Archive for the ‘Itália’ Category

Atualização: Principais Denominações Italianas

19 de Maio de 2014

DOCG-DOC-IGT-2013Denominações Italianas 2013

Sempre é bom atualizarmos os números da Itália, país que protagoniza juntamente com a França a hegemonia na produção mundial de vinhos. Vejam os dados de 2012.

A tabela abaixo mostra as principais denominações em produção de tintos. Muito se fala dos Chiantis, Lambruscos, Valpolicellas, mas a primeira denominação em produção é Montepulciano d´Abruzzo, pouco conhecida do público em geral. A uva é a própria Montepulciano que gera vinhos frutados e fáceis de beber. Aí sim, em seguida temos o famoso Chianti básico, produzido numa ampla área, bem mais espalhada que a zona nobre do Chianti Classico. Bom para bebericar, para vários antepastos italianos, notadamente as bruschettas e crostini.

Quanto aos Lambruscos, mesmo juntando todas as denominações (Salamino, Sorbara, Grasparossa), sua produção caiu sensivelmente. Os Barberas, é interessante notarmos a destacada produção do Barbera d´Asti em relação ao Barbera d´Alba, quase o triplo da quantidade em hectolitros. Vejam que Barbaresco nem aparece na lista, já que sua produção é cerca de um terço com relação aos Barolos.

Chianti: Produção destacada

Com relação aos brancos, a denominação Soave do Veneto lidera com folga. Esses brancos baseados na uva Garganega são perfumados e de boa textura. Trebbiano que já teve produção bastante elevada, atualmente é mais ligada à elaboração do Vin Santo da Toscana, além da denominação acima citada. Verdicchio, o grande branco de Marche, é sempre um vinho fresco e agradável, bom parceiro para um Spaghetti ao Vôngole. 

Orvieto: branco esquecido da Úmbria

Quanto aos espumantes, Prosecco com a nova legislação a partir de 2009, lidera com folga todas as denominações de origem italianas. Contudo, a qualidade restringe-se à denominação Conegliano-Valdobbiadene. Asti continua sendo o famoso espumante doce do Piemonte com produção de mais de cem milhões de garrafas por ano. Por último, Franciacorta, o champagne italiano. As melhores casas fazem produtos sofisticados. Mesmo assim, a produção total não passa muito de quinze milhões de garrafas por ano.

As borbulhas acima somam mais de 400 milhões de garrafas/ano

Em termos regionais; Veneto, Sicilia, Puglia e Emilia-Romagna, continuam produzindo juntas mais da metade de toda a produção italiana. O norte italiano já há algum tempo supera a produção sulina do Mezzogiorno.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes FM 90,9 às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde no Jornal em Três Tempos.

Novidades da Itália

5 de Maio de 2014

O evento Gambero Rosso realizado recentemente em São Paulo mostrou uma ampla variedade de vinhos da Bota com algumas figurinhas carimbadas e também algumas surpresas. Pessoalmente, três vinícolas chamaram a atenção: Vigne Surrau (Sardenha), Tenuta Carretta (Piemonte) e Azienda Malgrà (Piemonte). 

Vigne Surrau

Importado por Rossoterra Wine (fone: 11-96350-2100 – Fábio), seus vinhos são bastante típicos. Foram dois Vermentinos di Gallura 2012 bem frescos. O primeiro chamado Branu é mais simples, equilibrado e com boa fruta. Já o segundo, denominado Sciala tem contato sur lies (sobre as leveduras) por alguns meses. É mais denso, perfumado e de sabor persistente. Como curiosidade, Vermentino di Gallura é a única DOCG da ilha.

A textura lembra um Chardonnay sem madeira

Os tintos começam com o emblemático Cannonau di Sardegna chamado Sincaru. A uva Cannonau é a mesma Garnacha (Espanha) ou Grenache (França). Vinho macio, de bom corpo e muito fruta em geleia. Tem um toque defumado que faz lembrar alguma passagem por madeira. Entretanto, é uma típica nota mineral, pois o vinho passa apenas por aço inox e tanques de concreto.

