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O Mundo das Borbulhas

14 de Março de 2013

Os vinhos espumantes têm papel expressivo no cenário mundial, conforme gráfica abaixo. Com uma produção girando em torno de sete porcento do total mundial de vinhos (18,5 milhões de hectolitros em 2010), os espumantes são versáteis, gastronômicos e em certos casos, insubstituíveis. Aperitivos, recepções de jantares, é quase impossível não pensar neles. Mas como já dissemos em outros artigos, eles podem ir além, acompanhando refeições com pratos bem escolhidos.

Tendência crescente dos espumantes

Dentre os principais países produtores, a França lidera o ranking com seiscentos e quarenta milhões de garrafas por ano (dados de 2010). Dentro do território francês, o champagne responde por metade da produção. Um produto de grande penetração e com uma qualidade média bastante satisfatória. Só para termos uma idéia da força deste produto, a cada segundo são abertas dez garrafas de champagne no mundo. Aliás, para muitas pessoas, uma garrafa de champagne na sua faixa de preço, talvez seja a escolha mais segura entre todos os tipos de vinho para não haver decepções.

Os principais países na produção de espumantes

Aqui está o ranking dos principais países produtores de espumantes no mundo. O Brasil, especialista nesta área, produziu quase vinte milhões de garrafas em 2012, mas ainda estamos longe entre os gigantes da área. O fato curioso em nosso mercado interno é que os espumantes nacionais lideram com mais de 70 porcento em volume, frente aos espumantes importados. Já para os vinhos tranquilos, a situação praticamente se inverte, com amplo domínio dos importados.

Em termos de exportação, França, Itália e Espanha lideram o cenário. Em volume, a Itália responde por 34% do total mundial exportado, enquanto a Espanha perfaz 27%. Já em valores, a França reina absoluta com 59% do mercado mundial, sobrando 14% e 10% para Itália e Espanha, respectivamente. Todos dados de 2011, conforme quadros abaixo:

Mercado dominado pelos três maiores produtores mundiais

Neste mercado de exportação, estamos falando em Champagne, Asti, Prosecco e Cava. A propósito, a denominação Prosecco aumentou significativamente sua  produção em milhões de garrafas com as novas regras da denominação, que anteriormente eram restritas a Conegliano-Valdobbiadene. A DOC Prosecco atualmente é a de maior produção em toda a Itália, superando DOCs importantes como Chianti, Montepulciano d´Abruzzo e o próprio Asti.

Champagne faz a diferença em valores para os franceses

Das mais de cento e quarenta milhões de garrafas de champagne exportadas, praticamente metade está direcionada ao Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha.

Dados e gráficos baseados no site italiano http://www.inumeridelvino.it com vários estudos estatísticos.

Presunto Cru: Parte III

11 de Março de 2013

A Espanha é o maior produtor mundial de presunto cru, dividido basicamente em dois tipos: jamón serrano e jamón ibérico. Não é à toa que deixamos este país por último. A diferença entre o jamón serrano e o ibérico está fundamentalmente na raça dos porcos. Enquanto o serrano vem do chamado porco branco, o ibérico está ligado ao chamado porco preto, o mesmo que nos referimos quando falamos do Alentejo em Portugal. Além disso, os terroirs em termos de clima e solo são diferentes, além da alimentação que veremos a seguir.

Porco Preto ou Ibérico

Os porcos brancos que dão origem ao jamón serrano são alimentados à base de ração de cereais, enquanto os chamados porcos pretos podem ser alimentados também com ração, ou uma mistura de ração e bolotas (bellotas em espanhol), ou ainda somente de bolotas. Porém, todos os porcos pretos independentemente da alimentação, podem ter menção “pata negra”, embora o grande Pata Negra seja proveniente de raças puras de porcos ibéricos e são alimentados exclusivamente de bolotas. Aliás, quanto maior a porcentagem de bolotas na alimentação, melhor categoria será transferida ao jamón. 

