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Masterchef Profissionais 2018

13 de Dezembro de 2018

Como de costume, sempre na final Masterchef, Vinho Sem Segredo dá seus palpites de harmonização para os menus dos finalistas. Embora bastante polêmico, é um programa de grande audiência, nos dando a oportunidade de comentar sobre harmonizações.

Nesta última edição, Rafael Gomes sagrou-se campeão com uma cozinha e um menu mais clássico, utilizando alguns ingredientes brasileiros nas receitas. Já Willian Peters, partiu para uma cozinha extremamente ousada, cujo resultado é sempre de alto risco. A escolha do vencedor invariavelmente tem  um lado de subjetividade e gosto pessoal.

Para ser democrático e ao mesmo tempo não estender todas as harmonização para um número de pratos exagerados, vamos nos ater a uma entrada, um prato principal, e uma sobremesa, de cada um dos finalistas. Assim teremos a mescla do classicismo e ousadia.

 

Entradas

masterchef 2018 carpaccio vieirasCarpaccio de Vieiras com Rabanete Melancia e Creme de Caviar

Aqui temos o lado da maresia das vieiras e sabor marcante de caviar. O creme de leite e o mel tentam contrabalançar a acidez do limão. O rabanete e a quinoa dão certa crocância ao prato.

O vinho escolhido é um Champagne Barnault Blanc de Noirs Brut Grand Cru. Ele tem força para os sabores do caviar, textura cremosa e mineralidade para as vieiras, além de fruta para o lado agridoce do molho. Champange encontrado na importadora Decanter. http://www.decanter.com.br

masterchef 2018 tom yum e leite de cocoTom Yum Laksa servido no coco com Foie Gras de Avocato

Aqui uma entrada bastante exótica com ingredientes e sabores instigantes. O sabor do coco está presente na água de coco, no leite de coco, e no polpa do próprio coco servido. Os sabores de maresia estão nos camarões e no ouriço. O toque tailandês está no molho quente servido dentro do coco que tem notas picantes e agridoces bem balanceados, advindos da pasta de tom yum.

Para um prato tão exótico, um vinho de certo exotismo também. Um Pinot Gris alsaciano do excelente produtor Zind-Humbrecht. Ele tem estrutura e presença para o prato com toques de frutas exóticas e certo off-dry no final de boca. Sua mineralidade e frescor equilibram os demais sabores do prato, inclusive o toque de coco. Este produtor é importado pela Clarets, embora não especificamente este vinho no momento. http://www.clarets.com.br

 

Pratos Principais

masterchef 2018 pato laqueado e pure de cenoura.jpgPato Laqueado com Melho de Cenoura e Cevadinha

Um prato clássico com o toque do creme de cenoura e mascarpone. O sabor de mel é bem sutil, balanceado pela pimenta e especiarias. O ponto do pato deve ser perfeito com muita suculência. Esse tipo de carne pede vinhos com boa estrutura tânica, mas ao mesmo tempo, com muita elegância e aromas delicados. Um Côte-Rôtie já de certa evolução seria perfeito. Um dos La, La, Las, de Guigal, a glória. O ótimo produtor Rostaing também tem belos exemplares. Esses vinhos são importados pela Belle Cave. http://www.bellecave.com.br

masterchef 2018 polvo ao romesco.jpgPolvo ao Romesco de Tinta de Lula com Purê de Batata-Doce e Crocante

O polvo deve estar cozido no ponto e bem macio. O molho romesco tem origem na Catalunha para acompanhar peixes. É um molho que envolve amêndoas, avelãs, alho assado, tomates, pimentas, e pão seco. Todos esses ingredientes são processados e emulsionados em azeite e vinagre ou vinho branco. Além do sabor do polvo, o prato mistura sabores agridoces e apimentados.