Quanto ao segundo tinto Barriu, é um famoso IGT da ilha sob a denominação Isola dei Nuraghi. É um vinho de estilo moderno, porém preservando uvas locais como Cannonau, Carignano (Carignan na França) e Muristellu (Bovale da Sardenha). Complementa o corte a internacional Cabernet Sauvignon com doze meses de passagem por barricas francesas. Encorpado, persistente e taninos muito presentes, mas integrados ao conjunto. Pode envelhecer alguns anos e deve ser decantado antes do serviço.

Tenuta Carretta

Os vinhos são importados por Italian  Wines Selection (fone: 11-97381-0414 – Giovanni). Para aqueles que gostam de Barolos e Barbarescos mais macios e perfumados, estas são boas opções. O Barbaresco Cascina Bordino 2010 apresenta boa fruta, notas de especiarias, cedro e chocolate. Bordino é o nome do vinhedo. O vinho passa pelo menos vinte e quatro meses em pequenos tonéis (botti) de carvalho. Tem estilo moderno e muito agradável.

Taninos firmes, mas abordável

Na mesma linha, temos o Barolo Vigneti in Cannubi 2009. Passa pelo menos trinta e seis meses em botti. É um pouco mais austero, com taninos mais firmes. Mesmo assim, muito abordável. Novamente, frutas, especiarias, alcaçuz e chocolate. Aliás, Cannubi em italiano quer dizer união, casamento. De fato, os vinhedos em Cannubi unem propriedades dos dois grandes solos em Barolo: Tortoniano que gera vinhos frutados e abordáveis na juventude, e o solo Helvético que gera vinhos austeros e fechados quando jovens. Evidentemente, esses dois tintos são baseados na uva Nebbiolo. Embora possam ser guardados, já transmitem prazer ao serem degustados.

Azienda Malgrà

Estilo moderno de Barbera

Aqui temos um emblemático Barbera d´Asti barricato. Trata-se do Barbera d´Asti Superiore Nizza Mora di Sassi 2011. Nizza é uma zona de produção em Monferrato. Mora di Sassi é um muro de pedras junto ao vinhedo. O mosto é fermentado em barricas e posteriormente o vinho permanece em tonéis por um ano. Cor intensa, muita fruta, toques defumados e de especiarias. A madeira é apenas coadjuvante. Em boca, macio e persistente. Este vinho também é trazido pela mesma importadora da Tenuta Carretta.

Diferenças I: Bardolino, Valpolicella e Amarone

29 de Janeiro de 2014

Todas as denominações de origem acima pertencem à região italiana do Veneto, muito próximas ao Lago di Garda, o maior lago italiano, conforme foto abaixo:

Lago di Garda: regiões do Veneto, Lombardia e Trentino

Para se ter ideia desta extensa massa de água, sua largura pode chegar a dezesseis quilômetros, seu comprimento a cinquenta e dois quilômetros e sua profundidade média a cento e trinta e três metros. Aliado à latitude, à proximidade dos Alpes, às montanhas, este lago compõe a expressão deste terroir.

As principais denominações do Veneto

As uvas normalmente são as mesmas para as denominações Bardolino, Valpolicella e Amarone, ou seja, Corvina, Rondinella e Molinara, todas uvas autóctones. As diferenças entre Bardolino e Valpolicella estão fundamentalmente nos fatores de solo, localização e clima. Já as diferenças entre Valpolicella e Amarone estão no processo de amadurecimento das uvas e suas respectivas vinificações.

Bardolino

Vinho leve, descompromissado, quase um Beaujolais Nouveau. Cor clara, tanicidade baixa e ótima acidez. Deve ser consumido jovem. Indicado para pratos frugais, do dia a dia. Bom para lanches e entradas leves.

