Archive for the ‘Destilados’ Category

The Balvenie: Speyside Single Malt Whisky

4 de Novembro de 2013

Segundo Jim Murray, uma das maiores autoridades britânicas em Single Malt Scotch Whisky, The Balvenie é considerada por muitos como a melhor destilaria em Speyside (um dos grandes terroirs das famosas Highlands). Artigos específicos em seis partes sobre whisky, procurar neste mesmo blog.

Instalações nas imediações de Dufftown

As edições abaixo ilustradas (foto) apresentam a peculiaridade da bebida amadurecer em três diferentes tipos de madeira (carvalho). Sabemos que a grande maioria do whisky escocês é maturado em barris de bourbon (whiskey americano) usados. Essa madeira é proveniente do carvalho americano (carvalho branco). É um carvalho de aromas mais intensos (baunilha, caramelo). Já uma parte dos melhores Single Malt Scotch Whisky é maturada em barris usados de vinhos como Porto, Madeira e principalmente Jerez ou Sherry. Esse tipo de amadurecimento fornece elegância e aromas sutis à bebida.

Triple Cask 12 e 16 anos: disponíveis no Brasil

Um dos mais famosos Single Malt desta destilaria é The Balvenie DoubleWood, maturado em dois tipos de carvalho (bourbon e sherry). A linha que está sendo lançada no Brasil é dnominada Triple Cask, ou seja, amadurecimento em três tipos de madeira. A ideia é mesclar as três distintas intensidades de madeira numa mesma partida de whisky, resultando num conjunto final harmônico. Esclarecendo melhor, uma parte do Whisky é maturado em barris de bourbon de primeiro uso em whisky (embora ele já tenha sido usado para amadurecer bourbon em território americano), outra parte em barris de bourbon usados em outras partidas de whisky, e uma terceira parte é maturada em barris de sherry. Nesta ordem descrita, a influência da madeira no whisky vai ficando cada vez mais sutil ( o barril de sherry fornece os aromas mais delicados). Quando mesclamos as três partes maturadas separadamente, deixamos o blend final por seis meses em cascos inertes (sem transmissão de aromas da madeira) para haver um perfeita integração dos três tipos de amadurecimento. Veja abaixo o vídeo sobre as várias etapas de elaboração do whisky na destilaria:

O whisky Triple Cask aged 12 years é mais potente e intenso, prevalecendo notas de frutas secas e baunilha. Já o Triple Cask aged 16 years é mais sutil com notas levemente abaunilhadas, caramelo e delicada madeira.

Outras peculiaridades desta destilaria é o cultivo de campos para sua própria cevada, além de tanoaria exclusiva para preparar e reparar os grandes lotes de barris que serão utilizados na amadurecimento do whisky.

Maiores informações sobre a comercialização destas bebidas falar com Gabriela Galvêz (fone: 11-3079-1677).

Exportações Francesas: Vinhos e Destilados

16 de Setembro de 2013

Os últimos números das exportações francesas de vinhos e destilados referentes ao ano de 2012, segundo a Federação de Exportações de Vinhos e Destilados da França, serão analisados conforme dados abaixo descritos:

FEVS EXPORTAÇÃO2º item das exportações francesas

De acordo com o quadro acima, pouca gente sabe que o setor aeronáutico é o primeiro item na pauta de exportações francesas. O prazer vem logo em seguida, com vinhos, destilados e perfumes. No setor de vinhos, Champagne e Bordeaux são fundamentais para as respectivas cifras, como veremos mais à frente. No setor de destilados, Cognac reina absoluto com grande prestígio para mercados influentes.

FEVS VIN SPIRITUEUXVinhos: Dois terços das exportações

Neste mercado de vinhos e destilados, o primeiro fica com praticamente 70% dos valores, com cifras acima de sete bilhões de euros. Os detalhes destes dois grandes grupos, veremos nos quadros abaixo:

FEVS EXPORTAÇÃO VALORESChampagne, Bordeaux e Cognac: itens de peso

O trio de ferro, Champagne, Bordeaux e Cognac, tem grande impacto nos valores exportados. A Borgonha vem logo em seguida com valores bem menos expressivos. De fato, a produção na região borgonhesa é bem  menor em comparação a Bordeaux, por exemplo.

