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Margaux: Terroir e Vinhos

22 de Fevereiro de 2020

Das quatro comunas famosas do Médoc, margem esquerda de Bordeaux, saem os quatro Premier Grand Cru Classé, além de outros vinhos de grande estirpe. A comuna de Margaux tem certas particularidades que não são comuns às outras três: Saint-Estèphe, Pauillac, e Saint-Julien, todas elas praticamente coladas entre si.

No caso de Margaux, os chateaux ficam espalhados em torno das aldeias, ou seja, eles ficam mais pulverizados em relação às outras comunas. Além desta característica, a mão e o estilo do produtor pesam nas condições de terroir.

medoc comunas

Margaux, um pouco isolada

Os setores mais longe rio nós chamamos de Haut-Medoc que circundam as outras comunas mais famosas. O cascalho pode aparecer, mas ele é mais escasso e aparece em talhões isolados neste território. Vejam pelo mapa acima que o cascalho presente nas três comunas tem uma parte descontinuada e volta aflorar em Margaux.

Podemos dizer que os vinhos de Saint-Estèphe tem taninos mais firmes, acidez mais destacada e um certa rusticidade em relação às outras comunas. Isso se deve à maior proporção de argila no terreno. Pauillac por vez, tem alta proporção de cascalho e excelente drenagem. Vinhos que aliam potência e elegância, fornecendo três tintos Premier Grand Cru Classe (Latour, Mouton e Lafite). Por fim, Saint-Julien, comuna que não tem o mesmo brilho de Pauillac, mas uma destacada regularidade.

medoc margaux

as comunas de Margaux

Das cinco comunas que aparecem no mapa de Margaux, a comuna homônima é a mais importante, dando o mesmo nome ao único Premier Grand Cru Classé da região, Chateau Margaux.

É interessante notar que os tintos de Margaux são marcados pela elegância e finesse, falando-se muito da Merlot no corte. Contudo é prudente notar que os grandes vinhos de Margaux tem alta porcentagem de Cabernet Sauvignon na mistura, a começar pelo grande Margaux. Acontece que o cascalho da comuna de Margaux é diferente. São calhais brancos de grande profundidade num solo acinzentado com alguma proporção de calcário, o que confere extrema finesse ao vinho. Isso é tão relevante que o Cabernet Sauvignon de Margaux parece ser mais leve e fino que o próprio Merlot elaborado num sítio comum.

Notem que as comunas de Margaux, Cantenac e Labarde são as que mais refletem este terroir. Elas têm proximidade do rio e um teor de cascalho maior. Na parte norte em Soussans, o cascalho quase desaparece, aumentando a proporção de argila. Neste cenário os vinhos são mais robustos e pesados, ficando a finesse em segundo plano. Por fim, a comuna de Arsac fica mais no interior da apelação, semelhante às comunas de Listrac e Moulin, no que diz respeito à distância do rio. Os solos contêm algum cascalho, mas há mais presença de areia, o que torna o vinho mais leve. Essa condição a sul de Margaux é uma característica de Macau e Ludon-Médoc. Os exemplos típicos deste tipo de vinho são Chateau Cantemerle e Chateau La Lagune, os quais são considerados Haut-Médoc de destaques.

margaux comunaconcentração nas comunas principais

Chateau d´Issan  x  Chateau Margaux

Se a comparação não vale pela fama e prestígio, em preço e condições de terroir podemos conversar. Notem que a distância do rio em relação aos dois chateaux são idênticas, separada por pouco mais de um quilômetro entre eles.

No Chateau d´Issan, tradicional desde a idade média, temos uma área menor de 44 hectares de vinhas com solo pedregoso, argila e algum calcário. Essas condições de terreno faz a proporção de Merlot aumentar, embora  a Cabernet Sauvignon seja ainda majoritária.

img_7328sempre em caixas de madeira

No Chateau Margaux temos outra situação. O vinhedo é praticamente o dobro com 80 hectares de vinhas. O solo é mais pedregoso, embora com argila e calcário. Este fato faz com que a Cabernet Sauvigon seja amplamente majoritária com mais de 70% no corte. Portanto temos um vinho muito mais longevo e estruturado. Embora com estas características, Margaux  é um vinho de extrema finesse dada pelos calhais de seu terreno,  aliada à uma estrutura monumental. A parte mais calcária do terreno temos um fato singular no Médoc. A expressão de um autêntico Sauvignon Blanc de larga tradição.  O branco mais prestigiado do Médoc.