Zona clássica de Bardolino: vinhos superiores

Dentro da denominação de origem Bardolino encontramos doze tipos de solo. Frequentemente, teremos um solo denominado Morena, o qual tem origem em rochas advindas de geleiras na era glacial. Além disso, podemos encontrar areia, argila e calcário, em proporções variadas. A altitude, os ventos e solos relativamente frios, com pouca drenagem, resultam em uvas de maturação mais discreta, frescas, conservando uma boa acidez. A proporção da uva Corvina no corte não costuma ser alta, uma vez que sua maturação é tardia. Essas são as principais diferenças entre o território de Bardolino e a zona de Valpolicella, que veremos a seguir.

Valpolicella

Valpolicella é a região imediatamente a leste de Bardolino, separada pelo rio Adige que nasce nos Alpes, contornando a denominação Valpolicella e passando por Verona. Nesta denominação temos três zonas distintas, conforme mapa abaixo.

Três zonas distintas: Classica, Valpantena e Leste

Zona Classica

Começando por Sant´Ambrogio, temos uma área com sessenta por cento de montanhas, solo de origem sedimentar, predominantemente calcário. A maioria dos vinhedos tem exposição, sul e sudeste. Vinhos de boa estrutura. Seguindo mais a leste temos a comuna de San Pietro in Cariano, bem ao sul da zona clássica. Solos de origem aluvial. Vinhos com toques balsâmicos e de especiarias. Sempre caminhando a leste, temos o vale de Fumane. Aqui começamos a ter um degrau acima na qualidade. Vinhedos em maiores altitudes, solos calcários com afloramentos mais evidentes dispostos em rochas. Vinhos encorpados, densos e de boa longevidade. Um pouco mais a leste, encontramos o vale de Marano com altitudes maiores e solos de origem vulcânica. Aqui temos vinhos elegantes, aromáticos e de boa acidez. Imediatamente a leste, temos o último grande vale da zona clássica, Negrar. Um vale de altitudes baixas e solos argilo-limosos. Vinhos encorpados e de boa estrutura. Todos os vinhos até agora podem e devem expressar no rótulo a menção clássico (área original da denominação).

Valpantena

Sempre caminhando a leste, temos o vale Valpantena com grande diversidade de clima e solo. Este vale de grande exposição solar resulta numa maturação antecipada das uvas, mantendo um belo equilíbrio em termos de acidez devido ao destacado gradiente térmico entre os dias e as noites. As notas minerais e de especiarias nos vinhos da região são notáveis.

Zona Leste

O vale no extremo lesta da apelação apresenta inclinações suaves com solos compostos de areia e calcário. Os vinhos intensamente coloridos e com destacados aromas de frutas vermelhas, além de especiarias. Apesar de não ser uma vale de área nobre, fora da região clássica, o produtor Dal Forno Romano, já mencionado em outros artigos deste blog, elabora vinhos de grande distinção e aptos ao envelhecimento. Ele costuma trabalhar com rendimentos baixíssimo nos vinhedos, nos quais a densidade de plantio supera dez mil plantas por hectare. Este é um caso típico onde a força do terroir é explorada em seus limites máximos por conta de métodos atípicos para a região tanto no campo, como na cantina. Os vinhedos deste produtor estão localizados especificamente no vale de Illasi, bem a lesta da denominação.

Sardegna: Produção de Vinho 2011/2012

17 de Outubro de 2013

Já comentamos algumas vezes neste blog  a evolução das regiões sulinas na Itália em termos de qualidade de vinho. Outrora, eram regiões de grande produção, mas de vinhos toscos, mal elaborados, para satisfazer um mercado ávido por quantidade e baixo preço. Isso tem mudado substancialmente ao longo do tempo com mais cuidado tanto no campo, como na cantina. Os chamados Vino da Távola estão dando lugar os IGTs (Indicazione Geografica Tipica) e aos DOCs (Denominazione di Origine Controllata), conforme mapa abaixo:

A qualidade aumentando em números

Atualmente, a Sardenha conta com uma produção de 673 mil hectolitros em 2012, a qual já chegou perto de um milhão de hectolitros em outros tempos. Tendo em vista os vinhos de Denominação de Origem (DOCG e DOC), o quadro abaixo atualiza os números de denominações de toda a Itália até janeiro de 2013. Estamos cansados de saber que sempre existem  novas denominações a serem publicadas, mas ainda no forno.