FEVS EXPORTAÇÃO VINHOSChampagne e Bordeaux: 60% das exportações

Especificamente, com relação aos vinhos, a participação de Beaujoalais e do Rhône é bastante inexpressiva. São vinhos muito consumidos na França no seu dia a dia. São fáceis de beber e com preços habitualmente atrativos. Vejam que os franceses fazem questão de separar Beaujolais da Borgonha, embora muitos livros sobre vinhos tentem mostrar o contrário. Bordeaux e Champagne perfazem 60% das exportações vinícolas em valores. Não é à toa que estas apelações são conhecidas e prestigiadas no mundo inteiro, tanto para os vinhos mais sofisticados, como para vinhos mais rotineiros.

FEVS EXPORTAÇÃO DESTILADOSCognac: absoluto nas exportações

Se você tirar Cognac das exportações francesas de destilados, os valores ficam bem menos expressivos. Este famoso destilado francês abocanha quase 70% dos valores exportados. Vejam que Armagnac, seu grande rival em qualidade, possui produção praticamente artesanal, com pouca expressão no cenário internacional, embora na França tenha grande prestígio.

FEVS PAÍSES VINHOSO trio de ferro das importações em destaque

Os principais mercados de vinhos estão concentrados na famosa trilogia, ou seja, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha. A China, embalada num forte crescimento, deve em pouco tempo ocupar o quarto lugar dentre os maiores importadores de vinho.

FEVS PAÍSES DESTILADOSSingapura e China em destaque

No setor de destilados, Estados Unidos reina com folga. Os asiáticos, Singapura e China, vêm logo em seguida, com forte crescimento. Os demais países mostrados no gráfico acima formam uma escadinha que sugere troca de posições a qualquer momento.

Os dados acima referem-se à última conferência da federação realizada em fevereiro de 2013. Apesar de ser difícil chegar ao primeiro lugar na pauta de exportações francesas, este país continua disputando ano a ano os postos de maior produtor e exportador mundiais de vinhos.

Cognac e Armagnac: Diferenças

19 de Agosto de 2013

Neste blog há artigos específicos sobre Cognac em duas partes, o mais famoso destilado francês. Entretanto, ele não reina sozinho na França. Um outro terroir, ainda mais antigo, localizado no sudoeste francês, lida com o destilado de uvas. É o artesanal e respeitado Armagnac, conforme foto abaixo.

Bas-Armagnac: apelação a ser procurada

Só pela apresentação dos rótulos (vide foto acima e abaixo), dá para sentir um toque artesanal em Armagnac e um toque de sofisticação em Cognac. De fato, Cognac assim como Champagne, lida com grandes marcas, grupos poderosos, capazes de promover números expressivos nas exportações francesas de bebidas finas. Evidentemente, há sempre um pequeno grupo de produtores artesanais que praticamente são comercializados dentro do território francês. Já em Armagnac, o artesanato impera com uma série de pequenos produtores, elaborando quantidades limitadas, algumas com longo envelhecimento e datadas. Contudo, o terroir de Armagnac não favorece a princípio, uma bebida tão refinada como seu ilustre concorrente. Veremos melhore este fato, a seguir.

Grande Champagne: o ápice do terroir em Cognac

Clima e solo

O clima em Charente (região de Cognac, acima de Bordeaux) é predominantemente marítimo e úmido. Seu solo de greda, esponjoso, de calcário poroso, semelhante à região de Champagne, aliado ao clima, fornece uvas que darão origem a um vinho-base mais delicado, se comparado ao vinho-base de Armagnac. Nesta região da Gasconha (terra do Armagnac), o clima é mais continental, mais seco e mais quente. As uvas não são somente calcadas na Ugni Blanc (localmente chamada de St Emilion ou também, a mesma Trebbiano italiana) como em Cognac. Entram também no corte, Folle-Blanche e Colombard.