Esses vinhos podem ser adquiridos na importadora Clarets com preços competitivos. Os dois chateaux, Margaux e d´Issan, apresentam várias linhas de produção e preços, de acordo com seu bolso. A vantagem do d´Issan além do preço, é sua prontidão mais adiantada neste momento. http://www.clarets.com.br

img_7337briga de titãs

Na bela safra 1983 para Margaux, os chateaux acima travam uma batalha acirrada ao longo do tempo. Por enquanto, Palmer está na frente com 98 pontos.

Chateau Palmer

O segundo vinho na hierarquia de Margaux, após a Grand Vin Chateau Margaux. Em algumas safras se rivalizam em alto nível como 1961 e 1983, numa difícil disputa. Os solos de Palmer ficam entre os calhais pedregosos, argila e areia. Aqui o aporte da Merlot é significativo, podendo em alguns anos superar o Cabernet Sauvignon. No entanto, apresenta classe e uma estrutura monumental para envelhecimento em garrafa. É um estilo intermediário, não tem a força do Chateau Margaux, mas tem mais um lado mais feminino desta comuna. 

Em linhas gerais, a comuna de Margaux sofre nas safras não tão boas. O solo mais frio de calhais e o próprio calcário não contribuem para o perfeita amadurecimento das uvas em alguns anos. No entanto, nas grandes safras, Margaux costuma fazer os vinhos mais finos de todo o Médoc.

Tempranillo: Solos e Climas

19 de Fevereiro de 2020

A mesma uva Tempranillo que assume vários nomes na península ibérica molda vinhos diferentes, dependendo da região onde é cultivada. Vamos neste artigo nos concentrar em dois grandes vinhos que beiram o Douro com solos e climas distintos, Ribera del Duero e Douro, ou seja, Espanha e Portugal, respectivamente.

ribera del duero map

Ribera del Duero

São pouco mais de 20 mil hectares de vinhas onde em 1999 só chegava a 10 mil hectares. A Tempranillo é amplamente plantada com mais de 95% das vinhas, sobrando muito pouco para uvas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Garnacha, Malbec, e a branca Albillo.

Em termos das quatro províncias, Burgos domina amplamente o plantio com 17 mil hectares, seguido por Valladolid com quase 5 mil hectares de vinhas. Segóvia e Soria são plantios bem abaixo. As plantações mais expressivas de vinhas ficam entre os anos 90 até 2010.

ribera del duero zonas importantes

zonas nobres da região

Os maiores inconvenientes na região são excesso de madureza das uvas e abuso da madeira. Neste sentido, vamos falar de algumas áreas nobres da vasta região, começando por Burgos. Nesta zona em rosa, temos uma expressão de fruta notável, acompanhada por certo frescor nos vinhos. Como exemplo, temos a viña Pedrosa.

img_7282Destaques na região pela importadora Clarets

Aalto é uma das mais destacadas bodegas de Ribera del Duero, trabalhando entre Burgos e Valladolid, alinhando potência e elegância como poucos. O projeto tem à frente Mariano Garcia, enólogo responsável  por 30 anos pelo mítico Vega-Sicilia. Os vinhedos PS (Pagos Selecionados) ainda são mais exclusivos. Preços bem competitivos.

Na zona em azul da província de Soria, temos vinhos mais elegantes com vinhas de mil metros de altitude, além de idade avançada. São vinhos complexos e de muito frescor. Dominio de Atauta é seu grande destaque. Nos vinhedos de Segovia, zona pintada em verde, a exploração é recente e ainda muito tímida. Segue aproximadamente o padrão de Soria com vinhos elegantes. Um destaque seria a bodega Severino Sanz.

