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Liger-Belair e sua nobre vizinhança

7 de Fevereiro de 2018

Dando prosseguimento ao artigo anterior na Maison Laurent (Uma noite com Paul Laurent), chegou a hora dos tintos, e que tintos!

ee58d5a7-dfaf-4e26-a9fb-3f7d22404360.jpgprova do crime

Domaines legendários desfilaram em vários flights em safras memoráveis. Com a orientação do Comte Louis-Michel Liger-Belair, presente no evento, a sequência de legendas será descrita abaixo, começando com duas safras de seu grande ícone, La Romanée Grand Cru com área pouco maior que 0,8 hectare. Ratificando novamente, a reportagem completa sobre o renascimento do Domaine Liger-Belair a partir do novo milênio, segue no link Domaine Liger-Belair: O novo milênio

IMG_4240.jpgsafras bem pontuadas, mas de estilos diferentes

O estilo Liger-Belair segue claramente o caminho da delicadeza, lembrando um Chambolle-Musigny. As duas safras degustadas, ainda muito novas, mostra vinhos bem focados na fruta, nos traços florais e de especiarias. O 2006 é um vinho mais agudo, mais vibrante em acidez, e é essa acidez que permitirá um longo envelhecimento. Toda a finesse de Vosne-Romanée. Já o 2007, é um vinho mais direto, mais aberto em aromas, e mais macio. Tem uma riqueza tânica importante, mas de ótima textura. É sem dúvida, o mais prazeroso para ser tomado no momento.

IMG_4248.jpga essência de um bourgogne envelhecido

Safras antigas sempre serão polêmicas e jamais conclusivas, pois cada garrafa é uma história. A safra 1961 foi de baixos rendimentos e grande concentração, sobretudo para o astro maior, Romanée-Conti. Este exemplar é no mínimo hedonístico no sentido de apreciarmos todos os aromas terciários de um La Tâche envelhecido. As notas de cogumelos, adega úmida, sous-bois, estão todas presentes. Em boca, o ponto alto é o equilíbrio com todos os componentes em harmonia. Falta-lhe aquela expansão dos La Tache memoráveis, mas seu final de boca faz lembrar que em Vosne não existem vinhos comuns.

IMG_4245.jpga elegância em plena maturidade

A vantagem de provar este vinho é perceber sua plena maturidade numa safra sem grandes destaques. Clos de Bèze é o lado mais feminino de seu grande rival Le Chambertin. Nas mãos de Rousseau é que percebemos a importância do produtor nas safras menos badaladas. Aromas elegantes, taninos justamente extraídos, valorizando a delicadeza da fruta. Não é muito longo, mas seu equilíbrio é notável. Ótimo momento para ser abatido, já atingindo a maioridade. 

IMG_4259.jpgum pódio de campeões

A safra 1991 é sempre subestimada quando comparamos com 1990. Entretanto, há muitos exemplos de grandes surpresas, inclusive no La Tache 1991. Este exemplar especificamente, não se tratava das melhores garrafas. Entretanto, dava para perceber todo seu extrato e potencial, embora um pouco cansado. As melhores garrafas atingem 97 pontos, superando o próprio La Tache 1990. Mesmo assim, a força deste La Tache é impressionante com uma bela estrutura tânica. Seus aromas terciários já se impondo sobre a fruta, revela um final harmonioso, embora sem grande expansão.

Quanto aos dois Chambertins, temos uma diferença de quase uma década. Mais uma vez, 1990 não é aquele paraíso que imaginamos. Um vinho muito bem equilibrado, distinto, já com boa evolução em garrafa, mas falta-lhe algo para ser um dos grandes. Tanto é verdade, que outros Grands Crus do próprio Rousseau nesta safra, tiveram desempenho melhor. Não chegará perto do estupendo 1985, mas tirando as comparações, um Chambertin de livro.

Quanto ao 1999, este sim, tem punch e vigor para romper décadas. Um poder de fruta incrível, tenso em boca, e um extrato fabuloso. É preciso decanta-lo por pelo menos duas horas. Seus taninos ainda potentes, mas de extrema qualidade, pede carnes  consistentes como pato, por exemplo. Daqueles que provamos do Rousseau, é o que tem maior potencial de guarda.

