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Degustação World Wine: Destaques

4 de Maio de 2017

Em mais um evento sobre vinhos e produtos gourmet, a importadora World Wine mostrou parte de seu extenso portfolio com alguns vinhos interessantes, inclusive levando-se em consideração preços relativamente modestos, o que em época de crise, ganham destaque. Então, vamos a eles.

preços camaradas

Os vinhos acima prestam-se bem ao consumo do dia a dia, sem grandes cerimônias, para beber nas refeições frugais. Temos um branco do Dão (Morgado Silgueiros), região portuguesa tradicional que molda vinhos equilibrados, com muito frescor, e bastante gastronômicos. O Primo Primitivo Puglia IGT é um belo vinho para este inverno. Macio, agradavelmente quente, esperando aquela massa com molhos densos e condimentados. Por fim, outro tinto macio, desta vez do Alentejo. Um corte nobre para esta categoria de vinho com a participação da Alicante Bouschet e Touriga Nacional. Bom corpo, taninos bem moldados e relativamente persistente. Todos eles, a preços em torno de R$ 40 reais. Além de tudo, originais.

para dar o início …

O trio acima, com preços em torne de 80 reais, é composto de brancos distintos para dar início a jantares, recepções, ou mesmo para aperitivar. O Prosecco Extra Dry, melhor dizendo off-dry, tem leve açúcar residual equilibrado por agradável acidez. No mar de proseccos insípidos é algo acima da média. Já o Sauvignon Blanc Reserva da Conosur, mostra-se fresco e mineral, bem de acordo com o terroir de Casablanca. Finalizando, um Torrontés original das grandes altitudes de Salta, região norte do vinhedo argentino. Este curiosamente passa por algum contato com a madeira. No entanto, nada atrapalha sua fruta e frescor. Pelo contrário, ganha certa complexidade. Bom para comidas asiáticas bem temperadas, sobretudo pratos tailandeses.

vizinhos em destaque

Uruguai, Chile e Argentina, são os destaques do trio acima. Por preços em torno de 100 reais, temos tintos interessantes para este inverno. O argentino Chakana vem do Valle de Uco, mesclando Malbec com pequenas parcelas de Cabernet Sauvignon deste terroir que ultrapassa os 1200 metros de altitude. Belo frescor, muita fruta, vibrante, e taninos de boa textura. No caso uruguaio, um Tannat autêntico, louco por um bife de chorizo. Baseado em baixos redimentos de vinhas mais antigas, tem a força e estrutura da casta Tannat, acompanhado de certa elegância, no lugar da habitual rusticidade. Admite até uma certa guarda. Do lado chileno, o belo terroir de Colchagua, moldando a difícil casta Carmenère. Madeira na medida certa, a pequena porcentagem de Cabernet Sauvignon fornece estrutura necessária ao conjunto.

cada qual em seu estilo

Aqui entramos numa gama de vinhos mais diferenciados. Coyam, um clássico chileno dos vinhedos Emiliana. Bodega localizada no elegante terroir de Colchagua, elabora este tinto num corte inusitado envolvendo várias uvas. Principalmente, Syrah, Carmenère e Merlot. Os vinhedos mais antigos datam de 1992. Com baixos rendimentos, o vinho estagia cerca de 12 meses em barricas predominantemente francesas. Tinto macio, envolvente, de final persistente e sedoso.

Fazendo par na foto acima, temos a linha 20 Barrels de alta qualidade da bodega Cono Sur. Elaborado a partir de Cabernet Sauvignon de Pirque, porção de prestigio do chamado Alto Maipo ( o melhor terroir chileno para esta casta), tem uma pitada de Syrah (5%). Passa 17 meses em barricas francesas. Tinto de concentração, taninos presentes e de ótima textura. Boa presença em boca, podendo ser adegado por alguns anos ainda. Pede carnes robustas e suculentas.

para momentos especiais

Separamos para o final dois tintos para momentos especiais, fugindo da mesmice do dia a dia. Que tal tomar um Malbec de Salta!; com vinhas plantadas em 1975 a 1750 metros de altitude. Solos diferenciados e condução de vinhedo especial (parral ou latada) fornecem condições para uvas perfeitamente maduras e equilibradas. O vinho depois de longa maceração, passa cerca de 12 meses em barricas francesas e americanas. Tinto de presença, bela concentração, suavidade e persistência. Taninos bem fundidos com a fruta e madeira. Um Malbec fugindo do habitual.