Com um certo toque espanhol de ousadia, este prato merece um Tondonia Reserva Blanco. Um Rioja tradicional elaborado com a casta Viura, majoritariamente. Tem uma passagem prolongada na vinícola, tanto em madeira, como em garrafa. Um branco com alma de tinto, capaz de envolver todos os sabores do prato. Tem frutas exóticas no aroma, toques elegantes de madeira, e um belo frescor. Importado pela Vinci com estoques limitados. http://www.vinci.com.br

 

Sobremesas

masterchef 2018 tangerina e espuma de mel.jpgTangerina e Espuma de Mel de Cacau com Bolo de Castanha do Pará

A sobremesa campeã com ingredientes como mel, açafrão, castanha do pará, tangerina, e textura cremosa, merece um grande Sauternes. Somente atenção para que não seja um Sauternes muito evoluído. O lado da fruta mais vibrante faz a ponte com os toques cítricos da tangerina. Para aqueles que Yquem é apenas um sonho, uma bela pedida é o Chateau Haut-Bergeron da importadora Cellar, sempre confiável e de preços atraentes. http://www.cellar-af.com.br 

masterchef 2018 kimchi, morangos e ruibarbo.jpgKimchi com Morangos e Ruibarbo com Creme de Chocolate Branco

Talvez o mais exótico dos pratos de Willian Peters nesta final, esta sobremesa é realmente desafiadora. O kimchi é um tempero coreano a base de hortaliças que se deixa fermentar. Tem sabores picantes e agridoces bastante exóticos. Os morangos e ruibarbo são marinados no kimchi. É feito um creme inglês adicionado ao kimchi e chocolate branco com mais alguns temperos. A sobremesa é relativamente leve e com pouca doçura, mas uma diversidade de sabores intensa onde a acidez e picância são relevantes. 

Para esse cenário, vamos de icewine (canadense) ou eiswein (a versão original alemã). É um vinho raro de extrema acidez e açúcar comedido. Seus aromas delicados e de grande personalidade vão bem com os morangos e ruibarbo, além de equilibrar bem o molho e o creme. Esses vinhos são menos difíceis de serem encontrados no exterior. Por aqui, quando se acha, custa um fortuna. Em todo caso, a importadora Vindame, tem uma boa e diversificada seleção de vinhos alemães. http://www.vindame.com.br

Já quase encerrando o ano, além das harmonizações, fica mais algumas sugestões de vinhos para as festas, inclusive para presentear.

Adega Revista no Sábado

14 de Novembro de 2018

Em evento comemorativo da Revista Adega, foram escolhidos alguns painéis temáticos para degustação de vinhos pouco comuns em nosso dia a dia. O evento realizado no charmoso Hotel Unique foi muito bem montado com serviço dos vinhos preciso a cargo das sommelières Gabriela Monteleone e Gabriele Frizon.

img_5298abrindo os trabalhos

Nesta primeira degustação, foi escolhido o ícone da Familia Torres, um dos grupos vinícolas mais importantes no cenário internacional, o tinto Mas La Plana Cabernet Sauvignon, cuja primeira safra de 1970, mais conhecido como Gran Coronas Etiqueta Negra, ganhou o importante concurso francês Gault-Millau em 1979, frente a notáveis tintos bordaleses.

As primeiras vinhas datam de 1966, plantadas na Catalunha, nordeste da Espanha, mais precisamente na região de Penedès. Com o passar do tempo, as vinhas criaram raízes, refletindo nos vinhos um terroir mais preciso. Conforme foto acima, a vertical começou com o ano 1977, terminando com o exemplar de 2013. Os vinhos são importados pela Devinum (www.devinum.com.br).

img_5300perfis em evolução

A garrafa em magnum do ano 1977 estava perfeita com total evolução do vinho. Neste exemplar, percebemos um caráter notadamente espanhol nos aromas, denotando notas de coco referente ao carvalho americano. Lembra muitos os Riojas Gran Reservas. Seus toques balsâmicos, de frutas secas e em compota, bala de cevada, mostravam aromas sedutores. Em boca, embora ainda prazeroso, percebia-se o peso da idade, com um final de boca mais seco, mostrando que a fruta está indo embora. As garrafas remanescentes devem ser tomadas rapidamente, aproveitando ainda a exuberância de seus aromas, confirmando a distinção deste tinto.

