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Champagnes: Top Ten

9 de Dezembro de 2013

Dentre os inúmeros champagnes que fazem o sonho dos apreciadores das mágicas borbulhas, fica difícil apontar com precisão e certeza as melhores maisons da região. Cada um tem sua preferência por estilo, grau de doçura, assemblage das principais uvas e outros fatores até certo ponto subjetivos. Neste contexto, segue minha seleção, verificada ano após ano em termos de consistência e personalidade distinta de seus vinhos. Enfatizo mais uma vez, tratar-se de uma escolha inteiramente pessoal.

As Irrepreensíveis

Krug Grande Cuvée: A maestria do assemblage

Krug

Para os mais fanáticos, existe Krug e os demais champagnes. A finesse, a precisão de seus vinhos-base, o amadurecimento perfeito sobre as leveduras, fazem desta Maison uma das mais requintadas da região. Champagnes de exceção em toda sua linha. Fica difícil apontar um favorito, mas Clos du Mesnil Blanc de Blancs faz rever conceitos. Importadora LVMH (www.catalogomh.com.br). 

Bollinger

Aqui existe um empate técnico com a maison acima. A filosofia é muito semelhante. Talvez a Maison Bollinger numa sintonia fina caminhe mais para a potência, intensidade e estrutura, enquanto Krug exibe sua finesse e exotismo impressionantes. Sua cuvée mais emblemática reverenciada por James Bond é a mítica Bollinger RD com prolongado contato sobre as leveduras. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

Louis Roederer

Fechando o trio de ferro  de origem alemã, a Maison Loius Roederer prima pela precisão e disciplina germânicas. Sua cuvée de luxo Cristal, foi a pioneira e idolatrada pelos czares. Toda sua linha apresenta-se delicada e com marcante personalidade. Seus rosés são praticamente insuperáveis. Importadora Franco-Suissa (www.francosuissa.com.br) ou também no empório Santa Luiza (Jardins). 

Salon

Apesar de possuir um único estilo de champagne, Blanc de Blancs, seu rigor na elaboração é obsessivo. Poucas safras durante o século passado, perfazendo um total de somente trinta e sete millésimes. Se você fizer questão da mais pura mineralidade e  não se importar com preços, este é o caminho. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

As Delicadas

Taittinger

Das dez escolhidas, esta maison é a mais popular e de maior produção. No entanto, mostra-se sempre delicada, sensual e muito convidativa para recepções e aperitivos. Sua cuvée de luxo Comtes de Taittinger, é uma das referências em Blanc de Blancs. Importadora Expand (www.expand.com.br). 

Deutz

Pertencente ao mesmo grupo da maison Louis Roederer, Deutz esbanja elegância com uma consistência invejável. Muito equilibrado, aromas finos e bem delineados. Um final de boca fresco e expansivo. Bem representado em toda sua linha. Importadora Casa Flora (www.casaflora.com.br). 

Um exemplo de rosé

Billercart-Salmon

Outro champagne extremamente fino e delicado. Equlibrado, mousse agradável e muito bem acabado. Seus rosés fazem fama e sem dúvida, estão entre os melhores da região. Abrir um jantar com esta maison já sugere o tom da refeição. Produção relativamente reduzida. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br)

As Gastronômicas

Gosset

Maison já comentada em artigo especial neste mesmo blog, prima pela estrutura, corpo e vinosidade. Sua cuvée Grande Réserve tem estilo próprio, bem como a cuvée de luxo Celebris, de um exostismo marcante. Parceiro ideal na alta gastronomia. Importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br). 

Millésime de exceção

Egly-Ouriet

Junto com a maison Salon, Egly-Ouriet é um champagne fundamentalmente artesanal e de baixíssima produção. São vinhos estruturados, marcantes e de longa guarda. Seu Brut Millésime confirma estas características, beirando a perfeição. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

Pol Roger

Como não associar a figura de Sir Winston Churchill à esta nobre maison em sua cuvée mais prestigiada. Elegante, intenso e de textura macia, este champagne destaca-se em todo seu portfólio. Une potência e elegância como poucos neste seleto mercado. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

O Imortal Madeira Frasqueira Terrantez 1977

5 de Dezembro de 2013

“Vinho, quanto mais velho, melhor!”. Esta é uma frase bem apropriada para o vinho deste artigo, compartilhado e oferecido pelo casal de amigos: Roberto e Adriana Rockmann. É evidente, que a maciça maioria dos vinhos produzidos mundo afora tem seu devido tempo de apogeu, ou seja, no máximo algumas décadas para os melhores exemplares, o que já é raro. Recordando parte dos artigos sobre o vinho da Madeira, publicado neste mesmo blog, trata-se da categoria mais elitizada dentre os vários tipos de Madeira. Além disso, a misteriosa uva Terrantez está extinta na ilha, ou quase extinta, ou em lugares onde os mortais não têm acesso. Parafraseando o ditado espanhol: “yo no creo en brujas, pero quelas las hay, las hay” (eu não creio em bruxas, mas que elas existem, existem).

