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Borgonha: Parte III

8 de Março de 2012

Prosseguindo no detalhamento dos vinhedos da Côte d´Or, vamos nos fixar na Côte de Nuits com seus tintos extraordinários. Antes porém, só para esclarecer, o sufixo Or do nome acima refere-se à posição do sol na encosta, a qual logo pela manhã começa refletir seus raios nos vinhedos, ou seja, a tradução correta seria Costa do Oriente.

Côte de Nuits

Esta sub-região é o modelo clássico de um terroir. Imaginem uma colina no hemisfério norte com declive a leste, insolação perfeita, altitude adequada à casta, drenagem e composição de solo extremamente balanceadas. Todos esses fatores e alguns mais são potencializados exatamente na faixa da colina onde estão localizados uma série de Grands Crus, aproximadamente entre 250 e 300 metros de alitude. Só neste detalhe, o famoso vinhedo Romanée-Conti tem o requinte de estar exatamente a 275 metros de altitude, bem no centro da faixa privilegiada. O primeiro esquema do mapa abaixo nos dá uma idéia desta precisão. 

Detalhes no site: http://rge.revues.org/994

Aqui como já dissemos, é o berço espiritual da Pinot Noir, casta exigente quanto ao clima, solo, métodos de vinificação e amadurecimento em madeira. Neste terreno, a Pinot Noir encontra seu solo ideal, uma mistura judiciosa de argila e calcário denominada marga, com proporção um pouco maior de argila, proporcionando um solo relativamente frio. Este solo em altitude e declive adequados, exatamente na faixa dos Grands Crus, resulta num ciclo perfeito de amadurecimento da Pinot Noir, que é uma casta relativamente precoce. Portanto, aqui seu ciclo é alongado ao máximo, onde a uva consegue amadurecer adequadamente, mantendo um bom nível de acidez e criando uma estrutura tânica notável para os padrões da casta como em nenhum outro local. Nas mãos de um produtor consciente, respeitando rendimentos baixos, extração e maceração corretas do mosto, e amadurecimento balanceado em madeira, pode-se chegar a algo sublime.

Próximo post, comunas da Côte de Nuits.

Borgonha: Parte I

1 de Março de 2012

Dando prosseguimento às regiões clássicas francesas, vamos desenvolver alguns artigos sobre a Borgonha com a devida licença do meu amigo Roberto Rockmann, especialista na matéria. Na verdade, são tópicos essencialmente básicos para os iniciantes na mais desafiadora apelação francesa, quiçá do mundo.

Em primeiro lugar, vou tomar partido em separar a região de Beaujolais da Borgonha. A história é polêmica, mas para mim, borgonha branco é Chardonnay e borgonha tinto, Pinot Noir. O próprio site oficial da região faz esta separação (www.vins-bourgogne.fr), o qual será referência para nossos artigos.

Dê um zoom no mapa acima

Chablis

No mapa acima, percebemos uma área isolada a noroeste em laranja, correspondente à região de Chablis. Aqui elabora-se um branco baseado sempre na casta Chardonnay com clima e solo únicos. Fica no meio do caminho, entre o restante da Borgonha e a região de Champagne. O clima é bastante frio, principalmente em relação ao restante do mapa, e o solo de natureza argilo-calcária. Nos melhores locais este solo é do período Kimeridgiano, um solo sedimentar à base de argila e fósseis marinhos. É creditado a este tipo de solo a incrível mineralidade de seus melhores vinhos. Para este vinho, temos quatro apelações: Petit-Chablis, Chablis, Chablis Premier Cru e a elite, Chablis Grand Cru. Para o primeiro nível (Petit-Chablis), não perca tempo. Falta tipicidade do terroir. Para a apelação Chablis, os bons produtores são fundamentais. Nos dois níveis acima, principalmente o Grand Cru,  o terroir nas mãos de um bom produtor pode ser sublime.

No caso dos Grands Crus, temos sete vinhedos famosos: Blanchot, Bougros, Grenouilles, Valmur, Preuses, Vaudésir, e Les Clos. Sobretudo o último, Les Clos, costuma ser o mais exuberante, o mais franco. Outros, como Blanchot ou Bougros são mais discretos e sutis.

