Posts Tagged ‘pinot noir’
29 de Novembro de 2012
Conforme mapa abaixo, referente ao site oficial dos vinhos sul-africanos (www.wosa.co.za), veremos a partir deste post, outras regiões interessantes, embora o trio de ferro deste país (distritos de Stellenbosch, Paarl e Constantia) já tenha sido descrito nos artigos anteriores, todos pertencentes à região de Coastal Region.

Demais regiões espalham-se a partir da trilogia original
O primeiro distrito a ser abordado é Walker Bay, pertencente à região de Cape South Coast. No extremo sul dos vinhedos sul-africanos, recebe toda a influência da fria corrente de Benguela. E aqui, existe um produtor emblemático e bastante antigo na região, Hamilton Russell. Aficionado pelos vinhedos da Borgonha, plantou clones especiais das uvas Chardonnay e Pinot Noir, perfeitamente adaptados ao terroir local para elaborar vinhos de destaque, sempre bem cotados nas principais publicações especializadas. Para variar, também é importado pela Mistral (www.mistral.com.br). Fez escola na região. Atualmente, bons concorrentes como Bouchard Finlayson e Newton Johnson.
Outros distritos pertencentes à região de Cape South Coast como Elgin e Overberg não têm tanto prestígio como Walker Bay. Outro distrito que começa a ganhar destaque é Cape Agulhas. A fama do Sauvignon Blanc destes distritos é das melhores com vinhos vibrantes e minerais. Produtores como Paul Cluver e Land´s End destacam-se neste cenário.
Robertson
Na região de Breede River Valley temos os ditritos de Breedekloof (recentemente surgido a partir do desmembramento de Worcester), Worcester e Roberston. Os dois primeiros, sem grandes destaques, elaborando vinhos corriqueiros, embora haja um efetivo progresso. Contudo, são distritos de grande produção. Já Roberston, o mais a leste da região, conforme mapa acima, apresenta em locais estratégicos solos mais calcários e com alguma influência marítima em termos climáticos. No entanto, ainda é uma região relativamente quente. O progresso de seus vinhos vem ganhando destaque nos últimos tempos, com tintos e brancos surpreendentes, sobretudo os brancos à base de Chardonnay. Vinícolas como De Wetshof e Springfield merecem destaque. A primeira é trazida para o Brasil pela importadora Mistral (www.mistral.com.br), enquanto a segundo era da importadora Expand. Springfield Chardonnay é vinho muito interssante elaborado com leveduras nativas.
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1 de Novembro de 2012
Dentre os terroirs da Borgonha, a Montagne de Corton é extremamente didática para mostrar os critérios de plantio das duas castas principais entre tintos e brancos, ou seja, Pinot Noir e Chardonnay. Situada na parte norte da Côte de Beaune, delimita praticamente a divisa para a chamada Côte de Nuits, berço espiritual da Pinot Noir com tintos de contos de fada.
Dois Grands Crus na mesma montanha: Branco e Tinto
Numa foto área da montanha, percebemos nitidamente as delimitações das apelações Corton-Charlemagne (branco) e Corton (tinto) de acordo com a composição de seus respectivos solos.

Na mesma montanha, composição de solos distinta
Associando as duas fotos acima, percebemos que próximo ao cume onde há um belo bosque, até aproximadamente ao meio da colina, temos o típico solo de marga (mistura judiciosa de argila e calcário) com importantes afloramentos de calcário. Neste cenário, encontra-se o terroir ideal para a Chardonnay. Deste ponto adiante, acompanhando a descida da colina, a proporção de argila volta a dominar o marga, tornando o solo um pouco mais frio. Aliado ao clima da Borgonha, este solo torna-se ideal para o cultivo da Pinot Noir, alongando seu ciclo de maturação, permitindo assim maior riqueza de aromas e principalmente estrutura tânica, entre outros polifenóis. Aqui temos o único Grand Cru tinto de toda a Côte de Beaune, chamado simplesmente de Corton.

