Posts Tagged ‘espumante’

Piemonte: Nova DOCG Alta Langa

29 de Janeiro de 2011

Realmente, o Piemonte quer disparar frente às demais regiões italianas com relação ao número de DOCGs (Denominazione di Origine Controllata e Garantita). A partir da safra de 2011, a denominação Alta Langa passar ser DOCG.

Alta Langa, ainda DOC, é uma denominação para espumantes do Piemonte elaborados pelo método clássico (segunda fermentação na garrafa), com as uvas Chardonnay e Pinot Noir em porcentagem de pelo menos 90% (juntas). As províncias piemontesas autorizadas são Cuneo, Alessandria e Asti. As eventuais uvas complementares são uvas autóctones autorizadas na região. As versões podem ser spumante bianco, rosato (rosé) ou rosso.

Nova DOCG a partir da safra 2011

O rótulo acima é um dos bons produtores da região, comercializado no Brasil pela importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

Com esta nova designação, Alta Langa forma um seleto grupo de espumantes italianos DOCG elaborados pelo método clássico, juntamente com os ótimos Franciacorta e os recentes Oltrepò Pavese Metodo Classico.

Harmonização: Champagnes – Parte I

5 de Janeiro de 2011

Iniciaremos agora uma série de posts sobre harmonização de champagnes. Com a época propícia a casamentos, nada melhor do que começar pelo clássico bolo dos noivos. Este é um dos erros mais recorrentes de harmonização, onde o pessoal costuma servir um champagne ou espumante brut. Resultado: o champagne que já é seco, torna-se mais seco ainda, deixando na boca uma acidez desagradável. Além disso, não há uma sintonia de textura entre vinho e comida. Portanto, esta é a hora certa para servir um autêntico demi-sec (termo que indica doçura, conforme post recente). A doçura deste champagne encontra eco imediato na leve doçura do bolo. Por conta do açúcar residual, este champagne apresenta textura mais cremosa, bem de acordo com a suave cobertura do bolo.

O tradicional Bolo de Casamento

Outros níveis de doçura permitem ao champagne incrível versatilidade. Comidas com molhos agridoces podem ser harmonizadas com champagne sec ou demi-sec, conforme a sensação de doçura de cada receita. Pratos da culinária chinesa e também indiana podem se acomodar perfeitamente nestes exemplos. Peixes, frutos do mar e carnes brancas (peito de frango e lombo de porco, por exemplo), são as bases mais emblemáticas de harmonização para as cozinhas acima citadas. Algumas massas utilizadas para frituras na cozinha chinesa acompanhadas de molhos agridoces, ficam muito bem com esses champagnes (os típicos rolinhos primavera). As especiarias e leve picância da culinária indiana são componentes importantes na harmonização, proporcionando sintonia aromática e contraponto de frescor com os champagnes, respectivamente.

É sempre bom lembrar três fatores básicos para harmonizar estes champagnes: comida elegante, delicada, sem aquela conotação rústica. Açúcar comedido nos pratos, pois mesmo os champagnes demi-secs não são tão doces. E por último, nada de molhos muito untuosos ou espessos, sob pena da mousse e textura dos champagnes serem destruídas.

Consumo: A cruel supremacia dos tintos

22 de Dezembro de 2010

O Brasil é um país tropical. Portanto, há um consumo maciço de brancos, rosés e espumantes, certo? Errado!!!

Infelizmente, este é o país dos tintos. Não que eu desdenhe deles, mas abrir mão da diversidade que só o vinho pode proporcionar, parece-me uma privação sem sentido.

Tecnicamente, os brancos são muito mais gastronômicos por não apresentarem taninos, que são potencializados com o sal e acidez das comidas. Queijos também são verdadeiras armadilhas para os tintos. Além disso, quando se fala em pratos leves, ou também, peixes e frutos do mar, os brancos são imbatíveis. Nós sommeliers, até tentamos dizer que existem tintos para estes casos, mas no fundo, não passam de sugestões paliativas.

Na minha opinião, existem dois fatores principais para este comportamento. O primeiro, é a total falta de conhecimento enogastronômico das pessoas, sempre escolhendo vinhos tintos evidentemente, não importando o que se vai comer. É como se o vinho tivesse um sabor independente da comida. O outro fator absurdo é o clima. Como as pessoas só pensam em tintos, é natural associá-los ao clima frio. Então fica sacramentado, em dias quentes não se toma vinho.