DOCG-DOC-IGT-2013Quadro atualizado (janeiro/2013)

Voltando á Sardenha, o quadro abaixo mostra as principais denominações de origem em produção. Algumas muito tradicionais, outras nem tanto. Veremos em seguida, detalhes dessas denominações importantes da ilha.

Brancos e tintos com muito equilíbrio na produção

Principais denominações da ilha

Vermentino di Sardegna

A denominação de origem mais produtiva da ilha elaborada com a uva branca Vermentino nas versão seco, amabile, frizzante e spumante. Vinho fresco, frutado, delicado, com ligeiro final de boca amendoado. Pode ser elaborado em toda a ilha. Comumente, é elaborado na versão seco, mas podemos ter as versões rosado, passito e licoroso (uma espécie de Porto local).

Cannonau di Sardegna

É o tinto mais conhecido na ilha e pode ser elaborado em toda a parte da mesma. A uva Cannonau é a mesma uva internacional conhecida como Grenache ou Garnacha (mínimo de 85% no corte, de acordo com a legislação vigente). A menção ¨Classico¨ no rótulo implica em pelo menos 90% de Cannonau no corte. É um vinho de bom corpo, quente, frutado, macio, como todo bom Grenache.

Vermentino di Gallura

Este vinho branco elaborado com a uva homônima é o único da ilha a ter a menção DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita). É elaborado nas versões seco, amabile, frizzante, spumante, passito e Vendemmia Tardiva. Pode eventualmente ter alguma passagem por madeira. A versão passito implica num grau de maturação da uva superior à versão Vendemmia Tardiva. Sua produção concentra-se no extremo nordeste da ilha.

Alghero

Denominação ampla para brancos e tintos nas mais diversas versões. A região de produção concentra-se na província de Sassari, ao norte da ilha. As uvas são as mais diversas possíveis com alguns exemplares varietais, além dos cortes. Só para citar algumas, temos Pinot Grigio, Moscato, Malvasia, Garganega, Pinot Bianco, Primitivo, Pinot Nero, Montepulciano, Marzemino, entre outras. Nesta imensidão de uvas temos as versões seco, frizzante, spumante, passito, licoroso, e outras mais específicas. Neste tipo de denominação de muitas variações, a escolha de produtores de destaque é fundamental.

Carignano del Sulcis

Uma denominação relativamente recente, mas de muito respeito. A versão seco é a mais respeitada, embora haja o rosato e o passito. Deve conter pelo menos 85% de Carignano ou Grenache no corte. Sua zona de produção encontra-se no sul da ilha. É um tinto encorpado, aveludado e apto ao envelhecimento. Produtores como Santadi e seu vinho Terre Brune, além do belo Barrua (em parceria com os donos do Sassicaia, Toscana), são vinhos ícones desta denominação. Ver foto acima.

Marsala: Estilos e Denominações

23 de Setembro de 2013

Embora seja um vinho praticamente esquecido nos dias de hoje, o Marsala é o mais famoso e emblemático fortificado da Itália. Sua fama deteriorou-se devido à utilização do mesmo na cozinha para várias receitas clássicas. Somado a isto, as falsificações e imitações completaram um cenário até certo ponto injusto,  pois os grandes Marsalas têm tradição e qualidade. A foto abaixo mostra a melhor denominação do Marsala, em sua versão Vergine.

