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Verão, Praia e Vinhos: Parte II

5 de Janeiro de 2013

Dando prosseguimento ao nosso artigo de verão, vamos falar hoje especificamente para aqueles que gostam de tudo que vem do mar, absolutamente fresco, salino e com poucas preparações e interferências para ser apreciado, ou seja, o alimento totalmente ou praticamente “in natura”. É o caso clássico das ostras frescas, bastando apenas umas gotinhas de limão, ou nem isso, para serem degustadas.

carpaccio de peixeCarpaccio de peixe

Nestes casos, se a idéia é não perder nada deste frescor, nada desta salinidade e pureza, escolha brancos leves, neutros, minerais, bastante vivazes (os mais novos possíveis de safra, se for o caso) e adequadamente refrigerados. A gama é vasta e estimulante: um bom Muscadet (francês do vale do Loire), um Sancerre ou Pouilly-Fumé (também do Loire), um Vinho Verde (incluindo o Alvarinho), um Albariño (versão espanhola do Alvarinho), um Verdicchio (italiano do mar Adriático), um Chablis (francês do norte da Borgonha), dentre tantos outros.

Se no momento, houver dificuldade em encontrar alguns dos exemplos citados, a velha alternativa do bom espumante nacional brut cumpre os requisitos básicos. Outra alternativa geralmente sempre à mão é um bom e honesto Sauvignon Blanc. Pode não ter a mineralidade necessária, pode ter um lado frutado um pouco invasivo, mas mantém um bom frescor e os característicos toques herbáceos.

Dentre os espumantes, além dos nacionais, os Cavas (espumante espanhol elaborado pelo método tradicional) são ótimas opções. Não são tão caros, principalmente os mais simples, e são exatamente estes,  que nos fornecem um toque mineral característico tão bem-vindo. Agora, se a idéia é sofisticação, vá de champagne Blanc de Blancs (champagne exclusivamente elaborado com Chardonnay). São perfeitos, leves, minerais e enriquecedores nestas harmonizações.

Voltando aos nossos pratos frescos de mar, além das ostras citadas como exemplo, entram nesta relação, a clássica comida japonesa (sushi e sashimi, sobretudo), ceviche (preparação com limão e cebola, principalmente), salada de frutos do mar (são levemente cozidos e marinados), e outros preparações que envolvam ervas frescas e aromáticas, temperos picantes e com componentes de acidez.

Espumantes para as Festas

10 de Dezembro de 2012

Não tem jeito, todos os anos na época das festas em dezembro, os espumantes são lembrados, procurados e da mesma forma, praticamente esquecidos no restante do ano.

Já falamos diversas vezes neste blog que espumantes e champagnes podem e devem ser consumidos ao longo de todo ano. Não são vinhos apenas para celebrar. São vinhos versáteis, gastronômicos e extremamente receptivos aos mais variados públicos. Mas um fato deve ser observado, espumantes e champagnes não são todos iguais, e este é um ponto importante, independente do preço e da procedência. Uma coisa é tomá-los como aperitivos, vinhos de recepção, praticamente sem comida. Outra coisa, é levá-los à mesa para escoltar pratos dos mais variados estilos. Na prática, esta confusão é mais do que normal e pior ainda, praticamente despercebida da maioria das pessoas. Portanto,  seguem abaixo algumas orientações neste sentido. 

Case Bianche: Belo Prosecco da importadora Decanter

Aperitivos

Recepção de uma refeição, lançamento de produtos em eventos, vernissages, entradas leves, canapés, enfim, situações onde a comida e a harmonização não sejam preponderantes. O espumante emblemático para estes casos é o Prosecco, denominação de origem do Veneto. O ideal é o autêntico Conegliano-Valdobbiadene. É um espumante leve, delicado, elaborado pelo método Charmat, e deve ser consumido o mais jovem possível. 

Muitos espumantes à base de Chardonnay, inclusive nacionais, sobretudo elaborados pelo método Charmat (espumatização em tanques), enquadram-se nesta categoria dos aperitivos. Espumantes alemães (conhecidos como Sekt), alguns portugueses baseados na casta Arinto, e franceses com a expressão “mousseux” no rótulo, fazem parte deste time. 

