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Em destaque: Sylvain Pataille

15 de Agosto de 2020

A vila produtora de vinhos mais próxima de Dijon, quase um subúrbio da maior cidade da Bourgogne, Marsannay ganhou direito de se tornar uma apelação controlada (AC) em 1987. Antes os vinhos podiam ser classificados como Bourgogne, Bourgogne de Marsannay ou Bourgogne de Marsannay la Côte. Sem premiers crus ou grands crus e com 80% da produção colhida por máquinas, Marsannay não despertava muita a atenção dos enófilos. A virada começou nos últimos anos por conta das mãos de Sylvain Pataille, cujos vinhos são importados no Brasil pela https://www.animavinum.com.br/

Sylvain Pataille : Becky Wasserman & Co.

Marsannay também nunca esteve no meu radar, mas tudo mudou ao ouvir uma entrevista em um episódio do excelente podcast de Levi Dalton (https://illdrinktothatpod.com/). Em uma delas, Becky Wasserman, uma das maiores autoridades em Bourgogne do planeta e importadora de algumas das maiores estrelas da região há décadas, se desmanchou em elogios a Pataille. Elogiava a textura dos vinhos, como se eles fossem de veludo. Fazia isso em Marsannay, não em Chambolle ou Vosne-Romanée. Era hora de descobrir mais sobre o enólogo.

Nascido e criado em Marsannay, Pataille fez curso de vinhos em Beaune e Bordeaux e aliou o trabalho no domaine familiar com a vida de consultor para algumas propriedades locais. Começou a vinificar em 1999. Sua primeira safra foi a de 2001. Sua filosofia é simples: “natural, natural e natural”.

Profile: Domaine Sylvain Pataille (Marsannay) – Burgundy-Report

Produz 100 mil garrafas por ano de vinhos brancos (aligoté e chardonnay), tintos e rosés, esses últimos tinham certa fama na vila. Sylvain Pataille faz vinhos exclusivamente do terroir de Marsannay-la-Côte. No inverno de 2013, Pataille pediu a opinião de Becky Wasserman. Ele tinha plantado aligoté em quatro terroirs diferentes e queria saber. “Sou louco de querer vinificá-los separadamente?” Becky degustou e sentiu que as diferenças de terroirs eram facilmente visíveis, os vinhos tinham energia e uma mineralidade que nem a chardonnay conseguia obter. Becky acertou ali mesmo que iria comprar todas as garrafas dos quatro terroirs. Foi aí que a aligoté começou a ganhar mais notoriedade e que Pataille começou a expandir seus experimentos com a uva, que na enogastronomia, com sua acidez, tem versatilidade para acompanhar uma requintada salada de frutos do mar. Em 2018, saíram de suas caves sete parcelas diferentes da uva.

O rosé é outro vinho fora da curva, assim como o rosado do Tondonia, é um capítulo à parte, que ganhou inclusive degustação na ótima La Revue de Vins de France:

https://www.larvf.com/vin-d-ete-coup-de-coeur-pour-un-rose-de-bourgogne-de-gastronomie,4644882.asp

Se com um patinho feio como a aligoté era vista ele faz belos vinhos, com chardonnay e com pinot noir não é diferente. Seus vinhos brancos são elegantes e gastronômicos, os tintos são refinados, elegantes e sinceros. O Marsannay 2014 ( a R$ 385) é um dos melhores tintos da Bourgogne abaixo de R$ 500. Toda vez que eu o bebo eu penso: que esse homem faria em Chambolle-Musigny?

pataille-portrait-full

O Bourgogne le Châpitre, um terroir valorizado, joga em outro nível: ponha-o às cegas contra um bom village de ótimo produtor, um Vosne de um dos Gros, um Volnay de Lafarge, um bom Gevrey. Os seus Marsannays lieux-dits são vinhos caros (o mercado já viu do que ele é capaz), mas também jogam em outra liga, disputada por premiers crus de regiões muito mais badaladas. Experimente um dia o L´Ancestrale e o ponha em uma degustação às cegas com um Gevrey de primeiro time. Poderá provocar surpresas.

Eu não me surpreendo mais. Demorei, mas aprendi. Sylvain Pataille está, definitivamente, no meu radar.

