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Os Atuais Números da Itália

1 de Setembro de 2014

Os números mais recentes da Itália, o grande protagonista no cenário mundial juntamente com a França, trazem algumas confirmações nas tendências vinícolas deste país. De forma positiva, a produção de vinhos DOC e IGT vem tomando força nos últimos anos, achatando cada vez mais a produção dos chamados “Vino da Távola”, conforme quadro abaixo:

A qualidade tende a imperar

Outro fator positivo é o equilíbrio da produção de vinhos nas três grandes sub-regiões do pais, ou seja, Norte, Centro e Sul. Das vinte regiões vinícolas italianas, o Vêneto cada vez mais assume a liderança na produção, embora Sicília e Puglia tenham ainda sua importância. Em outros tempos, essas duas regiões sulinas eram verdadeiras máquinas de produção de vinhos. Em sua maioria, de qualidade duvidosa. Felizmente, a tendência da qualidade em detrimento da quantidade parece ter sido entendida pelos produtores do Mezzogiorno. Outro destaque, é a grande produção da Emília-Romagna, região de transição entre o norte e centro italianos. Por fim, Toscana e Piemonte apresentam produções semelhantes, sempre com alta qualidade em seus vinhos, bem acima da média das demais regiões, conforme quadro abaixo:

Grande equilíbrio em produção entre o Norte e Sul italianos

Notem as baixíssimas produções no Valle d´Aosta e Luguria. De fato, as dimensões das respectivas áreas aliadas a relevos extremamente acidentados, limitam muito o incremento da produção. Em particular, no Valle d´Aosta temos ainda o clima alpino. Praticamente, junto aos Alpes, as temperaturas são extremas para as vinhas.

No restante, percebemos uma certa estabilização das demais regiões desde 2008, embora Sicília, Sardegna e Emília-Romagna, deem sinais de pequeno mais consistente crescimento.

Lembrete: Vinho Sem  Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

Harmonização: Carne Vermelha

31 de Maio de 2013

Um dos artigos mais acessados deste blog é o da harmonização entre churrasco e vinho. Neste artigo, falamos de uma forma generalizada sobre os vários tipos de carne mais empregados no churrasco em família, muito típico nos finais de semana. Evidentemente, todo assunto tem sua complexidade e detalhes, na medida em buscamos algo mais específico. Neste sentido, o artigo de hoje detalha três cortes de carne de boi bastante valorizados nas principais churrascarias.

Vamos começar pelo corte mais magro e logicamente mais fibroso, aumentando paulatinamente o teor de gordura intrínseco à carne.

Bife de Chorizo

Este é o chamado contra-filé ou entrecôte  para os franceses. É menos gorduroso que o bife ancho, a parte mais nobre do contra-filé, já comentado em artigo específico neste mesmo blog. Neste corte, é fundamental o ponto da carne. No máximo, ao ponto. Por ter menos gordura intrínseca e grande fibrosidade, a suculência é fundamental. E é exatamente esta suculência, a grande aliada de poderosos taninos. Portanto não tenha medo, aqui vai muito bem um belo Tannat ou Madiran, se preferir o original francês. Cabernets  poderosos também são sempre bem-vindos. Enfim, todo tinto varietal ou de corte rico em taninos fará uma bela parceria.

Picanha: Preferência nacional

Neste corte, o sabor da gordura e a maciez são ingredientes sedutores para seu maciço consumo. De fato, além da capa de gordura, a mesma penetra pela carne em seu preparo na grelha. Como temos menos fibrosidade, mais gordura e maior maciez, os tintos não precisam ser tão poderosos em tanino. Daí, o belo casamento com os convidativos Malbecs argentinos. Eles possuem taninos mais dóceis, acidez relativamente boa e maciez adequada ao corte. Prefira os Malbecs do Valle de Uco, mais frescos e vibrantes. Um toscano de boa estrutura, desde um Chianti Clássico até um supertoscano (mesclando Sangiovese com tintas bordalesas) são opções certeiras. Riojas Crianza jovens apresentando bom frescor e tanicidade adequada calcados na bela Tempranillo, também são ótimos parceiros.

Costela: Paciência recompensada no adequado preparo

Na foto acima, dá para perceber a carne se desmanchando devido ao longo preparo longe da brasa, e toda a gordura entremeada à mesma. Portanto, temos sabores intensos, textura macia e alto teor de gordura. É fundamental para este corte, vinhos intensos e de grande acidez, grande frescor. Aqui os europeus brilham como nunca. Um belo tinto da Bairrada com a poderosa uva Baga casa-se perfeitamente. Os grandes tintos do Piemonte calcados na uva Nebbiolo, Barolos e Barbarescos, são belas escolhas também. Notem que nos dois exemplos, a tanicidade também está presente, mas só ela não é capaz de vencer a oleosidade da carne. Portanto, a acidez é fundamental para limpar esta gordura, funcionando como um eficiente detergente. Se quiserem um representante do Novo Mundo, tentem um Cabernet australiano de Coonawarra (região também já comentada neste blog). Sua estrutura, intensidade e principalmente, sua acidez marcante, fogem dos padrões australianos.