Os espumantes elaborados pelo método Champenoise, Tradicional ou Clássico, evidentemente incluindo os champagnes, podem entrar nesta categoria, desde que sejam leves e com contato sur lies (com as leveduras) relativamente curto. Neste contexto, podemos incluir a maioria dos Crémants franceses (Loire, Alsace e Bourgogne), muitos Cavas (o grande espumante espanhol), e champagnes leves, notadamente os chamados “Blanc de Blancs”.

Voltando aos nacionais, o clássico espumante da Chandon na serra gaúcha é extremamente confiável e adequado para estas situações. Tomem o cuidado de não servirem o Excellence, top da vinícola, de entrada. Este é um espumante estruturado, gastronômico e portanto, cansativo para ficar bebericando sem comida. É bom frisar que a Chandon do Brasil só trabalha com o método Charmat em todos seus espumantes.

Gosset: Champagne de corpo e estrutura

Refeições

Quando o espumante chega à mesa, os cuidados com a harmonização devem ser redobrados. Aquele espumante que foi tão bem como aperitivo, pode se tornar sem graça e insípido diante de um prato. Portanto, a composição das uvas e todo o processo de elaboração do espumante vão influenciar sobremaneira na escolha mais adequada.

Espumantes e Champagnes baseados na uva Pinot Noir costumam ter mais corpo e estrutura, ou seja, é importante observarmos a porcentagem de Pinot no corte, se for o caso. Vinhos-base fermentados ou amadurecidos em barrica, bem como, contato sur lies (sobre as leveduras) prolongado (vários anos) durante a espumatização, também são fatores que conferem corpo, maciez e complexidade ao conjunto.

Em resumo, a calibragem dos fatores acima expostos darão a devida harmonia aos pratos que serão escoltados. Cavas extremamente envelhecidas, muitas vezes com a expressão “Gran Reserva”, enquadram-se neste contexto de corpo e complexidade. Champagnes como Bollinger, Krug e Gosset cumprem muito bem os requisitos acima citados. O grande problema é que pedem pratos sofisticados. Não basta serem só encorpados.

Na linha dos nacionais, a tradicional Casa Valduga apresenta uma série de espumantes elaborados pelo método Tradicional, com idade crescente nos seus diversos rótulos, mostrando em meses o contato sur lies (o máximo vai até sessenta meses). 

Estes espumantes e champagnes mais encorpados são capazes de escoltar com sucesso os mais variados pratos incluindo aves desde frango, peru, chester, galinha d´angola, perdiz, codorna, faisão, entre outras, até carne de porco (pernil ou lombo assado), coelho, bacalhau e vitela. Guarnições ou acompanhamentos com cogumelos dos mais variados gêneros são muito bem-vindos principalmente, quando temos espumantes com contato prolongado sobre as leveduras.

Termos como Charmat, Champenoise, sur lies, Cava, Crémant, são esmiuçados neste mesmo blog em artigos específicos sobre espumantes e champagnes. Favor consultar.

A Elite dos Champagnes

8 de Dezembro de 2011

Nesta época do ano, a procura e curiosidade por este tipo de vinho são inevitáveis, embora mais uma vez, champagnes podem e devem ser apreciados durante todo o ano. Vinho Sem Segredo apresenta vários artigos envolvendo o tema, inclusive um mais específico em três partes  intitulado: Harmonização: Champagnes.

Hoje falaremos dos melhores champagnes, aqueles elaborados com os melhores vinhos-bases, dos melhores vinhedos e das melhores safras. É o caso da tão esperada degustação realizada todos os anos na ABS-SP, intitulada Top Champagne. Neste ano, o paínel composto de belos exemplares de safras relativamente antigas segue descrito abaixo:

Krug e Bollinger dispensam apresentações. Torna-se redundante comentá-los e elogiá-los, estando num patamar muito acima, mesmo entre os melhores. São champagnes de alta costura, elaborados com muito esmero em todos os detalhes.

