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Rieslings do Rheingau

3 de Novembro de 2015

A Alemanha é indiscutivelmente a terra dos Rieslings, embora a região francesa da Alsácia tenha seus méritos legítimos. Dentre as regiões alemães, Mosel e Rheingau disputam a primazia no assunto. Numa sintonia fina, podemos dizer que o Rheingau produz Rieslings mais encorpados, mais potentes, enquanto o Mosel pende para a delicadeza e elegância. Sem querer tomar partido entre uma ou outra, mesmo porque não faz nenhum sentido, vamos falar a seguir do belo terroir do Rheingau.

Rheingau: mudança abrupta do Reno

Conforme mapa acima, caminhando pelo Reno do sul da Alemanha para o norte, na altura da cidade de Mainz, o rio faz uma curva acentuada para oeste. Nesta nova trajetória por cerca de trinta quilômetros, a margem direita do Reno é moldada por declives precisos das montanhas Taunus proporcionando uma insolação ideal  e uma drenagem perfeita para os vinhedos. Além disso esta cadeia de montanhas nos pontos mais altos oferece uma proteção eficiente para os fortes e frios ventos do norte. Realmente, um terroir de livro. A foto abaixo, ilustra bem este fato.

As imponentes montanhas Taunus moldando os vinhedos

Em termos de solo e altitude, os vinhedos no Rheingau apresentam suas particularidades. As zonas mais altas que podem chegar acima de 250 metros acima do nível do mar, geram vinhos mais elegantes e os solos apresentam um perfil de ardósia erodida. Em partes imediatamente abaixo, solos de marga, argila e loess (solos formados pela ação do vento), tornam os vinhos mais encorpados e estruturados, confirmando as características da região. Já em partes mais baixas ainda, próximas ao rio, o efeito das brumas, e a alternância de temperatura propiciam uma ação eficaz da Botrytis Cinerea, dando origem aos melhores vinhos doces do Rheingau. Tudo isso falando só de Riesling, a soberana nesta região.

kunstler 2010

Riesling de Hochheim

O vilarejo de Hochheim fica muito próximo a Mainz, antes do Reno fazer sua famosa curva. Os vinhedos são de altitude relativamente baixa e o solo é muito particular. Uma mistura de calcário, areia e loess. Aliado a um clima um pouco mais quente que o restante do Rheingau, seus vinhos são encorpados, porém mantendo uma bela acidez. Este da foto acima, provado recentemente, mostrava toque cítricos e minerais bem marcantes. Hölle é um dos vinhedos de Hochheim. Pode ser consumido já com prazer ou adegado por vários anos. Importado pela Decanter (www.decanter.com.br).

Peixes diversos, sobretudo de rio, carnes suínas, embutidos, são ótimos acompanhamentos para os Rieslings alemães. Dependendo da doçura do prato, pode-se calibrar a doçura dos vinhos, os quais na Alemanha têm uma escala bem graduada em ordem crescente (Kabinett, spätlese, auslese, beerenauslese (BA) e Trockenbeerenauslese (TBA)).

garantia: o símbolo da águia

Como dica para não errar nos vinhos alemães, o logo acima está presente normalmente nas capsulas das garrafas como garantia de qualidade. Este símbolo denota que são vinhos de predicado elaborados por produtores de tradição e respeito. É uma associação com cerca de 200 produtores da mais alta qualidade. Não encontrando este logo na garrafa, vale uma pesquisa mais atenta para não comprar gato por lebre. Para a maioria dos consumidores que não decifram rótulos alemães com facilidade, é importante ter ciência deste fato. Realmente, a lei vinícola e a própria língua alemã são fatores que dificultam a correta avaliação e certeza de compra dos consumidores.

Outro produtor de grande qualidade e fama no Rheingau encontrado no Brasil é Robert Weil. Seus vinhos são importandos pela Mistral (www.mistral.com.br).

Terroir: Rheingau

12 de Maio de 2011

Para muitos, a Alemanha é o grande terroir da Riesling, uma das uvas mais difíceis de ser cultivada fora de sua região de origem. A disputa em terras germânicas entre Mosel-Saar-Ruwer e Rheingau é milenar na supremacia desta nobre casta.

A região do Mosel por ser muito mais ampla e diversificada em termos de terroir, mereceria uma série de artigos. Já a região do Rheingau, bem menor, apresenta características específicas de terroir, que serão abordadas a partir do mapa abaixo: 

As regiões clássicas concentram-se no sudoeste alemão

Observem no mapa acima o histórico rio Reno caminhando a partir da fronteira francesa (Alsace) na direção norte, entrando em território alemão. Num determinado ponto, observem como o rio faz um curva abrupta para oeste, percorre um certo trecho, e volta para a direção norte. Pois bem, este certo trecho é exatamente a nobre região do Rheingau, na belíssima foto abaixo.

Rheingau na altura de Rüdesheim

Vejam no mapa abaixo o detalhe preciso na direção do Reno, que não é exatamente horizontal. Há uma leve inclinação fazendo com que os vinhedos posicionados na margem norte, sejam perfeitamente alinhados na direção sudeste, recebendo a melhor insolação possível, fato crucial nesta fria região.

A face norte em questão, é uma série de ladeiras contíguas, protegidas nas partes mais altas pela cadeia de montanhas Taunus, dos fortes e gelados ventos que sopram do norte. O rio neste trecho pode atingir oitocentos metros de largura e funciona como um moderador de temperatura, deixando os invernos menos dramáticos e os verões não tão quentes para as vinhas. Dependendo do ano e da altitude do vinhedo (altitude próxima ao rio), pode haver ocorrência da Botrytis Cinerea, dando mais elegância e concentração aos vinhos assim gerados.

Os solos formam um mosaico muito variado com predominância de ardósia e quartzo nas encostas mais altas (em torno de 300 metros de altitude), fornecendo aos vinhos o elegante toque mineral. Nas encostas mais baixas, os vinhos são mais pesados, perdendo em parte, a característica elegância.

Trecho com quase 30 km de exposição perfeita

Neste trecho perfeitamente exposto, várias vilarejos destacam-se como Johannisberg, Geisenheim, Erbach e Kiedrich, com vinícolas explêndidas. Um grande nome encontrado no Brasil é Robert Weil, importado pela Mistral (www.mistral.com.br). A importadora Decanter também traz o produtor Franz Künstler, de grande prestígio (www.decanter.com.br).

Numa sintonia fina, os vinhos do Rheingau costumam ser mais encorpados que os do Mosel, e portanto, mais gastronômicos. Salvo as devidas exceções, devem ser servidos os vinhos do Mosel como aperitivos e pratos leves, deixando os do Rheingau para os pratos principais. Pato, ganso ou porco com molho agridoce são combinações clássicas, além de torta de frutas frescas e também a torta de maçã, para os vinhos do Rheingau mais doces.

No geral, os Rieslings do Rheingau, a principal uva da região, são muito equilibrados, com uma acidez vibrante, longevos e de grande persistência aromática. Seus aromas possuem uma complexidade notável e sempre surpreendente ao longo dos anos em garrafa.


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