Digno de encerrar qualquer grande refeição

O exemplar degustado, Madeira Terrantez 1977 Cossart Gordon, é o que se pode esperar de mais sofisticado entre todos os seus tipos. Mais raro ainda, com a uva Terrantez, onde esses vinhos tornam-se cada vez mais lendários.

Realidade ou Lenda

Muitas pessoas acabam equivocadamente chamando de Vintage este tipo de vinho. Talvez pela menção da colheita no rótulo. Contudo, nada tem a ver com o grande Porto Vintage, que passa de dois a três anos em madeira, e o restante do tempo envelhecido na própria garrafa. Se houvesse um termo de comparação, esses grandes Madeiras aproximam-se de certo modo aos grandes Portos Colheita, onde ambos sofrem intensos e lentos processos oxidativos no bom sentido do termo. A menção correta para este nobre Madeira é a palavra “Frasqueira”. Pela legislação, os Madeiras Frasqueiras devem repousar no mínimo por vinte anos em canteiro (termo que designa o envelhecimento em tonéis ou pipas de carvalho inerte, ou seja, com bons anos de uso). A ideia é provocar uma lenta micro-oxigenação, sem passar aromas de madeira ao vinho. O nosso exemplar em questão, foi engarrafado em 2004. Portanto, passou 27 anos em madeira e mais praticamente dez anos em garrafa.

O amigo Rochmann acertou em decantá-lo logo pela manhã para degustarmos após o jantar. Todas essas horas de decantação só fizeram bem ao vinho. O eventual aroma redutivo após quase dez anos em garrafa foi eliminado pela decantação, devolvendo seus aromas de evolução de caráter oxidativo encontrado nas barricas. É quase um fenômeno de regressão nos consultórios psiquiátricos. 

Quanto ao vinho degustado, espetacular, imortal, divino, entre tantos outros adjetivos superlativos. São os vinhos mais longevos do planeta, juntamente com o grande Tokaji Eszencia. A cor âmbar brilhante revela uma borda com toques alaranjados e esverdeados, típicos dos Madeiras. O aroma é quase indescritível, exibindo toques cítricos, chá (marcante nos grandes vinhos envelhecidos), empireumáticos (caramelo), frutas secas, especiarias (canela), incenso, além de notas etéras muito particulares da Terrantez. Em boca, uma acidez vibrante, seu grande trunfo para longevidade. Muito equilíbrio com perfeita intregração entre seus componentes. O açúcar residual está entre um Verdelho e um Boal (outras duas castas nobres desta categoria de Madeira). Final longo, persistente, expansivo. Para um charuto delicado e de personalidade, à altura deste vinho, um Hoyo de Monterrey Double Corona. Queijo Manchego, torta de frutas secas (damascos, nozes pecã, e bananas) são os acompanhamentos ideiais.

Enfim, um vinho para acrescentar no currículo e na caixa dos sonhos. Encontrado ainda na importadora Decanter (www.decanter.com.br). Produtor de grande referência, Cossart Gordon.

Gosset: Alta Costura em Champagne

2 de Dezembro de 2013

Embora seja a casa mais antiga em Champagne, fundada em 1584, seus vinhos eram tranquilos, sem borbulhas. Por isso, efetivamente a mais antiga, é a Maison Ruinart, fundada em 1729, na produção dos vinhos efervescentes. Histórias à parte, vamos ao que interessa, os belos champagnes Gosset.

O evento foi realizado na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) com ótima apresentação de Philippe Manfredini, diretor  de exportações desta maison, além do correto  serviço dos vinhos.

Algumas características diferenciam os champagnes Gosset: baixíssimo licor de expedição, deixando os vinhos extremamente secos. A ausência da fermentação malolática, evidenciando sua bela acidez. Contato sur lies (contato com as leveduras) prolongado, proporcionando complexidade aromática e textura delicada. E por fim, um estilo encorpado, direcionado para a gastronomia. Vamos aos vinhos.

Gosset Brut Excellence

Champagne básico da casa. É o menos complexo e o mais vivaz de toda a linha. Seus aromas de brioche, agrume (cítricos), frutas secas e um toque de maça (provavelmente de sua incrível acidez málica) são bastante emblemáticos. Canapés e entradas de sabores mais pronunciados são bem convidativos.

Gosset Grand Blanc de Blancs

Para quem gosta de um estilo mais delicado, elegante, Blanc de Blancs é o champagne ideal. Lançamento recente da Gosset, mostras toques extremamente cítricos, minerais e de panificação. Seu contato sur lies prolongado (cerca de cinco anos) proporciona textura e mousse delicadas. Salmão defumado é um par perfeito na harmonização.

