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Chablis: Decifra-me

4 de Março de 2017

O vinho branco mais incompreendido, embora mundialmente conhecido. Copiado descaradamente mundo afora, torna-se patético. Mesmo dentro da apelação, a maioria usufrui de seu prestígio fonético, sem no fundo compreende-lo. Não basta a partitura, é preciso a interpretação precisa. Pode-se aceitar alguns intérpretes, mas nenhum chegou à dimensão de dois maestros: Dauvissat e Raveneau. 

É difícil explicar Chablis, quase impossível. Mas quando se sente, não precisa explicar. A sutileza, o nervo preciso, os aromas quase etéreos, o sabor pulsante sem ser agressivo. A essência sem máscaras, sem subterfúgios. Se terroir parece algo inexplicável, Chablis personifica este conceito como nenhum outro território de vinhas.

Chablis é tão exclusivo, é tão pessoal, que seu território dentro da Borgonha é separado, é descontinuo. Está a meio caminho entre Champagne e a nobre Côte d´Or. O clima é frio, rigoroso, tenso. O solo, uma benção divina, uma mistura judiciosa de argila e calcário, culminando no que chamamos Kimeridgiano (Kimméridgien), fosséis marinhos calcinados no marga, característicos das porções de terra das vinhas Grands Crus da região.

Essa precisa geologia exige ao máximo de seu intérprete (vitivinicultor), tanto na condução das vinhas, como sobretudo, na vinificação em cantina. Esta pureza não pode ser perdida, não pode ser camuflada, não pode ser destorcida. Esses segredos parecem ser seguidos à risca pelos maestros (Dauvissat e Raveneau).

Dauvissat

Não estamos falando de Caves Jean et Sébastian Dauvissat e nem de Domaine Jean Dauvissat. Estamos falando de René & Vincent Dauvissat. Proprietário de 12 hectares de vinhas perfeitamente localizadas entre Premier Cru (6 ha), Grand Cru (2,7 ha) e o restante de apelação Chablis, elabora 80000 garrafas por ano. A idade média das vinhas é alta, em torno de 40 anos.

A fermentação e amadurecimento do vinho é feita com madeira inerte. Barricas entre 6 e 8 anos de idade. A micro-oxigenação é importante para o Chablis, quebrando sua dureza, sua austeridade. Vincent vai mais longe, utilizando 10% de madeira nova, uma perigosa ousadia. A malolática ocorre de maneira espontânea.

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apenas rótulos diferentes

Os rótulos acima podem causar confusão, contudo trata-se do mesmo vinho quando em safras idênticas. É apenas uma divisão familiar na impressão dos rótulos. No entanto, a cuvée é a mesma. Particularmente, o rótulo clássico à esquerda é meu preferido.

Seus vinhos aliam pureza, força e profundidade. Destaque para o Premier Cru La Forest, um vinho fora da curva para sua categoria. Mesmo seus Chablis comunal e Petit Chablis provem de vinhas muito bem localizadas, diferenciando-se em muito dos demais nessas categorias.

Pormenorizando a informação, as vinhas de seu Petit Chablis ficam muito perto do Grand Cru Les Clos, uma de suas estrelas, num setor mais alto da encosta. São as ultimas uvas a serem colhidas a cada colheita. Já as vinhas de seu Chablis comunal ficam adjacentes ao badalado La Forest, um super Premier Cru. Detalhes que fazem a diferença.

Raveneau

Domaine François Raveneau tem a mesma filosofia de rival no bom sentido da palavra, fidelidade ao terroir. Vinhas antigas, muito bem localizadas e um trabalho importante de barricas inertes para uma bem-vinda micro-oxigenação. Muitas das barricas tem uma particularidade de tamanho, tendo metade da capacidade das barricas normais. São chamadas “feuillettes”. Numa sintonia fina, digamos que Raveneau elabora um Chablis um pouco mais cortante que Dauvissat. Contudo, é uma impressão pessoal. São 50000 garrafas por ano.

