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Tintos para o Verão: Parte I

14 de Janeiro de 2013

Quando pensamos em tintos para o verão, pensamos em vinhos relativamente leves, que podem ser refrescados e com aromas que lembram frescor e delicadeza. Neste contexto, os vinhos elaborados com a uva Pinot Noir são emblemáticos e com boa disponibilidade no mercado. Porém, alguns cuidados devem ser tomados para não comprarmos gato por lebre. A primeira grande divisão é separamos tintos da Borgonha do restante não só da França, como principalmente dos países do chamado Novo Mundo. Mesmo dentro da Borgonha, esta leveza, este descomprometimento em acompanhar pratos leves do verão, inclusive lanches frios, nos leva a vinhos mais simples e consequentemente com preços menos assustadores. Os vinhos de apelações mais genéricas encaixam-se bem neste perfil. O ideal é optarmos pelos comunais ou Villages onde o nome da comuna mais restritiva, garante de certo modo, a preservação da tipicidade ligada ao terroir, conceito este tão respeitado e procurado pelos amantes da região. Procurem deixar as categorias Premier Cru e Grand Cru para ocasiões especiais, para pratos mais sofisticados e sérios, muitas vezes mais apropriados para uma estação mais amena, inclusive inverno. Não que estas categorias apresentem vinhos pesados ou encorpados, pelo contrário, mas são vinhos de maior profundidade, com carga tânica muitos vezes dissonantes com o propósito deste artigo. Resumindo, não tem sentido acompanhar um lanche frio de verão com um Chambertin (um dos belos Grands Crus da Côte de Nuits).

Belo produtor numa grande safra (2009)

Anne-Françoise Gros é importado pela Cellar (www.cellar-af.com.br). Uma apelação genérica, mas altamente abalizada pela qualidade do produtor, culminando numa safra perfeita. Ótima pedida para o propósito do artigo.

Continuando na França, a grande região a ser explorada para estes tipos de tintos é o Vale do Loire. Aqui, uvas como Gamay, Pinot Noir e Cabernet Franc, são fontes de tintos originais e com todas as características que procuramos. A apelação Sancerre para tintos molda vinhos à base de Pinot Noir perfeitos para acompanhar pratos de verão. São leves e podem ser servidos agradavelmente refrescados. As apelações Bourgueil e Chinon por exemplo, desde que não sejam topos de gama de suas respectivas vinícolas, são vinhos baseados em Cabernet Franc de clima frio. Também são muitos aromáticos e refrescantes. A uva Gamay dificilmente aparece sozinha nas apelações. Em Anjou e Saumur por exemplo, ela normalmente é mesclada com a Cabernet Franc, gerando vinhos leves e delicados. Aliás, Gamay é a uva do Beaujolais, vinho também emblemático para o verão. Exceto alguns Crus como Morgon e Moulin à Vent, toda a gama de Beaujolais é bem-vinda para o verão. Portanto, use e abuse desta apelação. Só para esclarecer, Beaujolais não faz parte do Loire, e sim da Borgonha, embora alguns autores a excluam desta região.

Pinot Noir Reserve Expresión 2009

Produtor francês radicado no Chile

O rótulo acima é uma boa pedida do Novo Mundo que falaremos a seguir. Importado pela Decanter (www.decanter.com.br), este produtor procura preservar a delicadeza da cepa em seu rótulo mais simples.

