Archive for the ‘Os números do vinho’ Category

OIV: Tendências e Atualizações Mundiais

8 de Julho de 2013

Já é de praxe neste blog, informarmos as tendências e atualizações mais recentes no mundo do vinho através da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho). Este último congresso ocorreu em Bucareste no mês de junho deste ano. Algumas das últimas previsões se confirmam com destaque para a China, a estabilização do Velho Mundo, e certo crescimento no chamado Novo Mundo, particularmente nas Américas e Ásia.

A primeira constatação é que a área mundial de vinhedos vem caindo ano a ano de maneira discreta, chegando aos sete milhões quinhentos e vinte e oito mil hectares em 2012. Neste número há uma clara tendência de decréscimo nos vinhedos europeus, e acréscimo nos vinhedos asiáticos e americanos (principalmente América do Sul).

Quanto à produção total de uvas para diversas finalidades, não só a produção de vinhos, há uma certa estabilização, sendo que em 2012 este número deve ficar em seiscentos e noventa milhões de quintais (um quintal aproximadamente cem quilos). A China lidera com folga este ranking, seguida pela Itália e Estados Unidos.

OIV 2013 PRODUÇÃO VINHOSProdução Mundial de Vinhos

Na produção mundial de vinhos (vide gráfico acima), os três gigantes europeus seguem na liderança, porém sempre em tendência de queda. Já os Estados Unidos solidifica cada vez mais a quarta posição. O mesmo não acontece com a Argentina que manteve por longo tempo a quinta posição. Agora, China, Austrália e Chile, disputam a mesma com vantagem para os chineses que apresentam números de forte crescimento, a despeito da qualidade. A produção mundial deve ficar em duzentos e cinquenta e dois milhões de hectolitros que em outros tempos já superou a marca de trezentos milhões de hectolitros.

OIV 2013 CONSUMO  VINHOSConsumo Mundial de Vinhos

Quanto ao consumo mundial de vinhos (vide gráfico acima), a França ainda lidera, ameaçada fortemente pelos Estados Unidos. Alemanha e Reino Unido mantêm-se relativamente estáveis, enquanto a China dá um salto expressivo. Rússia e Canadá também destacam-se neste crescimento. A Itália e Espanha, grandes produtores, amargam forte decréscimo no consumo entre seus habitantes.

OIV 2013 IMPORTAÇÃO VINHOSPrincipais países importadores

Quanto à importação mundial, o quadro acima é bastante elucidativo nos tipos de vinhos que são comercializados. Vejam que a França não tem nenhum problema em importar vinhos em embalagens maiores. É mais barato e muitas destas embalagens tem um sistema a vácuo que preservar o vinho até as últimas taças a serem consumidas. Evidentemente, trata-se de vinhos para o dia a dia, sem maiores rituais. A importação de espumantes expressiva no Japão vai de encontro com sua gastronomia bastante típica. China e Canadá por exemplo, concentram-se em importações de vinhos engarrafados. O trio de ferro da importação permanece no topo (Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha).

OIV 2013 PRODUCÃO COMPARATIVA

Comparativo entre 2000 e 2012

Voltando à produção mundial de vinhos, o comparativo acima mostra que o bolo gradativamente está sendo fatiado com menor predominância do chamado Velho Mundo, embora sua liderança ainda seja expressiva. Além do crescimento chinês, o Chile continua expandindo seus vinhedos de norte a sul. A multiplicação de seus vales, buscando ao mesmo tempo uma identidade de terroir é notável. O vinhedo australiano também tem se expandido. A exemplo do Chile, a Austrália motiva-se neste crescimento, pois esses dois países travam uma batalha de gigantes no competitivo mundo dos maiores exportadores de vinho do chamado Novo Mundo.

Os números de 2012

3 de Janeiro de 2013

Caros leitores e amigos,

Mais um ano em que os números de Vinho Sem Segredo superam todas minhas expectativas. Sinal de caminho certo, consistente e principalmente independente. Os artigos continuarão a serem publicados duas vezes por semana, vislumbrando em alguns anos chegarmos ao número mil. Espero com este objetivo, varrer didaticamente todas as principais regiões vinícolas do planeta, além de artigos intercalados com notícias de momento e também, sempre privilegiando o universo da enogastronomia.

Só tenho a agradecer mais uma vez todos vocês que interagem, comentam e sugerem temas. Este sinceramente, é meu maior combustível para a ampliação e enriquecimento deste blog. Cliquem abaixo no resumo 2012.

Feliz 2013! Sigamos juntos mais um ano no fascinante mundo da enogastronomia.

