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Harmonização: Linguado Abacalhoado

10 de Abril de 2014

O nome soa estranho, mas a receita é do programa Que Marravilha! do chef Claude Troisgros. Pode ser uma bela opção para a semana santa que se aproxima, conforme vídeo abaixo:

http://gnt.globo.com/quemarravilha/videos/_3014827.shtml

Para a harmonização é fundamental assistir o vídeo acima. A primeira coisa que chama a atenção é a presença maciça de azeite. O bacalhau é confitado no azeite, a batata também, dando muita oleosidade ao prato. Portanto, é fundamental que o vinho escolhido tenha um bom suporte de acidez, a qual servirá como “detergente” para limpar esta gordura. Taninos aqui não resolvem muita coisa, pois não é o caso de suculência com gordura. Essas considerações caminham para vinhos brancos.

Outros ingredientes importantes são a profusão de ervas na receita, pimenta, azeitonas, alho, limão siciliano. Isso tem muito haver com a região francesa da Provença e todas as regiões do Mediterrâneo de um modo geral. Quanto ao bacalhau, sua participação é limitada e sua textura é delicada, misturada ao pão de forma picado. Portanto, o sabor do prato não é tão marcante como seria com uma posta espessa de bacalhau. O mesmo é apenas um recheio do linguado. Isso nos dá uma ideia de peso do vinho, inclusive com suave passagem por madeira, se for o caso.

Bandol: apelação nobre da Provence

Nesse sentido, vamos a algumas sugestões. Voltando à Provence, podemos pensar no Château Pibarnon, uma referência da apelação Bandol. Suas versões em branco e rosé têm peso, aromas e sabores adequados ao prato. Ainda no Mediterrâneo, a uva Vermentino gera bons exemplares nas regiões italianas da Sardegna e Ligúria. Château Pibarnon é encontrado na importadora Zahil (www.zahil.com.br).

Do lado ibérico, um belo Alvarinho (português do Minho) ou Albariño (espanhol de Rias Baixas) apresenta um bom frescor ao prato. Um delicada passagem por madeira pode ser interessante. O Dão branco, português calcado na uva autóctone Encruzado é uma combinação surpreedente, assim como os espanhóis brancos de Rueda com a uva Verdejo. Os Alvarinhos de Anselmo Mendes e o Rueda de José Pariente são encontrados na importadora Decanter (www.decanter.com.br). 

José Pariente: referência nesta denominação

Para vinhos mais sofisticados, podemos pensar nos franceses da região de Chablis. Um bom Premier Cru tem acidez, estrutura e elegância para o acompanhamento. Bordeaux brancos com seus toques herbáceos e madeira delicada é outra bela opção.

Como preparar o bacalhau:
Ingredientes:
300g de bacalhau imperial sem espinhas e dessalgado
750ml de azeite extravirgem
Tomilho, louro, alecrim, cebolinha e manjericão
4 dentes de alho na casca
1 pimenta dedo-de-moça fatiada
1 colher de alho picado
Gotas de limão siciliano
80g de pão de forma rasgado
Cebolinha francesa picada
Sal e pimenta do moinho (a gosto)

Modo de preparo:   
Esquente o azeite com o alho na casca, incluindo a pimenta dedo-de-moça e as ervas até atingir 80ºC. Coloque o bacalhau no azeite, sem deixar que ele atinja o ponto de fritura, e deixe cozinhar por 15 minutos. Retire, desfie e reserve. Deixe o alho suar 2 conchas de azeite do cozimento do bacalhau. Coloque o bacalhau desfiado e deixe secar bem.

Junte o pão de forma, desligue o fogo e misture bastante, acrescentando mais 2 a 3 conchas de azeite de bacalhau. Acrescente a cebolinha francesa e as gotas de limão para temperar.

Bacalhau grelhado na manteiga e raspas de limão

Como preparar a batata confitada:
Ingredientes:
2 batatas grandes (300g)
18 azeitonas pretas sem caroço, cortadas ao meio

Modo de preparo:
Descasque as batatas e corte em rodelas de 1cm de espessura. Junte as batatas e as azeitonas no azeite de bacalhau e deixe confitar a 80ºC, até ficar macia.