Perfil geológico: diversidade de solos
Conforme perfil acima, percebemos os alforamentos de calcário na zona de Corton-Charlemagne. Já em camadas mais profundas, na zona de Corton (tintos), os componentes de solo como oolite e pearly flagstone podem transmitir mineralidade ao vinho. São formações geológicas relacionadas a fósseis marinhos há milhões de anos. A presença de ferro nos chamados ferruginous oolite também podem acentuar uma intensidade de cor mais profunda nos belos tintos de Corton.
Estes são apenas alguns dos detalhes do intrincado terroir borgonhês. Dentre os belos produtores destas apelações, a domaine Bonneau du Martray reina absoluta com brancos e tintos de grande longevidade. Os brancos inclusive, devem ser obrigatoriamente decantados por algumas horas. Esses vinhos são trazidos pela importadora Mistral (www.mistral.com.br) e fazem parte de um seleto grupo do que há de melhor entre os melhores de toda a Borgonha.
Recentemente, na ABS-SP (Associação Brasileira de Sommeliers) foram degustados estes dois Grands Crus do produtor e negociante Louis Jadot (também importado pela Mistral). O branco Corton-Charlemagne da safra 2004 e o tinto Corton Gréves da safra 2006 (Gréves é um dos vinhedos desta apelação). As safras não eram das melhores como 2005 por exemplo, mas a força do terroir se faz presente. São vinhos de personalidade, minerais, com boa expansão de boca, e ainda com muita vida pela frente. O tinto tem uma bela estrutura tânica, caráter masculino e ainda um tanto fechado. Precisa ser decantado para uma boa aeração. Enfim, são vinhos que ratificam na taça todo o esplendor de terroirs diferenciados como a abençoada montanha de Corton.
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29 de Outubro de 2012
Voltando ao nosso mapa original, notamos que outras AVAs de Napa Valley não têm a mesma importância que as já citadas em artigos anteriores. Uma que merece menção especial é Los Carneros, bem ao sul da região, com toda a influência das brisas frias da baía de San Pablo. É fonte de bons Chardonnays e Pinot Noir.

Napa Valley: aproximadamente 18.000 hectares de vinhas
Nos três artigos anteriores, tentamos mostrar o pioneirismo e a supremacia da Califórnia, especialmente Napa Valley, na elaboração de grandes vinhos do chamado bloco dos países do Novo Mundo. O clássico corte bordalês tão reproduzido em várias regiões e países, parece ter encontrado em Napa Valley sua cópia mais fiel. Evidentemente, a classe e elegância francesas não estão em xeque, mas os tintos de Napa baseados em Cabernet Sauvignon chegam muito perto em refinamento e também em preços. Na maioria das vezes, os americanos pecam por serem um tanto potentes, amadeirados e com um toque mentolado característico. Entretanto, os grandes exemplares mencionados nos artigos descritos, corrigem estes “defeitos crônicos”, deixando os melhores “grand cru classé” com a pulga atrás da orelha, e são um tormento para degustadores experimentados quando degustados às cegas.
Por razões de preço e baixa oferta, poucas importadores trazem vinhos americanos. Entretanto, citaremos alguns endereços abaixo onde podem ser encontrados alguns dos vinhos citados nesses artigos específicos sobre Napa Valley. Como dissemos, não são vinhos baratos, mas para aqueles viajam ou estão acostumados a adquirir vinhos ícones, vale a pena a experiência. Além disso, podem surgir gratas surpresas para aqueles que veneram os grandes bordeaux.
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18 de Junho de 2012
Deixei para este último artigo, as temidas comparações taça a taça entre Cros Parantoux e Romanée-Conti. Aqui, mais que as diferenças de solo, altitude e pequenos fatores climáticos, está em jogo a filosofia de vinificação que cada um destes monumentais vinhos incorporam. Antes de explorarmos este ponto, vejam o vídeo abaixo do mestre Henri Jayer.
http://youtu.be/-NpyCd8dqQM
Henri Jayer tinha com lema extrair de suas uvas os aromas e sabores mais delicados. Quando ainda ninguém pensava nisso, Jayer já praticava a maceração pré-fermentativa em baixa temperatura, buscando a delicadeza dos frutos e seus aromas mais sutis. Um dos pontos fundamentais de sua filosofia era vinificar totalmente sem engaço. Os taninos segundo Jayer, deveriam ser extraídos suavemente apenas das cascas delicadas da Pinot Noir. Quaisquer taninos provenientes do engaço incomodavam e irritavam-o, quer pelos aromas vegetais, quer pela textura de certa aspereza.

