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California Wine Regions: Parte IV

6 de Março de 2014

Dando prosseguimento imediatamente ao sul da Costa Norte californiana, temos cerca de quinhentos quilômetros de litoral denominado Costa Central, terminando um pouco antes de chegar a Los Angeles. São nove condados com diversas AVAs importantes. Vamos a seguir, às mais importantes.

Central Coast: principais AVAs

Livermore Valley

São dois mil hectares de vinhas onde o destaque é Sauvignon Blanc. No século XIX foram trazidas mudas do Château d´Yquem e desde então, o estilo deste Sauvignon Blanc local é o mais próximo de Graves, região bordalesa pelos famosos brancos. Outra curiosidade, é que cerca de oitenta porcento do Chardonnay da Califórnia parte de clones geneticamente desenvolvidos na região.

Monterey

Este condado com dezesseis mil hectares de vinhas abrange nove AVAs. A AVA homônima Monterey apresenta alta produção, superando Napa Valley. Evidentemente, a qualidade não acompanha toda esta quantidade. Uma AVA de categoria é Santa Lucia Highlands, região montanhosa beneficiando-se das frias brisas do Pacífico. Pinot Noir e Chardonnay têm grande destaque. Aqui encontra-se o vinhedo Mer Soleil, um branco de grande impacto da vinícola Caymus.

San Luis Obispo County

A maior AVA deste condado é Paso Robles com dezesseis mil hectares de vinhas. O clima relativamente quente é favorável à Zinfandel e uvas que fazem o estilo Rhône. Já Edna Valley num clima mais influenciado pelo Pacífico, produz belos Chardonnays com um frescor cítrico a lima. Por último, Arroyo Grande, também de clima frio, elabora interessantes Chardonnays e Pinot Noir.

Santa Barbara County

Esta área ficou famosa com o filme Sideways onde o ator protagonista era apaixonado pela Pinot Noir. Com isso, um quarto do cultivo de vinhas é destinado a esta nobre cepa. O condado abrange quatro AVAs (Santa Maria Valley, Santa Ynez Valley, Santa Rita Hills e Happy Canyon of Santa Barbara), sendo as duas últimas de menor importância.

A influência do Pacífico é decisiva para um clima relativamente frio para padrões californianos, muitas vezes mais frio que a Côte d´Or na Borgonha, alongando o ciclo de maturação da uvas, sem o risco de chuvas. Pinot Noir e Chardonnay de destacada acidez com bom balanço. Uvas do Rhône como Syrah, Viognier e Roussanne, são destaques neste cenário.

Santa Cruz Mountains

Voltando ao norte da Central Coast, este condado montanhoso é de clima frio. Com vinhedos mais antigos que Napa Valley, eles são mais espaçados e em menor número. O mais famoso é sem dúvida o vinhedo Monte Bello da vinícola Ridge. Seu sedutor Cabernet Sauvginon envelhece maravilhosamente, sendo páreo duro para os mais afamados Bordeaux. Uvas como Chardonnay e Pinot Noir são também destaques.

O condado a leste de Santa Clara não tem o mesmo brilho. Trabalha com muitas varietais, tintas e brancas, mas ainda é uma promessa.

Que Marravilha!: Picanha de Porco ao Molho de Mel

12 de Setembro de 2013

Esta é uma das receitas de Claude Troisgros no programa Que Marravilha! do canal GNT. É uma receita mineira com toque francês cujos os ingredientes e o modo de preparo estão no endereço abaixo, após a foto de prato já servido.

