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Onde estão as referências no mundo dos vinhos?

20 de Junho de 2013

Ultimamente, temos tido várias notícias, artigos, tentando derrubar o norte da bússola, ou seja, as poucas referências que nos fazem crer na magia  do vinho, no ritual do serviço do vinho, e até mesmo, nas combinações clássicas da enogastronomia. Nada contra a contestação, nada contra em prospectar novos rumos na elucidação de questões, rituais, e métodos, na compreensão cada vez melhor num mundo recheado de subjetividades. Contudo, é preciso assimilar com certo ceticismo as chamadas “novas descobertas” tentando apenas provar que tudo que tem sido pesquisado e passado para os entusiastas do vinho através de cursos, palestras e degustações didáticas, são teorias ultrapassadas, deixando as pessoas extremamente confusas, sem saber em que acreditar, já que essas mesmas “teorias” também não são exatas e estão longe de um rigor científico.

Detalhes de algumas taças Riedel

Fiz esta introdução, para poder inicialmente falar das taças Riedel. Estão tentando desmistificar a eficiência das mesmas em degustações às cegas, deixando nas entrelinhas a inutilidade em tê-las como objeto de desejo e compra. Dá a impressão que todo o trabalho da família Riedel em confeccionar taças muito bem elaboradas, tanto do ponto de vista estético, como principalmente do ponto de vista técnico, acaba sendo inútil ou no mínimo, muito pouco eficiente. É quase um trabalho de engenharia, buscando o formato ideal para determinados tipos de vinhos, sobretudo das clássicas regiões europeias. E eles fazem questão em demonstrar estes detalhes, degustando um mesmo vinho em taças diferentes com resultados bem evidentes. Pelo menos in loco, as pessoas ficam maravilhadas com a demonstração. Além disso, a Riedel prima por comungar a confecção de uma nova taça com produtores da região em questão, propondo vários tipos das mesmas em degustação, e consequentemente buscando aliar a parte prática e técnica em sua elaboração. Não tenho nenhum vínculo comercial com esta marca, e portanto sinto-me bastante à vontade em defende-la não apenas pela marca, mas pela repercussão em incentivar outras cristalerias mundo afora, na elaboração de taças com estas prerrogativas. Alguns exemplos como, Spiegelau, Schott Zwiesel e a nossa brasileira Strauss, são ótimas alternativas. Sem o pioneirismo da Riedel, estaríamos tomando vinhos até hoje no chamado conjuntinho de taças da vovó (geralmente cinco taças muito bem lapidadas, escalonadas em alturas, onde a maior normalmente não passar de 80 ml (mililitros). 

Quem sabe um dia, em uma degustação às cegas,  escolham esses copos 

Passando agora para a questão da mineralidade, altamente lincada ao conceito de terroir, tema este exaustivamente comentado neste blog, essas “novas teorias” tem como objetivo desmistificar qualquer correlação do solo com o vinho na questão acima citada. É evidente, que ainda não temos provas científicas destes fatos. Porém, é incontestável que vinhos como Pouilly-Fumé, Chablis, Riesling alemão ou alsaciano, possuem aromas diferenciados, e ainda não devidamente explicados cientificamente. Se os terroiristas não conseguem provar suas teorias, pelo menos nos dão a possibilidade de tentar compreender esses aromas através de seus vinhedos únicos e mágicos.

Este esquema de diversidade de solos pode não ser tão importante para a magia  dos grandes borgonhas

Se os chamados formadores de opinião, sommeliers, enólogos, palestrantes, professores de cursos desta nobre bebida, levarem ao pé da letra todas estas contestações, não falaremos mais de taças específicas, não falaremos mais de zonas de sabores na língua, não falaremos mais de particularidades de solos das grandes regiões clássicas, porque de nada valem essas explicações. Portanto, vai imperar a subjetividade, a dúvida e principalmente, a falta de referência. Além disso, ficará muito chato, perdendo a magia do vinho.

