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Cabernet Franc: Corte ou Varietal?

4 de Outubro de 2018

Das chamadas castas francesas internacionais, talvez a Cabernet Franc seja a mais injustiçada e menos badalada. Na França, onde seu cultivo é de longe o mais expressivo em termos mundiais, as regiões de Bordeaux e Loire se destacam, embora de forma relativamente discreta. Tanto na margem esquerda, como na margem direira, a Cabernet Franc é minoritária no chamado corte bordalês. Na região do Loire, apelações como Chinon, Bourgueil, e Saumur-Champigny, mostram seu lado varietal.

cheval blanc cabernet francCheval Blanc: alta porcentagem de Cabernet Franc

Bordeaux

Segundo dados oficiais do site bordalês (www.bordeaux.com), o cultivo da Cabernet Franc é praticamente 10% de toda a área de uvas tintas da região. No corte de margem esquerda onde há o predomínio da Cabernet Sauvignon, sua participação é em média de 10 a 15% do total. Já na margem direita, o mais comum é vermos algo como 80% Merlot e 20% Cabernet Franc. Exceções como Chateau Cheval Blanc, Ausone, Angelus e Chateau Lafleur em Pomerol, contam com um blend em torno de 50% em Cabernet Franc. Coincidência ou não, são Chateaux irrepreensíveis. 

É muito comum as pessoas compararem a Cabernet Franc com a Cabernet Sauvignon, dizendo ser a primeira uma uva de menor estrutura e menos expressiva. Na verdade, a participação da Cabernet Franc no corte de margem esquerda é bastante relevante em termos de aroma e elegância. Em boca, fornece frescor e certo equilíbrio em álcool, aparando as arestas da Cabernet Sauvignon. Já na margem direita, procura fornecer mais estrutura e mais nervo combinada à Merlot, cepa geralmente majoritária.

Em termos de clima e solo, a Cabernet Franc gosta do sol em climas mais frescos. Seus solos preferidos são argilo-calcários ou franco-arenosos, preferencialmente com presença de pedras ou cascalho. Afinar um bom ano com as condições acima descritas parece ser os maiores desafios para sua perfeita maturação.

loire mapa_LI

terroir da Cabernet Franc em azul

Loire

Na junção das sub-regiões de Anjou e Touraine, o clima fica mais ensolarado e menos sujeito ao frio e umidade vindos do litoral a oeste. O solo argilo-calcário em grande parte com algumas variações de sílica e areia, completam o terroir para o bom cultivo da Cabernet Franc poder se expressar nas apelações Chinon, Bourgueil e Saumur-Champigny (vide mapa acima).

Estes tintos no Loire assumem um perfil bastante gastronômico, já que seus componentes são bem equilibrados. Taninos e álcool comedidos, além de uma bela acidez e frescor. Seus aromas são sutis e nada dominantes. Tudo isso em conjunto, permite a combinação com pratos elegantes, dando espaço para a delicadeza e harmonia entre sabores e aromas. Pratos com cogumelos, especiarias e carnes tenras, são ótimas parcerias com esses vinhos.

Além da França

A Cabernet Franc em todo mundo soma em torno de 54 mil hectares de vinhas, sendo aproximadamente 36 mil só na França. Em seguida, Itália, Estados Unidos, Hungria e Chile, são as maiores áreas de cultivo, embora com números bem mais modestos.

Numa escala ainda menor, Argentina, Espanha, e Uruguai, mostram interessantes exemplares, os quais serão comentados logo abaixo. No Brasil como curiosidade, é a décima casta mais plantada com números bastante modestos. Para aqueles que quiserem experimentar um bom Cabernet Franc nacional, a vinícola Valmarino tem exemplares consistentes. O terroir de Pinto Bandeira, local da vinícola, apresenta clima apropriado. O problema é a dificuldade de encontra-los em lojas por São Paulo, por exemplo. Maiores informações: http://www.valmarino.com.br

norte espanha mapa_LI

 norte da Espanha

Origem

A Cabernet Franc pertence à família das Carmenets como a Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenère, Petit Verdot, entre outras. A marca registrada desta família é o típico aroma de pirazinas (lembra pimentão verde) que seus vinhos exalam, fruto de um inadequado amadurecimentos destas castas. Aliás, a Cabernet Franc deu origem a várias de sua família como a Merlot (Cabernet Franc com Magdeleine Noir), Cabernet Sauvignon (Cabernet Franc com Sauvignon Blanc) e Carmenère (Cabernet Franc com Gros Cabernet).