Picanha suína ao molho de mel

Picanha suína no lugar do lombo

O arroz de taioba foi substituído pelo risoto (técnica italiana). A propósito, taioba é uma folha grande, parecida com a couve, inclusive no sabor, mas com um final levemente amargo. As maçãs verdes substituem as tradicionais batatas, muito usadas na cozinha mineira. A picanha suína entra no lugar do lombo por ser uma carne mais saborosa e macia.

http://gnt.globo.com/receitas/Picanha-suina-ao-forno-servida-com-risoto-de-taioba.shtml

Pelos ingredientes apresentados, o prato é rico em sabor com toques claramente agridoces. Em termos de harmonização, eu faria mais uma modificação na receita, trocando o vinho tinto da marinada pelo vinho branco, pois os sabores principais do prato fluem melhor com a companhia de um branco. Contudo, precisa ser um branco de personalidade e boa textura. Minha primeira opção seria um Pinot Gris da Alsácia, preferencialmente do excelente produtor Zind-Humbrecht. Seus aromas ricos, textura macia, acidez no ponto certo e o característico toque de doçura, são perfeitos para o prato. Podemos pensar também num belo Borgonha branco da comuna de Meursault com características semelhantes. Um Viognier de boa textura e com leve passagem por barrica também é uma boa opção, embora o caráter floral seja mais incisivo. A apelação Condrieu no sul da França (Rhône) tem mais chances de sucesso.

Agora voltanto à receita original, marinada no vinho tinto, devemos manter a cor do vinho na harmonização. Pelo caráter agridoce do prato, precisa ser um vinho bastante rico em frutas, mantendo um belo frescor. Merlots mais potentes, tintos do Alentejo com muita fruta e jovens, tintos do sul da Itália como Primitivo de Manduria ou Negroamaro, são as opções imediatas. Para um vinho americano, um Zinfandel cheio de frutas é uma escolha interessante. Em resumo, equilibrar o caráter agridoce do prato é fundamental.

Château-Grillet: A apoteose da Viognier

10 de Junho de 2013

No artigo comentado sobre o estupendo vinhedo francês, Coulée de Serrant, foram mencionados outros grandes brancos da França. Dentre eles, o Château-Grillet, ainda não devidamente comentado “comme il faut”. Assim como Coulée de Serrant, este grande branco calcado na exótica cepa Viognier, goza de apelação própria num vinhedo de apenas 3,8 hectares. Portanto, Château-Grillet está para a apelação Condrieu no Rhône Norte, assim como Coulée de Serrant está para a apelação Savennières no Loire, ou seja, um enclave dentro da apelação mais genérica.

File:Chateau Grillet.JPG

Garrafa discreta, no atípico estilo alsaciano

Só para nos situarmos, seguem abaixo as principais apelações do chamado Rhône Norte, onde os tintos predominam. Outra apelação famosa por grandes brancos, é Hermitage, baseado nas uvas Marsanne e Roussanne. Normalmente, os vinhos elaborados com a casta Viognier são para ser tomados relativamente jovens, sobretudo pela baixa acidez natural. É o que acontece com a grande maioria dos vinhos sob a apelação Condrieu. Contudo, Château-Grillet parece ser uma exceção. Além do mais, sua elaboração engloba passagem por barricas, proporcionando maior estrutura ao vinho.

Principais apelações do Rhône Norte

A foto abaixo, mostra um vinhedo escarpado, lembrando um pouco a região do  Douro, onde as vinhas são plantadas em socalcos (muros de pedra para a contenção do terreno). As declividades podem ultrapassar os cinquenta por cento, lembrando também os vinhedos do Mosel na Alemanha.

Vinhedo imponente plantado em socalcos

Quanto ao solo (esquema abaixo), temos um subsolo rochoso à base de granito. O solo propriamente dito baseia-se em mica, areia grossa misturada com quartzo e granito decomposto em forma de pedras. Segundo os terroiristas, esta incrível mineralidade é a grande responsável pela longevidade deste vinho, muito mais que componentes como acidez, por exemplo. As vinhas apresentam densidade de pelo menos oito mil pés por hectares, gerando um rendimento em torno de 37 hectolitros por hectare.

Subsolo de base granítica

O vinhedo foi adquirido recentemente (2011) por François Pinault, proprietário do grandioso bordalês Château Latour (Pauillac), até então nas mãos da família Neyret-Gachet. Além do vinho, são produzidos no château duas eau-de-vie: Fine du Château-Grillet e Marc du Château-Grillet. Como já vimos em artigos anteriores, Fine refere-se ao destilado produzido a partir do vinho descartado para o Grand Vin, e Marc é o destilado a partir do bagaço das uvas na elaboração do Grand Vin, semelhante à grappa (italiana). Favor verificar artigo intitulado “Destilados: Marc e Fine Bourgogne.