Cabe neste post, uma cena de restaurante que aconteceu em meu serviço. O cliente tinha solicitado um espumante previamente para receber amigos que chegariam logo em seguida. Preparei o espumante, as taças, só esperando a ordem para começar. De repente, ele me chamou e disse: acho melhor nós suspendermos o espumante, pois hoje está muito frio. De imediato, argumentei: acho que devemos manter o espumante, pois nada melhor para brindar e iniciar o jantar. Quanto ao frio, não se preocupe. Se este fosse o problema, ninguém tomaria champagne na região homônima. Ele sorriu e felizmente concordou.

Pizza Margherita: sintonia com brancos

A foto acima é um bom começo para novas atitudes. Agora nas noites de verão, que tal uma pizza margherita harmonizada com um belo Sauvignon Blanc do Novo Mundo. Pode ser um chileno, argentino, sul-africano e claro, um neozelandês.

Esqueçam a cor e pensem nos elementos de harmonização. A escolha de um Sauvignon do Novo Mundo é mais adequada devido ao vinho ser mais encorpado, mais aromático e mais macio, que exemplares do Velho Mundo, notadamente Pouilly-Fumé ou Sancerre. O queijo derretido (subentende-se gordura derretida) tem resposta imediata da acidez do vinho. Neste caso, os taninos de um tinto não têm muita função. O corpo e a força aromática de um moderno Sauvignon respondem à altura o impacto gustativo da pizza. O coroamento da harmonização fica por conta da sinergia do conjunto. Os tomates  e o manjericão casam-se perfeitamente com os aromas herbáceos e de frutas tropicais de um autêntico Sauvignon Blanc moderno.

Coragem e bon appétit!

Champagnes e espumantes Brut

19 de Dezembro de 2010

Sabemos bem a confusão dos termos mencioanados para designar o açúcar residual de champagnes e espumantes. Ao contrário do significado literal, o grau de doçura crescente passa pelos termos brut, sec e demi-sec. Portanto, Brut é o espumante seco, Sec é meio seco, e Demi-sec é doce.

Seguem abaixo as especificações, segundo o indispensável site www.champagne.fr:

  • Brut: inferior a 12 gramas por litro de açúcar residual
  • Extra-dry: 12 a 17 gramas por litro
  • Sec ou Dry: 17 a 32 gramas por litro
  • Demi-sec: 32 a 50 gramas por litro
  • Doux: acima de 50 gramas por litro (pouco elaborado)

Dentro da especificação Brut, podemos encontrar ainda uma subdivisão em Extra-brut e Dosage zéro. O Extra-brut pode ser usado quando o açúcar residual não ultrapassar seis gramas por litro. Já o Dosage zéro, o açúcar deve ser inferior a três gramas por litro. Este última termo tem como sinônimos as expressões Pas dosé ou Brut nature. Neste caso, não há licor de expedição após o dégorgement (operação para retirada das leveduras e colocação da rolha definitiva).

 

Os rótulos acima ilustram as explicações. No entanto, a utilização dos termos relativos aos espumantes secos não têm uma precisão matemática. Teoricamente, o produtor pode colocar o termo Brut para quaisquer das subdivisões se o champagne contiver menos de doze gramas de açúcar residual por litro.

Por fim, a percepção de secura do champagne está intimamente ligada à sua respectiva acidez. Muitas vezes, uma acidez mais branda pode causar uma sensação de maciez ou doçura, mesmo com um açúcar residual relativamente baixo.

Este post foi desenvolvido por sugestão do leitor Josivaldo Gonçalves. Sugira também você um tema em nossa página neste blog.

 

Espumantes: Crémants de France

28 de Novembro de 2010

O termo crémant na região de Champagne embora em desuso, significa um champagne com menor pressão  (duas a três atmosferas) que o usual (cinco a seis atmosferas).

No caso deste post, estamos nos referindo ao termo crémant como elaboração de espumantes na França pelo método champenoise, ou método tradicional, ou ainda método clássico, obrigatoriamente. Existem sete apelações para crémants na França, conforme descrição abaixo:

  • Crémant d´Alsace

Elaborado com as uvas Pinot Blanc, Pinot Gris, Pinot Noir, Riesling, Auxerrois e Chardonnay. Existe a versão rosé, elaborada com Pinot Noir. O vinho permanece pelo menos nove meses sur lies antes do dégorgement (expulsão dos sedimentos e colocação da rolha definitiva).