Vergine: o Marsala imaculado

Deixando de lado a história deste vinho, criado no século dezoito, seu território situa-se na ilha da Sicília, sul da Itália, mais precisamente no extremo oeste da ilha onde localiza-se a cidade de Trapani. A denominação de origem controlada (DOC) pressupõe as uvas nativas brancas (Catarratto, Grillo, Inzolia ou Ansonica, e Damaschino) e tintas (Nerello Mascalese, Nero d´Avola ou Calabrese, e Pignatello ou Perricone).

Começando pelo Marsala Vergine, o mais reputado dentre todos os tipos, é sempre seco e elaborado somente com as uvas brancas permitidas. Em sua elaboração só é permitida a adição de aguardente vínica depois de todo o vinho-base ter sido fermentado. Portanto, seu sabor é sempre seco, com grande frescor (acidez) e envelhecido em botti (tonéis grandes) por pelo menos cinco anos. Na versão Vergine Riserva ou Stravecchio, o vinho permanece pelo menos dez anos em madeira. Aliás o envelhecimento em madeira para os Marsalas obedece o mesmo processo do sistema “Solera” em Jerez, ou seja, o vinho mais jovem é colocado na fileira mais alta das Criaderas, após ser sacado para a fileira imediatamente abaixo, e assim sucessivamente  até chegar na última fileira junto ao solo (Solera). Maiores detalhes, consultar tema sobre Jerez em vários artigos neste mesmo blog.

Os demais tipos de Marsala, inferiores ao supremo Marsala Vergine, apresentam denominações mais complicadas devido a seu processo de elaboração, como veremos a seguir. Primeiramente, é preciso definir os termos “Mosto Cotto” e “Mistella”. Mosto Cotto nada mais é que o mosto de uvas rico em açúcares aquecido ou fervido com o objetivo de transmitir cor e aromas ao vinho. Já a Mistella ou Sifone é o mosto de uvas rico em açúcares com adição de aguardente vínica, fornecendo doçura ao vinho. Tanto um como outro são adicionados aos demais Marsalas maculando o vinho, deixando de ser virgem. Posto esses conceitos, vamos aos demais termos mencionados nos rótulos das garrafas. 

Os principais termos nos rótulos acima

Os termos Oro, Ambra e Rubino referem-se à cor do vinho. No termo Oro, não há adição de mosto cotto, somente mistella, proporcionando uma cor menos carregada e mais viva. Já o termo Ambra, pressupõe a adição do mesmo, gerando uma cor mais acentuada. No termo Rubino, não há adição de mosto cotto, pois a predominância das uvas é tinta, sendo permitido no máximo 30% de uvas brancas. Na prática, funciona mais ou menos como o termo Ruby para os vinhos do Porto.

Outro conjunto de termos referem-se à quantidade de açúcar presente no vinho. São eles: Secco, Semisecco e Dolce. Conforme a porcentagem e a concentração de Mistella, teremos açúcares residuais até 40 gramas por litro para o termo Secco. De 40 a 100 gramas por litro para o termo Semisecco. E finalmente, acima de 100 gramas por litro para o termo Dolce.

Termos: Ambra, Superiore e Dolce

Por úlitmo, os termos referentes ao envelhecimento em madeira, tais como, Fine, Superiore e Superiore Riserva. O termo Fine subentende-se envelhecimento em madeira por pelo menos um ano. Já o termo Superiore, um afinamento de pelo menos dois anos em madeira. Finalmente, o termo Superiore Riserva pressupõe um envelhecimento de pelos menos quatro anos.

Maiores informações e detalhes sobre o Marsala, favor consultar o site oficial denominado Consorzio pella Tutela del Vino Marsala DOC (www.consorziovinomarsala.it).

Toscana: Parte VI

8 de Outubro de 2012

Neste último artigo, abordaremos algumas denominações de destaque, já que as mais importantes e famosas tiveram seu merecido espaço. Dentre as seis IGTs da Toscana atualmente, duas comumente são mencionadas em muitos rótulos: IGT Toscana e IGT Colli della Toscana Centrale. A primeira é mais abrangente em termos territoriais e a segunda, mais restrita ao território do Chianti Classico. Muitos supertoscanos enquadram-se nestas denominações. Um exemplo clássico da IGT Colli della Toscana Centrale é o fantástico Flaccianello, um dos supertoscanos mais premiados nos últimos anos da vinícola Fontodi.