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a grande cuvée de Raveneau

Se Dauvissat tem La Forest, Raveneau tem Montée de Tonnerre, empatados na categoria Premier Cru. Mais uma disputa acirrada entre esses dois gigantes. Um dos detalhes nesta comparação é que as vinhas do La Forest fica num setor mais frio que as vinhas do Montée de Tonnerre. Portanto, as uvas amadurecem mais lentamente. Daí decorre, em anos mais frios La Forest pode ser muito austero, enquanto que em anos mais quentes tem a vantagem de ser mais equilibrado que seu concorrente. Sutilezas na hora de comprar.

Bernard Raveneau, atual comandante, diz que seus vinhos envelhecem muito bem. Questionado sobre seu vinho numa ilha deserta, mencionou seu Montée de Tonnerre 1969 como excepcional e inesquecível.

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taça bordalesa

Além da temperatura correta, em torno de 10° centígrados, a taça correta é fundamental. Esqueça as taças bojudas, tradicionais para os brancos da Côte de Beaune (Montrachet, Puligny, Chassagne). Vá com a mesma taça utilizada para Riesling, Sauvignon Blanc do Loire, uvas que geram vinhos de grande acidez e mineralidade. A acidez fica mais contida, os aromas mais finos, e a harmonia final agradece.

Pratos como salmão marinado, peixes au beurre blanc (molho branco ácido) e trutas com amêndoas, podem acompanhar bem um típico Chablis, calibrando sua categoria (Grand Cru, Premier Cru ou comunal), a característica da safra, e finalmente seu estágio de evolução, sua idade.

Infelizmente, Raveneau e Dauvissat não são encontrados no Brasil. Como opções confiáveis, temos produtores como Billaud-Simon e William Fèvre disponíveis nas importadoras Mistral e Grand Cru, respectivamente.

Brancos e Tintos à Mesa

19 de Janeiro de 2017

Continuando na enogastronomia, tema recorrente deste blog, mais algumas harmonizações testadas com vinhos interessantes e pratos ecléticos.

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grande Mosela

Eis um grande Riesling do Mosel do excelente produtor Grans-Fassian. Esse vem do médio Mosel da sub-região de Piesport do vinhedo Goldtröpchen. Terroir escarpado, rico em ardósia. Spätlese é a categoria de açúcar imediatamente acima de kabinett. Leve docura com uma acidez fenomenal. Persistente, rico em flores, cítricos e minerais. Acompanha muito bem patês de porco e de aves. Desta feita, acompanhou uma salada de folhas, aspargos e camarões. Dominou um pouco a cena, sem comprometer a harmonização.

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Vitovska: uva exótica da Eslovênia

Marko Fon é o grande produtor da Eslovênia na região do Carso, terroir montanhoso rico em calcário. Vitovska é uma uva nascida do cruzamento da Malvasia Bianca com a Glera (uva do Prosecco). É um vinho laranja com maceração das cascas não tão intensa. O vinho é muito aromático, rico em damascos e cítricos com incrível mineralidade. Muito equilibrado, acompanhou bem um ravióli de queijos defumados, ervas e presunto parma. Tem corpo e estrutura para prato ainda mais condimentados. Os dois brancos citados são da Decanter (www.decanter.com.br).

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belo par harmonizado

Se você quer um Sauternes relativamente “simples”, Haut-Bergeron é a pedida certa importado pela Cellar (www.cellar-af.com.br). Por um preço muito razoável, temos toda a tipicidade da apelação com muito equilíbrio e complexidade surpreendente. Acompanhou muito bem os dois folhados acima, um de pera, outro de maçã, e um sorvete de mel para refrescar. Grande fecho de refeição.

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outra bela combinação

A safra 2006 em Bordeaux é subestimada, sobretudo este Chateau Bahans Haut-Brion. Parker dá menos de 90 pontos, o que considero muito rigoroso. Trata-se do segundo vinho do grande Haut-Brion com taninos bem moldados, corpo médio, e toda a tipicidade da comuna de Pessac-Léognan. Fez um belo par com o bife ancho acima, acompanhado de batatas ao forno com alecrim. A textura macia da carne estava de acordo com a estrutura tânica do vinho. Delicioso de ser bebido no momento, mas pode evoluir com segurança por mais cinco anos.

