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Moquecas, Caldeiradas, Arrozes

1 de Agosto de 2019

Para quem gosta de peixes e frutos do mar, mesmo no inverno há receitas reconfortantes, de sabores intensos, que chegam borbulhando nas mesas. É o caso das moquecas, tão populares no Brasil, sobretudo as capixaba e baiana. Além delas, as famosas caldeiradas, além de risotos e outros arrozes com frutos do mar. Neste artigo, vamos passar por essas iguarias, propondo as melhores harmonizações.


Moquecas

Se você não gosta de leite de coco e dendê, vá de moqueca capixaba. Muito aromática e saborosa, costuma ter menos corpo e textura mais delicada que a baiana. O caminho é ir por brancos aromáticos, de boa acidez, e que tenham sabores de ligação com o prato. Um belo Sauvignon Blanc do Novo Mundo vai muito bem, e os chilenos estão bem do lado. Procure pelos vales frios do Chile como Casablanca, San Antônio ou Limari. O Sauvignon Blanc Terrunyo da gigante Concha Y Toro é uma bela pedida. Um Alvarinho  de boa textura como Soalheiro ou Palácio da Brejoeira são opções muito interessantes também. Vinhos das importadoras Mistral e Vinci, respectivamente.

9822057f-b2fe-4dad-869b-b592014af723moqueca capixaba e a famosa panela de barro

Partindo agora para a moqueca baiana, mais encorpada, mais intensa, mais apimentada, o branco precisa ter mais força e textura para aguentar o prato. Evidentemente, os bons Chardonnays com alguma passagem por madeira são a primeira escolha. Alguns Chenin Blanc do Loire com certo envelhecimento também dão bom casamento. Os traços de marmelo e notas amendoadas destes vinhos casam bem com os sabores do dendê. Vinhos elaborados com Sémillon fermentado em barricas também têm sucesso com o prato. Como dica, Bodega Ritticelli faz um ótimo Sémillon na Patagônia argentina importado pela Winebrands que vale a pena.


Caldeiradas, Ensopados

A receita original da caldeirada leva uma série de ingredientes em camada incluindo cebola, pimentão, temperos, batatas em rodelas não muito finas, peixes e frutos do mar crus, além de água. Tudo é cozido junto. No final, torna-se quase uma sopa de frutos do mar. Neste caso, o vinho deve ter uma textura mais delgada, boa acidez, e mineralidade presente. Os vinhos verdes mais leves são boas pedidas, além de bons exemplares dos brancos do Dão. Brancos de Rueda e alguns albariños espanhóis mais leves podem acompanhar bem.

img_6413bordaleses de elite como Pape Clément

(os brancos bordaleses são baseados na Sémillon que dão textura e estrutura ao vinho, enquanto a Sauvignon Blanc fornece acidez e aromas ao conjunto)

Outros ensopados inspirados na caldeirada podem ter sabores mais pronunciados e textura do caldo mais espessa. O vinho deve acompanhar esta crescente, ganhando corpo e estrutura. Um bom branco bordalês da região de Pessac-Leognan (antigamente Graves) é uma pedida original e surpreendente.

caldeirada cantina do marinheiroCaldeirada: Cantina do Marinheiro

Uma das mais tradicionais Caldeiradas na Cantina do Marinheiro, bairro do Brás, fundada em 1942. Pratos bem servidos, à moda antiga.


Risotos, Arrozes

Neste caso onde o arroz está presente, tudo é uma questão de textura e intensidade de sabores dos caldos. Os chamados arrozes caldosos, onde o aspecto fica entre um risoto e uma sopa, geralmente são mais delicados. Os vinhos devem acompanhar estas características, sendo relativamente leves, minerais e elegantes. Rieslings alemães do Mosel, e até alguns austríacos podem surpreender.

arroz-de-marisco-arroz de mariscos

(uma das sete maravilhas de Portugal da região de Leiria. Um arroz caldoso muito saboroso. Juntamente com o leitão da Bairrada e outras iguarias, são patrimônios gastronômicos de Portugal)

À medida em que vamos dando mais untuosidade e sabores ao arroz, chegamos aos belos risotos com arroz arborio ou carnaroli que dão aquela textura aveludada no prato. Brancos à base de Chardonnay, Sémillon, e Viognier, têm textura e intensidade de sabor para o prato.

img_5649Chateauneuf-du-Pape Blanc de elite

(Uma obra-prima do Chateau de Beaucastel elaborado com 100% Roussanne, uva de difícil cultivo e baixos rendimentos. Sabores exóticos e marcantes)

Uma harmonização original seria com os brancos do Rhône. Os do Rhône-Norte como Hermitage e Condrieu, são mais elegantes e com mais acidez. Os Hermitages precisam de tempo para envelhecer. Já os Condrieu (elaborado com Viognier) são mais aromáticos e florais. Quanto aos do Rhône-Sul, emblematizados sob a apelação Chateauneuf-du-Pape, são mais gordos, aromáticos, e macios. Alguns carecem de acidez e muitas vezes não envelhecem adequadamente. Portanto, prefira os mais jovens.