Safra 2006: uma das mais premiadas

A DOC Sant´Antimo na região de Montalcino vem ganhando destaque nos últimos tempos. Trata-se de uma DOC recentemento promovida (era uma IGT inicialmente) que trabalha com as versões rosso, bianco, varietais e Vin Santo. Ainda na região de Montalcino temos a DOC Moscadello di Montalcino, referente ao vinho doce de moscatel local elaborado com uvas de colheita tardia.

De um modo geral, nos últimos anos observamos uma clara tendência na diminuição dos chamados Vdt (vino da tavola), com consequente aumento dos vinhos IGT (indicazione geografica tipica) e principalmente dos vinhos (DOCG/DOC), conforme tabela abaixo:

Este é um dos dados mais relevantes quando apontamos a Toscana como uma das regiões de maior destaque no cenário italiano. Embora a pirâmide das leis italianas não garanta a qualidade dos vinhos por si só, o enquadramento dos mesmos em leis mais rígidas acaba surtindo um certo efeito.

Toscana: Parte V

4 de Outubro de 2012

A nobre Toscana merece um capítulo à parte sobre os Supertoscanos, tintos que a partir dos anos setenta sacudiram a imprensa internacional e sobretudo as leis vigentes na Toscana. Até então, a incipiente lei DOC (Denominazione di Origine Controllata) criada em 1963 beneficiava algumas denominações tradicionais com leis rígidas e engessadas. Sendo assim, qualquer iniciativa diferente na criação de um vinho, levaria sua rotulação como mero “Vino da Tavola”.

Um visionário chamado Mario Incisa della Rochetta, senhor de posses e muito bem relacionado, tinha uma propriedade nos arredores de Livorno, próximo ao litoral toscano, denominada Tenuta San Guido. Apaixonado pelos tintos bordaleses, o nobre senhor sonhou elaborar um Bordeaux na Toscana, começando por em prática sua idéia logo após a segunda Guerra Mundial. Nesta época, plantou mudas de Cabernet Sauvignon em sua propriedade e pacientemente foi evoluindo o cultivo e vinificação. As primeiras safras um tanto sofríveis, foram consumidas em ambiente familiar, entre amigos. Num dado momento, o vinho foi apresentado a Piero Antinori, patriarca de um dos maiores impérios do vinho toscano. Piero surpreendeu-se com o vinho, dizendo ter em mãos um diamante bruto, ainda por lapidar.  Sendo assim, colocou à disposição de Mario seu enólogo-chefe, Giacomo Tachis, um ícone na enologia italiana. Estava traçado o destino brilhante de um dos maiores vinhos de toda a Itália, o soberbo Sassicaia.  Oficialmente, sua primeira safra foi em 1968,  ganhando o mundo e enorme prestígio. A safra de 1985, considerada perfeita, é avaliada atualmente em milhares de euros.

Criação em 1994 da DOC Bolgheri Sassicaia

A idéia de criar algo diferente, sofisticado e impactante, contagiou toda a Toscana, surgindo então a partir do pioneiro Sassicaia, inúmeros supertoscanos famosos como Tignanello, Solaia, Vigorello, La Pergole Torte, e tantos outros.

As leis italianas ficaram em xeque, pois grandes vinhos, surgindo ano após ano, foram rotulados como humildes Vino da Tavola. Neste contexto, os supertoscanos colaboraram e muito para a criação de uma nova denominação intitulada IGT (Indicazione Geografica Tipica) em 1992. É uma lei que de certa forma, diminui o abismo existente entre as DOCs e DOCGs, dos simples Vini da Tavola. Com maior flexibilidade, especificando em muito casos os chamados vinhos varietais (elaborados com uma só uva, ou com clara predominância da mesma), muitos supertoscanos atualmente, enquandram-se como IGTs. Sassicaia foi mais longe. Não só abriu caminho para uma nova DOC denominada Bolgheri, como criou sua DOC exclusiva e específica chamada “Bolgheri Sassicaia”.