Saindo da França, voltamos à Pinot Noir agora focando o Novo Mundo. Praticamente, todos os países deste bloco cultivam em maior ou menor escala esta temperamental cepa. O problema crônico do Novo Mundo é que estes vinhos costumam ser mais encorpados que deveriam, mais extraídos e mais amadeirados. Portanto, um tanto pesados para as características da uva. No Chile, regiões frias como Casablanca e Leyda, moldam alguns exemplares adequados ao nosso tema. Os mais simples, menos amadeirados, e portanto mais em conta, são os mais indicados para nosso propósito. Nova Zelândia, é outro país a ser explorado. Regiões como Martinborough e Central Otago são as mais promissoras para esta irriquieta casta. Talvez seja mesmo o país com maior potencial para Pinot Noir de caráter diferenciado, mas ainda é uma promessa. Falando agora de Argentina, a fria região da Patagônia é a mais entusiasmante. Um produtor em particular, destaca-se sobre os demais, Bodega Chacra. Falamos com mais profundidade deste produtor biodinâmico em artigo específico neste blog (verificar – Chacra e Noemía: Bodegas de Terroir). Demais países como África do Sul, Austrália, Brasil, Uruguai e Estados Unidos, as escolhas são pontuais e pessoais. A dica é procurar as regiões mais frias nos respectivos países. Um parênteses deve ser feito aos Estados Unidos. Existem vinhos de altíssimo nível, sobretudo na região de Russian River, que muitas vezes rivalizam com grandes exemplares da Borgonha. Contudo, são vinhos mais complexos e diferenciados, caindo na mesma consideração dos Premiers e Grands Crus da Borgonha exposta no início do artigo.

Toscana: Parte III

27 de Setembro de 2012

Dando prosseguimento às atuais DOCGs da Toscana, abordaremos as denominações Morellino di Scansano, Montecucco Sangiovese e Elba Aleatico Passito, enumeradas abaixo nos itens 15, 12 e 10, respectivamente.

As várias denominações toscanas

Morellino di Scansano

Morellino, um dos muitos sinônimos da Sangiovese, protagoniza o corte desta recente DOCG na região de Maremma. A legislação exige pelo menos 85% de Sangiovese, podendo ser complementada por outras uvas tintas autorizadas na região. Vinho de médio corpo, boa acidez e tanicidade comedida. Normalmente, para ser tomado jovem. Existem versões mais sofisticadas com passagem por madeira mais acentuada. Fattoria di Magliano é uma bela vinícola representada aqui no Brasil pela importadora Cellar (www.cellar-af.com.br), com exemplares de Morellino di Scansano e Rosso Maremma, DOC que falaremos em artigos seguintes.

Montecucco Sangiovese

Ao norte da DOCG Morellino e ao sul da DOCG Brunello di Montalcino, encontra-se a recente DOCG Montecucco Sangiovese, aprovada no final de 2011. A legislação pede no mínimo 90% de Sangiovese, complementada eventualmente por outras uvas tintas autorizadas na região. O produtor Colle Massari da importadora Mistral (www.mistral.com.br) é uma boa referência para esta denominação.

Elba Aleatico Passito

DOCG recente, elaborada com a uva tinta 100% Aleatico. Esta uva tem parentesco com a Moscatel e é também chamada de Moscatel tinto. Além da ilha de Elba, pertencente à Toscana, é cultivada com sucesso na região sulina da Puglia. É um vinho tinto doce elaborado com uvas passificadas, concentrando sobremaneira os açúcares. Muitas vezes, apresenta o característico aroma de lichias. Infelizmente, não temos exemplares no Brasil. Contudo, pode ser encontrado na importadora World Wine (www.worldwine.com.br) um Aleatico di Puglia Passito do produtor Feudi di San Marzano. Não é o mesmo terroir, mas uma boa aproximação da versão toscana.

Próximo post, as principais DOCs da Toscana como Bolgheri, Maremma e Vin Santo.

Harmonização: Pappardelle alla Lepre

23 de Julho de 2012

Pappardelle é aquela massa larga, também chamada de fita, conforme figura abaixo. Pappardella alla Lepre é um dos mais tradicionais pratos toscanos. Infelizmente, Lepre ou Lebre em português é um animal cada vez mais difícil, por se tratar de caça. Normalmente, seu substituto imediato é a carne de coelho criado em cativeiro, em italiano, coniglio. Seu sabor não é tão marcante, mas apresenta resultados satisfatórios, principalmente se for adicionado funghi porcini na receita.