Por fim, a zona mais nobre de Ribera del Duero, pintada em laranja no mapa, conhecida também como a milla d´oro, pertencente a Valladolid, um trecho de aproximadamente 15 quilômetros que vai de Quintanilla de Onésimo até Peñafiel. A altitude gira em torno de 800 metros e o solo argilo-calcário tem destacada predominância de solo pedregoso mais branco. Os vinhos aliam potência e elegância com muita propriedade. Bodegas como Vega-Sicilia, Domínio de Pingus, Alion, e Abadia Retuerta, um pouco fora do limite da milla de oro, estão lá. 

douro região mapa

Douro – Vinhas

Em termos de sub-região, o Baixo corgo é menos prestigiada, pois há chuvas em excesso e os solos não são tão nobres. O maior destaque da região é a famosa Quinta do Côtto.

A sub- região do Douro Superior é a menos explorada, a mais seca e quente de todas elas. Perto do chamada Cima Corgo, esta sub-região tem sua área mais nobre. Na fronteira com a Espanha, o clima tende a ser muito quente.

Por fim, a nobre sub-região do Cima Corgo onde os fatores de terroir são mais precisos. Vinhas antigas, localização mais eficiente quanto às altitudes e exposição dos vinhedos no que tange a insolação e ventos. As áreas de xisto, solo pedregoso, são mais nobres. Aqui estão localizadas as melhores quintas do Douro.

Em termos de solo, aqui falamos de granito, xisto, e altitudes de 400 a 500 metros. No verão o clima é bem quente, podendo chegar perto de 50 graus centígrados. 

quinta do crasto tinta roriz

exemplar confiável da Qualimpor

Não é feito todos os anos, dependendo das condições climáticas. Segue os mesmos padrões do varietal Touriga Nacional. Respeita três terroir de exposição distintas à mesma altitude (300 metros) e condições de solo com reserva hídrica.

Tempranillo – Tinta Roriz

Conhecida como Tinta Roriz no Douro e Aragonês no Alentejo, é a casta mais plantada em Portugal. Muito cultivada na região do Douro, ela inspira cuidados para seu plantio. O sítio ideal para seu cultivo é o Cima-Corgo, sub-região não muito fria como o Baixo-Corgo, nem muito quente como Douro Superior. Sob baixos rendimentos e maturação adequada, costuma gerar vinhos equilibrados, elegantes, e com bom potencial de taninos. Conserva muito bem a cor e participa de lotes, dando alta contribuição, sobretudo no envelhecimento. Seu casamento com a madeira  é notável e de muita harmonia.

Alguns produtores como Quinta do Crasto e Casa Eufêmia fazem varietais deste tinto, respeitando as condições de terroir, sobretudo em termos de altitude e exposição dos vinhedos.

alentejo sub-regiões

Alentejo

Falando um pouco do Alentejo, região sul de Portugal onde  a dupla Trincadeira e Aragonês molda os principais tintos da região, vamos comentar de solos e suas adaptações.

Solos de textura franco-argilosa e de cor avermelhada é encontrado em Reguengos e Granja Amarejeda. Solos pardos de textura franco-arenosa com quartzo é encontrado em Redondo, Reguengos, Vidigueira, e Évora.

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outra grafia da Aragonês

Um vinho muito confiável, feito no terroir alentejano, sempre com o aporte de madeira que a Tempranillo tanto gosta. É preciso um clima mais ameno no Alentejo para que as condições de cultivo e o bom afluxo de polifenóis tenham êxito na colheita. Importado pela Adega Alentejana.

Nas regiões de Portalegre, Évora, Redondo e Reguengos, podemos encontrar um solo arenoso com fragmentos de xisto.

Um solo vermelho ou amarelo de fragmentos de xisto é encontrado praticamente em toda a região. Em Moura, Borba ou Vidigueira, pode-se encontrar algum calcário.

Quanto às castas, as internacionais Cabernet Sauvignon e Syrah estão presentes e se adaptam bemem clima quente, principalmente a Syrah, enquanto a Alicante Bouschet é mais importante em Portalegre, notadamente o Mouchão. As castas Castelão e Alfroucheiro não são das mais nobres, preferindo entrar no eventuais cortes. Já a estrela Touriga Nacional tem seu prestigio em baixos rendimentos. Costuma entrar em cortes com pequenas porcentagens para conferir equilíbrio e elegância. 

