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Vale do Rhône: Parte VI

21 de Maio de 2012

Dando prosseguimento ao chamado Rhône do Sul, falaremos de duas apelações com grande volume de produção:Côtes du Rhône e Côtes du Rhône Villages.

Côtes du Rhône

Segundo dados do Conselho Interprofissional do Vale do Rhône (www.vins-rhone.com), a safra de 2010 apresentou 35.000 hectares de área cultivada com uma produção de 1.400.000 hectolitros entre tintos (89%), rosés (8%) e brancos (3%).

São 171 comunas em todo o Vale do Rhône, sendo grande parte localizada na porção meridional. Como a diversidade de climas e solos é enorme; produtor, safra e localização são fatores fundamentais para o sucesso na compra. Uma boa escolha é a Domaine Soumade trazida pela importadora Zahil (www.zahil.com.br). Chateau de Fonsalette da Mistral (www.mistral.com.br) e Coudoulet de Beaucastel da World Wine (www.worldwine.com.br) são opções seguras. Outro clássico da Mistral é o Parallèle 45 de Paul Jaboulet (Rhône do Norte).

As uvas para esta apelação podem ser as mesmas mencionadas no artigo anterior sobre Châteauneuf-du-Pape. Para os tintos, a Grenache deve comparecer com pelo menos 40% no corte, exceto em regiões do Rhône Setentrional, onde a Syrah apresenta um amadurecimento mais adequado.

Os melhores Rosés costumam ter boa porcentagem da uva  Cinsault, muito apropriada para este tipo de vinho. Nos brancos, as uvas Grenache Blanc, Clairette, Marsanne, Roussanne, Bourboulenc e Viognier dominam o corte.

 

 

Côtes du Rhône Villages: Maior confiabilidade

O sufixo Villages na apelação indica um produto mais confiável e mais típico de seu terroir. São 95 comunas exclusivamente no Rhône do Sul, produzindo 320.000 hectolitros em 9.600 hectares. Números bem mais restritivos que a apelação genérica.

Dentre os Villages, 17 comunas podem acrescentar o respectivo nome no rótulo, dando mais exclusividade à apelação. No mapa acima, temos mapeado toda a apelação Côtes-du-Rhône Villages, sendo que as indicações em vermelho, são os nomes dos 17 Villages.

Nesta apelação, a Grenache continua dominando o corte, com pelo menos 50%, tanto para tintos, como para rosés. Para os brancos, permanecem as mesmas uvas já mencionadas. A proporção de tintos para os Villages é praticamente total. Na safra de 2010, temos 97% (tintos), 1% (rosés) e 2% (brancos).

Algumas indicações de Villages

  • Domaine Ameillaud Côtes du Rhône Cairanne Villages 2009 por R$ 40,00 na Cellar (www.cellar-af.com.br). Uma pechincha para um Villages com indicação de uma das 17 comunas (Cairanne).
  • Château Signac da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br). O Cuvée Terra Amata é excepcional. É de uma das 17 comunas chamada Chusclan.
  • Domaine La Soumade da importadora Zahil, mencionada acima.

Vinsobres

Como curiosidade, Vinsobres adquiriu apelação própria em 2005 exclusivamente para vinhos tintos. Até então, fazia parte dos chamados Côtes-du-Rhône Villages. É o único Cru com este privilégio em toda a Côtes-du-Rhône. São pouco mais de 400 hectares de vinhas.

 

Vale do Rhône: Parte V

17 de Maio de 2012

Deixando o Rhône Setentrional a caminho da Provença, chegamos ao chamado Rhône do Sul, onde tudo muda. Clima, solos e principalmente relevo são fatores decisivos para esta mudança. Aqui não mais a Syrah, e sim a Grenache passa ser a grande casta. Contudo, os vinhos costumam ser de corte, com predomínio da Grenache e participações coadjuvantes da Mourvèdre, Cinsault e Syrah, entre outras.

 

Rhône Sul: Topografia menos acidentada

A apelação mais popular e uma das maiores de toda a França é Côtes-du-Rhône, competindo em números com apelações como Bordeaux genérico e Beaujolais. Num grau de hierarquia superior, temos a apelação um pouco mais restritiva chamada Côtes-du-Rhône Villages. Enquanto a primeira pode ser elaborada em todo o Vale do Rhône, embora seja amplamente difundida no Rhône do Sul, Côtes-du-Rhône Villages é exclusivamente do Rhône Meridional. Todas as duas baseiam-se no famoso corte do Ródano com a Grenache sendo majoritária, e as castas Mourvèdre, Cinsault e Syrah, principalmente, como coadjuvantes. Falaremos com mais detalhes num próximo post.

Apelações como Gigondas, Vacqueyras, Rasteau e Beaumes de Venise, serão abordadas oportunamente com algumas outras não tão conhecidas. Aqui estamos bem próximos do terroir provençal, sendo muitas vezes, confuso para impor limites.

Galets: solo típico da apelação Châteauneuf-du-Pape

O grande destaque do Rhône Meridional é a famosa apelação Châteauneuf-du-Pape com seus típicos solos de galets (pedras arredondas, conforme foto acima). Não é em toda a apelação, mais este solo pedregoso tem capacidade de escoar água com grande eficiência, além de reter calor para as uvas no período de amadurecimento. O vento mistral funciona como um ar condicionado refrescando as vinhas, e secando-as se for o caso, de uma boa chuvarada.

As castas que podem participar de sua composição muitas vezes são citadas como “A sinfonia das treze cepas”. Contudo, na prática temos a Grenache como espinha dorsal, fornecendo muita fruta, força alcoólica e maciez. A Mourvèdre fornecendo taninos e estrutura, enquanto a Syrah contribui com sua elegância. Tintas como Cinsault, Muscardin, Counoise, Picpoul, Terret Noir, Vaccarèse, e brancas como Clairette, Roussanne, Picardan e Bourboulenc, além das três principais, primeiramente citadas, formam o famoso grupo das treze uvas. Poucos châteaux obedecem este corte e quando o fazem, muitas delas apresentam porporções ínfimas.

Châteauneuf-du-Pape

Pouco mais de 3100 hectares de vinhas com redimentos próximos de 27 hectolitros por hectare. Os solos são constituídos pelas famosas pedras e proporções variáveis de argila e areia. São solos sedimentares formados a partir do leito do rio Rhône em outras eras geológicas.

Além do famoso tinto, temos uma pequena produção do Châteauneuf-du-Pape branco. Não são tão atrativos como os tintos, além de não envelhecerem bem, salvo raras exceções. Produtores como La Nerthe (importadora Grand Cru – www.grandcru.com.br), Château de Beaucastel (www.worldwine.com.br), Château Rayas (www.mistral.com.br), Domaine de Marcoux (www.cellar-af.com.br), são nomes altamente confiáveis.

Evite comprar vinhos desta apelação sem a devida referência do produtor. Há muitos comerciantes e produtores sem escrúpulos, que se aproveitam da fama deste vinho para lançarem no mercados verdadeiras zurrapas, com álcool desequilibrado e bastante diluídos.


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