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 98.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 5 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

As Marcas mais Poderosas no Mundo

6 de Setembro de 2012

O mundo dos fermentados e destilados é rico e extremamente diversificado. Cada país, cada região específica, produz bebidas de acordo com seu clima, solo e costumes locais. É aquela palavrinha mágica chamada terroir. Neste contexto, Escócia lembra Whisky, França os Vinhos, Alemanha Cerveja, Japão Saquê, e assim por diante.

Existem também bebidas que apresentam uma certa dualidade quanto às origens, qualidade e prestígio. É o caso por exemplo do Gim (Inglaterra ou Holanda), Vodka (Rússia ou Polônia), Pisco (Chile ou Peru), dentre outros.

Neste artigo, vamos fazer um apanhado geral pelo mundo, em busca das bebidas e marcas mais consumidas, mais prestigiadas, e mais poderosas. O estudo é feito anualmente pela Intalgible Business, empresa especializada em estratégias, estudos e estatísticas das principais bebidas comercializadas e consumidas no mundo.

Pelo gráfico abaixo, percebemos que o Whisky e a Vodka são os dois grandes destilados que dominam o mundo. O vinho aparece em quinto lugar, seguido pelos brandies (destilados de uvas) e um pouco mais abaixo, os espumantes numa categoria à parte.

Whisky: a bebida mais poderosa no mundo

O que chamamos de Flavoured Spirits são bebidas aromáticas, misturadas a destilados, e emblematizadas pelos licores de uma maneira geral. Marcas como Baileys, Grand Marnier, Pastis 51 e Cointreau exemplificam bem esta categoria que está em sétimo lugar na tabela acima. Já a categoria Light Aperitif é personificada pelos vermutes como Martini, Cinzano e Aperol.

Dentre as grandes companhias vinícolas, a tabela abaixo mostra os quinze maiores grupos vinícolas em 2011 com destaque para o gigante chileno Concha Y Toro, já abordado em artigo específico neste mesmo blog. Estados Unidos e Austrália dominam este setor com conglomerados imensos reunindo grandes vinícolas em seus respectivos países.

Estados Unidos e Austrália no poder

Finalizando, a tabela abaixo mostra o ranking das principais marcas no mundo das bebidas, facilmente reconhecidas por seus fãs e consumidores. Johnnie Waker e Jack Daniel´s encabeçam as grandes marcas escocesas e americanas de Whisky, respectivamente. O grupo LVMH mostra seu poder com marcas como Moët et Chandon, Hennessy e Veuve Clicquot. As vodcas Absolut e Smirnoff comandam um grande império. Por enquanto, nenhuma vinícola está neste seleto grupo de poder, a não ser os sofisticados champagnes.

Os destilados no topo do mundo

Quanto aos apreciadores de cerveja,não fiquem tristes! Este é o fermentado mais consumido no mundo, depois da água (líquido universal) e chá. Com esta penetração e popularidade, torna-se um produto relativamente barato, exceto as grandes cervejas artesanais, sobretudo as belgas. A exemplo do vinho, não possui um valor agregado tão alto na média para fazer frente às marcas citadas acima nas várias tabelas.

Enfim, para quem gosta de beber, não faltam opções de preço, estilo, origem e tipos de bebidas. A opção por bebidas de maior valor agregado, quaisquer que sejam suas preferências, de algum modo limitam o consumo e priorizam a qualidade. Viva a diversidade e saúde a todos!

Produção Italiana: DOC/DOCG

20 de Agosto de 2012

Voltando aos números da Itália, neste artigo vamos separar a produção das principais denominações italianas por grupos num interessante painel de tabelas. Inicialmente, vamos apresentar as dez principais denominações em números absolutos, mesclando tintos, brancos e espumantes.

Duas denominações chamam a atenção: Prosecco e Montepulciano d´Abruzzo. Prosecco computada a partir de 2009, data em que houve a modificação da lei, transformando um mar de vinhos na DOC Prosecco interregional (Veneto principalmente, e parte do Friuli), e separando a famosa sub-região Conegliano- Valdobbiadene em DOCG. Neste blog, temos artigos mais detalhados sobre esta modificação da denominação Prosecco. Já o emblemático Chianti não é o número um em termos de produção. A surpreendente uva Montepulciano em Abruzzo mostra sua força numa vasta produção.

Isolando apenas os tintos, percebemos bem a diferença de produção da genérica denominação Chianti para a restrita denominação Chianti Classico, conforme tabela abaixo. Valpolicella e Barbera d´Asti mostram sua força, enquanto Lambrusco não tem tanta presença assim como muitos imaginam. Evidentemente, estamos falando de denominações mais restritas e respeitadas como Sorbara, Salamino e Grasparossa.

