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Uvas Francesas pelo Mundo

22 de Fevereiro de 2016

O que seria do Novo Mundo sem as uvas francesas, ditas internacionais? A França sempre foi referência no mundo do vinho, sobretudo para os países emergentes. Qualquer que seja a região vinícola das Américas, Oceania, África, sempre teremos exemplares de Cabernet Sauvignon para tintos, e Chardonnay para brancos. Além disso, temos Merlot, Syrah, Grenache, Sauvignon Blanc, entre outras, com seus estilos próprios. E dentro da França, qual a importância de cada uma destas uvas no panorama geral? É isso que vamos ver a seguir.

A França vem diminuindo suas áreas de vinhas nos últimos tempos, conforme quadro abaixo. Com pouco mais de oitocentos mil hectares de plantio, este país tem destaque no cenário mundial juntamente com Espanha e Itália, seus eternos rivais.

Em outros tempos, o sul da França era inundado de vinhas com supremacia absoluta no plantio da rústica Carignan, a mesma Cariñena na Espanha. Só de 2006 para cá, o plantio desta uva decresceu 40%, tornando-se atualmente, a sétima uva mais plantada em território francês. O predomínio hoje é da Merlot, não só em termos gerais, mas principalmente em Bordeaux. De fato, com maturação mais precoce que a Cabernet e gerando vinhos mais macios quando jovens, a escolha pela Merlot faz sentido.

Bem longe da Merlot, em segundo lugar, seguida de perto pela Ugni Blanc, temos a Grenache, muito plantada no Rhône-Sul, além da Provence e Languedoc-Roussillon. Sempre majoritária no famoso blend GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre), tem grande penetração nos inúmeros tintos da apelação Côtes-du-Rhône, por exemplo.

Como vinho, a branca Ugni Blanc tem desempenho irrisório, tanto na quantidade, como na qualidade. Contudo, estamos falando da região de Charentes-Cognac, onde se elabora o destilado mais famoso da França, Cognac. São mais de oitenta mil hectares de vinhas onde a Ugni Blanc tem presença quase absoluta, conhecida localmente como Saint-Emilion.

uvas frança

Resumo de 85% do plantio francês

Em quarto lugar, temos a Syrah, a mesma Shiraz tão famosa em terras australianas. Apesar de sua fama ser oriunda dos grandes vinhos do Rhône-Norte designados nas apelações Hermitage, Côte-Rôtie, Cornas, St-Joseph, entre outras, as grandes áreas de cultivo estão no sul da França, principalmente no Languedoc-Roussillon.

Em quinto e sexto lugar, temos as famosas Cabernet Sauvignon e Chardonnay, cabeça a cabeça nesta disputa. A primeira reina em Bordeaux, sobretudo na chamada margem esquerda, enquanto a segunda é soberana na Borgonha, gerando os grandes brancos franceses.

Neste quadro temos 85%  dos vinhedos franceses com uvas acima de 1% (área plantada) no cômputo geral. Os 15% restantes formam um conjunto numeroso de uvas pouco conhecidas que individualmente apresentam produções insignificantes.

surface france

queda progressiva ao longo dos anos

Em termos de regiões, o Languedoc-Roussillon sempre esteve em primeiro lugar. Outrora, muito mais. Em segundo lugar, temos a Aquitania com a enorme região de Bordeaux, além de áreas periféricas. O Vale do Rhône é outra região numerosa em vinhas, incluindo no quadro a Provence. Não podemos esquecer de Charentes-Cognac onde suas vinhas tem produção expressiva. O restante vai se diluindo a partir da Borgonha e Loire em áreas cada vez mais diminutas.

regiões francesas vinhas

sul da França: um mar de vinhas

Em termos mundiais, a ordem dos fatores muda. A Cabernet Sauvignon fica com o primeiro lugar, seguida de perto pela Merlot. Para quem não conhece, temos a branca Airen da Espanha em terceiro lugar. Muito cultivada em La Mancha, região vinícola de área extensa, gera vinhos sem grandes atrativos. Porém, muito desses vinhos são destinados para a elaboração dos bons brandies espanhóis. As demais uvas não causam surpresas, exceto a  branca Trebbiano. De grande cultivo na Itália, gera vinhos um tanto neutros. Na França, é conhecida como Ugni Blanc, da qual já falamos. Uva base para a elaboração do Cognac e de grande presença na respectiva região.

Uvas mais plantadas no Mundo

1 – Cabernet sauvignon sur 290 091 ha (+31 % par rapport à l’an 2000), soit 6 % du vignoble mondial.
2 – Merlot noir sur 267 169 ha (+26 %), soit 6 % du vignoble mondial.
3 – Airen blanc* sur 252 364 ha (-35 %), soit 5 % du vignoble mondial.
4 – Tempranillo noir sur 232 561 ha (+150 %), soit 5 % du vignoble mondial.
5 – Chardonnay blanc sur 198 793 ha (+37 %), soit 4 % du vignoble mondial.
6 – Syrah noire sur 185 568 ha (+83 %), soit 4 % du vignoble mondial.
7 – Grenache noir sur 184 735 ha (-14 %), soit 4 % du vignoble mondial.
8 – Sauvignon blanc sur 110 138 ha (+70 %), soit 2 % du vignoble mondial.
9 – Trebbiano toscano blanc sur 109 772 ha (-20 %), soit 2 % du vignoble mondial.
10 – Pinot noir sur 86 662 ha (+45 %), soit 2 % du vignoble mondial.