Eis agora um vinho para o inverno (foto acima à direita), Dal 1947 Primitivo di Manduria Vigne Vecchie, proveniente de parreiras com mais de 70 anos (uva Primitivo). Denso, quase doce em boca, macio, envolvente, e persistente. Com certeza, vai bem com chocolate 99% Lindt. Evidentemente, um tinto moldado para pratos substanciosos, guisados e assados envoltos em molhos densos e cheios de sabor. Um vinho que separa os homens dos meninos …

Agradecimentos a World Wine. Maiores informações sobre preços e safras, consultar o site da importadora. http://www.worldwine.com.br

Sommelier: ser ou não ser?

8 de Outubro de 2016

Esta é uma profissão glamorosa em seu conceito, mas que requer dedicação e sacrifício em seu exercício. E aqui estou falando do verdadeiro sommelier de salão, dedicado a um restaurante. No Brasil, tornar-se um sommelier para exercer a profissão no mercado é relativamente simples. Basta por exemplo, fazer o curso na ABS-SP, passar pelas provas e com pouco mais de um ano, você está apto a ingressar no mercado de trabalho. Um pouco de dedicação e interesse são ingredientes suficientes para alcançar o objetivo.

Ocorre que este é apenas o começo do que deve ser uma longa estrada. O mundo dos vinhos, bebidas, gastronomia, e toda a arte em torno da mesa, é extenso, dinâmico, exigindo permanentes estudos, aperfeiçoamentos, e atualizações. E é exatamente neste ponto que mora o problema. A maioria das pessoas contentam-se com o mínimo necessário, apenas para executar com relativa eficiência os trabalhos corriqueiros do dia a dia.

muscat-dalsace

Exótico Moscatel seco

(sem passagem por madeira, aromas intensos de frutas e flores, textura macia e final persistente)

A ABS-SP periodicamente, realiza certificações a candidatos que tenham interesse e competência na realização dessas provas, outorgando um pin diferenciado que poucos sommeliers possuem no país. É sem dúvida, uma maneira de motiva-los e incentiva-los em busca permanente de novos conhecimentos e aperfeiçoamentos na profissão.

Nesta última certificação ficou bem claro o nível dos sommeliers disponíveis em nosso mercado, que longe de ser ruim, ao mesmo tempo, está longe da excelência. Dos cincos candidatos, pelo menos dois estouraram o tempo de trinta minutos para a realização total da prova. Falaremos a seguir, das várias etapas.

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margem direira em frente ao Médoc

(excelente safra, mostra-se jovem, taninos presentes e bem equilibrado)

A primeira etapa tratava-se da análise de vinhos e bebidas. Inicialmente, três vinhos às cegas. Um branco da Alsace (Muscat d´Alsace), um Bordeaux tinto (Côte de Blaye) e um IGP (Indicazione Geografica Protetta) da Puglia. Independentemente dos detalhes, os candidatos pecaram numa análise extremamente prolongada, mostrando claramente a falta de objetividade na questão, sobretudo se levarmos em conta que esta primeira etapa tem uma participação bastante modesta no cômputo geral das notas. Disso, certamente resultou a principal razão de estourar o tempo ou faze-lo em seu limite.

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frutado exuberante da Puglia

(cor intensa, muita fruta, maciez, e agradavelmente quente)

Sequencialmente aos três vinhos, foram apresentados às cegas, em taças negras, quatro destilados absolutamente corriqueiros no principais bares de restaurantes, e de conhecimento da imensa maioria das pessoas acostumadas com este tipo de bebida. Gim, tequila, cachaça, e rum, respectivamente. Bastava somente identificar a bebida. Tanto a tequila, como o rum, foram as bebidas suscetíveis de maior erro.

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presentes nas boas casas do ramo

Já à mesa, os candidatos deveriam atender um grupo de quatro amigos que gostariam de provar um menu completo da cozinha árabe (libanesa) com entrada, dois pratos e sobremesa, acompanhado por vinhos brasileiros. As opções de harmonização foram mais variadas para o prato de kafta (espeto de carne moída) com diversos tintos, mudando o tipo de uva. Na sobremesa que envolvia massa folhada, frutas secas e calda de flor de laranjeira, a sugestão recaiu sobre um espumante Moscatel pela similaridade de toques cítricos e florais, embora faltasse textura e talvez até mesmo açúcar para confrontar o doce. O mais correto seria um Moscatel de Setúbal, pois as opções de vinhos de sobremesa brasileiros são limitadas.