Comtes de Taittinger é outro clássico no estilo Blanc de Blancs. Elaborado somente a partir de vinhedos Grand Cru da Côte de Blancs, as leveduras permanecem por longos anos na garrafa, antes do dégorgement. Extremamente delicado, perlage fino, mostrando toda a elegância da Chardonnay. Apesar da idade, envelhece muito bem devido à sua incrível acidez e destacada mineralidade.

Cuvée Contraste: nome bem apropriado

Deixei para o final, o exótico champagne Jacques Selosse, um revolucionário neste mundo de sofisticação. Muitos não gostam de seu estilo, mas isso não tira o brilho de seu talento. Na verdade, o revolucionário chama-se Anselme Selosse que assumiu a vinícola do pai no início dos anos 80, depois de ter estudado e estagiado na Borgonha em propriedades do quilate de Coche-Dury e Lafon (perfeccionistas em Meursault) e Domaine Leflaive (o maior nome em Puligny-Montrachet). Este aprendizado dispertou em Anselme duas obsessões: a busca por baixos rendimentos em seus vinhedos (o que não é muito comum em champagne) e a permanência prolongada das borras nos vinhos-bases, a fim de enriquecer aromas e texturas.

Baseado nestes critérios, seus vinhedos Grand Cru muito bem localizados em Cramant, Avize e Oger, todos na Côte de Blancs, além de Aÿ, Ambonnay e Mareuil-sur-Aÿ, somam pouco mais de sete hectares cultivados de forma orgânica.

Seus vinhos-bases são elaborados com leveduras naturais e baixíssimo nível de SO2 em todo o processo. A fermentação dá-se em barricas de vários tamanhos e idades, sempre com uma parcela de madeira nova (em torno de 16%).

Nosso champagne em questão é a cuvée Contraste, um Blanc de Noirs (100% Pinot Noir de um single vineyard de Aÿ) amadurecido entre cinco e seis anos sur lies antes do dégorgement. Trata-se de um Brut com no máximo seis gramas de açúcar residual por litro. É um champagne de corpo não só pela presença marcante de Pinot Noir, mas também pela incrível textura advinda de todo o processo de elaboração. Apenas 140 caixas por ano. Nesta cuvée participaram as safras de 2002 e 2003. O dégorgement deu-se em outubro de 2007.

Para uma melhor apreciação e entendimento desta proposta, é imperativo decantá-lo por pelo menos uma hora, e serví-lo entre 10 e 12 graus de temperatura. Nada de espanto, quando o vinho-base é de qualidade, não há o que temer. 

Harmonização: Champagnes – Parte II

9 de Janeiro de 2011

Champagne combina com tudo! Sirva champagne durante toda a refeição! Café da manhã com champagne!

Frases deste tipo carregam um certo exagero, mas não estão muito longe da verdade. Exceto carnes vermelhas, onde o tanino é insubstituível e pratos com texturas untuosas, os champagnes geralmente podem harmonizar muito bem, desde que se escolha o tipo adequado para cada caso. Evidentemente, comidas potentes e um tanto rústicas não combinam com vinhos elegantes.

Os champagnes são muito gastronômicos por apresentar grande acidez, frescor, álcool comedido e textura delicada. Corpo, estrutura e doçura, podem ser calibrados dentre os vários tipos e estilos de champagne.

Do exposto acima, vamos passar por alguns tipos de champagne, ressaltando suas principais características:

Blanc de Blancs

São os mais delicados, elaborados somente com Chardonnay. São leves, muito frescos e minerais. Podem envelhecer com propriedade, adquirindo aromas de trufas e frutas secas.

Acompanham muito bem peixes e frutos do mar in natura: ostras frescas, sashimis, salmão defumado. Início de refeição com petiscos, canapés e entradas leves, também são boas pedidas. Quando envelhecido, podem acompanhar massas e carnes brancas com molhos delicados à base de cogumelos e trufas.

Blanc de Noirs

Elaborado somente com Pinot Noir na maioria das vezes (a outra tinta é a Pinot Meunier). Sua cor é mais intensa, com toques dourados. Mostra-se estruturado e encorpado. Vai bem com aves de sabor mais acentuado como galinha d´angola, marreco ou pato assado. Os vários tipos de cogumelos, além de pâtes de sabor mais marcante (pâte campagne), podem harmonizar muito bem. O rótulo abaixo é 100% Pinot Noir do belo produtor artesanal Barnaut, importado pela Decanter (www.decanter.com.br).