Enfim, esses são os panoramas das uvas francesas dentro e fora da França. Pelo quadro acima, fica claro a supremacia das mesmas no cenário mundial, ou seja, das dez primeiras, sete são francesas. Nada mal …

Toscana à mesa

10 de Fevereiro de 2016

Os vinhos italianos de um modo geral saem-se muito bem no acompanhamento de pratos. Seja por sua boa acidez, uma certa informalidade e até aromas de tempero que combinam com comida. Tudo isso para falar de um dos maiores tintos da Toscana, o supertoscano Flaccianello, da renomada azienda Fontodi. Localizada em Greve in Chianti, mais especificamente em Panzano, onde encontra-se a chamada Conca d´oro, um anfiteatro de solo rico em galestro e com uma exposição solar ideal para o amadurecimento das uvas. Pois bem, Flaccianello della Pieve nasce de uma seleção das melhores uvas (100% Sangiovese) do bem cuidado vinhedo desta vinícola com densidade de seis mil plantas por hectare. A vinificação em aço inox ocorre com leveduras naturais e posteriormente, a malolática ocorre em barricas francesas. Seu amadurecimento dá-se nas mesmas barricas novas de Allier e Tronçais (florestas renomadas dos melhores carvalhos da França) por cerca de dezoito meses.

flaccianello 2004

safra de grande potencial

A primeira safra deste tinto é de 1981 com 90 pontos na crítica especializada. Foi a menor nota desde então. Apesar de ainda não ter nenhum nota cem, Flaccianello coleciona inúmeras notas acima de 95 pontos. No caso deste exemplar da bela safra de 2004, temos 96 pontos e previsão de evolução até 2030. Como trata-se de um Sangiovese em pureza, confrontamos este tinto com o Brunello di Montalcino safra 2005  Tenuta Giacomina. Ocorre que para fazer frente a este estupendo toscano, não é qualquer Brunello que pode ao menos ombreá-lo. Além do mais, trata-se de estilos diferentes. Fontodi, apesar de ser fiel a seu terroir, imprime um estilo mais moderno e potente com vinhos de alta concentração. Já os Brunellos pela própria natureza de elaboração (pelo menos dois anos em madeira e cinco anos para ser liberado ao mercado), prima pela elegância e aromas mais etéreos. Outro fator diferencial são os clones desta uva. Na região do Chianti Classico, trabalha-se com a Sangiovese Piccolo enquanto em Brunello di Montalcino, temos a Sangiovese Grosso.

brunello giacomina

momento ideal de consumo

Flaccianello começou em 1981 como Vino da Távola, pois a legislação vigente era muito restritiva. Em 1992, com a introdução da I.G.T. (Indicazione Geografica Tipica), passa a grafar em seu rótulo Colli Toscana Centrale IGT. Atualmente, com a atual legislação do Chianti Classico, poderia mencionar em seu rótulo esta denominação DOCG. Contudo, seu próprio nome aliado ao charme da expressão Supertoscano, dispensa esta denominação a principio, mais nobre. Levando-se em conta características de terroir, Flaccianello parece um tanto atípico para um Chianti Classico. Portanto, foi e por enquanto é uma decisão acertada.

Arlaux premier cru

vale a pena conhecer

condrieu 2006

referência em Condrieu

montagny premier cru

produtor altamente confiável

Apresentada a estrela do almoço, vamos a ele com seus pormenores. Para abrir os trabalhos, o belo champagne Arlaux, uma cuvée especial com estágio sur lies de dez anos. Apesar de bastante fresco, sua maciez é notável com aromas de frutas brancas e mel. Sem ser dominante, acompanhou bem as entradinhas com queijo, patês e salada. Outro vinho em cena na versão meia garrafa foi o distinto Condrieu 2006 Les Chaillées de L´Enfer do ótimo produtor Georges Vernay. Esta apelação do sul da França no Rhône, é elaborada com a exotica uva Viognier. Vinho perfumado, denso e com ótimo final. Acompanhou divinamente um patê de foie gras. Bela alternativa aos sempre lembrados Sauternes. Como faltou vinho antes do prato principal, fizemos o “sacrifício” de abrir mais um branco, um Montagny Premier Cru 2011 do craque Jean-Marc Boillot. Montagny situa-se abaixo de Beaune, no sul da Borgonha. Vinho elegante, muito bem lapidado e com tudo no lugar. Tanto o champagne, como o Borgonha branco, são importados pela Cellar (www.cellar-af.com.br).

paleta com cebolas

devidamente temperada para os italianos

Para o prato de resistência, uma bela paleta de cordeiro assada com cebolas e batatas. Neste momento, o título do artigo, Toscana à mesa. Tanto o Brunello, como o Flaccianello, foram muito bem com o prato. Em estilos bem diferentes, todo o ecletismo da Sangiovese foi mostrado. O primeiro com seus taninos domados, toques defumados e um certo terroso, estava num ótimo momento para ser tomado. Em contrapartida, o Flaccianello mostrou-se imponente com seus doze anos de vida, e muita vida pela frente. A começar pela cor, jovial e vibrante. Sua decantação, absolutamente obrigatória, desabrochou um pouco de seus aromas ainda em evolução. Um equilíbrio fantástico com taninos de rara textura. Na boca, é presente, persistente, e muito vigoroso. Dará muitas alegrias a quem tiver a devida paciência de espera-lo.

bolivar belicosos

destaque da marca Bolivar

Já fora da mesa, alguns puros como da foto acima para conversas amenas. Acompanhados de alguns destilados como rum e whisky, a noite chegou mansa amenizando o calor desses dias. Bolivar Belicosos vale a pena conhecer. Um figurado de rara elegância fugindo um pouco da potência da marca Bolivar. E acabou-se o que era doce …

Enogastronomia entre amigos

4 de Janeiro de 2016

Não importa a data; Réveillon, Natal, ou simplesmente uma boa refeição entre amigos, é sempre um momento de muita alegria e boas energias. Em mais um encontro, testamos alguns vinhos à mesa, confirmando algumas combinações e nos surpreendendo com outras. O que vale é o exercício da enogastronomia.