No entanto, a origem da Cabernet Franc parece ser mesmo basca, num cruzamento natural das uvas Morenoa e Hondarribi Beltza. Esta última cepa elabora alguns vinhos tintos na região basca (norte da Espanha) sob a denominação Txakoli ou Chacoli. No mapa acima, esta região está assinalada em vermelho.

Em recente degustação, pudemos avaliar alguns exemplares  com Cabernet Franc, tanto em corte, como em pureza.

boa relação qualidade/preço

(importadoras Decanter e Vinci)

No flight acima, dois exemplares por volta de cem reais. O da esquerda, um espanhol da Catalunha, denominação Pla de Bages (vide mapa acima em vermelho). Um corte inusitado de Cabernet Franc (60%) e Tempranillo (40%). Duas uvas que se respeitam muito, originando toques de frutas frescas, especiarias e um leve tostado, provavelmente pela breve passagem por madeira. Um vinho fácil de ser bebido, servindo como aperitivo e pratos leves de entrada. Já o exemplar da direita, um Cabernet Franc 100% do Uruguai com passagem por barricas francesas. Um tinto de corpo médio com nariz elegante, lembrando um Bordeaux nos aromas. Um vinho macio, de persistência aromática mediana, mas bastante honesto para seu preço. O Uruguai costuma ter bons exemplares desta cepa, sobretudo de algumas videiras antigas.

semelhança de estilos

(importadoras Grand Cru e World Wine)

Não é fácil encontrar no Novo Mundo exemplares de Cabernet Franc com estilo Vale do Loire nas apelações clássicas de Chinon, Bourgueil, ou Saumur-Champigny. O da foto acima à esquerda, trata-se de um Cabernet Franc argentino do Valle de Uco, mais especificamente de Guatallary, zona fria e de grande altitude (1350 mts) com solo calcário. Um vinho de grande pureza aromática lembrando framboesas, toques florais e de pimenta. Um vinho macio e de tanicidade delicada. No vinho à direita, um típico Chinon do ótimo produtor Pierre Breton. O perfil aromático é muito semelhante  e também um ótimo equilíbrio gustativo. A diferença em boca está na tanicidade mais acentuada do Chinon, vislumbrando alguma guarda em adega. Um embate interessante, mostrando mais uma vez a força do terroir nos vinhos de Novo Mundo.

corte bordalês em ação 

(ambos da importadora Mistral)

Neste ultimo flight, dois cortes bordaleses com participação um pouco mais acentuada da Cabernet Franc em 25%, lembrando que a maioria dos Bordeaux ficam em média entre 10 e 15% de Cabernet Franc. Neste Bordeaux à esquerda da ótima safra 2015 temos um vinho equilibrado, aromas típicos de frutas escuras, especiarias, ervas, e um toque de couro. Taninos dóceis e bem resolvidos. À direita, um corte bordalês italiano do ótimo produtor da Lombardia, Ca´del Bosco com a mesma proporção de Cabernet Franc. Embora um ano mais velho, safra 2014, o vinho parece menos pronto que o bordalês com taninos bem aparentes e em maior quantidade. Embora ainda possa evoluir em garrafa, seus taninos apresentam textura um pouco rugosa. Só o tempo dirá se a evolução aromática compensará a devida polimerização destes taninos. Um vinho interessante, mas com o dobro de preço do exemplar bordalês.

