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California Wine Regions: Parte IV

6 de Março de 2014

Dando prosseguimento imediatamente ao sul da Costa Norte californiana, temos cerca de quinhentos quilômetros de litoral denominado Costa Central, terminando um pouco antes de chegar a Los Angeles. São nove condados com diversas AVAs importantes. Vamos a seguir, às mais importantes.

Central Coast: principais AVAs

Livermore Valley

São dois mil hectares de vinhas onde o destaque é Sauvignon Blanc. No século XIX foram trazidas mudas do Château d´Yquem e desde então, o estilo deste Sauvignon Blanc local é o mais próximo de Graves, região bordalesa pelos famosos brancos. Outra curiosidade, é que cerca de oitenta porcento do Chardonnay da Califórnia parte de clones geneticamente desenvolvidos na região.

Monterey

Este condado com dezesseis mil hectares de vinhas abrange nove AVAs. A AVA homônima Monterey apresenta alta produção, superando Napa Valley. Evidentemente, a qualidade não acompanha toda esta quantidade. Uma AVA de categoria é Santa Lucia Highlands, região montanhosa beneficiando-se das frias brisas do Pacífico. Pinot Noir e Chardonnay têm grande destaque. Aqui encontra-se o vinhedo Mer Soleil, um branco de grande impacto da vinícola Caymus.

San Luis Obispo County

A maior AVA deste condado é Paso Robles com dezesseis mil hectares de vinhas. O clima relativamente quente é favorável à Zinfandel e uvas que fazem o estilo Rhône. Já Edna Valley num clima mais influenciado pelo Pacífico, produz belos Chardonnays com um frescor cítrico a lima. Por último, Arroyo Grande, também de clima frio, elabora interessantes Chardonnays e Pinot Noir.

Santa Barbara County

Esta área ficou famosa com o filme Sideways onde o ator protagonista era apaixonado pela Pinot Noir. Com isso, um quarto do cultivo de vinhas é destinado a esta nobre cepa. O condado abrange quatro AVAs (Santa Maria Valley, Santa Ynez Valley, Santa Rita Hills e Happy Canyon of Santa Barbara), sendo as duas últimas de menor importância.

A influência do Pacífico é decisiva para um clima relativamente frio para padrões californianos, muitas vezes mais frio que a Côte d´Or na Borgonha, alongando o ciclo de maturação da uvas, sem o risco de chuvas. Pinot Noir e Chardonnay de destacada acidez com bom balanço. Uvas do Rhône como Syrah, Viognier e Roussanne, são destaques neste cenário.

Santa Cruz Mountains

Voltando ao norte da Central Coast, este condado montanhoso é de clima frio. Com vinhedos mais antigos que Napa Valley, eles são mais espaçados e em menor número. O mais famoso é sem dúvida o vinhedo Monte Bello da vinícola Ridge. Seu sedutor Cabernet Sauvginon envelhece maravilhosamente, sendo páreo duro para os mais afamados Bordeaux. Uvas como Chardonnay e Pinot Noir são também destaques.

O condado a leste de Santa Clara não tem o mesmo brilho. Trabalha com muitas varietais, tintas e brancas, mas ainda é uma promessa.

Pratos de Verão: Lulas Recheadas

3 de Fevereiro de 2014

Dando prosseguimento aos pratos de verão, vamos harmonizar a receita da foto abaixo, Lulas Recheadas com Shimeji. Um prato simples de executar, muito apropriado para dias e noites quentes do verão brasileiro. Para começar, refogue o shimeji numa frigideira com manteiga sem sal. Após o mesmo perder quase toda a água, junte cebolinha picada, saquê e shoyu, e rofogue por mais dez minutos. Em seguida, você pode processar este recheio num mix, formando uma pasta. Se preferir, deixe o refogado do jeito que está.