Para terminar, a enogastronomia também anda por este caminho, perdendo suas referências. O cordeiro não combina mais com Bordeaux, agora é Pinot Noir. Churrasco (carne vermelha) com vinho branco ou espumante. Vinho tinto com peixe, queijos azuis com vinhos tânicos, e vai por aí afora. Ficamos reféns das seguintes frases: “vinho é aquele que você mais gosta”, e a pedra filosofal dos vendedores de vinho: “não existe vinho ruim, existe vinho mal vendido”, e a mais batida de todas “gosto não se discute”, magnificamente complementada pelo saudoso Doutor Sérgio de Paula Santos, “mas educa-se”.

Tannat com gorgonzola: A vitória do amargor

Em resumo, bebam o que quiser, sem se preocupar com taças, regiões clássicas, e combinem com a comida mediante seu próprio gosto. Mas não se esqueçam: ninguém compra vinhos às cegas, e nem taças. Quanto à enogastronomia, infelizmente na prática é quase uma utopia. A escolha é de cada um. Abraços,

Château-Grillet: A apoteose da Viognier

10 de Junho de 2013

No artigo comentado sobre o estupendo vinhedo francês, Coulée de Serrant, foram mencionados outros grandes brancos da França. Dentre eles, o Château-Grillet, ainda não devidamente comentado “comme il faut”. Assim como Coulée de Serrant, este grande branco calcado na exótica cepa Viognier, goza de apelação própria num vinhedo de apenas 3,8 hectares. Portanto, Château-Grillet está para a apelação Condrieu no Rhône Norte, assim como Coulée de Serrant está para a apelação Savennières no Loire, ou seja, um enclave dentro da apelação mais genérica.

File:Chateau Grillet.JPG

Garrafa discreta, no atípico estilo alsaciano

Só para nos situarmos, seguem abaixo as principais apelações do chamado Rhône Norte, onde os tintos predominam. Outra apelação famosa por grandes brancos, é Hermitage, baseado nas uvas Marsanne e Roussanne. Normalmente, os vinhos elaborados com a casta Viognier são para ser tomados relativamente jovens, sobretudo pela baixa acidez natural. É o que acontece com a grande maioria dos vinhos sob a apelação Condrieu. Contudo, Château-Grillet parece ser uma exceção. Além do mais, sua elaboração engloba passagem por barricas, proporcionando maior estrutura ao vinho.

Principais apelações do Rhône Norte

A foto abaixo, mostra um vinhedo escarpado, lembrando um pouco a região do  Douro, onde as vinhas são plantadas em socalcos (muros de pedra para a contenção do terreno). As declividades podem ultrapassar os cinquenta por cento, lembrando também os vinhedos do Mosel na Alemanha.

Vinhedo imponente plantado em socalcos

Quanto ao solo (esquema abaixo), temos um subsolo rochoso à base de granito. O solo propriamente dito baseia-se em mica, areia grossa misturada com quartzo e granito decomposto em forma de pedras. Segundo os terroiristas, esta incrível mineralidade é a grande responsável pela longevidade deste vinho, muito mais que componentes como acidez, por exemplo. As vinhas apresentam densidade de pelo menos oito mil pés por hectares, gerando um rendimento em torno de 37 hectolitros por hectare.

Subsolo de base granítica

O vinhedo foi adquirido recentemente (2011) por François Pinault, proprietário do grandioso bordalês Château Latour (Pauillac), até então nas mãos da família Neyret-Gachet. Além do vinho, são produzidos no château duas eau-de-vie: Fine du Château-Grillet e Marc du Château-Grillet. Como já vimos em artigos anteriores, Fine refere-se ao destilado produzido a partir do vinho descartado para o Grand Vin, e Marc é o destilado a partir do bagaço das uvas na elaboração do Grand Vin, semelhante à grappa (italiana). Favor verificar artigo intitulado “Destilados: Marc e Fine Bourgogne.

Vinho e Gastronomia

O vinho, evidentemente, mostra as principais características da Viognier: aromas florais, pêssegos, damascos, mel, e alguns toques cítricos suaves. No envelhecimento, amêndoas e trufas se fazem presentes. Em boca, é um vinho sedoso, macio, acidez moderada, bela mineralidade, e expansivo, necessitando de decantação. Na juventude, faz boa parceria com peixes e carnes brancas acompanhadas de molho agridoce. Já com bons anos em adega, é companheiros de pratos requintados á base de trufas.