Enfim, alguns ensaios provando vinhos que fogem à nossa rotina. Para aqueles que tiverem a sorte e o bolso para voos mais ousados, seguem alguns exemplares de rara complexidade: El Enemigo Aleanna Guatallary e Pulenta Estate Gran Cabernet Franc (argentinos), Morlet Family (americano), Matarocchio da Tenuta Guado al Tasso (italiano) e Alzero da vinícola Quintarelli (italiano do Veneto). Por último, o melhor Cabernet Franc do Loire dos irmãos Foucault, Clos Rougeard. Um vinho de longa guarda sob a apelação Saumur-Champigny. Nas palavras de Charles Joguet, grande produtor de Chinon: Há dois sois no Loire, um que brilha para todos, e outro que brilha para os irmãos Foucault. Resta conferir …

Gorgonzola, o queijo do inverno

15 de Agosto de 2018

Atendendo solicitações, mais um artigo sobre o queijo Gorgonzola, um dos itens mais consultados em Vinho Sem Segredo. Desta feita, três receitas variadas, aproveitando este friozinho do que resta do inverno. Na falta do legitimo italiano, os tipos Gorgonzolas disponíveis no mercado podem satisfazer, sobretudo quando incorporados às receitas.

risoto aspargos e gorgonzola

Risoto de Aspargos e Gorgonzola

Principalmente para aqueles que deixaram a carne de lado, é uma receita reconfortante para o inverno com sabores bem particulares. O arroz italiano é elaborado com caldo de legumes e no meio do processo, adicionado o gorgonzola diluído no próprio caldo. São adicionados os aspargos previamente cozidos al dente e um pouquinho de páprica doce. Depois de servido, decore com as pontas de aspargos cozidas e um pouco de pistache grosseiramente  quebrado para dar crocância e sabor ao prato.

Aspargos são sempre componentes difíceis para harmonizar com vinhos. No entanto, neste caso ele faz parte do prato com certa cremosidade, além do sabor do gorgonzola. Um Torrontés argentino de Salta pode ser um vinho surpreendente com muita personalidade e frescor. Outra pedida incomum é um jovem Condrieu com a casta Viognier. Quando jovem conserva um bom frescor e agrega sabores exóticos ao prato. Por fim, é um prato decididamente para brancos. Os tintos não encontram eco nos sabores do aspargo. Uma solução mais comum é um fresco Chardonnay frutado, quase sem madeira. Um belo Pouilly-Fuissé da Borgonha, por exemplo.

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Nhoque ao molho de Gorgonzola

Acima uma bela massa com esse delicioso molho cremoso. O Gorgonzola neste caso é diluído à base de creme de leite fresco. Os temperos e ervas ficam por conta do freguês. O importante é ter o sabor delicado, mas presente do queijo, além da cremosidade adequada, nem muito aguado, nem muito espesso. A pimenta do moinho pode ser grosseiramente moída na finalização. Outro prato vegetariano, digamos assim.

É lógico que um Chardonnay bem intenso de fruta e com pouca madeira, se for o caso, cai muito bem. O Novo Mundo está cheio de opções. Como alternativas, um branco Antão Vaz do Alentejo vai no mesmo caminho. Rioja branco Reserva com a medida exata que costuma dar na madeira, proporcionam vinhos aromáticos e bem equilibrados. Se a opção for por tintos, os do sul da Italia com bastante fruta e taninos moderados caem bem. Nero d´Avola da Sicilia ou um tinto da Puglia sem ser muito concentrado.

file molho gorgonzola

Filé ao molho Gorgonzola

Trata-se praticamente do mesmo molho do prato de massa. Neste caso, podemos acrescentar um pouco de mostarda e deixar a espessura do molho mais cremosa. Como se trata de carne vermelha em corte alto ao ponto, os tintos são absolutos nesta harmonização. Só devemos tomar cuidado com os taninos. Embora o sabor e intensidade do queijo esteja diluídos no molho, o choque (sal x taninos) deve ser considerado para evitar amargor. Aqui podemos pensar em vinhos de certa potência como alguns Amarones, Shiraz da Australia, e alguns Prioratos. São vinhos de grande intensidade e taninos moderados. Todos eles na medida certa para o inverno. A guarnição deste prato pode ser batatas ao forno ou um risoto de açafrão. 