Pappardelle alla Lepre: Sabores da Toscana

Massas de um modo geral, não necessitam de vinhos muito espessos. Em particular, o pappardelle resulta numa textura mais rica. Além disso, o molho tem sabor marcante e aí estamos falando de tintos. Tanto no caso da lebre de caça, como do coelho com funghi porcini, tintos com certo envelhecimento encontram eco nos sabores do prato. Um Chianti Classico é a opção natural da Toscana. Mas atenção, precisa ser um Chianti Classico de verdade. Nomes como Castello di Ama, Fontodi, Fonterutoli e Castello dei Rampolla são altamente confiáveis. Esses vinhos com algum envelhecimento fornecem aromas defumados, de ervas e especiarias, muito apropriados ao prato. Um Rosso di Montalcino de um grande produtor também é uma bela opção. O importante é que sejam vinhos elegantes, de sabores marcantes sem serem pesados, criando uma sinergia com o prato. As importadoras dos vinhos acima citados são Mistral, Vinci, Expand e Cellar, respectivamente.

http://www.mistral.com.br

http://www.vinci.com.br

http://www.expand.com.br

www.cellar-af.com.br

Saindo da Itália, portugueses do Dão ou espanhóis de Rioja apresentam textura compatível, desde que devidamente envelhecidos. Riojas entre as categorias Crianza e Reserva são os ideais. Vinhos do sul da França de Languedoc ou Provence, mesclando uvas como Carignan, Cinsault e Mourvèdre, podem ser boas alternativas.

Por fim, cuidado com vinhos do Novo Mundo. Dificilmente, envelhecem bem, além de apresentarem textura dominadora. Geralmente, são muito frutados, potentes, e com a madeira muitas vezes sobressaindo.

Vale do Rhône: Parte VI

21 de Maio de 2012

Dando prosseguimento ao chamado Rhône do Sul, falaremos de duas apelações com grande volume de produção:Côtes du Rhône e Côtes du Rhône Villages.

Côtes du Rhône

Segundo dados do Conselho Interprofissional do Vale do Rhône (www.vins-rhone.com), a safra de 2010 apresentou 35.000 hectares de área cultivada com uma produção de 1.400.000 hectolitros entre tintos (89%), rosés (8%) e brancos (3%).

São 171 comunas em todo o Vale do Rhône, sendo grande parte localizada na porção meridional. Como a diversidade de climas e solos é enorme; produtor, safra e localização são fatores fundamentais para o sucesso na compra. Uma boa escolha é a Domaine Soumade trazida pela importadora Zahil (www.zahil.com.br). Chateau de Fonsalette da Mistral (www.mistral.com.br) e Coudoulet de Beaucastel da World Wine (www.worldwine.com.br) são opções seguras. Outro clássico da Mistral é o Parallèle 45 de Paul Jaboulet (Rhône do Norte).

As uvas para esta apelação podem ser as mesmas mencionadas no artigo anterior sobre Châteauneuf-du-Pape. Para os tintos, a Grenache deve comparecer com pelo menos 40% no corte, exceto em regiões do Rhône Setentrional, onde a Syrah apresenta um amadurecimento mais adequado.

Os melhores Rosés costumam ter boa porcentagem da uva  Cinsault, muito apropriada para este tipo de vinho. Nos brancos, as uvas Grenache Blanc, Clairette, Marsanne, Roussanne, Bourboulenc e Viognier dominam o corte.

 

 

Côtes du Rhône Villages: Maior confiabilidade

O sufixo Villages na apelação indica um produto mais confiável e mais típico de seu terroir. São 95 comunas exclusivamente no Rhône do Sul, produzindo 320.000 hectolitros em 9.600 hectares. Números bem mais restritivos que a apelação genérica.

Dentre os Villages, 17 comunas podem acrescentar o respectivo nome no rótulo, dando mais exclusividade à apelação. No mapa acima, temos mapeado toda a apelação Côtes-du-Rhône Villages, sendo que as indicações em vermelho, são os nomes dos 17 Villages.

