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Terroir: A temperamental Nebbiolo

30 de Junho de 2011

Falar da denominação Barolo sem usar expressões como: exceto, depende da safra, dependendo do produtor, dependendo da exposição do terreno, e outras tantas considerações, é como pisar num campo minado, dizendo que até aquele instante, está tudo sob controle. Este tema foi elaborado a pedido do meu amigo Roberto Rockmann, barolista convicto, em busca incessante de novas opiniões sobre uma das mais importantes e tradicionais denominações italianas.

Apesar de ser elaborado exclusivamente com Nebbiolo, esta uva é tão ou mais complicada que a própria Pinot Noir na Borgonha. Sua maturação é tardia, com um ciclo bastante longo. O próprio nome está ligado à época de colheita, com a característica neblina (nebbia) que se intensifica no começo do outono piemontês. Seus taninos são potentes e exigem um amadurecimento perfeito, dificultando ainda mais seu paciente cultivo. Portanto, é fundamental uma excelente exposição do terreno, preferencialmente a sudeste, como ocorre nos grandes vinhedos no hemisfério norte.

Esta breve introdução nos mostra o tamanho do problema. A despeito da pequena área desta denominação (imaginem um retângulo de oito quilometros de largura por doze quilometros de comprimento), tomar um barolo genérico é mais arriscado que tomar um borgonha comunal. Portanto, é fundamental conhecer o vinhedo específico e o estilo do produtor, para tentar entender o que se está tomando, de acordo com a característica da safra em questão.

 

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As várias comunas de Barolo

O mapa acima (dê um zoom para maiores detalhes) mostra uma importante linha divisória no sentido longitudinal, separando a oeste um solo denominado Tortoniano, de um solo a leste denominado Helvético. O solo Tortoniano, típico da comuna de La Morra, é composto de marga (mistura judiciosa de argila e calcário) com presença marcante de manganês e magnésio. É um solo claro com uma leve nuance azulada, semelhante à cor gelo. A Nebbiolo cultivada neste tipo de solo gera vinhos mais aromáticos, precoces, com taninos mais dóceis. Já o solo Helvético, é composto de marga com presença marcante de ferro, dando uma aparência mais amarelada. Nebbiolo cultivada neste tipo de solo gera vinhos mais austeros, de maior acidez e taninos mais marcantes. São os chamados Barolos de guarda, muito típicos da comuna de Serralunga d´Alba.

Seguindo esta linha de raciocínio, os chamados produtores Modernistas procuram cultivar uvas Nebbiolo em solos do tipo Tortoniano, cujo terroir é mais favorável  ao estilo moderno de vinficação, gerando Barolos de grande empatia.

Os chamados produtores Tradicionalistas encontram mais facilidades de expressar seus Barolos em solo do tipo Helvético, enfatizando toda a potência e austeridade desses vinhos.

Estilo Modernista

São Barolos aromáticos, agradáveis de beber mesmo em tenra idade, taninos relativamente macios e eventualmente, mostrando traços de barricas novas. Muito ao agrado do chamada gosto internacional.

Alguns Produtores: Domenico Clerico, Elio Grasso, Roberto Voerzio e Elio Altare.

Estilo Tradicionalista

São Barolos austeros, de grande acidez, taninos firmes, aromaticamente fechados quando novos. Vão se expressar melhor à medida que adquirirem aromas terciários (envelhecimento em garrafa).

Alguns Produtores: Massolino, Bruno Giacosa, Mascarello e Aldo Conterno.

Os produtores mencionados podem ser encontrados nas seguintes importadoras:

Grand Cru (Massolino): www.grandcru.com.br

Mistral (Giacosa): www.mistral.com.br

Vinci (Elio Altare e Domenico Clerico): www.vinci.com.br

Cellar (Aldo Conterno): www.cellar-af.com.br (fale com Amari de Faria, expert no Piemonte, e você terá outras dicas e produtores)

Interfood (Elio Grasso): www.interfood.com.br

Decanter (Mascarello): www.decanter.com.br

World Wine (Roberto Voerzio): www.worldwine.com.br

O fator complicador de toda esta história reside no fato de definir claramente o tipo de solo predominante de um determinado vinhedo, além de saber exatamente, até que ponto o produtor em questão pende para a escola Modernista ou Tradicionalista. Some-se a isto, os fatores climáticos de cada ano e por conseguinte, a safra, e a apaixonante polêmica está armada.

Concluindo, para você encontrar seu Barolo de coração, procure saber sobre o produtor, seu estilo e seus vinhedos. Veja se esses dados estão de acordo com seu gosto pessoal. Posso garantir que para chegar neste estágio, muitos Barolos serão abertos. Então, vamos ao sacrifício!

Piemonte: Nova DOCG Alta Langa

29 de Janeiro de 2011

Realmente, o Piemonte quer disparar frente às demais regiões italianas com relação ao número de DOCGs (Denominazione di Origine Controllata e Garantita). A partir da safra de 2011, a denominação Alta Langa passar ser DOCG.