Empanada de bacalhau: Claude Troisgros prepara versão da iguaria espanhola

Como fazer o linguado crocante:
Ingredientes:
3 filés de linguado de 300g cada
Pão de forma ralado
Sal e pimento do moinho

Modo de preparo:
Abra os filés de linguado sem furar e tempere. Recheie com a mistura de bacalhau, coloque em um refratário e regue com azeite do cozimento do bacalhau. Empane com pão de forma e asse no forno 200ºC até corar, por cerca de 10 a 15 minutos.

Montagem do prato:
Flor de sal (a gosto)

Coloque a batata no prato, juntamente com o alho na casca, ervas e pimenta. Regue com o azeite do cozimento do bacalhau, tempere com flor de sal e disponha o linguado em cima.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes FM 90,9 às terças e quintas-feiras nos programas Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

 

Vinhos Chilenos: Saindo do Óbvio

7 de Abril de 2014

A convite do sommelier e amigo Ariel Pérez, participei do seminário de vinhos chilenos (Chilean Wine Ambassador Brasil 2014), evento com um bom time de enólogos, sommeliers e especialistas na área. Um desfile expressivo de vinhos chilenos, dos mais variados estilos, abrangendo todos os vales importantes deste país.

Ariel na supervisão dos serviços

Dentre as amostras apresentadas, algumas figurinhas carimbadas dos ícones chilenos. São vinhos que dispensam comentários, fartamente mostrados e promovidos por todos os veículos da mídia. Don Melchor, Don Maximiano e Santa Rita Casa Real, três dos melhores Cabernets do Chile. Casa Marin Sauvignon Blanc, entre os dois melhores chilenos desta casta. Terrunyo Carmenère da Concha Y Toro, uma aula da temperamental uva emblemática. Gravas Syrah, mais um ícone da Concha Y Toro, com muita personalidade e potência. Viu Manent Viu 1, o Malbec que a Argentina não tem. Enfim, vinhos de grande prestígio no mercado nacional de importados. Contudo, falaremos hoje de belos vinhos ainda desconhecidos de boa parte do público e que trazem consigo um conceito mais preciso de terroir. Vejam a seguir:

Parras Viejas: Elegância acima da Potência

Este exemplar da Santa Helena parte de videiras antigas, algumas plantadas em 1910 na sub-região de Colchagua, zona dos Andes, junto à cordilheira. Um Cabernet Sauvignon elegante, muito equilibrado e bem mesclado com as barricas francesas. Importadora Interfood (www.interfood.com.br). 

Herencia: boa opção em Carmenère

Um vinho bem moldado no terroir de Peumo (melhor microclima para a Carmenère no Chile). Não tem a profundidade e a concentração do Terrunyo da Concha Y Toro, mas exibe elegância surpreendente. Barrica bem tramada com a fruta proporcionando interessantes toques balsâmicos e de especiarias. Importadora Casa Flora (www.casaflora.com.br). 

Maquis Franco: Cabernet Franc de destaque

Outro tinto curioso de Colchagua com vinhedos plantados em solo aluvial de alta pedregosidade, num clima seco e frio. Este 100% Cabernet Franc, para quem gosta da casta como varietal é pura elegância com um intrigante toque mineral. Parceiro de carnes com molhos delicados.

Toknar: Petit Verdot de caráter

Outro tinto original de Aconcagua (zona entre cordilheiras) 100% Petit Verdot. Tinto para quem gosta de fortes emoções. Uma estrutura tânica comparável a um Tannat. Rendimentos muito baixos por parreira (1,2 quilo de uvas) aliados a longa maceração pós-fermentativa gera vinhos potentes com grande profundidade. Os vinte e seis meses de barricas francesas novas não intimidam sua estrutura. Bom parceiro para pratos fortes como Cassoulet e Confit de Pato. Importadora Terramatter (www.terramatter.com.br). 

RE Chardonnoir: Vinificação singular

Começa pela cor encantadora, lembrando um vin gris, uma cor salmonada bem clara e de leve intensidade. As uvas Chardonnay e Pinot Noir são vinificadas separadamente em ânforas e tonéis de grande capacidade. Os vinhos permanecem separados com grande contato sur lies (sobre as leveduras), quase dois anos. Aí sim, eles são mesclados e preparados para o engarrafamento. Lembra os aromas dos bons rosés provençais, com toques florais, frutas delicadas e especiarias.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes FM 90,9 às terças e quintas-feiras. Pela manhã no programa Manhã Bandeirantes e à tarde no Jornal em Três Tempos.

