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9 de Julho de 2012
O mais emblemático queijo espanhol produzido em boa parte de La Mancha, região central e árida da Espanha. Juntamente com o Roquefort (França) e Serra da Estrela (Portugal), forma a trilogia dos mais famosos queijos de leite de ovelha. Evidentemente, as condições de terroir permitem uma textura mais rija em La Mancha, região seca e árida, e mais cremosa, na fria e úmida região de altitude em Serra da Estrela, já comentada em recente artigo anterior.

Selo de origem com a figura de Don Quixote
Dentro de uma área de aproximadamente quatro milhões e meio de hectares, compreendida nas províncias de Albacete, Ciudad Real, Cuenca e Toledo, um enorme rebanho de ovelhas da raça manchega, adaptada há séculos neste clima inóspito, fornece a matéria-prima ideal para elaboração deste prestigioso queijo enquadrado na categoria DOP (Denominacíon de Origen Protegida) desde 1996. Maiores detalhes, consultar site do Conselho Regulador (www.quesomanchego.es).
Depedendo do processo de cura, o queijo adquire sabores e textura diversos e consequentemente, harmonizações distintas. Começando pelo Manchego Fresco, maturado somente por duas semanas, é produzido em quantidades mínimas e dificilmente encontrado fora de sua região de origem. Já o Manchego Curado, o de maior produção, matura entre três e seis meses geralmente, lembrando um delicado aroma de nozes. Por fim, o intenso Manchego Viejo, maturado entre um e dois anos, com aromas mais pungentes e picantes.

Zona de Produção
Para o Manchego Fresco, dificilmente encontrado, um Rioja Blanco baseado na uva Viura (também conhecida como Macabeo) pode ser interessante. Até a categoria Crianza, onde o vinho tem um contato relativamente curto com a madeira (geralmente seis a oito meses), o vinho apresenta força e acidez suficientes para enfrentar o queijo e sua gordura mais evidente e levemente cremosa. Um Chardonnay com leve passagem por madeira surte o mesmo efeito.
No caso do Manchego Curado, se a opção for ainda um branco, podemos optar por um Rioja Reserva ou Gran Reserva, observando a calibragem de aromas e sabores entre vinho e queijo. Neste caso, a preferência são por tintos de categoria Reserva ou Gran Reserva tanto de Rioja, como de Ribera del Duero. O importante é que o vinho tenha força suficiente e taninos bem moldados. Opções de outros países como Itália, Portugal ou França; podem ser Chianti Clássico Riserva, Douro Reserva ou Bandol envelhecido (tinto marcante da Provença), respectivamente. Uma outra bela opção é um Jerez Amontillado ou um raro Manzanilla Pasada (Manzanilla com notas oxidativas). A importadora Mistral (www.mistral.com.br) tem um ótimo da Bodega Hidalgo.
Por fim, o potente Manchego Viejo pede vinhos de muita personalidade. Jerez Oloroso pode ser sublime. Outros fortificados da península ibérica cumprem bem a missão a exemplo de um Madeira Verdelho ou um Porto Tawny 20 anos. Se a opção for por tintos, reserve os mais potentes com bom grau de envelhecimento, como os grandes Amarones.
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25 de Junho de 2012
Gnocchi ou nhoque (aportuguesado) al ragù di manzo, mais conhecido como molho de carne, lentamente elaborado, é sempre um prato de sucesso. Cada um tem a sua receita e seus segredos, mas trata-se de uma das paixões nacionais, normalmente lembrada no dia 29 de cada mês, simbolizando fortuna ou bons presságios.

Nhoque: Uma das paixões nacionais
Nesta harmonização devemos ter especial atenção à textura da massa, muito macia e generosa. O molho de carne fornece sabores marcantes, reforçado pela opção do queijo parmesão ralado. Estamos falando de tintos, sobretudo italianos. O importante é que o vinho tenha textura compatível com o prato. A acidez não é tão relevante.