Armagnac: Proteção da floresta de Landes

O mapa acima, nos mostra o posicionamento destes dois grandes terroirs. A influência marítima é notória na região de Cognac, enquanto para Armagnac, temos a proteção natural a oeste da floresta de Landes, a qual também protege os vinhedos de Bordeaux. Num mapa mais específico, mostraremos abaixo as principais sub-regiões de Armagnac.

Bas-Armagnac: eau-de-vie mais fina

Na sub-região de Bas-Armagnac o solo é de natureza arenosa, com presença de argila, silício e ferro, dando um aspecto colorido. Esses fatores geram aguardentes mais finas e delicadas. Já em na sub-região de Ténarèze, o solo é mais calcário e argiloso, promovendo aguardentes mais pesadas, mais potentes. Por último, Le Haut-Armagnac com maior proporção de argila, gera aguardentes um tanto rústicas que necessitam ser misturadas com a das outras sub-regiões.

Portanto, além do clima, o solo parece favorecer Cognac na elaboração de uma aguardente mais fina e elegante, sobretudo com poucos anos de envelhecimento.

Destilação

Novamente, mais diferenças. Os alambiques de Cognac promovem a dupla destilação, desprezando partes indesejáveis em todo o processo. Enquanto isso, na região de Armagnac a destilação em uma só etapa prevalece. Quando saída do alambique, a aguardente bruta de Armagnac é mais aromática e menos alcoólica que a de Cognac, porém carece de finesse. De fato, a destilação única elabora uma aguardente em torno de 55° de álcool, enquanto em Cognac estamos falando em 70° de álcool.

Envelhecimento

Sabemos que em Cognac, a aguardente saída do alambique vai para tonéis de carvalho da floresta de Limousin principalmente, e de Tronçais. A primeira fornece um carvalho poroso, rico em taninos. Já a segunda, com grãos finos, dão aroma e finesse à bebida.

Em Armagnac, a bebida é envelhecida em tonéis de Limousin, mas principalmente em carvalho negro (chêne noir), próprio das florestas da Gasconha. Este tipo de carvalho oferece poderosos taninos que precisarão de um longo tempo para serem domados.

Menção nas etiquetas

As menções em Armagnac seguem praticamente as mesmas regras de Cognac, com pequenas variações. Menções de três estrelas ou VS, correspondem a um envelhecimento mínimo de dois anos (idade da aguardente mais jovem da mistura). Já um VSOP, envelhecimento mínimo de cinco anos. A menção “Hors d´Age” significa que a aguardente mais nova da mistura deve ter pelo menos dez anos de envelhecimento, assim como qualquer millésime (safra) mencionado no rótulo.

O esquema abaixo, criado a partir de 2010, simplifica a nomenclatura. Favor clicar no atalho.

http://www.armagnac.fr/habillage/classic/armagnac/majArmagnacEtiquettes_big.jpg

As idades interseccionam-se nas categorias

Em resumo, Cognac será sempre Cognac, a aguardente de vinho mais famosa do mundo. Por isso, para aguardentes de envelhecimento relativamente jovem, VS ou VSOP por exemplo, o Cognac leva vantagem sobre o Armagnac em termos de finesse e delicadeza. Contudo, para aguardentes relativamente bem envelhecidas, acima de dez anos por exemplo, as diferenças diminuem sensivelmente. Principalmente, os Millésimes encontrados com relativa facilidade em Armagnac, proporcionam aguardentes de grande classe e personalizadas. Os preços dentro desta exclusiva categoria acabam compensando.

As Marcas mais Poderosas no Mundo

6 de Setembro de 2012

O mundo dos fermentados e destilados é rico e extremamente diversificado. Cada país, cada região específica, produz bebidas de acordo com seu clima, solo e costumes locais. É aquela palavrinha mágica chamada terroir. Neste contexto, Escócia lembra Whisky, França os Vinhos, Alemanha Cerveja, Japão Saquê, e assim por diante.

