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Mazzei: Chianti com muita história

25 de Maio de 2017

Quando uma vinícola estampa em seu rótulo a data de 1435, nos damos conta de quão antigo é o vinho na Toscana. Não fosse pela desorganização italiana na época, teríamos certamente em Chianti a primeira denominação de origem no mundo do vinho. Castello di Fonterutoli é um dos pilares sólidos na origem da denominação ¨Chianti Clássico”, situado em Castellina in Chianti. Juntamente com Radda in Chianti e Gaiole in Chianti, essas três sub-regiões formam o que chamamos de zona histórica do Chianti.

Pessoalmente, costumo brincar com a expressão “3F dos Chiantis”: Fonterutoli, Fontodi, e Félsina. Produtores de primeira grandeza nas zonas de Castellina, Greve e Castelnuovo Berardenga, respectivamente, todas situadas na área do Chianti Classico.

fonterutoli vinhedos

5 áreas – 73 vinhedos- 120 parcelas

A figura acima mostra o terroir diversificado dos vinhedos Castello di Fonterutoli em Castellina in Chianti, somando 117 hectares de vinhas. Em torno da edificação principal temos a área Fonterutoli com altitudes entre 420 e 550 metros, um dos fatores importantes na expressão da Sangiovese no Chianti Classico. O solo pedregoso é rico em Alberese (pedras de origem calcária) e Galestro (uma espécie de argila laminar). Essa composição de solo aporta ao vinho uma notável mineralidade (algo esfumaçado).

A segunda área, Siepi, empresta o nome a um dos ícones da vinícola, colecionador rotineiro de tre bicchieri. Um blend de Merlot e Sangiovese de muita concentração, exibe um ótimo balanço entre a maciez da Merlot e o nervo (acidez) da Sangiovese. De Fato, este terreno em menores altitudes (250 a330 metros) aliado a um solo mais argiloso, favorece o bom desenvolvimento da Merlot.

A terceira área Le Ripe, é uma zona bastante fresca e de altitude (entre 470 e 570 metros), localizada em Radda in Chianti em solo pedregoso, fornecendo frescor e aromaticidade aos vinhos.

A quarta área Belvedere com altitudes entre 290 e 400 metros, é rica em alberese. A combinação deste solo com altitudes medianas para o Chianti Classico fornece uma boa maturação das uvas, enfatizando concentração de cor sem perder o devido frescor.

Por fim, a área de Caggio com altitudes entre 270 e 370 metros em solo argiloso rico em scheletro (alberese e/ou galestro). Novamente, a combinação de solo e altitude gera vinhos mais densos, estruturados, ricos em taninos.

É dessa combinação de diferentes áreas, totalizando 120 parcelas com solos, altitudes e exposições diferentes, que nasce os vinhos Fonterutoli. Além disso, há um trabalho intenso de seleção clonal desenvolvido ao longo da história da vinícola, proporcionando vários clones diferentes de Sangiovese.

fonterutoli numero 10

fugindo do habitual

O rótulo acima mescla 90% Merlot e 10% Sangiovese, fugindo da denominação Chianti. Portanto, trata-se de um Toscana IGT. Vinho de bom corpo, maciez notável e taninos bem moldados. A presença da Sangiovese entrega um certo frescor ao conjunto. Seus 12 meses em carvalho aporta notas de baunilha, defumados e um leve toque animal. lembrando couro. O preço é mais um atrativo para conhece-lo.

fonterutoli chianti classico

o cartão de visitas da Casa

O tinto acima personifica a tipicidade de um grande Chianti Classico. Proveniente de 50 parcelas diferentes dos vinhedos acima citados, procura mesclar todas as características importantes deste complexo terroir. Passa 12 meses em carvalho francês, sendo apenas 40% de barricas novas. Bom corpo, frescor muito agradável, taninos bem trabalhados, e todos os toques típicos como violeta, cerejas, ervas e temperos, além de uma notável ponta mineral. É atualmente uma das melhores pedidas no mercado, sobretudo quando se pensa em preço nesta categoria de vinho.

fonterutoli gran selezione

expressão máxima deste terroir

Neste vinho acima, é selecionado o que há de melhor em seleção parcelar. Quase todo composto de Sangiovese (92%) com pequenas proporções de Malvasia Nera e Colorino, é um tinto de grande intensidade de cor. Seus 20 meses em barricas francesas, sendo 60% novas, fornecem um balanço incrível entre fruta, madeira e a devida micro-oxigenação. Sua estrutura e carga tânica de alta qualidade remetem a pensarmos em belos Brunellos. Complexo, persistente e moldado para bons anos em adega. A expressão Gran Selezione é relativamente nova e está hierarquicamente acima da denominação DOCG.