Prato rico em proteínas

Em seguida, recheie as lulas com esta mistura, feche-as com palitos e refogue-as na frigideira com manteiga sem sal. Adicione o saquê, o shoyu e um pouco de Ajinomoto, reduzindo este molho para uma consistência agradável. Corte as lulas em rodelas e sirva-as com um acompanhamento neutro de sua preferência (arroz, purê de batata, etc …). A receita completa passo a passo está no endereço abaixo:

http://epoca.globo.com/regional/sp/comida-e-bebida/noticia/2013/11/aprenda-fazer-blula-recheada-com-shimejib.html

Para a harmonização, precisaremos de um vinho branco ou rosé, pois o shoyu, muito presente na receita, provocará o clássico choque tanino x sal, provocando adstringência e amargor desagradáveis no caso da escolha por um tinto. Tanto é verdade, que a manteiga utilizada na receita deve ser sem sal para um melhor equilíbrio. A textura do prato predominante é macia com leve rigidez da lula. Se a receita for executada com o recheio sem o processador, a maciez do conjunto diminui. Portanto, precisamos de um vinho de certa maciez sem abrir mão de uma ótima acidez. Esta acidez é fundamental para combater o sal da receita (shoyu) e casar com o toque de maresia da lula, principalmente se houver mineralidade no vinho.

Uma ótima opção para esta época do ano seria um belo espumante elaborado pelo método tradicional. Pode ser um nacional, um bom Cava, um bom Crémant ou evidentemente um Champagne. Digo método tradicional, pois os aromas advindos deste tipo de elaboração (contato relativamente prolongado com as borras, ou seja, sur lies) casam perfeitamente com os aromas e sabores do cogumelo. Contudo, é importante dosarmos bem este envelhecimento, pois espumantes com longa permanência sur lies ganham muita maciez e fortes aromas redutores. Penso que um contato de dois a três anos é  mais que suficiente. Que tal um bom Cava Reserva? ele alia as condições acima citadas com muito frescor e boa mineralidade. 

Outras possibilidades podem ser testadas. Um bom Savennières do vale do Loire (França), branco de excepcional acidez e mineralidade com a uva Chenin Blanc, pode funcionar bem, sobretudo se houver um certo envelhecimento, proporcionando toques amendoados que também casam a contento com os cogumelos. Um Vouvray espumante, outro branco de grande categoria do Loire elaborado com a mesma cepa (Chenin Blanc), é uma boa opção. Por que não um branco bordalês? desde que haja um certo equilíbrio entre as uvas Sauvignon Blanc (acidez com grande frescor) e Sémillon (estrutura e maciez), a harmonização pode ser perfeita. Neste contexto, o bordalês do mestre Denis Dubourdieu, importado pela Casa Flora (www.casaflora.com.br), é uma bela alternativa, principalmente pelo preço convidativo. Ainda na linha francesa, o Champagne Pol Roger Blanc de Blancs é um tiro certeiro para uma harmonização mais sofisticada. Sua cremosidade, acidez e mineralidade, com um leve toque amanteigado, são requisitos mais que suficientes para este casamento.

Enfim, opções não faltam. A praticidade da receita e as várias possibilidades enogastronômicas podem ser  ingredientes extremamente motivadores para nos aventurarmos na cozinha.

Que Marravilha: Polvo de Verão

24 de Janeiro de 2014

Dando prosseguimento a nossas receitas de verão, segue mais uma do programa Que Marravilha! do chef Claude Troisgros, conforme link abaixo (vídeo e receita):

http://gnt.globo.com/quemarravilha/receitas/

RECEITA

Polvo e Maionese

Frutos do mar pedindo vinho branco e maionese que pode ser servida gelada são ingredientes perfeitos para dias e noites quentes, de preferência com a brisa do mar. Para esta receita, um elemento interessante é a combinação de textura do polvo, um pouco mais rija, com a maionese, bastante macia, sem falar na alternância de temperatura entre o polvo grelhado (quente) e a maionese, fria. 

Do lado do polvo, temos alho, ervas, tomate, cebola e aipo (também conhecido como salsão). São ingredientes provençais que remetem a um vinho ou espumante rosé. Do lado da maionese, temos mostarda dijon, gema de ovo, azeite, pimenta, e suco de limão. Aqui, um vinho branco de boa acidez com nuances cítricas cria ótima sintonia. Entretanto, polvo e maionese unem-se na mesma receita com sabores entrelaçados. Vamos então às opções de vinho.