Enfim, uma ampla seleção de pratos de inverno com peixes e frutos do mar, fazendo uma refeição saborosa e saudável. Não caia nas indicações de vinhos tintos que alguns “professores pardais” indicam por aí. Nós já consumimos tão pouco os vinhos brancos que não vale a pena correr riscos. Afinal, belas e variadas opções não faltam no mercado, conforme explanação acima. Bom Apetite!

Grand Cru Tasting 2017

8 de Junho de 2017

Mais um grande evento proporcionado pela importadora Grand Cru na belíssima Casa da Fazenda, no Morumbi. Muita coisa pra provar e como sempre, não deu tempo para tudo. De todo modo, seguem abaixo alguns vinhos pinçados sob vários critérios; qualidade evidentemente, preços interessantes, exotismo, dentre outros.

Borbulhas

Cave Geisse como sempre, dando o tom da festa. Que espumante bem feito, enchendo de orgulho os brasileiros. Informações precisas nos contra rótulos tais como: safra, data do dégorgement, e açúcar residual, normalmente com 6g/l, bem abaixo dos limites legislativos. Dependendo da complexidade e do seu bolso, as opções são elaboradas de 12 em 12 meses sur lies. A de 48 meses sur lies provada em Magnum, Cuvée Sofia, mostra um equilíbrio e complexidade ímpares.

grand cru tasting 2017 geisse cuvee sofia magnum

um espumante nacional a ser batido

Entre Proseccos, Cavas, e Franciacorta, fica o destaque para o Brolese Extra Brut Rosé da Tenuta Villa Crespia em Franciacorta. Muito fresco, aromático, de estilo leve, tratando-se de um rosé. Prevalência de Pinot Nero no corte juntamente com Chardonnay. 30 meses sur lies confere a esta cuvée a necessária complexidade sem nenhuma interferência de barrica.

grand cru tasting 2017 brolese rose franciacorta

Pinot Nero e Chardonnay

Por fim, os belos champagnes Billecart-Salmon. De estilo elegante e muito frescor, seu rosé é um dos clássicos neste tipo de champagne. Destaque também para seu vintage 2006, mostrando complexidade e textura cremosa. Enquanto este rosé pode ser grande parceiro com sushi de atum, o vintage 2006 pode escoltar aves ou lagostas em molhos suavemente cremosos de cogumelos.

grand cru tasting 2017 billercar salmon vintage 2006 e rose

a diversidade em champagne

Brancos

Vários estilos, regiões e uvas. Começando pelos mais frescos e verticais, vamos aos dois da foto abaixo, em seus respectivos terroirs. O Rias Baixas Albariño, mais leve, bom frescor e textura agradável,  quebrando um pouco aquela acidez aguda. Já o Pioneer Block da vinícola Saint Clair, provem de um dos setores chamado Arthur, setor 24. A exuberância de fruta tropical aliada ao grande frescor, faz deste branco um exemplo típico de Sauvignon Blanc moderno da sub-região de Marlborough, nordeste da Ilha Sul neozelandesa.

grand cru tasting 2017 rias baixas laxasgrand cru tasting 2017 sauvignon pionner block 2013

intensidades crescentes

Agora dois Chardonnays com frescor, boa textura e preços razoáveis, conforme foto abaixo. O da esquerda, da linha Max Reserva da Errazuriz, mostra um bom balanço entre fruta e madeira, além de frescor muito agradável. Já o da direita, um Chardonnay argentino de Valle de Uco, mostrando muita fruta e bela acidez. Textura um pouco mais delgada que o anterior, mas mantendo frescor em destaque. Preços, 129 e 89 reais, respectivamente.

chardonnays equilibrados

Fechando os brancos, o vinho abaixo vem do Douro com uvas locais: Viosinho, Rabigato, Códega e Gouveio. O vinho é fermentado e amadurecido em barricas francesas por nove meses com bâtonnage, aos moldes dos brancos da Borgonha. Branco de corpo, estrutura, fruta bem integrada com a barrica, textura densa, e longa persistência. Vinho para estar à mesa, e não para bebericar.

