemã. O problema maior na harmonização foram as frutas que pedem vinhos de certa doçura. Apenas como esclarecimento do rótulo abaixo, Ruppertsberger Hoheburg é um vinhedo de 4,68 hectares plantado em 1975.

dr. burklin wolf

grande nome de Pfalz

Chegamos finalmente ao prato de resistência, uma típica bacalhoada de forno. Aqui a proposta foi acompanha-la por dois vinhos, um tinto e um branco. O branco se bem escolhido, é uma pedida clássica. Neste caso, precisa ter bom corpo, boa textura, sabores marcantes e acidez adequada. O branco escolhido foi Clos Floridene, um vinho bordalês de Graves, bem ao sul, perto de Sauternes. No corte de uvas típico da região, a Sémillon fornece estrutura e força ao vinho, enquanto a Sauvignon Blanc mantem um bom frescor ao conjunto. A passagem por barrica e um bom trabalho de bâtonnage cria textura adequada ao prato, bem como o tostado elegante da barrica com os sabores do bacalhau. Combinação sem problemas, sem sustos.

bacalhau de forno

bacalhau de forno

clos floridene

destaque da apelação Graves

A surpresa para muitos foi a combinação com vinho tinto. Neste caso, os vinhos ibéricos saem na frente. Sua estrutura  e uma certa rusticidade casam muito bem com o prato. O cuidado é termos taninos bem domados. Um bom trabalho em barrica e alguns anos de envelhecimento em adega são fatores fundamentais nesta harmonização. O tinto escolhido foi o Chivite Seleccion 125 da ótima safra de 2004. Majoritariamente moldado pela Tempranillo, este vinho de Navarra estava num ótimo momento, a despeito de não denunciar sua idade e com boas perspectivas de evolução. Seus aromas marcantes com toques balsâmicos, defumados e de especiarias, casaram bem com os sabores do prato, sobretudo com as azeitonas pretas e os pimentões vermelhos. Seus taninos finíssimos e bem moldados fizeram um par perfeito com a textura e suculência do bacalhau. Para a maioria, foi a melhor combinação com o prato. Para os mais céticos, é uma combinação a ser testada.

chivite reserva

O grande tinto de Navarra

Continuando a brincadeira antes da sobremesa, finalizamos a refeição com um Comté de média maturação, queijo francês da região do Jura. Se o tinto surpreendeu com o bacalhau, o branco voltou a brilhar com o queijo. Não que o tinto tenha sido um desastre, mas faltou sintonia de sabores e principalmente, a incompatibilidade dos taninos com a gordura do queijo. Já o branco além dos sabores bem sintonizados, cortou com maestria a gordura do queijo, proporcionando uma combinação bem agradável.

talisker

proibido para principiantes

Após cafés, chás, partimos para a varanda acompanhados de Puros. Foram servidos Porto, Rum e Malt Whisky, respectivamente. Hoyo de Monterrey e Bolivar Belicosos foram bem com o Taylor´s LBV 2007 e também com o rum Zacapa Reserva, estupenda bebida, muita rica em sabor e agradavelmente macia. Contudo, quando entrou em cena o Malt Whisky acima, o poderoso Talisker, só mesmo um Partagás P2 em seu último terço para segurar sua fúria. Atentem para o alerta acima. É preciso estar preparado para este encontro. Jim Murray, especialista britânico em Whiskies, disse: Se tiver que escolher apenas um Maltado, não hesite em adquirir o explosivo Talisker 10 anos. Depois desta, só me resta desejar Feliz 2016 a todos!

Rieslings do Rheingau

3 de Novembro de 2015

A Alemanha é indiscutivelmente a terra dos Rieslings, embora a região francesa da Alsácia tenha seus méritos legítimos. Dentre as regiões alemães, Mosel e Rheingau disputam a primazia no assunto. Numa sintonia fina, podemos dizer que o Rheingau produz Rieslings mais encorpados, mais potentes, enquanto o Mosel pende para a delicadeza e elegância. Sem querer tomar partido entre uma ou outra, mesmo porque não faz nenhum sentido, vamos falar a seguir do belo terroir do Rheingau.

