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Facetas da Sauvignon Blanc

5 de Julho de 2020

Na metade da década de 1980, a Nova Zelândia ganhou destaque nas cartas de vinhos e nas gôndolas de importadoras. Uma das forças por trás desse sucesso foi a uva sauvignon blanc, que no terroir dos hobbits enseja um vinho com personalidade bastante frutada, com aromas de frutas (maracujá ou de limão), acidez marcante.

Bem distinto da escola francesa. Ao contrário da variedade plantada na França, que atinge seu ápice no Loire nas mãos de Didier Dagueneau, esse é um vinho expansivo, frutado, que vai bem com ceviche ou saladas em que o queijo de cabra dá um toque mais ácido.

Estilo mineral, o Loire

No centro do Loire, as apelações Sancerre e Pouilly-Fumé se destacam num clima mais continental com a uva Sauvignon Blanc, que adquire características difíceis de reprodução em outro terroir do mundo e que a colocam em um mundo à parte dos rótulos frutados do Novo Mundo. Aqui o solo dá as cartas e a mineralidade é expressa ao máximo. Os dois vinhos são muito frescos e minerais, mas Pouilly-Fumé costuma ser mais incisivo sobretudo por boa parte da área possuir solos de Sílex e do tipo Kimmeridgiano, o mesmo solo de Chablis.

São vinhos próximos ao estilo Chablis, minerais e cortantes, acompanhando peixes e frutos do mar in natura como sashimi e ostras frescas. O ápice é Didier Dagueneau e seu Silex, importados pela casa Flora. Dagueneau morreu há alguns anos em um acidente de ultraleve, a vinícola agora é comandada por seu filho, Benjamim, um dos mais talentosos vinicultores do Loire, notadamente da apelação Pouilly-Fumé, que seu pai fazia questão de nominá-la Blanc Fumé de Pouilly.

A cuvée Silex faz menção a um dos famosos terroirs da apelação com solo pedregoso de nome homônimo. A safra 2004, bebida há três anos, ainda tinha muita vida pela frente, com mineralidade extremamente elegante. A tensão, a grande marca dos grandes brancos, está em cada gole. Aqui no Brasil dois outros produtores fazem bons vinhos nesse estilo: Alphonse Mellot, cujos sancerres vêm pela Cellar (www.cellarvinhos.com.br), e Vacheron, vindo pela Clarets (www.clarets.com.br).

vacheron taças zalto

O estilo mineral na América do Sul

É difícil reproduzir este estilo mundo afora, pois as questões de solo e clima são muito específicas. No entanto, algumas versões alcançam sucesso, mesmo parcialmente. É o caso da linha Terrunyo da Concha y Toro no Chile. Este Sauvignon por estar próximo ao oceano Pacifico, região de Casablanca, partilha de um clima bastante frio, além de um sub-solo granítico. Seu perfil mostra mineralidade, grande acidez e fruta mais contida de características cítricas. Em relação ao original, mostra-se um pouco mais encorpado e menos austero.

Estilo Bordeaux

Embora os Bordeaux clássicos envolvam duas uvas, sabidamente Sauvignon Blanc e Sémillon, às vezes com pitadas de Muscadelle, a técnica de elaboração em cantina, além do clima mais ameno em relação ao Loire, molda vinhos mais macios e com toques elegantes da barrica, quando bem feitos. Para aqueles que queiram comprovar este estilo de um Bordeaux 100% Sauvignon Blanc, fato raro, e ainda por cima de custo modesto, basta provar o consistente Chateau Reynon do saudoso mestre Denis Dubourdieu, um dos maiores enólogos bordaleses das últimas gerações. Importadora Casa Flora (www.casaflora.com.br).

Neste caso, embora não haja interferência de barricas, o vinho é protegido até seu engarrafamento em tanques com contato sur lies (com as leveduras) entre cinco e oito meses. Este procedimento confere textura agradável em boca com certa maciez, sem perder o importante frescor da casta. Além disso, o vinho ganha complexidade aromática tendo normalmente uma nota chamada cat´s pee (pipi de gato), bem típica e bem particular desta uva.

Por esta nota de frescor e textura delicada, este estilo de vinho acompanha bem peixes e carnes brancas com molhos delicados, levemente acídulos e/ou gordurosos como beurre blanc, por exemplo. Molhos que envolvam maracujá ou carambola também são apropriados para o vinho.