grand cru tasting 2017 van zellers branco 2014

branco gastronômico

Tintos

Começando com os tintos, logo de cara, Casanova di Neri. Que Brunello di Montalcino! profundo, equilibrado, complexo, e longo em boca. Mesmo seu Rosso, normalmente uma espécie de segundo vinho, partindo de parreiras mais jovens, bate muito Brunello por aí. Em resumo, se você vai gastar algum dinheiro com Brunellos, o caminho é este tendo o Rosso como bela alternativa. Realmente, um porto seguro.

grand cru tasting 2017 casanova di neri

altamente confiáveis

Nessa mesma linha de raciocínio, Bodegas Mauro nos mostra que denominação de origem por si só não quer dizer muita coisa. Um Vino de la Tierra digno das melhores mesas. Apesar de sair levemente da área demarcada de Ribera del Duero, está na famosa rota da “milla de oro”, trecho de aproximadamente 15 quilômetros onde se concentram as principais bodegas da região. Sempre muito equilibrado, sedoso, taninos finos, e longa persistência aromática. Vinho para ganhar degustações às cegas com figurões.

grand cru tasting 2017 bodegas mauro

o grande enólogo Mariano Garcia (doutor Vega-Sicilia)

Agora abaixo, dois estilos bem diferentes, mas igualmente interessantes de tinto. O da esquerda, um Cabernet Franc da Valle de Uco sem madeira em solo calcário. Expressão vibrante de fruta bem delineada, muito equilibrado, e com forte caráter mineral. Foge um pouco do perfil desta cepa no Loire, mas tem muita personalidade. Já o da direita, um Pinot Noir autentico de Novo Mundo, porém muito bem feito. Fruta exuberante com um suporte de acidez bem interessante. A madeira bem colocada apresenta somente 35% de barricas francesas novas. Com vinhedos bem localizados e solos apropriados à uva, é uma linha da Saint Clair (Pioneer Block), vinícola neozelandesa, que privilegia o terroir.

frescor e maciez em harmonia

Da Itália, duas expressões distintas entre sul e norte. O tinto da esquerda trata-se de um Nero d´Avola siciliano com uvas passificadas no pé, resultando num vinho rico em fruta, corpo, e maciez. Mesmo assim, mantem um bom frescor, num final marcante e equilibrado. Por 99 reais, vale a pena prova-lo. No tinto da direita, um clássico Barolo. Sem grande complexidade, mas com tudo no lugar, é bastante acessível para sua idade diante da habitual austeridade desses vinhos. Taninos afáveis e fruta bem presente. Por 269 reais para um Riserva, é um bom início para quem vai se aventurar nesta denominação cheia de meandros.

norte e sul da Itália com vinhos acessíveis

tintos doces: estilos bem diferentes

Na foto acima, enquanto o Porto Vintage à esquerda da bela safra 2011 esbanja força, estrutura e uma montanha de taninos, vislumbrando longa guarda, o tinto da direita em estilo colheita tardia, está muito mais pronto para ser apreciado. Sua doçura é encantadora com um frescor até certo ponto surpreendente. Ideal para queijos densos e curados, assim como frutas secas e passificadas como tâmaras, por exemplo. Voltando ao Porto, para consumi-lo neste momento, é imperativo pelo menos duas horas de decantação. Novamente, a diferença marcante e justificada nos preços: 149 reais para o Primitivo Dolce Naturale, e 699 reais para o Porto Vintage Churchill´s.

grand cru tasting 2017 grappa e bas armagnac

tudo vem da uva

Passando a régua, dois estupendos destilados (foto acima), já pensando nos Cohibas, Partagas e Bolívar, Puros de grande fortaleza. Primeiro, uma Grappa Riserva da exclusivíssima Tenuta Ornellaia, um dos cortes bordaleses mais prestigiados na elite dos grandes tintos. Cuidadosamente destilada, esta bebida passa ao menos três anos em barricas francesas da propriedade. Altamente recomendada sobretudo para o terço final de um Puro, seus aromas de fruta em caroço explodem na boca. Grande força e persistência aromática.

Seu par na foto, mostra um belo Armagnac envelhecido da melhor porção de seu terroir, Bas-Armagnac. O envelhecimento em toneis por 20 anos indica que a bebida mais jovem deste blend tem a data indicada. Macio, profundo e muito persistente. Digno de Puros como Montecristo nº2, Partagas Lusitanias ou Cohiba Behike.