Harmonização: Moscatel e Aspargos

3 de Abril de 2014

Vinhos elaborados com a uva Moscatel sofrem certo preconceito dos chamados “entendidos em vinho”, sobretudo os mais delicados. Dizem que são vinhos frágeis, doces, sem grandes atrativos. Os únicos incólumes neste julgamento são os grandes Moscatéis de colheita tardia ou o respeitado fortificado Moscatel de Setúbal. Contudo, existem alguns poucos Moscatéis quase secos, delicados e muito bem equilibrados. Um clássico é o Muscat d´Alsace (foto abaixo) que compõe as quatro castas nobres alsacianas (Riesling, Gewürztraminer e Pinot Gris são as outras).

Muscat e aspargoDomaine Weinbach: Vinhos Elegantes

De fato, os melhores produtores desta região franco-germânica conseguem imprimir aos seus Muscats, equilíbrio, delicadeza e elegância, atributos raros para esta casta popular. Ocorre que no Brasil, a oferta deste tipo de vinho é escassa. Dos poucos vinhos alsacianos por aqui, os desta casta praticamente inexistem. Como sugestão, temos um exemplar na criteriosa importadora Delacroix (www.delacroixvinhos.com.br) do Domaine Bott-Geyl, produtor biodinâmico.

Devido à falta de oferta destes Muscats, uma boa alternativa são os originais vinhos da casta Torrontés da região argentina de altitude de Salta. Há uma boa variedade de produtores, além de preços acessíveis. O estilo de vinho, aromas e sabores, aproximam-se bem dos Muscats. 

Voltando aos aspargos, esses vinhos complementam muito bem os sabores vegetais incisivos destes brotos. Normalmente servidos como entradas, os Muscats cumprem bem o papel por serem vinhos mais delicados. Mesmo nos risotos de aspargos como primeiro prato, ou como guarnição de uma carne delicada, esses vinhos continuam sendo uma bela opção. 

Além dos aspargos, cozinhas asiáticas onde as especiarias, ervas e todo o perfume envolvido que permeiam esses pratos, podem ser escoltadas por este tipo de vinho, sobretudo se houver algum componente agridoce. Eles mantêm a delicadeza e o frescor do prato, sempre tomando cuidado para não abusar das pimentas. 

A inspiração deste texto veio do belo livro de Philippe Bourguignon, destacado sommelier francês, intitulado l´Accord Parfait, inclusive a foto acima.

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Sommellerie: Concursos

31 de Março de 2014

Depois de acompanhar vários campeonatos de sommeliers, tanto regionais, nacionais e alguns mundiais, sempre questiono o formato dos mesmos. É claro que trata-se de uma opinião pessoal. Longe de mim, pretender ou influenciar alguma mudança em seus padrões clássicos. Ocorre que certas etapas poderiam ser renovadas, proporcionando outra dinâmica a esses campeonatos. É o caso da degustação às cegas onde geralmente três vinhos são apresentados ao candidato sem nenhuma pista de sua origem quanto às uvas, regiões, denominações, safras, ou quaisquer outros parâmetros. Na prática, torna-se quase impossível adivinhar tais vinhos, mesmo com degustadores experimentados e de largo conhecimento. Além disso, são geralmente escolhidos vinhos de uvas raras, denominações quase desconhecidas, propositalmente para não serem identificados. Fica sendo mais uma diversão aos jurados, analisando os argumentos dos tensos candidatos. Mesmo para os melhores do mundo, não é tarefa fácil.

Paolo Basso: O atual campeão mundial

Na minha ótica, seria muito mais proveitoso, além de testar com lógica e eficiência os candidatos, propor-lhes uma degustação didática com temas interessantes. Por exemplo, três tintos de Bordeaux às cegas, sendo um de cada comuna do Médoc. Digamos, Pauillac, Saint-Estèphe e Margaux. Os candidatos poderiam através das taças, exporem as características específicas de cada comuna com um grau de detalhamento proporcional ao conhecimento técnico de cada um. Os candidatos ficariam mais à vontade para uma argumentação e o julgamento teria dados mais palpáveis para uma avaliação justa.