Alta Langa, ainda DOC, é uma denominação para espumantes do Piemonte elaborados pelo método clássico (segunda fermentação na garrafa), com as uvas Chardonnay e Pinot Noir em porcentagem de pelo menos 90% (juntas). As províncias piemontesas autorizadas são Cuneo, Alessandria e Asti. As eventuais uvas complementares são uvas autóctones autorizadas na região. As versões podem ser spumante bianco, rosato (rosé) ou rosso.

Nova DOCG a partir da safra 2011

O rótulo acima é um dos bons produtores da região, comercializado no Brasil pela importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

Com esta nova designação, Alta Langa forma um seleto grupo de espumantes italianos DOCG elaborados pelo método clássico, juntamente com os ótimos Franciacorta e os recentes Oltrepò Pavese Metodo Classico.

DOCG: Piemonte dispara na liderança

9 de Setembro de 2010

 

Mapa em constante mudança

Não perca a conta! Até agora são catorze DOCGs (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), ou seja, o dobro da Toscana, e quase um terço das DOCGs italianas. Maiores detalhes, consultar site www.vinealia.org com a lista completa.

Como geralmente o Piemonte trabalha com varietais, é comum a intersecção de áreas das DOCGs e das DOCs. É bom lembrar também, que o Piemonte e Valle d´Aosta não possuem legislação para as IGTs (Indicazione Geografica Tipica). Seguem abaixo as DOCGs atuais em vermelho por varietal:

Nebbiolo

Barolo, Barbaresco, Ghemme e Gattinara

Barolo e Barbaresco dispensam comentários. Já Ghemme e Gattinara, são menos conhecidas. São denominações interessantes e rivais das mais famosas já citadas. A Nebbiolo é conhecida localmente como Spanna. Normalmente, os vinhos não apresentam grande profundidade, mas podem ser boas escolhas se os produtores forem referências. Travaglini e Antoniolo para Gattinara. Para Ghemme não temos referência no Brasil.

Barbera

Barbera d´Asti, Barbera del Monferrato

Barbera d´Asti é o berço do chamado Barbera Barricato, embora tenha uma corrente mais tradicionalista. É um estilo moderno, às vezes demasiado extraído e notadamente marcado pela madeira. O Barbera del Monferrato é mais leve e geralmente mais simples. Neste caso, a categoria DOCG é designada apenas para a versão Superiore.

Dolcetto

Dolcetto di Dogliani, Dolcetto di Ovada, Dolcetto di Diano d´Alba

São Dolcettos diferenciados, com uma concentração acima da média. Ovada costuma ser mais encorpado que o Dogliani e existe também a versão Riserva. Já o Diano d´Alba pode ter um estilo intermediário com menção do vinhedo. Tanto Dogliani, como Ovada, a categoria DOCG vale apenas para a versão Superiore. Nestes casos, um mínimo de 13º e 12,5º de álcool, respectivamente.

Brachetto

Brachetto d´Acqui

Tinto de estilo Claret ou Chiaretto elaborado com a uva Brachetto. É mais conhecido na versão espumante doce. Uma espécie de Lambrusco local, embora um pouco mais encorpado e persistente que as DOCs Freisa d´Asti e Freisa di Chieri. Nestes casos, Freisa é mais uma uva tinta autóctone.

Cortese (uva branca)

Gavi ou Cortese di Gavi

Branco medianamente encorpado, com eventual passagem por madeira. Costuma fazer a vez do Chardonnay local.

Ruchè (uva tinta)

Ruchè (área de Castagnole Monferrato)

Tinto relativamente leve, elaborado próximo à província de Asti, na região de Castagnole Monferrato. Geralmente, na versão secco ou amabile, embora exista a versão passito.

Moscato

Asti (engloba Moscato d´Asti e Asti Spumante)

Elaborados com a uva Moscato Bianco, são vinhos doces frisantes e espumantes, respectivamente, bem conhecidos do público em geral.

Nebbiolo e Arneis (tinta e branca, respectivamente)

Roero (Roero para o tinto e Roero Arneis para o branco)

Roero tinto é um Nebbiolo de estilo mais leve e pode perfeitamente anteceder vinhos como Barbaresco e Barolo. Roero Arneis é um branco delicado com a uva autóctone Arneis.

 

Nova DOCG: Aglianico del Vulture

29 de Agosto de 2010

 

Rótulo de destaque na importadora Decanter

Mais uma região italiana estreia na categoria DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), a Basilicata. Situada no sul da Itália, tem uma área relativamente pequena, encravada entre a Calábria e a Puglia.

A grande uva tinta da região é a Aglianico, de origem grega, muito cultivada também na Campânia, sob outra DOCG famosa, denominada Taurasi.

