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Echezeaux em parcelas

19 de Abril de 2018

A extensão de vinhedos na Borgonha é sempre minimalista, sobretudo quando se trata de vinhedos na categoria Grand Cru. Duas exceções clássicas e de conformação semelhante são Clos de Vougeot e Echezeaux com vinhedos quase contíguos.

A palavra Echezeaux significa conjunto de vilas, de comunas. Na verdade, são onze climats que compõem este vinhedo com mais de 35 hectares de vinhas. Tudo gira em torno de outro Grand Cru de características semelhantes, mas de maior prestígio e menor área, Grands-Echezeaux. Em torno deste Grand Cru, as onze parcelas se acomodam a oeste, e sobretudo a norte subindo a colina dos Grands Crus.

flagey echezeaux 2

comuna espremida na Côte de Nuits

Os Grands Crus Echezeaux e Grands-Echezeaux pertencem a comuna de Flagey-Echezeaux, espremida entre as comunas de Vosne-Romanée, Vougeot, e Chambolle-Musigny, conforme mapa acima. Na prática, Flagey-Echezeaux é absorvida pela badalada comuna de Vosne-Romanée, ganhando assim esta última, mais dois Grands Crus.

Feitas as considerações iniciais, Echezeaux apresenta um terroir complexo e sobretudo heterogêneo. Some-se a isso, cerca de 80 produtores, cada qual com seu estilo e conceito de vinho, e a solução desta equação torna-se de difícil conclusão. Partindo do Echezeaux do Domaine de La Romanée-Conti (DRC), teoricamente o mais reputado e de maior concentração, vê-se claramente numa degustação horizontal DRC com seus seis maravilhosos Grands Crus, que Echezeaux está um degrau abaixo em termos de concentração e complexidade. E olha que estamos falando no que há de melhor em Echezeaux e Grands-Echezeaux. No caso do Echezeaux DRC, trata-se de uma das melhores parcelas deste vasto vinhedo (parcela 2), bem próximo da face norte de Grands-Echezeaux. O mapa abaixo, elucida as considerações acima.

flagey echezeaux parcelas11 parcelas do Grand Cru Echezeaux

  1. Echezeaux du Dessus
  2. Les Poulailléres
  3. En Orveau
  4. Les Champs Traversins
  5. Les Rouges du Bas
  6. Les Beaux Monts Bas
  7. Les Loächausses
  8. Les Cruots ou Vignes Blanches
  9. Clos St Denis
  10. Les Treux
  11. Les Quartieres de Nuits

Teoricamente, a parcela 1 de nome Echezeaux du Dessus, é a parcela original do vinhedo Grand Cru Echezeaux e de grande reputação. Esta parcela 1 é atualmente dividida em sete proprietários entre os quais, a família Jayer, Cecile Tremblay e Michel Noellat, são os mais importantes.

Na parcela 2, Les Poulailléres, praticamente um monopole do DRC, é outra comuna de grande prestígio. Nessas parcelas 1 e 2, o solo de marga tem uma proporção maior de argila, gerando vinhos mais encorpados e de grande concentração.

A parcela 7, Les Loächausses, é também de ótima reputação tendo como proprietários Anne Gros e Gros Frères. Já na parcela 8, Vignes Blanches, o solo mais calcário e arenoso, tendem a elaborar vinhos mais sutis, bem aos moldes do mestre Henry Jayer. Neste caso, o homem se sobrepõe aos outros elementos do terroir.

Atualmente, Domaine Liger-Belair está em ascensão, tornando-se a bola da vez. Suas vinhas em Echezeaux com pouco mais de meio hectare, é dividida entre as parcelas 4 e 8, Vignes Blanches e Champs Traversins, respectivamente. Apesar de solos com boa proporção de calcário, dando elegância ao conjunto, o grande trunfo do produtor são vinhas muito antigas, ao redor de 65 anos.

ad4038c9-7ccc-4c5a-bf97-112f6247f771.jpgHenri Jayer: a pefeição na apelação

Aqui na foto acima, a conjunção é perfeita. Grande produtor numa bela safra. Toda a delicadeza de um grande Echezeaux com enorme profundidade. Já no seu Cros Parantoux, um Premier Cru de rara delicadeza, Henri Jayer mostra todo seu talento num tinto excepcional. Pena que Madame Leroy em seu Domaine não possua uma parcelinha neste terroir. Certamente, faria um estrago …

o que há de melhor nestas apelações

A diferença de um Echezeaux para um Grands-Echezeaux nos vinhos DRC é marcante. Com o mesmo estilo de vinificação, o Grands-Echezeaux mostra-se duro na juventude, vislumbrando uma lenta e gradual evolução. Por outro lado, Echezeaux é o vinho mais acessível. Sedutor mesmo jovem, é um vinho de grande profundidade.

