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Varanda com Americanos

22 de Outubro de 2019

Essa é uma boa parceria, Varanda Grill e Cult wines americanos. Num ótimo almoço com uma das melhores carnes de São Paulo, o desfile de vários notas 100 da elite americana fez uma parceria de primeira em termos de harmonização. Carnes extremamente suculentas, grelhadas com maestria, foram agraciadas com os mais potentes e finos taninos dos grandes tintos de Napa Valley. Para iniciar e selar o almoço, um branco e um tinto da vinícola butique Sine Qua Non foram a cereja do bolo com vinhos arrebatadores.

7d256fb0-7489-433c-99e1-548818832956o time completo

Antes de partir para os tintos de Napa, vamos falar desta dupla Sine Qua Non com vinhos mágicos e cheios de personalidade. Trata-se de uma pequena vinícola ao norte de Los Angeles com inspiração nos vinhos do Rhône. Portanto, uvas como Syrah, Grenache, Viognier, Roussanne e Marsanne, são interpretadas de maneira magnífica com vinhos impactantes. Os vinhedos estão localizados em Santa Barbara, Santa Rita Hills e Santa Maria com rendimentos muito baixos.

img_6789vinhos de corpo e alma

O vinho da esquerda, The Petition 2005, é um corte inusitado com as uvas Chardonnay, Viognier e Roussanne com 15,8% de álcool. Um branco denso, encorpado, quase um Sauternes sem açúcar. Os aromas são de frutas exóticas, especiarias, notas de incenso, e algo floral. Tem o perfil dos grandes Hermitages brancos de topo de gama. Enfrenta bem pratos com bacalhau, carnes defumadas, e cozidos bem condimentados. Tem 95 pontos Parker. Um branco impactante.

Já o tinto à direita, The Inaugural 2003, vem do vinhedo Eleven Confessions em Santa Rita Hills. O vinho é à base de Grenache com 10% de Syrah. Passa 38 meses em barricas francesas. Uma explosão de aromas de frutas em geleia, especiarias, ervas, notas defumadas e um fundo mineral. Encorpado, denso, e muito longo em boca. Lembra os grandes Grenaches espanhóis e até algo dos grandes Prioratos. Tem 100 pontos Parker e muita vida pela frente, embora já delicioso.

Cabernets e suculência das carnes

O vinho da esquerda, Dalla Valle Maya 1992, um Maya histórico de 100 pontos. Pena que o vinho estivesse um pouco cansado, mas seus taninos são de veludo numa mistura de 55% Cabernet Sauvignon e 45% Cabernet Franc. Aromas elegantes com toques de cacau, defumado, e fruta escura lembrando ameixas. Exemplar difícil de ser encontrado que está no auge para ser bebido.

À direita, o único 100% Cabernet Sauvignon do painel da AVA Rutherford, Scarecrow 2006. Decantado por duas horas, é um vinho poderoso com vinhas de mais de 60 anos. Embora tenha passado por barricas novas francesas, o vinho tem fruta extraordinária com belos toques de alcaçuz. Seus taninos são bem moldados e casou perfeitamente com a suculência das carnes acima.

napa valley rutherford oakvilleo filé-mignon de Napa

As AVAs acima, American Vitucultural Area, de Rutherford e Oakville, são os melhores terroirs para Cabernet Sauvginon americano. Do lado oeste, perto Mayacamas Mountains, o solo é aluvial e pedregoso, enquanto do lado leste, Vaca Mountains o solo tende a ser mais vulcânico. Vinícolas como Harlan Estate, Screaming Eagle, Dalla Valle, Opus One, Inglenook, Heitz Cellars, estão todas neste pedaço. Os Cabernets de Rutherford tendem a ser mais austeros, duros, enquanto os de Oakville são mais opulentos.

filé-mignon (tenderloin) perfeitamente grelhado

Este foi o vinho mais pronto, mais evoluído, e de estilo mais francês do painel. Um típico corte de margem esquerda com 93% Cabernet Sauvignon, 6% Cabernet Franc, e 1% Merlot, e 15 meses de barricas francesas novas. Delicioso com notas de tabaco, estrebaria, frutas escuras, ervas finas, café, além de taninos totalmente polimerizados. Não é muito longo em boca, mas superequilibrado. Casou perfeitamente com o corte acima divinamente grelhado ao ponto.

