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África do Sul: Parte IV

29 de Novembro de 2012

Conforme mapa abaixo, referente ao site oficial dos vinhos sul-africanos (www.wosa.co.za), veremos a partir deste post, outras regiões interessantes, embora o trio de ferro deste país (distritos de Stellenbosch, Paarl e Constantia) já tenha sido descrito nos artigos anteriores, todos pertencentes à região de Coastal Region.

Demais regiões espalham-se a partir da trilogia original

O primeiro distrito a ser abordado é Walker Bay, pertencente à região de Cape South Coast. No extremo sul dos vinhedos sul-africanos, recebe toda a influência da fria corrente de Benguela. E aqui, existe um produtor emblemático e bastante antigo na região, Hamilton Russell. Aficionado pelos vinhedos da Borgonha, plantou clones especiais das uvas Chardonnay e Pinot Noir, perfeitamente adaptados ao terroir local para elaborar vinhos de destaque, sempre bem cotados nas principais publicações especializadas. Para variar, também é importado pela Mistral (www.mistral.com.br). Fez escola na região. Atualmente, bons concorrentes como Bouchard Finlayson e Newton Johnson.

Outros distritos pertencentes à região de Cape South Coast como Elgin e Overberg não têm tanto prestígio como Walker Bay. Outro distrito que começa a ganhar destaque  é Cape Agulhas. A fama do Sauvignon Blanc destes distritos é das melhores com vinhos vibrantes e minerais. Produtores como Paul Cluver e Land´s End destacam-se neste cenário.

Robertson

Na região de Breede River Valley temos os ditritos de Breedekloof (recentemente surgido a partir do desmembramento de Worcester), Worcester e Roberston. Os dois primeiros, sem grandes destaques, elaborando vinhos corriqueiros, embora haja um efetivo progresso. Contudo, são distritos de grande produção. Já Roberston, o mais a leste da região, conforme mapa acima, apresenta em locais estratégicos solos mais calcários e com alguma influência marítima em termos climáticos. No entanto, ainda é uma região relativamente quente. O progresso de seus vinhos vem ganhando destaque nos últimos tempos, com tintos e brancos surpreendentes, sobretudo os brancos à base de Chardonnay. Vinícolas como De Wetshof e Springfield merecem destaque. A primeira é trazida para o Brasil pela importadora Mistral (www.mistral.com.br), enquanto a segundo era da importadora Expand. Springfield Chardonnay é vinho muito interssante elaborado com leveduras nativas.

África do Sul: Parte I

19 de Novembro de 2012

África do Sul, um dos países de destaque no chamado Novo Mundo. Para muitos, é o que mais guarda um estilo europeu em muito de seus vinhos. Particularmente, nosso mercado mostra uma boa variedade de vinhos deste país com muitos produtores de grande prestígio nas principais regiões sul-africanas, as quais são destacadas no mapa abaixo:

Regiões atuais da África do Sul

Com aproximadamente cem mil hectares de vinhas (um pouco menor que a região bordalesa na França), a África do Sul deve confirmar o nono lugar na produção mundial de vinhos, segundo as previsões mais recentes da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho). Nestas mesmas previsões, fica como o oitavo maior exportador de vinhos no mundo.

O plantio de vinhas entre tintas e brancas apresenta certo equilíbrio com leve predominância das brancas, 56% contra 44% de tintas. Apesar da uva Pinotage ser emblemática deste país, outras uvas internacionais têm grande prestígio, além de maior área cultivada. Vejam os quadros abaixo:

A uva Shiraz vem mantendo boa tendência de crescimento moldando belos vinhos varietais. Já as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, além de varietais, entram em muitos cortes bordaleses bastante comuns no portfólio de vinhos de muitas vinícolas. Para quem quer se aventurar com a Pinotage, a vinícola Kanonkop é um porto seguro, com vinhos muito consistentes e de grande categoria. É representada no Brasil pela importadora Mistral (www.mistral.com.br). A maioria dos Pinotages de muitas vinícolas deixam a desejar principalmente pela falta de concentração e altos rendimentos no cultivo das vinhas. Esta uva é um cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault (uva do sul da França), fruto de pesquisas do professsor Abraham Izak Perold em 1925 na universidade de Stellenbosch. O grande segredo desta uva é trabalhar com baixos rendimentos. Caso contrário, os vinhos costumam ser diluídos, alcoólicos e pouco atrativos. No caso da Kanonkop, além de baixos rendimentos, as parreiras são de idade avançada, muitas delas acima de sessenta anos.

Não é de hoje que as uvas brancas Chenin Blanc (localmente conhecida como Steen) e Colombard são largamente cultivadas na África do Sul gerando vinhos relativamente comuns e inexpressivos. A tendência é de decréscimo da área plantada das mesmas, enquanto as internacionais Chardonnay e Sauvignon Blanc ganham terreno literalmente. Geralmente, estas últimas são varietais modernos, interessantes e muito bem vinificados.

Após breve panorama geral, vamos às principais regiões vinícolas sul-africanas como Stellenbosch e Paarl. Próximo post.

Terroir: Montagne de Corton

1 de Novembro de 2012

Dentre os terroirs da Borgonha, a Montagne de Corton é extremamente didática para mostrar os critérios de plantio das duas castas principais entre tintos e brancos, ou seja, Pinot Noir e Chardonnay. Situada na parte norte da Côte de Beaune, delimita praticamente a divisa para a chamada Côte de Nuits, berço espiritual da Pinot Noir com tintos de contos de fada.

Dois Grands Crus na mesma montanha: Branco e Tinto

Numa foto área da montanha, percebemos nitidamente as delimitações das apelações Corton-Charlemagne (branco) e Corton (tinto) de acordo com a composição de seus respectivos solos.

Na mesma montanha, composição de solos distinta

Associando as duas fotos acima, percebemos que próximo ao cume onde há um belo bosque, até aproximadamente ao meio da colina, temos o típico solo de marga (mistura judiciosa de argila e calcário) com importantes afloramentos de calcário. Neste cenário, encontra-se o terroir ideal para a Chardonnay. Deste ponto adiante, acompanhando a descida da colina, a proporção de argila volta a dominar o marga, tornando o solo um pouco mais frio. Aliado ao clima da Borgonha, este solo torna-se ideal para o cultivo da Pinot Noir, alongando seu ciclo de maturação, permitindo assim maior riqueza de aromas e principalmente estrutura tânica, entre outros polifenóis. Aqui temos o único Grand Cru tinto de toda a Côte de Beaune, chamado simplesmente de Corton.

Perfil geológico: diversidade de solos

Conforme perfil acima, percebemos os alforamentos de calcário na zona de Corton-Charlemagne. Já em camadas mais profundas, na zona de Corton (tintos), os componentes de solo como oolite e pearly flagstone podem transmitir mineralidade ao vinho. São formações geológicas relacionadas a fósseis marinhos há milhões de anos. A presença de ferro nos chamados ferruginous oolite também podem acentuar uma intensidade de cor mais profunda nos belos tintos de Corton.

Estes são apenas alguns dos detalhes do intrincado terroir borgonhês. Dentre os belos produtores destas apelações, a domaine Bonneau du Martray reina absoluta com brancos e tintos de grande longevidade. Os brancos inclusive, devem ser obrigatoriamente decantados por algumas horas. Esses vinhos são trazidos pela importadora Mistral (www.mistral.com.br) e fazem parte de um seleto grupo do que há de melhor entre os melhores de toda a Borgonha.