No que tange aos brancos, a denominação Soave lidera com folga na região do Valpolicella. O agradável branco Verdicchio da região de Marche mostra sua força, enquanto as insípidas denominações Trebbiano e Frascati insistem em grandes produções. Orvieto, uma denominação que já foi moda no Brasil, também mantém boa produção. Veja tabela abaixo.

Com relação aos espumantes, a denominação Prosecco agregada a Conegliano-Valdobbiadene dispara na liderança. Asti no Piemonte, continua com grande força e carisma. Franciacorta, ¨o champagne italiano¨, não poderia ser diferente. Privilegia a qualidade e terroir, e não a expansão e quantidade.

A nova DOC/DOCG Prosecco transforma-se na mais produtiva denominação italiana e torna-se uma das grandes forças no mundo das borbulhas com mais de duzentos milhões de garrafas por ano, número bastante expressivo frente à denominações internacionais famosas como Champagne (França), Sekt (Alemanha) e Cava (Espanha). Verificar neste mesmo blog, artigo intitulado “o mundo das borbulhas”.

Os números da Itália em 2011

26 de Julho de 2012

Sempre é bom atualizar os números da Itália, consistentemente em segundo lugar na produção mundial de vinhos dos últimos anos. Há uma clara tendência na redução do volume de produção e também na redistribuição do vinho entre suas vinte regiões vinícolas. Os números abaixo mostram as regiões do Veneto e Emilia-Romagna assumindo a liderança de produção outrora liderada pelas produtivas regiões da Sicilia e Puglia. Nestas duas últimas regiões  a ordem é modernização e busca pela qualidade em detrimento da quantidade. Há fortes investimentos nessas regiões de produtores consagrados em regiões famosas no centro e norte da Itália, sobretudo Veneto, Piemonte e Toscana.

De todo modo, a disputa entre Norte e Sul continua acirrada, e muito  superior à produção das regiões centrais italianas (Toscana, Umbria,  Molise, Abruzzo, Marche e Lazio). 

Quadro atual das regiões italianas

Quanto às denominações mais nobres, há um decréscimo visível nos chamados Vdt (vino da tavola), e um aumento consistentes das DOCG/DOC, juntamente com a crescente IGT. A tendência ainda maior de queda dos chamados Vino da Tavola é reforçada pelo incentivo de produção de vinhos DOCG/DOC e IGT nas regiões sulinas, sobretudo Puglia, Calabria, e Basilicata.

O gráfico acima mostra claramente esta equalização entre as principais denominações a despeito da forte tendência de queda na produção total de vinhos nos últimos anos, desde 2005.

Os últimos dados da OIV em 2011

19 de Julho de 2012

Segundo dados da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) no último congresso na Turquia, os números de 2011 para a vitivinicultura mundial são os seguintes:

Os principais países europeus na última década diminuiram suas áreas de vinhedos, conforme gráfica acima. É a menor área de vinhedos desde o ano 2000, perfazendo um total de 7.585.ooo hectares. A Espanha hoje, possui pouco mais de um milhão de hectares, número este que já foi superior a um milhão e trezentos mil hectares. Contudo, o Novo Mundo mantem um ritmo de crescimento, com atenção especial à Nova Zelândia. Este país, que já foi modelo para vinhos surpreendentes, sobretudo o famoso Sauvignon Blanc, mostra grande expansão de área cultivada, compremetendo seriamente a noção de terroir, com muitos vinhos atualmente diluídos.

 Quanto à produção de uvas frescas (consumo in natura), a China deu um salto monumental, com mais de sessenta milhões de quintais produzidos (um quintal equivale a 100 quilos), bem acima de seus concorrentes como Índia, Turquia, Iran e Itália.

 Na produção mundial de vinhos, os cinco primeiros países permanecem inalterados; França, Itália, Espanha, Estados Unidos e Argentina. Mas olha aí a China chegando gente! Já é o sexto produtor mundial, superando países como Austrália, Chile, África do Sul e Alemanha. Hoje a produção mundial de vinhos gira em torno de 265 milhões de hectolitros, com França e Itália perfazendo um terço desta produção.

No consumo mundial de vinhos, a França ainda lidera, bastante incomodada com os Estados Unidos. Da mesma forma, Itália e Alemanha sentem a força da China, chegando forte em quinto lugar.

 Nas exportações mundiais em termos de volume, a Itália como sempre segue absoluta. A Espanha toma o segundo lugar da França, num salto extremamente expressivo. Austrália e Chile, sempre na briga ferrenha pela quarta colocação.

