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Guado al Tasso: Toscana Litorânea

28 de Maio de 2017

No final dos anos 60, começo da década de 70, surge um tinto italiano na Toscana de classe internacional, deixando de lado todas as regras de denominação de origem. Os críticos ingleses, surpresos com a qualidade do vinho, recusaram-se a chama-lo simplesmente de Vino da Tavola, nascendo assim o termo “super toscan”. Neste contexto, começa a surgir o mito Sassicaia, o pai dos supertoscanos.

Continuando a história, outros grandes tintos seguiram o caminho do pioneiro, dentre os quais, o topo de gama da Tenuta Guado al Tasso. Trata-se de um corte bordalês criado em Bolgheri, região da Toscana próxima ao mar Tirreno. Esta proximidade do mar aliada a um solo pedregoso tentam reproduzir características semelhantes ao consagrado terroir de Bordeaux. A receita deu certo com vinhos de alta classe, premiados e conhecidos mundo afora.

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o império Antinori

Antes dos vinhos, uma pausa para falarmos de Antinori, talvez o nome mais poderoso da Toscana com mais de 600 anos de história. No mapa acima, alguns de seus ícones espalhados pela Toscana e Umbria. Tignanello, outro grande supertoscano, e Pian dele Vigne, seu Brunello, são destaques no extenso portfolio.

Neste artigo, além do ícone Guado al Tasso, falaremos também dos outros belos vinhos da vinícola, começando pelo branco abaixo com a casta Vermentino.

antinori vermentino

branco de personalidade

A casta Vermentino adaptou-se muito bem no Mediterrâneo, sobretudo no mar Tirreno, banhando a Toscana, Liguria, Sardegna e Córsega com ótimos Vermentinos. No vinho acima, uma cor exótica com palha verdeal meio enevoado. Os aromas são elegantes com toques florais, de frutas brancas maduras, e ervas delicadas lembrando chá de camomila. Corpo médio, textura macia, mas ao mesmo tempo com bom suporte de acidez. Persistente e de final muito agradável. Massas com molhos cremosos e delicados são ótimos acompanhamentos.

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um rosato gastronômico

Neste corte, há uma leve predominância de Cabernet Sauvignon (40%), complementado por Merlot (30%) e Syrah (30%). Trata-se de um rosé de pressurage com linda cor salmonada. As notas de frutas vermelhas e ervas predominam no nariz. Corpo médio, boa densidade, e final persistente. Pela própria natureza das uvas, é um rosé gastronômico, acompanhando bem embutidos, massas e pizzas com molhos picantes.

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um Bolgheri acessível

Para uma região tão badalada como Bolgheri, Il Bruciato é bastante acessível para aqueles que querem conhecer esses vinhos sem desembolsar uma fortuna. Este corte é baseado em Cabernet Sauvignon (55%), complementado por Merlot (30%) e Syrah (15%). A vinificação prioriza maximizar a extração de taninos da Cabernet, enquanto a Merlot e Syrah fornecem um lado mais frutado e aromático. O vinho passa cerca de sete meses em barricas. Os aromas de frutas escuras, defumados e chocolate são bem presentes. Em boca tem bom frescor, taninos marcantes e final equilibrado.

antinori guado al tasso

o astro da Tenuta

Este é um típico corte bordalês de margem esquerda: Cabernet Sauvignon (55%), Merlot (25%), Cabernet Franc (18%) e Petit Verdot (2%). Vinificação com longa maceração e amadurecimento em barricas novas de carvalho francês por cerca de 18 meses. Este exemplar degustado em Magnum (1,5 litros), mostrou-se extremamente novo. Os aromas de cassis e cedro são impactantes, complementados por notas de mentol, ervas e cacau (torrefação). Boca ampla, macio e uma montanha de taninos a serem domados pelo tempo. Deve ser obrigatoriamente decantado por pelo menos duas horas. Trata-se de um vinho agradavelmente quente com seus 14,5º de álcool. Tinto para longos anos em adega.

Todos esses vinhos são importados pela Winebrands (www.winebrands.com.br) e estão com bons descontos por curto espaço de tempo. Aproveitem!