3ba6cc11-f457-49fc-9df1-b97ac69ff267.jpgpoulet de bresse diretamente da França

Os tintos mais evoluídos da noite com aromas terciários notáveis, escoltaram muito bem um dos belos pratos do jantar, Poulet de Bresse aux Morilles. A ave com as perninhas escuras veio diretamente da França preparada nesta receita clássica, envolvendo creme de leite e os delicados cogumelos Morilles.

IMG_4251.jpglendas da Borgonha

Aqui entramos no ápice do jantar com quatro vinhos da safra 1985 de arrasar quarteirões. A maioria dos Echezeaux a princípio, não seria páreo para um Chambertin de Rousseau. Contudo, estamos falando de Henri Jayer, uma lenda da Borgonha. Este bruxo onde põe a mão vira ouro. Um vinho extremamente elegante, raçudo, que tem profundidade. Está delicioso para ser bebido no momento, mas sem nenhum sinal de cansaço.  

Agora, para tudo, tirem as crianças da sala. Estamos diante do maior Chambertin da história, este magnifico 1985 de Armand Rousseau, talvez só superado pelo mítico 1972. Um show de aromas, equilíbrio, texturas. Seus aromas terciários de caça se fundem magnificamente a frutas como cerejas escuras imersos em uma cadeia longa de taninos que parecem rolimãs. Suntuoso e inesquecível.

Clos de La Roche Históricos!

Novamente, a apoteose. Dois dos maiores Clos de La Roche da história de seus respectivos produtores, Dujac e Ponsot. Daria tudo para prova-los separadamente, pois a comparação é sempre cruel. Dujac, numa apresentação de gala com todos os adereços a que tem direito. Seus aromas de couro, notas empireumáticas, sous-bois, e uma boca aliando com perfeição a força desta apelação numa textura extremamente sedosa.

E finalmente, chega o grande vinho da noite, pelo menos pessoalmente. Um monstro chamado Ponsot. A força deste vinho, sua cor inacreditavelmente jovem, a vivacidade de suas frutas escuras, uma avalanche de taninos absurdamente polidos, e a mais pura sensação de alcaçuz emoldurando o conjunto. Dizem que  a safra 1971 é lendária, mas superar este exemplar é quase surreal. Apesar de extremamente prazeroso, ainda pode evoluir por pelo menos 15 anos, revelando quem sabe, seus mais profundos segredos. Enfim, uma aula de Clos de La Roche.

IMG_4261.jpguma década de evolução

Seguindo em frente, dois Chambertins classicamente duros, característica das safras 1988 e 1998. Na mais antiga, de 1988, os anos lhe fizeram bem. Taninos mais polimerizados, aromas mais desenvolvidos, mas um vinho de muita força. Vinho que pode ser guardado ainda, além de ser muito gastronômico. Harmonizou muito bem com o pato servido no jantar por sua estrutura rica. O de safra 1998 segue a mesma linha. Embora dez anos mais jovem, proporcionalmente é bem acessível, visto que apresenta uma estrutura menos portentosa que seu par. Certamente, terá uma trajetória mais curta quanto ao envelhecimento.

IMG_4260.jpga hierarquia prevalece

Aqui, um flight desigual, tanto na questão hierárquica, como na relevância das safras. A safra 1989 para o DRC Richebourg não teve o mesmo esplendor de 1988. Mostra-se um vinho amável, acessível, mas com uma estrutura um tanto frágil. Contudo, a prontidão e desenvolvimento de seus aromas e sabores o tornam muito prazeroso. Os toques terrosos e de cogumelos ficaram muito bem o Poulet de Bresse aux Morilles do jantar.