fonterutoli belguardo serrata

um tinto de Maremma

Saindo um pouco da região do Chianti Classico, vamos para a zona litorânea da Toscana, Maremma. Neste terroir de solo mais arenoso e altitudes mais baixas (entre 70 e 130 metros), nasce o tinto acima Belguardo Serrata, composto por Sangiovese (80%) e Alicante (20%). De corpo mediano, mais leve que o Chianti Classico, mantem o frescor da Sangiovese com taninos bem brandos. Os dez meses de madeira em seu amadurecimento apenas confere alguns toques defumados ao conjunto. Se comparado aos Chiantis, sua estrutura aproxima-se de um Chianti Colline Pisane, ou seja, um Chianti delicado. Ótima opção para pizzas e massas com molhos leves.

Em resumo, a família Mazzei tanto no tradicional Chianti Classico, como na inovadora Maremma, produz vinhos bem moldados, respeitando a tradição e terroir locais. Ainda existe uma terceira vinícola da família na Sicília, região sul da Itália, chamada Zisola.

Todos esses vinhos degustados e mais alguns outros presentes no portfolio da vinícola, são trazidos exclusivamente pela importadora Grand Cru com preços promocionais por algum tempo. http://www.grandcru.com.br

Chablis: Decifra-me

4 de Março de 2017

O vinho branco mais incompreendido, embora mundialmente conhecido. Copiado descaradamente mundo afora, torna-se patético. Mesmo dentro da apelação, a maioria usufrui de seu prestígio fonético, sem no fundo compreende-lo. Não basta a partitura, é preciso a interpretação precisa. Pode-se aceitar alguns intérpretes, mas nenhum chegou à dimensão de dois maestros: Dauvissat e Raveneau. 

É difícil explicar Chablis, quase impossível. Mas quando se sente, não precisa explicar. A sutileza, o nervo preciso, os aromas quase etéreos, o sabor pulsante sem ser agressivo. A essência sem máscaras, sem subterfúgios. Se terroir parece algo inexplicável, Chablis personifica este conceito como nenhum outro território de vinhas.

Chablis é tão exclusivo, é tão pessoal, que seu território dentro da Borgonha é separado, é descontinuo. Está a meio caminho entre Champagne e a nobre Côte d´Or. O clima é frio, rigoroso, tenso. O solo, uma benção divina, uma mistura judiciosa de argila e calcário, culminando no que chamamos Kimeridgiano (Kimméridgien), fosséis marinhos calcinados no marga, característicos das porções de terra das vinhas Grands Crus da região.

Essa precisa geologia exige ao máximo de seu intérprete (vitivinicultor), tanto na condução das vinhas, como sobretudo, na vinificação em cantina. Esta pureza não pode ser perdida, não pode ser camuflada, não pode ser destorcida. Esses segredos parecem ser seguidos à risca pelos maestros (Dauvissat e Raveneau).

Dauvissat

Não estamos falando de Caves Jean et Sébastian Dauvissat e nem de Domaine Jean Dauvissat. Estamos falando de René & Vincent Dauvissat. Proprietário de 12 hectares de vinhas perfeitamente localizadas entre Premier Cru (6 ha), Grand Cru (2,7 ha) e o restante de apelação Chablis, elabora 80000 garrafas por ano. A idade média das vinhas é alta, em torno de 40 anos.

A fermentação e amadurecimento do vinho é feita com madeira inerte. Barricas entre 6 e 8 anos de idade. A micro-oxigenação é importante para o Chablis, quebrando sua dureza, sua austeridade. Vincent vai mais longe, utilizando 10% de madeira nova, uma perigosa ousadia. A malolática ocorre de maneira espontânea.

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apenas rótulos diferentes

Os rótulos acima podem causar confusão, contudo trata-se do mesmo vinho quando em safras idênticas. É apenas uma divisão familiar na impressão dos rótulos. No entanto, a cuvée é a mesma. Particularmente, o rótulo clássico à esquerda é meu preferido.

Seus vinhos aliam pureza, força e profundidade. Destaque para o Premier Cru La Forest, um vinho fora da curva para sua categoria. Mesmo seus Chablis comunal e Petit Chablis provem de vinhas muito bem localizadas, diferenciando-se em muito dos demais nessas categorias.