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200 pontos na mesa

O duelo final tinha que ser com 200 pontos na mesa em estilos completamente diferentes. Os dois partem de cortes bordaleses com Cabernet Sauvignon de maneira majoritária. O Madrona Ranch 2002 da vinícola Abreu localizada na AVA Santa Helena parece mais pronto e mais exuberante. É um vinho mais direto com perfil americano dos grandes tintos. Muito sedutor e extremamente aromático. Já o Harlan 2001 é mais um da extensa coleção de 100 pontos. É extremamente elegante, diferenciado e de estilo europeu. Aromas de muita classe e um equilíbrio em boca fantástico. É dificil um cult wine bater este vinho, sobretudo quando ele atinge a perfeição. Os dois vinhos merecem longa decantação no momento e tem poder de guarda em adega. É claro que o Harlan vai mais longe com apogeu previsto para 2040. O Abreu Madrona Ranch tem mais uns dez anos de evolução. De todo modo, um duelo de gigantes!

Agradecimentos a todos os confrades, especialmente ao nosso Presidente com vinhos surpreendentes e muito bem adegados. Foi um show de harmonização, boa conversa, e uma experiência sensorial incrível. Os Estados Unidos mais uma vez mostraram sua força e enorme competência em elaborar grandes vinhos. Que Bacco nos conduza sempre pelos melhores caminhos!

Achaval Ferrer e sua Trilogia

19 de Outubro de 2019

Achaval Ferrer, uma das bodegas argentinas mais premiadas, sempre com notas altíssimas nos melhores guias, sobretudo com sua encantadora trilogia de Malbecs: Finca Altamira, Finca Mirador, e Finca Bella Vista. É uma das minhas bodegas preferidas, no mesmo nível de Catena, Cobos e Noemia.

Num evento exclusivo de lançamento, a importadora Clarets mostrou boa parte da linha no agradável restaurante de carnes Cór. Desde os varietais de entrada de gama, passando pelo ótimo Quimera, e finalmente chegando na trilogia mencionada.

A ideia da Bodega é bem simples e de excelência. Buscar vinhedos que expressem o terroir com rendimentos muito baixos. No nível mais acessível, temos uma parreira para cada garrafa. No nível intermediário, temos duas parreiras para uma garrafa. E para a trilogia, temos três parreiras para cada garrafa, rendimentos encontrados somente nos grandes vinhos europeus. Para se ter uma ideia dessa exigência, são menos de meio quilo de uvas por parreira.

Os vinhedos se concentram em zonas nobres de Mendoza. Na zona Alta do  Rio Mendoza, temos vinhedos em Luján de Cuyo, além de áreas bem situadas no Valle de Uco. Algumas das vinhas são de parreiras centenárias ainda em pé franco.

Começando pela linha básica de varietais como Malbec, Cabernet Sauvignon, e Cabernet Franc, as uvas vem dos vinhedos em Pedriel, Medrano, La Consulta, e Tupungato. Os dois primeiros em zonas mais baixas, aportam corpo e estrutura, enquanto La Consulta e Tupungato no Valle de Uco, conferem frescor e elegância. Vinhos muito equilibrados, extraídos na medida certa, trabalhando com rendimentos em torno de 30 hectolitros por hectare, fatores que para este padrão de vinho, estão bem acima da média dos concorrentes.

Já no segundo nível dos vinhos, temos o consistente Quimera. Aqui se trabalha com mescla de vinhedos e mescla de varietais, portanto um corte. O vinho baseia-se na Malbec com aporte das uvas Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot. Um trabalho de doze meses em barricas francesas. São 36 hectares de vinhas com rendimentos em torno de 18 hectolitros por hectare. Um vinho de concentração impressionante que deve ser decantado.