Nesta apelação, a Grenache continua dominando o corte, com pelo menos 50%, tanto para tintos, como para rosés. Para os brancos, permanecem as mesmas uvas já mencionadas. A proporção de tintos para os Villages é praticamente total. Na safra de 2010, temos 97% (tintos), 1% (rosés) e 2% (brancos).

Algumas indicações de Villages

  • Domaine Ameillaud Côtes du Rhône Cairanne Villages 2009 por R$ 40,00 na Cellar (www.cellar-af.com.br). Uma pechincha para um Villages com indicação de uma das 17 comunas (Cairanne).
  • Château Signac da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br). O Cuvée Terra Amata é excepcional. É de uma das 17 comunas chamada Chusclan.
  • Domaine La Soumade da importadora Zahil, mencionada acima.

Vinsobres

Como curiosidade, Vinsobres adquiriu apelação própria em 2005 exclusivamente para vinhos tintos. Até então, fazia parte dos chamados Côtes-du-Rhône Villages. É o único Cru com este privilégio em toda a Côtes-du-Rhône. São pouco mais de 400 hectares de vinhas.

 

Vale do Rhône: Parte V

17 de Maio de 2012

Deixando o Rhône Setentrional a caminho da Provença, chegamos ao chamado Rhône do Sul, onde tudo muda. Clima, solos e principalmente relevo são fatores decisivos para esta mudança. Aqui não mais a Syrah, e sim a Grenache passa ser a grande casta. Contudo, os vinhos costumam ser de corte, com predomínio da Grenache e participações coadjuvantes da Mourvèdre, Cinsault e Syrah, entre outras.

 

Rhône Sul: Topografia menos acidentada

A apelação mais popular e uma das maiores de toda a França é Côtes-du-Rhône, competindo em números com apelações como Bordeaux genérico e Beaujolais. Num grau de hierarquia superior, temos a apelação um pouco mais restritiva chamada Côtes-du-Rhône Villages. Enquanto a primeira pode ser elaborada em todo o Vale do Rhône, embora seja amplamente difundida no Rhône do Sul, Côtes-du-Rhône Villages é exclusivamente do Rhône Meridional. Todas as duas baseiam-se no famoso corte do Ródano com a Grenache sendo majoritária, e as castas Mourvèdre, Cinsault e Syrah, principalmente, como coadjuvantes. Falaremos com mais detalhes num próximo post.

Apelações como Gigondas, Vacqueyras, Rasteau e Beaumes de Venise, serão abordadas oportunamente com algumas outras não tão conhecidas. Aqui estamos bem próximos do terroir provençal, sendo muitas vezes, confuso para impor limites.

Galets: solo típico da apelação Châteauneuf-du-Pape

O grande destaque do Rhône Meridional é a famosa apelação Châteauneuf-du-Pape com seus típicos solos de galets (pedras arredondas, conforme foto acima). Não é em toda a apelação, mais este solo pedregoso tem capacidade de escoar água com grande eficiência, além de reter calor para as uvas no período de amadurecimento. O vento mistral funciona como um ar condicionado refrescando as vinhas, e secando-as se for o caso, de uma boa chuvarada.

As castas que podem participar de sua composição muitas vezes são citadas como “A sinfonia das treze cepas”. Contudo, na prática temos a Grenache como espinha dorsal, fornecendo muita fruta, força alcoólica e maciez. A Mourvèdre fornecendo taninos e estrutura, enquanto a Syrah contribui com sua elegância. Tintas como Cinsault, Muscardin, Counoise, Picpoul, Terret Noir, Vaccarèse, e brancas como Clairette, Roussanne, Picardan e Bourboulenc, além das três principais, primeiramente citadas, formam o famoso grupo das treze uvas. Poucos châteaux obedecem este corte e quando o fazem, muitas delas apresentam porporções ínfimas.