A Trincadeira, também conhecida como Tinta Amarela no Douro, é uma casta vigorosa que se adaptou bem aos solos e clima alentejanos. Participa dos cortes com bom volume. 

Por fim, a Aragonês, conhecida como Tinta Roriz no Douro. Em solos e climas alentejanas só trabalha bem com baixos redimentos devido ao calor excessivo. É uma boa uva de corte, conferindo elegância e poder de longevidade aos vinhos. Alguns exemplares varietais como da vinícola Cortes de Cima.

Em resumo, em solos argilo-calcários e em altitudes convenientes, a Tempranillo pode se expressar melhor como varietal, tornando os vinhos potentes e bem equilibrados. Já em solos arenosos e de xisto, seu cuidado deve ser redobrado quanto aos rendimentos e adequação de altitude e exposição do terreno. Ela se presta muito mais ao corte, dando elegância e equilíbrio ao conjunto, além de poder de longevidade aos vinhos.

A Hierarquia em Pomerol

31 de Janeiro de 2020

Embora tenhamos os tintos mais caros entre a elite de toda região bordalesa, Pomerol não dispõe de uma classificação oficial até hoje. Em 1855, época da primeira grande classificação dos vinhos bordaleses, Pomerol gozava de pouco prestígio e o grande rei Petrus não havia nascido. 

Com cerca de 800 hectares de vinhas, Pomerol é menor que qualquer comuna famosa do aristocrático Médoc. As propriedades são muito pequenas, sendo a maioria com menos de dez hectares. A uva praticamente é uma só, a sensual Merlot, complementada por pequenas proporções de Cabernet Franc e eventualmente, uma pitada de Cabernet Sauvignon. Nessas condições Pomerol tem um ar borgonhês dentro de Bordeaux.

Embora a Merlot assuma um papel de maciez, aparando as arestas no corte bordalês, aqui em Pomerol ela assume uma postura diferente, mais estruturada, criando um poder de longevidade aos vinhos, sobretudo quando falamos do rei Petrus. Aliás, Parker define três grupos de Pomerol bastante distintos em estilos. O primeiro, do time de cima, fica com Petrus, Lafleur e Trotanoy. São vinhos extremamente estruturados, longevos e com grande carga tânica. Lafleur por exemplo, é o único que consegue ombrear-se em estilo ao astro maior. Já Trotanoy, é o mais acessível dos três, embora com ampla capacidade de envelhecimento. 

96384eba-7f42-4730-9cf1-238a0925fb4e-1uma das grandes safras de Trotanoy!

Um segundo grupo de vinhos mais macios e abordáveis, estão como exemplo os chateaux L´Evangile e La Conseillante, mais próximos do que conhecemos como Merlot propriamente dito. Finalmente, um terceiro grupo de Pomerol que se parece mais com os vinhos do Médoc. Aqui a proporção de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon é mais acentuada, embora a Merlot continue sendo majoritária. O famoso Vieux Chateau Certan (VCC) é o exemplo mais emblemático.

Em termos de classificação, nada oficial até o momento, mas assim como na região de Sauternes, o todo poderoso Yquem é considerado soberano na região, o rei Petrus tem o mesmo prestígio entre os principais Pomerol. Assim como Yquem, Petrus deu fama à região, sobretudo a partir da segunda metade do século passado. 

Existem muitas tentativas de classificação onde escritores famosos deram seus palpites e justificativas. Falando de Parker, um dos maiores conhecedores da matéria, vamos a um estudo recente baseado em notas dos principais chateaux.

pomerol 1995 a 2008

classificação técnica entre 2016 e 1995

pomerol 2

La Violette e Hosanna são grandes destaques

Sem nenhuma surpresa, o primeiro lugar ficou com Petrus, um tinto muito estruturado, mas que demanda tempo para seu total desenvolvimento. Outro fator impeditivo é seu preço, sempre muito alto.