Noventa porcento da produção de jamón na Espanha é elaborada com o porco branco, dando origem ao jamón serrano, mais barato e de gosto um tanto padronizado. Conforme mapa acima, ele pode ser elaborado em qualquer parte da Espanha. Já o jamón ibérico apresenta terroir definido a sudoeste do país, fazendo divisa com Portugal, nas províncias de Salamanca, Caceres, Badajoz, Huelva e Córdoba, elaborado a partir do porco preto ou ibérico.

jamón serrano

Comparando as fotos acima e abaixo, percebemos algumas diferenças visuais, de textura e consequentemente de sabor, entre o jamón ibérico e serrano, complementadas pela tabela abaixo com indicadores importantes. Quanto maior a porcentagem de bolotas na alimentação do porco ibérico, mais acentuadas serão estas diferenças.

jamón ibérico

O potencial calórico do jamón ibérico é sensivelmente maior que o serrano por conta do nível de gordura do mesmo. Entretanto, esta gordura entremeada na carne é de alta qualidade com níveis consideráveis de ácido oléico, o mesmo ácido encontrado nos azeites extra-virgens. A menor porcentagem de sal no jamón ibérico nos dá uma sensação de doçura, reforçada pelo lado frutado proveniente da alimentação (bolotas). Por conta da gordura, a sensação de untuosidade do jamón ibérico é mais evidente, sugerindo vinhos de boa acidez. Seu sabor também é mais acentuado e persistente. Dentre os vários tipos de Jerez, um bom Amontillado é a medida certa para um autêntico jamón ibérico. Não é tão ligeiro quanto um Fino, e nem tão dominante quanto um Oloroso.

Para um jamón serrano, mais magro, menos intenso, mas com boa salinidade, um tinto de Rioja de estilo tradicional pode ser uma boa pedida. Tem acidez suficiente, tanicidade moderada e intensidade compatível com o presunto. Um Cava rosado é também uma opção interessante, principalmente quando degustado como aperitivo.

Dentre as várias denominações de origem do jamón ibérico temos Jamón de Huelva, Jamón de Guijuelo, Dehesa de Extremadura e Los Pedroches, cada qual com suas particularidades. Quanto à alimentação, temos a seguinte classificação: Jamón Ibérico de Cebo (cereais), Jamón Ibérico de Cebo Campo (cereais), Jamón Ibérico de Recebo (cereais e bellotas) e Jamón  Ibérico de Bellota (alta porcentagem de bolotas).

Fugindo da padronização, temos duas denominações de origem distintas para o jamón serrano: Jamón de Teruel e Jamón de Trevélez (Granada), conforme indicação no mapa de províncias acima.

A foto abaixo denota um jamón ibérico de alta qualidade, com denominação de origem Dehesa de Extremadura e alimentação com as famosas bellotas.

Verão, Praia e Vinhos: Parte III

8 de Janeiro de 2013

Nesta terceira parte, gostaria de lembrá-los dos esquecidos e injustiçados vinhos rosés. A cor é linda, o preço é convidativo e a versatilidade à mesa é garantida. Evidentemente, quando falamos em rosé, falamos de Provence, a terra dos rosés. E realmente, se há um rosé diferente neste universo, é o rosé provençal. A cor é diferenciada e multifacetada, desde lindos toques salmonados, passando por todas as paletas do rosa e terminando nos vários tons de cereja. A fruta é presente e vibrante. O corpo e equilíbrio são balanceados e estimulantes. Além de todas as comidinhas de praia, o rosé enfrenta bem molho de tomate, alho e ervas dos mais variados tipos. Os mais estruturados e encorpados, como veremos a seguir, escoltam bem pratos como Paella, Caldeiradas de sabor mais apurado e Moqueca Capixaba.

Contudo, o arsenal francês vai muito além da Provence. As regiões do Rhône e Loire são fontes de belos exemplares. Normalmente, os rosés do Loire nas regiões de Anjou e Touraine sobretudo, são mais leves e apropriados para os antepastos e início da refeição. Já os rosés do Rhône possuem textura mais espessa, se acomodando melhor com os pratos principais propriamente ditos. Um rosé do Rhône em especial, o grande Tavel, é um rosé fundamentalmente gastronômico. Apresenta corpo e estrutura para pratos de peixes e frutos do mar com sabores e molhos mais intensos. Decididamente, não funciona bem como aperitivo.

