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Claude Troisgros: Haddock com Maçãs

9 de Janeiro de 2014

Haddock ou Hadoque (aportuguesado) é um peixe de águas frias semelhante ao Cod Fish (mais conhecido como bacalhau). Normalmente, encontramos o mesmo defumado, processo pelo qual expressa-se melhor. Apesar de tratarmos esta receita como de verão, o mais indicado é servi-la no jantar, especialmente para uma noite romântica. O passo a passo é dado pelo endereço abaixo, no programa Que Marravilha! do Chef Claude Troisgros.

http://gnt.globo.com/receitas/Hadoque-confitado-com-macas–anote-a-receita-de-Claude-Troisgros.shtml

Segundo a receita, podemos perceber a oleosidade do prato. Para isto, precisaremos de vinhos de muito boa acidez. Só por este fato, os brancos saem na frente, deixando pouquíssimas opções para os tintos. Outros ingredientes como amêndoas tostadas, o próprio toque de defumação do peixe, limão siciliano e as maçãs, vão de encontro a um bom champagne. Contudo, devemos procurar champagnes relativamente jovens e com muito frescor. Além disso, o toque açucarado e as as uvas passas no preparo das maçãs, aconselham um champagne não muito seco. Pode ser um Brut com açúcar residual próximo ao limite de sua denominação ou então, um Sec ou Extra-Dry. Um Moët Chandon costuma ter estas características. O Taittinger pode ser uma escolha ainda melhor.

Harmonização com acidez e açúcar em equilíbrio

Outra bela opção seria um Riesling alsaciano ou alemão. A ótima acidez desta nobre casta e a comunhão com o aroma das maçãs é perfeita. Um Zind-Humbrecht, um dos melhores nomes da Alsace, possui o equilíbrio de doçura perfeito. Um alemão Halbtrocken (meio seco ou não tão seco) é uma excelente alternativa. Doctor Bürklin-Wolf da importadora Mistral (www.mistral.com.br) é uma referência na região germânica de Pfalz.

Um Chardonnay poderia ser uma alternativa, mas teria que ser da Borgonha, pela elegância e o perfeito equilíbrio da madeira. Poderia ser um Puligny-Montrachet, porém um Chassagne-Montrachet tem mais peso para o prato. Se for do Novo Mundo, apenas alguns podem cumprir os requisitos acima. Por exemplo, alguns americanos de Sonoma Valley, um argentino Catena Alta, um chileno Amelia ou Sol de Sol, um Hamilton Russell sul-africano, ou um australiano Roxburgh da vinícola Rosemount.

Algum desses vinhos são trazidos pelas seguintes importadoras:

  • Mistral (www.mistral.com.br)
  • Interfood (www.interfood.com.br)
  • Zahil (www.zahilvinhos.com.br

Final de Ano: Harmonização Parte II

16 de Dezembro de 2013

Continuando nossa harmonização para o final de ano, vamos agora ao segundo prato e à sobremesa. Após os frutos do mar do primeiro prato, nada melhor que um belo Magret de Canard ao Molho de Mel com Crisps de Risotto.

Quando se faz o magret (peito de pato fatiado) é importante o ponto da carne, malpassado ou no máximo ao ponto. Nesta receita, o magret passa por uma marinda com mel, vinagre de vinho (tinto ou branco, conforme a escolha do vinho), gengibre, suco de laranja e molho de soja. Sele o magret numa frigideira untada de manteiga. Cuidado com a quantidade de manteiga, pois temos a gordura natural do peito do pato. Reserve o magret e usando a mesma frigideira, junte a marinada reduzindo este molho e finalizando com um pouco de manteiga.

Para o risoto, utilize um bom caldo de galinha ou de legumes, incorporando um pouco de queijo parmesão. Deixe esfriar, leve-o à geladeira e depois corte-o no formato que preferir. Em seguida, doure-o numa frigideira untada com manteiga ou azeite e sirva como guarnição do magret, conforme foto abaixo.

magret molho de mel

Magret de Canard: acessível nos tempos atuais

Para a harmonização, há opções de tintos e brancos, mas minha preferência para esta receita é um branco com a uva Gewurztraminer, evidentemente da Alsácia. É um branco de corpo, aromático, com uma bela sintonia para o mel, gengibre e os toques cítricos da laranja. Seu açúcar residual e e uma acidez suficiente para o prato, são componentes importantes para uma boa harmonização. O produtor Zind-Humbrecht faz belos vinhos com esta cepa, com vinhos precisos para as características acima descritas.

Se a opção for pelos tintos, cuidado com os taninos, pois temos a acidez da laranja e o sal do molho de soja. Como o molho apresenta certa doçura, prefira vinhos encorpados e com bastante fruta. Vinhos jovens do Alentejo, Zinfandel da Califórnia e Merlots do Novo Mundo, são as alternativas mais indicadas. Se preferir um tinto de maior acidez além da fruta, o sul da Itália com as uvas Primitivo e Aglianico cumprem bem esta função.

bolo souza leão

Receita caseira

Esta receita é da tradicional família Souza Leão, de Pernambuco. Leva coco ralado, leite de coco, massa de mandioca (encontrada na feira ou em casa de produtos nordestinos), manteiga, gemas de ovos, açúcar e água. Esses ingredientes depois de misturados são aquecidos numa panela, e em seguida levada ao forno numa forma untada. Detalhes do passo a passo da receita, favor consultar no famoso buscador da internet. 