Neste contexto, um bom Dolcetto da região do Piemonte pode ser interessante, mas um Dolcetto de vinhedo e com certa estrutura. No Veneto, um bom Valpolicella Classico com predominância da uva Corvina é um parceiro tradicional. Outra boa escolha é um Montepulciano d´Abruzzo de procedência confiável. O produtor Nicodemi da importadora Decanter (www.decanter.com.br) é um porto seguro. Vinhos da Campania e Basilicata calcados na uva Aglianico podem ser boas escolhas. Não precisa ser os mais estruturados e envelhecidos, basta apresentarem força e juventude para o prato. Novamente, calibrando bem a força dos vinhos, tintos da Puglia baseados nas uvas Primitivo e Nogroamaro têm possibilidades. Mas atenção, esses vinhos podem ser dominadores e extremamente concentrados. Não é o caso do nosso prato. Cosimo Taurino é um belo produtor da Puglia importado pela Mistral (www.mistral.com.br).
Saindo um pouco da Itália, a uva Merlot costuma gerar vinhos com textura apropriada ao prato. Califórnia, Chile e África do Sul apresentam bons exemplares. Vinhos com força suficiente para o prato e sem excessos de madeira. Tintos do Alentejo (Portugal) com a dupla de uvas Argonês/Trincadeira, e do sul da França baseados na uva Grenache são escolhas interessantes. Bastam ter força aromática e o vigor da juventude para uma boa harmonização.
Evidentemente, dependendo do molho e da matéria-prima (batata-doce, ricota, semolina, espinafre, …) na confecção do gnocchi, a escolha do vinho pode ser bastante diversa, inclusive caminhando para os brancos. De todo o modo, a textura deste tipo de massa sempre pedirá vinhos mais macios e volumosos, com taninos (se for o caso) e acidez dosados de acordo com a gordura intrínseca ao molho.
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31 de Maio de 2012
Após uma série de apelações famosas do extenso Vale do Rhône, chegamos às apelações mais periféricas, muitas delas influenciadas ora pelo terroir provençal, ora pelo terroir do Languedoc. Em nosso site de referência para esses artigos (www.rhone-wines.com), as seis apelações abaixo descritas são catalogados como apelações do Vale do Rhône, e não apelações das Côtes (encostas), por ficarem relativamente longe das imediações do rio Rhône.

Dê um zoom no mapa acima
Costières de Nîmes e Clairette de Bellegarde
Duas apelações bem ao sul do Rhône, num clima mais quente e com muita infuência do Languedoc, situado mais a oeste do mapa.
Costières de Nîmes foi promovida à apelação em 1986, produzindo sobretudo tintos e rosés, com apenas 10% de vinhos brancos. O corte GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre) é liderado pela Grenache com alguma adição de Cinsault e Carignan. São vinhos relativamente simples, para o dia a dia.
Apesar de antiga (apelação desde 1949), Clairette de Bellegarde apresenta produção muito pequena, com área em torno de sete hectares. São vinhos brancos com a uva homônima (Clairette) de fácil oxidação. Devem ser tomados jovens.
Côtes du Vivarais e Grignan les Adhémar
As duas apelações estão na mesma latitude, uma de cada lado do rio Rhône. Côtes de Vivarais é uma apelação relativamente pequena com 406 hectares, criada em 1999. Elabora tintos, rosés e alguns brancos, com as uvas típicas do Rhône, já mencionadas em várias oportunidades.
Grignan les Adhèmar é o nome recente da apelação Coteaux du Tricastin. A mudança ocorreu devido ao nome Tricastin estar envolvido em pequenos acidentes nucleares na região. A apelação engloba mais de 1600 hectares, com vasta predominância de tintos (72%), seguida por rosés (22%) e brancos (6%). São vinhos agradáveis para o dia a dia, sem grandes pretensões.