França: Geologia

9 de Março de 2020

Estudar os vinhedos franceses também é entender o que está há milhões de anos embaixo do solo. Não que explique tudo, mas é mais fácil compreender noções de terroir quando o solo aflora o que está por debaixo. Veja o seguinte mapa:

France geologie

como embaixo pode afetar em cima

Veja no mapa acima que a região do Loire, muito extensa, passa perto do oceano atlântico, tendo como base o maciço armoricano de granito e xisto. Isso é refletido no solo até a região de Anjou, aproximadamente. Dali para dentro do continente, a bacia parisiense começa a dominar, e temos um solo mais calcário, sobretudo em Vouvray.

champagne solo calcáriosubsolo calcário em Champagne

A mesma formação se encontra no Loire, perto de Vouvray, casas e compartimentos instalados na própria rocha (Maison troglodyte).

Continuando na bacia parisiense, temos a região de Champagne totalmente envolvida neste contexto com um solo extremamente calcário. Seguindo a leste de Champagne, temos a montanha de Vosges, uma série de transformações geológicas de natureza granítica, ricas em minerais, acrescida da depressão renana (fossé rhenan). Tudo isso fazendo parte de uma falha gigantesca de norte a sul no extremo leste françês. É por isso que a Alsace é tão diferente de Champagne em termos de clima e solo, pois a mesma é extremamente ensolarada no verão e barra todo frio e umidade oceânica vindo de oeste para a montanha de Vosges.

borgonha solos

No esquema acima, temos na inclinação da colina os melhores solos da Côte d´Or. A mistura abençoada de marga (argila e calcário) e calcário rico em fósseis, são ideiais para as uvas Chardonnay e Pinot Noir.

A Borgonha ocorre de um milagre espremida entre a grande falha onde o maciço central e os Alpes se deslocam, formando uma série de colinas, entre elas, a famosa Côte d´Or, um dos mais perfeitos terroirs em termos de solo, drenagem e exposição solar.

Continuando a falha mais a sul, temos a região do Rhône onde o granito predomina no norte, e a influência alpina refletida na Provence dá um solo mais erodido no sul do Rhône, com baixo relevo e muitas pedras e areia. Dali pra frente a falha se prolonga, separando definitivamente a região do Languedoc com a Provence.

cognac e chene

cognac e madeira:casamento perfeito

Por estar mais ao norte de Bordeaux e ter maior influência da bacia parisiense, a falta de proteção a oeste do oceano atlântico e a presença maior de calcário, faz desta região de Charentes, Cognac, um paraíso da uvas brancas ácidas, ideais para a produção da aguardente mais famosa da França. As exportações em valores de Cognac desta região supera todas as bebidas produzidas no território francês, inclusive Champagne e os vinhos de Bordeaux.

Finalmente sobra a oeste a grande e antiga bacia da Aquitânia, diferente morfogicamente da grande bacia parisiense. Nesta, o calcário ainda está muito presente na superfície, enquanto em eras geológicas mais antigas, a bacia da Aquitânia é rica em hidrocarbonetos, dando origem ao Petróleo e gás. Não se esqueçam que em Pauillac, há uma destacada refinaria de Petróleo na divisa de St-Estèphe e Pauillac. Por ser rica em cascalho, areia e argila, a região de Bordeaux pende mais para grandes tintos, enquanto na bacia parisiense, a produção destacada é de brancos, sobretudo Champagne e os vinhos do Loire.

maciço central carvalhoMaciço Central, a maior floresta de carvalhos na Europa

No maciço Central, o subsolo granítico com natureza mais metarmórfica superficialmente, é o lar ideal para os bosques de carvalho na Europa. Não só em quantidade, mas também qualidade, o carvalho francês está entre os mais valorizados do mundo.

mapa sul da frança

Sul da França com o mar mediterrâneo em solos complexos entre Languedoc e Provence, separados em Nîmes no delta do Rhône.