  • Crémant de Loire

Apelação do Loire, principalmente nas comunas de Anjou, Saumur e Touraine com as uvas Chenin Blanc, Chardonnay, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e outras uvas locais. Permanece pelo menos doze meses sur lies (em contato com as leveduras). Existe também a versão rosé.

  • Crémant de Bourgogne

 Apelação da Borgonha com as uvas Pinot Noir e Chardonnay, podendo ter eventualmente as uvas Gamay e Aligoté. Permanece pelo menos nove meses sur lies. Côte Chalonnaise é uma sub-região de muita tradição neste tipo de vinho.

  • Crémant de Die

Apelação tradicional do vale do Rhône com as uvas Clairette Blanche (55% mínimo), Muscat Blanc à Petits Grains e Aligoté. Permanece pelo menos doze meses sur lies. A presença da moscatel fornece aromas florais ao conjunto.

  • Crémant de Bordeaux

Apelação bordalesa com as uvas Sémillon e Sauvignon Blanc. Para os rosés, são utilizadas as uvas Cabernets e Merlot. Permanece pelo menos nove meses sur lies.

  • Crémant du Jura

Elaborado na região dos famosos  “Vins Jaunes” com as uvas Poulsard, Pinot Noir, Trousseau, Chardonnay e Savagnin. Permanece pelo menos nove meses sur lies.

  • Crémant de Limoux

Elaborado na região do Languedoc, perto de Carcassonne, é considerado o mais antigo dos espumantes na apelação Blanquette de Limoux. As uvas para o Crémant são: Chardonnay e Chenin Blanc, as principais, complementadas por Mauzac e Pinot Noir. Permanece pelo menos quinze meses sur lies.

Além dos crémants franceses, exite o famoso Crémant du Luxemburg, elaborado no país homônimo com uvas locais (Auxerrois, Pinot Blanc, Riesling, Chardonnay e Pinot Noir).

 

Os Crémants são belas alternativas neste final de ano com preços razoavéis, na maioria das vezes. Exceto os champagnes, estes espumantes são um dos  mais confiáveis no mercado, principalmente os da Alsace, Loire e Borgonha.

O rótulo acima é de um dos melhores produtores de Clos Vougeot, Chateau de La Tour. Ambos da importadora Decanter (www.decanter.com.br).

Champagnes e Espumantes: grau de doçura

27 de Outubro de 2010

Muito cuidado na hora de pedir seu champagne seco!

Pouca gente sabe o grau de doçura dos espumantes de um modo geral, respeitando as normas internacionais. Para complicar mais ainda, os termos em francês ou inglês designados, não expressam de forma objetiva, o verdadeiro sentido dos mesmos.

De acordo com o site oficial de champagne (www.champagne.fr), um dos mais completos sites de vinhos, segue abaixo o verdadeiro sentido e significado dos termos, em ordem crescente de açúcar residual:

  • Brut Nature: inferior a 3 gramas por litro. Conhecido também por  Pas dosé ou Dosage zéro, é o mais seco dos espumantes. Embora seja delicioso e o mais indicado para o Caviar, a sugestão deste tipo deve ser feita com reservas, respeitando o gosto pessoal de cada um.
  • Extra-Brut: até 6 gramas/litro. Pode haver um conflito entre este termo e o anterior, ficando a critério do produtor a indicação no rótulo.
  • Brut: inferior a 12 gramas/litro. Outro termo conflitante com os anteriores. Este é o termo correto para pedirmos um espumante seco. Apesar dos valores nominais de açúcar residual parecerem altos, a acidez natural dos espumantes mascaram a sensação de doçura, proporcionando uma percepção fresca e agradável dos mesmos.
  • Extra-dry: 12 a 17 gramas/litro. Apesar da contradição do termo, é possível perceber um leve açúcar residual na sensação final do espumante.
  • Sec ou Dry: 17 a 32 gramas/litro. Termo confuso onde claramente, percebemos uma sensação relativamente nítida de açúcar residual. Esses espumantes vão muito bem com comida chinesa, onde o toque agridoce e a textura levemente oleosa, proporcionam um contraponto interessante.
  • Demi-sec ou Rich: 32 a 50 gramas/litro. Por incrível que pareça, este é o espumante realmente doce. Aliás, este é o ideal para o clássico bolo de casamento, onde a taça deveria ser aquele modelo mais antigo (borda bem larga e bojo bastante achatado). Neste modelo de taça, potencializamos a percepção da acidez, equilibrando a sensação de extrema doçura.
  • Doux: superior a 50 gramas/litro. Termo praticamente em desuso, para espumantes extremamente doces. Este grau de doçura é encontrado na maioria dos espumantes moscatéis elaborados no Brasil, similares ao Asti Spumante.