Luberon e Ventoux
Luberon conforme mapa acima, tem clima muito mais provençal com alguma infuência dos Alpes meridionais. Prova disso, é a grande produção de rosés (48%), quase metade de todos os vinhos, seguida por tintos e brancos em proporções relativamente iguais. A área de plantio é de 3200 hectares de vinhas e as uvas são as mesmas do Rhône, com as brancas sofrendo forte influência da Provença, a exemplo das típicas Vermentino (chamada localmente de Rolle) e Ugni Blanc.
O rio Coulon determina os limites entre as apelações Luberon ao sul e Ventoux, ao norte. A apelaçãoVentoux data de 1973 e é a maior em produção e área das seis citadas neste artigo. Com mais de seis mil hectares, Ventoux produz sobretudo tintos (64%) , rosés (32%) e um pouco de brancos (apenas 4%). O relevo é montanhoso, culminando com o monte Ventoux atingindo 1912 metros de altura. O clima é provençal com as montanhas e a aproximação dos Alpes meridionais refrescando as vinhas. Nos tintos e rosés predominam a Grenache, Mourvèdre, Cinsault e e Carignan. Nos brancos, as uvas locais já mencionadas em outras apelações, dominam os cortes.
Quem quiser provar vinhos destas duas últimas apelações que são maiores, e com alguma oferta de vinhos no Brasil, Paul Jaboulet Ventoux Les Traverses 2009 e M. Chapoutier La Ciboise Luberon 2009, ambos da importadora Mistral (www.mistral.com.br) e com preços atrativos, são belas opções.
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21 de Maio de 2012
Dando prosseguimento ao chamado Rhône do Sul, falaremos de duas apelações com grande volume de produção:Côtes du Rhône e Côtes du Rhône Villages.
Côtes du Rhône
Segundo dados do Conselho Interprofissional do Vale do Rhône (www.vins-rhone.com), a safra de 2010 apresentou 35.000 hectares de área cultivada com uma produção de 1.400.000 hectolitros entre tintos (89%), rosés (8%) e brancos (3%).
São 171 comunas em todo o Vale do Rhône, sendo grande parte localizada na porção meridional. Como a diversidade de climas e solos é enorme; produtor, safra e localização são fatores fundamentais para o sucesso na compra. Uma boa escolha é a Domaine Soumade trazida pela importadora Zahil (www.zahil.com.br). Chateau de Fonsalette da Mistral (www.mistral.com.br) e Coudoulet de Beaucastel da World Wine (www.worldwine.com.br) são opções seguras. Outro clássico da Mistral é o Parallèle 45 de Paul Jaboulet (Rhône do Norte).
As uvas para esta apelação podem ser as mesmas mencionadas no artigo anterior sobre Châteauneuf-du-Pape. Para os tintos, a Grenache deve comparecer com pelo menos 40% no corte, exceto em regiões do Rhône Setentrional, onde a Syrah apresenta um amadurecimento mais adequado.
Os melhores Rosés costumam ter boa porcentagem da uva Cinsault, muito apropriada para este tipo de vinho. Nos brancos, as uvas Grenache Blanc, Clairette, Marsanne, Roussanne, Bourboulenc e Viognier dominam o corte.

Côtes du Rhône Villages: Maior confiabilidade
O sufixo Villages na apelação indica um produto mais confiável e mais típico de seu terroir. São 95 comunas exclusivamente no Rhône do Sul, produzindo 320.000 hectolitros em 9.600 hectares. Números bem mais restritivos que a apelação genérica.
Dentre os Villages, 17 comunas podem acrescentar o respectivo nome no rótulo, dando mais exclusividade à apelação. No mapa acima, temos mapeado toda a apelação Côtes-du-Rhône Villages, sendo que as indicações em vermelho, são os nomes dos 17 Villages.
Nesta apelação, a Grenache continua dominando o corte, com pelo menos 50%, tanto para tintos, como para rosés. Para os brancos, permanecem as mesmas uvas já mencionadas. A proporção de tintos para os Villages é praticamente total. Na safra de 2010, temos 97% (tintos), 1% (rosés) e 2% (brancos).