O vinho precisa ter boa acidez, um toque de maresia é bem-vindo, notas cítricas e de ervas, e um pouco de maciez para equilibrar texturas. Um Alvarinho (português da região do Minho) ou um Albariño (versão espanhola) com alguma passagem por madeira, melhor ainda, com certo contato sur lies (sobre as borras), apresenta as características acima e textura perfeita para o prato.

Brancos de Bordeaux com as cepas Sauvignon Blanc e Sémillon, esta última confere certa maciez ao vinho, podem ser belas alternativas. Um Rioja branco calcado na casta Viura com discreto amadurecimento em barrica, preservando muito frescor, pode ser pensado para o caso. De preferência, a denominação Crianza, pois os Reservas e Gran Reservas assumem outros aromas e sabores, fugindo das especificações do prato em questão.

Do lado italiano, um ótimo Soave da região do Vêneto com a uva Garganega é uma boa lembrança. Preferencialmente, dos produtores Pieropan (importadora Decanter – http://www.decanter.com.br) ou Anselmi (importadora World Wine – http://www.worldwine.com.br). 

De qualquer modo, os rosés de boa textura continuam na briga, tranquilos ou espumantes. O provençal Domaine Sorin da importadora Decanter ou o ótimo Cava Juve & Camps da importadora Península (www.peninsulavinhos.com.br), formam um belo para para esta harmonização. De resto, é só continuar curtindo o verão até o carnaval.

Salada de Trilha com Laranja: Que Marravilha!

6 de Janeiro de 2014

Vamos começar o verão com muito sol, muita praia, e pratos leves e refrescantes. Para isso, nossa receita de peixe com Claude Troisgros em seu programa Que Marravilha!. O prato de hoje é Salada de Trilha com Molho de Laranja, conforme vídeo abaixo:

Receita

http://gnt.globo.com/receitas/Salada-de-trilha-com-laranja–veja-receita-de-Claude-Troisgros.shtml

Clique acima: receita e vídeo

Em termos de harmonização, vamos analisar os ingredientes e o modo de preparo. Esta profusão de ervas, alho, pimenta, e o molho de laranja, vão de encontro com os rosés da Provence, delicados aromáticos e muito frescos. O modo de preparo mescla o cozimento pelo molho quente de laranja sobre o peixe, mais a marinada por longas horas fazendo o efeito de um ceviche. Portanto, é um prato típico do verão, pedindo vinhos relativamente leves, bastante frescos e jovens. Quanto a outros rosés, sobretudo os do Novo Mundo, parecem-me um tanto pesados e dominadores, faltando um pouco de frescor. Como alternativa, temos alguns rosés da Itália (norte da Toscana, Veneto, Friuli e Alto Ádige) e do norte da Espanha (Navarra).

Domaines Ott: Excelência em rosés

Se a pedida for por espumantes, continuamos na linha de juventude e frescor. Podemos pensar em espumantes elaborados pelo método tradicional (espumatização na garrafa), mas sem um contato sur lies (sobre as leveduras) prolongado. Um leve toque de levedura, panificação, casa bem com os sabores dos cogumelos.

Para quem não abre mão dos tintos, procurar pelos mais leves, frescos e principalmente, com baixíssima carga tânica. Os Nouveaux de um modo geral podem surpreender. Denominações como Bardolino (norte da Itália, Veneto), Chianti Colline Pisane (estilo leve, mais próximo do litoral toscano), Beaujolais (Nouveau ou no máximo Villages), Sancerre tinto (elaborado com Pinot Noir), são alguns exemplos aceitáveis.

É evidente que brancos frescos e de boa acidez também vão muito bem. Por exemplo, um Sauvignon Blanc dos vales frios do Chile, Casablanca ou Leyda.

De resto, é curtir o verão que está só começando. Até a próxima!