Com média de notas praticamente encostada no astro maior, L´Eglise Clinet surpreende outros potenciais candidatos ao segundo posto com um vinho baseado em Merlot e com enorme potencial de envelhecimento.

img_6906Lafleur, o grande rival de Petrus!

Em terceiro lugar sem nenhuma surpresa, o grande Lafleur. Talvez o único da turma a bater de frente com o Petrus, sobretudo por sua austeridade e longevidade. Tem alta porporção de Cabernet Franc no corte num vinho enigmático.

Com as vinhas reavivadas recentemente, La Violette voltou a brilhar com notas altíssimas. Um vinho 100% Merlot de rendimentos muito baixos e alta concentração. É necessária a decantação para safras jovens, bem como para as mais antigas com muito sedimentos. São apenas 1,68 hectare de um vinho impactante, assumindo o quarto lugar.

Do mesmo produtor de Vieux-Chateau-Certan, Le Pin é um vinho de boutique com produções baixíssimas, entre 600 e 700 caixas por safra. Um vinho 100% Merlot de alta classe e concentração. As safras 82, 89 e 90, são históricas. Em termos de preços, até mais caro em algumas safras do que seu grande rival Petrus. Fica em quinto lugar.

Com vinhedos muito próximos a Petrus, Hosanna assume o sexto lugar. Suas vinhas foram usadas para outros chateaux na região num passado recente. Em 1999 parte do vinhedo foi para a família Moueix e desde então, o chateau assume incrível regularidade e precisão. O blend  é composto por 70% Merlot  de vinhas velhas e 30% Cabernet Franc plantadas na década de setenta. Um vinho elegante e sedutor.

Em sétimo lugar, Chateau Trotanoy é classicamente um dos rivais de Petrus, juntamente com Lafleur. Sua posição nesta tabela deve-se a uma certa irregularidade nas safras. No entanto em algumas, consegue superar o astro maior. Pertence a família Moueix. Importado pela Clarets (www.clarets.com.br). 

img_7072uma das safras mais perfeitas do astro-rei

Em oitavo lugar, Vieux-Chateau-Certan é classicamente um dos grandes da região, na elite de Pomerol. Com participação das Cabernets no corte, este chateau tem um viés de margem esquerda, lembrando algo do Médoc. Algumas safras perfeitas e com preços bem convidativos, dada a fama da região. A safra de 90 é extremamente prazerosa e um dos destaques deste grande ano.

Um dos mais antigos chateaux em Pomerol, L´Evangile assume o nono lugar. No começo do século passado era considerado um vinho de elite juntamente com Petrus e Vieux-Chateau-Certan. Tem um corte clássico com 80% de Merlot e 20% Cabernet Franc. Suas vinhas estão localizadas próximas a Saint-Emilion, bem perto de Cheval Blanc. Apesar de certa irregularidade nas safras, é um vinho sedutor e que envelhece bem.

Em décimo lugar, Chateau Clinet é um dos mais antigos da região. Muito bem localizado, tem uma das vinhas de Merlot mais antigas, plantadas em 1934, conhecida como ¨La Grand Vigne”. Tem uma porcentagem importante de Cabernet Sauvignon para padrões da região. A partir de 2004, mudanças importantes nas vinhas e na cantina, elevaram seu padrão de qualidade.

Comentado em detalhes os dez primeiros tintos deste estudo recente de Parker, os outros dez chateaux incluem nomes de peso como La Conseillante, La Fleur-Petrus e Latour à Pomerol. Enfim, um estudo recente, técnico, e que mostra a elite desta região modesta em tamanho, mas com alto grau de qualidade.

Outras tentativas de classificação foram sugeridas por dois famosos Master of Wine, Clive Coates e Mary Ewing-Mulligan´s. O primeiro um inglês famoso por sua especialidade na Borgonha. Já a segunda é uma autora americana ligada a vários órgãos internacionais, entre eles, Wine & Spirit Education Trust.


Clive Coates

First Growth: somente Petrus.

Outstanding Growth: L´Evangile, La Fleur-Petrus, Lafleur, Latour à Pomerol, Trotanoy e Vieux Chateau Certan.