Para aqueles que preferem o queijo puro, sozinho, ou acompanhando somente de pão italiano, os Sauternes da região francesa de Bordeaux, bem como os clássicos Portos, são pedidas certeiras. Como alternativa mais original ao Porto, podemos pensar no Recioto della Valpolicella, a versão doce do Amarone.

De resto, é só por a imaginação para funcionar. Gorgonzola vai bem com figos, com brócolis, alho-poró, nozes, abóbora, entre outros ingredientes. Bom apetite!

 

 

Risotos e Lareira

8 de Julho de 2018

Risotto em italiano, ou Risoto aportuguesado, é um prato do norte da Itália, elaborado com arrozes da região como Arborio ou Carnaroli, por exemplo. Normalmente é servido como primo piatto na cucina italiana, mas aqui entre nós, muitas vezes atua como guarnição para algum tipo de carne. Seja como for, é um prato delicioso, reconfortante, e muito adequado para o friozinho do nosso inverno. Nesse sentido, vamos a quatro receitas  ecléticas, harmonizando com alguns tipos de vinhos.

Nebbiolo e Sangiovese com funghi porcini

Em termos de textura, o risoto apresenta notável cremosidade, sugerindo vinhos com alguma densidade que normalmente tendem a ser mais encorpados. Como é próprio da cozinha italiana, o risoto é mais uma base que conduz o sabor do prato de acordo com o ingrediente principal. É o mesmo raciocínio das pizzas e massas, onde os ingredientes mais importantes definem os tipos de vinhos mais adequados.

risotto-ai-funghi-porcini

Restaurante Gero: cremosidade perfeita

Risotto ai Funghi Porcini

Um dos mais saborosos, pode ser servido numa sequência de pratos ou acompanhando carnes como ossobuco, filet mignon grelhado com molhos à base de vinhos, demi-glace, ou molho rôti. Neste caso, é um terreno para tintos de bom corpo e sabores marcantes. Um toque de envelhecimento é bem-vindo, fazendo a liga com os sabores do risoto. Aqui cabe um Barbaresco, um Brunello, um Ribera del Duero, ou um Douro, todos de boa procedência e com pelo menos dez anos de safra. É importante neste primeiro exemplo, vinhos de boa complexidade e toques terciários.

risoto linguiça

Risoto de Linguiça e Legumes

Escolha a linguiça de sua preferência, mais ou menos apimentada, e legumes como cenoura, ervilhas, pimentão, por exemplo. Um pouco de salsão na preparação inicial dá um toque especial ao conjunto. Aqui pode ser um prato em si, já que inclui uma bela proteína. Para Harmonização, continuamos nos tintos, mas podem ser mais simples em relação ao risoto anterior. Os sabores mais apimentados e com certa rusticidade, pedem vinhos tintos vigorosos, frutados, e de algum frescor. Os italianos da Sicília com as uvas Nero d´Avola ou Nerello Mascalese podem ser belas opções. Do lado português, que tal um alentejano ou vinhos da região de Lisboa. O cuidado é procurar alentejanos novos e com bom frescor. Do lado de Lisboa, vinhos um pouco mais densos para casar com a textura do prato. Alguns Garnachas espanhóis também podem dar certo. Do lado francês, Syrahs do Rhône relativamente novos e de categorias mais simples como Crozes-Hermitage ou Saint-Joseph são belas pedidas.

risoto bacalhau

Risoto de Bacalhau

Para aqueles que não comem carne vermelha, mas não abrem mão de sabores marcantes, esta é uma das melhores opções. Cada um tem sua receita e ingredientes adequados como azeitonas pretas, brócolis na finalização, pimentões, entre outros. Como se trata de bacalhau, tintos e brancos podem gerar grandes polêmicas na harmonização. Na ala dos brancos, Chardonnays barricados são opções clássicas e certeiras no sentido de texturas e sabores de personalidade. Dentro de Portugal, os brancos do Dão com a casta Encruzado, além dos brancos alentejanos com a casta Antão Vaz, são pedidas clássicas. Do lado dos tintos, é só prestar atenção nos taninos. Eles devem ser discretos e com boa polimerização. Pode ser um alentejano macio, novo, e de muita fruta, ou partir para os sabores mais marcantes do bacalhau com tintos já evoluídos e de aromas terciários. Os Dãos garrafeiras se prestam muito bem neste caso, além dos Riojas Reserva e Gran Reserva com toques balsâmicos e de madeira perfumada. Os taninos nestes casos são bem resolvidos e delicados.

