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Importadoras Pioneiras

26 de Setembro de 2017

Os vinhos importados no Brasil têm história recente, pelo menos em maiores volumes e consistência de remessas contínuas. Dentro deste contexto, vale a pena recordar algumas importadoras pioneiras, sobretudo aquelas que priorizaram e se especializaram em determinados países até então inusitados em nosso mercado. Antes delas, uma menção especial para algumas que já se foram e deixaram saudades como Maison du Vin, Saveurs de France, Silmar do saudoso Silvio Rocha, Gomez Carrera, Callaz & Silvestrini e tantas outras.

monte do pintor 2005

um dos primeiros alentejanos no Brasil

Adega Alentejana

Em 1998, Manuel Chical, atual proprietário desde sempre, trouxe para o Brasil os vinhos alentejanos nunca vistos em nosso meio. Foi sucesso imediato, tal a agradabilidade destes vinhos na época. Por serem macios, frutados e acessíveis, mesmo em tenra idade, os paulistas sobretudo, receberam muito bem a novidade com mercado cativo até hoje. Destaque para o sóbrio e único Mouchão, um dos pilares da enologia alentejana. http://www.alentejana.com.br

KMM Armagh_2008

Um dos maiores Shiraz australianos

Importadora KMM

Embora a importado Mistral tenha trazido os espetaculares australianos da Penfolds, a importadora KMM com Marli Predebon sempre no comando desde 1992, construiu um portfolio invejável de grandes marcas deste país exótico. Sempre com vinhos bem pontuados, fieis ao terroir australiano, e de preços bem ecléticos, atingindo diversos padrões de consumidores. http://www.kmmvinhos.com.br

Premium Rippon Pinot Noir

Pinot Noir neozelandês de destaque 

Importadora Premium

Esta importadora mineira, sempre liderada pelos competentes Orlando Rodrigues e Rodrigo Fonseca, trouxeram em 1999 as primeiras levas de vinhos neozelandeses da melhor qualidade. Com portfolio variado e de preços para todos os bolsos, os brancos da Nova Zelândia caíram nos gosto brasileiro. O cuidado na escolha de produtores sempre foi preocupação fundamental desses sócios até hoje firmes no mercado. http://www.premiumwines.com.br

grand cru pulenta estate

vinhos sempre consistentes

Importadora Grand Cru

Embora atualmente esta importadora não tenha sua imagem focada somente nos argentinos, sua origem em 2002 marcou a entrada de grandes produtores deste país no auge de sua expansão vitivinícola. Evidentemente, eles continuam em destaque, mas o portfolio da importadora diversificou-se demais, tornando-se na atualidade uma das maiores do país com várias lojas em São Paulo e demais capitais. http://www.grandcru .com.br

tastevin muscat beaumes de venise

ótima qualidade e preço bem camarada

Importadora Club du Taste-Vin

Com 36 anos no mercado, esta importadora exclusiva para vinhos franceses é liderada desde sempre por François Dupuis, residente no Rio de Janeiro. Com presença bem mais enfática no público carioca, os paulistas também se abastecem com seus vinhos. A ideia é garimpar rótulos franceses não muito badalados a bom preço das principais regiões produtoras. Sempre fiel ao projeto original, só trabalha com vinhos franceses. http://www.tastevin.com.br

cellar alphonse mellot

Sancerre de personalidade

Importadora Cellar

Criada em 1995 e dirigida até hoje com mão de ferro pelo expert Amauri de Faria, esta importadora não introduziu os vinhos franceses e italianos propriamente no Brasil, mas sem dúvida nenhuma, deu e dá uma aula de como selecionar vinhos deste países de uma complexidade e diversidade ímpares. Seus rótulos primam por uma seleção de grande distinção e preços proporcionalmente bastante honestos. http://www.cellar-af.com.br

peninsula abadia retuerta

bodega de referência 

Importadora Peninsula

Há quase 20 anos no mercado, esta importadora se especializou em grandes vinhos espanhóis. Seu fundador e atual proprietário, Javier Dias Rabarain, prima por rótulos de grande destaque no cenário espanhol, tanto na escola mais tradicional, como no lado mais modernista. Menção especial a Juan Suárez Rodriguez, hoje não mais presente na empresa, pela enorme contribuição na divulgação do vinho espanhol. http://www.peninsulavinhos.com.br

expand renato ratti

Lançado na Expand, agora na Ravin

Importadora Expand

A grande importadora de vinhos nos anos 90 com um portfolio invejável, perfilando grandes vinhos do mundo, inclusive o mítico Romanée-Conti. Quem a sucedeu no mesmo porte e no desfile de grandes rótulos foi a importadora Mistral, até hoje com grande destaque no cenário nacional. Como não falamos dos vinhos sul-africanos, vale destacar a seleção impecável que a Expand dispunha na época com pelo menos meia dúzia de rótulos do mais alto nível.