Blanc de Noirs com uvas de Bouzy

Brut non millésimé

Este é tipo mais produzido e consumido. É o carro-chefe de cada maison e imprime o estilo da mesma. Portanto, é muito difícil generalizar. O estilo e o requinte são muito variáveis. Como exemplo, um Moët & Chandon é menos encorpado e menos requintado que um Krug Grande Cuvée, o champagne básico da casa. Chega ser até uma heresia chamar um Krug de básico, mas didaticamente, cabe bem este exemplo para notarmos o abismo que existe nesta categoria de champagne.

Em linhas gerais, devem ser tomados jovens, aproveitando todo seu frescor. Direcione os de maior porcentagem em Chardonnay para entradas e pratos leves. Já os com mais presença de Pinot Noir, para a gastronomia. Eles ficam um tanto cansativos para serem bebericados sozinhos.

Estilo leve: Moët & Chandon, Taittinger e Billecart-Salmon

Estilo encorpado: Drappier, Krug, Bollinger e Egly-Ouriet

Requinte da Côte des Blancs

3 de Dezembro de 2009

Produção artesanal. Somente vinhedos Grand Cru

De Sousa pode parecer estranho ao sotaque francês, mas a origem da família é portuguesa. Sua produção é da ordem de cem mil garrafas por ano, um número desprezivel para os milhões das grandes maisons. Todas as uvas são de vinhedo próprio, o que dá o direito de colocar no rótulo as minúsculas iniciais RM (Récoltant- Manipulant).

Nesta cuvée  “Caudalies” que significa uma medida de tempo para persistência aromática, as vinhas exclusivamente de Chardonnay são todas de vinhedos Grand Cru com mais de 50 anos. O vinhobase é fermentado em barricas de carvalho, sendo 15% novas. A malolática é encorajada com bâtonnages semanais. Apesar destes procedimentos, os aromas de baunilha e manteiga são muito sutis. A permanência sur lies em garrafa é de 36 meses, muito acima do exigido por lei (15 meses). Este tempo prolongado intensifica os processos de autólise das leveduras (degradação das mesmas), dando maior complexidade aromática ao conjunto, além de certa cremosidade e maciez.

O resultado é o caracteristico palha verdeal do Blanc de Blancs com perlage extremamente refinado (bolhas diminutas).  Os aromas são elegantes e delicados com cítricos confitados, o típico mineral, além de notas sutis de baunilha, manteiga e anis. Corpo relativamente leve com destaque para a mousse; delicada, intensa e envolvente. Certa cremosidade começa tomar corpo com a permanência em boca, terminando com grande frescor e toques resinosos. Importadora Decanter (www.decanter.com.br)

Harmonização: sugiro camarões flambados ao cognac com molho branco delicado aromatizado com favas de baunilha. Se não der certo, troque o fornecedor de camarão.

Espumantes à mesa

2 de Dezembro de 2009

 

  

Blanc de Blancs e Salmão Defumado: Sinergia de Sabores

Se você pensa que espumantes servem só para comemorações, está perdendo uma ótima oportunidade de levá-los à mesa. Além do nosso clima, uma dieta saudável tem tudo haver com este tipo de vinho. Comidas leves e refrescantes aliadas a espumantes formam um conjunto de baixas calorias, já que esses vinhos (evidentemente no estilo Brut) dificilmente ultrapassam os 12º de álcool, sendo este elemento, o principal fator de calorias no vinho (1º de álcool equivale a 17 gramas de açúcar por litro).

Deixando a balança de lado, vamos às principais características destes borbulhantes vinhos:

  • acidez: componente principal dando vivacidade e frescor ao conjunto. Enogastronomicamente, combate muito bem a gordura, especialmente frituras.
  • gás carbônico: além de colaborar com a acidez, tem um papel muito importante de textura, a chamada mousse, que forma um colchão de ar delicado, principalmente nos espumantes de alta qualidade, limpando o paladar.