Recentemente, na ABS-SP (Associação Brasileira de Sommeliers) foram degustados estes dois Grands Crus do produtor e negociante Louis Jadot (também importado pela Mistral). O branco Corton-Charlemagne da safra 2004 e o tinto Corton Gréves da safra 2006 (Gréves é um dos vinhedos desta apelação). As safras não eram das melhores como 2005 por exemplo, mas a força do terroir se faz presente. São vinhos de personalidade, minerais, com boa expansão de boca, e ainda com muita vida pela frente. O tinto tem uma bela estrutura tânica, caráter masculino e ainda um tanto fechado. Precisa ser decantado para uma boa aeração. Enfim, são vinhos que ratificam na taça todo o esplendor de terroirs diferenciados como a abençoada montanha de Corton.

Napa Valley: Parte IV

29 de Outubro de 2012

Voltando ao nosso mapa original, notamos que outras AVAs de Napa Valley não têm a mesma importância que as já citadas em artigos anteriores. Uma que merece menção especial é Los Carneros, bem ao sul da região, com toda a influência das brisas frias da baía de San Pablo. É fonte de bons Chardonnays e Pinot Noir.

Napa Valley: aproximadamente 18.000 hectares de vinhas

Nos três artigos anteriores, tentamos mostrar o pioneirismo e a supremacia da Califórnia, especialmente Napa Valley, na elaboração de grandes vinhos do chamado bloco dos países do Novo Mundo. O clássico corte bordalês tão reproduzido em várias regiões e países, parece ter encontrado em Napa Valley sua cópia mais fiel. Evidentemente, a classe e elegância francesas não estão em xeque, mas os tintos de Napa baseados em Cabernet Sauvignon chegam muito perto em refinamento e também em preços. Na maioria das vezes, os americanos pecam por serem um tanto potentes, amadeirados e com um toque mentolado característico. Entretanto, os grandes exemplares mencionados nos artigos descritos, corrigem estes “defeitos crônicos”, deixando os melhores “grand cru classé” com a pulga atrás da orelha, e são um tormento para degustadores experimentados quando degustados às cegas.

Por razões de preço e baixa oferta, poucas importadores trazem vinhos americanos. Entretanto, citaremos alguns endereços abaixo onde podem ser encontrados alguns dos vinhos citados nesses artigos específicos sobre Napa Valley. Como dissemos, não são vinhos baratos, mas para aqueles viajam ou estão acostumados a adquirir vinhos ícones, vale a pena a experiência. Além disso, podem surgir gratas surpresas  para aqueles que veneram os grandes bordeaux.

Harmonização: Feijão-Tropeiro

17 de Setembro de 2012

Prato substancioso da cozinha interiorana de São Paulo, Goiás e Minas Gerais, implantado pelos bandeirantes no desbravamento destas  terras em busca de riquezas. Ingredientes que podiam ser levados nas viagens a cavalo sem grandes preocupações e cuidados.

Recompensa após longa jornada

Baseado em feijão (não o preto), farinha de mandioca, lombo de porco, torresmo, linguiça e muito tempero (ervas, cebola, alho, …), é um prato para o trabalho duro. Acompanhamentos como arroz branco e ovos são bem tradicionais.

Para a harmonização, vinhos de bom corpo, boa acidez e passagem por madeira, são belos parceiros para este tipo de prato. Bom corpo porque o prato tem volume e sabor marcante, acidez para combater a gordura dos ingredientes, e sabores amadeirados para fazer eco aos toques defumados da carne de porco. Estamos falando de tintos, mas se a opção for branco, o clássico Chardonnay com amadurecimento em barrica pode fazer frente ao prato. Evidentemente, não um fino borgonha. Qualquer bom Chardonnay do Novo Mundo cumpre bem a missão.

Voltando aos tintos, penso num bom Barbera Barricato, com acidez e toques empireumáticos adequados. Um Shiraz do Novo Mundo não muito dominador, com seus toques defumados e de especiarias, além da rica fruta. E por que não um Tempranillo de Ribera del Duero? ou melhor ainda de Toro, com a rusticidade na medida certa para este prato campestre. Vinhos vigorosos, sem grandes sofisticações, de bom frescor e adequadamente marcados pela madeira, são as armas adequadas para este substancioso prato. Para ficar bem brasileiro, os bons Merlots da serra gaúcha podem impressionar a contento estrangeiros que queiram conhecer nossa enogastronomia.