IMG_4487.jpgos indícios de uma grande promessa

Liger-Belair aposta no time de Jayer ou mais “terrenamente” em tintos de Leroy. Cabe ao tempo dizer se esta promessa revelará a profundidade e delicadeza deste nobre terroir. Importadora Mistral.

echezeaux confuron cotetidot

Por fim, os vinhos do Domaine Confuron-Cotetidot trazidos pela importadora Decanter com algumas garrafas ainda na importadora Cellar, especialmente Echezeaux, objeto de nosso artigo, mostra o estilo tradicional e concentrado com vinificação entiére (uvas com engaço). Vinhos de grande concentração e profundidade. São 0,45 hectares de vinhas localizadas na parcela 10 (Les Treuxs), vide mapa acima, colada a oeste de Grands-Echezeaux.

Na Borgonha, produtor, vinhedo e safra, são fundamentais para o sucesso de uma garrafa. Nos Grands Crus Clos de Vougeot e Echezeaux, os cuidados são redobrados. Na verdade são muitos vinhedos individuais que não poderiam ser padronizados numa única apelação. Exceções que fogem aos conceitos habituais deste terroir tão complexo como a Borgonha.

 

30 anos de Importação

12 de Fevereiro de 2018

Em 1985 aproximadamente, quando comecei a tomar vinho, o mercado da bebida era extremamente restrito, sobretudo com os importados. O vinho nacional com algum destaque de qualidade tinha marcas como Granja União, Adega Medieval, e Velho do Museu. As marcas mais comerciais vinham da vinícola Aurora e o forte marketing da antiga Almadén. Realmente, fui um herói. Que dureza!

A partir da safra 1999, uma das grandes do vinho brasileiro, um grupo de produtores na serra gaúcha começava a fazer história do moderno vinho nacional. Dentre esse pioneirismo, podemos destacar a vinícola Miolo com seu Lote 43, e a vinícola Pizzato com seu incrível Merlot, ambos da safra 99.

No setor de importados, Cusiño Macul Antigas Reservas reinava absoluto nos anos 80 como grande tinto chileno. Logo chegou Don Melchor para fazer concorrência e o Casa Real da Viña Santa Rita era mais difícil encontrar. Não vou falar daquela aberração da garrafa azul e nem dos tintos portugueses rústicos e duros. O vinho Verde na época é que salvava algumas situações em dias mais quentes acompanhando pescados. Do lado italiano, os Chiantis eram muito fracos em qualidade, embora sempre gastronômicos. Da França, vinhos de negociantes como Barton & Guestier, inundavam o mercado com vinhos insípidos das apelações Bordeaux e Rhône, sobretudo. A Espanha se salvava com bons Riojas sem grandes variedade de marcas. Em resumo, cenário muito diferente da atualidade, onde o Brasil a despeito de preços escorchantes, tem um leque de opções dos mais variados países, produtores destacados em suas respectivas denominações, portfolio diversificado em grandes importadoras, não devendo nada para países de primeiro mundo.

Retrospectiva dos importados

As primeiras grandes importadoras como Maison du Vin, Expand, Silmar, Gomes Carrera, Casa Prata, Aurora, entre outras, trabalhavam como podiam num mercado ainda fechado. Saudades em especial pela Maison du Vin com vinhos impecáveis. Belos Bourgognes, Vega-Sicilia, Trimbach da Alsácia, e bela seleção da África do Sul.

Australianos

A importadora Mistral trouxe o grande nome australiano chamado Penfdolds no final dos anos 80 antes da importadora KMM, especializadas em vinhos australianos, chegar em 1992.