Rheingau: mudança abrupta do Reno

Conforme mapa acima, caminhando pelo Reno do sul da Alemanha para o norte, na altura da cidade de Mainz, o rio faz uma curva acentuada para oeste. Nesta nova trajetória por cerca de trinta quilômetros, a margem direita do Reno é moldada por declives precisos das montanhas Taunus proporcionando uma insolação ideal  e uma drenagem perfeita para os vinhedos. Além disso esta cadeia de montanhas nos pontos mais altos oferece uma proteção eficiente para os fortes e frios ventos do norte. Realmente, um terroir de livro. A foto abaixo, ilustra bem este fato.

As imponentes montanhas Taunus moldando os vinhedos

Em termos de solo e altitude, os vinhedos no Rheingau apresentam suas particularidades. As zonas mais altas que podem chegar acima de 250 metros acima do nível do mar, geram vinhos mais elegantes e os solos apresentam um perfil de ardósia erodida. Em partes imediatamente abaixo, solos de marga, argila e loess (solos formados pela ação do vento), tornam os vinhos mais encorpados e estruturados, confirmando as características da região. Já em partes mais baixas ainda, próximas ao rio, o efeito das brumas, e a alternância de temperatura propiciam uma ação eficaz da Botrytis Cinerea, dando origem aos melhores vinhos doces do Rheingau. Tudo isso falando só de Riesling, a soberana nesta região.

kunstler 2010

Riesling de Hochheim

O vilarejo de Hochheim fica muito próximo a Mainz, antes do Reno fazer sua famosa curva. Os vinhedos são de altitude relativamente baixa e o solo é muito particular. Uma mistura de calcário, areia e loess. Aliado a um clima um pouco mais quente que o restante do Rheingau, seus vinhos são encorpados, porém mantendo uma bela acidez. Este da foto acima, provado recentemente, mostrava toque cítricos e minerais bem marcantes. Hölle é um dos vinhedos de Hochheim. Pode ser consumido já com prazer ou adegado por vários anos. Importado pela Decanter (www.decanter.com.br).

Peixes diversos, sobretudo de rio, carnes suínas, embutidos, são ótimos acompanhamentos para os Rieslings alemães. Dependendo da doçura do prato, pode-se calibrar a doçura dos vinhos, os quais na Alemanha têm uma escala bem graduada em ordem crescente (Kabinett, spätlese, auslese, beerenauslese (BA) e Trockenbeerenauslese (TBA)).

garantia: o símbolo da águia

Como dica para não errar nos vinhos alemães, o logo acima está presente normalmente nas capsulas das garrafas como garantia de qualidade. Este símbolo denota que são vinhos de predicado elaborados por produtores de tradição e respeito. É uma associação com cerca de 200 produtores da mais alta qualidade. Não encontrando este logo na garrafa, vale uma pesquisa mais atenta para não comprar gato por lebre. Para a maioria dos consumidores que não decifram rótulos alemães com facilidade, é importante ter ciência deste fato. Realmente, a lei vinícola e a própria língua alemã são fatores que dificultam a correta avaliação e certeza de compra dos consumidores.

Outro produtor de grande qualidade e fama no Rheingau encontrado no Brasil é Robert Weil. Seus vinhos são importandos pela Mistral (www.mistral.com.br).

Il Vino: Enrico Bernardo

2 de Março de 2015

Enrico Bernardo, melhor sommelier do mundo em 2004, já foi citado várias vezes neste blog em alguns artigos específicos. Italiano, mas com profundo respeito à França, tanto no que diz respeito à gastronomia, como a seus vinhos. Il Vino, um nome um tanto provocativo aos parisienes, é um de seus restaurantes onde o vinho, as harmonizações, têm tratamento especial. Há inclusive um menu às cegas, onde uma série de pratos é harmonizada com taças de vinhos escolhidas didaticamente. Só para treinarmos um pouco, o menu abaixo para um almoço sugere algumas harmonizações. Os pratos e preços a seguir estão sujeitos a variações e mudanças.

À déjeuner

OEuf crémeux, lardo di Colonnata, crème de pommes de terre

ou…

Saumon fumé, écume de coco, fenouil, sésame noir

Filet de mérou poêlé, blettes et palourdes

ou…

Selle d’agneau rôtie, châtaignes et trompettes de la mort

Pamplemousse et pistaches

ou…

Poire rôtie aux épices, glace pannacotta

Entrée & Plat ou Plat & Dessert 29 euros

Entrée, Plat & Dessert 38 euros

Enrico Bernardo

Meilleur Sommelier du Monde 2004

Meilleur Sommelier d’Europe 2002

Meilleur Sommelier d’Italie 1996 et 1997

Dentre as opções sugeridas, ficaria com o salmão defumado de entrada, o cordeiro como prato principal, e a pera como sobremesa. Evidentemente, uma escolha pessoal.