Enfim, um breve relato dos muitos vinhos apresentados no evento, tentando abranger gostos e bolsos diferentes. Agradecimentos à importadora Grand Cru pelo convite, numa organização acolhedora e bem focada.

Descorchados: Impressões

13 de Abril de 2017

O mais respeitado guia de vinhos da América do Sul, envolvendo países como Chile, Argentina, Brasil e Uruguai. A infinidade de vinhos premiados é imensa com muitas notas em torno de 95 pontos ou mais. Nota é sempre algo subjetivo, mas penso que alguns vinhos têm pontuação exagerada. De todo modo, é um painel bem amplo do que acontece no Continente em termos de tradição, novidades, e grandes promessas.

O Brasil, enfatizado pelos conhecidos e bons espumantes, mostra diversidade de estilos, trabalhando bem tanto no método tradicional, como no Charmat. Destaque especial para Cave Geisse, sediada num terroir privilegiado, além do talento de sua equipe técnica. Pessoalmente, o melhor espumante do Brasil.

O Chile, sempre crescendo em qualidade e diversidade, além de uma das potências em exportações de vinho no Mundo. Cada vez mais, explorando bem a versatilidade de seus inúmeros vales de norte a sul, temperados pelo frio Oceano Pacífico e a imponente Cordilheira dos Andes.

A Argentina, explorando bem o terroir mendocino, especialmente o frio Valle de Uco, com micros terroirs diversificados, dando a cada vinho personalidade própria. Salta, no extremo norte, e Patagônia, no extremo sul, são regiões com certeza ainda de muitas surpresas num futuro próximo.

O Uruguai, um pouco mais modesto, mostra sua força num território comparativamente minúsculo. Contudo, o clima temperado pelas águas mais frias nesta latitude, mostra tintos equilibrados, além de brancos vibrantes e originais.

O evento ocorreu no Espaço Traffô, um tanto tumultuado tal a quantidade de pessoas circulando. Neste caso, mereceria pelo menos mais um dia dividindo este público para um roteiro de vinhos mais tranquilo.

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Cave Geisse: orgulho brasileiro

Aqui temos as melhores uvas Pinot Noir da safra na elaboração deste Blanc de Noir. No pescoço da garrafa vem indicado a safra e a data de dégorgement, normalmente com três anos sur lies. Cremosidade e corpo consistentes com muito frescor e equilíbrio. Os demais espumantes da casa seguem sempre um padrão de alta qualidade.

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belos vinhos em estilos diferentes

Aqui, duas belas novidades em termos de uvas e terroirs. Muito bem pontuados, o branco da esquerda, Granito Sémillon mostra grande estrutura, corpo, textura e mineralidade. Um vinho denso e super equilibrado. Elaborado pela vinícola chilena J. Bouchon no vale do Maule em solo granítico. Já o branco da direita, uma agradável surpresa uruguaia com a casta Albariño na mais nova região vinícola deste país, perto de Punta del Leste, a chamada região Sudeste. Muito frescor, elegância e mineralidade. Uma pequena parte do lote passado em barricas francesas não mascara a fruta, resultando num conjunto harmônico.

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argentinos diferenciados

O vinho da esquerda é um Torrontés de Salta, região norte da Argentina de grande altitude. Estamos falando em torno de dois mil metros acima do nível do mar. Este antigo vinhedo plantado nos anos de 1945 em latada (condução de vinha chamada também de parral), faz toda a diferença neste branco fresco, muito equilibrado, sem aqueles aromas invasivos e muitas vezes enjoativos da aromática Torrontés. Talvez o melhor Torrontés que já tenha provado. No vinho da direita, mineralidade à toda prova com evidente gosto salino. Este Sauvignon Blanc vem de Valle de Uco, mais especificamente, Gualtallary a 1450 metros de altitude. Mesmo com certo contato sur lies, o vinho é quase elétrico em boca com muito fresco e pureza de fruta. Conceitos biodinâmicos em todos os vinhos desta vinícola, Zorzal.

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uva rustica bem trabalhada

A uva País (Chile) ou Criolla (Argentina) foi trazida na época da colonização espanhola nativa das Ilhas Canárias. Normalmente, gera vinhos rústicos, sem muitos atrativos. No entanto, bem trabalhada, pode ter resultados curiosos e surpreendentes. É o caso dos dois exemplares acima, um argentino, outro chileno.