Outro demi-sec famoso

 

 

Harmonização: Frango Xadrez e Vinho

21 de Abril de 2010

A qualquer hora, um dos campeões do Delivery!

Atire a primeira pedra quem já não discou para os chineses. Mesmo que não seja seu prato favorito, é uma bela solução numa hora de apuros. E até mesmo nestas horas, uma prosaica garrafa de vinho pode e deve tornar o momento agradável e muito mais interessante sensorialmente.

As variações da receita são inúmeras, mas vamos dividí-las com legumes ou com amendoim. Os ingredientes onipresentes são frango em cubos, pimentões, cebola e shoyu. Os legumes podem incluir cenouras, brócolis, acelga, entre outros. O amendoim é uma questão de gosto, pode ser acrescentado ou não.

O prato tem peso médio (normalmente peito de frango)  e é relativamente simples. Portanto, nada de vinhos sofisticados. Lembre-se que temos pimentões que costumam ofuscar sutilezas de grandes vinhos. Um ponto importante é a textura do molho, bastante aveludada quando o prato é bem executado. A crocância dos ingredientes é também uma marca registrada da culinária chinesa.

Uma das melhores opções é um bom espumante, inclusive os nacionais de leve a médio corpo. A acidez e efervescência destes vinhos animam o prato, limpando agradavelmente o paladar da delicada textura oleosa do molho. Se sua opção for pelos legumes, opte por um espumante do método Charmat, onde os sabores frutados e florais vão de encontro ao sabor do prato. Proseccos de boa procedência no estilo Extra-Dry (não tão secos como o Brut) são benvindos.

Se a opção for com amendoim, os espumantes pelo método Champenoise (método Tradicional ou Clássico são sinônimos) apresentam melhor sintonia. Os aromas advindos do contato relativamente prolongado com as  leveduras, além de uma eventual mineralidade, casam melhor com o perfil de frutas secas dado pelo amendoim. Um Cava (espumante espanhol elaborado obrigatoriamente pelo método Clássico) relativamente simples é uma ótima pedida. Não desperdiçe um Cava sofisticado, nem tão pouco um Champagne com amendoins. Não estamos falando de avelãs, amêndoas, nem nozes, e sim de uma semente tupiniquim.

Além dos espumantes, vinhos brancos relativamente leves, frescos e frutados caem bem. Evite vinhos de aromas austeros e minerais como um Chablis por exemplo. O mesmo vale para os tintos. Um Sancerre (Pinot Noir do Loire), um Dolcetto, um Tempranillo Joven ou nacionais sem passagem por madeira são alternativas interessantes.

Por fim, a culinária chinesa é extremamente rica e vai muito além do nosso frango xadrez. Em linhas gerais, os brancos alemães combinam muito bem, principalmente com molhos agridoces e receitas com carne suína. Oportunamente, falaremos sobre o assunto.

 

Temperatura de Serviço

13 de Dezembro de 2009

 

Comodidade, conservação e sofisticação em duas temperaturas diferentes com a grife Eurocave

 

Se você não é muito ligado a todos os detalhes no ritual do vinho, pelo menos um requer  sua atenção: a temperatura de serviço. É claro que não precisamos monitorar cada taça com um termômetro, mas desprezar este item pode prejudicar sensivelmente uma grande garrafa que deve ser cercada de todos os cuidados.

Nenhum vinho deve ser servido a menos de 6ºC e nem acima de 20ºC. Em temperaturas muito baixas nossas papilas gustativas ficam anestesiadas, perdendo a noção exata dos sabores. No outro lado, em temperaturas muito altas o vinho perde seu equilíbrio, principalmente pela volatilização do álcool.

Para calibrarmos as melhores faixas de temperatura de serviço é importante termos a noção exata de como se comporta cada um dos componentes do vinho: acidez, álcool, taninos, açúcar e gás carbônico. Os dois primeiros aparecem em qualquer tipo de vinho, já que álcool está implicíto na definição de vinho e este trata-se de uma bebida quimicamente ácida (pH em torno de 3,5). Os taninos só aparecem em vinhos tintos, o gás carbônico nos espumantes e o açúcar residual destacado, nos vinhos doces ou de sobremesa.