Alentejanos

Em 1998, a Adega Alentejana mostra uma outra face do vinho português através de seu proprietário, Manuel Chical. Vinhos modernos, macios, e de grande aceitação. Sem dúvida, o Alentejo abriu portas para outras regiões portuguesas e para a modernização geral do país no setor vitivinícola.

Nova Zelândia

Em 1999, tivemos a inauguração da Premium Wines, importadora referência nos belos vinhos neozelandeses. Os vinhos brancos, sobretudo o Sauvignon Blanc, ganhou uma nova roupagem e muitos adeptos no consumo desta novidade.

Argentina

A chegada dos vinhos Catena no Brasil pela Mistral somada à inauguração da importadora Grand Cru em 2002, permitiram que os brasileiros descobrissem a nova e moderna indústria de vinhos argentinos. Até então, os vinhos eram muito tradicionais e obsoletos.

Espanhóis 

Há cerca de 20 anos, chegava ao Brasil uma leva de vinhos espanhóis modernos através da importadora Peninsula. Mesmo em regiões tradicionais como Rioja e Ribera del Duero, produtores inovadores começavam a se destacar com vinhos surpreendentes.

importação de vinho 2015

Chile

Embora o Chile desde sempre mantenha a dianteira no setor de importações brasileiras no quesito vinho, sua penetração e crescimento aconteceu de maneira natural e progressiva. O grupo Concha Y Toro, um dos gigantes mundiais, garante absoluta supremacia no mercado de importados com vinhos bastante diversificados, desde aqueles muito simples e de preços módicos, até grandes ícones como Don Melchor e Carmin de Peumo. A oferta dos mais importantes produtores chilenos é vasta e notadamente pulverizada entre as importadoras brasileiras.

França e Itália

Assim como no caso chileno, França e Itália participam do mercado brasileiro de vinhos de longa data. É bem verdade que na maioria dos casos e sobretudo em termos de volume, a qualidade deixa a desejar com um mar de Lambruscos, Chiantis, Valpolicellas, de péssima qualidade. Do lado francês, não fica por menos, Bordeaux, Rhône e Bourgogne comercializados pelos chamados Négociants, deixam muitos consumidores com má impressão dos vinhos franceses. 

Evidentemente, numa escala minimalista, várias importadoras trazem vinhos sofisticados, premiados, e da mais alta qualidade dentre esses dois países. Para destacar uma só importadora, há muito tempo no mercado, temos a Cellar desde 1995, pinçando produtores artesanais e exclusivos, sob a batuta do expert Amauri de Faria.

Estados Unidos

Muita gente se surpreende quando descobre que os Estados Unidos são o quarto maior produtor mundial de vinhos e está entre os três maiores importadores da bebida. Os grandes produtores americanos estão entre os melhores do mundo, mas seus preços são proibitivos. Os vinhos mais acessíveis também são relativamente caros. Com isso, as importações brasileiras de vinhos americanos foi sempre discreta e sem grandes atrativos. É preciso pesquisar as poucas ofertas interessantes que existem.

alemanha importaçõesescalada da garrafa azul (1993 a 1996)

Alemanha

Depois de tanto tempo, ainda há resquícios da péssima imagem deixada pela garrafa azul. E muitos consumidores participaram deste mico. A Alemanha faz grandes vinhos brancos, sobretudo com a casta Riesling. Há boas ofertas no mercado, mas seu consumo é decepcionante, visto a qualidade e singularidade de seus vinhos. Importadoras como Decanter e mais recentemente Vindame, primam por ótimos produtores.

Uruguai e África do Sul

Países  que sempre tiveram presentes nas importações brasileiras, embora sem grandes destaques. Os vinhos sul-africanos há muito tempo frequentam as prateleiras das principais importadoras e lojas de vinhos. Mesmo no início dos anos 90, importadoras como Expand e Maison du Vin, possuíam um portfolio invejável de grandes produtores premiados da África do Sul. Houve em certos períodos um consumo e interesse do consumidor mais acentuados, mas a longo prazo os vinhos não vingaram como previsto.

O mesmo ocorreu com o Uruguai e seus Tannats. Apesar da proximidade, a produção é pequena e a dependência da casta ícone, restringiu os consumidores a um estilo de vinho robusto, nem sempre muito bem compreendido. Isso tem mudado em tempos mais atuais, inclusive com a aceitação de belos vinhos brancos. Um mercado em ascensão. 