Existem também bebidas que apresentam uma certa dualidade quanto às origens, qualidade e prestígio. É o caso por exemplo do Gim (Inglaterra ou Holanda), Vodka (Rússia ou Polônia), Pisco (Chile ou Peru), dentre outros.

Neste artigo, vamos fazer um apanhado geral pelo mundo, em busca das bebidas e marcas mais consumidas, mais prestigiadas, e mais poderosas. O estudo é feito anualmente pela Intalgible Business, empresa especializada em estratégias, estudos e estatísticas das principais bebidas comercializadas e consumidas no mundo.

Pelo gráfico abaixo, percebemos que o Whisky e a Vodka são os dois grandes destilados que dominam o mundo. O vinho aparece em quinto lugar, seguido pelos brandies (destilados de uvas) e um pouco mais abaixo, os espumantes numa categoria à parte.

Whisky: a bebida mais poderosa no mundo

O que chamamos de Flavoured Spirits são bebidas aromáticas, misturadas a destilados, e emblematizadas pelos licores de uma maneira geral. Marcas como Baileys, Grand Marnier, Pastis 51 e Cointreau exemplificam bem esta categoria que está em sétimo lugar na tabela acima. Já a categoria Light Aperitif é personificada pelos vermutes como Martini, Cinzano e Aperol.

Dentre as grandes companhias vinícolas, a tabela abaixo mostra os quinze maiores grupos vinícolas em 2011 com destaque para o gigante chileno Concha Y Toro, já abordado em artigo específico neste mesmo blog. Estados Unidos e Austrália dominam este setor com conglomerados imensos reunindo grandes vinícolas em seus respectivos países.

Estados Unidos e Austrália no poder

Finalizando, a tabela abaixo mostra o ranking das principais marcas no mundo das bebidas, facilmente reconhecidas por seus fãs e consumidores. Johnnie Waker e Jack Daniel´s encabeçam as grandes marcas escocesas e americanas de Whisky, respectivamente. O grupo LVMH mostra seu poder com marcas como Moët et Chandon, Hennessy e Veuve Clicquot. As vodcas Absolut e Smirnoff comandam um grande império. Por enquanto, nenhuma vinícola está neste seleto grupo de poder, a não ser os sofisticados champagnes.

Os destilados no topo do mundo

Quanto aos apreciadores de cerveja,não fiquem tristes! Este é o fermentado mais consumido no mundo, depois da água (líquido universal) e chá. Com esta penetração e popularidade, torna-se um produto relativamente barato, exceto as grandes cervejas artesanais, sobretudo as belgas. A exemplo do vinho, não possui um valor agregado tão alto na média para fazer frente às marcas citadas acima nas várias tabelas.

Enfim, para quem gosta de beber, não faltam opções de preço, estilo, origem e tipos de bebidas. A opção por bebidas de maior valor agregado, quaisquer que sejam suas preferências, de algum modo limitam o consumo e priorizam a qualidade. Viva a diversidade e saúde a todos!

Single Malt Scotch Whisky: Parte VI

22 de Setembro de 2011

O que faz Vinho Sem Segredo, um blog sobre vinhos, escrever seis artigos sobre Whisky? Primeiramente, a sommellerie atual abrange vários tipos de bebidas além do vinho. Em segundo lugar, estamos falando do destilado mais consumido no planeta. Por último, a própria complexidade do tema, exige esclarecimentos mais detalhados.

De todo modo, Single Malt Scotch Whisky é uma bebida nobre e de certo modo desconhecida até mesmo, dos amantes de Whisky. Sem ele, todos os famosos e badalados Blended Whisky não teriam a fama que têm. A presença dos Single Malts lhes dão alma e profundidade.