Algumas indicações de Villages
Vinsobres
Como curiosidade, Vinsobres adquiriu apelação própria em 2005 exclusivamente para vinhos tintos. Até então, fazia parte dos chamados Côtes-du-Rhône Villages. É o único Cru com este privilégio em toda a Côtes-du-Rhône. São pouco mais de 400 hectares de vinhas.
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17 de Maio de 2012
Deixando o Rhône Setentrional a caminho da Provença, chegamos ao chamado Rhône do Sul, onde tudo muda. Clima, solos e principalmente relevo são fatores decisivos para esta mudança. Aqui não mais a Syrah, e sim a Grenache passa ser a grande casta. Contudo, os vinhos costumam ser de corte, com predomínio da Grenache e participações coadjuvantes da Mourvèdre, Cinsault e Syrah, entre outras.

Rhône Sul: Topografia menos acidentada
A apelação mais popular e uma das maiores de toda a França é Côtes-du-Rhône, competindo em números com apelações como Bordeaux genérico e Beaujolais. Num grau de hierarquia superior, temos a apelação um pouco mais restritiva chamada Côtes-du-Rhône Villages. Enquanto a primeira pode ser elaborada em todo o Vale do Rhône, embora seja amplamente difundida no Rhône do Sul, Côtes-du-Rhône Villages é exclusivamente do Rhône Meridional. Todas as duas baseiam-se no famoso corte do Ródano com a Grenache sendo majoritária, e as castas Mourvèdre, Cinsault e Syrah, principalmente, como coadjuvantes. Falaremos com mais detalhes num próximo post.
Apelações como Gigondas, Vacqueyras, Rasteau e Beaumes de Venise, serão abordadas oportunamente com algumas outras não tão conhecidas. Aqui estamos bem próximos do terroir provençal, sendo muitas vezes, confuso para impor limites.

Galets: solo típico da apelação Châteauneuf-du-Pape
O grande destaque do Rhône Meridional é a famosa apelação Châteauneuf-du-Pape com seus típicos solos de galets (pedras arredondas, conforme foto acima). Não é em toda a apelação, mais este solo pedregoso tem capacidade de escoar água com grande eficiência, além de reter calor para as uvas no período de amadurecimento. O vento mistral funciona como um ar condicionado refrescando as vinhas, e secando-as se for o caso, de uma boa chuvarada.
As castas que podem participar de sua composição muitas vezes são citadas como “A sinfonia das treze cepas”. Contudo, na prática temos a Grenache como espinha dorsal, fornecendo muita fruta, força alcoólica e maciez. A Mourvèdre fornecendo taninos e estrutura, enquanto a Syrah contribui com sua elegância. Tintas como Cinsault, Muscardin, Counoise, Picpoul, Terret Noir, Vaccarèse, e brancas como Clairette, Roussanne, Picardan e Bourboulenc, além das três principais, primeiramente citadas, formam o famoso grupo das treze uvas. Poucos châteaux obedecem este corte e quando o fazem, muitas delas apresentam porporções ínfimas.
Châteauneuf-du-Pape
Pouco mais de 3100 hectares de vinhas com redimentos próximos de 27 hectolitros por hectare. Os solos são constituídos pelas famosas pedras e proporções variáveis de argila e areia. São solos sedimentares formados a partir do leito do rio Rhône em outras eras geológicas.
Além do famoso tinto, temos uma pequena produção do Châteauneuf-du-Pape branco. Não são tão atrativos como os tintos, além de não envelhecerem bem, salvo raras exceções. Produtores como La Nerthe (importadora Grand Cru – www.grandcru.com.br), Château de Beaucastel (www.worldwine.com.br), Château Rayas (www.mistral.com.br), Domaine de Marcoux (www.cellar-af.com.br), são nomes altamente confiáveis.