Cloudy Bay Marlborough Chardonnay

Estilo Tropical

Este é o estilo forjado pela Nova Zelândia quando nos anos 80, Marlbourough (região nordeste da Ilha Sul) mostrou ao mundo um novo estilo de Sauvignon Blanc com o incrível Cloudy Bay.  O clima deste cenário é o ponto chave do sucesso com grande amplitude térmica, ou seja, dias ensolarados e noites frias. Ao mesmo tempo que o vinho mostra um frutado tropical exuberante (o clássico maracujá), sua acidez, seu frescor, é algo notável e fundamental ao equilíbrio do vinho. Uma boa indicação é o Sauvignon Blanc Jackson Estate, trazido pela importadora Premium (www.premiumwines.com.br).

Pratos de sabores mais ricos com toques agridoces, ensopados de peixes como moquecas, sobretudo a capixaba, risotos de camarões com aspargos, por exemplo, são boas indicações para este estilo de vinho.

Estilo Chardonnay

Pode parecer estranho, mas um Sauvignon Blanc com estágio em barricas marcando um estilo amadeirado, lembra o clássico Chardonnay com madeira. Neste caso, a técnica de vinificação e amadurecimento sobrepuja a individualidade da fruta. Este estilo americano criado na Califórnia ficou conhecido como Fume Blanc. As notas tostadas, de baunilha, especiarias, são bem marcadas. O vinho ganha corpo e estrutura com passagem pela barrica. O comentário de uma pessoa degustando este tipo de vinho foi compara-lo a um Meursault, apelação francesa famosa da Côte de Beaune. Eu não chegaria a tanto, embora haja Meursaults e Meursaults …

Um bom exemplo deste estilo de vinho é o chileno Amayna Barrel Fermented trazido pela Mistral (www.mistral.com.br). Como harmonização, valem as mesmas sugestões de um Chardonnay com madeira. Carnes brancas como aves, peixes e frutos do mar com molhos cremosos.

Carmenère: tudo a seu tempo

4 de Agosto de 2016

Embora não seja a uva mais plantada no Chile, a intempestiva Carmenère foi adotada como casta emblemática deste país. Cultivada por muito tempo  em terras chilenas e confundida com a Merlot, seu ressurgimento na escala de tempo vinícola é recente. Sua origem francesa e sua história nos tintos de Bordeaux teve fim com a devastação dos vinhedos no final do século dezenove devido a chegada da filoxera na Europa. Como seu cultivo já era complicado, não houve grandes esforços para sua retomada.

Voltando ao Chile, demorou um tempo para que suas características fossem melhor observadas e portanto, adequá-las a um terroir apropriado. Neste sentido, a zona de Cachapoal, abaixo do vale do Maipo, mais especificamente em Peumo, parece ser seu lar ideal. De fato, o clima ameno “Entre Cordilleras”, segundo a nova denominação para o terroir chileno, promove um longo período de maturação desta uva, sempre colhida no mês de maio. Portanto, mais tarde até do que a própria Cabernet Sauvignon, uma cepa sabidamente tardia. E este é um dos segredos de um grande Carmenère, a paciência em esperar o tempo certo da colheita, pois seus taninos tornam-se agressivos e desagradáveis, senão perfeitamente maduros.

peumo terroir

terroir Peumo: cuartel 32

Além disso, o solo da região de caráter argilo-limoso, retém uma certa umidade, bem de acordo para o bom desenvolvimento da planta. Na foto acima, percebemos a reserva hídrica no solo. Os rendimentos baixos por parreira reforçam a concentração dos frutos. Baseados nestes dois pilares, solo e clima adequados, o sucesso desta uva fica bem encaminhado. O vídeo abaixo, ilustra este cenário.

o correto manejo da carmenere

O grupo Concha Y Toro apresenta várias linhas com varietais de Carmenère, de acordo com a concentração e complexidade dos vinhos. Numa escala crescente, temos as linhas Gran Reserva, Marques de Casa Concha, Terrunyo e o ícone Carmin de Peumo. Particularmente, a linha Terrunyo, já comentada em artigo específico neste blog, é de grande valia, pois agrega grande complexidade a um preço relativamente justo. Além disso, em determinados anos, há partidas limitadas da linha Terrunyo para a uva Carmenère denominadas Lote 1. É o que veremos a seguir.

terrunyo lote 1

safra 2014: 95 pontos

Na safra 2014 tivemos um Terrunyo Carmenère Lote 1 com somente 2400 garrafas. As uvas proveem do cuartel 27, um dos setores que abastecem o famoso Carmin de Peumo, ícone da vinícola. É um vinho de maior concentração ainda que a linha padrão da Terrunyo, alcançando 95 pontos na safra 2013 pelo guia Descorchados e por conseguinte, eleito o melhor Carmenère do Chile. Vinhas plantadas em 1990.