Por fim, sua majestade Romanée-Conti 1988. É impressionante a juventude deste vinho com seus 30 anos de vida, só comparável ao Ponsot Clos de La Roche acima descrito. Este vinho tem uma sobriedade quase irritante. Seu aroma tem sempre algo de misterioso, mas as rosas, a especiaria, a fruta bem colocada, estão lá. O que tem de potência no Clos de La Roche, sobra em elegância neste exemplar. A boca é harmoniosa, profunda, e persistente. Dá para ver na foto, que o Richebourg ficou meio intimidado …

fcabcab2-ad2b-4f2f-816f-f1760c603af0.jpgClimens 1929, o melhor da História

Em meio ao caos financeiro em Nova Iorque no ano de 1929, nascia o melhor Climens de toda sua história com 100 pontos. Chateau Climens é o rei de Barsac, região contígua a Sauternes, onde se elabora os vinhos botrytisados mais elegantes da região. Só a emoção de provar uma garrafa desta idade com as marcas do tempo, é motivo de sobra para contemplação. Pela cor âmbar escuro, lembra os grandes Tokaji Eszencia envelhecidos. A diferença marcante é a textura mais delgada deste Climens, sobretudo por conter bem menos açúcar residual que seu rival húngaro. De todo modo, os aromas e sabores de mel caramelado, damascos, cítricos cristalizados, e algo de curry, permeiam seu vasto espectro aromático, próprio dos vinhos imortais.  

Sem palavras para os agradecimentos, foram momentos mágicos onde a conversa fluiu solta em meio a uma gastronomia de alto nível, bem de acordo com os mais sagrados caldos da Côte de Nuits.

Se este for o tom do ano 2018, os Deuses do vinho estarão a postos para realizar os mais intangíveis desejos. Abraços a todos!

Comunas e Estilos

8 de Janeiro de 2018

Quando tentamos traçar um paralelo entre as regiões francesas de Bordeaux e Bourgogne é sempre algo muito mais contrastante do que semelhante. Tudo que cerca esses dois terroirs são conceitos muito diferentes, além de solos, climas e uvas. Um dos únicos pontos em comum é que são vinhos igualmente divinos, que envelhecem bem, e atinge uma complexidade difícil de parear com outras regiões vinícolas. Evidentemente, estamos falando do que há de melhor nestes respectivos terroirs. Assim sendo, as mais nobres sub-regiões de cada um destes terrenos estão exemplificadas no mapa abaixo: Médoc em Bordeaux e Côte de Nuits em Bourgogne.

correlação de estilos

As principais comunas dessas regiões fornecem vinhos distintos e de muita personalidade. O estilo particular de cada comuna permite fazer uma analogia entre as duas regiões. A intensidade, sabor, aroma, e textura, não são os mesmos, mas há uma linha mestra que permite a comparação. Senão, vejamos.

Margaux e Chambolle-Musigny

São comunas que afloram sobretudo a elegância. Portanto, textura e aromas delicados, escondendo com sutileza a força e profundidade desses vinhos. Quando nos deparamos com os respectivos astros maiores, a comparação faz ainda mais sentido. Um grande Chateau Margaux possui uma estrutura fabulosa, capaz de vencer décadas em garrafa, sempre envolto em muita elegância. O Grand Cru Le Musigny é outro vinho monumental que segue o mesmo caminho, profundo e elegante. São vinhos com discrição, que precisam ser descobertos e apreciados com atenção e paciência.

Saint-Julien e Morey-Saint-Denis

O ponto em comum entre essas comunas é a imprecisão de estilos de seus vinhos. Saint-Julien, colada em Pauillac, tenta ter a mesma força com vinhos muito equilibrados. Às vezes, o estilo pende para Margaux. Da mesma forma, os tintos de Morey-Saint-Denis procuram ter a força de Chambertin com alguma delicadeza de Chambolle-Musigny. De toda a forma, ambas comunas fazem vinhos de grande consistência e longevidade.

Pauillac e Gevrey-Chambertin

Duas comunas de grande prestígio e com o maior número de Grands Crus em seus respectivos terroirs. Pauillac tem três dos cinco primeiros de Bordeaux. Gevrey-Chambertin possui nove Grands Crus, liderados pelos espetaculares Chambertin e Clos de Bèze. Outros vinhos logo abaixo do primeiro escalão procuram manter o alto nível dos grandes astros. Já os demais vinhos de cada uma das comunas ficam sensivelmente abaixo da perfeição. De fato, são terroirs muito distintos, de difícil replicação.   