           Acidez                                                                     Álcool

          Taninos                                                    Açúcar residual

          Gás carbônico 

No esquema acima percebemos que os componentes à esquerda ficam sensibilizados quando abaixamos a temperatura. Já os componentes à direita são enaltecidos quando aumentamos a temperatura. Evidentemente, estes componentes não aparecem todos juntos ao mesmo tempo num determinado vinho. Seguem alguns exemplos mais comuns:

  • Vinho branco seco: acidez e álcool
  • Vinhos tinto seco: acidez, álcool e taninos
  • Vinhos doces brancos: acidez, álcool e açúcar residual
  • Vinhos espumantes secos: acidez, álcool e gás carbônico

A seguir, veremos algumas situações específicas onde os erros costumam ser recorrentes:

Grandes champagnes ou espumantes especias

Esquecer esses vinhos no balde de gelo é o fato mais comum. É lógico que a acidez e o gás carbônico ficam mais preservados, mas a temperatura muito baixa esconde aromas maravilhosos dessas cuvées especiais. É bom ter em mente que o mais importante é a qualidade excepcional do vinhobase. Naturalmente, a acidez e a qualidade da espumatização são muito acima da média. Portanto, ao invés de 6 a 8ºC, pule para 8 a 10ºC, e às vezes até 10 a 12ºC. O equilíbrio destes vinhos é fantástico, permitindo que você desfrute sensações aromáticas muitas vezes perdidas.

Grandes vinhos brancos

A explicação é a mesma. Tanto vinhos secos, como doces, a tendência é gelar demais. No caso de secos, o exemplo mais emblemático é a dos grandes brancos da Borgonha. Tudo de alto nível ligado ao nome Montrachet se encaixa neste perfil. Esses vinhos devem ser tomados  na faixa de 10 a 14ºC, dependendo do extrato de cada um. O ideal é gelá-los um pouco abaixo de 10ºC e decantá-los. Este procedimento ajuda tanto na temperatura, como na liberação de aromas. As exceções são ambientes muito quentes, principalmente no verão. Já os grandes brancos doces incluem a elite dos Sauternes, Tokaji, botrytizados da Alsace, Loire e Alemanha. A despeito do alto teor de açúcar residual que esses vinhos possam atingir, o nível de acidez é excepcional, proporcionando um equilíbrio quase natural. Portanto, cuidado com o balde de gelo. Fique também na faixa de 10 a 14ºC.

Vinhos Fortificados

O Porto é o vinho mais típico desta categoria, mas não nos esqueçamos dos Madeiras e dos Jerezes. Aqui o problema se inverte. O álcool é o grande vilão pela própria natureza da fortificação. A maioria desses vinhos apresentam estrutura de taninos discreta, além de muitas vezes estarem totalmente domados. Portanto, vale a pena resfriá-los enfatizando acidez (frescor) e minimizando a ação do álcool. Faixas de temperatura entre 10 e 14ºC são adequadas.

A grande exceção neste grupo é o chamado Porto Vintage, rico em taninos, principalmente quando jovem. Neste caso específico é bom não fugir da faixa entre 16 e 18ºC. A longa decantação neste caso é imprescindível.

Resumindo, existem muitas situações particulares, mas conhecendo bem como se comportam os vários componentes do vinho, o melhor termômetro continua sendo a nossa língua.

Espumantes à mesa

2 de Dezembro de 2009

 

  

Blanc de Blancs e Salmão Defumado: Sinergia de Sabores

Se você pensa que espumantes servem só para comemorações, está perdendo uma ótima oportunidade de levá-los à mesa. Além do nosso clima, uma dieta saudável tem tudo haver com este tipo de vinho. Comidas leves e refrescantes aliadas a espumantes formam um conjunto de baixas calorias, já que esses vinhos (evidentemente no estilo Brut) dificilmente ultrapassam os 12º de álcool, sendo este elemento, o principal fator de calorias no vinho (1º de álcool equivale a 17 gramas de açúcar por litro).

Deixando a balança de lado, vamos às principais características destes borbulhantes vinhos:

  • acidez: componente principal dando vivacidade e frescor ao conjunto. Enogastronomicamente, combate muito bem a gordura, especialmente frituras.
  • gás carbônico: além de colaborar com a acidez, tem um papel muito importante de textura, a chamada mousse, que forma um colchão de ar delicado, principalmente nos espumantes de alta qualidade, limpando o paladar.