O brilho e o toque verdeal de um grande Chablis

Um autêntico Chablis deve apresentar aromas de frutas brancas bem frescas na juventude, e frutas secas em sua evolução. O toque mineral de água de nascente correndo sobre pedras é uma de suas marcas registradas. Nenhum outro Chardonnay no mundo consegue reproduzir estas sutilezas, mesmo no estilo unoaked (sem madeira). Em boca, sua acidez é cortante, sem ser agressiva, fazendo par perfeito com ostras e frutos do mar, onde o sabor de maresia seja acentuado.

Bons produtores encontrados no Brasil: William Fèvre (importadora Grand Cru – www.grandcru.com.br), Alain Geoffroy (www.decanter.com.br), Jean Paul Droin (www.vinci.com.br), Jean-Marc Brocard (www.zahil.com.br), entre outros. Fora do Brasil, Domaine Raveneau é excepcional.

Outro assunto que dá pano prá manga, são os produtores tradicionalistas que fazem questão de manter a pureza de seus Chablis longe das maquiagens advindas da madeira. Outros mais revolucionários, apostam nos toques de carvalho, deixando seus vinhos mais atraentes num mercado competitivo. Trataremos do assunto em artigo específico.

Para terminar, a região em torno de Chablis, chamada Grand Auxerrois, somam no total catorze apelações entre tintos e brancos. A maioria, sem grande expressão, utilizando uvas como Gamay, Sauvignon Blanc, Aligoté, entre outras, além das clássicas Chardonnay e Pinot Noir. Maiores informações, consultar site: (www.vins-bourgogne.fr).

Harmonização: Steak Tartare

30 de Janeiro de 2012

Eis uma bela opção para o verão, principalmente para aqueles que não abrem mão de carne bovina. Embora o original seja semelhante à foto abaixo, existem inúmeras variações de ingredientes e temperos, inclusive sem a gema de ovo crua, a qual complica muito a harmonização. 

Outra observação importante é que tartare ou tartar (grafia muito comum hoje em dia) tornou-se um processo pelo qual, qualquer tipo de carne crua picada ou moída, agregada a molhos e outros ingredientes, recebe esta denominação. Mas atenção, a carne picada na ponta da faca apresenta sempre textura incomparável à mesma carne passada no moedor.

Atualmente, muitas variações do original

Voltando ao nosso Steak Tartare original, teremos alguns problemas de harmonização com vinhos tintos, apesar de estarmos falando em carne vermelha. Ingredientes que acompanham o prato como alcaparras, cebola crua, cornichons (pepino em conserva), azeite, tabasco e/ou molho inglês e a temida gema de ovo crua, desencorajam a maioria dos vinhos tintos com taninos presentes. De fato, a gema crua desossa qualquer vinho tânico, além da acidez do molho inglês e demais ingredientes que potencializam a sensação de amargor. Portanto, o vinho tinto ideal é o Beaujolais (uva Gamay), sobretudo um Villages, com mais concentração de sabor. Seu poder de fruta, sua acidez equilibrada e principalmente, sua baixa tanicidade, acomoda-se melhor às armadilhas do prato. Um borgonha simples, de preferência da Côte de Beaune, também apresenta características semelhantes.

Os brancos não devem ser descartados. Pelo contrário, podem ser belas alternativas. Um borgonha mais simples como um Saint-Véran (na prática, a versão branca do Beaujolais) ou um Macôn-Villages, apresentam textura e acidez adequadas ao prato com força aromática suficiente. Não desperdicem brancos ou tintos complexos com esta entrada. As sutilezas do vinho serão abafadas pela rusticidade dos ingredientes.

Quanto a brancos e tintos do Novo Mundo, a opção por Chardonnay sem madeira (unoaked) é sempre mais adequada, enquanto tintos de médio corpo com as uvas Tempranillo, Pinot Noir e alguns Malbecs, sempre sem madeira, também fazem sucesso.

Se a carne mudar para salmão ou atum, o branco costuma ser a primeira opção, embora a Pinot Noir com atum apresente uma empatia natural.