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harmonização surpreendente

Raposeira é um dos grandes nomes de Lamego em termos de espumantes, região adjunta ao baixo corgo (Douro) onde pessoalmente, considero o local ideal para espumantes portugueses elaborados pelo método clássico. Este rosé é feito com castas portuguesas típicas do Douro com estágio sur lies (contato com as leveduras) por pelo menos três anos. Bom corpo, rico em frutas, especiarias e toques defumados. Acompanhou muito bem o prato acima, uma espécie de cuscuz paulista com coentro, pimenta e camarões. A harmonização foi muito refrescante e rica aromaticamente, além de sabores bem casados.

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marrote: nome gaúcho do leitãozinho

A carne acima é bem macia e tenra do chamado marrote, nome dado no sul do país para um leitão novo não castrado. Acompanhado com molho do próprio assado, ervas e batatas ao forno.

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Borgonha e Dão em confronto

Não é que este Borgonha da Côte de Beaune foi muito bem com o prato!. Pernand-Vergelesses é uma comuna encrustada entre Savigny-Les-Beaune e Aloxe-Corton. Trata-se de um Premier Cru delicado como muitos desta parte do sul da Côte d´Or. A safra é excelente. Embora já com seis anos de vida, tem muito vigor e vida pela frente. Entretanto, é muito agradável de ser tomado no momento. Rico em frutas, cerejas frescas, especiarias e um leve sous-bois. A delicadeza do vinho casou perfeitamente com a textura da carne e o sabor do assado. Em seguida, chegou o Quinta da Pellada Touriga Nacional da boa safra 2004. Embora com mais de dez anos, o vinho mostrou vivacidade e uma acidez incrível. Um pouco mais robusto que o antecessor, não comprometeu a harmonização.

O Borgonha vem da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) e o Dão da importadora Mistral (www.mistral.com.br).

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combinação ousada

Côtes de Blaye é uma apelação bordalesa pouco conhecida e não tem a nobreza dos tintos do Médoc. Fica na margem oposta do rio Gironde, na altura da comuna de Margaux, e é vizinha à outra apelação também sem muita expressão, Côte de Bourg. São tintos de corte bordalês para o dia a dia, sem grande complexidade e que não precisam envelhecer muito. Importado pela Vinissimo (www.vinissimostore.com.br).

Com a informalidade do nosso tradicional virado a paulista, pode ser uma boa combinação, tendo estrutura adequada ao prato, além de fruta, taninos e um sutil toque amadeirado para enfrentar sabores e texturas dos ingredientes. Mesmo que o vinho com a idade ganhe um pouco de aromas terciários, os toques defumados do prato se adequam bem.

O importante aqui é a questão de tipologia do prato, ou seja, pratos frugais com vinhos sem sofisticação. Não adianta querer comer pizza com Sassicaia. Neste caso, vá de Chianti simples. É como se vestir de terno e gravata com chinelos.

Outras sugestões para o prato são Côtes-du-Rhône, Chinon ou Bourgueil do Loire, bons Merlots nacionais ou um Alentejano de média gama.

Vinhos Diferenciados

9 de Dezembro de 2016

É difícil pinçar importadoras que só trabalham com vinhos digamos, no mínimo interessantes. Na maioria das vezes, é preciso separar o joio do trigo, e nem sempre isso é fácil, de acordo com critérios e conhecimento de cada um. Neste sentido, a importadora Clarets (www.clarets.com.br), comandada por Guilherme Lemes, cumpre com competência esse papel. A maioria de seus vinhos divide-se entre França e Itália, mas a ideia mais abrangente é trabalhar com vinhos europeus.