A Trilogia dos Malbecs

Começando pela Finca Mirador, um vinhedo de seis hectares com vinhas de 1921 em Medrano a 700 metros de altitude. O solo tem 80 cm de uma capa argilo-limosa com subsolo arenoso e pedregoso. Os rendimentos são de apenas 12 hectolitros por hectare e o amadurecimento em barricas francesas por 15 meses.

Já na Finca Bella Vista, estamos em Pedriel, Luján de Cuyo, a 980 metros de altitude. Esta Finca tem mais de cem anos com vinhas todas em pé franco. São 12 hectares de vinhas com rendimentos de 14 hectolitros por hectare. O solo começa limo-arenoso e se aprofunda em areia e pedras.

Por fim, temos Finca Altamira, um vinho premiadíssimo, localizado em La Consulta, Valle de Uco, a 1050 metros de altitude. São seis hectares de vinhas datadas de 1925 plantadas em pé franco. Nestas condições temos 400 gramas de uvas por planta. Um vinho que alia concentração, elegância e extremo equilíbrio. 

Champagne Philipponnat dando o tom do jantar

A recepção não poderia ser melhor, champagne Philipponnat de entrada aguçando as papilas para uma sequência de tintos da bodega em questão. Champagne de muita delicadeza, frescor notável, e muito equilíbrio. Embora com dois terços de Pinot Noir em sua composição, é um champagne de extrema leveza, ideal para aperitivar.

o cartão de visitas da bodega

Muito se conhece de uma bodega pelos vinhos de entrada que a mesma oferece. Achaval Ferrer e sua linha de varietais mostra tipicidade, concentração, e vinhos muito bem acabados. O destaque de entrada ficou com o Cabernet Franc, um tinto muito elegante para esta categoria de vinho. Ficou muito bem a linguiça artesanal, enfatizando as notas apimentadas. Já os bolinhos e os croquetes ficaram muito bem com o Malbec, sobretudo pelas texturas. Um Malbec de muito frescor e pureza de frutas. Por fim, o Cabernet Sauvignon mostrou taninos bem trabalhados e um ótimo equilíbrio em boca.

um tinto deliciosamente gastronômico

Nesta segunda etapa, um salto de concentração gigantesco. Este blend da bodega chamado Quimera é realmente muito bem elaborado. Mesmo em safras distintas, seu padrão de qualidade é elevado. Na safra 2015, temos um vinho mais redondo, de bom corpo e taninos abundantes e macios. Já na safra 2016, um vinho mais elegante, mais fresco, com certas nuances não encontradas na outra safra. De todo modo, Quimera foi o parceiro ideal das carnes dry aged servidas, harmonizando com perfeição seus potentes taninos com a suculência dos cortes New York Strip e Prime Ribe, bife de chorizo e bife ancho, respectivamente.

img_6782vinhos que expressam terroir

Por fim, a trilogia esperada, todos da safra 2014. O caminho começa pelo Finca Mirador, um tinto de boa presença em boca, taninos finos, e longa persistência aromática. Seu grande mérito é equilibrar bem potência e elegância. Em seguida, Finca Bella Vista. Um tinto impactante, de bom corpo, taninos poderosos e muito finos. Uma fruta quase doce, e um final bastante expansivo, bem de acordo com os Malbecs de Luján de Cuyo. Finalmente, Finca Altamira, Valle de Uco. Um tinto com um frescor impressionante. O mais mineral da trilogia, fruta vibrante, e um equilíbrio notável. Pede carnes de textura mais macia e com algum teor de gordura para confrontar sua rica acidez. Um final de prova marcante, delineando claramente a proposta dos três tintos em expressar seus respectivos terroirs.

um final elegantemente doce …

Fechando o jantar, a importadora Clarets mostrou mais um pouco de seu rico arsenal francês, Chateau Doisy-Védrines. Um Sauternes delicado da região de Barsac. Próximo ao Chateau Climens, os vinhos de Barsac primam pela delicadeza e toques florais. Acompanhou muito bem a sobremesa de abacaxi grelhado e sorbet de manga. Os toques tropicais foram muito bem com o vinho.