Pessoalmente, acho que este é ponto crucial da comparação. Em todas as safras, existia um vinho claramente feminino, sedoso e sedutor, enquanto o respectivo par apresentava-se mais sisudo, mais misterioso e com taninos mais marcantes. É claro que Romanée-Conti é sempre soberbo, não importando a safra, com seus aromas minerais marcantes, terrosos, lembrando adegas úmidas. E sempre aparece aquele ponto de interrogação. É misterioso e parece nunca estar pronto. Para aqueles que possuem uma garrafa deste mito, favor não abrí-la antes de sua maioridade, pelo menos vinte e um anos. Em suma, os vinhos sempre acabam refletindo a personalidade de seus mentores.
De todo modo, fica a lição. Henri Jayer utilizou com incrível sabedoria o poder do homem sobre o terroir. Evidentemente, os mestres sempre dizem não fazer nada na elaboração de um grande vinho, basta deixar a natureza agir por conta própria. Entretanto, não nos esqueçamos de outra frase: “o homem faz o terroir ou o desfaz”. Oxalá, Henri Jayer tenha sucessores à altura de seu talento!
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14 de Junho de 2012
Alguém já disse: “A comparação é cruel”. Esta frase resume bem o embate entre algumas safras do lendário Cros Parantoux de Henri Jayer e o mítico Romanée-Conti do sóbrio Aubert de Villaine. Terroir é um conceito mais que apropriado para este artigo, é absolutamente obrigatório. Um de seus pilares faz menção ao homem, além do solo, clima e uvas (no caso somente Pinot Noir). E este homem, Henri Jayer, faz toda a diferença.
Provar qualquer um destes vinhos isoladamente é sempre um momento de contemplação. Qualquer um beberia algumas taças com enorme prazer. São verdadeiras obras de arte. Entretanto, ponderei muito antes de escrever este artigo, mas a realidade obriga-me a dizer algumas frases quase insensatas. Pela primeira vez, algo que jamais imaginei, senti algumas taças de Romanée-Conti incomodadas, constrangidas e até num grau de insensatez maior, humilhadas, frente à sublime delicadeza do Premier Cru Cros Parantoux, o qual Jayer nunca se importou com a classificação. A simples menção de seu nome bastava.

Como tratava-se de safras antigas (85, 86, 87, 88, 90, 91, 93 e 95), não existem grandes safras e sim, grandes garrafas. Neste contexto, a garrafa de Cros Parantoux 1988 estava incrivelmente espetacular. Todos os descritores aromáticos de um grande borgonha estavam alí, principalmente sous-bois, rosas e caça. A delicadeza, a personalidade e força deste terroir fundiam-se maravilhosamente com taninos de rara textura. Como algo tão delicado, aparentemente frágil, pode resistir por 24 anos. E não estou falando em final de linha, pelo contrário, mostra-se num platô seguro, com bons anos pela frente. É a magia dos grandes vinhos!
De um modo geral, todos os vinhos estavam bem conservados, exceto Cros Parantoux 1985. Um pouco cansado, reforçado pelo baixo nível de líquido na garrafa. As safras de 91, 93 e 95 foram um conpleto infanticídio. Vinhos ainda fechados, com taninos muito presentes, faltando a perfeita integração entre seus componentes que só o tempo é capaz de proporcionar. As safras de 85 e 90 confirmaram sua superioridade, chegando próximas à perfeição. A menos emocionante foi a safra de 86 com vinhos elegantes, mas não tão expansivos. Já 1987 é uma safra hedonista, com vinhos maduros, bem acabados e num bom momento para serem apreciados. Um ano polêmico como 1988, surpreendeu favoravelmente, com taninos evoluindo muito bem e proporcionando a devida estrutura para uma boa longevidade. Qualidade muito próxima à granda safra de 1990.
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11 de Junho de 2012