Evite comprar vinhos desta apelação sem a devida referência do produtor. Há muitos comerciantes e produtores sem escrúpulos, que se aproveitam da fama deste vinho para lançarem no mercados verdadeiras zurrapas, com álcool desequilibrado e bastante diluídos.
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14 de Maio de 2012
Finalizando o chamado Rhône do Norte, vamos falar das demais apelações, além das já mencionadas Côte-Rôtie e Hermitage. Podemos começar por duas alternativas ao grande Hermitage: Crozes-Hermitage e Cornas.
Crozes-Hermitage
As uvas permitidas são as mesmas do Hermitage, tanto para tintos, como para brancos. Contudo, as diferenças de solo, altitude e exposição do terreno, podem ser quase abissais. É só comparar os 130 hectares de Hermitage contra 1500 hectares de Crozes-Hermitage que cercam os vinhedos de Hermitage. Mais uma vez, o produtor é fundamental. Alguns nomes certeiros: Alain Graillot da importadora Mistral em primeiro lugar. Chapoutier da mesma importadora, e Yann Chave da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br) são escolhas confiáveis.
Cornas
No sul do Rhône Setentrional, logo abaixo da apelação Saint-Joseph, encontramos um terroir diferenciado, num amplo anfiteatro de excelente exposição solar e totalmente protegido dos ventos. Não é à toa que Cornas significa “terra queimada”. Elaborado exclusivamente con Syrah, esta apelação de 130 hectares é considerada maldosamente como “Hermitage dos pobres”. Tem lá uma certa rusticidade, mas é um tinto musculoso, longevo e impactante, por um preço bem mais acessível que seu primo rico.
Produtores como Domaine Clape da importadora Mistral, é o primeiro nome da lista. Jaboulet também da Mistral e Colombo da importadora Decanter (www.decanter.com.br) são belas referências.

Rhône Setentrional
Saint-Joseph
No mapa acima, percebemos uma vasta área referente à apelação Saint-Joseph. Esta seria a resposta a um Côte-Rôtie mais acessível, também baseada na uva Syrah, embora seja permitida a adição em até 10% das brancas Marsanne ou Roussanne. O grande problema é que esta área foi aumentada em demasia, perdendo muitas vezes, o verdadeiro conceito de terroir, com vinhos diluídos e descaracterizados. Para se ter uma idéia, a área original em torno de Mauves e Tournon não passava de 100 hectares. Atualmente, temos pouco mais de 1200 hectares. Portanto, a escolha do produtor e consequentemente os melhores locais, é fundamental para o sucesso da compra. Aqui no Brasil, fique com os produtores Chapoutier e Jaboulet, ambos da Mistral (www.mistral.com.br). Os brancos desta apelação, embora mais raros, costumam ser gratas surpresas.
Condrieu
Uma apelação exclusivamente de branco elaborada com a perfumada e exótica uva Viognier. Nos anos 60 esta apelação beirou a extinção com apenas 12 hectares. Nas últimas décadas, houve um renascimento da casta, contando atualmente com algo perto de 170 hectares.
Reparem que no mapa acima, ao norte, a apelação confunde-se com Côte-Rôtie e ao sul, observamos trechos descontínuos na apelação Saint-Joseph. Os locais mais frescos e com forte presença de mica no solo xistoso é fator determinante para o bom cultivo da Viognier, casta que exige além de tudo, baixos rendimentos. Dentro da apelação, existe um terroir diferenciado chamado Château-Grillet. Propriedade de apenas 3,8 hectares com apelação de origem exclusiva, mostrando um Viognier diferenciado, além de amadurecido em carvalho. Para a apelação Condrieu, produtores como Guigal, Jaboulet, Delas e Vernay, são referências da apelação. Domaine Georges Vernay e Delas Frèresm são encontrados na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br), enquanto Guigal é trazido pela Expand (www.expand.com.br) e Jaboulet pela Mistral (www.mistral.com.br).