Como itens obrigatórios neste tipo de prova, tivemos o serviço de um espumante como cortesia da casa, e a decantação de um tinto envelhecido com claras evidências de sedimentos na garrafa (Chateau Latour 1966). O serviço do espumante, fato corriqueiro no dia a dia dos sommeliers de salão, foi relativamente bem executado por todos. Já a decantação à vela, fato na prática, extremamente raro em mesas brasileiras, decepcionou de modo geral. O mais incrível é que ninguém tirou o vinho do cesto para proceder a decantação, operação costumeiramente vista em vários vídeos demonstrando a operação.

As perguntas sobre o queijo espanhol Manchego, sobre a uva Boal, e sobre a uva Muscat, foram respondidas de forma extremamente sucinta, sem maiores considerações. Isso quando respondidas corretamente. Por fim, uma correção de carta de vinhos com erros relativamente simples, respondida adequadamente por alguns de forma parcial.

Em resumo, fica o alerta para aqueles que pretendem destacar-se na profissão e que principalmente, desejem participar de concursos internacionais; mais afinco e objetividade no conhecimento teórico, e traquejo no serviço de salão com rapidez e eficiência.

Harmonização: Cordeiro em Roupa de Berinjela

14 de Abril de 2014

Como sugestão para a Páscoa, uma receita original do chef Claude Troisgros no programa Que Marravilha!, conforme vídeo abaixo:

http://gnt.globo.com/quemarravilha/receitas/

Para assistir este vídeo, clique no endereço acima e em seguida procure por receitas com cordeiro.

Essa é uma receita com muitos ingredientes e ciladas. Temos maçã verde, molho de soja, limão, uva passa, curry, que formam um conjunto agridoce. Como trata-se de um prato principal com carne vermelha, não devemos ter doçura no vinho. Porém, um tinto com muita fruta faz o mesmo efeito.

Como a carne é muito macia, um filé mignon de cordeiro, não precisamos de vinhos muito tânicos. Aliás, os taninos nesta receita precisam ser dóceis e comedidos, pois a acidez (limão e maçã) e o sal (molho de soja) são inimigos potenciais. Um bom bordeaux de margem direita baseado na uva Merlot, um Pomerol jovem por exemplo, tem maciez, fruta vibrante e frescor, suficientes para o prato. 

Outra alternativa interessante, se pensarmos na berinjela, nas ervas e no curry, principalmente, é um bom tinto do Rhône Sul, jovem, vibrante e com muita fruta baseado na casta Grenache. Pode ser um Côtes-du-Rhône Villages de um produtor confiável. Uma boa dica é Domaine La Soumade da importadora Zahil (www.zahil.com.br).

Os Villages são mais confiáveis

Saindo da França, um tinto português do Alentejo é uma opção interessante. Um tinto do sul da Itália com a uva Primitivo (região da Puglia) ou um Cannonau di Sardegna com a uva Grenache, são alternativas confiáveis. O importante é que nessas opções o vinho seja jovem e com muita fruta.

Para opções do Novo Mundo, o cuidado é escolhermos tintos com suporte de acidez, já que a intensidade de fruta nunca é problema. Malbecs do Valle de Uco, região mendocina mais fresca, são mais confiáveis. Um Shiraz australiano bem equilibrado de Hunter Valley cumpre a missão. Clare Valley é uma região australiana mais fresca também.

Como fazer a berinjela:
Ingredientes:
1 berinjela
Azeite
Sal
Pimenta

Modo de preparo:
Corte a berinjela em fatias longas de 2 milímetros de espessura. Frite no azeite e tempere com sal e pimenta. Reserve.

Como fazer o filé do carré de cordeiro:
Ingredientes:
2 carrés de cordeiro desossados e limpos
2 colheres de azeite extravirgem
2 dentes de alho inteiros com casca
Sal (a gosto)
Pimenta (a gosto)
Tomilho (a gosto)
Alecrim (a gosto)

Modo de preparo:
Tempere o cordeiro com sal e pimenta e frite de todos os lados no azeite. Enrole a carne na berinjela e feche no PVC. Guardar por 30 minutos na geladeira e, em seguida, retirar do PVC. Asse em um pirex com azeite, os alhos inteiros, alecrim e louro, durante 8 minutos, a 180ºC, para a carne ficar mal passada. Ao ponto, o tempo é de 10 minutos, enquanto para fazer a carne bem passada o tempo no forno é de 12 minutos.