Harmonização: Queijo Grana Padano

7 de Junho de 2012

Elaborado nas regiões italianas do Veneto, Lombardia, Emilia-Romagna e Piemonte, Grana Padano é o queijo de maior produção italiana na categoria D.O.P. (Denominazione d´Origine Protetta – Denominação de Origem Protegida), seguido de perto por seu quase irmão, o belo Parmigiano Reggiano. Ver relação completa dos principais queijos italianos, conforme endereço abaixo:

http://www.clal.it/index.php?section=formaggi_dop

Sua composição admite somente leite de vaca, enquanto sua maturação, segundo o consórcio oficial, é dividida em três categorias (www.granapadano.com):

  • Maturação entre 9 e 16 meses
  • Maturação entre 16 e 20 meses
  • Maturação acima de 20 meses (Grana Padano Riserva)

Textura granulada

Conforme o grau de maturação, o queijo vai adquirindo aparência, odores, sabores e texturas diferentes. Na primeira etapa de maturação, o queijo apresenta cor palha mais esbranquiçada, granulosidade comedida, doçura mais acentuada, aroma intenso, mas delicado; textura menos quebradiça e gordura perceptível. Aqui um Chardonnay com corpo e fruta mais intensa pode equilibrar bem o queijo. Um tinto bem frutado e intenso como um Zinfandel, tinto do Alentejo ou Shiraz australiano, também são boas opções. Os taninos no caso de tintos devem ser bem dóceis. Os tintos, inclusive caem melhor no grau de maturação intermediário, onde os aromas são mais intensos e a textura do queijo mais rija.

No caso oposto, um queijo de grande maturação, a cor é mais acentuada, assim como a granulosidade. Nos aromas, predominam a manteiga, caldo de carne e frutas secas, bastante acentuados. No sabor, a doçura é amenizada e a sapidez aumentada, evidenciando a suculência. Um belo Amarone della Valpolicella é uma parceria clássica, onde seus aromas intensos fazem frente ao queijo, e principalmente o àlcool equilibra a sapidez. Em queijos mais duros como neste caso, os taninos costumam funcionar bem, equilibrando a suculência. Um Nebbiolo (Barolo, Barbaresco, Gattinara, Ghemme, Langhe, …) por exemplo, costuma apresentar esta tanicidade acentuada. É uma outra forma de raciocínio. Enquanto o álcool com seu poder desidradante equilibra a suculência no caso do Amarone, os taninos também cumprem o papel, precipitando a mucina, proteína da saliva responsável pela lubrificação, no caso do Nebbiolo. Neste caso, certifique-se sobre a qualidade dos taninos para não provocar amargor devido ao choque taninos x sal.

Área de produção abrangente no norte da Itália

Como a denominação Grana Padano abrange diversas regiões importantes da Itália, praticamente todo o norte, existem inúmeros vinhos locais que podem harmonizar muito bem, levando em conta o grau de maturação do queijo. Na denominação lombarda Valtellina, temos o Sforzati di Valtellina, o qual em última análise, pode ser considerado o Amarone da região elaborado com a uva Nebbiolo, localmente conhecida como Chiavennasca.

Grandes vinhos da denominação Soave podem eventualmente acompanhar o queijo em sua tenra idade, desde que o produtor seja diferenciado como Anselmi ou Pieropan. Na fase de maturação mais avançada, podemos ter perfeitamente o Recioto di Soave, elaborado com a mesma uva Garganega, sofrendo o característico processo de passificação.

Em resumo, um grande queijo, selando com chave de ouro as melhores refeições italianas.