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10 de Maio de 2012
Nesta terceira parte, falaremos do imponente Hermitage. Um vinho poderoso, de grande estrutura e apto a longo envelhecimento. Outrora, reforçou os vinhos bordaleses, chamados de Clarets, fornecendo mais força e vigor. É um dos mais antigos vinhos franceses, mencionado na antiga Roma por Plinio, o Velho.

A majestosa montanha de Hermitage ao longo do Rhône
Passando pelas encostas da Côte-Rôtie, o rio Rhône segue seu curso na direção sul percorrendo aproximadamente 50 quilômetros. Neste ponto, o rio muda de direção a leste, formando um pequeno braço, antes de retornar seu caminho ao sul. Exatamente neste braço (vide foto acima), está a espetacular montanha de Hermitage, com vinhedos escarpados, voltados para a direção sul e protegidos dos fortes ventos. Na verdade, é um grupo de vinhedos contíguos, cada qual com suas pecualiaridades de solo e altitude. Nomes como Le Méal, Les Bessards, Les Gréffieux, às vezes são vinificados e engarrafados separadamente. Contudo, os grandes Hermitages são mesclas dos vários vinhedos onde a somatória das características individuais, enriquece o conjunto. Neste raciocínio, os maiores nomes da apelação ficam por conta de Jean Louis Chave e Paul Jaboulet Aîné com seu espetacular La Chapelle. Estes produtores detêm parcelas num maior número de vinhedos, gerando vinhos mais estruturados e complexos. São importados pela Mistral (www.mistral.com.br). Delas Frères da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) e Marc Sorrel da importadora Premium (www.premiumwines.com.br) são também belas referências.

Chave: Grandes vinhos em grandes safras
Hermitage
Apelação com pouco mais de 130 hectares em sub-solo granítico e solos variados de xisto, pedras e micaxisto, conforme terroirs específicos, já mencionados acima.
Os tintos são elaborados com Syrah e eventualmente até 15% de Roussanne e Marsanne, brancas locais. Essas mesmas uvas brancas compoêm o Hermitage branco, que pode ser surpreendente. Muitas vezes um vinho meio sem graça na juventude, mas que pode evoluir de forma magnífica por longos anos.
Os rendimentos destes vinhos são bastante baixos, não passando dos 30 hectolitros por hectare. Os Côtie-Rôtie também obedecem este preceito.
Não tenha pressa em abrí-los. Um grande Hermitage pode evoluir por décadas. O La Chapelle 1961 está na caixa do século da Wine Spectator como um dos maiores vinhos de todos os tempos.
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30 de Abril de 2012
Aproveitando a menção das sete maravilhas da gastronomia portuguesa citada no artigo publicado neste blog sobre o queijo Serra da Estrela, vale a pena comentarmos o tradicionalíssimo Arroz de Marisco, originário das regiões de Estremadura e Ribatejo.

Ícone da gastronomia portuguesa
Pode ser encarado como uma versão da famosa caldeirada com a inclusão do arroz ou até, como uma paella à moda portuguesa.
A receita original fala em mariscos locais como amêijoas, sapateira e berbigão. Aqui podemos substituir por vôngoles, mexilhões, siri e camarões, por exemplo. Cozinhe todos eles juntos ou separadamente, reservando seus respectivos caldos. Pode-se acrescentar no caso dos camarões, cascas e cabeças para concentrar mais o caldo. Em seguida, refogue o arroz com azeite, alho, cebola e tomate, adicionando um cálice de vinho branco. Após este processo, adicione os diversos caldo dos mariscos para o devido cozimento. No final, acrescente os mariscos com um pouco de salsinha ou coentro, conforme gosto pessoal. O resultado deve ser parecido com a foto acima, não deixando o arroz secar.