Em resumo, preste sempre atenção ao tipo de carne e a prevalência de algum ingrediente marcante. Esses itens vão definir com maior precisão o vinho mais conveniente. De resto, é curtir o momento.

Champagne em destaque: Cuvée William Deutz 1998

12 de Dezembro de 2011

Nesta última degustação na ABS-SP sobre champagnes de luxo, o rótulo abaixo brilhou entre feras já citadas e comentadas em post anterior. Resolvi destacá-lo em artigo específico por se tratar de um champagne envelhecido, de uma bela safra, e em grande forma.

A maison Deutz de origem alemã goza de grande reputação entre os melhores champagnes. Adquirida pela maison Roederer também de origem germânica, responsável pelo mítico champagne Cristal, os champagnes Deutz primam por sua elegância, equilíbrio e personalidade.

Um dos melhores rótulos no mercado

Como a maison Krug, as cuvées da Deutz fazem questão de incluir a uva Pinot Meunier em seu corte, além das nobres castas Chardonnay e Pinot Noir. Na cuvée acima, temos a seguinte proporção de uvas: 55% Pinot Moir, 35% Chardonnay e 10% Pinot Meunier.

Os vinhedos localizam-se em Aÿ, sede da maison, e também na Côte des Blancs, onde pelo menos 80% são da categoria Grand Cru e Premier Cru. Os champagnes não costumam ser encorpados, mas possuem estrutura e caráter para envelhecer. Para esta cuvée, o vinho permanece pelo menos cinco anos sur lies antes do dégorgement.

Na degustação,  apresentou-se com cor palha claro dourado de média intensidade e muito brilho. Os aromas finos denotam frutas secas e cítricas cristalizadas bem mescladas, lembrando um pouco os doces mineiros. Toques tostados, de gengibre e brioche também fazem parte do conjunto. No boca, mostrou-se medianamente encorpado, com uma acidez viva e revigorante de início, caminhando paulatinamente a uma maciez própria dos grandes champagnes, moldada por uma mousse delicada, mas de grande presença. Nas sensações finais, o equilíbrio é notável, além de todos os sabores fundirem-se harmoniosamente. Final fresco, elegante e marcante. É incrível sua vivacidade após treze anos de safra.

Importado pela Casa Flora (www.casaflora.com.br)

Chacra e Noemía: Bodegas de Terroir

17 de Novembro de 2011

Vinhedos das primeiras décadas do século passado são a espinha dorsal deste projeto biodinâmico na região argentina da Patagônia, mais especificamente na sub-região de Rio Negro. Os mesmos estavam para ser arrancados na virada do milênio quando aparece a figura central desta história, um dinamarquês perfeccionista chamado Hans Vinding-Diers. Percebendo o potencial da região e este pequeno tesouro de pouco hectares, não teve dúvida, articulou a negociação com duas poderosas famílias italianas do ramo vitivinícola. Piero Incisa della Rocchetta, proprietário do mítico supertoscano Sassicaia, e  Condessa Noemi Marone Cinzano do famoso Brunello di Montalcino Argiano, dividiram a propriedade em duas bodegas distintas mas com um único propósito; elaborar vinhos de alta qualidade expressando fielmente a natureza de seus respectivos terroirs.

O todo poderoso Hans é o maestro dos dois projetos, ditando normas de cultivo, épocas precisas nas colheitas e todo o rigor na vinificação e amadurecimento dos vinhos nas barricas.

Condessa Noemi ficou com as antigas vinhas de Malbec, batizando a bodega com um nome quase homônimo, Noemía. Já Piero, adquiriu as antigas vinhas de Pinot Noir, nomeando sua propriedade de Bodega Chacra.

Feita as devidas distinções, passemos daqui por diante, encarar as duas propriedades contíguas com um mesmo objetivo, expressar as qualidades de um grande Malbec e de um grande Pinot Noir na mais pura filosofia biodinâmica.