A novidade nesta série especial é que o vinho amadurece por um tempo bem menor em barrica, no caso seis meses, preservando e mostrando todo seu poder de fruta e frescor. Já a linha normal, passa cerca de doze meses em barricas francesas.

A cor deste exemplar é extremamente escura, praticamente roxa e intensa, tingindo as paredes da taça. Os aromas transbordam toda a sorte de frutas escuras em geleia como framboesas, blueberries, cerejas escuras. Os toques de pimenta, café, chocolate escuro, também estão bem presentes. Belo ataque em boca com uma acidez refrescante. Os taninos são bem moldados num bom equilíbrio com o álcool. Persistente, expansivo e um final de muito frescor. Carnes com molhos densos e agradavelmente picantes são bons parceiros para este tipo de vinho. Steak au poivre, por exemplo, seria um clássico.

Outro atrativo desta série exclusiva é seu preço relativo, ou seja, em comparação com a linha habitual Terrunyo, há um acréscimo modesto entre 15 e 20%. Normalmente, em outras situações parecidas com determinados vinhos, a diferença de preços muitas vezes são abusivas.

Em resumo, para certas uvas um tanto rústicas, sem o atrativo das clássicas cepas francesas de primeiro time, o terroir específico, o correto manejo do vinhedo, e todos os cuidados na colheita, são fundamentais para vinhos diferenciados e surpreendentes. O terroir de Peumo parece ser o doce lar da inquieta Carmenère.

Este e todos os vinhos da linha Terrunyo Concha Y Toro são distribuídos pelas lojas Ville du vin, tanto no Itaim em São Paulo, como na loja de Alphaville. Maiores informações: http://www.villeduvin.com.br

Terrunyo: Terroir, Identidade, Tipicidade

31 de Julho de 2016

Do ponto de vista técnico aliado a um preço justo, a linha Terrunyo do grupo chileno Concha Y Toro é um dos projetos mais interessantes para quem busca vinhos com alma e identidade. No vasto portfólio da vinícola, esta linha tem a designação ultra premium ou Fine Wine Collection, ficando abaixo somente de ícones como Don Melchor, Carmin de Peumo e Gravas del Maipo.

Como o próprio nome diz, Terrunyo busca a essência de um vinho visando conjugar de maneira harmônica: solo, clima, cepa e homem. Embora a linha conte com cinco vinhos varietais, os mais conhecidos são: Sauvignon Blanc, Carmenère, e Cabernet Sauvignon. Em cada um deles, um terroir específico, baseado no novo conceito chileno, conforme esquema abaixo:

terroir chileno

terroir: três zonas distintas

No mapa acima, percebemos zonas distintas, conforme a influência do oceano pacífico e das cordilheiras da costa e dos andes. As zonas mais frias em azul, mostra os vinhedos sob influência direta do pacífico com ventos e águas muito geladas. As zonas em verde, são chamada entre cordilheiras, onde a cordilheira da costa, mais baixa, impede a influência direta do pacífico nos vinhedos, criando uma zona mais temperada. Por fim, as zonas dos andes em laranja, com influência direta da cordilheira homônima, onde a amplitude térmica (diferença de temperaturas entre dia e noite) é muito destacada. O esquema abaixo, ajuda a entendermos melhor estas situações.

terroir chile

esquema dinâmico com as latitudes

O quadro acima é dinâmico conforme nos deslocamos de norte a sul no terroir chileno. Em determinadas latitudes, a influência da cordilheira da costa é mais presente, rechaçando o ar frio vindo de oeste do pacífico. Em outras latitudes, esta proteção da cordilheira da costa é menos eficiente e portanto, o ar do pacifico encontra mais penetração continental. Já os vinhedos nas encostas da cordilheira dos andes, um paredão de quatro mil metros, absorve o ar frio à noite que desce pelas montanhas, contrastando com os dias ensolarados durante o período de maturação da uvas. É a chamada amplitude térmica.

terrunyo sauvignon blanc

Terrunyo Sauvignon Blanc

Já no rótulo, percebemos as especificações do produto. A menção Costa indica um sub-região de vale frio, no caso, Casablanca. Em seguida, a localização do vinhedo, Cuartel 5 – Los Boldos. O solo é composto de argila escura e logo abaixo rocha decomposta em granito. A influência climática do pacífico é decisiva para o amadurecimento lento das uvas. A colheita é toda setorizada sendo feita em três etapas distintas.