A harmonização com vinhos brancos é óbvia, dada a presença de frutos do mar com forte tendência a metalizar a maioria dos tintos. Se pensarmos em termos regionais, a Denominação de Origem Bucelas nos revela ótimos brancos para este prato. A principal uva é a Arinto, conhecida também com Pedernã, podendo ser complementada com as uvas Sercial (Esgana Cão, outro sinônimo) e Rabo de Ovelha. O vinho apresenta textura adequada ao prato, boa mineralidade e acidez refrescante. As versões com presença discreta de madeira podem ser satisfatórias. Quinta da Romeira é referência desta denominação, trazido pela Mistral (www.mistral.com.br). Outra opção portuguesa é o branco do Tejo (antigo Ribatejo) do produtor Quinta da Alorna. É um reserva branco com as castas Arinto e um pouco de Chardonnay com leve passagem por barrica, trazido pela importadora Adega Alentejana (www.alentejana.com.br).
Do lado italiano, duas ótimas sugestões. Um branco do Veneto da denominação Soave do belo produtor Pieropan com a uva local Garganega, trazido pela importadora Decanter (www.decanter.com.br). Outra opção, agora da Toscana, do sofisticado Angelo Gaja, é o Ca´Marcanda Vistamare. Um branco mesclando Chardonnay, Sauvignon Blanc, Vermentino e Viognier, da badalada sub-região de Bolgheri. Os dois apresentam boa mineralidade, aromas elegantes e discretos, sem arranhar os toques de maresia do prato.
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19 de Abril de 2012
Terminada a intrincada sub-região da Côte d´Or, caminhamos mais ao sul em direção à Côte Challonaise, detalhada no mapa abaixo. Apesar de muita próxima da Côte de Beaune, nesta sub-região ocorrem mudanças drásticas em termos de terroir. Aqui não há mais a proteção segura a oeste das altas encostas da Côte d´Or. Portanto, os ventos frios afetam mais as vinhas, criando dificuldade no perfeito desenvolvimento e amadurecimento dos frutos. Além disso, torna-se uma região confusa topograrficamente e assim, os vinhedos melhores posicionados nos declives a sul e sudeste levam vantagens.

Os vales e encostas bem posicionadas são relevantes
O solo de natureza argilo-calcária ainda comanda as vinhas, mais propensas ao plantio da Chardonnay quando o calcário predomina, enquanto a Pinot Noir é mais indicada no predomínio da argila, embora os fatores inicialmente expostos sejam mais relevantes.
As principais comunas no sentido norte-sul são Bouzeron, Rully, Mercurey, Givry e Montagny. Algumas vinhas que destacam-se em seu posicionamento admitem algumas apelações Premier Cru. Contudo, não há um terroir tão privilegiado a ponto de termos qualquer sinal de vinhas Grand Cru.
Bouzeron é uma apelação própria dentro da Côte Chalonnaise específica para vinhos brancos com a casta Aligoté. Alíás, aqui se faz o melhor Aligoté da Borgonha e dentre eles destaca-se a domaine A. et P. de Villaine, propriedade do todo poderoso comandante da Domaine de La Romanée-Conti. Este vinho é trazido pela Expand (www.expand.com.br). Como curiosidade, o famoso aperitivo Kir é elaborado com vinho Aligoté e o típico licor da região, Crème de Cassis.
Rully, a comuna seguinte, elabora brancos e tintos com Chardonnay e Pinot Noir, respectivamente. As apelações são comunais com 23 climats classificados como Premier Cru, entre brancos e tintos. São vinhos sem relevância, para consumo no dia a dia local. Um bom produtor trazido pela importadora Club Taste Vin (www.tastevin.com.br) é a Domaine de la Folie.
Em Mercurey, comuna abaixo, temos clara predominância dos tintos. São os mais encorpados e confiáveis de toda a Côte Chalonnaise. Existem 29 climats na apelação Premier Cru entre tintos e brancos. Os produtores Faiveley e Lorenzon são confiáveis e representados no Brasil pelas importadoras Mistral (www.mistral.com.br) e Cellar (www.cellar-af.com.br), respectivamente.