O pedaço mais cobiçado da Borgonha
As diferenças ou semelhanças entre o mítico vinhedo Romanée-Conti, e o lendário vinhedo Cros Parantoux, vão muito além dos 250 metros que os separam. Henri Jayer, o grande cidadão de Vosne-Romanée, conseguiu a proeza de obter em 50 anos de seu Cros Parantoux, prestígio e reverência equivalentes aos 1000 anos do mais respeitado e decantado tinto de toda a Borgonha, o soberano Romanée-Conti.
Henri Jayer, falecido em 2006, em seus 84 anos de existência, alcançou prestígio e respeito de todos que cultivam e vinificam na Borgonha, sobretudo no abençoado terroir de Vosne-Romanée. Sua frase mais marcante diz:
“Un grand vin est conçu dans le vignoble, pas dans la cave”, ou seja, “Um grande vinho é concebido no vinhedo, não na adega”.
Seus ensinamentos mais emblemáticos enfatizam o cultivo sob baixos rendimentos, aversão a qualquer utilização de produtos químicos nas vinhas, desengaço total das uvas para vinificação, maceração pré-fermentativa à baixa temperatura, e ausência de filtração em todo o processo, até o engarrafamento.
Os encarregados de perpetuar a lenda após sua morte são seu sobrinho, Emmanuel Rouget, e a respeitadíssima Domaine Méo-Camuzet, a qual sempre manteve laços de fidelidade, amizade e profissionalismo. Agora não mais, “mis en bouteille par Henri Jayer”. Sua última safra foi em 2001.

Cros Parantoux: Vizinhança Nobre
Vinhedo de 1,01 hectare de solo pobre e pedregoso. Antes da intervenção de Henri Jayer, era considerado um vinhedo comum, de trabalho muito intenso para pouco resultado. Vizinho a norte do excepcional Grand Cru Richebourg, Jayer percebeu que seu solo pobre e delgado tinha um lastro muito pedregoso. Dinamitou as pedras, retirando parte delas, sobretudo as de maior tamanho, formando um novo vinhedo logo após a segunda guerra mundial. Jayer reparou que o solo era ligeiramente mais frio, comparado à sua nobre vizinhança, proporcionando uvas de maior acidez e consequentemente, vinhos mais elegantes. Em média, são elaboradas 3500 garrafas por ano.

Romanée-Conti
Vinhedo de 1,8140 hectares em altitude perfeita na colina, a 275 metros, cinquenta metros abaixo de Cros Parantoux. A composição do marga (mistura judiciosa de argila e calcário) atinge proporção ideal com presença de fósseis marinhos. A vinificação é feita com engaço e maceração de duas a três semanas. O vinho passa em média, 18 meses em barricas de carvalho novas.
Os rendimentos são muito baixos, não raramente menores de 25 hectolitros por hectare. As vinhas possuem idade média de mais de 50 anos. Menos de 6000 garrafas por safra.
Le Montrachet, o excepcional branco da Domaine, tem área de apenas 0,6759 hectare. É sem dúvida, um dos maiores vinhos brancos do mundo. A perfeição da casta Chardonnay. Normalmente, não mais que 3000 garrafas por safra.
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12 de Abril de 2012
Caminhando no sentido sul da Côte de Beaune, após explorarmos a montanha de Corton, vamos nos fixar em dois belos tintos deste climat, Volnay e Pommard. Como dois vinhedos tão próximos, podem gerar vinhos absolutamente distintos. O primeiro, Volnay, é o mais emblemático exemplo de delicadeza em que a Pinot Noir é capaz de se transformar, enquanto o segundo, Pommard, mostra toda a virilidade e caráter masculino desta mesma uva.
O solo tem papel fundamental nesta interpretação, mostrando que a presença marcante de calcário em Volnay torna a Pinot Noir extremamente delicada e feminina. Já em Pommard, o marga assume proporções de argila mais acentuadas, aliadas à importante presença de óxido de ferro, tornando seus vinhos mais encorpados e com cores mais marcantes. É a magia e lógica deste grande terroir.
Para fazer a prova, escolha um grande Volnay do produtor Montille (www.mistral.com.br) e Pommard do produtor Comte Armand (www.premiumwines.com.br). Dois belos vinhos em interpretações distintas e surpreendentes.

Côte de Beaune: Brancos importantes
No prolongamento de Volnay começa o terroir de Meursault. Aqui começamos a falar de brancos sérios, coisa de gente grande. Os importantes afloramentos de calcário começam a dominar o marga, sem a pedregosidade mais evidente de Volnay. Meursault não consegue ter toda a sutileza de Puligny, comuna que falaremos na sequência, mas sua densidade, sua textura e sua riqueza de aromas, impressionam à primeira vista. Ainda aqui, não há um Grand Cru, mas Premiers de grande destaque sobretudo, Les Perrières. Produtores como Roulot, Michel Bouzerau e J-M Boillot são altamente confiáveis. Já produtores do quilate de Coche-Dury e Comtes Lafon são irrepreensíveis e de preços proibitivos. Jean-Marc Boillot e Michel Bouzerau são trazido pela importadora Cellar (www.cellar-af.com.br). Outro belo produtor de Meursault é Patrick Javillier trazido pela Premium Wines (www.premiumwines.com.br).