Abrindo os trabalhos, um rosé de Navarra, Gran Feudo Rosado, sempre uma boa aposta. Baseado na uva Garnacha, surpreende pelo frescor e equilíbrio. Acompanhou bem uma salada de folhas e tomate-cereja, preparando adequadamente o paladar para a sequencia de pratos.

tender de natal

tradição nas festas

O prato seguinte, um tender bem típico desta época, foi escoltado por um belo Riesling  Dr. Bürklin-Wolf, o maior nome da clássica região alemã de Pfalz. Esta denominação produz Rieslings de bom corpo, macio, sustentado por ótima acidez. Fica mais ao sul de outras regiões vinícolas da Alemanha,  ao norte de bela região francesa da Alsácia. As carnes suínas defumadas fazem um par perfeito com a mineralidade dos Rieslings numa harmonização imbatível. Tanto é verdade, que tentamos continuar com o rosé, porém o vinho não tinha força para os sabores do prato. Dependendo do preço, o tender tem muita semelhança de sabor com o tradicional Kassler, outra especialidade alemã. O problema maior na harmonização foram as frutas que pedem vinhos de certa doçura. Apenas como esclarecimento do rótulo abaixo, Ruppertsberger Hoheburg é um vinhedo de 4,68 hectares plantado em 1975.

dr. burklin wolf

grande nome de Pfalz

Chegamos finalmente ao prato de resistência, uma típica bacalhoada de forno. Aqui a proposta foi acompanha-la por dois vinhos, um tinto e um branco. O branco se bem escolhido, é uma pedida clássica. Neste caso, precisa ter bom corpo, boa textura, sabores marcantes e acidez adequada. O branco escolhido foi Clos Floridene, um vinho bordalês de Graves, bem ao sul, perto de Sauternes. No corte de uvas típico da região, a Sémillon fornece estrutura e força ao vinho, enquanto a Sauvignon Blanc mantem um bom frescor ao conjunto. A passagem por barrica e um bom trabalho de bâtonnage cria textura adequada ao prato, bem como o tostado elegante da barrica com os sabores do bacalhau. Combinação sem problemas, sem sustos.

bacalhau de forno

bacalhau de forno

clos floridene

destaque da apelação Graves

A surpresa para muitos foi a combinação com vinho tinto. Neste caso, os vinhos ibéricos saem na frente. Sua estrutura  e uma certa rusticidade casam muito bem com o prato. O cuidado é termos taninos bem domados. Um bom trabalho em barrica e alguns anos de envelhecimento em adega são fatores fundamentais nesta harmonização. O tinto escolhido foi o Chivite Seleccion 125 da ótima safra de 2004. Majoritariamente moldado pela Tempranillo, este vinho de Navarra estava num ótimo momento, a despeito de não denunciar sua idade e com boas perspectivas de evolução. Seus aromas marcantes com toques balsâmicos, defumados e de especiarias, casaram bem com os sabores do prato, sobretudo com as azeitonas pretas e os pimentões vermelhos. Seus taninos finíssimos e bem moldados fizeram um par perfeito com a textura e suculência do bacalhau. Para a maioria, foi a melhor combinação com o prato. Para os mais céticos, é uma combinação a ser testada.

chivite reserva

O grande tinto de Navarra

Continuando a brincadeira antes da sobremesa, finalizamos a refeição com um Comté de média maturação, queijo francês da região do Jura. Se o tinto surpreendeu com o bacalhau, o branco voltou a brilhar com o queijo. Não que o tinto tenha sido um desastre, mas faltou sintonia de sabores e principalmente, a incompatibilidade dos taninos com a gordura do queijo. Já o branco além dos sabores bem sintonizados, cortou com maestria a gordura do queijo, proporcionando uma combinação bem agradável.

talisker

proibido para principiantes

Após cafés, chás, partimos para a varanda acompanhados de Puros. Foram servidos Porto, Rum e Malt Whisky, respectivamente. Hoyo de Monterrey e Bolivar Belicosos foram bem com o Taylor´s LBV 2007 e também com o rum Zacapa Reserva, estupenda bebida, muita rica em sabor e agradavelmente macia. Contudo, quando entrou em cena o Malt Whisky acima, o poderoso Talisker, só mesmo um Partagás P2 em seu último terço para segurar sua fúria. Atentem para o alerta acima. É preciso estar preparado para este encontro. Jim Murray, especialista britânico em Whiskies, disse: Se tiver que escolher apenas um Maltado, não hesite em adquirir o explosivo Talisker 10 anos. Depois desta, só me resta desejar Feliz 2016 a todos!