A DOC Aglianico del Vulture foi criada em 1971 e agora em agosto de 2010 passa a ser DOCG para as categorias Aglianico del Vulture Superiore e Aglianico del Vulture Superiore Riserva. O termo Superiore nesta denominação exige um grau alcoólico mínimo de 13,5º (treze graus e meio). Já o termo Riserva exige que o vinho só pode ser comercializado após o quinto ano em relação à respectiva safra, sendo um amadurecimento mínimo de 24 meses em madeira, além de um mínimo de mais 24 meses em garrafa.

O Aglianico del Vulture Superiore não Riserva só pode ser comercializado após o terceiro ano em relação à sua respectiva safra, sendo um mínimo de 12 meses em madeira, além de um mínimo de 12 meses em garrafa.

Quaisquer dos casos a uva deve ser 100% Aglianico. Portanto, do exposto acima, só teremos o selo DOCG nas garrafas a partir de 2013 para a versão Superiore, e a partir de 2015 para a versão Superiore Riserva.

Para quem quiser sentir a força desses vinhos sulinos, o rótulo acima é uma bela referência(www.decanter.com.br). Vinho de boa coloração, lágrimas presentes e numerosas. Os aromas evocam grande concentração de frutas, especiarias e ervas, além de um fundo resinoso proveniente da madeira. Normalmente, são vinhos encorpados, macios, embora tenham um bom suporte de acidez. Pode acompanhar muito bem uma bela perna de cabrito, guarnecida com batatas assadas e douradas conjuntamente.

Itália: DOCGs atualizadas

19 de Março de 2010

 

Marche: uma das 20 regiões vinícolas da Itália

Mais duas novas DOCGs foram recentemente promulgadas perfazendo um total de 45 DOCG (Denominazioni di Origine Controllata e Garantita), classificação máxima pela legislação italiana. São elas: Castelli di Jesi Verdicchio Riserva e Verdicchio di Matelica, pertencentes à região central de Marche na costa adriática.

A uva branca autóctone Verdicchio gera vinhos frescos, relativamente leves e delicados. Ideal para entradas, pescados e massas como spaghetti alle Vongole.

Para aqueles que desejam provar esses vinhos, temos dois típicos representantes no Brasil. O primeiro é o produtor Garofoli da importadora Vinea (www.vinea.com.br) e o segundo é o tradicional Fazi-Battaglia (era importado pela Franco Suissa, mas pode ser encontrado em supermercados). O inconfundível formato em ânfora da garrafa caracteriza este vinho.

As duas novíssimas denominações juntam-se a outras duas também relativamente recentes: Rosso Conero Riserva e Vernaccia di Serrapetrona. A primeira é um tinto à base da uva Montepulciano complementada pela Sangiovese. Já a segunda, é um curioso espumante tinto baseado na uva Vernaccia Nera.

Para maiores informações sobre DOCG de todas as regiões, consulte o site www.vinealia.org,  que detalha todas as DOCG e DOC atualmente em vigor. O Piemonte reina absoluto com 12 DOCG,  por enquanto.

 

Prosecco: Novas Denominações

21 de Dezembro de 2009

O nome Glera entra em ação

A partir de julho de 2009 foram feitas sensíveis mudanças em torno do nome  “Prosecco”. A despeito de não ser o grande espumante da Itália, sua denominação nunca foi respeitada principalmente pelo fato da homonomia entre a uva em si e sua respectiva denominação. Os mapas acima ilustram o que havia antes e o que haverá depois das novas leis. Em resumo, o que era DOC (Denominazione de Origine Controllata) passará a DOCG (Denominazione de Origine Controllata e Garantita) e o que era IGT (Indicazione Geografica Tipica), passará a ser DOC interregional (Veneto e Friuli-Venezia-Giulia).

Para todas essas modificações foi fundamental a mudança do nome da uva branca que dá origem à denominação. Há um sinônimo da uva Prosecco chamada “Glera”, que ao longo da história foi sempre esquecido e raramente mencionado. Com este subterfúgio será possível proteger de forma eficiente a denominação de origem.

As nove subregiões do segundo mapa que englobam Veneto e Friuli passarão à DOC Prosecco. A noçao de terroir fica um tanto vaga, já que a área é relativamente extensa.  Neste caso, a importância do produtor é primordial para uma boa escolha.

As comunas de Valdobbiadene, Conegliano e Asolo que efetivamente são a essência deste espumante passarão a ser duas DOCGs distintas: DOCG Conegliano Valdobbiadene – Prosecco e DOCG Colli Asolani – Prosecco.

É sempre bom esclarecer que Prosecco não significa só vinho espumante. Pode ser também do tipo tranquilo ou frisante. No tipo tranquilo há ausência de gás carbônico. No frisante (frizzante em italiano), temos uma pressão entre 1 e 2,5 atmosferas. Finalmente, no conhecido espumante, a pressão pode  chega a 5 ou 6 atmosferas.