risoto camarao aspargos

bela foto: Flavia Blogger

Risoto de Camarão e Aspargos

Uma receita para quem não abre mão dos vinhos brancos. Os aspargos pedem vinhos de bom frescor. O toque adocicado do camarão vai ao encontro de vinhos frutados e porque não, algum toque off-dry. Neste sentido, um belo Riesling do Reno ou melhor ainda da Alsácia com mais textura, pode calibrar bem o prato. Como sugestão, os vinhos do produtor alsaciano Zind-Humbrecht (importadora Clarets) costumam apresentar textura mais cremosa e um toque sutil sugerindo doçura. Neste caso, tanto Riesling como a exótica Pinot Gris da Alsácia são escolhas certeiras. Vinhos brancos do Rhône Norte com a uva Viognier são emblematizados na apelação Condrieu. Um Sauvignon Blanc com muita fruta e frescor é outra combinação certeira, mas precisa ter textura. Um Cloud Bay da Nova Zelândia ou o chileno Amayna da importadora Mistral apresentam este perfil adequado ao prato.

Risolio

Esta é a versão do risoto sem a presença da manteiga, onde o azeite extra-virgem pode fazer o papel. É mais leve, saudável e digestivo. O restaurante Ristorantino tem várias opções nesta versão extremamente bem executadas como o de bacalhau ou de camarão.

Enfim, os risotos são opções de prato quase imprescindíveis para essa época do ano, apresentando uma infinidade de sabores de acordo com os ingredientes escolhidos e a criatividade de cada um. Saúde a todos!

Importadora Clarets e Domaines Delon

27 de Maio de 2018

São pouquíssimas as importadoras que a pessoa pode comprar um vinho qualquer do portfólio sem conhecer muito sobre o mesmo. Uma delas é a Clarets com vinhos muito bem selecionados pelo sommelier Manoel Beato, o mais ativo e experiente no ramo da restauração, origem clássica da profissão. No comando da Clarets está à frente dos negócios o belo casal, Guilherme Lemes e Keren Marchioro. Maiores informações, http://www.clarets.com.br 

Em mais um convite da importadora, conhecemos as novidades trazidas pela família Delon, onde seu mais famoso ícone é o Chateau Léoville Las Cases, um super Deuxième da comuna de Saint-Julien. Antes porém, um belo início com três Cavas da família Juvé & Camps, numa ordem crescente de tempo em contato sur lies (sobre as leveduras). Intermediando a degustação, partimos para alguns tintos da Puglia da nobre Tenute Rubino. 

img_4681Familia Juvé & Camps

Situada em Sant Sadurní d´Anoia, a melhor região de Cavas, Juvé & Camps controla todo o processo de elaboração, desde vinhedos próprios, até todas as fases de vinificação.

Começamos a degustação com um Cava de entrada por R$ 132 reais, já um Reserva, chamado Cinta Púrpura em versão Brut. Elaborado com as castas brancas tradicionais em iguais proporções, temos a Xarel-lo, Macabeo (conhecida também como Viura em Rioja) e Parellada. Esta última, dando um toque gracioso ao conjunto, enquanto a Xarel-lo aporta estrutura. O vinho passa cerca de 24 meses em contato sur lies antes do dégorgement. 

Em seguida, passamos a um Cava mais estruturado, gastronômico, chamado Reserva de Familia Gran Reserva na versão Brut Nature safra 2014. A alta proporção de Xarel-lo fornece mais corpo e estrutura ao vinho. Além disso, uma certa austeridade pela secura elegante deste Cava completa o conjunto. O vinho passa cerca de 36 meses sur lies, aportando maior complexidade. Este exemplar, na faixa de R$ 183 reais.