Maiores informações: OIV (www.oiv.org)

Os números da Borgonha

26 de Abril de 2012

Segundo dados de 2010 do site oficial dos vinhos da Borgonha (www.vins-bourgogne.fr), seguem abaixo algumas atualizações sobre produção e vinhedos.

Das pouco mais de 185 milhões de garrafas, temos 60% de vinhos brancos, 32% entre tintos e alguns rosés, e 8% de Crémants (espumante elaborado pelo método champenoise ou tradicional).

Esta produção em termos de apelações corresponde a 1,5% de Grands Crus, 47,5% de apelações comunais e Premiers Crus, e 51% de apelações regionais.

Estes números correspondem a 3,3% de toda a produção francesa. As vendas dos vinhos borgonheses geram cerca de um bilhão de euros, sendo 46% destinados à exportação para aproximadamente 160 países.

Das 100 apelações de origem na Borgonha, 33 são Grands Crus, 44 são comunais incluindo 645 climats com desginação Premier Cru, e 23 apelações regionais. Apesar de uma área relativamente pequena, praticamente 28.000 hectares, as sutilezas de todas essas apelações são segredos guardados pelos melhores produtores em cada comuna, passados de geração para geração. A rigor, Vinho Sem Segredo deveria postar um artigo para cada apelação. Contudo, ficaria um pouco cansativo. A idéia em dividir os artigos sobre a Borgonha em dez partes é mostrar as principais características de suas mais relevantes apelações e sub-regiões.

Considerando-se pouco mais de 10% entre Grands Crus e Premiers Crus, não é tão difícil entender as muitas decepções com borgonhas, principalmente os tintos, elaborados com a caprichosa Pinot Noir. O forte conceito de terroir, as peculiaridades de cada comuna e a diversidade das safras, diminuem ainda mais a chance de acerto. Talvez todos estas dificuldades, fazem da Borgonha uma das mais fascinantes regiões vinícolas do planeta.

Por enquanto, encerra-se o ciclo sobre vinhos da Borgonha. Evidentemente, voltaremos ao assunto para analisar pormenores de apelações e vinhos específicos.

Os Gigantes das borbulhas

17 de Outubro de 2011

O espumante nacional continua sendo nosso melhor representante no mercado interno e também nas exportações. A produção está estimada em mais de doze milhões de garrafas para este ano de 2011. Contudo, em termos globais, os gigantes europeus apresentam números impressionantes e de forma consistente, ano após ano.

Produção de Espumantes na Europa Central

A França lidera as estatísticas com mais de 500 milhões de garrafas por ano, sendo só na região de Champagne, mais de 300 milhões. Os demais espumantes, chamados Mousseux, apresentam expressiva produção nas apelações Crémant d´Alsace, Crémant de Bourgogne e Vouvray.

Produção de Espumantes na França (Exceto Champagne)

Na Alemanha, o famoso Sekt, sinônimo de espumante, é responsável por mais de 350 milhões de garrafa, com a maciça maioria elaborada pelo método Charmat. Das cinco maiores empresas na produção de espumantes no mundo, três estão na Alemanha. As outras duas são o poderoso grupo francês LVMH e a gigante espanhola do Cava, o grupo Freixenet. Os alemães consomem praticamente tudo, além de importar mais alguns milhões de garrafas da França, Itália e Espanha.

Henkell: um dos gigantes do Sekt

A Itália aparece em seguida, com forte produção em sua porção setentrional. Asti Spumante com 85 milhões de garrafas e Prosecco (somente a DOCG Conegliano Valdobbiadene pela nova lei) com 70 milhões de garrafas apresentam grande destaque em termos de volume. Franciacorta, a excelência do método Champenoise italiano, tem grande prestígio, mas produz pouco mais de dez milhões de garrafas por ano. Piemonte, Oltrepò Pavese e Trentino, são grandes referências. A Itália praticamente exporta metade de sua produção.

A grande referência espanhola é o Cava, com sua produção baseada na Catalunha. É a quarta força em borbulhas no planeta, com mais de 200 milhões de garrafas por ano. Pouco mais da metade é destinada à exportação. Os grupos Freixenet e Codorníu somam mais de 75% na produção total de Cava.

Outros gigantes deste mundo de borbulhas são Estados Unidos, Rússia, Tailândia, Ucrânia, Polônia e Austrália. 

Perfil produtivo das regiões italianas

6 de Outubro de 2011

Sabemos do potencial vitivinícola italiano, sempre disputando com a França, a supremacia na produção mundial de vinhos. Entretanto, das vinte regiões italianas, quatro destacam-se neste imenso mar de vinhos.