Harmonização: Linguado Abacalhoado

10 de Abril de 2014

O nome soa estranho, mas a receita é do programa Que Marravilha! do chef Claude Troisgros. Pode ser uma bela opção para a semana santa que se aproxima, conforme vídeo abaixo:

http://gnt.globo.com/quemarravilha/videos/_3014827.shtml

Para a harmonização é fundamental assistir o vídeo acima. A primeira coisa que chama a atenção é a presença maciça de azeite. O bacalhau é confitado no azeite, a batata também, dando muita oleosidade ao prato. Portanto, é fundamental que o vinho escolhido tenha um bom suporte de acidez, a qual servirá como “detergente” para limpar esta gordura. Taninos aqui não resolvem muita coisa, pois não é o caso de suculência com gordura. Essas considerações caminham para vinhos brancos.

Outros ingredientes importantes são a profusão de ervas na receita, pimenta, azeitonas, alho, limão siciliano. Isso tem muito haver com a região francesa da Provença e todas as regiões do Mediterrâneo de um modo geral. Quanto ao bacalhau, sua participação é limitada e sua textura é delicada, misturada ao pão de forma picado. Portanto, o sabor do prato não é tão marcante como seria com uma posta espessa de bacalhau. O mesmo é apenas um recheio do linguado. Isso nos dá uma ideia de peso do vinho, inclusive com suave passagem por madeira, se for o caso.

Bandol: apelação nobre da Provence

Nesse sentido, vamos a algumas sugestões. Voltando à Provence, podemos pensar no Château Pibarnon, uma referência da apelação Bandol. Suas versões em branco e rosé têm peso, aromas e sabores adequados ao prato. Ainda no Mediterrâneo, a uva Vermentino gera bons exemplares nas regiões italianas da Sardegna e Ligúria. Château Pibarnon é encontrado na importadora Zahil (www.zahil.com.br).

Do lado ibérico, um belo Alvarinho (português do Minho) ou Albariño (espanhol de Rias Baixas) apresenta um bom frescor ao prato. Um delicada passagem por madeira pode ser interessante. O Dão branco, português calcado na uva autóctone Encruzado é uma combinação surpreedente, assim como os espanhóis brancos de Rueda com a uva Verdejo. Os Alvarinhos de Anselmo Mendes e o Rueda de José Pariente são encontrados na importadora Decanter (www.decanter.com.br). 

José Pariente: referência nesta denominação

Para vinhos mais sofisticados, podemos pensar nos franceses da região de Chablis. Um bom Premier Cru tem acidez, estrutura e elegância para o acompanhamento. Bordeaux brancos com seus toques herbáceos e madeira delicada é outra bela opção.

Como preparar o bacalhau:
Ingredientes:
300g de bacalhau imperial sem espinhas e dessalgado
750ml de azeite extravirgem
Tomilho, louro, alecrim, cebolinha e manjericão
4 dentes de alho na casca
1 pimenta dedo-de-moça fatiada
1 colher de alho picado
Gotas de limão siciliano
80g de pão de forma rasgado
Cebolinha francesa picada
Sal e pimenta do moinho (a gosto)

Modo de preparo:   
Esquente o azeite com o alho na casca, incluindo a pimenta dedo-de-moça e as ervas até atingir 80ºC. Coloque o bacalhau no azeite, sem deixar que ele atinja o ponto de fritura, e deixe cozinhar por 15 minutos. Retire, desfie e reserve. Deixe o alho suar 2 conchas de azeite do cozimento do bacalhau. Coloque o bacalhau desfiado e deixe secar bem.

Junte o pão de forma, desligue o fogo e misture bastante, acrescentando mais 2 a 3 conchas de azeite de bacalhau. Acrescente a cebolinha francesa e as gotas de limão para temperar.

Bacalhau grelhado na manteiga e raspas de limão

Como preparar a batata confitada:
Ingredientes:
2 batatas grandes (300g)
18 azeitonas pretas sem caroço, cortadas ao meio

Modo de preparo:
Descasque as batatas e corte em rodelas de 1cm de espessura. Junte as batatas e as azeitonas no azeite de bacalhau e deixe confitar a 80ºC, até ficar macia.

Empanada de bacalhau: Claude Troisgros prepara versão da iguaria espanhola

Como fazer o linguado crocante:
Ingredientes:
3 filés de linguado de 300g cada
Pão de forma ralado
Sal e pimento do moinho

Modo de preparo:
Abra os filés de linguado sem furar e tempere. Recheie com a mistura de bacalhau, coloque em um refratário e regue com azeite do cozimento do bacalhau. Empane com pão de forma e asse no forno 200ºC até corar, por cerca de 10 a 15 minutos.