Finalizando as borbulhas, mais um Gran Reserva, desta vez Brut, chamado Gran Juvé & Camps safra 2013. A novidade é que aqui temos 25% de Chardonnay no blend tradicional, além  das três uvas já citadas. Esse fator, confere mais elegância ao conjunto. Conferindo ainda mais complexidade, o vinho passa cerca de 42 meses sur lies, antes do dégorgement. Seu preço fica na faixa de R$ 332 reais.

img_4679Tenute Rubino

Partindo agora para Puglia, região sul da Italia, temos três exemplares da Tenute Rubino, todos tintos. Começando pelo Oltremé IGT Salente 2016, elaborado pela uva autóctone 100% Susumaniello de baixa produtividade, sem passagem por madeira. Um vinho de entrada por R$ 115 reais com notas de frutas maduras, especiarias, e um traço de mineralidade.

Em seguida, temos o Jaddico DOC Brindisi Riserva 2013 saindo por R$ 199 reais. Um vinho já mais estruturado com um blend de 80% Negroamaro e 20% Susumaniello. Vinificação com maceração mais longa e afinamento de 8 a 9 meses em barricas francesas de primeiro uso. Tinto bem equilibrado, madeira bem dosada, e muito gastronômico.

Finalizando o trio italiano, temos o Cru Torre Testa IGT Salento 2015 por 299 reais. Voltamos agora à uva 100% Susumaniello de baixíssimos rendimentos de videiras antigas. Vinho de longa maceração com amadurecimento em barricas francesas de primeiro uso por 12 meses. Um vinho potente de álcool, bela estrutura tânica, e notas marcantes de licor de frutas (cerejas, amoras). De certo modo, lembra um Amarone. Vinho bom para uma lareira.

Domaines Delon

O gran finale ficou para os vinhos do grupo Delon que entre outros, elabora o grande Léoville Las Cases, um dos mais reputados tintos bordaleses da comuna de Saint-Julien. Começando pelo Chateau Potensac, uma das referências em Cru Bourgeois de tradição, foi servido inicialmente seus segundo vinho, Chapelle de Potensac 2014. Um vinho de R$ 165 reais que já entrega muito prazer para quem aprecia os aromas e sabores de um Bordeaux. Taninos macios, toques terciários elegantes, e muito bem equilibrado. Uma bela compra para o dia a dia.

img_4677prazer sem ferir o bolso

Já o Potensac 2012, um tinto mais estruturado, mais fechado em aromas, mas com bom potencial de guarda. Deve ser obrigatoriamente decantado, onde as notas de cassis, ervas, e tostados, vão se abrindo pouco a pouco. Sai por R$ 325 reais na importadora.

img_4678elite do Haut-Médoc

A última dupla fica por conta do Chateau Léoville Las Cases, começando pelo seu segundo vinho, Le Petit Lion 2012, saindo por R$ 570 reais. Um vinho ainda em evolução, mas menos estruturado que o Grand Vin. Devidamente decantado, já pode ser apreciado, sobretudo acompanhando pratos de carnes vermelha, notadamente o cordeiro. Pode ser adegado por alguns anos ainda, sem problemas.

A apoteose ficou reservada mesmo para o grande Léoville Las Cases safra 2013, uma safra bem problemática. Mesmo assim, este exemplar tem 92 pontos de Parker com apogeu previsto para 2030. Um tinto super elegante com taninos finíssimos de rolimã. Muito equilibrado, percebe-se o cassis, a madeira nobre, e os traços de tabaco que ainda estão por vir. Um vinho que vai evoluir bem em adega mas que neste momento, pode ser prazeroso pelos aromas primários ainda muito presentes. Sai por R$ 1930 reais na importadora com a vantagem de ficar pronto mais cedo para o consumo.

Agradecimentos à importadora Clarets por mais esta oportunidade, pela bela recepção e apresentação dos vinhos. Sempre no aguardo de mais novidades. Abraço a todos!