O vinho no Brasil pode ser encontrado na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) da ótima safra de 2009. Para aqueles que podem adquiri-lo no exterior, os preços são bem mais atraentes, além de safras já envelhecidas, dificilmente encontradas em nosso país.

Mineralidade nos vinhos

6 de Junho de 2013

Caráter mineral num vinho é um dos assuntos mais subjetivos e mais polêmicos. A razão principal até o momento, é que não há provas científicas sobre esta questão, sobre esta afirmação. De fato, os mais renomados fisiologistas em plantas, geólogos, agrônomos e enólogos, são extremamente céticos quanto ao tema. Aliás, eles acham que a maioria das pessoas que mencionam o termo “mineral” não sabem exatamente do que estão falando.

O vídeo acima na região chilena de Limari mostra uma das inúmeras tentativas de vincular a mineralidade dos solos aos vinhos. Notem que no decorrer do vídeo, ele fala sutilmente que de “alguma forma” esta mineralidade é passada para as uvas, deixando um certo mistério no ar.

Outro fator inerente ao termo e da mesma forma, subjetivo e polêmico, é a expressão terroir, analisada exaustivamente em vários artigos deste blog. De todas as expressões utilizadas para a descrição de vinhos, a mineralidade é sem dúvida nenhuma o cordão umbilical com o terroir e daí, todo o glamour, sutileza e mistério em torno do vinho.

Neste campo minado, três fatores parecem convergir para a solução da questão, segundo esses mesmos especialistas: regiões frias, acidez dos vinhos e supressão parcial da fruta. De fato, as clássicas regiões européias como Chablis na Borgonha, Sancerre, Savennières e Pouily-Fumé no Loire, Mosel e Saar na Alemanha, apresentam solos calcários ou de ardósia, os quais geram uvas de alta acidez, aliados a climas frios. A fruta mais discreta, mais contida, nestes mesmos vinhos, dão espaço para o chamado caráter mineral. Entretanto, não se pode provar por A+B que as raízes absorvem esses minerais e os mesmos são transferidos para os frutos. Mesmo que estes mecanismos sejam um dia provados, as quantidades absorvidas são tão irrisórias, que seriam extremamente difíceis de serem detectadas sensorialmente. Sendo assim, o mistério continua.

Randall Grahm, pesquisador famoso na Califórnia, acrescenta mais alguns fatores para a expressão da mineralidade nos vinhos: vinhas antigas (raízes profundas), baixos rendimentos no vinhedo, vida microbiana no solo (mycorrhiza ou micorriza), e colheitas com perfeita maturação das uvas (não sobre-maturação).   

Percepção do sabor: interrogação nos solos

Na prática, o que chamamos de aromas ditos “minerais” são aqueles que lembram algo defumado, esfumaçado, iodado, grafite, petróleo, cat´s pee (urina de gato), terroso, giz, sílex, alcatrão. Geralmente, os solos relacionados com mineralidade são do tipo vulcânico, calcário, xisto, granito, ardósia, normalmente com a presença de pedras, sobretudo em camadas mais profundas.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Roue_des_Ar%C3%B4mes_du_Vin.jpg

Muito desses aromas são colocados em outras famílias na famosa roda de aromas, tais como: animal, químicos, medicinais, empireumáticos, entre outros. A roda de aromas acima (favor clicar no atalho) parece-me bastante completa e elucidativa. Notem que a família de aromas minerais está indefinida entre aroma e bouquet. Eles sugerem que esses aromas provavelmente não provêm do solo e sim do processo fermentativo com a presença de ésteres e tióis. Enfim, é um assunto que dá pano pra manga!

Vinhos que vencem o tempo

11 de Abril de 2013

Dos muitos ditados sobre vinhos, um dos mais ilusórios é o que diz: “Vinho, quanto mais velho, melhor”. Na prática, isso vale para cerca de dois porcento dos vinhos produzidos no planeta. Poucos passam dos dez anos em plena forma, sem sinais de declínio. Portanto, quando nos deparamos com essas raridades, vale a pena comentá-las.