Tração animal preservando o solo

Os pequenos lotes de vinhas antigas dividem-se por idade. As cepas plantadas em 1955 geram os vinhos Chacra 55 (Pinot Noir) e os vinhos J. Alberto (Malbec). Os vinhedos plantados em 1932 dão origem aos ícones Chacra 32 (Pinot Noir) e Noemía (Malbec).

Vinhas Velhas: Patrimônio inestimável

Os vinhos elaborados a partir destas vinhas mostram aromas elegantes e diferenciados. Em boca são muito equilibrados, textura macia de taninos  e persistência aromática expansiva. São vinhos naturalmente concentrados sem ser superextraídos. O equilíbrio natural dessas vinhas geram cachos concentrados e em número reduzido por parreira.

Os vinhos ícones provenientes das parreiras de 1932 diferenciam-se por uma concentração maior e rendimentos baixíssimos em torno de 20 hectolitros por hectare. A produção não passa muito de seis mil garrafas por safra.

Porteira aberta entre Noemía e Chacra

Para financiar o sonho destes grandes vinhos é preciso pensar em produções maiores e de preços competitivos. Neste contexto, entram os vinhos A Lisa (Bodega Noemía) e Barda (Bodega Chacra), proveninentes de parreiras mais jovens, áreas de cultivo maiores, gerando um maior número de garrafas. Mas nada de ceticismos, são vinhos equilibrados, com excelente padrão de qualidade e os mesmos cuidados biodinâmicos.

Noemía e Chacra são verdadeiros oásis no deserto patagônico, sem termo de comparação com as demais bodegas da região, a despeito da boa qualidade e da crescente demanda de seus vinhos. Essas maravilhas são importadas no Brasil conforme endereços abaixo:

Noemía – importadora Vinci (www.vinci.com.br)

Chacra – importadora Ravin (www.ravin.com.br)

Vinho em destaque: Rippon Pinot Noir

17 de Março de 2011

A Nova Zelândia sempre demonstrou vocação na elaboração de bons vinhos com a caprichosa uva Pinot Noir. Notadamente, as regiões de Martinborough (sul da ilha norte) e Central Otago (região central da ilha sul) são as mais confiáveis.

A vinícola Rippon abaixo localiza-se em Central Otago, às margens do lago Wanaka, sob a orientação do enólgo Nick Mills e equipe. O projeto é totalmente biodinâmico, com forte conceito de terroir. Nick passou alguns anos na Borgonha absorvendo o savoir-faire de produtores como Jean-Jacques Confuron e também na Domaine de La Romanée-Conti.

Um dos vinhedos mais bonitos do mundo

As videiras do Rippon Pinot Noir 2006, importado pela Premium (www.premiumwines.com.br),  foram plantadas entre 1985 e 1991 com clones criteriosamente selecionados, numa densidade de 3800 pés/hectare. O solo é rico em  minerais, com marcante presença de xisto. A maturação das uvas é bem lenta, com a colheita ocorrendo entre final de março e boa parte de abril.

O mosto foi fermentado com leveduras naturais de forma lenta e gradual. A longa maceração (contato com as cascas) permitiu extrair aromas diferenciados e destacada estrutura tânica, evidentemente em diferentes faixas de temperatura. Posteriormente, o vinho foi amadurecido em barricas francesas (apenas 30% novas) por um período de 18 meses. Foi engarrafado sem filtração.

Elegante, diferenciado, além de bem equilibrado. A madeira de nenhum modo incomoda, apenas enriquece o conjunto. Tem nível de um Premier Cru da Borgonha, apresentando algumas nuances de um Chambolle-Musigny. Não confundir com Rippon Jeunesse Pinot Noir, de parreiras jovens. 

Vinhos de Verão

4 de Fevereiro de 2011

Pode parecer estranho esta expressão, mas em nosso país se faz necessária. Infelizmente, ligamos o consumo de vinho à temperatura da estação, como se não tivéssemos ambientes climatizados, vinhos bem adegados, temperatura de serviço correta e comida adequada para harmonizá-los. Aliás, as pessoas pedem feijoada fumegante, massas com molhos vigorosos, carnes assadas, sem o menor constrangimento no verão, rejeitando os vinhos que combinariam perfeitamente com esses pratos numa estação mais fria, optando então, por uma cerveja bem gelada. Esta é mais uma prova que o pessoal toma vinho nas refeições sem o menor comprometimento com os pratos escolhidos.