Borgonha: Parte X

23 de Abril de 2012

Finalmente, chegamos ao sul da Borgonha, seguindo abaixo da Côte Chalonnaise. Aqui o sol brilha mais forte, as temperaturas são relativamente mais elevadas e os frutos amadurecem com mais facilidade. Há uma série de colinas voltadas para o sul e sudeste, favorecendo as benesses do clima. Nos tintos predomina a cepa Gamay, antevendo as proximidades dos vinhedos de Beaujolais mais ao sul. Nos brancos, predomínio absoluto da Chardonnay com vinhos maduros e afáveis a exemplo de um Pouilly-Fuissé.

Sete apelações nesta sub-região

No Mâconnais, apesar de vinhos agradáveis, não há nenhum Premier Cru. As apelações Mâcon, Mâcon-Villages, Pouilly-Fuissé, Pouilly-Loché, Pouilly-Vinzelles, Saint-Véran e Viré-Clessé serão detalhadas abaixo.

A apelação Mâcon é a mais extensa e generalizada de todo o Mâconnais. Há um claro predomínio dos tintos principalmente com a uva Gamay em relação à produção de vinhos brancos. São elaborados tintos e rosés frutados, relativamente leves, sem compromissos. O branco é mais relevante com a apelação Mâcon-Villages, esta sim, exclusiva para brancos com a uva Chardonnay. O nome de uma das 26 comunas homologadas pode ser anexada nesta apelação mais restrita. São brancos agradáveis, frutados e florais.

Em locais mais ao sul, onde o calcário é mais presente, principalmente em torno dos maciços de Solutré e Vergisson, a apelação mais famosa de todo o Mâconnais, Pouilly-Fuissé, elabora brancos à base de Chardonnay, com certa classe, complexidade e graça. O produtor Saumaize-Michelin da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br) é um bom exemplo neste sentido. Com o tempo, duas comunas adquiriram apelações próprias. São elas Pouilly-Loché e Pouilly-Vinzelles. Tentam diferenciar-se dos Pouilly-Fuissé mais comuns, mas não atingem os melhores da apelação principal.

A recente apelação Viré-Clessé refere-se a brancos elaborados com Chardonnay das duas mais destacadas comunas para os inexpressivos brancos da apelação Mâcon (Viré e Clessé, situadas mais ao norte de Pouilly-Fuissé).

Por fim, a apelação Saint-Véran, vizinha à Pouilly-Fuissé, elabora brancos com base na Chardonnay, com alguns vinhedos quase dentro da região de Beaujolais. Daí, muitos referirem-se a esta apelação como um Beaujolais Blanc. São vinhos leves, fáceis, feitos para o dia a dia.

Borgonha: Parte VIII

16 de Abril de 2012

Após a comuna de Meursault, caminhando para o sul da Côte de Beaune, entramos no berço espiritual da Chardonnay. Aqui, a palavra mágica é Montrachet. Evidentemente, o excepcional vinhedo “Le Montrachet” é o mais cobiçado de todos os Grands Crus desta pequena área, conforme figura abaixo.

A perfeição da Chardonnay

Notem que no meio do mapa existe uma linha pontilhada dividindo as comunas de Chassagne-Montrachet à esquerda, e Puligny-Montrachet à direita. Com isso, dois Grands Crus são divididos entre as mesmas: Bâtard-Montrachet e o grande Le Montrachet. Ainda no mapa, observamos o Grand Cru Criots-Bâtard-Montrachet pertencendo exclusivamente à comuna de Chassagne-Montrachet. Por sua minúscula produção, menos de dez mil garrafas por ano, comprem o que estiver ao alcance dos olhos e do bolso. Do lado de Puligny-Montrachet, mais dois Grands Crus exclusivos: Bienveneus-Bâtard-Montrachet e o estupendo Chevalier-Montrachet. Este último para muitos, o grande rival da estrela maior.