Vin Jaune do Jura e um velho Comté

Outra proposta interessante, seria pedir para cada candidato citar três vinhos diferentes de sua preferência. Conforme a resposta de cada um, viria a segunda pergunta. Para cada um dos vinhos citados, que tipos de prato o candidato em questão, proporia para seus vinhos escolhidos. Evidentemente, as características dos vinhos escolhidos teriam que ser comentadas, bem como os argumentos enogastronômicos para os pratos escolhidos. Neste tipo de avaliação, o conhecimento técnico e a experiência de cada candidato fariam uma enorme diferença entre os mesmos. Se por um lado, a escolha de vinhos mais simples e compatibilizações mais óbvias empobreceriam o desempenho de certos candidatos, em contrapartida, a escolha de vinhos mais complexos e compatibilizações mais surpreendentes dentro de um perfil técnico por parte de sommeliers mais diferenciados, resultariam em avaliações mais precisas e mais justas, separando claramente o joio do trigo.

Estas são apenas algumas ideias de renovação. O argumento mais citado para a permanência de padrões clássicos dos campeonatos reside no fato de proporcionar condições exatamente idênticas a todos os candidatos. Mesmo assim, continuo achando que a avaliação é imprecisa e amputa a oportunidade de percepção dos vários níveis de conhecimento dos candidatos, os quais estão calcados nas diversas experiências e trajetória de carreira de cada um. É como a seleção de executivos para um determinado cargo. O entrevistador deve ter a perspicácia de explorar pontos interessantes na conversa, de acordo com as experiências do candidato. Sendo assim, as entrevistas são sempre diferentes entre si e muito mais criteriosas.

Voltando aos concursos, esta nova dinâmica obrigaria os jurados a serem mais interativos, proporcionando situações bem menos previsíveis e por que não, por vezes surpreendentes. Neste contexto, a banca de jurados tem experiência e grau de conhecimento suficientes para lidar com situações diferentes e realizar julgamentos precisos e justos dentro do rigor técnico esperado.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) todas as terças e quinta-feiras. Pela manhã, no Manhã Bandeirantes, e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

Marquis d´Angerville: Volnay Clos des Ducs

25 de Março de 2014

Toda comuna famosa da Borgonha tem seu vinho de sonhos, às vezes mais de um. É o caso de Volnay, reputada por seus tintos delicados e profundos, bem ao estilo Côte de Beaune. Domaine Lafarge, já comentado em artigo específico neste mesmo blog, é um dos devaneios. Seu rival, no bom sentido, é Domaine Marquis d´Angerville com o monumental Clos des Ducs, estrela deste artigo. 

Volnay clos des ducsSafra 1990: longa permanência em adega

A história do domaine começa no início do século dezesseis com seu vinhedo mais famoso, o monopólio Clos des Ducs, um Premier Cru de rara distinção. Seu solo pedregoso, com forte presença de calcário formando o que se chama de “marne blanche”, mistura equilibrada entre argila e calcário, própria dos grandes terroirs na Borgonha. São apenas 2,15 hectares neste monopólio, correspondentes a 52 ouvrées (24 ouvrées equivalem a um hectare). Como curiosidade, ouvré foi uma antiga medida de terra onde em média um lavrador era capaz de cultivá-la num dia de trabalho.

Clos des Ducs: Vinhedo ao lado do vilarejo de Volnay

O domaine é totalmente biodinâmico desde 2006. Os rendimentos são controlados naturalmente não ultrapassando 35 hectolitros por hectare. Nas vinhas mais antigas como Clos des Ducs, esses rendimentos são inferiores. Vale salientar o trabalho minucioso quanto à seleção clonal dos vinhedos durante décadas, culminando num Pinot Noir diferenciado de baixíssimos rendimentos denominado “Pinot d´Angerville”.

Vinhas antigas no Domaine Marquis d`Angerville

Vinhas antigas no Domaine

Na sucessão familiar, Guillaume d´Angerville dirige o domaine atualmente. São quinze hectares de vinhas prioritariamente voltadas a Volnay com onze hectares dedicados à apelação Premier Cru, a mais alta dentro desta comuna. Quanto à vinificação, o processo é o mais natural possível, respeitando as leveduras naturais e não ultrapassando temperaturas entre 30 e 32°C. Assim a extração de taninos acontece de forma correta e não exagerada. Em seguida, o vinho é conduzido por gravidade para a sala de barris. A proporção de barricas novas em média não ultrapassa 20%, posto que a delicadeza de um Volnay precisa ser respeitada. O tempo de permanência nas mesmas fica entre quinze e dezoito meses. Após total estabilização, os vinhos são engarrafados sem colagem e sem filtração, preservando todos os elementos naturais.