Para a entrada temos o salmão defumado que pede um vinho de boa acidez e mineralidade. Há ainda completando o prato, espuma de coco, erva-doce e gergelim negro. Esses complementos podem quebrar um pouco a dureza do vinho e até permitir certos aromas de evolução. Uma boa indicação seria um Riesling alemão, de boa acidez, com leve tendência adocicada (halbtrocken), e com alguns anos de envelhecimento. Alguns rieslings austríacos enquadram-se nesta descrição. Em resumo, a acidez e mineralidade do vinho garantem o confronto com o salmão defumado, o lado frutado e macio vai bem com a erva-doce, e uma certa evolução aromática casa bem com o gergelim.

No prato principal, o cordeiro assado com castanhas e cogumelos tipo trombeta sugere um tinto estruturado e com toques de evolução. A primeira opção, extremamente clássica, seria um Bordeaux de margem esquerda. Sua estrutura, taninos, cairiam bem com a trama da carne. Evidentemente, para fazer eco às castanhas e cogumelos precisaríamos de um tinto com pelo menos dez anos de safra. Mesmo assim, uma safra não tão poderosa. Um Grand Cru Classé de 2001 é uma bela harmonização. Outros cortes bordaleses podem dar certo, embora o original seja mais prazeroso.

A sobremesa, peras assadas com especiarias e sorvete de pannacotta, pede um branco delicado, tanto do ponto de vista aromático, como gustativo. Um branco do Loire como Bonnezeaux  ou Quarts de Chaume, elaborado com a uva Chenin Blanc. Um Beerenauslese austríaco de Neusiedlersee ou um Monbazillac de Bergerac (Dordogne) também são boas opções.

Il Vino: http://www.enricobernardo.com

Outro restaurante nos mesmos moldes e mais antigo é o Bistrot du Sommelier, comandado por outro campeão mundial, Philippe Faure-Brac, título conquistado em 1992 no Rio de Janeiro. Faure-Brac é autor de um belo livro sobre enogastronomia intitulado “Vins et Mets du Monde”. Maiores informações: http://www.bistrotdusommelier.com

 Boas experiências para quem gosta de vinhos, enogastronomia e todos os detalhes da correta sommellerie.

Verão e Bebidas

5 de Janeiro de 2015

Nesses primeiros meses do ano, sobretudo janeiro e fevereiro; muito sol, calor, altas temperaturas. Neste cenário, as bebidas devem estar de acordo. Lógico que muita água, sucos, pratos leves, são a tônica da boa alimentação. Contudo, para quem não abre mão das bebidas alcoólicas, seguem abaixo algumas sugestões: Vinhos

Precisam ser frescos, aromáticos, minerais e estimulantes. Uvas como Sauvignon Blanc e Riesling saem na frente. Os Alvarinhos (Portugal) e Albariños (Espanha) são ótimas pedidas. O espanhol de Rueda (Denominação de Origem) com a uva Verdejo, e puxando o gancho, o Verdicchio, italiano de Marche, engrossam o pelotão. É claro que todos os espumantes estão neste time, mas procure pelos mais leves, elaborados pelo método Charmat. Os Proseccos e muitos nacionais da Serra Gaúcha são exemplos didáticos. Se você gosta de um toque adocicado, os argentinos com a uva Torrontés são bem interessantes, sobretudo os oriundos da região de altitude chamada Salta. Abaixo um ótimo Sauvignon Blanc da vinícola Matetic, importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br).

Brancos chilenos dos vales frios (Casablanca)

Cervejas

O estilo popular de cerveja no Brasil cai muito bem no verão. São leves e servidas bem geladas. É a preferência nacional. E as marcas todos conhecem e cada um tem sua preferida. É o chamado estilo Pilsen. As importadas neste estilo costumam ser um pouco mais amargas. Fuja daquelas mais gastronômicas do tipo Ale. Apesar de serem saborosas e algumas até complexas, são muito encorpadas para a alta temperatura do ano. Pilsner Urquell abaixo, a primeira cerveja neste estilo criada na província checa da Boêmia.