Perspectivas

O Chile parece conquistar seu posto de primeiríssimo lugar, sem riscos. Grupos vinícolas como Concha Y Toro, Viña Santa Rita, e Viña San Pedro, tem grande penetração em nosso mercado nas mais variadas faixas de preço.

Portugal cresce a passos largos com a modernização de seus vinhos nas principais regiões vinícolas do país. Enquanto Alentejo e Douro garantem a qualidade de vinhos com forte  valor agregado, a região de Lisboa busca uma fatia cada vez maior com vinhos de preços altamente competitivos. A história que envolve os dois países, Brasil e Portugal, contribuem para uma aceitação bastante forte e natural.

Argentina e Espanha têm espaço para crescer. Do lado argentino, o desenvolvimento de micro regiões  e um foco maior nas questões de terroir podem despertar cada vez mais o interesse do consumidor. Do lado espanhol, a busca por vinhos mais autênticos trabalhados com baixos rendimentos, geram cada vez mais vinhos interessantes e de preços relativamente competitivos. A versatilidade da Tempranillo nos vários terroirs espanhóis é uma arma poderosa neste objetivo.

Em suma, pelo menos 50% do mercado de importados parece destinados a Chile e Argentina. A outra metade, Espanha e Portugal incomodam cada vez mais os gigantes tradicionais, França e Itália.

 

Importadoras Pioneiras

26 de Setembro de 2017

Os vinhos importados no Brasil têm história recente, pelo menos em maiores volumes e consistência de remessas contínuas. Dentro deste contexto, vale a pena recordar algumas importadoras pioneiras, sobretudo aquelas que priorizaram e se especializaram em determinados países até então inusitados em nosso mercado. Antes delas, uma menção especial para algumas que já se foram e deixaram saudades como Maison du Vin, Saveurs de France, Silmar do saudoso Silvio Rocha, Gomez Carrera, Callaz & Silvestrini e tantas outras.

monte do pintor 2005

um dos primeiros alentejanos no Brasil

Adega Alentejana

Em 1998, Manuel Chical, atual proprietário desde sempre, trouxe para o Brasil os vinhos alentejanos nunca vistos em nosso meio. Foi sucesso imediato, tal a agradabilidade destes vinhos na época. Por serem macios, frutados e acessíveis, mesmo em tenra idade, os paulistas sobretudo, receberam muito bem a novidade com mercado cativo até hoje. Destaque para o sóbrio e único Mouchão, um dos pilares da enologia alentejana. http://www.alentejana.com.br

KMM Armagh_2008

Um dos maiores Shiraz australianos

Importadora KMM

Embora a importado Mistral tenha trazido os espetaculares australianos da Penfolds, a importadora KMM com Marli Predebon sempre no comando desde 1992, construiu um portfolio invejável de grandes marcas deste país exótico. Sempre com vinhos bem pontuados, fieis ao terroir australiano, e de preços bem ecléticos, atingindo diversos padrões de consumidores. http://www.kmmvinhos.com.br

Premium Rippon Pinot Noir

Pinot Noir neozelandês de destaque 

Importadora Premium

Esta importadora mineira, sempre liderada pelos competentes Orlando Rodrigues e Rodrigo Fonseca, trouxeram em 1999 as primeiras levas de vinhos neozelandeses da melhor qualidade. Com portfolio variado e de preços para todos os bolsos, os brancos da Nova Zelândia caíram nos gosto brasileiro. O cuidado na escolha de produtores sempre foi preocupação fundamental desses sócios até hoje firmes no mercado. http://www.premiumwines.com.br

grand cru pulenta estate

vinhos sempre consistentes

Importadora Grand Cru

Embora atualmente esta importadora não tenha sua imagem focada somente nos argentinos, sua origem em 2002 marcou a entrada de grandes produtores deste país no auge de sua expansão vitivinícola. Evidentemente, eles continuam em destaque, mas o portfolio da importadora diversificou-se demais, tornando-se na atualidade uma das maiores do país com várias lojas em São Paulo e demais capitais. http://www.grandcru .com.br

