Posts Tagged ‘pernil’

Sugestões para as Festas

22 de Dezembro de 2019

Inúmeros restaurantes preparam seus menus para esta época do ano com o Natal e Ano Novo inspirando pratos diferentes ou então as receitas clássicas. Tomando como exemplo o renomado Vinheria Percussi, vamos harmonizar alguns pratos sugeridos que podem ser encomendados com antecedência. http://www.percussi.com.br

vinheria percussi caponata siciliana

Caponata Siciliana

Uma entrada típica italiana parecida com a versão francesa de Ratatouille. São vários legumes harmonizados com um lado realtivamente ácido e picante. Azeitonas e alcaparras fazem parte deste prato. Ótima opção para o verão.

Aqui podemos ficar nos espumantes, tão comuns nestas festas e que deveriam ser comuns em todo o ano. Podem ser pelo método Charmat, frutados, florais e com ótima acidez. É evidente até pelo caráter provençal do prato que um belo rosé do sul da França cai muito bem, embora a Itália tenha exemplares na Toscana e também em Abruzzo. Só para exemplificar, Cerasuolo d´Abruzzo.

vinheria percussi pansotti com nozes

Pansotti in salsa di Noci

Massa típica recheada com ricota e espinafre envolta em molho cremoso de nozes. Um caso clássico para vinhos brancos, sobretudo os Chardonnay com textura mais rica e com aromas harmonizado com as nozes. O vinho deve ser jovem e com madeira comedida para encarar a acidez da ricota. Um bom Vermentino da Toscana pode ir muito bem. Como exemplo, Antinori tem um ótimo exemplar de Bolgheri importado pela Winebrands.

anselmi capitel croce

Grande elegância com a uva Garganega no Veneto

Baccalà ao forno con patate dolci e porri

Brandade de bacalhau com allho-poró sobre purê de batatas doces. Um prato de textura rica, toques adocicados e os sabores do bacalhau. Um bom alvarinho de textura mais rica com Soalheiro da Mistral ou alguns exemplares do produtor Anselmo Mendes da importadora Decanter podem acompanhar muito bem. Do lado italiano, o excelente produtor do Veneto, Roberto Anselmi, faz um branco de rica textura com a uva Garganega chamado Capitel Croce. Vale a pena provar. Importado pela Decanter.

fonterutoli chianti classico

um dos mais confiáveis Chianti Classico

Arrosto di maialino ao forno

Um pernil de leitãozinho assado no forno com mel e castanhas. Pode ser acompanhado com farofa e eventualmente arroz também. É um prato que pode ir com brancos, mas vamos dar opções de tintos neste caso. Acho que um bom Rioja mais tradicional com a uva Tempranillo é uma boa pedida. A importadora Vinci traz o Viña Real Crianza que tem bom poder de fruta e toques elegantes de barrica. Do lado italina, eu iria para um confiável Chianti Classico do produtor Fonterutoli, importado para Grand Cru.

Outras dicas

Nessa época do ano a carne de porco é muito versátil e muito consumida. Para aquela leitoa de forno com pele crocante e pururucada, Portugal nos ensina que os espumantes vão bem cortanto a gordura do prato. Vá de espumantes elaborados pelo método clássico, pois são mais estruturados e ricos para o prato. Espumantes portugueses da Bairrada ou de Lamego, encostado no Douro, são ideais.

Para as bistecas e outras carnes defumadas de porco, os alemães e alsacianos vão de Riesling com seus característicos traços minerais. Conforme os acompanhamentos do prato em termos de doçura, esses vinhos calibram bem os açucares, conforme sua classificação no rótulo: Kabinett, spatlese, auslese, beerenauselse, em ordem crescente de doçura.

img_7149pernil com farofa de castanhas e chutney de abacaxi

Quando o assunto é pernil ao forno, podemos admitir tantos tintos como brancos. A fibrosidade da carne do pernil e seu intenso sabor permite uma ampla gama de vinhos. Pessoalmente, acho que a península ibérica sai na frente. Tintos espanhóis com as uvas Tempranillo e Garnacha vão muito bem. Do lado português, Tintos do Douro e do Dão são ótimos parceiros. O Dão gera vinhos mais elegantes para receitas mais sutis, enquanto o Douro vai melhor com sabores mais intensos. No caso do pernil acima, acompanhei com um Garnacha que se mostrou muito versátil. Embora houvesse o chutney de abacaxi, o mesmo estava muito equilibrado se acomodando bem com o lado macio e frutado da Garnacha.