Portanto, gordura, sal e texturas não excessivamente oleosas ou cremosas, são excelentes contrapontos para este tipo de vinho. É bom sempre lembrar que, tratando-se de vinhos de corpo relativamente leve, aromas e sabores delicados, pratos muito estruturados, certamente vão sobrepujar os mesmos.

Resumindo, então teríamos o seguinte:

  • Espumantes leves (a maioria dos nacionais, proseccos e grande parte dos cavas). No caso de champagnes é mais complicado. É bom sabermos o estilo de cada casa, mas o chamado Blanc de Blancs é um pedida certa.

Vão muito bem para recepcionar os convidados, as pequenas entradas servidas antes da refeição e pratos leves como saladas, peixes, frutos do mar e aves. É praticamente insubstituível como vinho de recepção, já que mantém de forma admirável o paladar sempre aguçado.

Vale a pena comentar um erro comum com espumantes da Chandon  na recepção. Não se deve iniciar os serviços com o Chandon Excellence, a despeito de sua ótima qualidade. Na realidade, ele é um espumante gastronômico, um pouco pesado  para bebericarmos sem comida. Portanto, vá de Chandon básico para esta finalidade.

Agora, se você optou por iniciar os trabalhos com champagne, lembre-se que está dado o tom da refeição. Daí para frente, a expectativa é sempre esperando o melhor.

  • Espumantes encorpados (normalmente há uma significativa porcentagem de Pinot Noir). Aqui vários champagnes entram em cena, inclusive os rosés. O champagne Drappier é um exemplo emblemático deste estilo.

São espumantes gastronômicos que devem ser levados à mesa. Acompanham muito bem salmão, atum (principalmente os rosés), moqueca capixaba (a baiana tem dendê), aves de sabor mais pronunciado como galinha d´angola, peixes e frutos do mar com molhos mais elaborados, até mesmo carne suína, exceto pernil.

  • Champagnes de Luxo e grandes millésimes envelhecidos (algumas exceções podem ser incluídas como Franciacorta de alta gama).

Nesta categoria a força do perlage já não é tão importante. Aqui o que fala mais alto é a altíssima qualidade do chamado vinhobase. Só assim esses grandes vinhos podem vencer o tempo. Aqui os aromas terciários aliados aos de redução (contato muito prolongado com as leveduras), dão origem a sensações e sabores únicos.

Necessariamente, precisamos de alta gastronomia. Ingredientes como trufas, foie gras, cogumelos selecionados (morilles), carnes nobres (faisão, vitelo, aves de caça) são decisivos.

Caso não haja este arsenal, parta para um prato  de ave com cogumelos do cotidiano e desfrute da nobreza destes vinhos. Embora não ocorra uma sinergia, também não haverá arranhões.

  • Blanc de Blancs diferenciados (Outra exclusidade dos champagnes com raríssimas exceções que efetivamente apresentem mineralidade).

Côte des Blancs é sinônimo de Chardonnay em Champagne e Chardonnay é sinônimo de mineralidade dada pelo cálcario puro que aflora do subsolo da região, conhecido como “craie”.  A personalidade  e a mineralidade de um autêntico Blanc de Blancs são determinantes para a harmonização de alguns pratos específicos, principalmente peixes e frutos do mar in natura como ostras, salmão defumado, caviar, carpaccios  e boa parte da cozinha japonesa (notadamente os sashimis). Há uma pureza de sabores na harmonização  sem qualquer distorção. Muitas vezes, sentimos um sabor final desagradável de maresia quando o vinho é mal harmonizado (vinho de baixa acidez e caráter frutado).

Esta sinergia é exemplificada na  foto de nosso artigo. Senão, vejamos os principais pontos desta harmonização:

  • Peso adequado entre  prato e vinho.
  • O creme azedo sobre a torrada é compensado pela bela acidez do champagne.
  • O sabor marinho do salmão com a defumação formam um par perfeito com a mineralidade e os toques empireumáticos do champagne.
  • A torrada em si é o próprio prolongamento dos característicos traços de brioche do champagne.
  • Em termos de textura, a leve oleosidade do salmão é perfeitamente limpa pela cremosidade do champagne.

Bon appétit!