Paella e rosé

Saindo da França, a região espanhola da Navarra apresenta belos rosés. O produtor Chivite importado pela Mistral é uma referência (www.mistral.com.br). O preço é bastante convidativo. A Itália também apresenta opções. A expressão Chiaretto no norte da Bota indica a versão rosé de certas denominações como por exemplo, o Bardolino, uma espécie de Valpolicella mais leve, elaborado próximo ao lago de Garda, separando o Veneto da Lombardia. Já caminhando para o sul, temos a expressão Cerasuolo, sendo a versão rosé por exemplo, da denominação Montepulciano d´Abruzzo, com a uva Montepulciano. Mas atenção, Cerasuolo di Vittoria é uma denominação da Sicilia para um vinho tinto específico. Não confundí-lo com rosé.

Se a idéia é ficar nos espumantes, as opções são inúmeras. Começando com os nacionais, o Chandon Rosé do Brasil é consistente e bastante versátil. Os Cavas nesta versão também são bastante convidativos. Os Crémants (espumante francês elaborado pelo método tradicional) das várias apelações francesas são ótimos, tanto da Alsace, Loire e Bourgogne, principalmente.

Quanto aos champagnes, se preço não for o problema, você está no paraíso. Os mais delicados e estimulantes podem ser um Billecart-Salmon ou um Taittinger. Já um Gosset ou um Krug merecem aquela receita especial com lagosta, por exemplo.

O importante é não deixar o rosé de lado, como um vinho de segunda categoria. Ele pertence a uma categoria especial e muito pouco explorada. Não tenha medo. Dentro de seu orçamento e expectativa, sempre haverá um rosé à altura. Um brinde colorido a todos!

Verão, Praia e Vinhos: Parte II

5 de Janeiro de 2013

Dando prosseguimento ao nosso artigo de verão, vamos falar hoje especificamente para aqueles que gostam de tudo que vem do mar, absolutamente fresco, salino e com poucas preparações e interferências para ser apreciado, ou seja, o alimento totalmente ou praticamente “in natura”. É o caso clássico das ostras frescas, bastando apenas umas gotinhas de limão, ou nem isso, para serem degustadas.

carpaccio de peixeCarpaccio de peixe

Nestes casos, se a idéia é não perder nada deste frescor, nada desta salinidade e pureza, escolha brancos leves, neutros, minerais, bastante vivazes (os mais novos possíveis de safra, se for o caso) e adequadamente refrigerados. A gama é vasta e estimulante: um bom Muscadet (francês do vale do Loire), um Sancerre ou Pouilly-Fumé (também do Loire), um Vinho Verde (incluindo o Alvarinho), um Albariño (versão espanhola do Alvarinho), um Verdicchio (italiano do mar Adriático), um Chablis (francês do norte da Borgonha), dentre tantos outros.

Se no momento, houver dificuldade em encontrar alguns dos exemplos citados, a velha alternativa do bom espumante nacional brut cumpre os requisitos básicos. Outra alternativa geralmente sempre à mão é um bom e honesto Sauvignon Blanc. Pode não ter a mineralidade necessária, pode ter um lado frutado um pouco invasivo, mas mantém um bom frescor e os característicos toques herbáceos.

Dentre os espumantes, além dos nacionais, os Cavas (espumante espanhol elaborado pelo método tradicional) são ótimas opções. Não são tão caros, principalmente os mais simples, e são exatamente estes,  que nos fornecem um toque mineral característico tão bem-vindo. Agora, se a idéia é sofisticação, vá de champagne Blanc de Blancs (champagne exclusivamente elaborado com Chardonnay). São perfeitos, leves, minerais e enriquecedores nestas harmonizações.

Voltando aos nossos pratos frescos de mar, além das ostras citadas como exemplo, entram nesta relação, a clássica comida japonesa (sushi e sashimi, sobretudo), ceviche (preparação com limão e cebola, principalmente), salada de frutos do mar (são levemente cozidos e marinados), e outros preparações que envolvam ervas frescas e aromáticas, temperos picantes e com componentes de acidez.

Espumantes para as Festas

10 de Dezembro de 2012

Não tem jeito, todos os anos na época das festas em dezembro, os espumantes são lembrados, procurados e da mesma forma, praticamente esquecidos no restante do ano.