Vinho e Gastronomia

O vinho, evidentemente, mostra as principais características da Viognier: aromas florais, pêssegos, damascos, mel, e alguns toques cítricos suaves. No envelhecimento, amêndoas e trufas se fazem presentes. Em boca, é um vinho sedoso, macio, acidez moderada, bela mineralidade, e expansivo, necessitando de decantação. Na juventude, faz boa parceria com peixes e carnes brancas acompanhadas de molho agridoce. Já com bons anos em adega, é companheiros de pratos requintados á base de trufas.

O vinho no Brasil pode ser encontrado na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) da ótima safra de 2009. Para aqueles que podem adquiri-lo no exterior, os preços são bem mais atraentes, além de safras já envelhecidas, dificilmente encontradas em nosso país.

Verão, Praia e Vinhos: Parte I

30 de Dezembro de 2012

Janeiro, férias e praia. Uma trilogia quase inevitável. É hora de descansar, relaxar, enfim, recompor-se para o ano que está começando. À mesa, refeições mais leves, mais frugais, sem hora para começar ou terminar. O vinho, muitos vezes substituído pela cerveja, pode ficar em segundo plano. Contudo, vez por outra, em condições mais adequadas, podemos desfrutar desta agradável companhia.

Maresia, leveza e frescor

Nesta série de verão na praia, vamos propor algumas harmonizações simples, agradáveis e bastante informais. Seja na casa de praia ou hospedado em hotéis, ou fazendo as refeições em restaurantes, os vinhos podem estar à disposição, mesmo que as opções sejam restritas. Principalmente em restaurantes, por uma questão de preço, é sempre bom olhar os espumantes nacionais tipo Brut (não esqueça deste detalhe). Normalmente, são versáteis, seguros e não tão caros. Podem abrir uma refeição com charme e descontração, começando pelos petiscos, couvert, casquinha de siri, anéis de lula, mariscos ou polvo ao vinagrete, iscas de peixe empanadas e tantas outras atrações do litoral. A acidez, a leveza, e a textura da mousse, deixa a harmonização agradável e estimulante. Como dica, a Chandon do Brasil é sempre um porto seguro. Entretanto, se aparecer na carta de vinhos Cave Geisse, não tenha medo. É um dos melhores nacionais na atualidade.

Numa segunda estapa, com os pratos principais escolhidos, pode haver necessidade de mudar o vinho. Se então for necessário, parta para um branco de maior densidade. Neste caso, o Chardonnay fermentado em barrica é o vinho emblemático. Procure escolher um levemente amadeirado. Ele vai combinar com peixes assados de carne mais firme e saborosa, molhos mais densos, ensopados mais vigorosos, e assim por diante. Na mesma linha do Chardonnay, alguns Sémillons (sobretudo África do Sul) e alguns Viognier (algumas opções uruguaias) costumam apresentar densidade e textura semelhantes.

Até agora não falamos de tintos porque de fato, neste cenário, eles são absolutamente desnecessários. Aproveitem o verão com a temperatura refrescante dos brancos e espumantes, a leveza, o frescor, os aromas estimulantes que só eles podem nos porporcionar. Não tenham preconceito de cor. Isso vale até para os vinhos.

Continuamos com mais brancos para o verão no próximo artigo. Até lá!

Harmonização: Bolo de Erva-Doce e Tâmaras

23 de Dezembro de 2012

Para aqueles que gostam de sobremesas delicadas, aromáticas e com açúcar comedido, este bolo de erva-doce é uma bela opção do chef Laurent Suaudeau.

Bolo de Erva-Doce: receita milenar

As tâmaras apesar de decorativas, fazem parte da receita e influenciam na harmonização. Evidentemente, a erva-doce é o ingrediente principal, seguido pelo mel, ovos, farinha, manteiga, uma pitada de sal e bicarbonato de sódio. A receita não leva açúcar. Dê um zoom na foto, e veja a receita.