Já o 1989, mostra o auge deste estilo mais tradicional, embora não seja tão marcadamente espanhol. A cor já com borda atijolada pela idade, mostra a evolução de seus aromas terciários com notas de ervas secas, café, tabaco, e algo defumado. Em boca, apresenta mais vigor que o vinho anterior, mas segue na linha de elegância com perfeito equilíbrio. Um vinho que se encontra num ótimo momento para ser tomado com todos os seus aromas e taninos plenamente desenvolvidos.

img_5301safra em double magnum

Aqui chegamos no ponto alto da degustação nesta bela safra de 1999. É bem verdade que o formato double magnum ajudou no perfeito estado da garrafa. Além disso, nesta fase da bodega, percebe-se um vinho claramente de padrão internacional, elaborado integralmente com barricas francesas. O vinho encontra-se já muito prazeroso se devidamente decantado. Contudo, ainda há segredos a serem revelados. A cor tem um tendência discretamente atijolada de borda. Os aromas são intensos de fruta concentrada, notas de café, chocolate, um tostado fino, e um toque mineral. Apresenta-se com bom corpo, bela estrutura tânica, e muito boa persistência aromática. Seus taninos são finos e muito bem equilibrados com demais componentes. Talvez algo perto de dez anos para atingir o apogeu. Belo exemplar.

img_5302belas promessas

Duas safras em evolução, mas com diferenças marcantes. O 2006 não mostra ser um grande ano. Ao longo da degustação seus aromas sempre muito tímidos. Fruta discreta, toques de especiarias  e um tostado fino, apenas. Em boca, mostrou-se ser o menos encorpado e o menos persistente entre todos. Seus taninos não eram tão finos como os demais. Falta um pouco de meio de boca. Embora ainda novo, não deve ser muito longevo.

Já o 2013 é outra história. Tinto de muito vigor, cor compacta, e uma montanha de taninos. Deve ser decantado por pelo menos duas horas. Um pouco fechado de inicio, mas seus aromas foram abrindo progressivamente com frutas escuras, toques minerais e de alcaçuz, além de uma nota de charcutaria (embutidos). Belo corpo, macio, taninos de ótima textura, e persistência aromática expansiva. Este sim, vai longe em adega.

pausa para o almoço

Uma pausa paro o almoço na cobertura do hotel Unique. Tomate confitado com creme de burrata de entrada, tartar de angus com salada, fritas e mostarda como prato principal, e crème brûlée de chá mate como sobremesa. O espumante rosé Desirée da Bueno Vinhos acompanhou adequadamente o refrescante almoço.

img_53081grandes promessas

Continuando o dia, partimos para a degustação de tintos argentinos da família Zuccardi. Trata-se de um inovador projeto no Valle de Uco, mais precisamente em Altamira num local extremamente pedregoso de solo aluvial com presença de carbonato de cálcio. O engenheiro Alberto Zuccardi está à frente da vinícola intitulada Piedra Infinita. São vinhas ainda muito jovens, mas com ótimo potencial. Na foto acima, os exemplares que mais me agradaram.

São vinhos de cores muito concentradas, praticamente sem nenhuma evolução de borda. As duas safras apresentaram aromas de frutas escuras intensas e bastante frescas, toques florais, minerais e de café. Encorpados, macios, e de muito frescor em boca. Os taninos são abundantes e finos. Bem equilibrados em álcool e de muito boa persistência aromática. A diferença básica das safras 2013 e 2015 são as porcentagens invertidas entre madeira e concreto. Na safra 2013 predomina a madeira, enquanto na safra 2015, o concreto. Aromaticamente, há um sutil predomínio das notas de café em 2013, enquanto a mineralidade é mais presente na safra 2015. Tintos ainda muito jovens em franca evolução. Esses tintos são importados pela Grand Cru (www.grandcru.com.br).

Tendências e Descobertas

Neste último painel, foram apresentados alguns vinhos mais distintos, diferentes, e de padrão pouco usual. Comento dois dos que gostei mais, de uvas e estilos totalmente diferentes entre si.

img_5313mineralidade de Limari

Aparentemente, mais um Sauvignon Blanc de vale frio do Chile. O que diferencia este vinho é sua presença em boca, calcada numa acidez marcante, refrescante, acompanhada por uma salinidade muito revigorante. Os fortes aromas herbáceos até incomodam um pouco, embora seja acompanhado de fruta bastante fresca, além de um intrigante toque esfumaçado (algo mineral, já que não passa em madeira). Bela persistência aromática. Importado pela World Wine.