Distribuição de vendas: Blended Scotch Whisky

Segundo dados de 2009 da Associação de Whisky Escocesa (www.scotch-whisky.org.uk), percebemos claramente a exclusividade do Single Malt Whisky, bem como sua importância para a qualidade dos whiskies mais comerciais. Fazendo um paralelo com o mundo dos perfumes, o Malt Whisky seria a essência, o extrato, servindo de base para uma indústria influente e sofisticada.

De todo Scotch Whisky comercializado no mundo em 2009, apenas cerca de 6% são Malt Whiskies engarrafados. Entretanto, sua participação a granel e no chamado Blended Whisky é bastante significativa, chegando perto de 40% da produção total.

Em continente europeu, o consumo de Blended Scotch Whisky é liderado sobretudo pela França e Espanha. Alemanha e Grécia seguem num bloco significativo, mas inferior ao primeiro. No restante do mundo, Estados Unidos, Ásia e Venezuela, apresentam grande participação neste mercado.

Distribuição de vendas: Malt Scotch Whisky

Voltando ao nosso Malt Scotch Whisky, dados de 2009 mostram participação destacada no consumo de países como Estados Unidos, Índia (também um grande produtor de Whisky) e França, além evidentemente, do Reino Unido. É bom ressaltar que apenas 59% deste mercado é de Malt Whisky engarrafado, sendo o restante a granel.

No encerramente deste tema, a convivência saudável de vinhos e destilados é perfeitamente possível utilizando o bom senso. Após uma bela refeição com vinhos, por que não finalizarmos o momento com um Single Malt Scotch Whisky? acompanhado de chocolates, frutas secas, biscoitos abaunilhados ou charutos, além de uma boa conversa, pode ser um gran finale.

Single Malt Scotch Whisky: Parte V

19 de Setembro de 2011

Nesta última visita ao nosso mapa abaixo, falaremos dos grandes Maltes das Ilhas, notadamente a de Islay (pronuncia-se ai-la com entonação na primeira sílaba), os mais impactantes e dramáticos de toda a Escócia. Os aromas de turfa são realmente intensos, com forte caráter medicinal, lembrando de certo modo, os grandes Finos de Jerez. Não há meio termo: ame-o ou odei-o.

 

Das várias Ilhas como Orkney, Mull e Jura, falaremos apenas de Islay. Antes porém uma exceção, a Ilha de Skye, com seu estonteante Talisker. Com a devida licença, um desafio: se você é realmente macho, prove então o Talisker, um Single Malt de tirar o fôlego.

Talisker: Não desperdice nenhuma bebida depois dele

Deixei para o epílogo os grande Maltes de Islay, extremamente turfosos. Além do solo de turfa (famoso na região), as nascentes de água utilizadas nessas destilarias, correm muitos vezes por este tipo de solo. Portanto, a influência da mesma nestes Single Malts vem não só do combustível de secagem da cevada, como também, da água utilizada nas várias etapas de elaboração da bebida.

Solo de Turfa: decomposição de matéria vegetal combustível

Falar de Islay é falar de pelo menos três Maltes excepcionais e encontrados no Brasil, exceto Ardbeg (Pronuncia-se arbegui. Para muitos experts, o melhor Whisky do mundo). Laphroiag (pronuncia-se lafróigui, enfatizando o r e a última sílaba quase muda) e Lagavulin (pronuncia-se Lagavúlen enfatizando a terceira sílaba) são extremamente fiéis ao seu terroir. Altamente turfoso, medicinal, iodado e de sabor persistente. Para pratos com alto impacto de defumação como arenque por exemplo, encara com competência a harmonização. O próprio salmão escocês defumado é um casamento local. Normalmente, o envelhecimento em barris de Jerez (Sherry), além da influência da maresia nos galpões de estocagem, reforçam as características acima e uma certa salinidade bem peculiar.

Lagavulin 16 Years Old: A perfeição da turfa

Finalizando, podemos citar o Single Malt de Campbeltown chamado Springbank, com seu equilíbrio entre malte e turfa, além da influência marítima.