Châteauneuf-du-Pape

Pouco mais de 3100 hectares de vinhas com redimentos próximos de 27 hectolitros por hectare. Os solos são constituídos pelas famosas pedras e proporções variáveis de argila e areia. São solos sedimentares formados a partir do leito do rio Rhône em outras eras geológicas.

Além do famoso tinto, temos uma pequena produção do Châteauneuf-du-Pape branco. Não são tão atrativos como os tintos, além de não envelhecerem bem, salvo raras exceções. Produtores como La Nerthe (importadora Grand Cru – www.grandcru.com.br), Château de Beaucastel (www.worldwine.com.br), Château Rayas (www.mistral.com.br), Domaine de Marcoux (www.cellar-af.com.br), são nomes altamente confiáveis.

Evite comprar vinhos desta apelação sem a devida referência do produtor. Há muitos comerciantes e produtores sem escrúpulos, que se aproveitam da fama deste vinho para lançarem no mercados verdadeiras zurrapas, com álcool desequilibrado e bastante diluídos.

Vale do Rhône: Parte IV

14 de Maio de 2012

Finalizando o chamado Rhône do Norte, vamos falar das demais apelações, além das já mencionadas Côte-Rôtie e Hermitage. Podemos começar por duas alternativas ao grande Hermitage: Crozes-Hermitage e Cornas.

Crozes-Hermitage

As uvas permitidas são as mesmas do Hermitage, tanto para tintos, como para brancos. Contudo, as diferenças de solo, altitude e exposição do terreno, podem ser quase abissais. É só comparar os 130 hectares de Hermitage contra 1500 hectares de Crozes-Hermitage que cercam os vinhedos de Hermitage. Mais uma vez, o produtor é fundamental. Alguns nomes certeiros: Alain Graillot da importadora Mistral em primeiro lugar. Chapoutier da mesma importadora, e Yann Chave da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br) são escolhas confiáveis.

Cornas

No sul do Rhône Setentrional, logo abaixo da apelação Saint-Joseph, encontramos um terroir diferenciado, num amplo anfiteatro de excelente exposição solar e totalmente protegido dos ventos. Não é à toa que Cornas significa “terra queimada”. Elaborado exclusivamente con Syrah, esta apelação de 130 hectares  é considerada maldosamente como “Hermitage dos pobres”. Tem lá uma certa rusticidade, mas é um tinto musculoso, longevo e impactante, por um preço bem mais acessível que seu primo rico.

Produtores como Domaine Clape da importadora Mistral, é o primeiro nome da lista. Jaboulet também da Mistral e Colombo da importadora Decanter (www.decanter.com.br) são belas referências.

Rhône Setentrional

Saint-Joseph

No mapa acima, percebemos uma vasta área referente à apelação Saint-Joseph. Esta seria a resposta a um Côte-Rôtie mais acessível, também baseada na uva Syrah, embora seja permitida a adição em até 10% das brancas Marsanne ou Roussanne. O grande problema é que esta área foi aumentada em demasia, perdendo muitas vezes, o verdadeiro conceito de terroir, com vinhos diluídos e descaracterizados. Para se ter uma idéia, a área original em torno de Mauves e Tournon não passava de 100 hectares. Atualmente, temos pouco mais de 1200 hectares. Portanto, a escolha do produtor e consequentemente os melhores locais, é fundamental para o sucesso da compra. Aqui no Brasil, fique com os produtores Chapoutier e Jaboulet, ambos da Mistral (www.mistral.com.br). Os brancos desta apelação, embora mais raros, costumam ser gratas surpresas.

Condrieu

Uma apelação exclusivamente de branco elaborada com a perfumada e exótica uva Viognier. Nos anos 60 esta apelação beirou a extinção com apenas 12 hectares. Nas últimas décadas, houve um renascimento da casta, contando atualmente com algo perto de 170 hectares.