Didier Dagueneau Silex 2005

Morto há poucos anos em um acidente de ultraleve, Didier Dagueneau foi um dos mais talentosos vinicultores do Loire, notadamente da apelação Pouilly-Fumé, que ele fazia questão de nominá-la Blanc Fumé de Pouilly. Sua cuvée Silex faz menção a um dos famosos terroirs da apelação com solo pedregoso de nome homônimo. Apesar de seus oito anos de safra, a fruta delicada estava bem presente, envolta num mineralidade extremamente elegante. O equilíbrio é seu ponto alto, com final persistente, harmônico e em plena forma. Vinhas antigas, uma grande safra e um vinicultor brilhante, geralmente culminam nestas maravilhas.

Vega-Sicilia Valbuena 5º Año 1999

Este é um daqueles segundos vinhos que só dignifica o grand vin que está por trás. Geralmente, são vinhas mais jovens, partidas que não estão à altura do grande Vega, pois a exigência é cruel. Mas é com este rigor, que grandes nomes são feitos, mesmo em seus exemplares mais humildes. Nesta safra, foram mescladas as uvas Tempranillo (80%), Merlot e Malbec (20%). Seu amadurecimento em madeira, extremamente peculiar, deu-se com cinco meses em tonéis de 20.000 litros, seguido em barricas novas de carvalho americano e francês por dezesseis meses, e voltando aos tonéis até o ano de 2002, antes do engarrafamento. Só começou a ser comercializado em 2004.

Esta amosta, com seus catorze anos de safra, diga-se de passagem, não foi uma grande safra, não mostrou sinais da idade. Aliás, esta é uma marca registrada da bodega Vega-Sicilia. Nunca tente adivinhar um Vega pela cor. Deve haver alguma magia no amadurecimento longo em madeira. Voltando à cor, ainda tinha traços violáceos. Os aromas finos mesclavam com maestria fruta e madeira num final balsâmico. Novamente, o equilíbrio de boca notável. Nada era muito potente, mas extremamente fino.

Henri Gouges Nuits-St-Georges Premier Cru Clos des Porrets 1998

Para muitos, guardar borgonhas tintos pode ser uma temeridade. São muito frágeis, delicados e com pouca estrutura tânica. Porém, nunca duvide de um Nuits-St-Georges, principalmente um Henri Gouges. Este exemplar com uma cor impressionante tinha taninos de um autêntico Barolo. Firme, musculoso e profundo. Seus aromas terrosos, de cerejas escuras e alcaçuz eram os mais destacados. Grande equilíbrio e persistência, mostrando outras facetas da Pinot Noir.

Sedimentos deixados pelo tempo

Pela foto acima, não há como deixar de decantar um vinho desses. Mais um contradição para aqueles que dizem que borgonhas não se decantam. Produtores e terroirs diferenciados nunca seguem regras. Eles caminham longe da padronização, por isso são únicos.

Espumantes à mesa

2 de Dezembro de 2009

 

  

Blanc de Blancs e Salmão Defumado: Sinergia de Sabores

Se você pensa que espumantes servem só para comemorações, está perdendo uma ótima oportunidade de levá-los à mesa. Além do nosso clima, uma dieta saudável tem tudo haver com este tipo de vinho. Comidas leves e refrescantes aliadas a espumantes formam um conjunto de baixas calorias, já que esses vinhos (evidentemente no estilo Brut) dificilmente ultrapassam os 12º de álcool, sendo este elemento, o principal fator de calorias no vinho (1º de álcool equivale a 17 gramas de açúcar por litro).

Deixando a balança de lado, vamos às principais características destes borbulhantes vinhos:

  • acidez: componente principal dando vivacidade e frescor ao conjunto. Enogastronomicamente, combate muito bem a gordura, especialmente frituras.
  • gás carbônico: além de colaborar com a acidez, tem um papel muito importante de textura, a chamada mousse, que forma um colchão de ar delicado, principalmente nos espumantes de alta qualidade, limpando o paladar.