Rosés pelo mundo em números

8 de Novembro de 2015

Em recente estudo realizado pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) veremos a seguir alguns números de 2015. A produção mundial de rosés parece estabilizar-se em torno de 24 milhões de hectolitros, aproximadamente 10% da produção mundial de vinhos.

roses 2014

Pouca variação na produção

Dentre os principais produtores mundiais de rosés estão a França, indiscutivelmente, Espanha, Estados Unidos e Itália. Esses quatro países respondem por três quartos da produção mundial de rosés. Só a França, produz 30% do total mundial. O mapa abaixo ilustra a situação.

rose grafico 2014

No topo: França, Espanha, Estados Unidos e Itália

Quanto ao consumo mundial, a França também tem larga vantagem. Mais de 30% dos rosés do mundo são consumidos por lá. Em seguida, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, puxam a fila.

rose 2014 consumo

França: domínio absoluto

No quesito exportações, A Espanha lidera com larga vantagem em termos de volume, seguida pela Itália, França e Estados Unidos. As exportações mundiais estão em torno de nove milhões de hectolitros por ano. Os quatro primeiros países exportadores do gráfico abaixo (Espanha, Italia, França e Estados Unidos) respondem por 80% do volume mundial exportado.

roses exportação 2014

Espanha comanda as exportações de rosés

Neste final de ano que se aproxima, os rosés são bem versáteis, quer seja pela facilidade de harmonização, quer seja pela conveniência de temperaturas mais elevadas. A mistura de pratos, entradas e várias comidinhas servidas num tempo só, torna os vinhos rosés uma espécie de coringa, agradando os mais diversos paladares e compatibilizações.

Como indicações, a França tem muitas opções. Evidentemente, a Provença é uma dica certeira. Porém, os vales do Rhône e do Loire, mostram diversidades de sabores e de preços. Em linhas gerais, os rosés do Loire são mais leves e delicados, enquanto os rosés do Rhône tendem a ser mais encorpados e gastronômicos.

Do lado italiano, a Toscana tem boas opções, sobretudo na região de Bolgheri, próximo ao litoral tirreno. Abruzzo, no litoral adriático, tem rosés interessantes. O nordeste italiano com as regiões do Veneto, Friuli, e Trentino, apresentam inúmeras opções. Nestas regiões mais frias, os rosés costumam ser mais frescos.

Na Espanha, os rosés de Navarra, região contigua a Rioja, apresentam-se bem equilibrados. Rioja produz praticamente o mesmo volume que Navarra. Em seguida, temos as regiões de La Mancha, Valencia e Catalunha juntas, perfazendo o mesmo volume de Navarra ou Rioja. As uvas mais utilizadas são Garnacha, Bobal e Tempranillo. Os rosés à base de Garnacha tendem a ser mais macios e gastronômicos. Já a Tempranillo, dificilmente é utilizada como varietal. Por se tratar da melhor uva para tintos de longa guarda, os cortes são mais frequentes.

Algumas sugestões:

  • Chivite Gran Feudo Rosado – espanhol da Mistral (www.mistral.com.br)
  • Zaccagnini Montepulciano d´Abruzzo Cerasuolo – italiano da Ravin (www.ravin.com.br)
  • Chateau St-Hilaire Tradition – francês provençal da Premium (www.premiumwines.com.br)
  • Paul Jaboulet Côtes-du-Rhône Rosé – francês do Rhône (www.mistral.com.br)

Champagne, Bordeaux e Porto

27 de Outubro de 2015

Nada como iniciar uma refeição com Champagne. Seu frescor, sua harmonização com comidinhas de entrada, e seu final de boca sempre límpido, vivaz, preparando o paladar para a sequencia de vinhos, é perfeito. Neste caso, era um Barnaut Brut, carro-chefe da casa, com boa presença de Pinot Noir. Proveniente de vinhedos Grand Cru, dois terços são de Pinot Noir e  um terço, Chardonnay. O contato sur lies é de pelo menos dois anos. Quarente mil garrafas produzidas por ano.

champagne barnaut

Boa harmonização com patês

Na sequencia, acompanhando uma fraldinha ao forno com molho roti, temos este segundo vinho abaixo do Chateau Pichon Lalande, Rèserve de la Comtesse da bela safra de 2005. Apesar de seus dez anos, mostrou-se ainda jovem com muita fruta lembrando cassis, toques tostados elegantes e um fundo de tabaco. Como em seu blend há boa proporção de Merlot, seus taninos são polidos, fruto também da qualidade do ano. A madeira é bem dosada e seu final bastante harmônico. Os segundos vinhos em Bordeaux costumam agradar nas belas safras  da região. É impressionante a longevidade sempre constatada nos bons bordaleses.

reserve de la contesse

Bordeaux de equilíbrio notável

Fechando a refeição e seguindo com os Puros, um Porto Colheita de estupenda qualidade. Trata-se de um Krohn 1983 engarrafado após 27 anos envelhecendo nas tradicionais pipas, como mostra a foto abaixo. Esta informação obrigatória é sempre importante para avaliarmos o tempo de envelhecimento destes tesouros. Após o engarrafamento, cessa sua evolução. Seus aromas terciários são incríveis mesclando caramelo, frutas secas, especiarias, toques balsâmicos e muito mais. Sua doçura é maravilhosamente equilibrada por sua notável acidez. Persistência aromática expansiva.

porto colheita 83

Um Colheita de rara beleza

Acompanhando o Porto, os Puros abaixo fizeram bonito. O Partagas P2 expressa toda a potência característica da casa desenvolvendo-se bem ao longo da degustação. Já o Bolivar Belicosos, foge um pouco da fortaleza da marca com toques elegantes, mas com muita personalidade. Duas expressões magnificas de Cuba.

partagas e bolivar

Marcas tradicionais e consistentes

Enfim, três belos vinhos expressando com fidelidade o terroir de suas respectivas regiões. Só mesmo os vinhos para transmitir com riqueza e harmonia sua incrível diversidade de estilos, aromas e sabores. Aliados à boa gastronomia, fica tudo perfeito.