Montagem do prato:
Flor de sal (a gosto)

Coloque a batata no prato, juntamente com o alho na casca, ervas e pimenta. Regue com o azeite do cozimento do bacalhau, tempere com flor de sal e disponha o linguado em cima.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes FM 90,9 às terças e quintas-feiras nos programas Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

 

Sardegna: Produção de Vinho 2011/2012

17 de Outubro de 2013

Já comentamos algumas vezes neste blog  a evolução das regiões sulinas na Itália em termos de qualidade de vinho. Outrora, eram regiões de grande produção, mas de vinhos toscos, mal elaborados, para satisfazer um mercado ávido por quantidade e baixo preço. Isso tem mudado substancialmente ao longo do tempo com mais cuidado tanto no campo, como na cantina. Os chamados Vino da Távola estão dando lugar os IGTs (Indicazione Geografica Tipica) e aos DOCs (Denominazione di Origine Controllata), conforme mapa abaixo:

A qualidade aumentando em números

Atualmente, a Sardenha conta com uma produção de 673 mil hectolitros em 2012, a qual já chegou perto de um milhão de hectolitros em outros tempos. Tendo em vista os vinhos de Denominação de Origem (DOCG e DOC), o quadro abaixo atualiza os números de denominações de toda a Itália até janeiro de 2013. Estamos cansados de saber que sempre existem  novas denominações a serem publicadas, mas ainda no forno.

DOCG-DOC-IGT-2013Quadro atualizado (janeiro/2013)

Voltando á Sardenha, o quadro abaixo mostra as principais denominações de origem em produção. Algumas muito tradicionais, outras nem tanto. Veremos em seguida, detalhes dessas denominações importantes da ilha.

Brancos e tintos com muito equilíbrio na produção

Principais denominações da ilha

Vermentino di Sardegna

A denominação de origem mais produtiva da ilha elaborada com a uva branca Vermentino nas versão seco, amabile, frizzante e spumante. Vinho fresco, frutado, delicado, com ligeiro final de boca amendoado. Pode ser elaborado em toda a ilha. Comumente, é elaborado na versão seco, mas podemos ter as versões rosado, passito e licoroso (uma espécie de Porto local).

Cannonau di Sardegna

É o tinto mais conhecido na ilha e pode ser elaborado em toda a parte da mesma. A uva Cannonau é a mesma uva internacional conhecida como Grenache ou Garnacha (mínimo de 85% no corte, de acordo com a legislação vigente). A menção ¨Classico¨ no rótulo implica em pelo menos 90% de Cannonau no corte. É um vinho de bom corpo, quente, frutado, macio, como todo bom Grenache.

Vermentino di Gallura

Este vinho branco elaborado com a uva homônima é o único da ilha a ter a menção DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita). É elaborado nas versões seco, amabile, frizzante, spumante, passito e Vendemmia Tardiva. Pode eventualmente ter alguma passagem por madeira. A versão passito implica num grau de maturação da uva superior à versão Vendemmia Tardiva. Sua produção concentra-se no extremo nordeste da ilha.

Alghero

Denominação ampla para brancos e tintos nas mais diversas versões. A região de produção concentra-se na província de Sassari, ao norte da ilha. As uvas são as mais diversas possíveis com alguns exemplares varietais, além dos cortes. Só para citar algumas, temos Pinot Grigio, Moscato, Malvasia, Garganega, Pinot Bianco, Primitivo, Pinot Nero, Montepulciano, Marzemino, entre outras. Nesta imensidão de uvas temos as versões seco, frizzante, spumante, passito, licoroso, e outras mais específicas. Neste tipo de denominação de muitas variações, a escolha de produtores de destaque é fundamental.

Carignano del Sulcis

Uma denominação relativamente recente, mas de muito respeito. A versão seco é a mais respeitada, embora haja o rosato e o passito. Deve conter pelo menos 85% de Carignano ou Grenache no corte. Sua zona de produção encontra-se no sul da ilha. É um tinto encorpado, aveludado e apto ao envelhecimento. Produtores como Santadi e seu vinho Terre Brune, além do belo Barrua (em parceria com os donos do Sassicaia, Toscana), são vinhos ícones desta denominação. Ver foto acima.


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