A vinificação procura além da tipicidade, todo o frescor das uvas, sem qualquer interferência da madeira. Elaborado em aço inox com posterior contato sur lies (sobre as leveduras). O vinho mostra-se elegante e de muita personalidade com notas cítricas, herbáceas e minerais. Em boca, apresenta bom volume de incrível frescor. A maciez complementa o conjunto, onde novamente nas sensações finais o frescor aparece num final limpo e estimulante. Destaca-se também a mineralidade com um sutil toque de salinidade. O equilíbrio entre álcool e acidez é notável.

terrunyo cabernet sauvignon

Terrunyo Cabernet Sauvignon

Menção no rótulo: Andes. Vinhedo: Pirque (Cuartel Las Terrazas) e uma pequena parcela em Puente Alto, ambos no alto vale do Maipo. Solo aluvial rochoso de excelente drenagem. Clima influenciado pela cordilheira dos andes com grande amplitude térmica. Zona excelente para Cabernet Sauvignon. Colheita entre final de abril e começo de maio para perfeita maturação das uvas.

Vinificação com longa maceração e amadurecimento por catorze meses em barricas francesas. Tinto de cor intensa, aromas de frutas negras, notas minerais, de ervas, e toques tostados. Encorpado, taninos firmes, equilibrando bem o álcool. Bom potencial de guarda.

terrunyo carmenere

Terrunyo Carmenère

Menção no rótulo: Entre Cordilleras. Vinhedo Peumo, cuartel 27, localizado no vale Cachapoal. Aqui o solo é argilo-limoso, retendo uma certa umidade. O clima ameno prolonga ao máximo a maturação tardia da Carmenère, sendo as uvas colhidas no mês de maio. Há uma pequena porcentagem de Cabernet Sauvignon no corte, fornecendo mais estrutura ao conjunto. A vinificação cuidadosa é complementada por um amadurecimento de doze meses em barricas francesas.

Tinto de cor profunda com reflexos violáceos. Os aromas transmitem grande frescor lembrando cerejas negras, toques florais, chocolate escuro, e sobretudo de especiarias como a pimenta negra. Em boca, mostra-se encorpado, equilibrado e com grande frescor. Persistente, taninos presentes e notas minerais.

Trata-se de um dos grandes Carmenères do Chile, principalmente por dois fatores. Primeiramente, pela vinhas serem plantadas em terroir adequado para um perfeito amadurecimento dos frutos. Em segundo lugar, a atenção em colher as uvas no momento certo, conferindo taninos de grande qualidade.

Os vinhos são distribuídos no Brasil pela própria Concha Y Toro com especial canal de vendas nas lojas Ville du Vin, tanto em Alphaville, como na loja do Itaim, São Paulo. Para maiores informações: http://www.villeduvin.com.br

Final de Ano: Harmonização Parte I

12 de Dezembro de 2013

Nesta época são inevitáveis as dicas de vinhos e pratos para as festas de final de ano. Peru, panetone, espumante, dentre outros itens, já foram exaustivamente comentados neste mesmo blog. A ideia este ano é sugerir alguns pratos diferentes com suas respectivas harmonizações. Portanto, teremos uma entrada, primeiro prato, segundo prato e sobremesa.

salade au brieSalada refrescante para o verão

Essa é uma entrada que pode perfeitamente ser acompanhada por um espumante, vinho obrigatório nestas ocasiões. O molho da salada inclui uma gema de de ovo, mostarda, azeite, limão, sal e pimenta moída na hora. As folhas podem ser um mix de hortaliças (alface, rúcula e escarola, por exemplo). O tostado do pão de forma cortado em quatro partes com o queijo brie gratinado, além dos pedacinhos de bacon fritos, sugere um espumante elaborado com o método tradicional (champenoise), ou seja, segunda fermentação na garrafa. O contato maior com as leveduras criam aromas com maior sinergia para os ingredientes acima citados. Pode ser um Cava (espumante espanhol), um Franciacorta (um dos mais refinados espumantes italianos, produzido na Lombardia), ou por que não um champagne de estilo mais delicado (Taittinger, por exemplo). Espumantes nacionais de boa procedência como os da Cave Geisse são bem-vindos. 