Champagne Rosé

23 de Outubro de 2015

Champagne rosé é caro porque é raro ou é raro porque é caro? De fato, a produção de rosés em Champagne é muito pequena, em torno de 8% do total produzido, e 11,3% em 2014 nas exportações francesas em valores, conforme gráfico abaixo.

champagne 2014Champagne: exportação 2014

O primeiro rosé em Champagne foi criado pela Maison Ruinart, primeira casa de Champagne fundada em 1729, a despeito da Maison Gosset fundada em 1584 na elaboração de vinhos tranquilos.

Os dois métodos mais frequentes na elaboração do rosé são: Assemblage (mistura ou corte) e Saignée (sangria).

O primeiro método bastante utilizado, trata-se de acrescentar uma pequena porcentagem de vinho tinto no vinho-base em branco, calibrando a coloração final e a estrutura do vinho, o qual será fermentado novamente em garrafa (método champenoise). Esta mistura de vinho branco com tinto só é permitida em Champagne e na elaboração de espumantes rosés mundo afora. Nos rosés tranquilos é uma medida proibitiva e ilegal. Invariavelmente, o vinho tinto a ser acrescentado é proveniente da casta Pinot Noir.

No segundo método denominado Saignée, parte das castas tintas presentes no vinho-base são maceradas com as cascas (pele das uvas) durante um tempo relativamente curto afim de tingirem convenientemente o mosto. Normalmente também, a uva é a Pinot Noir. A escolha da Pinot Noir para os champagnes rosés é extremamente adequada, pois esta uva apresenta uma estrutura de taninos muito discreta, a qual neste caso adequa-se perfeitamente ao processo.

Tecnicamente, não há uma supremacia de um dos dois métodos embora pessoalmente, a opção pela leve maceração (saignée) das castas tintas possa transmitir um maior cuidado na elaboração de um rosé mais delicado. Como sugestão, seguem abaixo três rosés de casas da mais alta reputação em estilos diferentes.

Krug: sofisticação em rosé

A Maison Krug não seria diferente na elaboração de seu rosé. Sofisticação, complexidade e exotismo no mais alto nível. Preservando as três castas de Champagne (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay), seu vinho-base apresenta o lote de Pinot Noir elaborado em rosé, maceração das cascas (saignée), em proporções muito bem orquestradas. Além disso, o contato sur lies antes do dégorgement é de pelo menos cinco anos.

Importada pelo grupo LVMH e encontrada em várias lojas multimarcas de vinhos.

Rosé delicado

Outra casa de grande reputação, Billecart-Salmon é famosa por seus rosés elegantes. Nesta cuvée, novamente as três castas estão presentes (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay). Quanto ao Pinot Noir, é adicionado uma pequena proporção de vinho tinto, tingindo o vinho-base. Em seu rosé mais sofisticado, Cuvée Elisabeth Salmon, sempre safrada, entram os melhores vinhos-bases em Chardonnay e Pinot Noir.

Importadora World Wine: http://www.worldwine.com.br

Rosé gastronômico

Antiquíssima casa em Champagne, Gosset foi fundada em 1584. Num estilo mais encorpado e profundo, seu rosé não foge à regra. Vinho-base composto de 58% Chardonnay, 35% Pinot Noir e 7% Pinot Noir en rouge (adição de vinho tinto),  este champagne passa três anos sur lies antes do dégorgement. Outro detalhe é que o vinho-base não faz a fermentação malolática. Portanto, conserva alta acidez. Existe ainda seu rosé mais exclusivo da linha Celebris, sempre safrado.

Dos três exemplos citados, Billercat-Salmon por ser mais leve e delicado, pode ser servido como aperitivo, entradas e pratos leves. Já o Krug Rosé pede pratos refinados como foie gras, comida asiática com especiarias bem dosadas, e sushis bem elaborados. Por fim, Gosset Rosé é um champagne de mesa, acompanhando aves com molhos elaborados e carnes como vitela. Fica difícil beberica-lo sem comida, apenas com entradinhas.

Importadora Grand Cru: http://www.grandcru.com.br

Enfim, os exemplos acima já serve como dicas para o final de ano que se aproxima.

Vinho Rosé: o começo de tudo

18 de Outubro de 2015

Falar de rosé no mundo é falar de França. E falar de França, é falar de Provence, seu grande vinho emblemático. A produção mundial de vinho rosé beira os dez por cento, ou seja, mais de 22 milhões de hectolitros. Deste total, a França responde por 28%, seguido da Itália com 20%, Estados Unidos com 15% e Espanha com 10%. Só aqui temos mais de 70% da produção mundial de vinho rosé.

Dos rosés franceses com apelação de origem (AOC), 35% são da Provence, 18% do Loire e 12% do Rhône, conforme gráfico abaixo. Estes rosés, grande parte é consumido na própria França que detém 36% do consumo mundial, seguida pelos Estados Unidos 13%, Alemanha 7% e Reino Unido 6%.