Pormenorizando a informação, as vinhas de seu Petit Chablis ficam muito perto do Grand Cru Les Clos, uma de suas estrelas, num setor mais alto da encosta. São as ultimas uvas a serem colhidas a cada colheita. Já as vinhas de seu Chablis comunal ficam adjacentes ao badalado La Forest, um super Premier Cru. Detalhes que fazem a diferença.

Raveneau

Domaine François Raveneau tem a mesma filosofia de rival no bom sentido da palavra, fidelidade ao terroir. Vinhas antigas, muito bem localizadas e um trabalho importante de barricas inertes para uma bem-vinda micro-oxigenação. Muitas das barricas tem uma particularidade de tamanho, tendo metade da capacidade das barricas normais. São chamadas “feuillettes”. Numa sintonia fina, digamos que Raveneau elabora um Chablis um pouco mais cortante que Dauvissat. Contudo, é uma impressão pessoal. São 50000 garrafas por ano.

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a grande cuvée de Raveneau

Se Dauvissat tem La Forest, Raveneau tem Montée de Tonnerre, empatados na categoria Premier Cru. Mais uma disputa acirrada entre esses dois gigantes. Um dos detalhes nesta comparação é que as vinhas do La Forest fica num setor mais frio que as vinhas do Montée de Tonnerre. Portanto, as uvas amadurecem mais lentamente. Daí decorre, em anos mais frios La Forest pode ser muito austero, enquanto que em anos mais quentes tem a vantagem de ser mais equilibrado que seu concorrente. Sutilezas na hora de comprar.

Bernard Raveneau, atual comandante, diz que seus vinhos envelhecem muito bem. Questionado sobre seu vinho numa ilha deserta, mencionou seu Montée de Tonnerre 1969 como excepcional e inesquecível.

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taça bordalesa

Além da temperatura correta, em torno de 10° centígrados, a taça correta é fundamental. Esqueça as taças bojudas, tradicionais para os brancos da Côte de Beaune (Montrachet, Puligny, Chassagne). Vá com a mesma taça utilizada para Riesling, Sauvignon Blanc do Loire, uvas que geram vinhos de grande acidez e mineralidade. A acidez fica mais contida, os aromas mais finos, e a harmonia final agradece.

Pratos como salmão marinado, peixes au beurre blanc (molho branco ácido) e trutas com amêndoas, podem acompanhar bem um típico Chablis, calibrando sua categoria (Grand Cru, Premier Cru ou comunal), a característica da safra, e finalmente seu estágio de evolução, sua idade.

Infelizmente, Raveneau e Dauvissat não são encontrados no Brasil. Como opções confiáveis, temos produtores como Billaud-Simon e William Fèvre disponíveis nas importadoras Mistral e Grand Cru, respectivamente.

Brancos e Tintos à Mesa

19 de Janeiro de 2017

Continuando na enogastronomia, tema recorrente deste blog, mais algumas harmonizações testadas com vinhos interessantes e pratos ecléticos.

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grande Mosela

Eis um grande Riesling do Mosel do excelente produtor Grans-Fassian. Esse vem do médio Mosel da sub-região de Piesport do vinhedo Goldtröpchen. Terroir escarpado, rico em ardósia. Spätlese é a categoria de açúcar imediatamente acima de kabinett. Leve docura com uma acidez fenomenal. Persistente, rico em flores, cítricos e minerais. Acompanha muito bem patês de porco e de aves. Desta feita, acompanhou uma salada de folhas, aspargos e camarões. Dominou um pouco a cena, sem comprometer a harmonização.

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Vitovska: uva exótica da Eslovênia

Marko Fon é o grande produtor da Eslovênia na região do Carso, terroir montanhoso rico em calcário. Vitovska é uma uva nascida do cruzamento da Malvasia Bianca com a Glera (uva do Prosecco). É um vinho laranja com maceração das cascas não tão intensa. O vinho é muito aromático, rico em damascos e cítricos com incrível mineralidade. Muito equilibrado, acompanhou bem um ravióli de queijos defumados, ervas e presunto parma. Tem corpo e estrutura para prato ainda mais condimentados. Os dois brancos citados são da Decanter (www.decanter.com.br).

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belo par harmonizado

Se você quer um Sauternes relativamente “simples”, Haut-Bergeron é a pedida certa importado pela Cellar (www.cellar-af.com.br). Por um preço muito razoável, temos toda a tipicidade da apelação com muito equilíbrio e complexidade surpreendente. Acompanhou muito bem os dois folhados acima, um de pera, outro de maçã, e um sorvete de mel para refrescar. Grande fecho de refeição.