O vinho da esquerda, são parreiras de 1958 com uvas perfeitamente adaptadas ao seu terroir. A vinificação inicial começa como um tinto propriamente dito. Em seguida, são retiradas as cascas, prosseguindo uma vinificação aos moldes de um branco. O vinho depois de estabilizado é engarrafado sem filtração. Delicado e profundo ao mesmo tempo. Já o da direita, parreiras totalmente selvagens como o próprio nome diz. São vinhedos na região chilena do Maule secano (região costeira do Maule), onde as vinhas foram plantadas em meio a vegetação nativa, trepando pela árvores sem condução. Isso dificulta a colheita, a qual é feita por meio de escadas, nos moldes dos vinhedos antigos na região dos Vinhos Verdes em Portugal. 50% das uvas são fermentadas com maceração carbônica, enriquecendo os aromas de frutas, e a outra metade numa fermentação normal em cubas. O resultado é um vinho delicado, original e totalmente natural. Nos dois vinhos, extraem-se delicadeza, suavidade, sem aquela rusticidade habitual.

descorchados vigno carignan old vignesdescorchados el esteco cabernet sauvignon 54 anos

mais vinhas antigas

O tesouro das vinhas antigas é um patrimônio que deve ser preservado a qualquer custo. São vinhos de personalidade, de equilíbrio raro, marcantes sem serem pesados. Enfim, uma maravilha. No caso da esquerda, são parreiras de 60 anos das famosas vinhas de Carignan do Maule. Com a vinificação primorosa da família Morandé, este tinto mostra toda sua autenticidade e frescor incríveis. Já o Cabernet Sauvignon da direita, voltamos à vinícola El Esteco de Salta para mais uma vinha antiga de 54 anos, plantada a 1700 metros de altitude. Partindo de baixos rendimentos, o vinho estagia em barricas francesas por 15 meses. Um Cabernet de raça com um balanço incrível entre força e elegância. Dois tintos de grande personalidade.

descorchados casa silva petit verdotdescorchados casa silva microterroir carmenere

O versátil Valle de Colchagua

Aqui, uma homenagem à Casa Silva, uma das referências em vinícolas no terroir de Colchagua. Ampla gama de vinhos sempre bem elaborados. Neste caso, dois tintos bem específicos. O da esquerda, um Petit Verdot de duas parcelas exclusivas da propriedade. Vinho robusto, cheio de taninos, próprio para carnes suculentas e fibrosas como bife de Chorizo. Bem educado em barricas francesas por 12 meses. Já o vinho da direita, um Carmenère também de parcelas exclusivas, bem trabalhado em barrica francesa, tanto na vinificação, como amadurecimento por 12 meses. Fora de Peumo, o terroir ideal para esta tardia casta, um dos melhores Carmenères do Chile.

World Wine: Encontro Ibérico I

4 de Abril de 2017

Mais um interessante painel de vinhos proposto pela World Wine, importadora de destaque no cenário nacional. Desta feita, só vinhos ibéricos com marcas consagradas entre Portugal e Espanha, nos mais variados estilos.

Marques de Murrieta

Bodega tradicional de Rioja, trabalhando a Tempranillo com muita elegância. Seus Reservas e Gran Reservas são famosos e bem pontuados. Dois vinhos mereceram destaques quando se pensa em grandes Riojas.

murrieta gran reserva 2009

Este Gran Reserva Limited Edition 2009 são lotes especiais dos Reservas com potencial para maior envelhecimento em bodega. Passam cerca de 25 meses em carvalho americano, mais 36 meses em garrafa, antes da comercialização. Concentrados, elegantes, com perfeita interação entre fruta e madeira. Um clássico da denominação.

murrieta gran reserva especial 2005

O grande tinto da bodega, Castillo Ygay Gran Reserva Especial 2005, elaborado só em grandes safras. Proveniente de vinhedos bem localizados, o vinho passa cerca de 30 meses em barricas americanas, mais 36 meses em garrafa, antes de ser comercializado. Ainda mais elegante que o anterior e de larga persistência aromática. Deve ser decantado para o consumo como também, pode ser guardado por longos anos em adega.

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Por fim, um branco de Rias Baixas, Pazo Barrantes 2014, elaborado com 100% Albariño. Vinho de muito frescor e destacada maciez, dada por breve contato sur lies. Aromático, elegante, e muito bem acabado. Um destaque da denominação.