Final de Ano: Harmonização Parte I

12 de Dezembro de 2013

Nesta época são inevitáveis as dicas de vinhos e pratos para as festas de final de ano. Peru, panetone, espumante, dentre outros itens, já foram exaustivamente comentados neste mesmo blog. A ideia este ano é sugerir alguns pratos diferentes com suas respectivas harmonizações. Portanto, teremos uma entrada, primeiro prato, segundo prato e sobremesa.

salade au brieSalada refrescante para o verão

Essa é uma entrada que pode perfeitamente ser acompanhada por um espumante, vinho obrigatório nestas ocasiões. O molho da salada inclui uma gema de de ovo, mostarda, azeite, limão, sal e pimenta moída na hora. As folhas podem ser um mix de hortaliças (alface, rúcula e escarola, por exemplo). O tostado do pão de forma cortado em quatro partes com o queijo brie gratinado, além dos pedacinhos de bacon fritos, sugere um espumante elaborado com o método tradicional (champenoise), ou seja, segunda fermentação na garrafa. O contato maior com as leveduras criam aromas com maior sinergia para os ingredientes acima citados. Pode ser um Cava (espumante espanhol), um Franciacorta (um dos mais refinados espumantes italianos, produzido na Lombardia), ou por que não um champagne de estilo mais delicado (Taittinger, por exemplo). Espumantes nacionais de boa procedência como os da Cave Geisse são bem-vindos. 

zuppa genoveseFrutos do mar: apropriados à época

O prato acima é antes de tudo uma homenagem a Maria Zanchi de Zan, grande cozinheira italiana, com o saudoso restaurante de mesmo nome. Na verdade este prato denominado Zuppa di Pesce alla Genovese é praticamente uma Bouillabaisse, prato típico da Provença, inclusive com todos os ingredientes da região; azeite, alho, ervas, tomate e pimenta. 

Para a elaboração deste prato precisamos de um bom caldo de peixe elaborado em casa com uma receita tradicional. Os frutos do mar ficam por conta de cada um, dependendo da disponibilidade. Normalmente são os camarões, salmão, lulas, vôngole, polvo e lagosta. Frite esses frutos do mar em azeite, alho, salsinha, tomilho e manjericão. Em seguida, acrescente os tomates pelados e pimenta do moinho. Cubra com o caldo de peixe coado, e deixe cozinhar por vinte minutos. Sirva com fatias de pão torradas e passadas no azeite.

Com relação à harmonização, um belo rosé, sobretudo da Provença, é a indicação mais óbvia. Pode ser até um espumante rosé, se preferir ficar no mundo das borbulhas. Vinhos brancos com bom frescor, toques herbáceos e textura adequada, são bons acompanhamentos. Um Sauvignon Blanc de Marlborough (Nova Zelândia), um chileno dos vales frios (Sauvignon Blanc Terrunyo é uma boa pedida), um Verdejo (uva branca) de Rueda (região espanhola próxima à Ribera del Duero) ou um branco grego moderno (uva Assyrtiko da ilha de Santorini) são exemplos a serem testados. No caso de tintos, um Sancerre (vale do Loire) é uma opção quase isolada. 

Próximo post, segundo prato e sobremesa.

Last Dinner on the Titanic

26 de Setembro de 2013

Normalmente, jantares memoráveis terminam com um final feliz, reconfortante e prazeroso. Não foi o caso do último jantar do fatídico Titanic no ano de 1912, em sua viagem inaugural e infelizmente, única. Evidentemente, as refeições eram preparadas de acordo com a classe social. O jantar mais requintado desta noite foi “The First-Class Menu Private” com a sequência de dez pratos, conforme foto abaixo:

Jantar para terminar no céu

Os pratos, muito bem escolhidos eram da clássica cozinha francesa, fortemente repaginados pelo grande Chef françês da época, Auguste Escoffier, o qual se tornaria uma lenda entre os melhores de todos os tempos. Um dos pratos do menu é o Consommé Olga, mostrado na foto abaixo:

Titanic Consommé OlgaPrato requintado à base de caldo de vitela acompanhado de vieiras

Seguindo o menu a risca, vamos à sequência de pratos:

  • Primeiro prato: Ors d´Hoeuvrers Oysters (foto acima)

Se for Ostras à Rússia, complica um pouco a harmonização, pois entra vodka na composição do molho que é incorporado às ostras frescas. Neste caso, é melhor um Champagne Brut Nature Blanc de Noirs para enfrentar este potente sabor do destilado.