 

No sudoeste, abaixo da Aquitânia, houve uma forte pressão dos Pirineus, Maciço Central e Alpes,  formando outra bacia sedimentar do Sudoeste, o que conhecemos por Languedoc a oeste, e Provence a leste. Os solos são muito variados com areia, xisto, argila, calcário, arenito e pedras. Em linhas gerais, temos mais argila e xisto no Languedoc, enquanto no Provence temos solos variados com a presença do calcário. No que diz repeito a Roussillon, mais encostado nos Pirineus, sofre influência do mesmo com um releve mais montanhoso e xistoso.

Quanto ao Jura, uma cadeia de montanhas importante, de natureza argilo-calcária, surge da pressão do maciço central com a influência da fronteira franco suíça, outra cadeia de montanhas.

calvados et cidre

Calvados et Cidre (destilado e fermentado de maçãs)

A parte norte da França, composta basicamente por Normandia e Bretanha, fica numa latitude muito extrema para as vinhas. Em linhas gerais, temos mais granito e xisto na Bretanha, influência do maciço armoricano. Já na parte leste, o calcário predomina na Normandia com outras culturas fora a vinha. Região de maças, centeio, legumes e produção de leite.

Um panorama geral de toda a França, onde vinhos e destilados se superam, além de fornecer o melhor carvalho do mundo. A pauta de exportação da França no que se refere a bebidas (vinhos e espirituosos), muito importante para o governo francês,  perde entre outras coisas para os setores de exportação da Aeronáutica e Cosméticos.

 

Flagey-Echezeaux: Parte I

6 de Fevereiro de 2020

As comunas famosas da Côte de Nuits são muito comentadas, discutidas e classificadas em estilo, mas Flagey-Echezeaux é pouco falada, envolta num certo mistério e muitas vezes absorvida pela famosa comuna contígua de Vosne-Romanée. Aliás, classicamente aprendemos os seis Grands Crus famosos do DRC como sendo todos de Vosne-Romanée, mas expremida entre Vosne, Vougeot e Chambolle, Flagey-Echezeaux tem vida própria com dois Grands Crus.

flagey echezeaux

Echezeaux subdividido e Grands-Echezeaux ao lado

  1.  Echezeaux du Dessus
  2.  Les Poulaillères
  3.  En Orveaux
  4.  Les Champs Traversins
  5.  Les Rouges du Bas
  6.  Les Beaux Monts Bas
  7.  Les Loächausses
  8.  Les Cruots au Vignes Blanches
  9.  Clos St. Denis
  10.  Les Treux
  11.  Les Quartieres de Nuits

Depois de Clos de Vougeot, Echezeaux com 37 hectares é o Grand Cru mais fragmentado da Côte de Nuits. Em linhas gerais, as parcelas que ficam mais ao norte tem mais areia na proporção do solo, gerando vinhos mais leves e elegantes. Já os vinhedos mais ao sul, tem maior porporção de argila no solo, gerando vinhos mais ricos e encorpados. Muitos vinhos são feitos com a mistura de vários terroirs. Neste sentido, não basta possuir as melhores terras. Um bom produtor que arrenda vários vinhedos é capaz de fazer uma boa mistura (cuvée) e sair-se muito bem em seu produto final.

Em todo caso, as melhores parcelas estão localizadas em Les Poulaillères (quase um monopólio DRC), Les Cruots ou Vignes Blanches, Les Champs Traversins e Echezeaux du Dessus. Já Les Treux, Les Loächausses, e Clos St Denis, ficam num segundo plano. As demais parcelas num terceiro nível.

Domaine Jean Grivot

Esse é um dos especialistas em Echezeaux, assim como tem um dos mais consistentes Clos de Vougeot, Grand Cru também de enorme heterogeneidade. Seus vinhedos ficam em Les Cruots. Sua ligação com a família Jayer vem de longe e foi nessas vinhas que o mito Henri Jayer fez um de seus melhores vinhos, Echezeauxs de cuvées espetaculares. 

Liger-Belair Echezeaux

Um vinho que tem se destacado demais e de filosofia completamente diferente do produtor acima. Liger-Belair não é proprietário das vinhas em Echezeaux e sim as arrendada da família Lamadon, a qual tem fortes laços de amizade.