Já falamos diversas vezes neste blog que espumantes e champagnes podem e devem ser consumidos ao longo de todo ano. Não são vinhos apenas para celebrar. São vinhos versáteis, gastronômicos e extremamente receptivos aos mais variados públicos. Mas um fato deve ser observado, espumantes e champagnes não são todos iguais, e este é um ponto importante, independente do preço e da procedência. Uma coisa é tomá-los como aperitivos, vinhos de recepção, praticamente sem comida. Outra coisa, é levá-los à mesa para escoltar pratos dos mais variados estilos. Na prática, esta confusão é mais do que normal e pior ainda, praticamente despercebida da maioria das pessoas. Portanto,  seguem abaixo algumas orientações neste sentido. 

Case Bianche: Belo Prosecco da importadora Decanter

Aperitivos

Recepção de uma refeição, lançamento de produtos em eventos, vernissages, entradas leves, canapés, enfim, situações onde a comida e a harmonização não sejam preponderantes. O espumante emblemático para estes casos é o Prosecco, denominação de origem do Veneto. O ideal é o autêntico Conegliano-Valdobbiadene. É um espumante leve, delicado, elaborado pelo método Charmat, e deve ser consumido o mais jovem possível. 

Muitos espumantes à base de Chardonnay, inclusive nacionais, sobretudo elaborados pelo método Charmat (espumatização em tanques), enquadram-se nesta categoria dos aperitivos. Espumantes alemães (conhecidos como Sekt), alguns portugueses baseados na casta Arinto, e franceses com a expressão “mousseux” no rótulo, fazem parte deste time. 

Os espumantes elaborados pelo método Champenoise, Tradicional ou Clássico, evidentemente incluindo os champagnes, podem entrar nesta categoria, desde que sejam leves e com contato sur lies (com as leveduras) relativamente curto. Neste contexto, podemos incluir a maioria dos Crémants franceses (Loire, Alsace e Bourgogne), muitos Cavas (o grande espumante espanhol), e champagnes leves, notadamente os chamados “Blanc de Blancs”.

Voltando aos nacionais, o clássico espumante da Chandon na serra gaúcha é extremamente confiável e adequado para estas situações. Tomem o cuidado de não servirem o Excellence, top da vinícola, de entrada. Este é um espumante estruturado, gastronômico e portanto, cansativo para ficar bebericando sem comida. É bom frisar que a Chandon do Brasil só trabalha com o método Charmat em todos seus espumantes.

Gosset: Champagne de corpo e estrutura

Refeições

Quando o espumante chega à mesa, os cuidados com a harmonização devem ser redobrados. Aquele espumante que foi tão bem como aperitivo, pode se tornar sem graça e insípido diante de um prato. Portanto, a composição das uvas e todo o processo de elaboração do espumante vão influenciar sobremaneira na escolha mais adequada.

Espumantes e Champagnes baseados na uva Pinot Noir costumam ter mais corpo e estrutura, ou seja, é importante observarmos a porcentagem de Pinot no corte, se for o caso. Vinhos-base fermentados ou amadurecidos em barrica, bem como, contato sur lies (sobre as leveduras) prolongado (vários anos) durante a espumatização, também são fatores que conferem corpo, maciez e complexidade ao conjunto.

Em resumo, a calibragem dos fatores acima expostos darão a devida harmonia aos pratos que serão escoltados. Cavas extremamente envelhecidas, muitas vezes com a expressão “Gran Reserva”, enquadram-se neste contexto de corpo e complexidade. Champagnes como Bollinger, Krug e Gosset cumprem muito bem os requisitos acima citados. O grande problema é que pedem pratos sofisticados. Não basta serem só encorpados.

Na linha dos nacionais, a tradicional Casa Valduga apresenta uma série de espumantes elaborados pelo método Tradicional, com idade crescente nos seus diversos rótulos, mostrando em meses o contato sur lies (o máximo vai até sessenta meses). 

Estes espumantes e champagnes mais encorpados são capazes de escoltar com sucesso os mais variados pratos incluindo aves desde frango, peru, chester, galinha d´angola, perdiz, codorna, faisão, entre outras, até carne de porco (pernil ou lombo assado), coelho, bacalhau e vitela. Guarnições ou acompanhamentos com cogumelos dos mais variados gêneros são muito bem-vindos principalmente, quando temos espumantes com contato prolongado sobre as leveduras.

Termos como Charmat, Champenoise, sur lies, Cava, Crémant, são esmiuçados neste mesmo blog em artigos específicos sobre espumantes e champagnes. Favor consultar.