  • Segundo prato: Consommé Olga

Este prato tem um sabor enfático, porém delicado do caldo de vitela. As vieiras dão requinte ao prato com sabor marinho, pois são colocadas cruas com o caldo quente em cima. O Jerez ou Sherry seria um acompanhamento clássico. Contudo, um Madeiro Sercial, o mais seco em estilo e com certa salinidade pode ser uma bela escolha.

  • Terceiro prato: Poached Salmon with Musseline Sauce

Este salmão é escalfado num molho com água, vinho branco, louro, cebola e pimenta. Após este cozimento no líquido, o salmão é disposto no prato e coberto com molho Musseline à base de gemas, manteiga, suco de limão, endro (aneto) e creme de leite. Um belo Riesling alemão Kabinnet do Mosel com seu caráter elegante garante uma harmonização à altura do prato, combatendo a gordura do molho com sua habitual acidez.

  • Quarto prato: Saute of Chicken Lyonnaise

Neste prato de frango, o mesmo é preparado à milanese, com farinha  aromatizada ao tomilho. Ele é rapidamente selado e levado ao forno para cozimento. Na própria frigideira que selou o frango, é adicionado cebola , alho, tomilho e vinho branco para o déglaçage. Após esta operação, acrescente massa de tomate e açúcar. Neste caso, um borgonha tinto da Côte de Beaune fará boa parceria com o prato. Pode ser um Volnay ou Savigny-Lès-Beaune.

  • Quinto prato: Lamb Mint Sauce (foto acima)

Cordeiro com Bordeaux é uma escolha óbvia e tradicional. No entanto, temos um molho à base de menta com um certo caráter agridoce. Neste molho, além da hortelã, temos aceto balsâmico, açúcar, um pouco de vinagre e mostarda no tempero de cordeiro. Com isso, o molho fica mais vibrante, exigindo um vinho vigoroso, mais jovem e de bom frescor. Um Cabernet Sauvignon de Coonawarra (região australiana comentada em artigo especial neste mesmo blog) com um toque de menta no aroma seria bastante apropriado.

  • Sexto prato: Punch Romaine (foto acima)

Aqui temos um descanso para o paladar. Punch Romaine é um cocktail que funciona como sorbet. É feito à base de champagne ou espumante, vinho branco, gelo, suco de laranja, suco de limão, rum branco e cascas de laranja finamente descascada. Um bom intervalo para continuar a sequência de pratos.

  • Sétimo prato: Roast Squab & Cress

Novamente uma ave. Desta vez, pombo assado em cama de agrião refogado. O molho do assado envolve vinho Madeira e bacon. Aqui podemos pensar de novo num Borgonha tinto, não da Côte de Beaune, e sim da Côte de Nuits. Um Chambertin pode ter a textura e a força necessária para o prato. Preferencialmente, envelhecido por pelo menos dez anos.

  • Oitavo prato: Cold Asparagus Vinaigrette

Este prato consiste em cozinhar os aspargos na água ou vapor e em seguida dispô-lo numa travessa e cobrir com um molho à base de alho, cebola, vinagre de vinho tinto, mostarda, azeite, suco ded limão e pimenta. Por cima, ovos cozidos fatiados. Neste caso, ovos e aspargos são ingredientes difíceis com vinho. Um bom Sauvignon Blanc do Novo Mundo, jovem e fresco, pode dar conta do recado. A sugestão é um sul-africano da região de Constantia, distrito pertencente à cidade do Cabo.

  • Nono prato: Patê de Foie Gras Celery

Este patê de foie gras é guarnecido com aipo (também conhecido como salsão, bastante perfumado). É evidente que um Sauternes ou algum dos clássicos vinhos botrytisados (franceses ou alemães) são companhia perfeita para o prato. Contudo, como teremos um Tokaji na sequência, conforme descrição abaixo, uma bela alternativa é um Porto Tawny, preferencialmente com declaração de idade de vinte anos.

waldorf-pudding

  • Décimo prato: Waldorf Pudding (foto acima)

Esta clássica sobremesa da época é composta por maças levemente caramelizadas com açúcar e manteiga, forrando posteriormente uma forma untada. O creme que será introduzido na forma é feito com leite, gemas de ovos, noz moscada, baunilha e uma mistura de uvas passas, gengibre e suco de limão. A forma é levada ao forno médio em banho-maria. Depois de desenformado, a torta é servida gelada com um molho leve à base de baunilha. Um Sauternes ou um Tokaji 5 Puttonyos (vinho húngaro de sobremesa, rival à altura dos vinhos doces bordaleses) será perfeito.