zuppa genoveseFrutos do mar: apropriados à época

O prato acima é antes de tudo uma homenagem a Maria Zanchi de Zan, grande cozinheira italiana, com o saudoso restaurante de mesmo nome. Na verdade este prato denominado Zuppa di Pesce alla Genovese é praticamente uma Bouillabaisse, prato típico da Provença, inclusive com todos os ingredientes da região; azeite, alho, ervas, tomate e pimenta. 

Para a elaboração deste prato precisamos de um bom caldo de peixe elaborado em casa com uma receita tradicional. Os frutos do mar ficam por conta de cada um, dependendo da disponibilidade. Normalmente são os camarões, salmão, lulas, vôngole, polvo e lagosta. Frite esses frutos do mar em azeite, alho, salsinha, tomilho e manjericão. Em seguida, acrescente os tomates pelados e pimenta do moinho. Cubra com o caldo de peixe coado, e deixe cozinhar por vinte minutos. Sirva com fatias de pão torradas e passadas no azeite.

Com relação à harmonização, um belo rosé, sobretudo da Provença, é a indicação mais óbvia. Pode ser até um espumante rosé, se preferir ficar no mundo das borbulhas. Vinhos brancos com bom frescor, toques herbáceos e textura adequada, são bons acompanhamentos. Um Sauvignon Blanc de Marlborough (Nova Zelândia), um chileno dos vales frios (Sauvignon Blanc Terrunyo é uma boa pedida), um Verdejo (uva branca) de Rueda (região espanhola próxima à Ribera del Duero) ou um branco grego moderno (uva Assyrtiko da ilha de Santorini) são exemplos a serem testados. No caso de tintos, um Sancerre (vale do Loire) é uma opção quase isolada. 

Próximo post, segundo prato e sobremesa.

Concha Y Toro: Gigante do Vinho

29 de Setembro de 2011

O crescimento do grupo Concha Y Toro parece não ter fim. Ano após ano, está cada vez mais próximo ao topo do mundo dos vinhos. Em 2010, figura na posição 17º dos top 100 das maiores empresas de bebidas do mundo, incluindo poderosos grupos de destilados e champagnes.

Nos grupos vinícolas, está apenas atrás do todo poderoso grupo americano Gallo, por enquanto. Já ultrapassou marcas como Hardys, Jacob´s Creek, Robert Mondavi, Lindemans, Penfolds, Torres.

O grupo Concha Y Toro é composto pelas vinícolas Cono Sur, Viña Maipo, Palo Alto, Canepa, Maycas Limari, Trivento (Argentina) e evidentemente Concha Y Toro, a primogênita.

Alguns números em 2010

  • Faturamento: 735 milhões de dólares
  • Volume de vendas: 29,2 milhões de caixas (12 garrafas)
  • Exportação para 135 países
  • 36,6% das exportações chilenas (volume)
  • Casillero del Diablo: 3 milhões de caixas exportadas
  • Área de vinhedos: 9.513 hectares (Chile e Argentina)

     

O que impressiona no grupo Concha Y Toro é a consistência e a qualidade de seus vinhos nas várias faixas de preço para atingir públicos específicos. A linha Marques Casa Concha e a linha Terrunyo, para ficarmos em dois exemplos, a despeito da enorme quantidade produzida, apresentam vinhos altamente competitivos em qualidade com relação a seus respectivos concorrentes diretos.

Nos vinhos ícones, Don Melchior conquistou ao longo do tempo prestígio internacional, principalmente nos últimos anos, com pontuações expressivas na crítica especializada. Outro ícone de grande reputação embora seja uma parceria com o glamour bordalês Mouton-Rothschild, é o Almaviva, pessoalmente o melhor tinto chileno com produção regular, desde 1996.

Em abril deste ano (2011) foi anunciada a compra do grupo vinícola californiano Fetzer no valor de 234 milhões de dólares. Com isso, aumenta ainda mais a participação do grupo Concha Y Toro no mercado americano. Fica assim a expectativa de ver no próximo ano, o grupo chileno no topo da lista.


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