Do pouco rosé provençal exportado, mais da metade vai para os Estados Unidos (27,6%) e Bélgica (23%).

rosés frança

historia do vinho

História e Evolução do Vinho

Na milenar história do vinho, conforme esquema acima, os vinhos claros sempre tomaram conta do cenário. Evidentemente, o termo rosé não era empregado, mas o aspecto lembrava muito essas cores rosadas, alaranjadas e as várias tonalidades assumidas pelo rosé. Isso é mais ou menos intuitivo de conceber, pois em épocas remotas a técnica de vinificação era rudimentar e pouco dominada. Portanto, as macerações eram relativamente curtas e os vinhos eram tomados normalmente jovens. Além disso, era muito comum fermentarem juntas, uvas brancas e tintas. Não havia o conceito de envelhecimento do vinho, sobretudo antes da existência da garrafa e da rolha. Este gosto antigo chamava esses vinhos como vinhos de prazer. Os vinhos de cores mais acentuadas, semelhantes ao que conhecemos hoje, eram denominados vinhos de alimentação, destinados a trabalhadores braçais, gente rude, de pouca educação. Eram frutos de macerações longas, prensagens grosseiras, elaborados com pouco cuidado. Os termos usados para esses vinhos eram vin nourriture e vinum rubeum.

Na Idade Média vários quadros onde o vinho aparece, notamos uma cor que nos lembra os vinhos rosés. Na época, chamado de Vinum Clarum ou Claret. A foto abaixo ilustra este fato.

vinum clarum

Vinum Clarum

A partir do século XIII com a ascensão dos vinhos de Bordeaux, esses vinhos claros foram chamados na região de “Clairets”, sobretudo por ingleses e Holandeses, grandes apreciadores e compradores deste produto. Até o século XVII, a produção de Clairet era avassaladora, chegando a mais de 80% da produção total em Bordeaux.

Só em 1642 no vinhedo de Argenteuil, redondezas de Paris, Ile de France, é que aparece o termo “rosé” pela primeira vez. Para distinguir seu vinho claro dos demais, Bordeaux cria uma espécie de apelação denominada Bordeaux-Clairet.

A partir do século XVIII com a chegada de vez da garrafa de vidro, rolha, os esclarecimentos de Louis Pasteur sobre a oxidação dos vinhos, é que surge o conceito de envelhecimento dos mesmos. Nesta época começa a tomar força macerações mais longas, melhor domínio da vinificação e os chamados “vins rouges” entram em cena. O gráfico acima mostra bem esta ascensão. Com isso, há um declínio dos vinhos rosés, reduzindo a 10% seu consumo. A Provence, longe de modismos, continua a dar preferência a seus vinhos claros. É bom lembrar que esta região francesa foi a primeira a ser conquistada pelo império romano e consequentemente, a adotar vinhas em seu território.

A tentação de misturar vinho branco com vinho tinto criando um “vinho rosé” no aspecto visual sempre foi repudiada. Só em 2009 a União Europeia proibiu esta prática, definindo o vinho rosé como fruto de uvas tintas com certa maceração das cascas para a devida extração de cor. Curiosamente, só uma região francesa e por sinal, uma das mais badaladas, é possível a obtenção do rosé  pela mistura de vinho branco e vinho tinto. É a nobre região de Champagne.

vin rose tonalidades

as várias tonalidades de rosé

Pressurage Direct

Este é o método de obtermos os rosés mais delicados, elegantes e autênticos. Não é por acaso, que a grande maioria dos rosés provençais adotam este sistema. São prensas pneumáticas ultra delicadas que separam o mosto das cascas com a devida maceração para obterem cores como as da foto acima. Os toques florais, cítricos e de ervas estão sempre presentes. Após a obtenção da devida cor, o processo de fermentação segue como num vinho branco. Vale salientar que a maturação das uvas tintas para elaboração de rosés é muito particular. A uva deve conservar um bom nível de acidez a despeito  de sua maturação fenólica incompleta, já que os taninos não participam deste jogo. Terroir como a Provence é perfeito para esta situação. 

À mesa, os rosés são muito versáteis combinando com pimentões, alho, ervas de todo tipo, legumes, e outros pratos de difícil harmonização. É o vinho ideal para acompanhar os buffets self-service espalhados pelas grandes cidades, onde uma profusão de comidinhas é colocada no mesmo prato de uma só vez. 

Chateau Margaux em grandes safras: Parte II

14 de Outubro de 2015

Continuando a saga, vamos dar início ao jantar propriamente dito. Os dois vinhos brancos foram servidos simultaneamente para acompanhar alguns pratos de entrada, Pavillon Blanc du Chateau Margaux nas safras 2001 e 2011.

pavillon blanc 2011

Vibrante e fresco

Safra que promete bom envelhecimento, encontra-se em tenra idade. Bela acidez, frescor, aromas de frutas e flores delicadas dominam o cenário olfativo. Os brancos do Chateau Margaux são fermentados e amadurecidos em barricas. Isso fornece uma proteção na cor, promovem aromas mais complexos no envelhecimento e permitem uma textura mais macia em boca. Com o devido tempo, ele vai chegar lá.

pavillon blanc 2001

Maciez e Maturidade

É difícil um 100% Sauvignon Blanc chegar bem nesta idade (mais de uma década). Contudo, os baixos rendimentos e as técnicas de vinificação descritas acima contribuem para este estilo de vinho. Os toques herbáceos nos brancos do Chateau Margaux são muito mais sutis do que vemos em vários vinhos de Sauvignon. Com o envelhecimento, os aromas cítricos misturam-se com frutas mais delicadas como pêssego por exemplo, dando suavidade ao conjunto. Sua maciez, seus elegantes toques de madeira e algo de cogumelos, completam admiravelmente sua evolução. Belo vinho para acompanhar frutos do mar com molhos brancos delicados.