tastevin muscat beaumes de venise

ótima qualidade e preço bem camarada

Importadora Club du Taste-Vin

Com 36 anos no mercado, esta importadora exclusiva para vinhos franceses é liderada desde sempre por François Dupuis, residente no Rio de Janeiro. Com presença bem mais enfática no público carioca, os paulistas também se abastecem com seus vinhos. A ideia é garimpar rótulos franceses não muito badalados a bom preço das principais regiões produtoras. Sempre fiel ao projeto original, só trabalha com vinhos franceses. http://www.tastevin.com.br

cellar alphonse mellot

Sancerre de personalidade

Importadora Cellar

Criada em 1995 e dirigida até hoje com mão de ferro pelo expert Amauri de Faria, esta importadora não introduziu os vinhos franceses e italianos propriamente no Brasil, mas sem dúvida nenhuma, deu e dá uma aula de como selecionar vinhos deste países de uma complexidade e diversidade ímpares. Seus rótulos primam por uma seleção de grande distinção e preços proporcionalmente bastante honestos. http://www.cellar-af.com.br

peninsula abadia retuerta

bodega de referência 

Importadora Peninsula

Há quase 20 anos no mercado, esta importadora se especializou em grandes vinhos espanhóis. Seu fundador e atual proprietário, Javier Dias Rabarain, prima por rótulos de grande destaque no cenário espanhol, tanto na escola mais tradicional, como no lado mais modernista. Menção especial a Juan Suárez Rodriguez, hoje não mais presente na empresa, pela enorme contribuição na divulgação do vinho espanhol. http://www.peninsulavinhos.com.br

expand renato ratti

Lançado na Expand, agora na Ravin

Importadora Expand

A grande importadora de vinhos nos anos 90 com um portfolio invejável, perfilando grandes vinhos do mundo, inclusive o mítico Romanée-Conti. Quem a sucedeu no mesmo porte e no desfile de grandes rótulos foi a importadora Mistral, até hoje com grande destaque no cenário nacional. Como não falamos dos vinhos sul-africanos, vale destacar a seleção impecável que a Expand dispunha na época com pelo menos meia dúzia de rótulos do mais alto nível.

Atualmente, importadoras como Mistral, Vinci, Decanter, Grand Cru, World Wine, Casa Flora, Zahil, e mais algumas lideram grande parte do mercado nacional. Mas isso é uma outra história para um artigo específico.

Enfim, um apanhado geral de como começou os vinhos importados no Brasil e ao mesmo tempo uma homenagem a essas importadoras pioneiras com fotos emblemáticas de cada uma delas. Todas elas continuam suas atividades, naturalmente com a ampliação de seu portfolio, mas sem perder a origem de suas convicções. Se solidificaram, conquistaram mercado e  fidelizaram clientes, fazendo do Brasil, especialmente na região sudeste, um dos países com maior diversidade em rótulos internacionais. Portanto, o amante de vinho brasileiro pode ficar tranquilo em ter a seu alcance uma grande diversidade de estilos, países, e as principais regiões no mundo do vinho. O grande empecilho é o preço com os escorchantes impostos praticados em nosso país. Mesmo os nossos vinhos, o vinho brasileiro, não foge das garras predatórias de nossa legislação.

Brancos e Tintos à Mesa

19 de Janeiro de 2017

Continuando na enogastronomia, tema recorrente deste blog, mais algumas harmonizações testadas com vinhos interessantes e pratos ecléticos.

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grande Mosela

Eis um grande Riesling do Mosel do excelente produtor Grans-Fassian. Esse vem do médio Mosel da sub-região de Piesport do vinhedo Goldtröpchen. Terroir escarpado, rico em ardósia. Spätlese é a categoria de açúcar imediatamente acima de kabinett. Leve docura com uma acidez fenomenal. Persistente, rico em flores, cítricos e minerais. Acompanha muito bem patês de porco e de aves. Desta feita, acompanhou uma salada de folhas, aspargos e camarões. Dominou um pouco a cena, sem comprometer a harmonização.

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Vitovska: uva exótica da Eslovênia

Marko Fon é o grande produtor da Eslovênia na região do Carso, terroir montanhoso rico em calcário. Vitovska é uma uva nascida do cruzamento da Malvasia Bianca com a Glera (uva do Prosecco). É um vinho laranja com maceração das cascas não tão intensa. O vinho é muito aromático, rico em damascos e cítricos com incrível mineralidade. Muito equilibrado, acompanhou bem um ravióli de queijos defumados, ervas e presunto parma. Tem corpo e estrutura para prato ainda mais condimentados. Os dois brancos citados são da Decanter (www.decanter.com.br).