Dos seis lotes em Echezeaux, Liger-Belair trabalha em três parcelas do vinhedo: Les Cruots (a maior parcela com 0,3299 ha), Champs Traversin, e a menor parcela em Clos St Denis. Esse é o trabalho de mix de parcelas falado a pouco onde Liger-Belair tem o coração do vinho calcado em Les Cruots, Champs Traversin dando leveza ao conjunto, e Clos St Denis um pouco mais de robustez.

echezeaux hospices de beaune

Hospices de Beaune

Esse é um vinho inédito em Echezeaux, o qual as vinhas foram doadas pelo abastado Jean-Luc Bissey, cuja a família possui terras na região há quatro gerações. Pelo mapa abaixo, a parcela é justamente a número 8 que em tempos antigos pertencia a Echezeaux du Dessus e não a Rouget du Bas, como consta atualmente.

A vinificação e supervisão fica a cargo dos enólogos do Hospices de Beaune. As vinhas foram replantadas em 1945 e a primeira safra desta cuvée é de 2012. Até então, as vinhas eram utilizadas para o vinho de Mongeard Mugneret denominado Vieilles Vignes. Além desta cuvée Echezeaux, Hospices de Beaune faz mais duas cuvées espetaculares, Clos de La Roche e Mazis-Chambertin.

Das onze parcelas subdivididas, Echezeaux du Dessus é a mais reputada. Ela está localizado bem no centro do vinhedo, acima de Grands-Echezeaux. Esta parcela de 3,55 ha é a única que inclue o nome Echezeaux, fazendo referência a Grands-Echezeaux que originalmente não era separado como Grand Cru do vinhedo original.

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subdivisão de Echezeaux du Dessus

  1.  Jayer Gilles – 0,5361 ha
  2.  Niquet Jayer – 0,5285 ha
  3.  Michel Noellat – 0,5097 ha
  4.  Cecile Tremblay – 0,1775 ha
  5.  Jean-Marc Millot – 0,5981 ha
  6.  Mongeard Mugneret – 0,3300 ha
  7.  Domaine des Perdrix – 0,8730 ha
  8.  Hospices de Beaune – 0,4380 ha 

Os produtores acima são os proprietários da parcela mais reputada. Notem que a parcela 8 está fora de Echezeaux du Dessus, dentro de Les Rouges de Bas, atualmente. É que antes da reclassificação dos vinhedos, esta parcela 8 pertencia ao terroir de Echezeaux du Dessus. Atualmente, é um lote do Hospices de Beaune.

echezeaux jayer-gilles

Jayer Gilles

A ligação da família Jayer com o vinhedo Echezeaux é quase visceral. Temos aqui um lote de pouco mais de meio hectare de vinhas encostado à parcela Les Poulaillères, quase um monopólio do domaine DRC. Um dos vinhos mais tradicionais e emblemáticos da apelação.

Falando um pouco mais da família Jayer, somando os dois vinhedos acima (Gilles e Niquet), temos 1,07 hectares de vinhas. Elas foram compradas em 1933 do DRC provavelmente para financiar os vinhedos de La Tache. São vinhos tradicionais e fieis à sua origem. 

Michel Noallet e Cecile Tremblay

Essas duas famílias de algum modo tem ligações de parentesco com os Jayers. Noellat faz vinhos confiáveis, enquanto Cecile faz produções bem pequenas no estilo Jayer de vinificação. Seus vinhos são difíceis de encontrar.

Por fim, Domaine Jean-Marc Millot Cuvée 1949, lançado em 2017 com vinhas velhas de Echezeaux du Dessus é um vinho profundo que retrata fielmente este terroir tão especial. 

Próximo encontro, os vinhos de Grands-Echezeaux. Não percam!

Cellar, França e Itália: 20 Anos

4 de Agosto de 2015

Vinho Sem Segredo não tem o perfil de badalação, de envolvimentos comerciais com importadoras, lojas de vinhos ou qualquer outro meio de merchandise. Simplesmente, queremos liberdade total para falarmos do que quisermos, da forma que quisermos e quando quisermos. Contudo, sempre há uma ou outra exceção, faz parte da vida. E esta exceção hoje, vai para a importadora Cellar que completa 20 anos de atividade com um catálogo muito bem elaborado pelo seu mentor, Amauri de Faria.