Como toda nova e boa idéia, o início é sempre de boas intenções. Contudo, existem os oportunistas de plantão aproveitando a nobreza da iniciativa para lançarem no mercado supertoscanos duvidosos, ou melhor, subtoscanos. Esta facilidade, deve-se ao fato de não existirem leis e fórmulas rígidas para se elaborar um supertoscano. Portanto, o nome e tradição do produtor é muito importante. Só ele pode garantir, vinhedos com baixos rendimentos, terroirs diferenciados, e vinificação competente, ou seja, tudo que se espera de um autêntico supertoscano.

Toscana: Parte IV

1 de Outubro de 2012

Dando continuidade às principais DOCs toscanas, falaremos agora de Bolgheri, Vin Santo, além da incipiente DOC Maremma. Aliás, Maremma e Bolgheri concentram atualmente muitos dos supertoscanos mais recentes, termo este que explanaremos em detalhe no próximo post.

Toscana: atualmente 329 DOCs

A DOC Bolgheri, a sul de Livorno, conforme mapa acima, engloba Bolgheri Bianco, Rosato, Rosso, além dos varietais brancos, Bogheri Sauvignon e Bolgheri Vermentino. São leis que mesclam uvas locais como Sangiovese e Trebbiano, com uvas internacionais a exemplo de Cabernet Sauvignon, Merlot e Sauvignon Blanc, respectivamente, com seus vinhos Bianco e Rosso. Como curiosidade, temos ainda Bolgheri Vin Santo Occhio di Pernice, o mais emblemático vinho de uvas passificadas da Toscana, que falaremos em seguida. Finalizando, Bolgheri Sassicaia é uma DOC exclusiva para o mais idolatrado supertoscano, o grandioso Sassicaia.

A recente DOC Maremma segue os mesmos moldes da DOC Bolgheri nas versões rosso, bianco, rosato, além de muitos varietais entre tintos e brancos. O Vin Santo também é prestigiado nesta DOC.

Por fim, a famosa DOC Vin Santo, Vinsanto ou Vino Santo, elaborado com uvas passificadas das variedades Trebbiano e Malvasia. A versão Occhio di Pernice é baseada na casta tinta Sangiovese, sendo a localidade de Montepulciano o ápice desta versão. Atualmente na Toscana, existem três legislações para este vinho de meditação: DOC Vin Santo del Chianti, DOC Vin Santo del Chianti Classico e DOC Vin Santo di Montepulciano. O açúcar residual destes vinhos é bastante variável, desde a versão secco, passando pelo amabile e chegando ao dolce. Maiores esclarecimentos, vide artigos neste blog intulados: Vin Santo Trentino e Toscana: Vin Santo.

Toscana: Parte III

27 de Setembro de 2012

Dando prosseguimento às atuais DOCGs da Toscana, abordaremos as denominações Morellino di Scansano, Montecucco Sangiovese e Elba Aleatico Passito, enumeradas abaixo nos itens 15, 12 e 10, respectivamente.

As várias denominações toscanas

Morellino di Scansano

Morellino, um dos muitos sinônimos da Sangiovese, protagoniza o corte desta recente DOCG na região de Maremma. A legislação exige pelo menos 85% de Sangiovese, podendo ser complementada por outras uvas tintas autorizadas na região. Vinho de médio corpo, boa acidez e tanicidade comedida. Normalmente, para ser tomado jovem. Existem versões mais sofisticadas com passagem por madeira mais acentuada. Fattoria di Magliano é uma bela vinícola representada aqui no Brasil pela importadora Cellar (www.cellar-af.com.br), com exemplares de Morellino di Scansano e Rosso Maremma, DOC que falaremos em artigos seguintes.