pavillon rouge 2009Muita fruta e flor em sua juventude

Agora entrando no terreno dos tintos, dois Pavillon Rouge du Chateau Margaux são servidos em duas belas safras. O da foto acima esbanja juventude e frescor. Seus aromas de frutas escuras e flores são notáveis. Taninos macios, de fácil aceitação. Muito harmônico em boca com seus componentes bem dosados: álcool, acidez e taninos. Apesar de poder evoluir bem em garrafa, está delicioso para beber neste estágio.

pavillon rouge 2000

Profundo e cerimonioso

Outra grande safra, mas de perfil completamente diferente. Com seus quinze anos, ainda continua com certos mistérios. Cor profunda, rico em taninos, e começando abrir seus aromas terciários. Frutas escuras  em geleia, toques sutis de sous-bois, couro e caixa de charuto. Boca um tanto austera, necessitando decantação. Com taninos a resolver, merece mais alguns anos em adega, permitindo assim, maior complexidade aromática. Um vinho marcante.

chateau margaux 2004

Um dos destaques do Médoc nesta safra

A safra 2004 não teve o mesmo esplendor como 2000, 2005 e 2009. Portanto, apesar de tratar-se de um Chateau Margaux, numa sintonia fina, seus taninos não são tão polidos. É uma questão de safra onde não teve condições de haver uma maturação fenólica plena. Portanto, mesmo com os anos de adega e o desabrochar de seus aromas, haverá sempre uma cicatriz na resolução dos taninos. Mesmo assim, para a safra em questão é uma das melhores pedidas no Médoc. Deve ser decantado com antecedência por duas horas pelo menos.

chateau margaux 1996

1996: uma linda safra

Aqui é quando unimos um grande vinho a uma grande safra. Apesar de jovem, este Margaux está delicioso para beber. Seus aromas primários de frutas e flores explodem em harmonia. Boca sedosa, bem equilibrado com final muito expansivo. É evidente que pode evoluir em adega por décadas, mas seus taninos ultra polidos permitem sua apreciação mesmo jovem. Um dos grandes Margaux desta década de 90.

chateau margaux 1983

Apesar de pouco badalado, 83 é soberbo

Eu sou suspeito para falar deste vinho, mas 83 é uma grande safra deste Chateau. Não só o Chateau Margaux, mas a comuna de um modo geral elaborou vinhos melhores do que a badalada safra de 1982. Voltando ao astro, seus trinta e dois anos idade estão em grande forma. Aromas dominado pelo lado terciário como couro, cogumelos, especiarias, minerais, balsâmico, e outros indescritíveis. Contudo, a fruta ainda está presente, grande frescor, e taninos bem resolvidos. Deve permanecer neste platô por mais algumas décadas. Um dos grandes Margaux da história, coincidindo com a chegada em 1983 do atual diretor do Chateau, o competente Paul Pontallier.

yquem 1990

Yquem numa bela safra

Novamente a junção de um grande vinho e uma grande safra. Vinho para evoluir por décadas. Está saindo de sua fase primária para desabrochar seus aromas terciários. Muita fruta, mel, damascos, os toques da Botrytis que lembram esmalte de unha, caramelo, entre tantos outros. Muito equilibrado em boca com um belo suporte de acidez. Sua persistência aromática é muita longa e notável. Em safras como esta é que entendemos porque ele é fora de série em sua apelação (Sauternes).

Enfim, com o desfile deste grandes vinhos tendo como fecho de refeição o “intruso” Yquem, a noite foi maravilhosa. Mais uma vez um Premier Grand Cru Classe torna esses momentos memoráveis. Agradecimentos aos amigos e ao anfitrião, aguardando novos encontros deste nível.

Chateau Margaux em grandes safras: Parte I

11 de Outubro de 2015

Chateau Margaux dispensa apresentações. É um dos poucos casos onde o Chateau dá nome à comuna e também à apelação, sendo o único Premier Grand Cru Classe da região. Entender, interpretar seu terroir é sempre um desafio e por vezes incompleto. Seu atual Diretor desde 1983, Paul Pontallier, costuma dizer que este é um dos poucos vinhos que reúne elegância e potência ao mesmo tempo. A elegância, a delicadeza, a maciez, são encantadores. Contudo, de modo sutil, a potência, a estrutura tânica e o fresco, praticamente escondidos pela elegância é que permite que este grande tinto possa desenvolver-se e amadurecer por 20, 30, 40, 50 anos, ou mais. Em resumo, é como o bailarino segurando com mão de ferro sua companheira e ao mesmo tempo, ainda consegue transmitir leveza e graça à cena.

Além do Grand Vin, Chateau Margaux elabora seu segundo vinho com muito critério chamado Pavillon Rouge du Margaux. Evidentemente menos estruturado, pode envelhecer por pelo menos dez anos nas boas safras. É elaborado desde 1908.

Outra curiosidade é seu branco denominado Pavillon Blanc du Margaux. 100% Sauvignon Blanc, este vinho já tem tradição no Médoc, embora seja terra quase absoluta de grandes tintos. Ele apareceu ao mercado em 1920, sendo doze hectares de vinhas plantadas num setor do Chateau onde a incidência de geadas é grande. Um risco maior para as uvas tintas de longa maturação.

Como última informação, os cuidados com a madeira de carvalho para a confecção de barricas novas é item importante no Chateau. Um terço das mesmas é produzido na propriedade através de uma tanoaria própria. O restante  provem de várias tanoarias famosas das melhores florestas do centro da França. Como critério, é importante esta diversidade de origem da madeira afim de transmitir ao vinho aromas mais complexos e sutis.