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belo par harmonizado

Se você quer um Sauternes relativamente “simples”, Haut-Bergeron é a pedida certa importado pela Cellar (www.cellar-af.com.br). Por um preço muito razoável, temos toda a tipicidade da apelação com muito equilíbrio e complexidade surpreendente. Acompanhou muito bem os dois folhados acima, um de pera, outro de maçã, e um sorvete de mel para refrescar. Grande fecho de refeição.

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outra bela combinação

A safra 2006 em Bordeaux é subestimada, sobretudo este Chateau Bahans Haut-Brion. Parker dá menos de 90 pontos, o que considero muito rigoroso. Trata-se do segundo vinho do grande Haut-Brion com taninos bem moldados, corpo médio, e toda a tipicidade da comuna de Pessac-Léognan. Fez um belo par com o bife ancho acima, acompanhado de batatas ao forno com alecrim. A textura macia da carne estava de acordo com a estrutura tânica do vinho. Delicioso de ser bebido no momento, mas pode evoluir com segurança por mais cinco anos.

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harmonização surpreendente

Raposeira é um dos grandes nomes de Lamego em termos de espumantes, região adjunta ao baixo corgo (Douro) onde pessoalmente, considero o local ideal para espumantes portugueses elaborados pelo método clássico. Este rosé é feito com castas portuguesas típicas do Douro com estágio sur lies (contato com as leveduras) por pelo menos três anos. Bom corpo, rico em frutas, especiarias e toques defumados. Acompanhou muito bem o prato acima, uma espécie de cuscuz paulista com coentro, pimenta e camarões. A harmonização foi muito refrescante e rica aromaticamente, além de sabores bem casados.

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marrote: nome gaúcho do leitãozinho

A carne acima é bem macia e tenra do chamado marrote, nome dado no sul do país para um leitão novo não castrado. Acompanhado com molho do próprio assado, ervas e batatas ao forno.

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Borgonha e Dão em confronto

Não é que este Borgonha da Côte de Beaune foi muito bem com o prato!. Pernand-Vergelesses é uma comuna encrustada entre Savigny-Les-Beaune e Aloxe-Corton. Trata-se de um Premier Cru delicado como muitos desta parte do sul da Côte d´Or. A safra é excelente. Embora já com seis anos de vida, tem muito vigor e vida pela frente. Entretanto, é muito agradável de ser tomado no momento. Rico em frutas, cerejas frescas, especiarias e um leve sous-bois. A delicadeza do vinho casou perfeitamente com a textura da carne e o sabor do assado. Em seguida, chegou o Quinta da Pellada Touriga Nacional da boa safra 2004. Embora com mais de dez anos, o vinho mostrou vivacidade e uma acidez incrível. Um pouco mais robusto que o antecessor, não comprometeu a harmonização.

O Borgonha vem da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) e o Dão da importadora Mistral (www.mistral.com.br).

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combinação ousada

Côtes de Blaye é uma apelação bordalesa pouco conhecida e não tem a nobreza dos tintos do Médoc. Fica na margem oposta do rio Gironde, na altura da comuna de Margaux, e é vizinha à outra apelação também sem muita expressão, Côte de Bourg. São tintos de corte bordalês para o dia a dia, sem grande complexidade e que não precisam envelhecer muito. Importado pela Vinissimo (www.vinissimostore.com.br).

Com a informalidade do nosso tradicional virado a paulista, pode ser uma boa combinação, tendo estrutura adequada ao prato, além de fruta, taninos e um sutil toque amadeirado para enfrentar sabores e texturas dos ingredientes. Mesmo que o vinho com a idade ganhe um pouco de aromas terciários, os toques defumados do prato se adequam bem.

O importante aqui é a questão de tipologia do prato, ou seja, pratos frugais com vinhos sem sofisticação. Não adianta querer comer pizza com Sassicaia. Neste caso, vá de Chianti simples. É como se vestir de terno e gravata com chinelos.

Outras sugestões para o prato são Côtes-du-Rhône, Chinon ou Bourgueil do Loire, bons Merlots nacionais ou um Alentejano de média gama.