Para os raros Single Malt das Lowlands (Terras Baixas), não perca tempo. Prove Rosebank, se encontrá-lo. Há experts que dizem: se este Single Malt estiver numa degustação às cegas com outros  das Highlands, melhor não arriscar um palpite precipitado. É macio, sedutor, mas definitivamente profundo.

Single Malt Scotch Whisky: Parte IV

15 de Setembro de 2011

Retomando as sub-regiões escocesas, vamos às Highlands e um trecho específico chamado Perthshire (Central Highlands), seguindo nosso mapa abaixo:

 

Perthshire (Central Highlands)

Esta região abaixo de Speyside costuma elaborar maltes macios, semelhantes a seu vizinho, porém com um pouco mais de força. O Single Malt Dalwhinnie sintetiza bem este conceito, podendo agradar vários paladares. É um clássico da região. Outro belo malte é The Edradour, difícil de ser encontrado por aqui.

A versão 15 anos é um verdadeiro clássico

Highlands

As chamadas Terras Altas  englobam além de Speyside e Perthshire, as chamadas Highlands Ocidentais, Orientais e do Norte. Normalmente, fora de Speyside e Perthshire, os Maltes costumam ser ainda mais potentes, intensos e com um teor de turfa mais acentuado. Nada comparado aos Maltes de Islay, os mais potentes e impactantes de toda a Escócia. Neste contexto, se você quiser conhecer um autêntico Single Highland Malt, fique com o espetacular Dalmore, localizado na Highlands do Norte. Sem dúvida, um dos melhores de toda a Escócia. É intenso e encorpado.

Dalmore 12 anos: Escolha certeira

Outro nome que não pode deixar de ser mencionado é Glenmorangie, muito consistente. As versões envelhecidas em barris de Vinho do Porto e Madeira são soberbas. Já o Single Malt Royal Lochnagar das Highlands Ocidentais tem um lado mais etéreo, evocando o Jerez e certa salinidade (próxima ao mar). Não é encontrado no Brasil ainda.

 

Single Malt Scotch Whisky: Parte III

12 de Setembro de 2011

Recapitulando artigos anteriores, Single Malt Scotch Whisky é elaborado somente na Escócia, com cevada maltada, destilado duplamente em alambique de cobre, numa só destilaria, sem misturas. Todo o processo  de elaboração foi também  detalhado nos dois artigos anteriores.

Vamos agora destacar as principais características dos diferentes Single Malts através das sub-regiões escocesas:

Speyside

Além de ser o Single Malt mais difundido e com maior número de destilarias, seu sabor é o menos impactante para quem está começando a degustar Single Malts. Esta região faz parte da chamada Highlands. Existem maltes mais delicados, outros mais potentes, dependendo do estilo do produtor. Geralmente, seus aromas remetem a mel, relva (toque herbáceo dado pela urze, vegetação local), além de toques empireumáticos como café e caramelo.

O Single Malt Cardhu abaixo, sintetiza bem a suavidade de um bom Speyside. Com 12 anos atinge a perfeição, exibindo de forma convincente as qualidades da cevada maltada, sem interferência da turfa. Parte desses lotes é que dá alma aos famosos blends da conhecida marca Johnnie Walker.

Cardhu: Peça-chave nos Blends “Johnnie Walker”

Outro belo exemplar de Speyside é o Single Malt The Balvenie, propriedade de William Grant & Sons, outro marca famosa de Blended Whisky.

Balvenie: Um dos melhores em Speyside

A versão doze anos passa por dois tipos de madeira: o tradicional barril de Bourbon e depois cascos de Jerez. A intensidade do malte e dos aromas de mel são suavizados na madeira de Jerez, a qual combina perfeitamente com os toques de turfa presentes no conjunto. Há versões com um maior envelhecimento em cascos que foram usados no Vinho do Porto.

Outros exemplares de Speyside encontrados no Brasil ou Duty-Free são Strathisla, Macallan, Glenfiddich, Cragganmore, Glenlivet e Knockando.