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outra bela combinação

A safra 2006 em Bordeaux é subestimada, sobretudo este Chateau Bahans Haut-Brion. Parker dá menos de 90 pontos, o que considero muito rigoroso. Trata-se do segundo vinho do grande Haut-Brion com taninos bem moldados, corpo médio, e toda a tipicidade da comuna de Pessac-Léognan. Fez um belo par com o bife ancho acima, acompanhado de batatas ao forno com alecrim. A textura macia da carne estava de acordo com a estrutura tânica do vinho. Delicioso de ser bebido no momento, mas pode evoluir com segurança por mais cinco anos.

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harmonização surpreendente

Raposeira é um dos grandes nomes de Lamego em termos de espumantes, região adjunta ao baixo corgo (Douro) onde pessoalmente, considero o local ideal para espumantes portugueses elaborados pelo método clássico. Este rosé é feito com castas portuguesas típicas do Douro com estágio sur lies (contato com as leveduras) por pelo menos três anos. Bom corpo, rico em frutas, especiarias e toques defumados. Acompanhou muito bem o prato acima, uma espécie de cuscuz paulista com coentro, pimenta e camarões. A harmonização foi muito refrescante e rica aromaticamente, além de sabores bem casados.

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marrote: nome gaúcho do leitãozinho

A carne acima é bem macia e tenra do chamado marrote, nome dado no sul do país para um leitão novo não castrado. Acompanhado com molho do próprio assado, ervas e batatas ao forno.

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Borgonha e Dão em confronto

Não é que este Borgonha da Côte de Beaune foi muito bem com o prato!. Pernand-Vergelesses é uma comuna encrustada entre Savigny-Les-Beaune e Aloxe-Corton. Trata-se de um Premier Cru delicado como muitos desta parte do sul da Côte d´Or. A safra é excelente. Embora já com seis anos de vida, tem muito vigor e vida pela frente. Entretanto, é muito agradável de ser tomado no momento. Rico em frutas, cerejas frescas, especiarias e um leve sous-bois. A delicadeza do vinho casou perfeitamente com a textura da carne e o sabor do assado. Em seguida, chegou o Quinta da Pellada Touriga Nacional da boa safra 2004. Embora com mais de dez anos, o vinho mostrou vivacidade e uma acidez incrível. Um pouco mais robusto que o antecessor, não comprometeu a harmonização.

O Borgonha vem da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) e o Dão da importadora Mistral (www.mistral.com.br).

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combinação ousada

Côtes de Blaye é uma apelação bordalesa pouco conhecida e não tem a nobreza dos tintos do Médoc. Fica na margem oposta do rio Gironde, na altura da comuna de Margaux, e é vizinha à outra apelação também sem muita expressão, Côte de Bourg. São tintos de corte bordalês para o dia a dia, sem grande complexidade e que não precisam envelhecer muito. Importado pela Vinissimo (www.vinissimostore.com.br).

Com a informalidade do nosso tradicional virado a paulista, pode ser uma boa combinação, tendo estrutura adequada ao prato, além de fruta, taninos e um sutil toque amadeirado para enfrentar sabores e texturas dos ingredientes. Mesmo que o vinho com a idade ganhe um pouco de aromas terciários, os toques defumados do prato se adequam bem.

O importante aqui é a questão de tipologia do prato, ou seja, pratos frugais com vinhos sem sofisticação. Não adianta querer comer pizza com Sassicaia. Neste caso, vá de Chianti simples. É como se vestir de terno e gravata com chinelos.

Outras sugestões para o prato são Côtes-du-Rhône, Chinon ou Bourgueil do Loire, bons Merlots nacionais ou um Alentejano de média gama.

Entre Tintos e Brancos

22 de Agosto de 2016

Nas últimas provas realizadas entre amigos, brancos e tintos destacaram-se numa diversidade de propostas, uvas, regiões e estilos.

meursault perrieres

safra prazerosa e acessível

O vinhedo Perrières expressa de forma magnifica toda a essência de um Meursault, sobretudo nas mãos de Michel Bouzereau. Com vinhas plantadas em 1960, 78 e 97, seus vinhos têm estrutura e equilíbrio notáveis. A fermentação e amadurecimento são feitos em barricas, sendo 25% novas. Medida certa para não marcar o vinho. Notas de mel, frutas brancas maduras, e um elegante tostado em meio a um toque mineral, somam-se a uma textura macia, prolongando o final de boca. Já muito agradável, vai bem com vitela, peixes, e frutos do mar em molhos brancos, além de ostras gratinadas. Importadora Cellar.