Amauri de Faria pode lá ter uma personalidade um tanto difícil, quase um Barolo em tenra idade, mas absolutamente sincero e preciso em suas opiniões. Profundo conhecedor de vinhos há décadas, formado em arquitetura, já projetou muitas adegas residenciais. Conhece a enogastronomia europeia como poucos e tomou uma decisão ousada e desafiadora, trabalhar somente com vinhos franceses e italianos. Para isso, escolheu e escolhe a dedo seus parceiros, produtores de altíssimo nível. A outra ponta do negócio é formar uma clientela fiel e seleta para seus produtos. E aqui entra a verdadeira fidelização. À medida que uma pessoa torna-se cliente da Cellar, pouco a pouco, a critério do próprio Amauri, vai tendo acesso a alguns mimos que só os mais antigos conhecem. Bem ao contrário da fidelização moderna de vários produtos e serviços, onde as vantagens estão só no começo da relação como armadilhas, para mais tarde apunhalar-nos com seus verdadeiros preços extorsivos.

Uma das falsas críticas que se faz à esta importadora é  sua rigidez em fornecer descontos. O brasileiro geralmente está acostumado a ser extorquido com preços inflados de muitas importadoras que para fechar as vendas costumam fornecer descontos generosos e assim, fazer um “agrado” ao cliente. Em inúmeras pesquisas de preços praticados por importadoras de vinhos ao longo de vários anos, a importadora Cellar sempre se destacou por praticar preços justos levando em conta a situação tributária de nosso país. Portanto, o que vale é o preço final pago pela garrafa, e não certos descontos “generosos” praticados no comercio selvagem.

Quanto aos produtos trazidos pela Cellar, fica difícil destacar um ou outro. Porém, quem trabalha com Aldo Conterno (Barolos de alta costura), Jermann (brancos de grande personalidade), Anne Gros (os grandes tintos de Vosne-Romanée), Clos de Tart (borgonha enigmático), Domaine Mugnier (a delicadeza de Chambolle-Musigny), Domaine Courcel (referência em Pommard), Yann Chave (Hermitages profundos) e tantos outros, não está brincando em serviço. Em suma, qualquer vinho desta importadora é no mínimo uma escolha segura, de produtores realmente sérios. Em termos de preços, nada de sustos. Naturalmente, cada vinho tem seu preço numa escala hierárquica, mas têm vários exemplares também abaixo de cem reais numa compra extremamente confiável.

Aldo Conterno: Barolos irretocáveis

Mugnier: Expressão Máxima em Chambolle-Musigny

Este texto é ao mesmo tempo uma homenagem, nem o próprio Amauri ainda sabe. Entretanto, fiz questão de mostrar aos seguidores deste blog, que ainda existem pessoas confiáveis e altamente capacitadas neste mundo dos vinhos, infelizmente recheado de aventureiros. Amauri de Faria é uma pessoa muito reservada, avesso a badalações, redes sociais e eventos de fachada. Colaborou muito com seus conhecimentos nas década de 80 e 90 para a divulgação do vinho e enogastronomia em nosso país, sendo um dos pioneiros em participações na antiga revista Gula, com ótimos conteúdos na época.

Quatro sugestões pessoais, sendo duas de cada país (França e Itália):

  • Paolo Avezza Barbera d´Asti Superiore Nizza “Sotto la Muda” DOCG 2009 – R$ 130,00

Vinho macio, de bom corpo, bem casado com a madeira. Boa sugestão para o Inverno

  • Salcheto Vino Nobile di Montepulciano 2010 (Tre Bicchieri) – R$ 135,00

          Prugnolo Gentile (nome local da Sangiovese) vinificada num estilo mais tradicional. Bela tipicidade.

  • Thibault Liger-Belair Moulin-à-Vent Vieilles Vignes 2012 – R$ 120,00

           O mais reputado Cru de Beaujolais. Um Gamay com elegância e profundidade.

  • Yann Chave Hermitage 2011 – R$ 370,00

           Um vinho de guarda para quem tem paciência. Profundidade, corpo e grande mineralidade.

http://www.cellar-af.com.br

Parabéns à Cellar, e que venham pelo menos mais 20 anos com esta mesma filosofia!