Voltando ao tema, o que seria um vinho de verão? Primeiramente, um vinho de corpo leve a medianamente encorpado. Um vinho de boa acidez e tanicidade baixa no caso de tintos, podendo assim resfriá-los para um consumo mais agradável. Neste perfil, podemos apontar brancos das uvas Sauvignon Blanc e Riesling, Vinho Verde (Portugal), Rueda da Espanha com a uva Verdejo, Albariño (Espanha), Pinot Grigio (Norte da Itália), Roero Arneis (Piemonte), Sancerre (Loire), Muscadet (Loire), entre outros.

Os rosés da Provence e também os de Navarra (Espanha) são bastante refrescantes e equilibrados, além de muito gastronômicos. Cuidado com rosés do Novo Mundo. Muitas vezes, são pesados e alcoólicos.

Os espumantes se enquadram perfeitamente neste cenário, como os Cavas (Espanha) mais simples, Proseccos (espumante regulamentado na região do Veneto), os nacionais elaborados pelo método Charmat (são mais leves e diretos), Crémants do Loire e da Alsace. A perfeição seriam os champagnes Blanc de Blancs. Evitem espumantes e champagnes com predominância de Pinot Noir, por serem encorpados e estruturados. As cuvées especiais também devem ser evitadas pelo mesmo motivo.

A luminosidade e brilho denotam uma bela acidez

Por fim, os tintos. Chiantis leves, Dolcettos mais simples, Tempranillo Joven,  Chinon e Bourgueil do Loire (ambos são Cabernet Franc), Gamay (uva do Beaujolais) e Pinot Noir, são algumas das opções. Tomem cuidado com Pinot Noir! Muitos do Novo Mundo são pesados e amadeirados. Quanto aos borgonhas, evitem Grands Crus da Côte de Nuits. Eles costumam ser estruturados, complexos, pedindo pratos e ocasiões de maior requinte. Escolham borgonhas mais genéricos de bons produtores. A Côte de Beaune apresenta um terroir mais favorável ao tema.

Com todas essas opções acima, precisamos ser coerentes com o verão. Saladas, lanches, entradas leves, carpaccios, ceviche,  peixes, frutos do mar e carnes brancas, não terão dificuldades de harmonização, bastando contornar pequenas arestas, caso a caso. Deixem a feijoada de lado por enquanto, além de ser complicadíssima com vinho.

Piemonte: Nova DOCG Alta Langa

29 de Janeiro de 2011

Realmente, o Piemonte quer disparar frente às demais regiões italianas com relação ao número de DOCGs (Denominazione di Origine Controllata e Garantita). A partir da safra de 2011, a denominação Alta Langa passar ser DOCG.

Alta Langa, ainda DOC, é uma denominação para espumantes do Piemonte elaborados pelo método clássico (segunda fermentação na garrafa), com as uvas Chardonnay e Pinot Noir em porcentagem de pelo menos 90% (juntas). As províncias piemontesas autorizadas são Cuneo, Alessandria e Asti. As eventuais uvas complementares são uvas autóctones autorizadas na região. As versões podem ser spumante bianco, rosato (rosé) ou rosso.

Nova DOCG a partir da safra 2011

O rótulo acima é um dos bons produtores da região, comercializado no Brasil pela importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

Com esta nova designação, Alta Langa forma um seleto grupo de espumantes italianos DOCG elaborados pelo método clássico, juntamente com os ótimos Franciacorta e os recentes Oltrepò Pavese Metodo Classico.

Harmonização: Champagnes – Parte II

9 de Janeiro de 2011

Champagne combina com tudo! Sirva champagne durante toda a refeição! Café da manhã com champagne!

Frases deste tipo carregam um certo exagero, mas não estão muito longe da verdade. Exceto carnes vermelhas, onde o tanino é insubstituível e pratos com texturas untuosas, os champagnes geralmente podem harmonizar muito bem, desde que se escolha o tipo adequado para cada caso. Evidentemente, comidas potentes e um tanto rústicas não combinam com vinhos elegantes.