Atualmente, importadoras como Mistral, Vinci, Decanter, Grand Cru, World Wine, Casa Flora, Zahil, e mais algumas lideram grande parte do mercado nacional. Mas isso é uma outra história para um artigo específico.

Enfim, um apanhado geral de como começou os vinhos importados no Brasil e ao mesmo tempo uma homenagem a essas importadoras pioneiras com fotos emblemáticas de cada uma delas. Todas elas continuam suas atividades, naturalmente com a ampliação de seu portfolio, mas sem perder a origem de suas convicções. Se solidificaram, conquistaram mercado e  fidelizaram clientes, fazendo do Brasil, especialmente na região sudeste, um dos países com maior diversidade em rótulos internacionais. Portanto, o amante de vinho brasileiro pode ficar tranquilo em ter a seu alcance uma grande diversidade de estilos, países, e as principais regiões no mundo do vinho. O grande empecilho é o preço com os escorchantes impostos praticados em nosso país. Mesmo os nossos vinhos, o vinho brasileiro, não foge das garras predatórias de nossa legislação.

Borgonha: Parte IX

19 de Abril de 2012

Terminada a intrincada sub-região da Côte d´Or, caminhamos mais ao sul em direção à Côte Challonaise, detalhada no mapa abaixo. Apesar de muita próxima da Côte de Beaune, nesta sub-região ocorrem mudanças drásticas em termos de terroir. Aqui não há mais a proteção segura a oeste das altas encostas da Côte d´Or. Portanto, os ventos frios afetam mais as vinhas, criando dificuldade no perfeito desenvolvimento e amadurecimento dos frutos. Além disso, torna-se uma região confusa topograrficamente e assim, os vinhedos melhores posicionados nos declives a sul e sudeste levam vantagens.

Os vales e encostas bem posicionadas são relevantes

O solo de natureza argilo-calcária ainda comanda as vinhas, mais propensas ao plantio da Chardonnay quando o calcário predomina, enquanto a Pinot Noir é mais indicada no predomínio da argila, embora os fatores inicialmente expostos sejam mais relevantes.

As principais comunas no sentido norte-sul são Bouzeron, Rully, Mercurey, Givry e Montagny. Algumas vinhas que destacam-se em seu posicionamento admitem algumas apelações Premier Cru. Contudo, não há um terroir tão privilegiado a ponto de termos qualquer sinal de vinhas Grand Cru.

Bouzeron é uma apelação própria dentro da Côte Chalonnaise específica para vinhos brancos com a casta Aligoté. Alíás, aqui se faz o melhor Aligoté da Borgonha e dentre eles destaca-se a domaine A. et P. de Villaine, propriedade do todo poderoso comandante da Domaine de La Romanée-Conti. Este vinho é trazido pela Expand (www.expand.com.br).  Como curiosidade, o famoso aperitivo Kir é elaborado com vinho Aligoté e o típico licor da região, Crème de Cassis.

Rully, a comuna seguinte, elabora brancos e tintos com Chardonnay e Pinot Noir, respectivamente. As apelações são comunais com 23 climats classificados como Premier Cru, entre brancos e tintos. São vinhos sem relevância, para consumo no dia a dia local. Um bom produtor trazido pela importadora Club Taste Vin (www.tastevin.com.br) é a Domaine de la Folie.

Em Mercurey, comuna abaixo, temos clara predominância dos tintos. São os mais encorpados e confiáveis de toda a Côte Chalonnaise. Existem 29 climats na apelação Premier Cru entre tintos e brancos. Os produtores Faiveley e Lorenzon são confiáveis  e representados no Brasil pelas importadoras Mistral (www.mistral.com.br) e Cellar (www.cellar-af.com.br), respectivamente.

Givry é a próxima comuna, com tintos predominando sobre os brancos. São 26 climats no total na apelação Premier Cru. Nemhum grande destaque a exemplo da comuna de Rully.