Reparem que no mapa acima, ao norte, a apelação confunde-se com Côte-Rôtie e ao sul, observamos trechos descontínuos na apelação Saint-Joseph. Os locais mais frescos e com forte presença de mica no solo xistoso é fator determinante para o bom cultivo da Viognier, casta que exige além de tudo, baixos rendimentos. Dentro da apelação, existe um terroir diferenciado chamado Château-Grillet. Propriedade de apenas 3,8 hectares com apelação de origem exclusiva, mostrando um Viognier diferenciado, além de amadurecido em carvalho. Para a apelação Condrieu, produtores como Guigal, Jaboulet, Delas e Vernay, são referências da apelação. Domaine Georges Vernay e Delas Frèresm são encontrados na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br), enquanto Guigal é trazido pela Expand (www.expand.com.br) e Jaboulet pela Mistral (www.mistral.com.br).

Vale do Rhône: Parte II

7 de Maio de 2012

Nesta segunda parte, vamos começar detalhar o chamado Rhône do Norte com duas apelações fantásticas: Côte-Rôtie e Hermitage. Outras serão mencionadas e comentadas, mas nada se compara a estes dois grandes vinhos baseados na casta Syrah.

As dramáticas encostas da Côte-Rôtie

Quando o rio Rhône caminha em território francês na direção norte sul passando pela cidade de Vienne, temos a oeste uma série de encostas de origem granítica extremamente íngremes. Aqui começa a famosa apelação Côte-Rôtie. Literalmente, encosta tostada, devido à perfeita incidência solar em relação à inclinação da montanha.

Côte-Rôtie

Apelação de 230 hectares em solos de xisto com base granítica. O relevo acidentado apresenta altitudes entre 180 e 325 metros com declividades muitas vezes acima de 60%. A uva dominante é a Syrah com permissão de no máximo 20% da branca local Viognier. Na prática, ou é 100% Syrah, ou 5 a 10% da exótica branca.

Dois terroirs famosos são denominados Côte de Brune e Côte de Blonde. O primeiro, com um solo argiloso mais escuro devido à presença de óxido de ferro. O segundo, de solo mais claro com presença de calcário e sílica.

São vinhos elegantes, estruturados e longevos. Em comparação com o rival Hermitage, é considerado um vinho feminino pela sutileza de seus aromas e sedosidade em boca.

Eis a trilogia dos cem pontos

Produtores de destaque: Étienne Guigal, sobretudo pelas três pérolas acima: Côte-Rôtie La Turque, La Mouline e La Landonne. Estão seguramente entre os melhores de toda a França e consequentemente, do mundo. Outro grande produtor é  René Rostaing, importado pela Cellar (www.cellar-af.com.br). Já o produtor Vidal-Fleury é trazido pela Vinea (www.vinea.com.br).

Borgonha: Parte X

23 de Abril de 2012

Finalmente, chegamos ao sul da Borgonha, seguindo abaixo da Côte Chalonnaise. Aqui o sol brilha mais forte, as temperaturas são relativamente mais elevadas e os frutos amadurecem com mais facilidade. Há uma série de colinas voltadas para o sul e sudeste, favorecendo as benesses do clima. Nos tintos predomina a cepa Gamay, antevendo as proximidades dos vinhedos de Beaujolais mais ao sul. Nos brancos, predomínio absoluto da Chardonnay com vinhos maduros e afáveis a exemplo de um Pouilly-Fuissé.

Sete apelações nesta sub-região

No Mâconnais, apesar de vinhos agradáveis, não há nenhum Premier Cru. As apelações Mâcon, Mâcon-Villages, Pouilly-Fuissé, Pouilly-Loché, Pouilly-Vinzelles, Saint-Véran e Viré-Clessé serão detalhadas abaixo.

A apelação Mâcon é a mais extensa e generalizada de todo o Mâconnais. Há um claro predomínio dos tintos principalmente com a uva Gamay em relação à produção de vinhos brancos. São elaborados tintos e rosés frutados, relativamente leves, sem compromissos. O branco é mais relevante com a apelação Mâcon-Villages, esta sim, exclusiva para brancos com a uva Chardonnay. O nome de uma das 26 comunas homologadas pode ser anexada nesta apelação mais restrita. São brancos agradáveis, frutados e florais.