A primeira observação na harmonização é que o vinho não precisa ser tão doce, basta que  ele iguale ou supere um pouquinho a doçura do bolo. O perfume dado pela erva-doce vai de encontro com vinhos de sobremesa baseados nas uvas Gewürztraminer ou Moscatel. Um Vendange Tardive da Alsácia é uma ótima opção. Dependendo da doçura, um alemão Spätlese ou Auslese, não necessariamente da uva Riesling, também soluciona o problema.

Colocando as tâmaras em jogo, seus sabores cairão muito bem com os belos Madeiras. Basta calibrarmos o açúcar. Um Boal, é a alternativa mais certeira, mas um Verdelho não está descartado. Neste mesmo blog, há um artigo específico sobre o vinho Madeira em cinco partes.

Voltando aos moscatéis, é importante pensarmos nos mais delicados. Não é o caso do Moscatel de Setúbal, um dos grandes fortificados da Terrinha, mas francamente dominante na harmonização. Uma boa fonte, seria os belos moscatéis de colheita tardia da África do Sul, culminando no histórico Vin de Constance, revitalizado pela vinícola Klein Constantia. Os moscatéis do Languedoc, abordados recentemente neste mesmo blog, como Frontignan e Lunel, são bastante adequados e delicados, embora sejam elaborados pelo método de fortificação. Encerrando os moscatéis, uma alternativa cômoda, segura e bastante sugestiva para a ocasião, é o Asti Spumante (DOCG do Piemonte) ou suas ótimas versões brasileiras de diversas vinícolas da serra gaúcha. Apesar da doçura, sua delicadeza e leveza vão de encontro à harmonização.

Embora sejam mais raros, alguns vinhos de colheita tardia com a aromática Viognier, são alternativas interessantes e originais. Chile, Argentina e Uruguai, apresentam algumas opções em nosso mercado. Austrália e Estados Unidos também são fontes seguras, mas com poucas opções ao alcance.

Enfim, uma receita de bons presságios, delicada, tendo como lembrança, os caroços  das tâmaras para o ano vindouro. Feliz 2013 a todos!

Harmonização: Virado à Paulista

27 de Fevereiro de 2012

Este prato é a cara de São Paulo. Principalmente, por ser servido tradicionalmente às segundas-feiras no tempo em havia uma certa disciplina no cardápio semanal dos restaurantes e botecos para restaurar os paulistanos no seu árduo dia a dia. Segunda-feira, trabalho e virado. Nada mais paulistano.

Evidentemente, naqueles tempos não se falava em vinho. Uma cerveja bem gelada resolvia o problema. E ainda hoje resolve. Não queremos de forma nenhuma quebrar esta tradição. Ocorre que atualmente, o Virado ficou chique. É servido em restaurantes finos com a bandeira de resgatar as boas tradições. Neste contexto, há espaço para o vinho, ator principal dos assuntos deste blog.

Virado: tem algo da feijoada e de cozinha mineira

Os ingredientes são: tutu de feijão, arroz branco, couve refogada, bisteca de porco, banana à milanesa, torresmo, linguiça e ovo frito (de preferência com a gema mole). Um prato rústico e bastante saboroso, mesclando o amarguinho da couve, o doce da banana, o defumado da bisteca e da linguiça, a untuosidade do tutu, o sal do torresmo e a gordura que envolve as preparações.

O vinho em primeiro lugar deve ser simples. Nada de medalhões. Eles ficarão constrangidos com a simplicidade do prato. Se for tinto, procure um vinho de corpo médio, jovem, com poder de fruta, pouco tânico e de bom frescor. A fruta vai compensar o lado doce da banana e amenizar o amarguinho da couve. O frescor, a acidez vai dar vivacidade ao prato, além de combater o lado gorduroso do torresmo, da bisteca e da linguiça. Será benvinda uma discreta passagem por madeira no vinho a fim de encontrar eco no toque defumado das carnes. Um aspecto importante no vinho é a maciez equilibrando a textura do tutu de feijão.

Do exposto acima, um Merlot nacional de um bom produtor para ficarmos com um vinho também regional, parece ser uma boa escolha. Mais uma vez insisto, nada de Merlots topo de gama, com muita madeira, extremamente encorpados e amadeirados. Um bom Merlot de linha média como o Merlot Salton da linha Volpi, por exemplo. Um Malbec argentino neste raciocínio, também cairia bem.