Portanto, gordura, sal e texturas não excessivamente oleosas ou cremosas, são excelentes contrapontos para este tipo de vinho. É bom sempre lembrar que, tratando-se de vinhos de corpo relativamente leve, aromas e sabores delicados, pratos muito estruturados, certamente vão sobrepujar os mesmos.

Resumindo, então teríamos o seguinte:

  • Espumantes leves (a maioria dos nacionais, proseccos e grande parte dos cavas). No caso de champagnes é mais complicado. É bom sabermos o estilo de cada casa, mas o chamado Blanc de Blancs é um pedida certa.

Vão muito bem para recepcionar os convidados, as pequenas entradas servidas antes da refeição e pratos leves como saladas, peixes, frutos do mar e aves. É praticamente insubstituível como vinho de recepção, já que mantém de forma admirável o paladar sempre aguçado.

Vale a pena comentar um erro comum com espumantes da Chandon  na recepção. Não se deve iniciar os serviços com o Chandon Excellence, a despeito de sua ótima qualidade. Na realidade, ele é um espumante gastronômico, um pouco pesado  para bebericarmos sem comida. Portanto, vá de Chandon básico para esta finalidade.

Agora, se você optou por iniciar os trabalhos com champagne, lembre-se que está dado o tom da refeição. Daí para frente, a expectativa é sempre esperando o melhor.

  • Espumantes encorpados (normalmente há uma significativa porcentagem de Pinot Noir). Aqui vários champagnes entram em cena, inclusive os rosés. O champagne Drappier é um exemplo emblemático deste estilo.

São espumantes gastronômicos que devem ser levados à mesa. Acompanham muito bem salmão, atum (principalmente os rosés), moqueca capixaba (a baiana tem dendê), aves de sabor mais pronunciado como galinha d´angola, peixes e frutos do mar com molhos mais elaborados, até mesmo carne suína, exceto pernil.

  • Champagnes de Luxo e grandes millésimes envelhecidos (algumas exceções podem ser incluídas como Franciacorta de alta gama).

Nesta categoria a força do perlage já não é tão importante. Aqui o que fala mais alto é a altíssima qualidade do chamado vinhobase. Só assim esses grandes vinhos podem vencer o tempo. Aqui os aromas terciários aliados aos de redução (contato muito prolongado com as leveduras), dão origem a sensações e sabores únicos.

Necessariamente, precisamos de alta gastronomia. Ingredientes como trufas, foie gras, cogumelos selecionados (morilles), carnes nobres (faisão, vitelo, aves de caça) são decisivos.

Caso não haja este arsenal, parta para um prato  de ave com cogumelos do cotidiano e desfrute da nobreza destes vinhos. Embora não ocorra uma sinergia, também não haverá arranhões.

  • Blanc de Blancs diferenciados (Outra exclusidade dos champagnes com raríssimas exceções que efetivamente apresentem mineralidade).

Côte des Blancs é sinônimo de Chardonnay em Champagne e Chardonnay é sinônimo de mineralidade dada pelo cálcario puro que aflora do subsolo da região, conhecido como “craie”.  A personalidade  e a mineralidade de um autêntico Blanc de Blancs são determinantes para a harmonização de alguns pratos específicos, principalmente peixes e frutos do mar in natura como ostras, salmão defumado, caviar, carpaccios  e boa parte da cozinha japonesa (notadamente os sashimis). Há uma pureza de sabores na harmonização  sem qualquer distorção. Muitas vezes, sentimos um sabor final desagradável de maresia quando o vinho é mal harmonizado (vinho de baixa acidez e caráter frutado).

Esta sinergia é exemplificada na  foto de nosso artigo. Senão, vejamos os principais pontos desta harmonização:

  • Peso adequado entre  prato e vinho.
  • O creme azedo sobre a torrada é compensado pela bela acidez do champagne.
  • O sabor marinho do salmão com a defumação formam um par perfeito com a mineralidade e os toques empireumáticos do champagne.
  • A torrada em si é o próprio prolongamento dos característicos traços de brioche do champagne.
  • Em termos de textura, a leve oleosidade do salmão é perfeitamente limpa pela cremosidade do champagne.

Bon appétit!