Single Malt Scotch Whisky: Parte II

8 de Setembro de 2011

Retomando o fascinante mundo do Single Malt, passemos às etapas de grande importância que são a destilação e o paciente envelhecimento.

Destilação

Terminada a etapa de fermentação, o fermentado fraco ou lavagem, como é tecnicamente chamado, deve ser aquecido afim de desprender vapores importantes, concentrando sobremaneira o álcool, que será posteriormente condensado, dando origem ao Whisky em seu estado bruto, com quase 70º de álcool.

Alambique de Cobre: uma Obra de Arte

Esta destilação num Scotch Whisky pode ser feita de maneira contínua em grandes destiladores de aço inoxidável, normalmente dando origem a uma bebida razoavelmente boa, mas sem personalidade. Para um Single Malt, temos uma dupla destilação em alambiques de cobre, a exemplo do Cognac, o grande destilado francês, já comentado em artigos anteriores. Isso faz toda a diferença, já que a dupla destilação elimina partes indesejadas, geralmente no ínicio e fim da destilação. O cobre vai sendo absorvido paulatinamente em cada destilação e muitos acreditam que participa efetivamente no sabor de um Single Malt. Portanto, nestas belas destilarias, o trabalho de manutenção e reposição de peças é intenso e só justificado para uma causa nobre, pois o material é caro e tecnicamente inviável se comparado ao aço inox por exemplo. Em determinadas partes do alambique, muitas vezes é utilizado o zinco, por ser um material mais resistente.

Envelhecimento ou Maturação

Nesta última etapa, o Whisky bruto recém-saído do alambique deve ser educado em tonéis ou barricas de carvalho, sempre usadas. Os aromas advindos de carvalho novo não combinam com Scotch Whisky, principalmente nossa bebida em questão, o Single Malt. Portanto, normalmente são utilizados barris onde foi envelhecido o Bourbon, famoso Whisky americano do Kentucky, este sim envelhecido em carvalho americano novo. É só provar um belo Bourbon e perceber seus doces aromas e sabores de baunilha. Nos Whiskies como nos Vinhos,  também existem aquelas diferenças entre Velho e Novo Mundo.

De todo o modo, a finalidade é promover uma lenta oxidação da bebida, apurar seus sabores e baixar relativamente seus teores de álcool. O extrato e a potência de um Single Malt prolonga este envelhecimento por no mínimo dez anos, embora o tempo mínimo por lei já mencionado, seja de três anos. Tudo vai depender do potencial que se tem em mãos. Quando mais extrato, mais tempo para domar a fera. Isso cada destilaria dispõe de profissionais altamente qualificados para lapidarem estes tesouros.

Laphroaig: Preferido do Príncipe Charles

Além do carvalho americano utilizado nos Bourbons, os barris dos grandes vinhos fortificados da península ibérica podem ser utilizados no envelhecimento dos Single Malts, que são barris de Porto, Madeira e principalmente o Jerez. Ao contrário dos barris usados nos Bourbons, que geralmente não transmitem qualquer sabor ao Whisky em sua maturação, os barris destes fortificados podem transmitir nuances dessas finas bebidas no sabor final de um grande Single Malt.

De toda a forma, a idade destes barris, ou seja, por quanto tempo eles foram utilizados em suas bebidas de origem, as condições climáticas de armazenamento no processo de maturação do Whisky e interferências de odores e sabores externos, influenciarão de forma decisiva no tempo de amadurecimento de cada Whisky. No caso dos Single Malts, as condições climáticas escocesas (clima frio e chuvoso) propiciam um lento envelhecimento. Armazéns muito próximos ao mar podem transmitir uma certa salinidade ao produto.

Próximo post, as peculiaridades das principais sub-regiões escocesas transmitidas em seus Single Malts.