Exceptional Growth: Le Pin, Certan de May, Clinet, La Conseillante, Clos L´Eglise, La Fleur de Gay e Gazin.

Very Fine Growth: Hosanna, Bon-Pasteur, Le Gay, Nenin, entre outros.


Mary Ewing-Mulligan´s

Class One: Petrus e Lafleur.

Class Two: Trotanoy, L´Evangile, Vieux Chateau Certan, L´Eglise Clinet, Clinet, La Fleur-Petrus, Clos l´Eglise, La Conseillante, Certan de May, Latour à Pomerol, Nenin e La Fleur de Gay.

Class Three: Petit-Village, Feytit-Clinet, Rouget, Bon-Pasteur, La Croix du Casse, Gazin, Grave à Pomerol, Hosanna, Le Gay e La Croix de Gay.


Percebe-se que estas classificações não são tão técnicas quanto a de Parker. Entre outros fatores, entra em conta a história e tradição do chateau. Hosanna tem classificação discreta nos dois casos por ser um fenômeno recente na história. O mesmo podemos dizer de La Violette, um chateau extremamente jovem. O próprio Latour à Pomerol bem classificado, foi grande em outras épocas de safras mais antigas. Certan de May acompanha este raciocínio. Le Pin por ter surgido como “vinho de garagem”, tem pouco impacto numa classificação tradicional.

Enfim, tentamos dar uma ideia dos principais chateaux da região, enfatizando não só a tradição, mas o progresso na região em fazer vinhos modernos e impactantes. Numa coisa todos concordam, Petrus continua sendo o Rei!

Champagne Rosé

19 de Dezembro de 2019

Muita gente tem dúvidas de como se elabora o Champagne Rosé, imaginando que há algo sofisticado neste tipo de processo. No entanto, o método é simples, chega a ser amador se pensarmos na elaboração de vinhos rosés mundo afora. É exatamente misturarmos vinhos brancos e tintos em proporções adequadas até encontrarmos a tonalidade ideal para o rosé. É bom enfatizar que este método é proibido na elaboração de rosés pelo mundo, pelo menos nos vinhos sérios e sujeitos às diversas denominações de origem, de acordo com cada país, mas para o champagne e espumantes é  válido.

img_7029Champagne Cristal, o Rosé mais bem pontuado no mundo!

um Rosé gastronômico para as grandes mesas

Voltando ao champagne, tudo é feito no chamado vinho-base onde ocorre o que conhecemos por assemblage das uvas, safras, e as diversas parcelas cultivadas e separadas para montar a cuvée. Misturando proporções adequadas de vinho tinto e branco locais, chegamos ao método Rosé d´Assemblage. É um expediente extremamente difundido na região com praticamente todos os champagnes rosés elaborados por este método. Mais à frente, falaremos de um outro método mais sofisticado, elaborado por muito poucos produtores e Maisons.

A primeira Maison que criou o champagne rosé fez 200 anos em 2018, completando dois séculos de existência, foi a poderosa e famosa Maison Veuve Clicquot. Mais uma invenção brilhante de uma das grandes Damas desta apelação, a viúva Clicquot Ponsardin. Ela simplesmente juntou cerca de 15% de vinho tinto de Bouzy, uma das vilas mais famosas de Reims para o cultivo de Pinot Noir, na cuvée com vinhos brancos. É bem verdade que houve uma tentativa poucos anos antes da própria Maison, macerando um pouco de uva tinta para tingir o mosto, mas os resultados não foram satisfatórios. A cor não ficou adequada e surgiu um nível de amargor desagradável. Chamou-se na época oeil-de-perdrix, uma alusão à cor dos olhos da ave.

champagne tipos 2018

números entre europa e terceiro mundo

Pelos números acima, na média, 80% do champagne em volume é o non millésime, carro-chefe de cada Maison. Já em valores, a média fica em torno de 70%. Vejam as cuvées de prestigio que representam apenas menos de 5% na média em volume, ao passo que em valores, representam em torno de 16%.