img_5314biodinâmica na veia

Este teria que ser o Gran Finale, o majestoso Coulée de Serrant de Nicolas Joly. Este é um branco que deve ser decantado com horas de antecedência, tal a profundidade de seus aromas. Por ser de fato tão jovem, safra 2014, pessoas que não estão acostumadas a ele podem não entender completamente todo seu potencial. Trata-se de um vinhedo exclusivo, um verdadeiro patrimônio viticultural francês. O vinho é elaborado à base de Chenin Blanc dentro dos mais rígidos preceitos biodinâmicos. A cor é muito intensa, já começando pelo dourado. Com a evolução do vinho em garrafa, torna-se alaranjado, até podendo ser confundido com os famosos Laranjas, tão em voga. Seus aromas vão se revelando aos poucos, a medida que o vinho vai sendo aerado. Notas de marmelo, damascos, ameixa amarela, fruta em caroço, e outras frutas exóticas vão aparecendo. Toques florais e de especiarias, notadamente o curry, vão se intensificando. Em boca, lembra um vinho tinto por sua estrutura portentosa. Macio e ao mesmo tempo com incrível frescor num equilíbrio harmônico. Sua persistência aromática reverbera por minutos. Um lição para quem quer saber o que é um grande vinho branco. Sensacional. Nota 95+ de Parker. Importadora Clarets (www.clarets.com.br).

Meus agradecimentos à Revista Adega por mais esta iniciativa, sempre procurando mostrar painéis de vinhos criativos e educativos, ampliando cada vez mais a cultura do vinho em nosso país. Os anfitriões Christian Burgos e Eduardo Milan sempre muitos gentis e solícitos com todos os convidados. Abraços a todos!

Alcachofra e Vinho

18 de Outubro de 2018

Nesta época do ano, as alcachofras estão no auge e em todo lugar. Despetala-las e depois ficar só com o fundo é sempre uma delicia. E o vinho, será que tem lugar pra ela?

Evidentemente que sim. Basta tomar alguns cuidados, pois a alcachofra tem uma substância chamada Cinarina. Os mais antigos vão lembrar do aperitivo Cynar, ainda existe, mas não é da moçada de hoje em dia. Essa substância pode gerar no vinho um sabor metálico ou um certo amargor, quando não deixa um adocicado diferente na harmonização. O ideal são vinhos de boa acidez e nada de taninos. Portanto, vinhos brancos saem na frente.

Minimizando um pouco o problema, a alcachofra compondo um prato, você tem outros componentes que amenizam este efeito no conjunto. Além disso, a alcachofra cozida e não em conserva, é mais fácil contornar os problemas. Para tanto, vamos a algumas receitas com esta deliciosa flor.

Carciofi-alla-romana

 um clássico da Bota

Carciofi alla Romana

Receita clássica da Italia, trata-se de alcachofras frescas banhadas em água e limão, preferencialmente siciliano, temperadas com alho, hortelã, sal e pimenta. O limão é importantíssimo, neutralizando o efeito da cinarina. Depois, elas são cozidas em azeite e água.

Serve como uma bela entrada, acompanhada de um fresco Sauvignon Blanc ou Pinot Grigio. A acidez e os toques de ervas do vinho formam um belo casamento, mantendo a leveza do conjunto.

risoto de alcachofras e camarões

foto do site Olhar Turistico

Risoto de Camarão com fundos de alcachofra

Pode-se utilizar camarões médios, fundo de alcachofra picado, e caldo de peixe para regar o arroz, além da água. Ervas e especiarias, de acordo com cada receita. A foto acima trata-se de um festival de alcachofras do restaurante Spadaccino na Vila Madalena. O vinho aqui pode ser um pouco mais encorpado, mas deve ser branco. Neste caso, um bom Sémillon da Austrália é uma boa pedida. Se for um Bordeaux branco, corte de Sémillon e Sauvignon Blanc, que não seja muito amadeirado. Um Pessac-Léognan mais elegante como o Chateau Carbonnieux.

pizza-prosciutto-carciofi

outros ingredientes, além da alcachofra

Pizza de Alcachofra

Na foto acima, temos uma pizza com cogumelos, presunto, queijo, além de coração de alcachofra. Podemos muito bem ficar nos brancos, mas há espaço para alguns tintos, sobretudo italianos. Tintos de corpo médio, boa acidez e taninos moderados, como Barberas mais simples, sem passagem por madeira, Chiantis jovens e de boa acidez, Valpolicellas jovens, são ótimas pedidas. Saindo da Itália, Tempranillos Jovens e tintos franceses do Loire, apresentam características apropriadas ao prato.