Single Malt Scotch Whisky: Parte I

5 de Setembro de 2011

No mundo dos destilados, e mais restritamente, no mundo do uísque escocês, o Single Malt (uísque de cevada maltada de uma só destilaria, sem misturas) ocupa lugar de honra, sendo uma das bebidas mais reverenciadas em todo o mundo. Com todo o respeito, não estamos falando de Blended Scotch Whisky (Chivas Regal, Johnnie Walker, Ballantine´s, J&B e tantos outros). É algo mais profundo, com mais personalidade, embora nem todos os consumidores de whisky gostem. Como já dizia Doutor Sérgio de Paula Santos: gosto não se discute, educa-se.

Antes de mais nada, a bebida Whisky não é privilégio da Escócia, apesar de ser quase unanimidade, sua supremacia. Portanto, pode ser elaborado em outros países, inclusive a Irlanda, mostrada no canto inferior do mapa abaixo (Irish Whiskey). Sua definição parte de uma bebida fermentada de cereais (os mais comuns são cevada, milho, trigo e centeio), a qual posteriormente é destilada e envelhecida por no mínimo três anos (para as leis escocesas) em madeira de carvalho.

O mapa abaixo mostra as principais regiões da Escócia onde são elaborados os melhores Single Malts. Basicamente, podemos enfatizar as Highlands (Terras Altas), Speyside (trecho específico das Highlands), Island (Malte das Ilhas) e Islay (um Malte peculiar com aroma bastante turfoso). As Lowlands (Terras Baixas) apresentam algumas destilarias pontuais.

File:Scotch regions.svg

Principais sub-regiões da Escócia

Os principais fatores de terroir para a elaboração de um autêntico Single Malt são a água, cevada, turfa, precisão na destilação e envelhecimento. A água é importantíssima, já que faz parte do processo e é efetivamente incorporada ao Whisky. Por isso, as melhores destilarias dispõem de nascentes de água pura e cristalina muito bem localizadas e disponíveis nas Terras Altas da Escócia. Além de participarem do líquido que será fermentado e posteriormente destilado, são utilizadas em outras etapas, inclusive na condensação dos vapores emitidos pelos alambiques.

A cevada é o cereal nobre que deve ser maltada e extremamente suscetível à fermentação por ação de leveduras. A maltagem é feita semelhante ao principío que todos nós fizemos um dia em germinar grãos de feijão em um algodão embebido em água (após alguns dias percebemos a germinação da semente). De fato, é preciso quebrar o amido inerente à cevada, para facilitar o processo de fermentação. Portanto, a cevada é molhada em água fria, aumentando de volume em alguns dias e como consequência, facilitando a transformação dos açúcares em álcool pela ação do fermento. Porém, antes da fermentação, temos a etapa de secagem da cevada com o objetivo de brecar sua germinação. Para isso, o local com a cevada no momento ideal da total quebra do amido e por conseguinte, altos níveis de açúcares fermentáveis, é aquecido através de entrada de ar quente no recinto, como se fosse um forno. Com raras exceções,  uma das fontes de combustível para gerar calor é a chamada turfa (solo característico da região proveniente da decomposição de matéria de origem vegetal e facilmente combustível). Esta operação além de tostar levemente o grão de cevada, passa os aromas da turfa através da defumação. A proporção de turfa nesta etapa é bastante intensa nos maltes de Islay, gerando Whiskies com aromas medicinais bem característicos. Já nos maltes em Speyside por exemplo, a proporção de turfa é bem menor. Portanto, a utilização da turfa obedece critérios de terroir conforme a sub-região e também o estilo da destilaria.

Após a secagem, vem a etapa de moagem, que visa obter partículas do cereal bem menores, facilitando a ação das leveduras. Toda essa cevada secada e devidamente moída é novamente embebida em água quente, cuja temperatura é controlada para o melhor desempenho da etapa de fermentação, adicionando então as leveduras. É uma fermentação tumultuosa, que após alguns dias irá gerar um produto com teores de álcool entre oito e nove graus.

As etapas de destilação e envelhecimento (amadurecimento em madeira de carvalho) serão detalhadas no próximo post.