Principais Uvas Européias

15 de Abril de 2013

Estudos recentes mostram o panorama atual do vinhedo europeu, destacando-se os principais países como Espanha, França e Itália. O quadro abaixo mostra as principais uvas plantadas em milhares de hectares. 

Uvas espanholas no topo da lista

Para quem já sabia, a uva branca espanhola Airén reina absoluta no vinhedo espanhol, sobretudo nas regiões de La Mancha e Valdepeñas. Embora com produção bem mais modesta que de outros tempos, ainda se presta para vinhos baratos,  para misturas com outras castas, e também para destilação na elaboração de Brandies, inclusive no famoso Brandy de Jerez. Esta uva sozinha apresenta o dobro de área plantada de toda a Alemanha.

Outra espanhola no topo da lista é a onipresente Tempranillo. Com vários sinônimos por toda a Espanha, ganhou fama e prestígio sobretudo nas regiões de Rioja e Ribera del Duero. Nos últimos tempos, ganhou força nas regiões de La Mancha e Castilla y Léon.

A Merlot continua sendo a grande tinta francesa, inclusive na região de Bordeaux, embora a Cabernet Sauvginon tenha sua força. Aliás, estas duas castas bordalesas ganham prestígio na Itália, principalmente na região da Toscana com os famosos e badalados supertoscanos.

A Grenache ou Garnacha divide sua fama entre Espanha e França. Belos exemplares espanhóis são elaborados com vinhas velhas, enquanto do lado francês, o Rhône Sul e Languedoc respondem por sua expansão.

A insípida Trebbiano ou Ugni Blanc vem caindo cada vez mais em território italiano. Do lado francês, o firme cultivo está baseado no grande destilado do país, o todo poderoso Cognac.

Dentre as tintas italianas, a Sangiovese continua absoluta não só na Toscana, bem como em toda a Itália Central. Emilia-Romagna e Marche principalmente, são regiões de grande cultivo.

Pinot Noir e Gamay fecham a lista em disputa acirrada não só na Borgonha, berço das duas cepas, como em várias apelações no vale do Loire.

Este prato é o Massimo!

1 de Abril de 2013

Não é erro de grafia não. O restaurante Massimo foi um dos ícones da gastronomia paulistana, sobretudo nos anos oitenta. É uma homenagem também a Saul Galvão, recentemente falecido, que adorava este restaurante.

Massimo

Livro Prazeres da Mesa (Saul Galvão)

Este prato envolve vários ingredientes, tais como: Brócolis, tomates em molho e em tiras, azeitonas, parmesão, manjericão e os famosos polpetini (espécie de almôndegas bem pequenas, do tamanho de um brigadeiro de festa). Para as almôndegas, cada um tem sua receita, mas é bom incorporar farinha de rosca para dar liga. Na mesma panela após a fritura das mesmas, adicionar alho, as tiras de tomate, o molho de tomate (vejam na foto, que a massa não fica nadando no molho). Em seguida, adicionar a massa al dente, as flores de brócolis cozidas (os cabinhos mais tenros do vegetal), o manjericão, as azeitonas partidas ao meio e o parmesão ralado. Acertar o sal e servir.

O parmesão, as azeitonas e o tomate, preferencialmente, pedem um vinho italiano. Baseado em algumas ofertas da importadora Vinci (www.vinci.com.br), seguem duas indicações não muito conhecidas do grande público para este prato: um Rosso di Montepulciano da cantina Dei, uma das referências para esta denominação de origem; e um Cannonau di Sardegna, denominação famosa da ilha homônima, da reputada vinícola Argiolas.

O primeiro é um tinto toscano elaborado em Montepulciano fundamentalmente com a uva Sangiovese, acrescida por pequenas parcelas de Canaiolo e Merlot. Breve passagem por madeira de grandes dimensões, antes do engarrafamento. Corpo e acidez adequados ao prato.

Para quem gosta de um vinho mais macio, a segunda opção é bastante convidativa. Este tinto sardo é elaborado com Grenache ou Garnacha (conhecida localmente como Cannonau) e pitadas de Carignano e Bovale. A passagem por madeira é um pouco mais intensa, mas sempre no sentido da micro-oxigenação. 

As duas safras disponíveis na importadora são do ano 2009, mantendo o lado frutado e um bom frescor.