Saint-Estèphe e Nuits-Saint-Georges

Comunas que não possuem Grands Crus em seus repectivos terroirs. Saint-Estèphe tem vinhos longevos e de muita distinção, mas falta-lhes um certo refinamento que os difere de um Pauillac, por exemplo. Nuits-Saint-Georges segue o mesmo caminho. Embora seja uma comuna relativamente extensa, os tintos produzidos mais perto de Vosne-Romanée tendem a ser mais delicados, mas falta-lhes finesse, a elegância suprema de Vosne. Pessoalmente, prefiro a autêntica rusticidade de um Gouges ou Faiveley. São mais verdadeiros e envelhecem muito bem.

Vosne-Romanée

Aqui não há comparação. Aqui não temos vinhos comuns. São tintos que aliam profundidade e elegância sem paralelos. Isso fica potencializado quando nos deparamos com produtores como Domaine de La Romanée-Conti, Domaine Leroy, e Henri Jayer. A Pinot Noir toma outra dimensão, gerando vinhos de alta complexidade e enorme longevidade. Do trio mágico acima, os DRCs costumam ser menos lapidados. Precisam de muito tempo em garrafa para mostrarem o que são. Agora, a alta costura dos vinhos de Madame Leroy e Jayer são indescritíveis. Eles imprimem uma elegância extrema, parecendo ser quase frágeis, mas com uma profundidade soberba.

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duas obras-primas sem paralelos

Para não ficar em cima do muro, um grande Vosne em algum momento de sua evolução apresenta uma intersecção com um belo Lafite envelhecido, o mais borgonhês de todo o Médoc. Lafite, sempre é um tinto discreto, misterioso, difícil de se mostrar quando novo. Contudo, quando envelhece, seus aromas etéreos lembrando flores e cedro, além da textura delicada, alguma coisa da Borgonha parece dançar pela taça.

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delicadeza bordalesa com traços borgonheses    

Enfim, apenas um pouco de filosofia comparando duas pequenas porções de terreno onde os maiores tintos do planeta se expressam. O dia em que cair a última gota de chuva e for removido o último estrato geológico na terra, ainda não se saberá porque a França é a indiscutível mestra dos vinhos.  Hugh Johnson!  

 

 

La Tâche Gaudichottée

29 de Julho de 2017

O mosaico bourguignon em termos de vinhedos e parcelas não é nada fácil de entender e memorizar. O conceito de terroir aqui é levado às últimas consequências, delimitando parcela por parcela. E já para complicar, há uma diferença conceitual entre Climat e Lieu-Dit, gerando enormes polêmicas no que diz respeito ao rigor filosófico da ideia de terroir.

Segundo o site oficial de vinhos da Borgonha (www.vins-bourgogne.fr), Climats são parcelas devidamente delimitadas pelo INAO, Instituto Francês que rege as apelações de origem (AOC), oficializadas em 1935. Portanto, algo oficial e com força de lei. Na Borgonha, segundo o site (www.climats-bourgogne.com), existem 1247 Climats em toda a apelação, sendo 635 exclusivamente a vinhas Premier Cru.

Já o termo Lieu-Dit, refere-se a locais consagrados pelo tempo, pela tradição, independente de leis que posteriormente possam ser criadas. Para alguns mais ortodoxos, a própria essência e origem de determinados terrenos.

Num raciocínio lógico e coerente, as duas definições se confundem, não havendo a principio distorções. Contudo, alguns casos particulares merecem uma reflexão mais profunda, sobretudo quando se trata de um dos maiores Grands Crus não só de Vosne-Romanée, mas de toda a Borgonha. No caso, o esplendoroso La Tâche, monopole da reputada Domaine de La Romanée-Conti. O quadro abaixo, ajuda elucidar o fato.

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Les Gaudichots: repartição complexa

No final do século XIX, em 1855, Les Gaudichots pertencia a quatro proprietários: Lausseure, Ragonneau, Confuron, e Bergeret. Nesta época, La Tâche já tinha reputação semelhante ao vinhedo Romanée-Conti e sua área era de apenas 1,40 hectare. Já Les Gaudichots possuía 5.95 hectares.