Espumantes para as festas I

21 de Dezembro de 2011

Sabemos que em boa companhia e sem problemas para gastar, os champagnes no mundo das borbulhas são insuperáveis. Entretanto, a vida não é feita só de sonhos. Precisamos muitas vezes olhar nossa conta bancária e encarar certas situações e eventos com mais frieza. Isso não significa abrir mão da qualidade e até nos surpreendermos favoravelmente com algumas escolhas. Neste contexto, Vinho Sem Segredo sugere algumas opções no mercado ainda para este finalzinho de ano.

Vigna Del Duc

Três opções confiáveis

A primeira opção acima à esquerda é o nacional Cave Geisse Brut. O chileno Mário Geisse foi um dos pioneiros na introdução de espumantes de qualidade na serra gaúcha.  Seus espumantes são muito bem elaborados pelo método tradicional, alguns com um bom tempo sur lies (em contato com as borras). Pode ser encontrado em São Paulo na loja Vino Mundi (www.vinomundi.com.br).

A segunda opção é o Cava Raventós trazido pela importadora Decanter (www.decanter.com.br).  Seu vinho básico Raventós I Blanc L´Hereu Brut por pouco mais de oitenta reais oferece qualidade acima da média. É bastante fresco, cremoso e muito bem equilibrado. A cuvée especial Gran Reserva Elisabet Raventós passa pelo menos quatro anos sur lies antes do dégorgement.

A terceira e última opção também é da importadora Decanter com seu Prosecco Case Bianche. Aqui podemos perceber as reais qualidade de um bom Prosecco que são leveza, mousse agradável e notas frescas de frutas e flores. Bela oportunidade para tirar a má impressão de proseccos insípidos servidos em eventos sem o mínimo critério, a não ser o preço. O Prosecco Case Bianche Vigna del Cuc é um DOCG Conegliano Valdobbiadene de vinhedo único. Muito agradável para recepção num jantar, à beira da piscina, e pratos leves neste verão que se aproxima.

Seja qual for sua opção, a qualidade está garantida. De resto, é curtir o momento, as pessoas, tornando o ambiente agradável e receptível ao Ano Novo que está chegando. Boas festas a todos!

 

Espumantes: Métodos de Elaboração I

15 de Dezembro de 2011

Quando falamos de espumantes, pensamos imediatamente em dois métodos de elaboração: Champenoise (Tradicional ou Clássico) e Charmat (Cuba Fechada). Champagne e Prosecco são respectivamente exemplos clássicos dos métodos acima citados, e amplamente comentados em artigos anteriores neste mesmo blog.

De fato, estes dois métodos englobam a grande maioria dos espumantes que conhecemos e são comercializados no mercado. Normalmente, os espumantes elaborados pelo método tradicional tendem a ser mais caros, mais artesanais, mais complexos e de menor produção. Já os elaborados pelo método Charmat, são mais frutados, mais simples, mais baratos e de grande produção. A escolha é uma questão de estilo, ocasião e harmonização enogastronômica, se for o caso. Quanto à qualidade da espumatização, os dois métodos se bem executados, são rigorasamente equivalentes.

Além destes dois métodos, existem outros pouco comuns, mas que vale a pena serem explanados, conforme descrição abaixo:

  • Método Dioise

             Este método pouco mencionado é o método utilizado para a elaboração do famoso Asti Spumante, também conhecido localmente como Método Martinotti, homenagem ao enólogo que promoveu mudanças específicas ao método Charmat para este tipo de vinho.

Neste caso, a tomada de espuma é feita diretamente com a fermentação do mosto, ou seja, não há uma segunda fermentação para a tomada de espuma. O mosto muito rico em açúcares é fermentado em autoclaves aprisonando desde o início o gás carbônico gerado na fermentação. Quando o mosto atinge por volta de 7º (sete graus) de álcool, há um resfriamente do tanque a fim de estancar a fermentação, juntamente com uma série de filtrações para a retirada total das leveduras, sempre de forma isobárica (sem perda de pressão). Feito isto, teremos um vinho espumante, doce pelo açúcar residual não fermentado e principalmente, garantido de não haver riscos de refermentações na garrafa, por conta da total retirada das leveduras.