Agradecimentos à importadora Clarets pela oportunidade, personificada na presença do simpático casal, Guilherme Lemes e Keren Marchioro. Seguindo a tradição de jantares especiais, a Clarets mostrou mais uma vez sincronização e detalhismos impecáveis. Parabéns pela nova aquisição com a bodega Achaval Ferrer, sempre uma referência aos melhores vinhos mendocinos.

A santíssima trindade francesa

13 de Outubro de 2019

Quando juntamos Champagne, Bourgogne e Bordeaux, só pode sair coisa boa. São regiões modelos em seus estilos de vinhos com várias cópias mundo afora, mas poucas com sucesso. Foi o que aconteceu num agradável almoço com meu amigo Roberto Rockmann onde a enogastronomia reinou soberana.

casamento perfeito

A entrada começou arrasadora com o excelente champagne Agrapart, um dos mais premiados na atualidade. Trata-se de um millésime 2012 Blanc de Blancs de vinhedos Grand Cru sob a cuvée Mineral. É exatamente esta palavra que define esta maravilha. Passa cinco anos sur lies antes do dégorgement. Sua versão extra-brut tem apenas 3 g/l de acúcar residual. Extremamente seco, mineral, acidez cortante, e toda a classe da Chardonnay neste terroir calcário. Corpo leve, elegante, final salino, de muita sapidez. Não é à toa que este champagne tem 95 pontos com apogeu previsto para 2030. O carpaccio de salmão com molho de limão siciliano, azeite, sal, mostarda de Dijon e mel, ficou perfeito. A acidez de ambos bem como as texturas se equilibraram perfeitamente. O sabor de peixe in natura com o molho valorizou o sabor delicado e inciviso do champagne. Uma combinação leve e estimulante para o andamente do almoço.

outra harmonização de classe

Não é todo dia que nos deparamos com um Corton-Charlemagne do tradicionalíssimo produtor Bonneau du Martray 2004. Um vinho de extrema classe, cheio de sutilezas. A madeira dá uma leve pincelada em seus aromas que mesclam frutas brancas delicadas, notas florais e um fundo mineral. Sua textura em boca é singular, lembrando um Chablis Grand Cru. O que mais impressiona neste vinho é sua juventude, embora já com quinze anos. Tem acidez e estrutura para ganhar pelo menos, mais dez anos em adega. Essa textura delicada foi muito bem com o cuscuz marroquino com caldo de frango feito em casa, cenoura, pimentão vermelho e um toque de gengibre para levantar o sabor. As vieiras com o coral por cima foram levemente grelhadas, onde posteriormente foi feito um redução com saquê e molho de ostras. O sabor adocicado das vieiras encontrou eco nas frutas do vinho e sua textura levemente amanteigada. Sabores de muita classe e sutileza se harmonizando perfeitamente.

mais um ótimo nota 100

No prato principal, Bordeaux não deixou por menos, La Mission Haut Brion 1989. Um vinho com 30 anos que ainda não está totalmente pronto, mas incrivelmente delicioso. Uma aula de taninos em profusão de rara textura. Seus aromas terrosos, de tabaco, ervas finas e um fundo de café, são de extrema classe. Em boca, outra perfeição. Não sobra álcool, acidez, e nem taninos, tudo em harmonia. Persistência aromática notável. O blend La Mission tem alta proporção de Merlot, embora a soma das Cabernets seja majoritária. O vinho passa pouco mais de 20 meses em barricas novas, totalmente integradas ao conjunto. O filé com ervas frescas à milanesa acompanhado de tagliatelli com molho de funghi porcini ficou muito adequado aos aromas e a classe deste grande tinto. Os terrosos do vinho com o funghi foi um caso à parte. O vinho pode se expressar em sua plenitude sem ser arranhado pelo prato. Um gran finale!

a mousse reconfortante!

Adoçando agora o paladar, uma deliciosa mousse de morangos frescos com sua própria calda. Ao final, uma bela grappa Levi estupidamente gelada, refrescando e animando o paladar para fora da mesa, onde Puros e destilados fechariam a tarde.

Trinidad e Hoyo de Monterey com Fine Bourgogne DRC

Um belo café, Porto Reserva, dando início aos Puros. As duas marcas muito elegantes com charutos de média fortaleza. Após o primeiro terço, Fine Bourgogne DRC, um brandy da região, Cognac Martell e  Bourbon Wild Turkey Rye 101, formaram o arsenal para baforadas mais intensas. 