malvasia eslovenia

branco exótico

Os vinhos eslovenos de Marko Fon são sensação no momento pelo seu exotismo. Ele trabalha com as brancas Vitovska e Malvazija Istarska, ambas uvas locais. Na foto acima, trata-se da Malvazija, também conhecida como Malvasia Istriana, própria do nordeste italiano (Friuli). Suas vinhas de quatro hectares são de idade avançada, algumas centenárias, num solo calcário no Carso (Kras), sub-região eslovena bem próxima do mar adriático, sofrendo sua influência salina.

O mosto é fermentado com algum contato com as cascas em toneis de madeira inerte com leveduras naturais. Esse tipo de Malvasia confere grande acidez ao vinho e pureza em fruta. Um branco vibrante, bastante austero e fechado logo que aberto, necessitando de decantação por pelo menos uma hora. Aromas exóticos lembrando pêssegos, damascos e carambola, além de um fundo mineral e ervas. Ele lembra de maneira sutil um vinho Laranja. Pode acompanhar bem bacalhau, pratos com aspargos, e numa combinação ousada, ostras frescas com geleia de estragão. Importadora Decanter.

aldo conterno colonnello

o inimitável Aldo Conterno

Todos aqueles que já tomaram bons Barolos precisam ter a experiência com um Aldo Conterno. O homem consegue fazer um Borgonha dentro do Piemonte, tal a delicadeza de seus Nebbiolos. Este do vinhedo Colonnello com vinhas entre 40 e 45 anos prima pela elegância numa escola tradicionalista. Seus 28 meses em carvalho da Eslavônia promovem a micro-oxigenação certa para seus aromas etéreos com notas de alcaçuz, cerejas negras, alcatrão e especiarias. Seus taninos são um capitula à parte. E olha que taninos de Nebbiolo não são fáceis. Muito equilibrado e um final extremamente harmônico. Importadora Cellar.

matetic 2007

foge do estilo Novo Mundo

O que encanta de cara neste vinho é o frescor, apesar de seus quase dez anos (safra 2007). A cor é escura, muito intensa. Melhorou muito com o tempo em taça, ratificando que os vinhos com a uva Syrah são muito redutivos, merecendo longa decantação. Frutas negras em geleia, toques defumados, de chocolate escuro, e especiarias, além de toques mentolados e minerais. Corpo de médio a bom, taninos de rara textura, e um final fresco e longo. As vinhas situam-se em Rosario, setor nobre da vinícola com grande influência do Pacifico no Valle San Antonio. Muito agradável no momento, embora vislumbre ainda bons anos de guarda. Uma verdadeira referência de Syrah no Chile. Importadora Grand Cru.

rioja alta ardanza 2001

safras espetaculares: 1964, 1973 e 2001

Viña Ardanza Reserva Especial 2001

A bodega Rioja Alta dispensa comentários com seus ótimos vinhos cheios de personalidade. Viña Ardanza é o terceiro na hierarquia, atrás dos estupendos Gran Reserva 904 e 890. Costuma mostrar o caminho do estilo da casa com seus toques balsâmicos, de especiarias, caramelo, cevada, além de um equilíbrio gustativo notável. Contudo, neste ano 2001 superou em todos os sentidos, merecendo a menção Reserva Especial. Já na cor, percebemos a alta concentração do vinho, nem de longe denotando seus 15 anos de vida. Mais encorpado que o normal, taninos ultra finos e uma expansão de boca marcante. Definitivamente, um grande ano para esta bodega. Importadora Zahil.

madeira verdelho

o equilíbrio dos Madeiras

Cossart Gordon Madeira Verdelho 5 Years Old

Os Madeiras costumam relacionar suas uvas mais nobres com o grau de doçura do vinho. Portanto; Sercial para o seco, Verdelho para o meio seco, Boal para o meio doce, e finalmente, Malmesy para o doce. Este Medium Dry degustado, surpreendeu pela doçura e complexidade apresentadas. Acompanhou muito bem um Partagas E2, finalizando um belo almoço. Suporta bem sobremesas levemente adocicadas como bolos e tortas de frutas secas. Belo equilíbrio em boca, sustentado por uma acidez marcante e agradável. Expansivo, álcool na medida certa, e final de grande frescor. Bela opção no mercado. Importadora Decanter.