Em locais mais ao sul, onde o calcário é mais presente, principalmente em torno dos maciços de Solutré e Vergisson, a apelação mais famosa de todo o Mâconnais, Pouilly-Fuissé, elabora brancos à base de Chardonnay, com certa classe, complexidade e graça. O produtor Saumaize-Michelin da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br) é um bom exemplo neste sentido. Com o tempo, duas comunas adquiriram apelações próprias. São elas Pouilly-Loché e Pouilly-Vinzelles. Tentam diferenciar-se dos Pouilly-Fuissé mais comuns, mas não atingem os melhores da apelação principal.

A recente apelação Viré-Clessé refere-se a brancos elaborados com Chardonnay das duas mais destacadas comunas para os inexpressivos brancos da apelação Mâcon (Viré e Clessé, situadas mais ao norte de Pouilly-Fuissé).

Por fim, a apelação Saint-Véran, vizinha à Pouilly-Fuissé, elabora brancos com base na Chardonnay, com alguns vinhedos quase dentro da região de Beaujolais. Daí, muitos referirem-se a esta apelação como um Beaujolais Blanc. São vinhos leves, fáceis, feitos para o dia a dia.

Borgonha: Parte IX

19 de Abril de 2012

Terminada a intrincada sub-região da Côte d´Or, caminhamos mais ao sul em direção à Côte Challonaise, detalhada no mapa abaixo. Apesar de muita próxima da Côte de Beaune, nesta sub-região ocorrem mudanças drásticas em termos de terroir. Aqui não há mais a proteção segura a oeste das altas encostas da Côte d´Or. Portanto, os ventos frios afetam mais as vinhas, criando dificuldade no perfeito desenvolvimento e amadurecimento dos frutos. Além disso, torna-se uma região confusa topograrficamente e assim, os vinhedos melhores posicionados nos declives a sul e sudeste levam vantagens.

Os vales e encostas bem posicionadas são relevantes

O solo de natureza argilo-calcária ainda comanda as vinhas, mais propensas ao plantio da Chardonnay quando o calcário predomina, enquanto a Pinot Noir é mais indicada no predomínio da argila, embora os fatores inicialmente expostos sejam mais relevantes.

As principais comunas no sentido norte-sul são Bouzeron, Rully, Mercurey, Givry e Montagny. Algumas vinhas que destacam-se em seu posicionamento admitem algumas apelações Premier Cru. Contudo, não há um terroir tão privilegiado a ponto de termos qualquer sinal de vinhas Grand Cru.

Bouzeron é uma apelação própria dentro da Côte Chalonnaise específica para vinhos brancos com a casta Aligoté. Alíás, aqui se faz o melhor Aligoté da Borgonha e dentre eles destaca-se a domaine A. et P. de Villaine, propriedade do todo poderoso comandante da Domaine de La Romanée-Conti. Este vinho é trazido pela Expand (www.expand.com.br).  Como curiosidade, o famoso aperitivo Kir é elaborado com vinho Aligoté e o típico licor da região, Crème de Cassis.

Rully, a comuna seguinte, elabora brancos e tintos com Chardonnay e Pinot Noir, respectivamente. As apelações são comunais com 23 climats classificados como Premier Cru, entre brancos e tintos. São vinhos sem relevância, para consumo no dia a dia local. Um bom produtor trazido pela importadora Club Taste Vin (www.tastevin.com.br) é a Domaine de la Folie.

Em Mercurey, comuna abaixo, temos clara predominância dos tintos. São os mais encorpados e confiáveis de toda a Côte Chalonnaise. Existem 29 climats na apelação Premier Cru entre tintos e brancos. Os produtores Faiveley e Lorenzon são confiáveis  e representados no Brasil pelas importadoras Mistral (www.mistral.com.br) e Cellar (www.cellar-af.com.br), respectivamente.