Givry é a próxima comuna, com tintos predominando sobre os brancos. São 26 climats no total na apelação Premier Cru. Nemhum grande destaque a exemplo da comuna de Rully.
Finalmente, a comuna de Montagny, com vinhos exclusivamente elaborados com Chardonnay. É a melhor comuna para brancos de toda a Côte Chalonnaise com 49 climats da apelação Premier Cru. O solo tem predominância calcária com certas porções lembrando o perfil Kimmeridgiano de Chablis. A importadora Cellar traz um bom exemplar do produtor Jean-Marc Boillot (www.cellar-af.com.br).
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16 de Abril de 2012
Após a comuna de Meursault, caminhando para o sul da Côte de Beaune, entramos no berço espiritual da Chardonnay. Aqui, a palavra mágica é Montrachet. Evidentemente, o excepcional vinhedo “Le Montrachet” é o mais cobiçado de todos os Grands Crus desta pequena área, conforme figura abaixo.

A perfeição da Chardonnay
Notem que no meio do mapa existe uma linha pontilhada dividindo as comunas de Chassagne-Montrachet à esquerda, e Puligny-Montrachet à direita. Com isso, dois Grands Crus são divididos entre as mesmas: Bâtard-Montrachet e o grande Le Montrachet. Ainda no mapa, observamos o Grand Cru Criots-Bâtard-Montrachet pertencendo exclusivamente à comuna de Chassagne-Montrachet. Por sua minúscula produção, menos de dez mil garrafas por ano, comprem o que estiver ao alcance dos olhos e do bolso. Do lado de Puligny-Montrachet, mais dois Grands Crus exclusivos: Bienveneus-Bâtard-Montrachet e o estupendo Chevalier-Montrachet. Este último para muitos, o grande rival da estrela maior.

Dos cinco Grands Crus, três merecem atenção especial quanto a seus respectivos terroirs. Observem o esquema acima dos vinhedos em termos de altitude. Na parte mais baixa, temos Bâtard-Montrachet com seu solo de marga onde a argila destaca-se em meio ao calcário. Portanto, numa sintonia fina seus vinhos são mais densos, mais pesados, necessitando de uma boa decantação, principalmente se forem tomados relativamente jovens.
Em altitude oposta, temos o vinhedo Chevalier-Montrachet com seu solo de pedregosidade destacada. Este fato confere uma sutileza e elegância incríveis, impressionando a maioria dos degustadores, sejam eles experientes ou não. Bouchard Père et Fils, também grande comerciante da borgonha, elabora um Chevalier-Montrachet de cair o queixo.
Por fim, o grande Le Montrachet, com seus 7,93 hectares extremamente fracionados, posicionado entre os dois Grands Crus acima citados. A insolação é perfeita, tendo na época de maturação o sol batendo nas vinhas até nove horas da noite. Seu solo conjuga todos os fatores benéficos à Chardonnay, resultando num vinho extremamente elegante como Chevalier, e não menos denso e robusto como um Bâtard. A perfeição está próxima.
Alguns produtores destes grandes vinhos: Domaine Leflaive, Domaine de La Romanée-Conti, Comtes Lafon, Ramonet, Drouhin (Marquis de Laguiche), Carillon, Gagnard e Sauzet. Infelizmente, nem todos vêm para o Brasil. As importadoras Expand e Mistral possuem alguns destes produtores.
Alternativas interessantes a todos esses grandes vinhos citados, são alguns produtores ilustres nas vizinhanças de Chassagne e Puligny como Jean-Marc Boillot da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br), com vários Puligny-Montrachet Premier Cru a preços atraentes. O produtor Hubert Lamy trazido pela importadora Premium Wines (www.premiumwines.com.br) elabora belos exemplares em Chassagne-Montrachet e na comuna vizinha de Saint-Aubin, com belos Premier Cru. Aliás, Saint-Aubin é uma alternativa interessante frente às comunas mais badaladas, principalmente na categoria Premier Cru.
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