Moscatéis nacionais: ótima alternativa ao original Asti

O método Dioise, nome de origem francesa, é utilizado no clássico espumante do Rhône denominado Clairette de Die, desconhecido em nosso mercado. Na verdade, um dos métodos mais antigos para elaboração de espumantes. A diferença básica do Asti Spumante, é que nesta apelação a tomada de espuma dá-se na própria garrafa, porém os princípios são os mesmos: uma única fermentação e açúcar residual natural do próprio mosto.

  • Método por transferência

             Não é um método em si, apenas uma opção do método tradicional quando não há normas mais rígidas. O início é sempre como o método tradicional, vinho-base acrescido de açúcar e leveduras com fermentação e tomada de espuma na garrafa. Após a permanência sur lies (contato relativamente prolongado com as borras), retira-se o vinho das garrafas e “transfere-se” para os tanques, como se fosse o método Charmat. Daí para frente, tudo é feito isobaricamente: decantação, filtração e engarrafamento. É uma maneira mais econômica frente ao artesanal e demorado processo de remuage e dégorgement do método tradicional.

Continuamos no próximo post!

Ano Novo: Zampone com lentilhas

5 de Dezembro de 2011

Vinho Sem Segredo propõe para o Ano Novo um clássico italiano da cozinha modenense (Modena, comuna famosa da província de Emilia-Romagna), Zampone com lentilhas,  prato obrigatório para os bons presságios do ano vindouro. Carne de porco e lentilha são ingredientes infalíveis.

Luciano Pavarotti: Fiel às tradições

Zampone é uma espécie de linguiça enchida na pata dianteira do porco, previamente desossada. Este enchimento é feito com a própria carne do animal de partes mais magras, mais gordurosas e um pouco da pele. Tudo é criteriosamente triturado e temperado com sal, ervas e especiarias. O Zampone di Modena é um produto IGP (Indicazione Geografica Protetta) e portanto, com especificações rigorosas. Aqui no Brasil, encontramos o produto em lojas e supermercados gourmets com as marcas Negroni e Villani.

Zampone e Cotechino: Detalhes e receitas 

No vídeo acima percebemos a sutil diferença entre os dois produtos (apenas o invólucro) e duas receitas típicas. Voltando ao nosso prato de Ano Novo, o Zampone é apenas cozido em água e depois fatiado em rodelas. O acompanhamento clássico local é o polêmico Lambrusco, tinto leve e frisante, que combate muito bem as gordurosas comidas da região. O grande problema no Brasil é que os Lambruscos são de péssima qualidade, sem concentração e adocicados. Boas denominações para este vinho são as DOC Sorbara e Grasparossa di Castelvetro, secos e de boa concentração. Aliás, uma bela alternativa para acompanhar feijoada no verão (vide artigo sobre feijoada neste blog).

Na falta de bons Lambruscos, uma alternativa melhor ainda são os espumantes rosés. A qualidade média é bem melhor, a acidez e corpo são compatíveis com o prato cortando bem o lado gorduroso. A sofisticação fica por conta do cliente, desde espumantes nacionais, Cavas, e até Champagne. As opções italianas ficam com os espumantes lombardos incluindo Franciacorta, e os de Trento sob várias denominações.

Sugestões

Os Gigantes das borbulhas

17 de Outubro de 2011

O espumante nacional continua sendo nosso melhor representante no mercado interno e também nas exportações. A produção está estimada em mais de doze milhões de garrafas para este ano de 2011. Contudo, em termos globais, os gigantes europeus apresentam números impressionantes e de forma consistente, ano após ano.

Produção de Espumantes na Europa Central

A França lidera as estatísticas com mais de 500 milhões de garrafas por ano, sendo só na região de Champagne, mais de 300 milhões. Os demais espumantes, chamados Mousseux, apresentam expressiva produção nas apelações Crémant d´Alsace, Crémant de Bourgogne e Vouvray.

Produção de Espumantes na França (Exceto Champagne)

Na Alemanha, o famoso Sekt, sinônimo de espumante, é responsável por mais de 350 milhões de garrafa, com a maciça maioria elaborada pelo método Charmat. Das cinco maiores empresas na produção de espumantes no mundo, três estão na Alemanha. As outras duas são o poderoso grupo francês LVMH e a gigante espanhola do Cava, o grupo Freixenet. Os alemães consomem praticamente tudo, além de importar mais alguns milhões de garrafas da França, Itália e Espanha.