Vale a pena lembrar que o quarto, quinto e décimo (sobremesa) pratos  tinham duas ou mais opções de escolha. Não comentaremos neste artigo as mesmas para não ficar muito longa a dissertação.

Depois de todo esse pecado da gula, restaram aos “felizardos” rezar um Pai Nosso antes do fim trágico. O comandante do navio que o diga, “a pressa é inimiga da perfeição”.

Chile: Novas Zonas Vitiviniculturais

9 de Maio de 2013

Já falamos em artigos passados sobre particularidades do terroir chileno (vide artigo intitulado: Terroir Chileno). Recentemente, na metade de 2011, houve uma reformulação da nomenclatura dos atuais vales chilenos baseada no conceito de terroir. Pouco a pouco, o Novo Mundo vai detalhando seus territórios vitícolas e colocando os devidos pingos nos is. É um processo lento, natural e inexorável.

Logos das novas zonas nos rótulos das garrafas

Com a descoberta do vale de Casablanca por Pablo Morandé no início dos anos 80, novos vales surgiram ao longo do tempo, ampliando muito os horizontes, além do clássico vale Central.

No mapa acima, as áreas em azul representam os vales frios do Chile, onde as brisas geladas do Pacífico beneficiam uvas de maturação precoce como a Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Noir. Casablanca e San Antonio são exemplos clássicos.

As áreas em verde representam basicamente as planícies entre cordilheiras (da Costa e dos Andes), vide esquema abaixo. Essas áreas normalmente têm proteção parcial da influência marítima, com temperaturas médias um pouco mais altas. Mais de sessenta porcento da produção chilena vem destas demarcações. É bom ressaltar que estas áreas podem ser um tanto heterogêneas, pois a proteção da cordilheira da Costa é bastante variável em termos de topografia e altitude, além de composição de solos diversos. A emblemática uva chilena Carmenère encontrou em Cachapoal, um dos vales nestas áreas, seu terroir ideal, mais especificamente em Peumo. A sintonia entre a influência climática parcial da costa e solos com umidade adequada são fatores primordiais para seu pleno e difícil amadurecimento.

 Esquema do terroir chileno

Já as áreas em laranja representam os vinhedos em encostas nos sopés dos Andes. Aqui basicamente temos a produção dos grandes tintos chilenos baseados em Cabernet Sauvignon de classe internacional. Para a perfeita maturação desta casta tardia, além do solo pedregoso de origem aluvial, os dias são ensolarados e as noites frias, proporcionando grande amplitude térmica. De fato, ao anoitecer, correntes geladas descem das montanhas (Andes), inundando os vinhedos. Basicamente, este terroir concentra-se no chamado vale Central, tendo o Alto Maipo como destaque.

Portanto, em safras chilenas mais recentes poderemos encontrar essas informações adicionais das novas zonas, inclusive com seus respectivos logos, conforme a primeira ilustração acima. Quanto a novos vales que eventualmente poderão surgir, os mesmos serão devidamente enquadrados nas novas denominações.

Nova Zelândia: Parte III

6 de Maio de 2013

Embora a ilha Sul tenha surgido posteriormente à ilha Norte em termos vitivinícola, Marlborough teve enorme importância em promover a região e com isso fazer da Sauvignon Blanc, a uva emblemática deste país, além de tornar a ilha Sul mais produtiva que sua irmã ao norte. Apesar de tudo, o desafio não foi fácil. Amadurecer uvas num dos locais mais frios e meridionais do mundo pode retardar o amadurecimento das mesmas em até sete semanas com relação à ilha Norte. Novamente, temos o mapa abaixo.