Finalmente, a comuna de Montagny, com vinhos exclusivamente elaborados com Chardonnay. É a melhor comuna para brancos de toda a Côte Chalonnaise com 49 climats da apelação Premier Cru. O solo tem predominância calcária com certas porções lembrando  o perfil Kimmeridgiano de Chablis. A importadora Cellar traz um bom exemplar do produtor Jean-Marc Boillot (www.cellar-af.com.br).

Vale do Loire: Parte IV

23 de Janeiro de 2012

Agora nosso último climat são os chamados vinhos do Centro ou também Alto Loire. Centro porque nesta altura, o rio Loire já percorreu metade de seu caminho rumo ao Atlântico. É a sub-região de clima mais continental com solos argilo-calcários. Em determinadas porções, temos solos pedregosos com sílex ou também marnes à petites huîtres (marga do tipo Kimeridgiano com fósseis marinhos calcinados em rocha). A essas formações são atribuídos os aspectos minerais de determinados vinhos.

Vinhos do Centro: Sancerre e Pouilly-Fumé

Uma das mais lindas garrafas de vinho

Nesta última sub-região, bem a leste do mapa acima, duas apelações destacam-se: Sancerre e Pouilly-Fumé. As duas elaboram ótimos brancos com a casta Sauvignon Blanc. Os aromas de frutas frescas, toques herbáceos e minerais são marcantes. Existem belos produtores como Michel Redde cujo rótulo acima, é sua cuvée de luxo para a apelação Pouilly-Fumé. Importado pelo Club du Tastevin (www.tastevin.com.br ). A delicadeza e a mineralidade deste estilo de Sauvignon é única, contrastando com a maioria dos Sauvignons do Novo Mundo, que possuem mais corpo e tropicalidade.

A apelação Sancerre também é estendida aos tintos com a casta Pinot Noir. Alguns são interessantes, mas sem a sofisticação dos borgonhas. É sempre uma boa opção de tinto para acompanhar peixes, dependendo da receita em questão. Desta apelação, o destaque vai para o produtor Alphonse Mellot, importado criteriosamente pela Cellar (www.cellar-af.com.br).

A apelação Pouilly sur Loire de produção muito reduzida, elabora brancos com a uva Chasselas (também cultivada na Suiça) com vinhos delicados, relativamente neutros e de boa acidez.

Outras apelações vizinhas como Menetou-Salon, Quincy e Reuilly, tentam reproduzir o bom desempenho das duas apelações mais famosas citadas acima, mas sem o mesmo sucesso. São vinhos de consumo local e dificilmente são encontrados no Brasil. Costumam ter preços mais atrativos, porém é fundamental a escolha certa do produtor.

Chateau-Chalon: O Xérès da França

14 de Março de 2011

O chamado Vin Jaune (vinho amarelo) na França é uma especialidade de Jura (região fria e montanhosa a leste da Borgonha e vizinha da Suiça). A apelação mais famosa deste curioso vinho é Chateau-Chalon e a uva protagonista é a autóctone Savagnin.

O método de produção é extremamente peculiar, desenvolvendo no vinho aromas semelhantes ao Jerez (famoso fortificado do sul da Espanha). As semelhanças param por aí, já que neste vinho não há fortificação, nem o famoso sistema solera, que dinamiza entradas e sáidas dos lotes de vinho. Neste caso, trata-se de um sistema estático.

Boa parceria para queijos de personalidade: Comté

Após uma colheita tardia com as uvas Savagnin, o mosto é fermentado tradicionalmente como os brancos da região. Terminada esta etapa, o vinho é colocado em barricas de carvalho já utilizadas em outras colheitas ou barricas usadas em vinhos brancos na Borgonha. As barricas não são preenchidas totalmente, deixando um espaço para que haja desenvolvimento de leveduras do tipo Saccharomyces Bayanus na superfície do vinho, por sinal, as mais resistentes ao elevado teor alcoólico. O vinho então é deixado nas barricas por pouco mais de seis anos, sem nenhuma reposição. Naturalmente, haverá evaporação, diminuindo consideravelmente o volume do produto final.

O vinho é colocado em garrafas tipicas de tamanho especial denominadas “clavelin”, com 620 ml (mililitros). A explicação vem do fato de que se deixarmos proporcionalmente um litro de vinho durante seis anos neste processo, restarão no final a medida acima citada.

O resultado é um vinho extraordinário, com aromas peculiares e extremamente longevo (pode durar mais de um século). O véu de leveduras formado ao longo dos anos, protege o vinho de uma oxidação excessiva, criando aromas de frutas secas, cogumelos, mel, empireumáticos (torrefação e caramelo) e especiarias. Neste sentido, vem a lembrança dos vinhos de Jerez.