Pilsen Checa: pioneira no estilo

Coquetéis

Novamente, o item frescor deve prevalecer. Mojito, o clássico drink de Cuba é ótima sugestão. O italiano Negroni ao cair da tarde pode ir muito bem. As nossas caipirinhas são clássicas no verão brasileiro. Fora a original com limão e cachaça, frutas e outros destilados fazem fluir a imaginação. Se o assunto insistir no vinho, as sangrias estão liberadas. Entretanto, não vai colocar aquele vinhaço neste tipo de mistura.

Bela pedida para noites de verão

Whisky ou Whiskey

Este destilado, apesar de fora de moda no Brasil, comparativamente a outros tempos, ainda tem força considerável no consumo de bebidas. Prefira os blends aos Single Malts, por exemplo. São mais leves, podem ser misturados com gelo e com outras bebidas, tornando-se drinks.

O Single Malt mais leve do mercado

Se você não abre mão da essência do legítimo Scotch, o Single Malt acima o fará entender que suavidade pode ter profundidade. Ótima opção para o encerramento de um jantar com algumas fumacinhas …

Combinado: Saquê ou Riesling?

25 de Agosto de 2014

Um dos pratos mais pedidos na culinária japonesa é o combinado, envolvendo vários elementos como sushis e sashimis numa apresentação sempre sedutora e instigante, conforme foto abaixo:

Texturas e sabores sutis

No belo livro do sommelier Philippe de Faure-Brac sobre harmonização, Vins et Mets du Monde, há sempre sugestões audaciosas para os vinhos de acompanhamento. Contudo, na culinária japonesa sobre sushis e sashimis, sua proposta é bem tradicional, saquê e não o vinho. De fato, devo admitir que é um combinação admirável, provando mais uma vez que bebidas e comidas locais, regionais, são escolhas certeiras. A delicadeza da bebida e seu leve toque adocicado faz par perfeito com o sushi, sobretudo. O arroz com uma sugestão de doçura faz o elo de ligação com o saquê de forma extremamente harmoniosa. Embora o Jerez seja o vinho mais próximo da tradicional bebida japonesa, numa comparação tête-à-tête, o Jerez chega a ser tosco, muito evasivo. É o que eu digo sempre, a comparação é cruel. Insistindo no Jerez, prefira um delicado e fresco Manzanilla com sua nota de salinidade.

Vale a pena optar pelo autêntico saquê japonês. Mais delicado, elegante e pouca percepção do álcool. Apesar de custar pelo menos o dobro dos nacionais, o preço final não é tão proibitivo. É claro que os exemplares especiais, de grande artesanato, são sempre de custo elevado.

Um autêntico japonês: sutil e marcante

Já quando se trata de sashimi, o vinho pode combinar bem, prevalecendo o toque de maresia no prato. Pessoalmente, os Rieslings são os mais indicados. Sua alta acidez, leveza, frescor e um toque de mineralidade, são componentes fundamentais para a harmonização. Ele contrapõe de forma admirável a maresia e a salinidade do prato (molho shoyu). Um Kabinett clássico alemão do Mosel, apresenta leveza, sutileza e um leve toque adocicado que pode acompanhar também o sushi com sucesso. Os alemães do Rheingau tendem a ser mais encorpados e menos delicados com as devidas exceções. Já os alsacianos costumam apresentar mais corpo e estrutura, passando um pouco por cima do prato. Uma exceção pode ser o riesling da Maison Trimbach (importadora Zahil – http://www.zahil.com.br), extremamente seco e mineral. Prefira a versão básica, menos encorpada do que os fabulosos Cuvée Frédéric Émile e o suntuoso Clos Sainte-Hune.

Mosel: elegância e sutil doçura

O produtor acima, importado pela Decanter (www.decanter.com.br),  é pouco conhecido no Brasil, mas de grande reputação na denominação Mosel-Saar-Ruwer. Trittenheimer é um de seus terroirs especiais.

Alguns rieslings do Novo Mundo podem ser testados tais como, australianos do Clare Valley, a norte de Barossa Valley; neozelandeses da Ilha Sul, vinícola Rippon de Central Otago por exemplo, um dos belos vinhedos do mundo, importado pela Premium (www.premiumwines.com.br). Austríacos com a uva emblemática Gruner Veltliner são opções interessantes. Alguns vinhos do Loire com a uva Chenin Blanc sob a apelação Vouvray Sec e Tendre (leve açúcar residual) são os vinhos que mais se aproximam do estilo alemão.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.