Se for um vinho branco, um Chardonnay do Novo Mundo jovem, frutado e com leve passagem por barrica, é o mais adequado. Um Sémillon australiano ou um Viognier do Languedoc (sul da França) são boas alternativas. A propósito, a importadora Zahil (www.zahil.com.br) tem um Viognier da Domaine François Lurton bem adequado ao nosso tema.

Se tudo isso não der certo, peça uma cerveja bem gelada e encare a semana que está só começando.

Harmonização: Brancos secos

4 de Agosto de 2010

Como sommelier, vejo com muita preocupação a irrisória participação de vinhos brancos nas mesas de restaurantes. Não porque estamos num país tropical,  mas pela falta de sensibilidade dos consumidores, em abrir mão deste tipo de vinho em harmonizações que podem ser extremamente agradáveis.

Principalmente com entradas, pratos leves, que exigem acidez, os brancos podem e devem anteceder tintos, conforme os pedidos que se seguirão. Além disso, eles vão muito bem com courverts e são extremamente adequados para um brinde inicial.

Acidez e mineralidade notáveis

O trio acima resolve vários problemas, sobretudo molhos de maior acidez, maresia (destaque para a culinária japonesa) e pratos defumados. Portanto, o que outros tipos de vinho, principalmente tintos, teriam dificuldade, um Sauvignon Blanc incisivo (Pouilly-Fumé), um Riesling ou um Chenin Blanc (Savennières), tiram de letra.

O grande problema é quando aparece alguma doçura nos chamados molhos agridoces. Esses vinhos por serem extremamente secos e pungentes, dão uma sensação de acidez mais aguda. Neste caso, um riesling alemão com leve doçura, resolve a questão. Pode ser um Kabinett, um Spätlese ou um Auslese, conforme o produtor e a característica da safra.

Características de corpo e maciez

A Chardonnay personifica o branco gastronômico, capaz de acompanhar vários pratos à mesa por sua estrutura e maciez. A exceção clássica fica por conta do Chablis, devido a características específicas de terroir. Normalmente, os chardonnays passam pela fermentação malolática, além de contato mais ou menos prolongado com barricas. Daí, sua maciez, corpo e estrutura. Pratos de peixes e frutos do mar com molhos cremosos são clássicos parceiros destes vinhos.

Se você gosta de maciez, um toque floral, sem o incômodo da madeira, a Viognier é uma boa opção. Originária do Rhône Norte, é a base da apelação Condrieu. Vai muito bem com peixes e carnes cozidos no vapor, dando vivacidade ao conjunto com sua delicadeza. Argentina e Uruguai têm boas opções no mercado a preços convidativos.

Aromaticidade e exotismo

As uvas acima, Torrontés e Gewürztraminer podem não agradar todos os paladares, principalmente, se forem mal trabalhadas, beirando a vulgaridade. Entretanto, na mão de produtores sérios, podem gerar vinhos  bem equilibrados e agradavelmente aromáticos.

A Torrontés, bem cultivada na Argentina, encontrou em Salta seu verdadeiro terroir. São vinhos frescos, leves e delicados, capazes de acompanhar entradas e pratos com um toque agridoce e que de alguma maneira evoquem aromas cítricos e herbáceos. Só não funcionam, se o prato exigir muita acidez.

Já a Gewürztraminer com sua inconfundível nota aromática de lichias, normalmente apresenta textura e corpo mais ricos. Pratos da cozinha indiana à base de curry e especiarias encontram eco neste tipo de vinho. O cuidado é ser comedido na pimenta, pois esses vinhos não costumam apresentar grande acidez. Uma bela harmonização é um legítimo Gewürz da Alsácia  e Pato com Molho de Laranja.

Concluindo, este é um pequeno arsenal no inexplorado mundo dos Brancos. Outras uvas ou denominações específicas podem ser testadas de acordo com a curiosidade de cada um. Afinal, as opções à mesa podem e devem ser bem mais abrangentes.