A combinação com queijos curados como Comté, Reblochon e Epoisses é espetacular. Carnes de sabor acentuado (pato, marreco, e caças de pena) com molhos de certa acidez são surpreendentes. Cogumelos, trufas e especiarias, são ingredientes também com muita afinidade. A receita abaixo pode harmonizar muito bem, principalmente se for um coelho de caça.

Coelho ao molho de Mostarda e Cogumelos

No Brasil, uma boa pedida é o produtor Alain Baud da importadora Club du Tastevin (www.tastevin.com.br). Outro bem tradicional é do produtor Jean-Marie Courbet, importado pela Mistral e atualmente em falta (www.mistral.com.br).

 

Terroir: Sauvignon Blanc

9 de Novembro de 2010

O chamado Loire do Centro ou Alto Loire  é o berço espiritual da Sauvignon Blanc sob as apelações Pouilly-Fumé e Sancerre. O clima frio aliado às características predominantemente continentais, além de solos específicos, garantem um Sauvignon autêntico e de singular tipicidade. Os principais solos encontrados na região são com predominância de sílex ou solos do tipo Kimeridgiano, conforme fotos abaixo, respectivamente.

Sílex: rocha sedimentar composta de quartzo e argila

Solo kimeridgiano: fósseis marinhos calcinados em marga

Esses tipos de solo, segundo os terroiristas, transmitem a peculiar mineralidade destes vinhos, sempre acompanhada de uma notável acidez. No segundo tipo de solo (kimeridgiano), percebemos nitidamente conchas de ostras (fósseis marinhos) que foram solidificadas em outras eras geológicas. Afinal, o local já foi mar um dia. Este mesmo tipo de solo é famoso em Chablis, principalmente na faixa nobre dos sete Grands Crus (Blanchot, Grenouilles, Valmur, Les Clos, Vaudesir, Preuses e Bougros).

Portanto, o Sauvignon do Loire apresenta um estilo incisivo com aromas discretos, além da mineralidade acentuar-se ao longo do envelhecimento em garrafa. Sua acidez marcante é muito apropriada para entradas e pratos leves, notadamente da cozinha japonesa (peixes in natura).

 

Um das referências em Pouilly-Fumé

Além do sofisticado Baron de L acima, a domaine Ladoucette elabora outros exemplares dignos da apelação, que são importados pela Vinci (www.vinci.com.br). Chateau de Tracy e Michel Redde também são opções seguras das importadoras Decanter (www.decanter.com.br) e Club Taste Vin (www.tastevin.com.br), respectivamente.

 

Nova Zelândia

Rótulo histórico para o Novo Mundo

O exemplar acima colocou definitivamente a Nova Zelândia no mapa do vinho, mostrando ao mundo uma nova dimensão de Sauvignon Blanc, com uma tropicalidade ímpar.

O terroir chama-se Marlborough (porção nordeste da Ilha Sul neozelandesa). O terreno apesar de plano, tem excelente drenagem, graças ao solo de gravilha (espécie de pedrisco), que escoa a água rapidamente. A região é protegida ao norte e a oeste por uma cadeia de montanhas (ver foto abaixo retratada no rótulo do Cloudy Bay) dos ventos frios e úmidos, impiedosos nesta ilha. A insolação é uma das maiores no mundo vitícola, propiciando amadurecimento perfeito das uvas. Para completar, as noites são frias, provocando a tão benvinda amplitude térmica para manter ótimos níveis de acidez.

Richmond Ranges: barreira natural contra os ventos

Nestas condições temos um Sauvignon de bom corpo, extremamente frutado com incríveis toques tropicais (notadamente o maracujá), complementado por ervas, flores e em alguns casos, um fundo mineral discreto. O grande trunfo destes vinhos é sua bela acidez, frescor, valorizando e equilibrando sua exuberância frutada. Um dos melhores exemplares da atualidade é o Sauvignon Blanc Jackson Estate, importado pela competente e especializada importadora de vinhos neozelandeses Premium, www.premiumwines.com.br

Portanto, dois estilos incríveis de Sauvignon, respeitando seus respectivos terroirs, esperando o momento adequado para serem apreciados. Para um salmão defumado, como entrada, vá de Sauvignon do Loire. Já uma posta de salmão cozido no vapor ou em papillote, com ervas, especiarias, e gaurnições delicadas, vá de Sauvignon da Nova Zelândia. Bon Appétit!


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