Para os vinhos brancos, os bons exemplares do Douro, Dão e Alentejo, fazem grandes parcerias. No caso espanhol, uma combinação sensacional é um belo branco da Viña Tondonia com seus aromas complexos e elegantes.

No mais é sempre adequar o prato com a estrutura do vinho. Vale sobretudo o gosto pessoal e arriscar de vez em quando combinações mais ousadas. Mais do que acertar é aprender com os erros. O resto é pura diversão. Boas Festas!

 

Espumante Brut, Carne de Porco, Arroz de Pato

23 de Dezembro de 2015

O título deste artigo em si pode não ter muito sentido, mas foram os três itens mais pesquisados ultimamente em Vinho Sem Segredo. Evidentemente, estes assuntos já foram convenientemente abordados. Contudo, vale a pena num só artigo ressaltar os principais pontos, esclarecendo dúvidas.

Espumante Brut

Brut quer dizer o nível de açúcar residual  do espumante que neste caso é seco. Muito cuidado com a nomenclatura extremamente confusa na área de espumantes. Em grau de doçura crescente temos: Extra-Brut, Brut, Extra-Dry, Sec ou Dry, Demi-Sec ou Rich.

Importadora Decanter

Quanto ao método de espumatização, temos o método Charmat ou Tanque, e o método Tradicional ou Clássico, com segunda fermentação na própria garrafa. Normalmente, os espumantes Charmat são mais simples e de preços mais modestos. Já os de método Clássico, que são os casos dos Cavas e Champagnes, são espumantes mais complexos e de preço mais elevado.

De modo geral, espumantes do método Charmat vão melhor fora da mesa, como aperitivo, pequenas entradas e recepções. Já os elaborados pelo método Clássico são mais gastronômicos, sobretudo os mais complexos.

Carne de Porco

A harmonização desta carne depende muito do corte e da receita executada. De todo modo, podemos falar de leitoa ou leitãozinho, carne macia, delicada e rica em gordura. Neste caso, os vinhos brancos caem melhor. Sua acidez e frescor combatem bem o lado gorduroso do prato. Aqui também cabe bons espumantes, inclusive os rosés.

O clássico pernil assado

Já no caso do pernil, temos uma carne mais fibrosa e sabores marcantes. Aí sim, os tintos são mais convidativos. Portugueses do Dão e do Alentejo vão bem, além de espanhóis  de Rioja. Do lado italiano, tintos da Toscana e alguns Valpolicellas pelo método Ripasso são opções interessantes. Do lado francês, tintos do sul do Rhône, Provence e Languedoc, enfrentam bem o prato.

Nos cortes defumados como Kassler e os embutidos, vinhos alemães com a uva Riesling são a pedida certa. Conforme o corpo e estrutura do prato, os alsacianos são muito bons também.

Arroz de Pato

Item muito procurado neste blog,  o arroz de pato têm sabores marcantes. Vinhos de personalidade, com taninos domados, e de certa idade, vão melhor na harmonização. Tintos do Douro, Ribera del Duero e Brunellos, todos com certa evolução, podem casar muito bem com a iguaria.

Suculência e sabores intensos

Os tintos ibéricos são sempre as primeiras opções, mas italianos da Toscana ou Piemonte com alguns anos de envelhecimento são boas alternativas. Do lado francês, pessoalmente acho que Bordeaux e Borgonha são muito sofisticados para o prato. Os tintos do Rhône Norte como Crozes-Hermitage, Cornas e alguns Saint-Joseph, são boas escolhas desde que com alguns anos de garrafa.