Atualmente, a produção de champagnes rosés gira em torno de 10%, atendendo percentualmente determinados mercados. Podemos dizer, que os países do Novo Mundo têm uma predileção um pouco mais destacada pelo produto.

O outro método de elaboração muito menos difundido e de maiores cuidados é o Rosé de Saignée ou rosé de maceração. Aqui sim, maceramos as uvas tintas, geralmente Pinot Noir, por algumas horas até tingir adequadamente o mosto, prestando atenção na extração de taninos. Isso faz parte do vinho-base e do assemblage para compor a cuvée que será posteriormente espumatizada. 

Rosé Phillipponat  importado pela Clarets

Dois Rosés acima trazidos pela importadora Clarets da mesma Maison Phillipponat. O Royale Reserva da esquerda é um rosé de maceração com alta porcentagem de Pinot Noir. Já a cuvée 1522 é um extra-brut de assemblage com leve predominância da Pinot Noir no corte. http://www.clarets.com.br 

Em linhas gerais, não há diferença de qualidade no champagne rosé em relação aos métodos utilizados. É mais uma questão de gosto e conceito. Nos Rosés de Saignée temos geralmente uma cor mais intensa, uma vinosidade maior, e uma intensidade de sabor mais acentuada. Já nos Rosés d´Assemblage, os aromas são mais tênues, assim como a cor. 

Como o Rosé de Saignée  é quase uma exceção, vamos a algumas Maisons que utilizam este método: Laurent-Perrier (pioneira neste método), Roederer (Cristal), Drappier, Philipponnat, Larmandier-Bernier, Duval-Fleury, entre outras. Alguns desses produtores usam um método misto onde há adição de vinho branco, normalmente Chardonnay como por exemplo, Maison Louis Roederer.

img_7013outro Rosé de destaque

um Rosé mais delicado para entradas e pratos refinados

Rosé d´Assemblage

Método altamente difundido na região, consite em juntar vinho branco com vinho tinto, Pinot Noir, na proporção de 5 a 20%, a critério do produtor. Esses tintos são os chamados Coteaux Champenois ou Rosé des Riceys da sub-região de Aube, ao sul de Champagne.

Rosé de Saignée

Neste método o vinho tinto é elaborado com uma maceração das cascas no mosto entre 8 e 12 horas (em alguns casos pode ser mais), obtendo mais cor e mais vinosidade na cuvée. Temos somente uvas tintas, 100% Pinot Noir, salvo raríssimas exceções onde há  adição de Chardonnay na cuvée, caso do champagne Cristal.

Gastronomia e Champagne Rosé

Como aperitivo, os rosés com forte proporção de Chardonnay no corte, fornecendo frescor ao conjunto, vão muito bem como jamon, presunto cru, sejam espanhóis ou italianos. San Daniele do Veneto, tem a delicadeza perfeita. Entradas com azeitonas e tomates também acompanham muito bem. 

Os rosés delicados e não muito secos vão bem com comidas indianas ou chinesas com pratos agridoces e ricos em especiarias suaves.

Os rosés não muito secos, macios, e bem estruturados com alta proporção de Pinot Noir, convivem bem com pratos à base de caviar, ovas em geral e também os ouriços.

Rosé com sushi da Casa do Porco

Os rosés mais ligeiros e leves vão bem com comida Tailandesa onde peixes e frutos do mar são mais apimentados com participação de gengibre e frutas cítricas como o limão. Os sashimis também vão muito bem, sobretudo com atum.

Os rosés mais encorpados e gastronômicos pedem pratos com carnes sanguíneas como pato, pombo, e lombo de cordeiro mal passado. Acompanhamento como legumes, cuscuz marroquino, favas e lentilhas são bem-vindos. 

Os rosés complexos e maduros pedem receitas de crustáceos ou carnes brancas com molhos refinados, especiarias delicadas, nada muito forte para não arranhar a sutileza destes vinhos.

Outros rosés famosos são do pequeno produtor Cedric Bouchard trazido pela importadora Juss Millesimes, altamente pontuado, os rosés da  Maison Billecart-Salmon e da Maison Deutz. Agora é só escolher o seu. Boas Festas!