Como fazer o molho curry:

Ingredientes:
100g de manteiga
1 colher de alho picado
2 colheres de cebola roxa picada
2 tomates em cubos
1 colher de curry madras picante
50g de uvas-passas pretas
½ limão (somente o suco)
50ml de molho de soja
Salsa crespa picada (a gosto)
Sal (a gosto)
Pimenta (a gosto)

Modo de preparo:
Prepare uma manteiga noisette e acrescente alho, cebola roxa, tomate em cubos, passas, curry madras e deixe suar. Deglacer com suco de meio limão e o molho de soja. Agora, tempere e coloque salsa picada.

Como preparar a maçã verde:

Ingredientes:
2 maçãs verdes
1 gota de azeite extravirgem

Modo de preparo:
Corte a maçã com pele em fatias de ½ cm (3 fatias por pessoa). Frite em uma frigideira antiaderente com uma gota de azeite, somente de um lado. Vire no prato e retire o miolo.

Montagem do prato:
Corte o cordeiro em dois e coloque-os sobre as maçãs. Regue com o molho e finalize com alho, tomilho e o alecrim do cozimento do cordeiro.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde no Jornal em Três Tempos.

Final de Ano: Harmonização Parte II

16 de Dezembro de 2013

Continuando nossa harmonização para o final de ano, vamos agora ao segundo prato e à sobremesa. Após os frutos do mar do primeiro prato, nada melhor que um belo Magret de Canard ao Molho de Mel com Crisps de Risotto.

Quando se faz o magret (peito de pato fatiado) é importante o ponto da carne, malpassado ou no máximo ao ponto. Nesta receita, o magret passa por uma marinda com mel, vinagre de vinho (tinto ou branco, conforme a escolha do vinho), gengibre, suco de laranja e molho de soja. Sele o magret numa frigideira untada de manteiga. Cuidado com a quantidade de manteiga, pois temos a gordura natural do peito do pato. Reserve o magret e usando a mesma frigideira, junte a marinada reduzindo este molho e finalizando com um pouco de manteiga.

Para o risoto, utilize um bom caldo de galinha ou de legumes, incorporando um pouco de queijo parmesão. Deixe esfriar, leve-o à geladeira e depois corte-o no formato que preferir. Em seguida, doure-o numa frigideira untada com manteiga ou azeite e sirva como guarnição do magret, conforme foto abaixo.

magret molho de mel

Magret de Canard: acessível nos tempos atuais

Para a harmonização, há opções de tintos e brancos, mas minha preferência para esta receita é um branco com a uva Gewurztraminer, evidentemente da Alsácia. É um branco de corpo, aromático, com uma bela sintonia para o mel, gengibre e os toques cítricos da laranja. Seu açúcar residual e e uma acidez suficiente para o prato, são componentes importantes para uma boa harmonização. O produtor Zind-Humbrecht faz belos vinhos com esta cepa, com vinhos precisos para as características acima descritas.

Se a opção for pelos tintos, cuidado com os taninos, pois temos a acidez da laranja e o sal do molho de soja. Como o molho apresenta certa doçura, prefira vinhos encorpados e com bastante fruta. Vinhos jovens do Alentejo, Zinfandel da Califórnia e Merlots do Novo Mundo, são as alternativas mais indicadas. Se preferir um tinto de maior acidez além da fruta, o sul da Itália com as uvas Primitivo e Aglianico cumprem bem esta função.

bolo souza leão

Receita caseira

Esta receita é da tradicional família Souza Leão, de Pernambuco. Leva coco ralado, leite de coco, massa de mandioca (encontrada na feira ou em casa de produtos nordestinos), manteiga, gemas de ovos, açúcar e água. Esses ingredientes depois de misturados são aquecidos numa panela, e em seguida levada ao forno numa forma untada. Detalhes do passo a passo da receita, favor consultar no famoso buscador da internet. 

Bolo de textura cremosa

As opções de harmonização vão desde Late Harvest com a uva Sémillon, os botrytisados de Sauternes, até os vinhos doces de Jurançon e Pacheren-du-Vic-Bilh (ambos com a uva Petit Manseng). Este último, do produtor Alain Brumont, é importado pela Decanter (www.decanter.com.br). Tem doçura e textura na medida certa para a receita em questão. Muitos dos Late Harvest encontrados no mercado apresentam um certo toque de madeira que casa bem com o sabor do coco.

Para quem não viu a primeira parte do jantar é só consultar o post anterior. Por fim, boas festas e harmonizações surpreendentes!