Givry é a próxima comuna, com tintos predominando sobre os brancos. São 26 climats no total na apelação Premier Cru. Nemhum grande destaque a exemplo da comuna de Rully.

Finalmente, a comuna de Montagny, com vinhos exclusivamente elaborados com Chardonnay. É a melhor comuna para brancos de toda a Côte Chalonnaise com 49 climats da apelação Premier Cru. O solo tem predominância calcária com certas porções lembrando  o perfil Kimmeridgiano de Chablis. A importadora Cellar traz um bom exemplar do produtor Jean-Marc Boillot (www.cellar-af.com.br).

Borgonha: Parte VIII

16 de Abril de 2012

Após a comuna de Meursault, caminhando para o sul da Côte de Beaune, entramos no berço espiritual da Chardonnay. Aqui, a palavra mágica é Montrachet. Evidentemente, o excepcional vinhedo “Le Montrachet” é o mais cobiçado de todos os Grands Crus desta pequena área, conforme figura abaixo.

A perfeição da Chardonnay

Notem que no meio do mapa existe uma linha pontilhada dividindo as comunas de Chassagne-Montrachet à esquerda, e Puligny-Montrachet à direita. Com isso, dois Grands Crus são divididos entre as mesmas: Bâtard-Montrachet e o grande Le Montrachet. Ainda no mapa, observamos o Grand Cru Criots-Bâtard-Montrachet pertencendo exclusivamente à comuna de Chassagne-Montrachet. Por sua minúscula produção, menos de dez mil garrafas por ano, comprem o que estiver ao alcance dos olhos e do bolso. Do lado de Puligny-Montrachet, mais dois Grands Crus exclusivos: Bienveneus-Bâtard-Montrachet e o estupendo Chevalier-Montrachet. Este último para muitos, o grande rival da estrela maior.

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Dos cinco Grands Crus, três merecem atenção especial quanto a seus respectivos terroirs. Observem o esquema acima dos vinhedos em termos de altitude. Na parte mais baixa, temos Bâtard-Montrachet com seu solo de marga onde a argila destaca-se em meio ao calcário. Portanto, numa sintonia fina seus vinhos são mais densos, mais pesados, necessitando de uma boa decantação, principalmente se forem tomados relativamente jovens.

Em altitude oposta, temos o vinhedo Chevalier-Montrachet com seu solo de pedregosidade destacada. Este fato confere uma sutileza e elegância incríveis, impressionando a maioria dos degustadores, sejam eles experientes ou não. Bouchard Père et Fils, também grande comerciante da borgonha, elabora um Chevalier-Montrachet de cair o queixo.

Por fim, o grande Le Montrachet, com seus 7,93 hectares extremamente fracionados, posicionado entre os dois Grands Crus acima citados. A insolação é perfeita, tendo na época de maturação o sol batendo nas vinhas até nove horas da noite. Seu solo conjuga todos os fatores benéficos à Chardonnay, resultando num vinho extremamente elegante como Chevalier, e não menos denso e robusto como um Bâtard. A perfeição está próxima.

Alguns produtores destes grandes vinhos: Domaine Leflaive, Domaine de La Romanée-Conti, Comtes Lafon, Ramonet, Drouhin (Marquis de Laguiche), Carillon, Gagnard e Sauzet. Infelizmente, nem todos vêm para o Brasil. As importadoras Expand e Mistral possuem alguns destes produtores.

Alternativas interessantes a todos esses grandes vinhos citados, são alguns produtores ilustres nas vizinhanças de Chassagne e Puligny como Jean-Marc Boillot da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br), com vários Puligny-Montrachet Premier Cru a preços atraentes. O produtor Hubert Lamy trazido pela importadora Premium Wines (www.premiumwines.com.br) elabora belos exemplares em Chassagne-Montrachet e na comuna vizinha de Saint-Aubin, com belos Premier Cru. Aliás, Saint-Aubin é uma alternativa interessante frente às comunas mais badaladas, principalmente na categoria Premier Cru.