 

 

Espumantes para o final do ano

29 de Novembro de 2009

Este 100% Chardonnay é páreo duro para os champagnes

É um pecado lembrarmos deles só nesta época. Conhecendo seus estilos é possivel acompanhar toda uma refeição com espumantes, principalmente os mais gastronômicos, dentro de certos critérios de harmonização.

No artigo passado vimos bem a diferença entre champagnes e os demais espumantes. Agora veremos mais algumas dicas na hora de comprar. A primeira delas é conhecermos o verdadeiro teor de açúcar residual destes vinhos que é uma verdadeira confusão:

  • Brut: este é o verdadeiro espumante seco (pode conter até 15 gramas de açúcar residual por litro). O Extra-Brut é um pouco mais seco e o Brut Nature é mais seco ainda.
  • Sec ou Dry: Este não é seco. É meioseco. Pode conter de 17 a 32  g/l de açúcar residual. O termo extra o torna um pouco mais seco, porém mais doce que o Brut.
  • Demi-sec ou Rich: não é meioseco. É doce. Pode conter de 32 a 50 g/l de açúcar residual.
  • Doux: termo em desuso que siginifica muito doce. Contém mais de 50 g/l de açúcar residual

Estes valores podem variar um pouco de acordo com leis específicas para cada região, denominação ou país.

Espumantes nacionais

A média em geral é muito boa nas principais vinícolas da serra gaúcha. Quem não quiser correr riscos a Chandon do Brasil tem uma consistência impressionante sob a batuta de Philippe Mével.

Proseccos

No Brasil virou sinônimo de espumante barato. Portanto, fuja daquela conversa ¨custo/benefício¨. Não tem milagres. Os bons custam de R$ 50 a R$ 100 reais. Alguns nomes como Adami, Nino Franco, Ruggeri e Bisol são confiáveis.

Não espere deste tipo de espumante complexidade e persistência aromática. São vinhos relativamente simples, frescos, ideais para eventos, aperitivos e abertura de jantares.

Cavas

Como já vimos, são espumantes espanhóis elaborados obrigatoriamente pelo método clássico. São mais complexos e mais gastronômicos que os Proseccos em geral, e podem ter custos semelhantes. É uma questão de gosto e finalidade enogastronômica.

Fugindo um pouco de Codorníu e Freixenet, as bodegas Juvé Y Camps e Raventós i Blanc são pedidas seguras.

Champagnes

Para paladares exigentes e bolsos fartos. Não existe champagne barato, pelo menos aqui no Brasil. Procure fugir dos clichês Moët & Chandon e Veuve Clicquot. Não que não sejam bons e dignos da apelação, mas é sua obrigação ser mais original. Para isso vamos falar dos principais estilos de champagne:

  • Blanc de Blancs: Literalmente branco de brancas. Elaborado exclusivamente com Chardonnay, é o estilo mais delicado e mineral. Apesar de aparentemente frágeis, podem envelhercer maravilhosamente bem. Indicado para abrir refeições sofisticadas e pratos que exijam algum tipo de mineralidade. Quando envelhecidos são grandes parceiros de trufas. A foto do artigo anterior (Champagne Salon) é a perfeição deste estilo.
  • Brut non Vintage: é o carro-chefe de uma maison de champagne. De grande produção e sem indicação de safra (uma mistura de alguns anos). Geralmente é elaborado com as três uvas permitidas: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Nomes como Drappier, Pol Roger, Gosset, Louis Roderer, Bollinger e Krug são altamente confiáveis.
  • Blanc de Noirs: Geralmente não é um termo utilizado nos rótulos, mas significa que temos alta porcentagem de Pinot Noir. São champagnes encorpados e gastronômicos. Não devem ser servidos como aperitivos. Um exemplo clássico deste estilo é o Drappier.
  • Cuvées de Luxo: É o máximo em sofisticação. Geralmente são safrados e proveem das melhores misturas de cada maison. De produção muito limitada, são complexos e de alta gastronomia, podendo envelhecer com muita propriedade. Dom Pérignon, La Grande Dame, Cristal, Bollinger RD, Pol Roger Winston Churchill são sempre lembrados.

Para aqueles que gostam de champagnes safrados, que são raros, sofisticados e caros as melhores safras não tão antigas são: 2002, 1998, 1996, 1995, 1990, 1985 e 1982.

Os champagnes de safra devem envelhecer. A espera sempre vale a pena. Tomá-los a partir do décimo ano.

Uma útima recomendação: na hora de abri-los por favor, sem barulho.

Boas Festas!