É importante salientar esta certa evolução dos vinhos com seus aromas terciários. A carne de pato transmite um gosto marcante ao arroz e além disso tem o gosto defumado da linguiça que faz parte da receita. Este tipo de sabor no conjunto final faz um belo casamento com as características citadas acima dos vinhos em questão.

Tanto a carne de porco com suas inúmeras receitas, como o arroz de pato, são ótimas opções para as festas de fim de ano. Boas Festas!

Harmonização: Carne de Porco

18 de Agosto de 2010

É comum as pessoas perguntarem genericamente o que combina com determinado produto. Pode ser uma carne, um legume, um queijo, uma salada, dentro de um universo quase sem fim.

Cuidado com as respostas rápidas! Inúmeras variáveis entram neste contexto, desde a especificação do ingrediente, seu modo de preparo, molhos de acompanhamento, guarnições, entre outras. É o caso da carne de porco, objeto deste post, funcionando como exemplo. E a pergunta vem assim: o que combina com porco? Resposta rápida: praticamente qualquer vinho.

Kassler: um clássico alemão

A foto acima mostra uma costelinha defumada, típica da cozinha alemã. É um prato relativamente delicado, mas de muita personalidade. Buscando a harmonização nas origens, percebemos que um bom riesling alemão trocken (seco) ou alsaciano é perfeito. É um vinho elegante, tem boa acidez para combater a gordura do prato, apresenta corpo adequado à textura da carne e principalmente, casa perfeitamente seus toques minerais com os toques defumados da carne.

 

Lombinho ao forno com batatas

Receita clássica das famílias brasileiras num corte de carne relativamente magro. O grande segredo desta receita é deixar a carne menos seca possível, já que o próprio corte tem baixo teor de gordura intrínseca, além do processo de assar contribuir para o fato.

Neste caso, a carne tem um fundo neutro em termos de sabor, admitindo em princípio, tanto brancos, como tintos. Como o prato é delicado e neutro, podemos pensar em vinhos de corpo médio, acidez correta  e com boa intensidade de fruta, para dar vivacidade ao conjunto. Atenção especial deve ser dada à textura do vinho. É importante que ele seja macio para contrabalançar a secura da carne, deixando uma sensação final de maior viscosidade. Malbecs, Merlots e alentejanos relativamente simples, sem passagem por madeira, ou se for o caso, muito discretamente, são boas alternativas. Percebam que vinhos tânicos irão efetivamente aumentar a sensação de boca seca.

Para os brancos, a textura de um Chardonnay ou um Viognier preferencialmente sem madeira, além de bom poder de fruta, adequam-se bem ao prato.

Pernil com farofa

Outra receita campeã nas mesas brasileiras. Aqui é hora de um bom tinto maduro, preferencialmente da península ibérica. Um alentenjano, um vinho do Dão, um Rioja Crianza ou Reserva, são ótimas opções.

Pela própria anatomia do corte, o pernil tem a carne muito próxima ao osso, o que de fato, transmite muito sabor. A técnica culinária em assá-lo, permite que o sabor seja concentrado pela eliminação de água intrínseca, além do leve tostado em sua superfície. Por isso, um tinto maduro, com passagem adequada por madeira, harmonizará bem seus aromas terciários, além de toques balsâmicos e resinosos.

Um detalhe importante é a farofa como  acompanhamento. Quanto mais agridoce for seu sabor em função de seus componentes, mais fruta e mais juventude deve ter o vinho. Portanto, se a escolha for um Rioja, opte por um Crianza relativamente jovem.

Outras armadilhas podem estar em molhos diversos onde acidez, picância e doçura são componentes perigosos. No entanto, uma deglassagem na própria assadeira com vinho ou brandy depois do assado pronto, não trará maiores problemas.


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