Marlborough: a mais badalada região da ilha Sul

Apesar do nome, Nelson não é minha região preferida na ilha Sul. Embora esteja praticamente na mesma latitude de Marlborough, não tem a mesma proteção com relação aos gélidos ventos vindos  de oeste. Com isso, o amadurecimento das uvas costuma ser dramático. Contudo, há bons exemplares de Sauvignon Blanc, alguns Rieslings, Pinot Noir e principalmente Chardonnay, facilitada pela maturação precoce.

Pulando por enquanto Marlborough, a região central da ilha Sul, Canterburry, é geralmente muito fria para a maioria das cepas. Neste sentido, Chardonnay e Pinot Noir costumam destacarem-se. Riesling e Sauvignon Blanc também têm seus espaços.

Passando agora para Central Otago, a região mais meridional da ilha Sul, a perfeita proteção a oeste da cadeia de montanhas dos Alpes do Sul fazem da região um dos melhores terroir para o cultivo da Pinot Noir. Embora o clima seja frio, os vinhos costumam ter profundidade e elegância. A vinícola Rippon, comentada em posts anteriores e também em artigo especial neste mesmo blog (procurar por Rippon Pinot Noir) é a grande referência. Dentre as brancas, a Riesling é bastante promissora, além de Chardonnay e Pinot Gris. Os vinhos são elegantes e aromáticos.

Rippon vineyard: uma das mais belas paisagens vitícolas

Finalmente, Marlborough, a grande estrela da ilha Sul. É o mais novo terroir clássico do chamado Novo Mundo. Apesar de uma área plana em solo de gravilha, sua drenagem é excelente. A exposição solar é uma das maiores e mais eficientes do mundo. Some-se a isso, a proteção eficiente da cadeia de montanhas dos Alpes do Sul, e você terá um terroir perfeito para o amadurecimento da Sauvignon Blanc. Favor verificar em artigos anteriores pelo título: Terroir Sauvignon Blanc. Com a expansão brutal da região na última década, a dica para não decepcionar-se é procurar por vinícolas conceituadas com vinhedos próximos ao rio Wairau (no idioma maori quer dizer “muitas águas”. Pronuncia-se Why-roo), buscando um terroir mais original. Alguns nomes como Cloudy Bay, Jackson Estate, Whiter Hills e Isabel Estate, são portos seguros. Além da Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Noir e Riesling, também são cultivadas. A maioria dos exemplares apresentam vinhos equilibrados, mas sem grandes atrativos.

Com este artigo encerramos as principais regiões deste belo país, voltando oportunamente a comentar produtores e vinhos específicos. A referência de vinhos neozelandeses no Brasil continua sendo a importadora Premium Wines de Belo Horizonte, dos proprietários Rodrigo Fonseca e Orlando Rodrigues (www.premiumwines.com.br).

Nova Zelândia: Parte II

2 de Maio de 2013

Dentre as principais regiões da ilha Norte, Hawkes Bay é importante e respeitada por consistentes tintos calcados no corte bordalês. Seu famoso solo de cascalho denominado Gimblett Road contribui para este sucesso. Além das castas Cabernet Sauvignon e Merlot principalmente, há também cultivo da Chardonnay com certo êxito. Outra casta tinta com bons exemplares é a Shiraz. O mapa abaixo ilustra as regiões.

Ilha Norte: berço da viticultura neozelandesa

Auckland assim como Hawkes Bay foram o berço da viticultura da Nova Zelândia. No lado oposto à Hawkes Bay, Auckland é banhada pela mar da Tasmânia e portanto, menos protegida de ventos úmidos e frios, embora este efeito seja muito menos preocupante no que acontece na ilha Sul. Os vinhos seguem a mesma linha de tintos e brancos de Hawkes Bay, porém sem o mesmo brilho, exceto alguns casos pontuais.

Gisborne, a região mais oriental da ilha Norte, é quente e ensolarada, produzindo vinhos mais em quantidade que em qualidade. Os brancos são o destaque com as castas Chardonnay, Gewürztraminer e Muller-Thurgau. São no geral, vinhos redondos e agradáveis. A propósito, vale a pena lembrar de uma das perguntas na prova escrita do concurso mundial de sommeliers em Atenas quando Enrico Bernardo sagrou-se campeão: Qual a região vinícola do mundo que recebe os primeiros raios de sol? Resposta: Gisborne.