Em negociações um tanto obscuras, a maioria das parcelas de Les Gaudichots foram adquiridas por Duvault-Blochet, então proprietário DRC, entre final do século XIX e inicio do século XX, conservando em seus rótulos o nome Les Gaudichots. Tanto é verdade, que o Les Gaudichots 1929 Domaine de La Romanée-Conti é um vinho legendário.

Aproveitando o gancho, segue link do site Académie des Vins Anciens num almoço memorável com a presença de Aubert de Villaine no restaurante Taillevent, regado a grandes caldos, inclusive Henri Jayer Cros-Parantoux 1991 e 1995. http://www.academiedesvinsanciens.org/dejeuner-les-gaudichots-1929-au-restaurant-taillevent/

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menção “grand premier cru”

Em 1933, o vinhedo original La Tâche, então propriedade da família Liger-Belair, é vendido ao Domaine de La Romanée-Conti. Baseado numa antiga prática de muitos Les Gaudichots serem comercializados na época com a menção La Tâche, ganhando assim prestígio, Domaine de La Romanée-Conti resolveu unificar os dois vinhedos, já que tinha quase a totalidade dos Les Gaudichots. Portanto, a área original de 1,43 hectare foi acrescida de 4,63 hectares, totalizando 6.06 hectares, área que comumente conhecemos dos La Tâches atuais.

Em 1936 com a criação das AOCs, La Tâche com a área ja unificada, foi declarado Grand Cru. Restou apenas um hectare de Les Gaudichots não pertencente ao Domaine. Essa pequena área é atualmente fragmentada nas categorias Village e Premier Cru, ou seja, Vosne-Romanée menção Les Gaudichots (Lieu-Dit) e Vosne-Romanée Premier Cru Les Gaudichots. Complicado, mas é verdade.

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Forey: um dos proprietários atuais

Velho La Tâche versus Novo La Tâche

Muita discussão para pouca conclusão. De acordo com relatos da velha Borgonha, o La Tâche original possuia um terroir diferenciado com vinhos mais ricos. Com a mistura dos vinhedos, provavelmente houve uma certa diluição. De qualquer modo, o vinho é extraordinário e certamente mais prazeroso em muitos momentos, do que o astro maior Romanée-Conti, de evolução mais lenta em garrafa.

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perfil geológico

No perfil geológico acima num corte da comuna de Vosne-Romanée, o extenso vinhedo La Tâche já unificado, tem um declive de 50 metros do ponto mais baixo na mesma latitude de Romanée-Saint-Vivant, perto de 250 metros de altitude, até acima de La Romanée, passando por Romanée-Conti, na cota de 300 metros de altitude.

Desta forma, ele passa por três diferentes tipos de solo, fornecendo várias expressões nos diversos setores do vinhedo. Na parte mais baixa, coincidindo com o vinhedo original, o solo mais nobre e raro de Vosne-Romanée chamado Marnes à Ostrea Acuminata, uma mistura judiciosa de argila e pequenos fragmentos de fosseis marinhos, transmitindo grande mineralidade ao vinho. No meio da subida, o calcário fragmentado começa ter mais volume relativo à argila num solo menos profundo. O vinho perde força, mas ganha elegância. Por fim, na parte mais alta do vinhedo, o chamado Calcaire de Premeaux ganha volume, resultando num solo raso, fruto da erosão da rocha-mãe com pouca proporção de argila. Portanto, vinhos mais leves.

Isso pode explicar em parte o esplendor dos La Tâches antigos no final do século XIX, baseado na análise geológica acima. Segundo Jules Lavalle, estudioso e crítico de alto gabarito neste período na Borgonha, classificou o antigo La Tâche no mesmo nível do Romanée-Conti como Tête de Cuvée, enquanto o vinhedo Les Gaudichots numa classificação imediatamente abaixo, como Premier Cuvée.

Concluindo, mesmo na França, país de grande tradição vinícola e de leis bem estabelecidas e definidas, pode passar a falsa impressão de imutabilidade de grandes terroirs como visto acima. Percebemos no entanto, que leis, costumes e a própria evolução do homem, modifica e ajusta caminhos traçados pela história. 