Lafon: a perfeição em Meursault
Próximo post: Se há o paraíso de vinhos brancos na terra, qualquer palavra com o sufixo Montrachet é sua porta de entrada.
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9 de Abril de 2012
Retomando nossa viagem pela Borgonha, trataremos agora da parte sul da Côte d´Or, a famosa Côte de Beaune com seus brancos de tirar o fôlego. Evidentemente, estamos falando em Chardonnay no mais alto nível, principalmente nas comunas mágicas de Chassagne-Montrachet e Puligny-Montrachet. Antes porém, conforme foto e mapa abaixos, começaremos por dois Grands Crus da montanha de Corton, extremo norte da Côte de Beaune; o grande branco Corton-Charlemagne e o único Grand Cru tinto Corton.

Esta montanha sintetiza a lógica do terroir borgonhês
Esta proeza deve-se ao fato de bem próximo ao cume da montanha rodeando o bosque, termos na composição do solo, importantes afloramentos de calcário, fator crucial para o plantio da Chardonnay. Já no meio da encosta, o marga assume maiores proporções de argila favorecendo então, o plantio da Pinot Noir. Neste contexto, temos o único tinto Grand Cru da Côte de Beaune que envelhece muito bem em garrafa. Quando novo, mostra-se fechado e com taninos firmes.
Voltando ao vinho branco, Corton-Charlemagne é um dos mais espetaculares Grands Crus, podendo envelhecer por décadas. É um vinho misterioso em sua juventude, com aromas sutis e marcante mineralidade. Bonneau du Martray é um produtor estupendo, trazido atualmente pela importadora Mistral. Contudo, nem tente tomá-lo jovem. É um criminoso infanticídio. Outro belo exemplar da Mistral é do produtor e comerciante Louis Jadot.

Bem próximo a Aloxe-Corton, na redondeza dos vinhedos acima citados, encontra-se a comuna de Savigny-lès-Beaune com tintos delicados, elegantes e bem equilibrados. Evoluem bem em garrafa, com toques intrigantes de caça. Costumam encontrar seu apogeu entre quatro e seis anos de safra. Procure por um bom Premier Cru de produtores como Simon Bize (importadora Mistral) e Chandon de Briailles (importadora Grand Cru).
Importadora Mistral – www.mistral.com.br
Importadora Grand Cru- www.grandcru.com.br
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15 de Março de 2012
Prosseguindo ainda na famosa Côte de Nuits, falaremos sobre as comunas de Morey-St-Denis e Vougeot. A primeira engloba cinco Grands Crus: Clos de Tart, Clos St-Denis, Clos de Lambrays, Clos de La Roche e Bonnes-Mares. Este último, embora com a menor parte, divide-se entre Morey-St-Denis e Chambolle-Musigny.
Os tintos de Morey-St-Denis pendem mais para um estilo Chambertin, com algumas nuances diferenciadas e misteriosas. Clos de Lambrays tem este mistério, é o mais fechado entre os Grands Crus. Clos St-Denis é o mais delicado, feminino, enquanto Clos de La Roche é o mais firme, mais Chambertin. Por último, o espetacular Clos de Tart, talvez o preferido do meu amigo Roberto Rockmann. De fato, é um grande vinho, tendo um pouco de todas as facetas de seus Grands Crus vizinhos. Consegue aliar com maestria, elegância e potência. Boa alternativa de preço aos proibitivos tintos da Domaine de La Romanée-Conti.

Clos de Tart: Propriedade murada
Importadoras de ótimos produtores desta comuna: Clos de Tart (www.cellar-af.com.br), Domaine des Lambrays (importadora Grand Cru) e Domaine Dujac (Expand).