O grande trunfo da Clarets é disponibilizar ao consumidor final sobretudo, vinhos de qualidade comprovada a preços bem competitivos no mercado. Você não vai encontrar vinhos baratos, mas certamente preços honestos para vinhos diferenciados. Seguem abaixo, alguns vinhos degustados.

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Cava Juve Y Camps Reserva de Familia Brut Nature 2012

Este Cava pertence à categoria Gran Reserva e permanece de 36 a 48 meses sur lies. Tem uma pitada de Chardonnay em seu corte clássico (Xarel-lo, Macabeo e Parellada). A dosagem Brut Nature dá uma certa austeridade  e ao mesmo tempo aguça seu lado mineral. Bela mousse, muito equilibrado e um final bastante fresco. Preço cheio: 183 reais

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Domaine Leflaive Macôn-Verzé 2014

Ao sul da Borgonha, região de Macôn, Domaine Leflaive cultiva vinhedos de forma biodinâmica, de acordo com a filosofia de seu quartel-general em Puligny-Montrachet. Verzé é um Village de Macôn com cultivo da Chardonnay. A fermentação e élevage são feitas em Puligny-Montrachet com todo o rigor desta instituição. Mostra-se um vinho fresco, uma pureza de fruta marcante, grande equilíbrio, e agradavelmente persistente. Muito acima do que a apelação normalmente oferece com a assinatura Leflaive. Preço cheio: 395 reais

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Maison Leroy Santenay La Comme Premier Cru 2010

La Comme é um vinhedo Premier Cru na comuna de Santenay (sul da Côte d´Or) fazendo divisa com Chassagne-Montrachet. A ficha técnica deste vinho é uma verdadeira caixa preta, mas a assinatura é Leroy. Embora seja um vinho de Négociant, é muito bem elaborado e mostra todo seu vigor na bela safra 2010. Muita fruta, especiarias, muito equilibrado, inclusive na madeira. Pode ser guardado por pelo menos mais cinco anos. Preço cheio: 970 reais

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Pera Grave 2013

Quinta São José de Peramanca, propriedade alentejana em Évora, elabora este tinto de corte bem exótico. Cabernet Sauvignon e Syrah, castas internacionais. Aragonez e Alicante Bouschet, castas regionais. Doze meses de carvalho francês e americano dão a este vinho toques de chocolate, defumado, e muita fruta escura em geleia. Bom corpo e bem equilibrado. Preço cheio: 133 reais

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Pera Velha Grande Reserva 2011

Aqui, o topo de gama da vinícola, elaborado com as uvas Syrah e Alicante Bouschet de produção bastante baixa. São vinte e quatro meses de barricas novas (francesas e americanas) para domar esta fera. Grande concentração de cor e de fruta escura em compota nos aromas. Toques florais, de alcaçuz, eucalipto e cacau, completam sua complexidade aromática. Taninos muito finos, grande equilíbrio e longa persistência. Já delicioso, mas com ótimo potencial de guarda. Preço cheio: 540 reais

Enfim, cinco vinhos para presentear ou se presentear, por que não? Agradecimentos à importadora Clarets pela recepção, esclarecimentos e a ótima seleção degustada.

Nota: os preços cheios mencionados podem sofrer algum desconto. Questão de conversar.

Entre vinhos e destilados

1 de Junho de 2016

Há pratos que nos deixam em dúvida quanto à harmonização. É bem verdade que para um determinado prato, cabe uma série de vinhos bem escolhidos, os quais proporcionarão sensações diferentes. Foi o que ocorreu neste embate com os vinhos abaixo, acompanhando um pappardelle ao molho de funghi porcini, guarnecido com frango ao forno com mostarda em grão e salvia.

vougeot premier cru

localização privilegiada

O exemplar acima trazido pelo especialista e amigo Roberto Rockmann, foi pinçado num vinhedo Premier Cru (Les Petits Vougeots) cercado por alguns astros de primeira grandeza como Musigny, Les Amoureuses e Clos de Vougeot. Delicado, elegante, taninos bem moldados e madeira quase imperceptível, na medida justa. Buscou enaltecer o lado mais sutil do prato com toques de sous-bois e florais.