Aí é só esperar pelo menos dez anos para abrir a primeira garrafa. Se a safra for excepcional, tenha um pouco mais de paciência. Lembre-se: o apressado come cru.

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Refeição Britânica: Champagne, Bordeaux e Porto

20 de Março de 2014

Almoço entre amigos é sempre muito bom, sobretudo quando há afinidades enogastronômicas. É o que acontece nos encontros com os médicos Cesar Pigati e Sylvio Gandra, companheiros de copo de longa data.

Pichon PauillacPichon-Longueville: Um dos grandes de Pauillac

Neste último almoço, seguimos a tradição inglesa. Inciamos os trabalhos com champagne Pol Roger (of course), dando sequência a um bordeaux tinto e finalizando com Porto Vintage.

Pichoin 99Pichon 99: Halo de evolução após quinze anos

Começando pelo bordeaux, era o grande Château Pichon-Longueville ou Baron de Pichon-Longueville, safra 1999, um Pauillac de bela evolução. Como todo margem esquerda, a uva majoritária no corte é a austera Cabernet Sauvignon, a qual mostrou-se perfeitamente domada após quinze anos de safra. A previsão de Parker estava certa, encontrando-se neste momento no auge de sua plenitude. Aromas terciários elegantes com frutas escuras, tabaco, couro, cedro, chocolate e ervas finas, marcas registradas de um autêntico Pauillac. A boca acompanha o nariz, macio, expansivo e taninos sedosos. Corpo médio, extremamente elegante e um final equilibrado, próprio dos grandes vinhos.

Porto e charutoTaylor´s Vintage: Engarrafado após dois anos de safra

O arremate final, um Porto Vintage, um Taylor´s Port, e que Taylor´s! Um dentre os maiores do século passado, o monumental 1994, cem pontos para vários críticos importantes. Desta feita, o remorso foi menor, após alguns infanticídios cometidos anteriormente. Apesar da riqueza de seu aroma, encontra-se ainda numa fase primária, mesmo decorridos vinte anos. Muita fruta em compota, especiarias, incenso e um fundo mineral. Deve evoluir por pelo menos mais trinta anos. Na boca, surpreende pela sedosidade, embora sua trama tânica seja portentosa. O equilíbrio é notável com seus vinte graus de álcool em perfeita harmonia balanceada pela acidez e taninos. Final de boca extremamente expansivo. Foi acompanhado à altura pelos puros Partagás Pirâmide P2 (sério concorrente do famoso Montecristo de mesma bitola) e pelo exótico Bolivar Belicosos (um Pirâmide de dimensões mais discretas).

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Rádio Bandeirantes FM (90,9) nas terças e quintas nos programas Manhã Bandeirantes e à tarde no Jornal em Três Tempos.

Vinho Sem Segredo na Band

10 de Março de 2014

A todos que seguem Vinho Sem Segredo, uma novidade! Estaremos na Rádio Bandeirantes a partir desta terça-feira, dia 11 de março, com dois boletins, um pela manhã e outro à tarde. Serão exibidos sempre às terças e quintas-feiras nos programas Manhã Bandeirantes (a partir das 10:00 hs) e no Jornal em Três Tempos (a partir das 15:00 hs).

Nesta segunda-feira, dia 10 de março, estarei no Jornal em Três Tempos, comentando a estreia desta nova coluna. Paralelo a este fato, Vinho Sem Segredo continuará em sua missão escrita, proporcionando aos leitores artigos sérios sobre a matéria com total isenção, liberdade, sempre numa linguagem simples e objetiva, acessível aos vários perfis de seguidores.

Agradeço mais uma vez ao apoio de todos vocês que prestigiam Vinho Sem Segredo, combustível e incentivo para muito mais artigos e informações a serviço do nosso vinho de cada dia em suas inúmeras formas de manifestação.