Outros vinhos

Outras opções para este ingrediente ardiloso dependendo da receita, pode ser um Jerez Amontillado, sempre seco, modernos vinhos brancos gregos, vinhos brancos de Gaillac, região do Sudoeste francês, Vinhos Verdes jovens, modernos, secos e de ótima acidez, como da uva Loureiro, por exemplo.

No caso de vinhos tintos, só devemos utiliza-los se a receita agregar outros componentes que tem a ver mais com tintos, lembrando sempre que devem ser delicados e com baixa tanicidade. Normalmente, as receitas de alcachofras são relacionadas com entradas e pratos leves, bem mais condizentes com os brancos. 

Jerez e seus Tesouros

11 de Outubro de 2018

Quando falamos de Jerez no mundo do vinho, falamos quase de um fóssil, algo em extinção, sobretudo no Brasil. De fato, em dados recentes, a Andaluzia região que inclui o Jerez, é a oitava região espanhola em produção com algo em torno de 1.200.000 hectolitros anuais, ou seja, 120 milhões de litros. Destes, 32 milhões são de Jerez (consumo interno e exportação), 12 milhões na Espanha e 20 milhões exportados para diversos países. Reino Unido, Holanda, Alemanha, e Estados Unidos, são os principais países importadores da bebida. O Brasil nem aparece na lista como país importador. Uma pena, pois os Jerezes, sobretudo o Fino e a Manzanilla são um dos melhores aperitivos do mundo.

Fino e Manzanilla

Essa foi uma das questões numa prova de certificação realizada recentemente na ABS-SP, qual da diferença entre os dois. Numa comparação simplória, é mais ou menos a diferença do chopp para cerveja. O primeiro é mais leve, mais frágil, pois não é pasteurizado. Já o segundo, não tem o mesmo frescor, mas aguenta bem mais a estocagem. Exatamente por isso, a Manzanilla é quase toda consumida na própria Espanha com as tradicionais tapas. Menos de 10% da produção é exportada.

Para o Fino, a situação se inverte. Quase o dobro do que é consumido na Espanha é exportado. Na verdade, Fino e Manzanilla se desenvolvem sob a flor, uma camada de leveduras que protegem o vinho da ação do oxigênio. Por uma questão de terroir, Manzanilla é elaborada na região litorânea de Sanlúcar de Barrameda, tendo um aspecto salino em seu sabor.

Jerez estatisticas 2017todos os tipos de Jerez

(favor ampliar a visualização)

Nos chamados Jerezes secos, pouco manipulados, a exportação é mais tímida. Em compensação, os Jerezes adocicados no processo como Pale Cream, Medium, e Cream, têm alta aceitação nos mercados externos, sobretudo e inglês. Já os Jerezes naturalmente doces como Moscatel e Pedro Ximenez, suas exportações são equilibradas com o mercado interno espanhol.

jerez VORS e VOS

números em litros (2017)

V.O.R.S e V.O.S

Da produção total de Amontillados, Olorosos, e Pedro Ximenez, uma parcela ínfima dessas categorias são destinadas aos Jerezes especiais com as denominações VOS e VORS com grande tempo de solera.

No caso do VOS (Vino Optimo Seleccionado) ou (Very Old Sherry) são soleras com mais de 20 anos (idade média dos vinhos) onde o caráter evidentemente oxidativo se faz presente. São partidas de vinhos especiais, altamente selecionados, que irão sempre revigorar a solera, mediante sacas criteriosamente programadas. Para cada  litro de solera sacada, deve haver 20 litros de vinho reposto nas criadeiras.

No caso do VORS (Vinum Optimum Rare Signatum) ou (Very Old Rare Sherry) são soleras com mais de 30 anos (idade média dos vinhos) com os mesmos critérios de qualidade do VOS. Apenas aumenta em 10 anos o tempo de solera. Para cada litro sacado da solera, 30 litros de vinho deve ser reposto nas criadeiras, garantindo assim a continuidade do sistema.