Côte de Nuits: tintos superlativos
A comuna de Vougeot, produtora de tintos e brancos, talvez seja a síntese do alto risco para quem se aventura em borgonhas, inclusive no seu polêmico Grand Cru, Clos de Vougeot. Com aproximadamente 50 hectares, trata-se de um latifúndio para padrões borgonheses, com cerca de 80 produtores. A posição do vinhedo na colina em termos de altitude e composição de solo aliada à filosofia de trabalho de cada produtor, gera vinhos bastante distintos em qualidade e estilo. Vai desde o medíocre ao sublime. Produtores como Méo-Camuzet, Grivot (ambos da importadora Mistral), e Chateau de La Tour (importadora Decanter) são altamente confiáveis.

Méo-Camuzet: Produção minúscula
Outras apelações e comunas como Fixin, Marsannay e Hautes-Côtes de Nuits não apresentam destaques, exceto por um ou outro produtor de produção minúscula. Composição de solo e altitude são alguns dos fatores desfavoráveis para o sucesso de seus vinhos. Em grandes safras, onde a maturação da uvas fica próxima do ideal, seus vinhos ganham alguns atrativos.
Por ora, faremos uma pequena pausa sobre a Borgonha, retornando em breve com novos artigos.
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12 de Março de 2012
As famosas comunas da Côte de Nuits são reverenciadas com vinhos sublimes, proporcionando borgonhas tintos perto da perfeição. Mas atenção, este é um campo minado, repleto de armadilhas que só os especialistas em áreas específicas são capazes de traduzir todo este esplendor. De fato, a proporção de calcário e argila deve ser sempre respeitada, e dela tirar o melhor proveito possível. O calcário dá elegância ao vinho, enquanto a argila fornece estrutura e vigor. Porém, cada um destes fatores tem seus limites.

Observando o mapa acima, vamos nos fixar nas comunas de Gevrey-Chambertin e Nuits-St-Georges, diametralmente opostas, a primeira no limite a norte, a segunda no limite a sul. As duas porporcionam vinhos estruturados, encorpados, aptos a longo envelhecimento. Evidentemente, sempre pensando nos melhores locais e produtores. A diferença básica entre as duas está na elegância. Gevrey-Chambertin possui maior proporção de calcário, enquanto em Nuits-St-Georges a argila predomina demais. Numa sintonia fina, os tintos de Nuits-St-Georges são um tanto rústicos se comparado ao seu concorrente mais ilustre. Pessoalmente, os dois são excelentes.
Alguns produtores: Rossignol-Trapet (www.cellar-af.com.br), Armand Rousseau (era trazido pela Expand). Os dois são excelentes em Chambertin. Domaine Henri Gouges (www.zahil.com.br) e Jacques-Frédéric Mugnier (www.cellar-af.com.br) são grandes nomes em Nuits-St-Georges.
Chambolle-Musigny e Vosne-Romanée
Novamente, uma comparação interessante. As duas comunas são famosas por fornecerem os tintos mais femininos e elegantes da Côte de Nuits. De fato, a presença de boa proporção de calcário em Chambolle promove esta elegância, principalmente em seu famoso vinhedo “Les Amoureusses”. No entanto, uma proporção um pouco maior de argila na comuna de Vosne-Romanée mantém esta elegância, mas com um ganho de profundidade e estrutura. Talvez aqui, a argila e o calcário tenham encontrado a proporção ideal, justificando o velho ditado: “Em Vosne não existem vinhos comuns”.
Esta análise é absolutamente genérica e um tanto superficial. Existem inúmeras exceções nos dois lados que podem contrariar esta tese. Contudo, de maneira geral, ela é relativamente consistente. O vinhedo “Le Musigny”, espetacular Grand Cru da comuna de Chambolle-Musigny é uma das exceções, onde a proporção de argila em relação ao calcário, é maior.
Produtores como Comte Vogüé, Georges Roumier e Jacques-Frédéric Mugnier são belas referências na apelação Chambolle-Musigny. Já para Vosne-Romanée, além da lendária Domaine de La Romanée-Conti, temos Méo-Camuzet, Anne-Françoise Gros e Jean Grivot, bastante confiáveis.
Os importadores destes produtores são: www.mistral.com.br (Vogüé, Camuzet e Grivot), www.cellar-af.com.br (Gros e Mugnier) e alguns exemplares da Domaine de La Romanée-Conti na Expand (www.expand.com.br).
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