Os champagnes são muito gastronômicos por apresentar grande acidez, frescor, álcool comedido e textura delicada. Corpo, estrutura e doçura, podem ser calibrados dentre os vários tipos e estilos de champagne.

Do exposto acima, vamos passar por alguns tipos de champagne, ressaltando suas principais características:

Blanc de Blancs

São os mais delicados, elaborados somente com Chardonnay. São leves, muito frescos e minerais. Podem envelhecer com propriedade, adquirindo aromas de trufas e frutas secas.

Acompanham muito bem peixes e frutos do mar in natura: ostras frescas, sashimis, salmão defumado. Início de refeição com petiscos, canapés e entradas leves, também são boas pedidas. Quando envelhecido, podem acompanhar massas e carnes brancas com molhos delicados à base de cogumelos e trufas.

Blanc de Noirs

Elaborado somente com Pinot Noir na maioria das vezes (a outra tinta é a Pinot Meunier). Sua cor é mais intensa, com toques dourados. Mostra-se estruturado e encorpado. Vai bem com aves de sabor mais acentuado como galinha d´angola, marreco ou pato assado. Os vários tipos de cogumelos, além de pâtes de sabor mais marcante (pâte campagne), podem harmonizar muito bem. O rótulo abaixo é 100% Pinot Noir do belo produtor artesanal Barnaut, importado pela Decanter (www.decanter.com.br).

Blanc de Noirs com uvas de Bouzy

Brut non millésimé

Este é tipo mais produzido e consumido. É o carro-chefe de cada maison e imprime o estilo da mesma. Portanto, é muito difícil generalizar. O estilo e o requinte são muito variáveis. Como exemplo, um Moët & Chandon é menos encorpado e menos requintado que um Krug Grande Cuvée, o champagne básico da casa. Chega ser até uma heresia chamar um Krug de básico, mas didaticamente, cabe bem este exemplo para notarmos o abismo que existe nesta categoria de champagne.

Em linhas gerais, devem ser tomados jovens, aproveitando todo seu frescor. Direcione os de maior porcentagem em Chardonnay para entradas e pratos leves. Já os com mais presença de Pinot Noir, para a gastronomia. Eles ficam um tanto cansativos para serem bebericados sozinhos.

Estilo leve: Moët & Chandon, Taittinger e Billecart-Salmon

Estilo encorpado: Drappier, Krug, Bollinger e Egly-Ouriet

Champagne Drappier Grande Sendrée

17 de Dezembro de 2010

Fica difícil não falar em champagne no final de ano, embora devéssemos lembrar deste tipo de vinho sempre. Para aqueles que querem se aventurar em cuvées de luxo sem gastar uma fortuna, o rótulo abaixo é uma escolha original e segura.

Drappier Grande Sendrée 2002

Elaborado com 55% de Pinot Noir e 45% de Chardonnay provenientes de vinhas com mais de 70 anos, esta cuvée passa cerca de seis anos sur lies (sobre as leveduras), antes do dégorgement. Champagne elegante onde destacam-se notas cítricas, de flores e especiarias, além do clássico brioche. Esta cuvée é sem dúvida, a mais elegante da casa, fugindo um pouco do estilo Drappier, mais potente.

Uma das curiosidades desta maison são os vinhedos baseados em Pinot Noir na região de Aube, mais ao sul do clássico trio: Vallée de La Marne, Côte des Blancs e Montagne de Reims. Seus champagnes costumam ser encorpados pela destacada presença de Pinot Noir, sendo que uma das grandes cuvées é a homenagem a um ilustre admirador, um dos maiores estadistas da França, Charles De Gaulle.

A cuvée básica da casa, Carte d´Or, é elaborada com pelo menos 80% de Pinot Noir, tornando este champagne um dos mais estruturados e encorpados da categoria. É claramente gastronômico, acompanhando muito bem salmão e aves de uma maneira geral.

Esses vinhos são importados pela Zahil (www.zahil.com.br).