Feita as apresentações, vamos ao jantar onde desfilaram essas maravilhas. Para a recepção dos convidados um trio de peso da região de champagne deram o tom do jantar. Dois champagnes Krug (Grande Cuvée e Millesime 2000) e um Dom Pérignon 2004. Em resumo, Dom Pérignon primou pela elegância e leveza, Krug Grande Cuvée pelo exotismo e personalidade, e finalmente Krug 2000 pela estrutura e complexidade aromática.

dom perignon 2004

Elegante e sutil

krug grande cuvee

Sempre uma grande pedida

krug 2000

A cada safra uma surpresa

turma margaux

Margaux: A turma toda

No próximo artigo descreveremos a turma toda acima culminando no espetacular Yquem 1990. Os brancos 2011 e 2001 foram muito didáticos para mostrar a evolução em garrafa de um 100% Sauvignon Blanc. Nos tintos Pavillon, a mesma coisa. Duas grandes safras, 2009 e 2000, brilharam à mesa. Finalmente no Gran Vin, as safras 1983 e 1996 são espetaculares. Na safra 2004, particularmente boa para este Chateau, não há o esplendor das demais. Por fim, o grande Yquem 90 fechou em grande estilo o jantar numa safra praticamente perfeita.

Amigos Especiais

6 de Outubro de 2015

Os encontros enogastronômicos entre amigos deixam sempre boas lembranças, um astral renovado e a expectativa que o próximo não tarde a chegar. Vários vinhos desfilaram, mas o embate Bourgogne x Bordeaux era o mais esperado, conforme relato abaixo.

Ferrari Perle 2006

Ferrari: quase um champagne

Sempre que possível, gosto de testar um Ferrari com amigos e sentir suas reações. Quase sempre muito positivas, e concordando que perante champagnes mais comerciais e de alta produção, Ferrari está  um passo a frente. Além disso, trata-se de um Blanc de Blancs, elaborado somente com Chardonnay. Leve, delicado, elegante, perfeito para iniciar os trabalhos. Este da safra 2006 passou cinco anos sur lies antes do dégorgement.

Ott Romassan 2013

Domaines Ott: referência em rosés na Provence

Os rosés da Provence são encantadores, sobretudo os três do Domaines Ott. Este em especial, Chateau Romassan, provem de vinhedos na região de Bandol, onde a cepa Mourvèdre é protagonista. Apesar de bem estruturado, os toques delicados de frutas, flores, especiarias, garantem a elegância e equilíbrio habituais. A cor salmonada de grande delicadeza tem a ver com o processo de prensagem das uvas que neste caso chama-se pressurage (obtenção de cor com pressão delicada das uvas e um breve tempo de contato). Acompanhou muito bem o típico prato abaixo provençal recheado de legumes chamado Tian.

tian de legumes

Rosé combina com legumes, alho e ervas

dufort-vivens 2000

A safra 2000 confirma sua longevidade

Não é fácil comparar um Bordeaux a um Bourgogne. Chega a ser até uma certa heresia. Contudo, com um pouco de bom senso é possível haver uma aproximação. Por ser da comuna de Margaux e ser um Chateau delicado, achei que um Dufort-Vivens de quinze anos de safra estaria de bom tamanho. Só não contava com a potência da safra 2000, safra realmente de grande longevidade. A cor sem nenhum sinal de evolução, os aromas predominantemente primários e taninos ainda bem presentes. O lado de frutas escuras (cassis) e toques minerais sobressaíram. Boca muito bem equilibrada, taninos finos, mas ainda a resolver. Talvez mais dez anos em adega possa atingir o auge.

sylvain cathiard 2003

Cathiard: uma pérola no santuário de Vosne

Meu amigo Roberto Rockmann, especialista em vinhos borgonheses, é que pinça essas preciosidades. Sylvain Cathiard é um pequeno vigneron com pouco hectares dentro de Vosne-Romanée, entre os quais, o Premier Cru acima, Aux Malconsorts da temida safra de 2003. Um tinto com a elegância e os mistérios da comuna. Os aromas delicados e profundos dos tintos da Côte de Nuits. Toques florais, terrosos, de carne, especiarias e incenso, alternam-se na taça, intrigando-nos do começo ao fim. Taninos de rara textura e um final de boca expansivo. A grande estrela do almoço.

Sylvain Cathiard exporta praticamente tudo que produz de minúscula produção. Estados Unidos e Reino Unido lideram a fila. São parreiras de mais de quarenta anos com rendimentos ínfimos. Este vinho degustado provem de parreiras bem próximas ao majestoso La Tâche DRC (Domaine de La Romanée-Conti), vizinhança ilustre. Seus vinhos passam por pelo menos 70% de madeira nova no amadurecimento. e onde está a madeira? o gato comeu. É a força do terroir!

yquem 1999

O soberano Yquem em qualquer safra

Finalizando os serviços à mesa, um Yquem 1999 aparece. Evidentemente, para a longevidade deste mito encontra-se em tenra idade. Seus aspectos visuais são dourados e bem vivos. Aromas inebriantes e intensos. Boca extremamente macia, sedosa, bem dosada em açúcar e principalmente, com aquela acidez que dignifica os grandes vinhos doces. Não é das grandes safras, mas quem é rei nunca perde a majestade. Grande fecho de refeição.

montecristo 2008

Puros safrados e de edição limitada

Agora, partindo para os cafés, chás e boa música, Puros  e Porto Tawny Quinta da Romaneira embalam noite adentro. Nessa hora, os comentários do encontro, a boa conversa e sobretudo, projetos para os novos encontros. De preferência, bem rápidos. Abraço a todos!