Vivanco

Outra bodega riojana com vinhos clássicos e bem equilibrados. Destaques para as novidades chamadas parcelas Colección Vivanco, mostrando vinhos diferentes e muito didáticos.

vivanco mazuelo 2009

Começando pelo 100% Mazuelo safra 2009, produzindo cerca de mil e quinhentas garrafas, o vinho passa 14 meses em carvalho francês novo. Percebe-se bem o aporte de acidez, frescor, que esta casta dá ao corte riojano. Vinho de bom corpo, já com aromas balsâmicos, terciários, e muito equilibrado.

vivanco graciano 2007

A outra uva do corte riojano é a Graciano, elaborada nesta parcela com cerca de mil e seiscentas garrafas. Passa 18 meses em barricas de várias tostagens e origens, sem trasfegas, mantendo um contato sur lies com bâtonnage para domar seus taninos selvagens. Vinho de grande corpo, estrutura, e textura mastigável. Aromas intensos de frutas escuras, cacau e defumados. Vinho de longa guarda.

vivanco dulce de invierno

O vinho mais exótico sem dúvida, é este acima de colheita tardia, elaborado com quatro uvas tintas (Tempranillo, Graciano, Garnacha e Mazuelo) vinificadas em branco. As uvas tem super maturação e são atacadas pela Botrytis. O mosto sem a participação das cascas é fermentado em barricas francesas com posterior amadurecimento por 12 meses. Um vinho muito interessante, sem aquela acidez habitual das uvas brancas, mas bem equilibrado. Vale a pena prova-lo, nem que for só pela curiosidade. O açúcar e o álcool são comedidos.

Quinta Vale Dona Maria

Sou suspeito para falar desta vinícola do Douro com seus tintos macios e sedutores. O clássico Quinta Vale Dona Maria 2014 provado confirma sua consistência. A surpresa foi o branco abaixo chamado Three Valleys com vinhas antigas fermentado em barrica. Frescor, complexidade e harmonia, resumem bem a presença deste branco.

quinta vale dona maria branco 2016

Voltando aos tintos, dois vinhos topo de gama, provindos de quintas específicas. O primeiro abaixo, Vinha da Francisca 2012 com pouco mais de quatro hectares. Plantada com a casta local Tinta Francisca, em homenagem à filha, o vinho amadurece em barricas francesas novas cerca de 18 meses. Tinto de muita concentração e frescor, bem casado com a madeira, e longa persistência.

quinta vale dona maria vinha francisca 2012

Encerrando em grande estilo, temos a minúscula Vinha do Rio com menos de dois hectares de vinhas centenárias. O vinho passa cerca de dois anos em barricas francesas novas. Este tinto é quase mastigável, tal a concentração de sabores e taninos. Falta só a fortificação para se tornar um Vinho do Porto. Deve ser decantando por longas horas para um consumo imediato. Está no mesmo nível dos maiores do Douro como Vinha da Ponte e Vinha Maria Teresa, da Quinta do Crasto.

quinta vale dona maria vinha do rio 2012

De fato, Cristiano Van Zeller, um dos “Douro Boys”, faz um belíssimo trabalho em sua Quinta, passando esse talento para seus familiares. Seu Porto Vintage 2011 provado nesta oportunidade, confirma concentração, classe e profundidade, de quem conheceu de perto e tão intimamente a histórica Quinta do Noval.

Quinta da Falorca

Vinícola tradicional da região do Dão, molda vinhos bastante originais e de grande tipicidade. Os vinhos apresentam muito frescor e provavelmente é o berço da Touriga Nacional, a tinta mais badalada do moderno Portugal.

quinta da falorca encruzado

Apesar do destaque para os tintos, o branco com a uva Encruzado merece ser provado. Normalmente com passagem em madeira (neste caso, só uma pequena parcela), é um branco estruturado, complexo e com uma notável mineralidade. Grande pedida para o irresistível bacalhau da Semana Santa.

quinta da falorca touriga nacional

Esse é um clássico do Dão com a queridinha casta Touriga Nacional. Gera vinhos elegantes, de boa estrutura e de longa guarda. Os aromas florais (violeta) e resinosos (eucalipto) são bastante típicos.

quinta da falorca vinhas velhas 2009

Encerrando esta vinícola, o grande tinto de vinhas velhas. Misturando Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Rufete, entre outras, este vinho tem a profundidade que só as vinhas antigas são capazes de fornecer. Bem balanceado em álcool, taninos e acidez. Um grande parceiro para carnes de caça.

O evento mostrou mais vinhos interessantes que continua no próximo artigo. Brancos, tintos e principalmente os Portos. Até breve!

Maiores informações sobre preços,safras e outros vinhos do portfólio: http://www.worldwine.com.br