Para se ter uma ideia da exclusividade destas categorias, sua produção somadas (VOS + VORS) não chega a meio por cento da produção total das categorias envolvidas (Amontillado, Oloroso, Pedro Ximenez, Palo Cortado, Medium, e Cream). Esta ínfima porcentagem ainda cai pela metade se considerarmos a produção total de Jerez por ano. Vide quadro acima.

Numa degustação exclusiva, degustamos alguns exemplares raros destas categorias de uma das mais reputadas bodegas jerezanas, Bodegas Tradicion. Vamos a eles.

Fino Tradicion (solera  de 10 a 12 anos – acidez 4,01 g/l)

Um Fino totalmente fora da curva com Solera extremamente prolongada de 10 a 12 anos. Uma cor suavemente mais carregada em relação a um Fino padrão. Seus aromas são de grande complexidade denotando frutas exóticas como carambola e notas de maracujá, cogumelos, toques medicinais e de amêndoas. Com a evolução na taça, apareceram notas florais (jasmim) e de maças cozidas. Em boca, apresentou corpo médio, bem seco, embora macio, e com incrível frescor. Muito equilibrado em relação ao álcool e de uma persistência aromática bastante expansiva. Lembra bem o estilo Manzanilla Pasada, um clássico de Sanlúcar de Barrameda. Bela harmonização com um prato de massa com botarga. 

Amontillado Tradicion VORS 30 Años ( solera de 45 anos – acidez 7,93 g/l)

Um âmbar claro luminoso com alguns sedimentos já surpreende neste Amontillado com 45 anos de Solera, bem acima dos rígidos padrões para a categoria VORS. Novamente, alta complexidade aromática com notas de fino caramelo, torrefação, frutas secas, toques medicinais e evolução aromática para patisserie. Aqui encontramos resquícios de uma crianza biológica, seguida de longo estágio oxidativo. Em boca, é mais encorpado que o vinho anterior, mais untuoso e macio, embora com belo frescor. Novamente, o equilíbrio se faz presente com agradável calor do álcool e uma discreta nota salgada. Muito persistente em boca, prolongando todas as sensações descritas por via retronasal. Difícil descreve-lo por completo. Convidado de honra para a Festa de Babette.

Olorosos Tradicion VORS 30 Años (solera de 45 anos – acidez 8,17 g/l)

Vejam que a cor acima é levemente mais acentuada em relação ao Amontillado. Para um Oloroso de longa Solera oxidativa por 45 anos, sua cor é surpreendentemente nova e muito pouco evoluída. Os aromas de caramelo, torrefação e frutas secas, se intensificam ainda mais em relação ao Amontillado, acrescidos com notas de fumo e tâmaras. O mais encorpado do painel, notável untuosidade, mas com belo frescor. Agradavelmente quente e com persistência aromática sem fim. Um Oloroso de rara elegância, lembrando em muito um Palo Cortado, um dos Jerezes mais distintos e raros nos vários tipos deste fortificado milenar. Grande pedida para patês de caça ou terrine de campagne.

Pedro Ximenez Tradicion VOS 20 Años (solera de 22 anos – acidez 4,57 g/l)

Outro vinho de extrema distinção para os padrões comuns de Pedro Ximenez. A cor é densa parecendo um óleo velho de motor. Os aromas são intensos recordando compota de figo, bananada, rapadura, alcaçuz e mel de engenho. Em boca, muito encorpado, xaroposo, e extremamente persistente. Seu ponto alto é o incrível frescor, dada sua alcoolicidade e notável quantidade de açúcar residual. Grande pedida para harmonizar com chocolate amargo e sorvetes cremosos como baunilha e de ameixas. Queijos cremosos e curados também dão um belo contraste.

Enfim, todos vinhos de exceção, fugindo dos padrões normais para seus respectivos tipos e estilos. Reservados a momentos especiais onde as pessoas e pratos devem ser escolhidos a dedo. Todos os vinhos são importados com exclusividade pela importadora Vinissimo (www.vinissimostore.com.br).