A região de Waikato na baía de Plenty já foi um importante centro vinícola. Atualmente, sua produção é inexpressiva cultivando Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e principalmente Chardonnay, seu vinho mais emblemático.

Finalmente, a região de Wellington e Wairarapa, conhecida também como Martinborough. Esta região é a mais fria da ilha Norte onde a Pinot Noir parece ter se dado bem. Tanto o clima como o solo relativamente frios, ajudam o pleno amadurecimento da casta. A referência neste sentido é a vinícola Martinborough Vineyards, mencionada em artigo anterior. Para as castas brancas, existem belos exemplares de Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Próximo post, regiões da ilha Sul.

Nova Zelândia: Parte I

29 de Abril de 2013

O mais novo país do chamado Novo Mundo no cenário internacional. Até os anos 70 os vinhedos neozelandeses eram inexpressivos, cultivados apenas na ilha Norte. A ilha Sul ainda era um desafio devido à latitude, ao clima frio, potencializado principalmente pelos fortes ventos vindos da parte oeste da ilha. Mas em 1985, o vinho Cloudy Bay Sauvignon Blanc elaborado com vinhas plantadas no nordeste da ilha Sul, na ainda não famosa região de Marlborough, mostrou ao mundo uma nova dimensão da Sauvignon Blanc. Com fruta exuberante e uma acidez vibrante, este Sauvignon conquistou o paladar da crítica especializada com muita repercussão no mercado internacional. Veremos em detalhes mais adiante, a razão deste sucesso. Abaixo, as principais regiões vinícolas das duas ilhas.

Diversidade de regiões nas duas ilhas

Segundo dados de 2012 do site New Zealand Wine (www.nzwine.com), a Nova Zelândia conta com pouco mais de trinta e quatro mil hectares de vinhas plantadas, sendo quase oitenta porcento de uvas brancas. A uva branca mais plantada de longe é a Sauvignon Blanc, uva emblemática deste país, com quase vinte mil hectares. Dentre as tintas, a Pinot Noir lidera com folga chegando a pouco mais de cinco mil hectares. Quanto às regiões, Marlborough na ilha Sul é a mais produtiva com sessenta e seis porcento da área total (34.269 hectares). Em seguida, a região de Hawkes Bay conta com catorze porcento da área total plantada, perfazendo pouco mais de quatro mil e oitocentos hectares. Regiões como Gisborne e Otago seguem com áreas em torno de mil e setecentos hectares cada uma. A propósito, o grande avanço da área plantada em Marlborough é preocupante no sentido da preservação do terroir original. Com a fama da região, sua expansão comprometeu a tipicidade e a concentração na maioria dos vinhos nos últimos tempos, tendo o produtor neste sentido papel fundamental. Só para se ter uma idéia, os dados de 2007 apontam pouco mais de dez mil hectares de vinhas contra dezenove mil em 2012.

Voltando ás uvas tintas, a Pinot Noir ainda é uma grande promessa deste país. Com clima relativamente frio, regiões como Martinborough (ilha Norte) e Central Otago (ilha Sul) são as mais promissoras. Neste sentido, vinícolas como Martinborough Vineyards e Rippon, respectivamente em Martinborough e Central Otago, são ótimos exemplos que nos fazem acreditar nesta promessa. Ambas são trazidas no Brasil pelas importadoras Mistral (www.mistral.com.br) e Premium (www.preimumwines.com.br), respectivamente.

Como último dado, a Nova Zelândia produziu em 2012 cento e noventa e quatro milhões de litros de vinho, sendo cento e setenta e nove milhões destinados à exportação, comprovando seu forte caráter em busca do mercado internacional. Em termos absolutos, o país não está entre os principais exportadores de vinho, mas proporcionalmente, é altamente respeitável. Seus vinhos pela qualidade, agradabilidade e exotismo conquistam cada vez mais consumidores dos mais diversos países e paladares. Austrália, Reino Unido e Estados Unidos estão entre seus principais importadores.

Próximo post, principais regiões da ilha Norte.