clo de l´olive 2005Chinon de vinhedo na bela safra 2005

O tinto acima trata-se de um vinhedo específico do produtor Couly-Dutheil chamado Clos de L´Olive na ótima safra 2005. A apelação Chinon trabalha com a temperamental Cabernet Franc em latitudes limites para seu bom amadurecimento. Aqui o corpo do vinho e sua estrutura tânica  privilegiaram mais a textura tanto da massa, como do prato. O sabor do funghi e os toques de mostarda e salvia, também tiveram boa sintonia com o vinho que por sua vez, apresentava aromas terrosos, herbáceos e de especiarias, notadamente a pimenta. Enfim, a preferência é uma questão de gosto. Muito provavelmente, se degustados isoladamente, não deixariam as dúvidas criadas pela situação exposta.

fita ao molho de funghi porcinipappardelle ao molho de funghi porcini

Encerrando a refeição, tivemos uma tábua de queijos nacionais bem frescos, trazidos direto do produtor (Serra das Antas) com destaque para o Camenbert, Pont L´eveque e Taleggio, nesta ordem crescente de sabores. Para acompanhar os queijos, tivemos damascos, figos secos, e o original Vinsanto grego da ilha de Santorini. Este exemplar da safra 2004 é elaborado com a uva autóctone Assyrtiko de grande acidez e mineralidade. As parreiras plantadas em forma de cesto num solo vulcânico têm mais de sessenta anos, gerando vinhos de grande concentração e profundidade. Seus apenas 9º (nove graus) de álcool e ótima acidez foram contrabalançados por quase 300 g/l (trezentos gramas por litro) de açúcar residual. Aromático, denso e persistente.

vinsanto sigalas

Vinsanto: Os italianos o chamavan de Vin Pretto

torta de limão

torta de limão

A sobremesa acima é outra bela combinação com este Vinsanto grego. A acidez do vinho e seu açúcar residual garantem a força do prato, além das texturas, sabores e corpo de ambos estarem sintonizados.

Como ninguém é de ferro, o gran finale já fora da mesa, ficou para os puros abaixo, Partagas Lusitanias, um dos mais cultuados clássicos de Havana. A pegada, força, e potência desta marca é emblemática. No formato double corona, o primeiro terço começa com uma traiçoeira suavidade que vai intensificando-se sem que você perceba, feito uma sucuri que vai lentamente asfixiando a vítima. Pronto, você está enrolado. Um final de terço inesquecível onde só os destilados nobres podem ombreá-lo.

partagas lusitanias

Partagas Lusitanias: double corona de raça

O primeiro destilado foi o ótimo Knockando (em gaélico quer dizer pequena colina negra) 12 anos da safra 2002. Normalmente, essas indicações de idade referem-se a uma mistura de partidas (solera) onde a idade mais jovem do blend tem o numero de anos indicado. Este Malt Whisky de Speyside é macio, de boa presença em boca e o característico fundo de mel e ervas. Como curiosidade, este malt whisky faz parte do conhecido blended Scotch J&B (Justerini & Brooks).

knokando 12 anos

Single Malt de safra

O segundo destilado trata-se de um rum agrícola envelhecido da ilha de Martinica. O termo agrícola refere-se ao rum obtido somente com o calda da cana de açúcar, e não o melaço. Este V.S.O.P. envelhece quatro anos em madeira, sendo um ano em madeira francesa de Limousin (a mesma floresta para madeira do Cognac), e três anos em madeira americana de Bourbon Whiskey (Kentucky). Bebida de bom corpo, marcante, e persistente. Foi bem no terço final.

rum clement

Os velhos runs do Caribe

Vinhos diferentes, saindo do trivial, e destilados distintos cumprindo o mesmo papel no acompanhamento de puros. Tudo no seu devido tempo e sem conflitos entremeando os pratos. A mesa e o copo agradecem.