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Dos cinco Grands Crus, três merecem atenção especial quanto a seus respectivos terroirs. Observem o esquema acima dos vinhedos em termos de altitude. Na parte mais baixa, temos Bâtard-Montrachet com seu solo de marga onde a argila destaca-se em meio ao calcário. Portanto, numa sintonia fina seus vinhos são mais densos, mais pesados, necessitando de uma boa decantação, principalmente se forem tomados relativamente jovens.

Em altitude oposta, temos o vinhedo Chevalier-Montrachet com seu solo de pedregosidade destacada. Este fato confere uma sutileza e elegância incríveis, impressionando a maioria dos degustadores, sejam eles experientes ou não. Bouchard Père et Fils, também grande comerciante da borgonha, elabora um Chevalier-Montrachet de cair o queixo.

Por fim, o grande Le Montrachet, com seus 7,93 hectares extremamente fracionados, posicionado entre os dois Grands Crus acima citados. A insolação é perfeita, tendo na época de maturação o sol batendo nas vinhas até nove horas da noite. Seu solo conjuga todos os fatores benéficos à Chardonnay, resultando num vinho extremamente elegante como Chevalier, e não menos denso e robusto como um Bâtard. A perfeição está próxima.

Alguns produtores destes grandes vinhos: Domaine Leflaive, Domaine de La Romanée-Conti, Comtes Lafon, Ramonet, Drouhin (Marquis de Laguiche), Carillon, Gagnard e Sauzet. Infelizmente, nem todos vêm para o Brasil. As importadoras Expand e Mistral possuem alguns destes produtores.

Alternativas interessantes a todos esses grandes vinhos citados, são alguns produtores ilustres nas vizinhanças de Chassagne e Puligny como Jean-Marc Boillot da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br), com vários Puligny-Montrachet Premier Cru a preços atraentes. O produtor Hubert Lamy trazido pela importadora Premium Wines (www.premiumwines.com.br) elabora belos exemplares em Chassagne-Montrachet e na comuna vizinha de Saint-Aubin, com belos Premier Cru. Aliás, Saint-Aubin é uma alternativa interessante frente às comunas mais badaladas, principalmente na categoria Premier Cru. 

Borgonha: Parte VI

9 de Abril de 2012

Retomando nossa viagem pela Borgonha, trataremos agora da parte sul da Côte d´Or, a famosa Côte de Beaune com seus brancos de tirar o fôlego. Evidentemente, estamos falando em Chardonnay no mais alto nível, principalmente nas comunas mágicas de Chassagne-Montrachet e Puligny-Montrachet. Antes porém, conforme foto e mapa abaixos, começaremos por dois Grands Crus da montanha de Corton, extremo norte da Côte de Beaune; o grande branco Corton-Charlemagne e o único Grand Cru tinto Corton.

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Esta montanha sintetiza a lógica do terroir borgonhês

Esta proeza deve-se ao fato de bem próximo ao cume da montanha rodeando o bosque, termos na composição do solo, importantes afloramentos de calcário, fator crucial para o plantio da Chardonnay. Já no meio da encosta, o marga assume maiores proporções de argila favorecendo então, o plantio da Pinot Noir. Neste contexto, temos o único tinto Grand Cru da Côte de Beaune que envelhece muito bem em garrafa. Quando novo, mostra-se fechado e com taninos firmes.

Voltando ao vinho branco, Corton-Charlemagne é um dos mais espetaculares Grands Crus, podendo envelhecer por décadas. É um vinho misterioso em sua juventude, com aromas sutis e marcante mineralidade. Bonneau du Martray é um produtor estupendo, trazido atualmente pela importadora Mistral. Contudo, nem tente tomá-lo jovem. É um criminoso infanticídio. Outro belo exemplar da Mistral é do produtor e comerciante Louis Jadot.

Bem próximo a Aloxe-Corton, na redondeza dos vinhedos acima citados, encontra-se a comuna de Savigny-lès-Beaune com tintos delicados, elegantes e bem equilibrados. Evoluem bem em garrafa, com toques intrigantes de caça. Costumam encontrar seu apogeu entre quatro e seis anos de safra. Procure por um bom Premier Cru de produtores como Simon Bize (importadora Mistral) e Chandon de Briailles (importadora Grand Cru).