Portanto, gordura, sal e texturas não excessivamente oleosas ou cremosas, são excelentes contrapontos para este tipo de vinho. É bom sempre lembrar que, tratando-se de vinhos de corpo relativamente leve, aromas e sabores delicados, pratos muito estruturados, certamente vão sobrepujar os mesmos.

Resumindo, então teríamos o seguinte:

  • Espumantes leves (a maioria dos nacionais, proseccos e grande parte dos cavas). No caso de champagnes é mais complicado. É bom sabermos o estilo de cada casa, mas o chamado Blanc de Blancs é um pedida certa.

Vão muito bem para recepcionar os convidados, as pequenas entradas servidas antes da refeição e pratos leves como saladas, peixes, frutos do mar e aves. É praticamente insubstituível como vinho de recepção, já que mantém de forma admirável o paladar sempre aguçado.

Vale a pena comentar um erro comum com espumantes da Chandon  na recepção. Não se deve iniciar os serviços com o Chandon Excellence, a despeito de sua ótima qualidade. Na realidade, ele é um espumante gastronômico, um pouco pesado  para bebericarmos sem comida. Portanto, vá de Chandon básico para esta finalidade.

Agora, se você optou por iniciar os trabalhos com champagne, lembre-se que está dado o tom da refeição. Daí para frente, a expectativa é sempre esperando o melhor.

  • Espumantes encorpados (normalmente há uma significativa porcentagem de Pinot Noir). Aqui vários champagnes entram em cena, inclusive os rosés. O champagne Drappier é um exemplo emblemático deste estilo.

São espumantes gastronômicos que devem ser levados à mesa. Acompanham muito bem salmão, atum (principalmente os rosés), moqueca capixaba (a baiana tem dendê), aves de sabor mais pronunciado como galinha d´angola, peixes e frutos do mar com molhos mais elaborados, até mesmo carne suína, exceto pernil.

  • Champagnes de Luxo e grandes millésimes envelhecidos (algumas exceções podem ser incluídas como Franciacorta de alta gama).

Nesta categoria a força do perlage já não é tão importante. Aqui o que fala mais alto é a altíssima qualidade do chamado vinhobase. Só assim esses grandes vinhos podem vencer o tempo. Aqui os aromas terciários aliados aos de redução (contato muito prolongado com as leveduras), dão origem a sensações e sabores únicos.

Necessariamente, precisamos de alta gastronomia. Ingredientes como trufas, foie gras, cogumelos selecionados (morilles), carnes nobres (faisão, vitelo, aves de caça) são decisivos.

Caso não haja este arsenal, parta para um prato  de ave com cogumelos do cotidiano e desfrute da nobreza destes vinhos. Embora não ocorra uma sinergia, também não haverá arranhões.

  • Blanc de Blancs diferenciados (Outra exclusidade dos champagnes com raríssimas exceções que efetivamente apresentem mineralidade).

Côte des Blancs é sinônimo de Chardonnay em Champagne e Chardonnay é sinônimo de mineralidade dada pelo cálcario puro que aflora do subsolo da região, conhecido como “craie”.  A personalidade  e a mineralidade de um autêntico Blanc de Blancs são determinantes para a harmonização de alguns pratos específicos, principalmente peixes e frutos do mar in natura como ostras, salmão defumado, caviar, carpaccios  e boa parte da cozinha japonesa (notadamente os sashimis). Há uma pureza de sabores na harmonização  sem qualquer distorção. Muitas vezes, sentimos um sabor final desagradável de maresia quando o vinho é mal harmonizado (vinho de baixa acidez e caráter frutado).

Esta sinergia é exemplificada na  foto de nosso artigo. Senão, vejamos os principais pontos desta harmonização:

  • Peso adequado entre  prato e vinho.
  • O creme azedo sobre a torrada é compensado pela bela acidez do champagne.
  • O sabor marinho do salmão com a defumação formam um par perfeito com a mineralidade e os toques empireumáticos do champagne.
  • A torrada em si é o próprio prolongamento dos característicos traços de brioche do champagne.
  • Em termos de textura, a leve oleosidade do salmão é perfeitamente limpa pela cremosidade do champagne.

Bon appétit!