Almoço bom é assim, começa com champagne e termina com fumaça, além de um meio de campo bem recheado. Que outros venham em breve!

Haut Brion em Branco e Preto

5 de Outubro de 2019

Se existe um Bordeaux que prima pelos seus tintos e brancos com a mesma qualidade, mesmo prestígio, e preços equivalentes, este chateau é Haut Brion. Nesta toada, participamos do almoço do Presidente no Ristorantino com algumas preciosidades entre brancos e tintos. Per cominciare, dois champagnes Selosse, o gênio do champagne independente. 

dois lieux-dits maravilhosos!

Conforme foto acima, Selosse faz seis lieux-dits em sua coleção. São partidas de poucas garrafas por ano, enfatizando a noção de terroir nos principais vinhedos de Champagne. O da esquerda, Mareuil sur Aÿ Sous Le Mont, é 100% Pinot Noir, portanto um Blanc de Noirs, de estilo mais delicado. Estava um pouco evoluído, mas percebe-se o extrato do vinho-base de Selosse que é sempre notável. Já o da direita, Ambonnay Le Bout du Clos, é composto por 80% Pinot Noir e 20% Chardonnay, o que lhe confere uma elegância impar. Muito gastronômico, textura macia, estava perfeito com seus toques de maçã cozida e brioche. Belos brindes para este almoço inesquecível. 

a jovem e competente sommelière, agora Senhora Juliana!

Acima, uma sofisticada máquina de frios, trazida especialmente para o evento, fatiando um belo culatello para acompanhar os deliciosos champagnes. O serviço de vinhos a cargo de Juliana Carani, transcorreu na mais absoluta discrição e competência. Agora, oficialmente com o mestre Beato. Um casal a ser batido!

img_6729ainda em evolução!

O par acima dos dois Haut Brion brancos mais novos, ainda tinha aromas tímidos e a boca um pouco angulosa, faltando a perfeita interação entre os componentes. O da safra 2011 estava mais tenso, com acidez mais viva. Sua composição é de 58% Sémillon e 42% Sauvignon Blanc. Já o da direita, safra 2012, estava mais macio, aromas finos, lembrando um pouco o estilo do 2010 que será comentado a seguir. Este blend é composto de 55% Sauvignon Blanc e 45% Sémillon.

img_6728vinhos que beiram a perfeição!

Este Haut Brion 2009 era puro charme. Um aroma de mel, flores, e fina pâtisserie. Boca equilibrada, delicada e final bastante longo. Era o mais integrado dos quatro brancos com uma composição pouco comum: 62% Sauvignon Blanc e 38% Sémillon. O da esquerda, Haut Brion 2010 tem a mesma categoria do 2009, mas ainda em evolução. Notas amanteigadas e de cogumelos eram mais evidentes, embora com aromas ainda discretos. Talvez o mais encorpado dos quatro provados com um equilíbrio fantástico. Seu Blend é composto por 54% Sauvignon Blanc e 46 % Sémillon.

sessão frutos do mar

Com esses brancos, não poderia faltar frutos do mar. As ostras frescas com um toque de limão siciliano ficarm ótimas com o Haut Brion 2011 com mais acidez e mineralidade. Já o belo carpaccio de polvo foi muito bem com o Haut Brion 2010 de textura mais rica. Ótimas harmonizações, mantendo o paladar aguçado.

img_6722uma trinca de ouro!