Fonte: http://confraria2panas.org/2012/03/28/gosset-brut-grande-reserve/

Gosset Grande Reserve Brut

Acima dos champagnes básicos, este exemplar (foto acima) é uma das melhores opções de custo para quem busca algo diferenciado. Também chamado de Petit Krug, esbanja complexidade e finesse. Aromas cítricos, de especiarias, incenso, toques florais e de leveduras. Bom corpo, belo equilíbrio, e persistência aromática expansiva. Champagne de gastronomia refinada.

Gosset Grand Millésime Brut 2004

Um champagne especial que revela as características da safra em questão. Passa cerca de oito anos sur lies. A cor é extremamente bem conservada sem nenhum sinal de evolução. Os aromas de frutas secas, cítricos, brioche, anis  e cogumelos perfazem um belo conjunto. Acidez marcante, mousse presente, delicada, com final persistente e notadamente seco. Deve evoluir por muitos anos em adega. É sem dúvida, o menos pronto do painel para ser degustado agora.

Gosset Grand Rosé Brut

Uma das referências em champagne rosé. Cor mesclando um toque alaranjado e salmonado de fino perlage. As frutas vermelhas (morangos e framboesas), notas de café tostado, brioche, e leveduras são dominantes. Grande equilíbrio em boca, textura rica e persistência destacada. Final frutado e seco. Belo parceiro para pratos de salmão e atum.

Domaine Ferret: Referência em Pouilly-Fuissé

28 de Novembro de 2013

Embora a apelação Pouilly-Fuissé (não confundir com Pouilly-Fumé no vale do Loire) seja a mais reputada na região do Mâconnais, ainda é pouco conhecida do grande público que gosta dos brancos da Borgonha. Mâconnais fica ao sul da Borgonha, fazendo divisa com a região do Beaujolais, conforme mapa abaixo:

Mâconnais: região de tintos e brancos

Os poucos exemplares disponíveis no Brasil deixam a desejar em termos de concentração e qualidade, geralmente com vinhos de negociantes. A singela delicadeza de um bom Pouilly-Fuissé está nos aromas de mel, flores e frutas perfumadas como pêssegos. Na maioria das vezes não é páreo para os grandes brancos de Beaune, também elaborados com a casta Chardonnay. Contudo, sempre há exceções, como a que provei na companhia do meu amigo, doutor Cesar Pigati. Trata-se de um Pouilly-Fuissé especial do Domaine Ferret, em sua mais nobre cuvée denominada “Hors Classe Tournant de Pouilly”, vinhedo de um hectare situado a norte do vilarejo de Fuissé. Suas vinhas de idade avançada (50 anos) em solo limo-argiloso com boa presença de calcário fornecem um néctar admirável. A vinificação nos moldes dos grandes brancos da Borgonha dá-se em barricas de carvalho (20 a 30 por cento novas) durante dez meses com posterior bâtonnage (revolver as leveduras na massa vínica). O exemplar degustado tinha quinze anos (safra de 1998) com uma cor brilhantemente evoluída, conforme foto abaixo:

Pouilly-Fuissé

Quinze anos de perfeita evolução

No plano olfativo trata-se de um vinho de aromas evoluídos, muito bem tramados, sugerindo mel, frutas secas tostadas (amêndoas ou avelãs), fruta amarela de boa evolução lembrando ameixas, pêssegos e marmelos. Além disso um toque defumado, amanteigado, direcionado para o butterscoth. Na boca, belo equilíbrio, bom corpo e um final harmônico e persistente. Faz boa companhia com queijo Comté.

Pouilly-Fuissé: apelação bem ao sul de Mâconnais

Pouilly-Fuissé no mapa acima é a apelação em laranja. A presença marcante do calcário em seu solo faz muito bem à chardonnay. Os melhores vinhedos e produtores estão concentrados entre os vilarejos de Fuissé e Solutré-Pouilly, embora ao redor de Vergisson existam produtores notáveis.

Roche Solutré-Pouilly: Marco geológico importante

Dentre os melhores produtores estão Château Fuissé, Verget, Guffens-Heynen, além do domaine em destaque, Domaine Ferret (importadora Mistral – http://www.mistral.com.br). Outra boa dica é da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br) com vinhos típicos da apelação do produtor Saumaize-Michelin.

Como curiosidade, bem ao norte de Mâconnnais, existe um Chardonnay botrytisado, uma espécie de Sauternes local, do produtor Jean Thévenet do Domaine de la Bongran. A ocorrência da Botrytis é corriqueira e natural. Vinhos exóticos e bem conceituados. Boa pedida para quando estiver na região.