Tintos da Borgonha: Top Ten

23 de Junho de 2016

Tempos atrás fiz um ranking pessoal dos melhores tintos de Bordeaux provados ao longo de mais de 20 anos. Agora, chegou a vez dos tintos da Borgonha. É sempre uma escolha difícil, até porque a memória nos trai. Em todo caso, segue abaixo alguns vinhos com a ressalva ao longo do tempo de serem modificados. De qualquer modo, são vinhos especiais, e que dificilmente irão decepcionar aqueles que experimentarem. É bom frisar também, que não sou um especialista na matéria, mas alguém já disse: o gosto é soberano!

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Hug Johnson: Um dos melhores vinhedos sobre a Terra

A ordem da lista não significa prioridades ou escala de pontuação. Evidentemente, são vinhos sob meu critério, acima de 95 pontos, ou seja, obras de arte.

  • DRC Romanée-Conti 1985

vinho difícil que precisa de tempo. acho que com seus mais de trinta aninhos mostra suas verdadeiras virtudes.

  • DRC La Tâche 1990

normalmente, agrada mais que o mito acima na maioria das vezes.

  • DRC Romanée-St-Vivant 1978

um vinho de sonhos. É o meu preferido do Domaine e nesta safra, extrapola as expectativas.

  • Henri Jayer Cros Parantoux 1988

aqui é um homenagem ao monstro sagrado da Borgonha, Henri Jayer. Poderia ser outra safra ou qualquer um de seus tintos. A delicadeza e longevidade desses vinhos não tem descrição a meu ver.

  • Clos de Tart

Novamente, independe da safra. particularmente, as safras 88 e 96 são magnificas. Um dos poucos da Borgonha capazes de encarar o mito (Romanée-Conti).

  • Domaine Jacques-Frédéric Mugnier Chambolle-Musigny Premier Cru Les Amoureuses

Independente da safra, mas com este produtor. você não completará a Borgonha sem ter provado esta obra-prima. A linha tênue que separa o encantamento da mediocridade, só Mugnier chegou mais perto.

  • Domaine Ponsot

Independente de safra, seus Grands Crus Clos St Denis e Clos de La Roche, todos vinhas velhas, são de uma profundidade impar. O silencio depois da prova é inevitável.

  • Domaine Rousseau

Seus Chambertins são espetaculares. Difícil escolher um. Até seu Premier Clos St-Jacques é inesquecível.

  • Domaine Méo-Camuzet

Seus Grands Crus Richebourg e Clos de Vougeot são raros, caros e divinos. A essência de Vosne-Romanée.

  • Domaines Michel Lafarge e/ou Marquis D´Angerville

Uma homenagem aos tintos da Côte de Beaune com dois domaines espetaculares. Não são Grands Crus, mas seus Volnay topo de gama são de uma delicadeza impar. Lafarge, mais feminino. D´Angerville, mais viril. Premiers Crus como Clos des Chênes, Chateau des Ducs e Clos des Ducs, são sensacionais e podem envelhecer dignamente.

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Terroir de séculos

Reparem que com exceção do último vinho, todos os demais são da Côte de Nuits, berço espiritual da Côte d´Or e por conseguinte, de toda a Borgonha. Todos são Grands Crus distribuídos pelas famosas comunas de Vosne-Romanée, Chambolle-Musigny, Morey-St-Denis e Chambertin.

richebourg meo camuzet

exclusividade: menos de meio hectare

Além dos Premiers Crus da Côte de Beaune como última indicação, Les Amoureuses também inclui-se nesta classificação. Contudo, este tinto por si só, já é uma exceção.

henri jayer cros parantoux

o mito engarrafado

Há uma lacuna nesta classificação que precisa ser explicada. Os vinhos do Domaine Leroy. Infelizmente, os vinhos tintos do Domaine e não da Maison Leroy ainda não os provei. O branco Corton-Charlemagne é divino. Penso que os tintos devem seguir o mesmo caminho. Como disse, uma lista como essa jamais pode ser definitiva. A fila anda …

mugnier les amoureuses

a epítome da delicadeza

Todos esses vinhos são tintos de guarda que precisam pelo menos dez anos para se expressarem plenamente, alguns bem mais, especialmente Romanée-Conti, Clos de Tart e Domaine Ponsot.