Montecucco Sangiovese

Ao norte da DOCG Morellino e ao sul da DOCG Brunello di Montalcino, encontra-se a recente DOCG Montecucco Sangiovese, aprovada no final de 2011. A legislação pede no mínimo 90% de Sangiovese, complementada eventualmente por outras uvas tintas autorizadas na região. O produtor Colle Massari da importadora Mistral (www.mistral.com.br) é uma boa referência para esta denominação.

Elba Aleatico Passito

DOCG recente, elaborada com a uva tinta 100% Aleatico. Esta uva tem parentesco com a Moscatel e é também chamada de Moscatel tinto. Além da ilha de Elba, pertencente à Toscana, é cultivada com sucesso na região sulina da Puglia. É um vinho tinto doce elaborado com uvas passificadas, concentrando sobremaneira os açúcares. Muitas vezes, apresenta o característico aroma de lichias. Infelizmente, não temos exemplares no Brasil. Contudo, pode ser encontrado na importadora World Wine (www.worldwine.com.br) um Aleatico di Puglia Passito do produtor Feudi di San Marzano. Não é o mesmo terroir, mas uma boa aproximação da versão toscana.

Próximo post, as principais DOCs da Toscana como Bolgheri, Maremma e Vin Santo.

Toscana: Parte I

20 de Setembro de 2012

Pode contar no mapa abaixo, são vinte regiões vinícolas em toda a Itália. Vinho Sem Segredo já contemplou várias delas em artigos específicos e nesta série, vamos começar com pormenores da clássica Toscana.

Itália: Vinhas de norte a sul

A Toscana pertence à Italia Central e dispensa apresentações quanto à fama e prestígio de seus vinhos. Brunellos, Chiantis e Supertoscanos, já bastariam para abrilhantar sua rica história. Contudo, há uma gama enorme de denominações que iremos destacar a partir deste post, conforme mapa abaixo:

Dê um zoom no mapa para melhor visualização

Denominações como Chianti e Brunello di Montalcino já foram esmiuçadas em artigos específicos neste mesmo blog (vide Pecualiaridades do Chianti Classico, As várias denominações Chianti e Terroir: Brunello di Montalcino). Atualmente, a Toscana apresenta 9 DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), 39 DOC (Denominazione di Origine Controllata) e 6 IGT (Indicazione Geografica Tipica).

Quanto ao relevo e clima, as denominações mais próximas do mar Tirreno como Bolgheri por exemplo, apresentam topografia menos acidentada e clima mais quente em relação ao interior. A maior parte do relevo é composto pelas típicas colinas toscanas, compondo belas paisagens na região do Chianti. Por fim, a parte mais oriental ou interiorana, apresenta altitude acentuada por conta da proximidade dos Apeninos, dificultando a maturação das uvas.

A principal uva tinta é a Sangiovese, a mais plantada em toda a Itália, assumindo vários nomes como Sangioveto, Morellino, Brunello, Prugnolo Gentile, entre outros. As denominações Chianti e Chianti Classico juntas somam a maior produção de vinho tinto do território italiano, seguida de perto pela denominação Montelpulciano d´Abruzzo.

A produção total da Toscana em 2010 foi de dois milhões oitocentos e cinquenta e quatro hectolitros, sendo 62,3% vinhos DOCG/DOC, 25,1% IGT e apenas 12,6% Vino da Tavola. Esses valores confirmam a alta porcentagem de vinhos regidos por leis mais rigorosas e fiscalizadoras, embora não garanta a qualidade em alto nível, e sim a procedência e tipicidade dos vinhos.

O destaque para vinhos brancos secos fica por conta da DOCG Vernaccia di San Gimignano, elaborado com a uva Vernaccia, acrescida às vezes com um pouco de Chardonnay. É a maior produção em termos de denominação toscana para brancos, sendo elaborados nas versões com e sem madeira.

Continuamos no próximo post com novas denominações.