Provar um dos três Haut Brion históricos acima já é um privilégio. Agora provar os três juntos, lado a lado, só mesmo com nosso Presidente. Vinhos de alto nível com pontuações perfeitas onde a comparação chega a ser odiosa. Este Haut Brion 59 é um dos melhores vinhos que já provei de minha safra. Estava perfeito, plenamente evoluído e um equilíbrio fantástico. Os aromas de estrebaria, caixa de charutos, ervas finas, e tantos outros, estavam harmonicamente integrados. A delicadeza de seus taninos é somente dos grandes vinhos. O Haut Brion 45 também estava divino, mas um pouco cansado. Afinal, são mais de 70 anos de vida. Mesmo assim, seus aromas de café e chocolate eram estonteantes. Em boca que um pouco de cansaço se fez notar. De todo modo, maravilhoso. Por fim, o austero Haut Brion 61. Uma safra sempre sisuda, embora com uma estrutura monumental. Seus taninos ainda estão firmes, permitindo uma guarda segura em adega. Um Haut Brion de estilo francamente masculino. Enfim, uma experiência inesquecível. 

massas divinas com os tintos!

As massas acima, Cappeletti com Taleggio e Porcini, e Tortellini de carne com fonduta e sálvia, todas elas com trufas de Alba raladas na hora, foram um deleite para os velhinhos Haut Brion acima. A delicadeza, a textura das massas, além dos sabores elegantes dos recheios e das trufas, deram as mãos com os aromas terciários dos vinhos, permitindo toda sua expressão. Pratos bem executados de rara leveza, embora ricos em sabor.

safra monumental!

Além de ser o mítico Haut Brion 89, fizemos a prova em duas versões. Uma garrafa standard (750 ml) e uma Jeroboam (5 litros). Coisas que só o Presidente faz. Ficou claro na degustação às cegas, que o vinho mais evoluído, mais aberto, mais prazeroso no momento, deveria ser da garrafa standard, de evolução mais rápida. No entanto, a surpresa, o formato grande estava mais pronto e prazeroso. Por um lado foi bom, pois tínhamos mais vinho a saborear. Do outro lado, uma contradição onde os grandes formatos são descritos de evolução mais lenta. De todo modo, esta garrafa standard é de uma conservação perfeita, o que nem sempre acontece. Mais uma lição aprendida.

dois ótimos pratos!

Falei tanto dos formatos que esqueci de falar do vinho em si, uma maravilha. Já disse e repito, este Haut Brion é um dos cinco melhores Bordeaux já elaborados de 89 para cá. O vinho é de uma finesse impressionante com uma estrutura monumental. A boca é perfeita com tudo no lugar. Taninos finíssimos e abundantes, persistente e final arrebatador. E os aromas que ainda estão se desenvolvendo têm terciários fantásticos. Para aqueles que não provaram, um sonho de consumo. Foi muito bem com a Spalla d´agnello (paleta de cordeiro), valorizando toda sua estrutura. Outro prato divino que havia me esquecido foram as lulas recheadas com carne de caranguejo acompanhadas de lentilhas. Ficou muito bem com os Haut Brion brancos 2010 e 2012.

Yquem histórico!

Mais um vinho histórico com praticamente 100 anos, coisas do Presidente. Ele mesmo comprou in loco e presenciou a troca de rolha no chateau com a data 2018. Para Michael Broadbent, um dos mais experientes críticos ingleses e Master of Wine, um Yquem de legenda, possivelmente o melhor do século XX. De fato, o vinho impressiona pela vivacidade e ao mesmo tempo delicadeza. Seus aromas são exóticos, de mel caramelado, toques resinosos, lembrando muito os grandes Tokaji Eszencia. O vinho possui apenas 12,5% de álcool e 112 gramas por litro de açúcar residual, tudo perfeitamente equilibrado. Uma experiência incrível! 

combinação perfeita!

Mais uma vez, meu companheiro para fechar as refeições, o estupendo Yquem 2001. Será certamente um dos grandes do século XXI. Para quem estiver aqui em 2100, será seu apogeu. Um vinho marcante, de incrível intensidade, e um final extremamente longo. Ficou divino com o pudim de Pistache do Ristirantino, quase um cartão de visitas da Casa. 

Depois desta avalanche de preciosidades, resta pedir vida longa ao Presidente, uma pessoa de extrema generosidade que segue à risca uma das melhores frases sobre vinhos e enogastronomia: “É fácil me agradar, basta servir o melhor! Parabéns Presidente! 

Agradecimentos a todos os presentes, lastimando a ausência de alguns. Sempre uma mesa animada, bom papo, em torno das melhores taças de vinho. Que Bacco nos proteja!