Bolo de textura cremosa

As opções de harmonização vão desde Late Harvest com a uva Sémillon, os botrytisados de Sauternes, até os vinhos doces de Jurançon e Pacheren-du-Vic-Bilh (ambos com a uva Petit Manseng). Este último, do produtor Alain Brumont, é importado pela Decanter (www.decanter.com.br). Tem doçura e textura na medida certa para a receita em questão. Muitos dos Late Harvest encontrados no mercado apresentam um certo toque de madeira que casa bem com o sabor do coco.

Para quem não viu a primeira parte do jantar é só consultar o post anterior. Por fim, boas festas e harmonizações surpreendentes!

Kassler: Harmonização

21 de Outubro de 2013

Kassler ou Kasseler é um dos pratos mais tradicionais da cozinha alemã, além de Áustria e Dinamarca. Na verdade, várias partes do porco que são salgadas e defumadas podem ser consideradas Kassler. No entanto, aqui no Brasil, estamos falando de costeletas defumadas, conforme foto abaixo.

Kassler com batatas gratinadas

A receita acima inclui os seguintes ingredientes: costeletas de porco (a marca Berna é altamente confiável – http://www.berna.com.br ), batatas, bacon, queijos parmesão e muçarela, e um pouco de manteiga. As costeletas são douradas na manteiga, as batatas cozidas são recheadas com os queijos e posteriormente gratinadas. O bacon picado e frito é colocado sobre as batatas. Não esquecer de ferver as costeletas em água por cinco minutos antes de serem fritas na manteiga.

Albariño adequado ao prato

Para a harmonzação, é evidente que os rieslings alemães e preferencialmente, os rieslings da Alsácia, mais encorpados e com textura adequada ao prato, são as primeiras e naturais escolhas. Entretanto, outros brancos podem fazer frente como os Albariños (Espanha) ou Alvarinhos (Portugal), desde que tenham alguma passagem por barricas e submetidos ao bâtonnage (processo de contato com as leveduras mortas, incorporando mais aromas e textura ao vinho). O exemplar da foto acima (www.decanter.com.br), Albariño de Fefiñanes (com passagem por barrica e bâtonnage) é um dos destaques desta denominação. Chenin Blanc do Loire ou Furmint da Hungria (Tokaji) são uvas de grande acidez, pois o prato é rico em gorduras (manteiga, costeletas, bacon e queijo).

Se a opção for por tintos embora pessoalmente, os brancos tenham mais sucesso, podemos pensar nas uvas de boa acidez e tanicidade moderada. Para um borgonha tinto, os aromas defumados do prato são muito invasivos, encobrindo as sutilezas do vinho. Contudo, um bom Barbera barricato fornece acidez suficiente, a encantadora rusticidade italiana, e os aromas de barrica fazendo par aos toques defumados do prato. Na mesma linha de raciocínio, um bom Tempranillo de Rioja da escola tradicional com seus belos aromas oxidativos, acidez presente e os envolventes toques de barrica (caramelo, baunilha e defumados) são bem adequados à receita. Um ótimo exemplar são os tintos da bodega Rioja Alta, já comentada neste blog em outros artigos. Um Ardanza ou o excepcional 904 são reservas de altíssimo nível desta bodega. Importadora Zahil (www.vinhoszahil.com.br).

Que Marravilha!: Picanha de Porco ao Molho de Mel

12 de Setembro de 2013

Esta é uma das receitas de Claude Troisgros no programa Que Marravilha! do canal GNT. É uma receita mineira com toque francês cujos os ingredientes e o modo de preparo estão no endereço abaixo, após a foto de prato já servido.

Picanha suína ao molho de mel

Picanha suína no lugar do lombo

O arroz de taioba foi substituído pelo risoto (técnica italiana). A propósito, taioba é uma folha grande, parecida com a couve, inclusive no sabor, mas com um final levemente amargo. As maçãs verdes substituem as tradicionais batatas, muito usadas na cozinha mineira. A picanha suína entra no lugar do lombo por ser uma carne mais saborosa e macia.

http://gnt.globo.com/receitas/Picanha-suina-ao-forno-servida-com-risoto-de-taioba.shtml

Pelos ingredientes apresentados, o prato é rico em sabor com toques claramente agridoces. Em termos de harmonização, eu faria mais uma modificação na receita, trocando o vinho tinto da marinada pelo vinho branco, pois os sabores principais do prato fluem melhor com a companhia de um branco. Contudo, precisa ser um branco de personalidade e boa textura. Minha primeira opção seria um Pinot Gris da Alsácia, preferencialmente do excelente produtor Zind-Humbrecht. Seus aromas ricos, textura macia, acidez no ponto certo e o característico toque de doçura, são perfeitos para o prato. Podemos pensar também num belo Borgonha branco da comuna de Meursault com características semelhantes. Um Viognier de boa textura e com leve passagem por barrica também é uma boa opção, embora o caráter floral seja mais incisivo. A apelação Condrieu no sul da França (Rhône) tem mais chances de sucesso.

Agora voltanto à receita original, marinada no vinho tinto, devemos manter a cor do vinho na harmonização. Pelo caráter agridoce do prato, precisa ser um vinho bastante rico em frutas, mantendo um belo frescor. Merlots mais potentes, tintos do Alentejo com muita fruta e jovens, tintos do sul da Itália como Primitivo de Manduria ou Negroamaro, são as opções imediatas. Para um vinho americano, um Zinfandel cheio de frutas é uma escolha interessante. Em resumo, equilibrar o caráter agridoce do prato é fundamental.