Importadora Mistral – www.mistral.com.br

Importadora Grand Cru- www.grandcru.com.br

Borgonha: Parte I

1 de Março de 2012

Dando prosseguimento às regiões clássicas francesas, vamos desenvolver alguns artigos sobre a Borgonha com a devida licença do meu amigo Roberto Rockmann, especialista na matéria. Na verdade, são tópicos essencialmente básicos para os iniciantes na mais desafiadora apelação francesa, quiçá do mundo.

Em primeiro lugar, vou tomar partido em separar a região de Beaujolais da Borgonha. A história é polêmica, mas para mim, borgonha branco é Chardonnay e borgonha tinto, Pinot Noir. O próprio site oficial da região faz esta separação (www.vins-bourgogne.fr), o qual será referência para nossos artigos.

Dê um zoom no mapa acima

Chablis

No mapa acima, percebemos uma área isolada a noroeste em laranja, correspondente à região de Chablis. Aqui elabora-se um branco baseado sempre na casta Chardonnay com clima e solo únicos. Fica no meio do caminho, entre o restante da Borgonha e a região de Champagne. O clima é bastante frio, principalmente em relação ao restante do mapa, e o solo de natureza argilo-calcária. Nos melhores locais este solo é do período Kimeridgiano, um solo sedimentar à base de argila e fósseis marinhos. É creditado a este tipo de solo a incrível mineralidade de seus melhores vinhos. Para este vinho, temos quatro apelações: Petit-Chablis, Chablis, Chablis Premier Cru e a elite, Chablis Grand Cru. Para o primeiro nível (Petit-Chablis), não perca tempo. Falta tipicidade do terroir. Para a apelação Chablis, os bons produtores são fundamentais. Nos dois níveis acima, principalmente o Grand Cru,  o terroir nas mãos de um bom produtor pode ser sublime.

No caso dos Grands Crus, temos sete vinhedos famosos: Blanchot, Bougros, Grenouilles, Valmur, Preuses, Vaudésir, e Les Clos. Sobretudo o último, Les Clos, costuma ser o mais exuberante, o mais franco. Outros, como Blanchot ou Bougros são mais discretos e sutis.

O brilho e o toque verdeal de um grande Chablis

Um autêntico Chablis deve apresentar aromas de frutas brancas bem frescas na juventude, e frutas secas em sua evolução. O toque mineral de água de nascente correndo sobre pedras é uma de suas marcas registradas. Nenhum outro Chardonnay no mundo consegue reproduzir estas sutilezas, mesmo no estilo unoaked (sem madeira). Em boca, sua acidez é cortante, sem ser agressiva, fazendo par perfeito com ostras e frutos do mar, onde o sabor de maresia seja acentuado.

Bons produtores encontrados no Brasil: William Fèvre (importadora Grand Cru – www.grandcru.com.br), Alain Geoffroy (www.decanter.com.br), Jean Paul Droin (www.vinci.com.br), Jean-Marc Brocard (www.zahil.com.br), entre outros. Fora do Brasil, Domaine Raveneau é excepcional.

Outro assunto que dá pano prá manga, são os produtores tradicionalistas que fazem questão de manter a pureza de seus Chablis longe das maquiagens advindas da madeira. Outros mais revolucionários, apostam nos toques de carvalho, deixando seus vinhos mais atraentes num mercado competitivo. Trataremos do assunto em artigo específico.

Para terminar, a região em torno de Chablis, chamada Grand Auxerrois, somam no total catorze apelações entre tintos e brancos. A maioria, sem grande expressão, utilizando uvas como Gamay, Sauvignon Blanc, Aligoté, entre outras, além das clássicas Chardonnay e Pinot Noir. Maiores informações, consultar site: (www.vins-bourgogne.fr).