Henkell: um dos gigantes do Sekt

A Itália aparece em seguida, com forte produção em sua porção setentrional. Asti Spumante com 85 milhões de garrafas e Prosecco (somente a DOCG Conegliano Valdobbiadene pela nova lei) com 70 milhões de garrafas apresentam grande destaque em termos de volume. Franciacorta, a excelência do método Champenoise italiano, tem grande prestígio, mas produz pouco mais de dez milhões de garrafas por ano. Piemonte, Oltrepò Pavese e Trentino, são grandes referências. A Itália praticamente exporta metade de sua produção.

A grande referência espanhola é o Cava, com sua produção baseada na Catalunha. É a quarta força em borbulhas no planeta, com mais de 200 milhões de garrafas por ano. Pouco mais da metade é destinada à exportação. Os grupos Freixenet e Codorníu somam mais de 75% na produção total de Cava.

Outros gigantes deste mundo de borbulhas são Estados Unidos, Rússia, Tailândia, Ucrânia, Polônia e Austrália. 

Vinhos de Verão

4 de Fevereiro de 2011

Pode parecer estranho esta expressão, mas em nosso país se faz necessária. Infelizmente, ligamos o consumo de vinho à temperatura da estação, como se não tivéssemos ambientes climatizados, vinhos bem adegados, temperatura de serviço correta e comida adequada para harmonizá-los. Aliás, as pessoas pedem feijoada fumegante, massas com molhos vigorosos, carnes assadas, sem o menor constrangimento no verão, rejeitando os vinhos que combinariam perfeitamente com esses pratos numa estação mais fria, optando então, por uma cerveja bem gelada. Esta é mais uma prova que o pessoal toma vinho nas refeições sem o menor comprometimento com os pratos escolhidos.

Voltando ao tema, o que seria um vinho de verão? Primeiramente, um vinho de corpo leve a medianamente encorpado. Um vinho de boa acidez e tanicidade baixa no caso de tintos, podendo assim resfriá-los para um consumo mais agradável. Neste perfil, podemos apontar brancos das uvas Sauvignon Blanc e Riesling, Vinho Verde (Portugal), Rueda da Espanha com a uva Verdejo, Albariño (Espanha), Pinot Grigio (Norte da Itália), Roero Arneis (Piemonte), Sancerre (Loire), Muscadet (Loire), entre outros.

Os rosés da Provence e também os de Navarra (Espanha) são bastante refrescantes e equilibrados, além de muito gastronômicos. Cuidado com rosés do Novo Mundo. Muitas vezes, são pesados e alcoólicos.

Os espumantes se enquadram perfeitamente neste cenário, como os Cavas (Espanha) mais simples, Proseccos (espumante regulamentado na região do Veneto), os nacionais elaborados pelo método Charmat (são mais leves e diretos), Crémants do Loire e da Alsace. A perfeição seriam os champagnes Blanc de Blancs. Evitem espumantes e champagnes com predominância de Pinot Noir, por serem encorpados e estruturados. As cuvées especiais também devem ser evitadas pelo mesmo motivo.

A luminosidade e brilho denotam uma bela acidez

Por fim, os tintos. Chiantis leves, Dolcettos mais simples, Tempranillo Joven,  Chinon e Bourgueil do Loire (ambos são Cabernet Franc), Gamay (uva do Beaujolais) e Pinot Noir, são algumas das opções. Tomem cuidado com Pinot Noir! Muitos do Novo Mundo são pesados e amadeirados. Quanto aos borgonhas, evitem Grands Crus da Côte de Nuits. Eles costumam ser estruturados, complexos, pedindo pratos e ocasiões de maior requinte. Escolham borgonhas mais genéricos de bons produtores. A Côte de Beaune apresenta um terroir mais favorável ao tema.

Com todas essas opções acima, precisamos ser coerentes com o verão. Saladas, lanches, entradas leves, carpaccios, ceviche,  peixes, frutos do mar e carnes brancas, não terão dificuldades de harmonização, bastando contornar pequenas arestas, caso a caso. Deixem a feijoada de lado por enquanto, além de ser complicadíssima com vinho.