Nos últimos anos, a produção total italiana ficou em torno de 45 milhões de hectolitros. Sicilia, Puglia, Veneto e Emilia-Romagna, contribuem muito para estes números. Dê um zoom no mapa abaixo.

Disputa acirrada entre norte e sul

Conforme quadro acima, percebemos que a grande fama das duas principais regiões italianas, Toscana e Piemonte, é decisivamente qualitativa e não quantitativa. A Sangiovese reina absoluta em território toscano liderando a produção de Chiantis (não o Classico em termos de produção). A Barbera continua sendo uma das uvas mais plantadas da Itália, na frente de produção dos consistentes tintos piemonteses.

O sul que liderava com folga a produção italiana de outros tempos, atualmente tem perdido o posto para seus rivais do norte. Contudo, Sicilia e Puglia continuam com produções expressivas, a despeito de quedas significativas nas últimas décadas. Uma mudança para melhor, já que os Vinos da Tavola têm diminuído bastante, concomitantemente, um acréscimo de vinhos IGT e DOC. A modernização e novas técnicas tanto no campo, como na cantina, permitiram esta ascensão qualitativa.

Molise, Liguria, Valle d´Aosta e Basilicata, continuam inexpressivas, com muito pouca gente sabendo sobre seus vinhos locais.

Emilia-Romagna e Veneto, como destaques produtivos do norte, apresentam perfis diferentes. Enquanto Emilia-Romagna com seus  Lambruscos e Sangiovese di Romagna lideram os vinhos DOC, IGTs e Vinos da Tavola continuam com muita força na produção, sempre com lado qualitativo comprometido, ou seja, vinhos sem grande expressão.

Já o Veneto, fornece vinhos mais qualificados, com cada vez menos Vino da Tavola. Prosecco, Soave e Valpolicella, lideram a produção, com qualidade sempre crescente. Se não são vinhos espetaculares e diferenciados em sua grande maioria, atraem o consumidor que busca vinhos de bom preço para seu dia a dia.

Por fim, a região de Abruzzo cultivando a uva Montepulciano, disputa com a Toscana e Piemonte, números muito próximos em produção. A denominação Montepulciano d´Abruzzo é de longe, a mais produtiva.

Concha Y Toro: Gigante do Vinho

29 de Setembro de 2011

O crescimento do grupo Concha Y Toro parece não ter fim. Ano após ano, está cada vez mais próximo ao topo do mundo dos vinhos. Em 2010, figura na posição 17º dos top 100 das maiores empresas de bebidas do mundo, incluindo poderosos grupos de destilados e champagnes.

Nos grupos vinícolas, está apenas atrás do todo poderoso grupo americano Gallo, por enquanto. Já ultrapassou marcas como Hardys, Jacob´s Creek, Robert Mondavi, Lindemans, Penfolds, Torres.

O grupo Concha Y Toro é composto pelas vinícolas Cono Sur, Viña Maipo, Palo Alto, Canepa, Maycas Limari, Trivento (Argentina) e evidentemente Concha Y Toro, a primogênita.

Alguns números em 2010

  • Faturamento: 735 milhões de dólares
  • Volume de vendas: 29,2 milhões de caixas (12 garrafas)
  • Exportação para 135 países
  • 36,6% das exportações chilenas (volume)
  • Casillero del Diablo: 3 milhões de caixas exportadas
  • Área de vinhedos: 9.513 hectares (Chile e Argentina)

     

O que impressiona no grupo Concha Y Toro é a consistência e a qualidade de seus vinhos nas várias faixas de preço para atingir públicos específicos. A linha Marques Casa Concha e a linha Terrunyo, para ficarmos em dois exemplos, a despeito da enorme quantidade produzida, apresentam vinhos altamente competitivos em qualidade com relação a seus respectivos concorrentes diretos.

Nos vinhos ícones, Don Melchior conquistou ao longo do tempo prestígio internacional, principalmente nos últimos anos, com pontuações expressivas na crítica especializada. Outro ícone de grande reputação embora seja uma parceria com o glamour bordalês Mouton-Rothschild, é o Almaviva, pessoalmente o melhor tinto chileno com produção regular, desde 1996.

Em abril deste ano (2011) foi anunciada a compra do grupo vinícola californiano Fetzer no valor de 234 milhões de dólares. Com isso, aumenta ainda mais a participação do grupo Concha Y Toro no mercado americano. Fica assim a expectativa de ver no próximo ano, o grupo chileno no topo da lista.